sábado, 30 de outubro de 2010

O mago


Diego Armando Maradona, El Pibe, faz hoje 50 anos. Aqui fica um pequeno tributo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ora viva!!!

Já temos orçamento. Bem que isto não passava de um segredo de polichinelo. O que quer dizer que podemos esquecer as agruras que nos atormentavam derivado das sucatas, dos friportes, dos BPN’s, e tutti quanti.
Viva a “democracia”.
Lá vamos cantando e rindo. “De carrinho”, como dizia o poeta.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A bela da crise…



Sem falar na banca, que é o “fartar vilanagem” que todos sabem, nas edp’s, nas pt’s, bem como outras empresas igualmente lucrativas, a Galp fechou o terceiro trimestre do ano com um lucro ajustado de 93 milhões de euros, bem acima do esperado. A petrolífera informa ainda que todos os segmentos de negócio melhoraram o seu desempenho operacional.
Isto de jornais económicos é  só boas noticias: a Portucel, por exemplo, duplicou os lucros para 154 milhões. Já os lucros da Jerónimo Martins creceram, também, mais do que o esperado. Esperavam 83.4 milhões e foram atingidos os 92 milhões.
As "boas noticias" não param de chegar: o governo vai transferir menos 500 milhões para empresas públicas e os hospitais têm de cortar 5% na despesa com pessoal, o que é indubitavelmente um indicador da melhoria da qualidade da saúde.
Não admira que o grande capital defenda o aprofundamento da crise.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Não houve fumo branco. A coisa tá preta...

Considerado um mau orçamento, mesmo por individualidades reconhecidadmente da Direita, como Mário Soares, não houve consenso para o aprovar.
Não deixa de ser uma surpresa, mesmo assim. A primeira dedução a fazer é que Passos Coelho continuar a dar tiros nos pés, esquecendo-se que só tem quatro, e, ao não dar o agreement ao dito documento os "Mercados" irão certamente continuar a confiar, e apostar, no "ps".
Uma vitória de Sócrates, portanto.

Ainda não há fumo branco. Será hoje?


Do conclave neo-liberal ainda não saiu fumo branco. Quer dizer, ainda não há OE. Não porque o “ps” não tivesse feito o seu papel: um orçamento que agrada sobremaneira aos “Mercados”, os sacrossantos mercados que nos governam. Só que o PSD se está a fazer esquisito, provavelmente na ideia de tirar alguns dividendos, mas ninguém no seu perfeito juízo terá dúvidas de que teremos o tal famigerado orçamento. Mais um, menos um por cento no IVA, no restante estão todos, os do conclave, de acordo.
O “guru” da Direita, Mário Soares, diz o que toda a gente sabe: que o orçamento é mau. Mas é decisivo e necessário que passe, acrescenta.
O que eu não percebo, não percebo mesmo, é como é que é necessária uma coisa que é má. Bem, ou entendo: é má para quem trabalha e boa para quem vive do trabalho dos outros, para aquela classe ociosa que o antigo agente da CIA sempre defendeu. Logo, necessária.
Dos dois candidatos do conclave a Belém, o que está em funções faz o que pode, mas não é muito fácil disfarçar que não está a dominar bem o “problema”. Alegre tem mais azar, o vento nada lhe diz, embora seja ele a calar a desgraça. Se é a favor ou contra o orçamento, se é a favor ou contra a greve geral… nada, coitado. Pensará ele dividir os dias em duas partes?
Ao fim e ao cabo os que trabalham têm oportunidade de dizer da sua justiça no próximo dia 24 de Novembro.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Mas...



Morreu o polvo Paul


O polvo que adivinhava os resultados dos jogos no último mundial do pontapé-no-coiro, Paul de seu nome, morreu.
Na foto, o molusco parece adivinhar a vantagem da Iberdrola sobre os nababos da EDP.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Picasso


Essa pomba de Picasso!

É em vão
que querem engaiolar
essa pomba,
essa pomba de Picasso!

Com que raiva lhe tentam deitar a mão
os senhores dos “trusts” de aço,
das minas e dos petróleos,
os que fabricam canhões
os das finanças e os dos negócios,
os do feroz capital…

É em vão!
amparada pelos simples,
adeja no coração
dos homens e das mulheres
de todas as latitudes,
de todas as longitudes.


Mas, cuidado, isso não basta,
Que os caçadores são hábeis.

É precisa uma floresta de braços
erguidos para a proteger,
e uma torrente de sonho,
de entusiasmo, de juventude e de fé;
que todos, todos de pé,
a saibamos defender
na procura do caminho
que dos nossos corações
vai direito ao imenso azul…


Para que adeje no espaço
envolvendo o mundo inteiro
no seu destino de amor…
ela,
essa pomba,
essa pomba de Picasso!


Lília da Fonseca (poetisa angolana)

Hoje, dia 25 de Outubro passam 129 anos do nascimento de Pablo Picasso.





sábado, 23 de outubro de 2010

O fascismo anda por aí...

Eis um Senhor

"Aldeia Olimpica": 3 anos

3 anos na blogosfera. É muito tempo. Mas penso que há, apesar de tudo - e este tudo passa pelo simples facto de um blogue ser meramente um passatempo, um projecto pessoal, sem qualquer responsabilidade acrescida - uma responsabilidade, quanto mais não seja pelo respeito devido a quem nos lê, a quem nos procura, ou porque busca algo de novo ou uma ideia diferente. Quem cá vem sabe o que encontra. Não há subterfúgios.
Para este 3º aniversário pedi a Graeme Allwright, e desde já agradeço a disponibilidade, para que cantasse uma das minhas canções preferidas, que dedico aos meus visitantes.
Aí vai:

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A maior maternidade do mundo…


…tem para aí uns 40 quilómetros e chama-se A14.
Acresce dizer que uns dias antes de encerrar a maternidade do Hospital Distrital da Figueira da Foz (em 2006), o (des)governo premiou os ditos serviços. Quer dizer, foi aquilo que se chama um presente envenenado.
Falta saber se os figueirinhas estão felizes por nascerem na auto-estrada a caminho de Coimbra. Mas devem estar: possuem a estação de comboios Coimbra-C, e o terminal B do porto de Aveiro, logo estão bem integrados na região centro.
Felicíssimos, portanto.

E se o ridiculo matasse?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A hipocrisia como “un état d’âme” (II)

Não acredito que Manuela Ferreira Leite esteja convencida que descobriu a pólvora. Garantiu ela que a “actual situação política deixa dúvidas sobre a independência económica do país”.
Eu, que não sou economista, e muito menos político da situação, ou votante da mesma, cheguei a essa conclusão, mas sem dúvidas, logo que entramos para a chamada, na altura, CEE.
Alerta ainda a senhora para a necessidade de uma "alteração profunda no modelo de desenvolvimento nacional". Acho que é preciso muita cara de pau, depois de ter estado no governo.
É que ainda ontem ouvimos o líder do partido da dita senhora, em conferência de imprensa, dizer que o que vai ser preciso é um pouco mais do mesmo. “C’est à dire”, a situação tende a piorar… para os mesmos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Figuras públicas



De figuras públicas exige-se sempre um “não sei quê”, um... digamos, “savoir faire”. Sempre têm uma certa responsabilidade, um exemplo a dar, essa coisa toda.
Mas há sempre excepções. Atendendo que não deixam de ser humanos como nós, estão sujeitos aos mesmos condicionalismos. E, como humanos que são como todos nós, também não têm estômago para aturar certas enormidades. Então, não evitam uma certa má educação...
Daí estarmos de acordo com a senhora do café... quer dizer... também perdoamos... ou seja, até dizíamos pior, mas ...

sábado, 16 de outubro de 2010

Sobre o Tiririca...

O Orçamento e um ministro sincero




Nunca pensei estar algum dia de acordo com um xuxa. Mas no que concerne ao Orçamento estou plenamente de acordo com o inefável ministro Teixeira dos Santos. Diz o personagem que é "o orçamento mais difícil e importante dos últimos 25 anos”. Claro que é. E, pela primeira vez, pelo que me lembro, alguém do ”ps” diz uma verdade.
Que é o orçamento mais difícil para quem trabalha, penso que não restará muitas dúvidas a ninguém. Muitas? Nenhumas, com certeza.
Que é o orçamento mais importante para as classes ociosas, os banqueiros, os mega-merceeiros, os gestores “ps” das empresas públicas e outros filhos da puta que não produzem a ponta de um corno, também não deve existir lugar a alguma dúvida.



"Quanto mais baixo o rendimento, maior a subida do IRS a pagar. A proposta de Orçamento do Estado que o Governo irá hoje apresentar no Parlamento faz com que a generalidade dos agregados familiares em Portugal passe a pagar mais impostos. Mas, ao nível do IRS, um impacto é consideravelmente mais alto à medida que o salário vai decrescendo."

in Jornal O Público

Adriano Correia de Oliveira



sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sem espinhas! A boyada no seu melhor...



Gafes

Quem disse isto?
«Pedi desculpa ao Sr .Eng.º Machado Vaz por fazer essa rectificação. Mas não havia razão para o fazer porque, na realidade, o Sr. Eng.º Machado Vaz referiu-se à altura do início do funcionamento dessa barragem e eu referi-me, afinal, à data da inauguração oficial. Ambas as datas estavam certas. E eu peço, agora, desculpa de ter pedido desculpa da outra vez ao Sr. Eng.º Machado Vaz.»

E isto?
"O povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre."


Por aqui se conclui o estado em que está a nação. A resposta aqui, aliás, onde tem mais.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pepinos

Augusto Alberto


Em 2009 o prémio Nobel da paz foi entregue a um homem sem passado, na esperança de que pudesse dar passos para que o mundo viesse a ser melhor. Engano! Porque esse homem de quem se diz ser o mais poderoso do mundo, continua com a marcha-atrás engatada. Tem o país enrolado em duas guerras que muito tem custado ao seu povo e aos outros povos e ainda por cima deixa que a democracia de que é chefe, continue a decalcar o que de pior fez durante muitos anos em toda a América Central e do Sul. Promove e apoia golpes militares no sentido de destituir e substituir gente democraticamente eleita, aliás, muito a seu gosto, por gente amancebada com o pior dos direitos humanos.
Este 2010 viu o Nobel da Paz ser atribuído a um dissidente chinês, que anda a pregar as liberdades e a democracia e, parece, se quis pôr, a propósito, debaixo dos tanques na Praça Tianamen. (Quero aqui lembrar a propósito de democracia, que os cidadãos da Europa viram recusada a possibilidade, em urna, de se pronunciarem sobre o tratado de Lisboa, que pelos vistos, só trouxe infelicidade à dita. Ou seja, a democracia tem dias e lugares). Mas em matéria de nobéis, tenho para mim que, sem excepções, são como os melões. Só se sabe o que valem, depois de abertos.
Este dissidente chinês é filho de uma nação enorme e de muitos povos que tem também fronteira com uma outra nação, o Afeganistão, onde está em curso uma tremenda guerra, exactamente dirigida pelo anterior prémio Nobel da Paz, actual chefe de guerra e Presidente dos Estados Unidos. Poder-se-á dizer que há mera coincidência. Sendo assim, infantilmente, há gente a acreditar em bruxas. Pelos vistos parece que as há. Porque os americanos já estiveram com a mão num tal Bin Laden, que foi a razão, disseram, de tamanha guerra, mas o homem escapou-se-lhes por entre os dedos, porque, por decisão das bruxas, foram umas mãos largas e rotas.
Este dissidente chinês é mais um, como em tempos idos houve outros, como o físico Sakarov, que dá nome ao prémio pelos direitos humanos, do Conselho da Europa. Esse eminente dissidente, se cá pudesse voltar, coraria de vergonha quando olhasse para os cacos. As desgraças, a miséria, a violência, os atropelos aos direitos humanos e às liberdades são hoje uma imagem de marca e um lugar comum em países que nasceram dos escombros do império soviético, que contraria o prémio de que é patrono, ainda que já não importe.
Este dissidente chinês, Liu Xiaobo, sobre quem recai prisão, amante de direitos, parece que esquece o mais importante, que determina a unidade da nação chinesa. Este Xiaobo, creio ser um tipo sabido, mas parece que esquece aquilo que os actuais dirigentes chineses não esquecem: a completa submissão da nação chinesa, com 56 etnias e muitas línguas e 1 bilião e trezentos milhões de pessoas, ao império inglês e ao império do lado, o Japão. As guerras impostas por impérios alheios, como a do ópio, causaram, fome, doença, dor e submissão.
Uma China forte e una é uma complicação. Para os devidos efeitos, melhor seria que fosse retalhada. As dolorosas consequências, depois, não serão responsabilidade de ninguém, nem do Xiaobo, mas do acaso. Quem sabe, consumada a divisão, se dos museus não sairão de novo aquelas tabuletas que já doeram, humilharam e submeteram, e não foi há tanto tempo:” nem a cães nem a chineses”.
Abertos alguns melões, verificamos afinal, que não passam de pepinos.
P. S. - Até esse insigne Durão Barroso, um tipo que deveria ser julgado por crimes de guerra, só veio ajudar a descredibilizar tal prémio Nobel. Ou como pode ser útil ouvir um pepino. Porque às vezes, é quanto chega.

O mundo mais seguro



É caso para se dizer que o mundo está agora muito mais seguro. Portugal foi eleito para o Conselho de Segurança da ONU. Como parceiros tem ainda a Alemanha, a Índia, a Africa do Sul e… imagine-se… exactamente, a Colômbia. Podem acreditar, não estou a brincar, aliás com coisas sérias não brinco.
E ainda falavam de submarinos, de aviões… afinal foram boas apostas.
Mas não me perguntem o que a “ditosa pátria” vai ganhar com isso, pois não saberia responder.

domingo, 10 de outubro de 2010

Amável gonorreia

por Augusto Alberto (texto e fotos)

Imaginemos John Dillinger sentado em frente da mais requintada mesa de jogo do esplendoroso Hotel Nacional, de chapéu preto e aba, a cair para a direita, de charuto entre os dedos, alguma gonorreia no sexo, entre bolas de fumo, cheiros adocicados, corpies e mulatas, a ser assediado por um barbudo revolucionário que lhe diria educadamente, aliás, como Dillinger gostava: - Sr. Dillinger, importa-se de deixar esta minha pátria e de partir para a sua América, logo que possível? E Dillinger a responder: – caro revolucionário e cavalheiro, lhe garanto que logo após esta magistral jogada, que me preparo para fazer, e que me dará direito a mais um saque, sairei, tomarei o barco e regressarei pela Florida, para não mais voltar a Cuba, ao rum, aos havanos e às mulatas, as mais redondas e magistrais putas, que alguma vez na vida forniquei. E antes de fazer a última e magistral jogada, que deveria completar o saque, ainda perguntou. – E Fulgentito Batista onde está? - A ferros, respondeu o barbudo. Muito bem. Sairemos.
Ficava assim consumada, sem um tiro, nem de aviso, completamente urbana e polida, a revolução Cubana. Gangsters, demais cadastrados, banqueiros, americanos, filhos de todo o tipo de mães, cederiam, sem empecilho e educadamente, a pátria a quem de direito.
As revoluções deveriam ser sempre assim. Coisas amáveis e solenes, para não enfurecer os impérios e os interesses, de tal modo, que substituído um Dilinger, outro bastardo, viesse para o substituir. Mas os barbudos tudo estragaram, porque estabeleceram as devidas rupturas e a nova ordem e as chatices logo começaram. Com contra-ataques por parte de todo o tipo de filhos de várias mães, sempre rechaçados, com o mais incrível tipo de máquinas de guerra, algumas delas, alfaias agrícolas, chapeadas, a chapa dura, hoje verdadeiras relíquias revolucionárias, que não pode furtar ninguém ao riso, porque as alfaias agrícolas chapeadas, bateram e de que maneira, as infernais máquinas de guerra americanas, conduzidas por todo o tipo de americanos e de outros filhos de várias mães. Um espanto!
Bem sei que Dillinger, se esteve em Cuba, foi muito antes da revolução dos barbudos. E por isso, este pequeno texto é só uma breve efabulação, para exprimir um sentimento e uma certeza. Nas Honduras e no Equador, ainda na Venezuela e Paraguai, as coisas aconteceram de modo educado e a gosto. A votos! Não houve barbudos nem tiros. Mas nem assim. Porque nas Honduras e no Equador, ainda continuam filhos de todo o tipo de mães, na esperança de que as coisas não mudem, para que um qualquer tipo de bardo, volte, continue fumando charutos, bebendo rum, se rebole nas ancas redondas de uma mulata e vá espalhando a amável gonorreia, enquanto o petróleo vai pingando para os depósitos e bolsos dos de sempre.

Passem bem.

Canção para Guevara



Sobre a cordilheira dos Andes
ainda hoje ribomba a tua voz de trovão.
E desde o Alaska até à Patagónia
em certas noites de bulício e tropel
teu inconfundível vulto desce aos povoados
a dar alento aos desesperados
e ao povo uma lição de tenacidade.
Por toda a parte queriam teus braços
cavar alicerces de pátrias futuras
e se morreste na selva boliviana
teu coração para sempre pulsa
em cada campo de luta
nos arrozais do Vietnam ou nos pântanos da Guiné
para sempre vivo ao lado de cada valente
capaz de lutar e morrer pela liberdade.
Escambray e Sierra Maestra
cantavam alto em teu sangue
por isso as balas assassinas
só disseminaram aos quatro ventos
a tua ordem de combate


porque eras um monumento de fraternidade
e tua pátria, o mundo inteiro.




Jofre Rocha (poeta angolano)

sábado, 9 de outubro de 2010

Rainha Isabel de Portugal

Comparar a Rainha Isabel de Portugal com uma das figuras mais carismáticas da História de Angola, Njinga Mbandi, só pode ser pura ironia. Bem, ou não.
Está certo que a de Portugal ainda só é cohecida por princesa, mas é cada vez mais a rainha do "doing business". Está agora a alargar os seus negócios a Moçambique.
Pelo menos quanto à fama, e só aí, a comparação é pertinente.
A história aqui. Toda, ou quase.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Uma petição

Esta.
Caso para nos interrogarmos a que ponto isto chegou. Uma petição com o objectivo, tão só, de moralizarmos a coisa pública.
Moralizar a "democracia"? Onde é que isto já se viu? Isto não vai lá com "paninhos quentes", mas, enfim, a bem da nação, eu assinei.
Façam o mesmo.

24 de Novembro, Greve Geral


Com a greve geral os trabalhadores portugueses têm uma oportunidade de demonstrar o seu desagrado por esta política de consolidação do capitalismo selvagem, direi fascizante, que ostenta o pomposo nome de neo-liberalismo.
Sabendo que o objectivo da política de direita é concentrar cada vez mais a riqueza produzida nas mãos de uma minoria de nababos ociosos que nada produzem, a greve geral é, sem dúvida, uma oportunidade para se começar a dar a volta a isto.
Os sindicatos têm agora a tarefa de consciencializar e esclarecer os trabalhadores, sobretudo os menos esclarecidos, para a importância do êxito da greve. Tarefa mais facilitada tem o patronato, pois só lhe resta ameaçar aqueles milhares de trabalhadores precários, que terão, compreensivelmente, medo de ficar em casa no próximo dia 24.
A nossa solidariedade para com esses trabalhadores, primeiras vítimas da natureza de classe, anti-democrática, do patronato.
Mediante a desvalorização do trabalho que caracteriza as políticas económicas na moda, é importante para a democracia e para a situação de quem trabalha o êxito desta jornada de luta.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

América latina… e um café!

por Augusto Alberto


Há perto de 40 anos conheci um brasileiro que me disse que não podia ser um bom comunista porque gostava muito de mulheres. Com calma, disse-lhe que não era bem assim. Sobre os comunistas muita coisa foi e ainda está decretada, mas impedi-los de gostar de mulheres, nem mesmo quando estiveram ou ainda estão presos. Lembrei-me deste desabafo, a propósito do último golpe de estado no Equador. E porquê? Porque uma “democracia” que sucessivamente forja golpes de estado, não pode ser uma boa “democracia”. Nem um “Nobel da paz pode ser Nobel da paz”, quando não tem competência para ordenar à sua “democracia” que respeite as outras.
O fim da experiência socialista foi há mais de 20 anos. O muro caiu logo. A guerra-fria, decretaram, tinha acabado. Mas ao cabo de mais de duas décadas, o mundo passou de frio a quente. O neo-liberalismo tomou o freio nos dentes e, afinal, em vez da sociedade do leite e do mel gerida por maviosas sereias, o mundo afunda-se na globalização, enorme fossa abissal, infestada de predadores que o sangram e chupam.
De lá para cá, quero aqui recordar. A bancarrota na Argentina. Lembro-me bem de uma família acampada em frente a um banco com sede em Londres, que gritava pelas suas economias e que convencida de que as tinha perdido, ameaçava que no dia em que recuperasse, iria a Londres, e em frente à sede do banco ladrão, montaria tenda e denunciaria o saque. Não creio que esta família alguma vez tenha recuperado. Quando muito, ganhou para uma nova tenda. De bancas rotas, falemos do paraíso islandês ou do notabilíssimo tigre Celta, como cópia a considerar, como nos foi vendido, devorado pela agiotagem. E ainda a Grécia e, quem sabe, esta Lusitana pátria, com mais de 800 anos.
De golpes, este do Equador foi só o último de uma lista onde cabe o Iraque, em que a mentira foi o instrumento necessário para avançar para o saque. O do Afeganistão, embora neste não era bem isto que se desejava, mas outra coisa bem ali ao lado. Só que as alianças conjunturais, às vezes dão em lamaçal. Na América Latina houve um penúltimo, nas Honduras. Na sua preparação, jornalistas sérios, foram arreados a tiro. E é bom lembrar, ainda, os prisioneiros de Guantanamo, base militar, pedaço de Cuba, (terra, ao contrário do que se julga, as pessoas vão a votos), onde o império guarda em cercas de arame farpado e calor, os direitos humanos e presos sem culpa formada. E também nas prisões secretas na Roménia e Polónia, há vinte anos, o pior do comunismo.
Evidentemente que neste golpe militar no Equador, desta feita, algo correu mal, ou pode ser só que os povos ao cabo de tanta desgraça, lá vão tomando algum tino, a marcar uma velha realidade, se o somarmos ao que sucedeu há uma semana na Venezuela. É que na América Latina a esquerda joga sempre o jogo da democracia parlamentar, muito ao gosto. Ganha e perde. Mas a direita democrática, nunca gosta de o jogar, ao contrário do que diz. Antes pelo contrário, tem predilecção por mostrar as botas cardadas e os fuzis. E também muita da democrática imprensa, coloca-se em linha e faz a sua opção. Ou seja, tal como a raposa quando passa, sem olhar, por vinha vindimada, gosta pouco de falar sobre as cardas das botas dos seus.
Ou seja, se bem os interpreto, direi, que dirão que a democracia se aplique aos outros, mas para eles, logo se verá, desde que não compliquem. Pois é!
Já sei que alguém virá aqui dizer que ando para aqui armado em democrata, mas que tenho um amigo que é um ditador. Tenham paciência, às vezes esse meu amigo anda tão aflito, que até lhe tenho de pagar o café.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

E hoje?



Embora pense que mais pertinente do que comemorar o centésimo aniversário da 1ª República seria, com certeza, implantar a quarta, sempre ficamos a saber, ou relembramos, alguns factos curiosos. Ou nem tanto.
Por exemplo, quando da implantação da república o país tinha 75% de analfabetos. Dependendo do prisma com que se aborda o problema, pode-se dizer que a situação se mantém. 75% é a percentagem de votantes responsáveis pela situação actual do país, aqueles que escolhem os excelentes governos que temos tido. Ou seja, os votantes neo-liberais, somando as percentagens airosamente obtidas nas variadíssimas e divertidas eleições que não resolvem problema nenhum.
Conferindo: os indigentes cor-de-rosa, os fascistóides laranjas e os demagogos “populares”.
Ficamos a saber, também, e está na sequência do que anteriormente disse, quase metade dos portugueses não sabem que centenário hoje se comemora mas, muito mais de metade considera a república, actualmente, o melhor regime político para Portugal.
Claro que as sondagens valem o que valem e só indicam aquilo que os que as encomendam querem que elas indiquem, mas há uma que chegou à brilhante conclusão que mais de 11% dos que votam PCP preferem a monarquia à república. Das duas, uma: ou alguém brincou com a sondagem, e diga-se, não é para levar muito a sério, séria é a situação do país, ou também há analfabetos a votar á esquerda, o que eu não acredito.
Agora, duas coisas são certas. Uma, se os imbecis começassem a votar à esquerda as coisas mudavam mesmo. Segunda: neste dia de comemoração lembrei-me do Grand Jacques:
On a détruit la bastille
Et ça n’a rien arrangé

sábado, 2 de outubro de 2010

...e não podemos ignorar

É urgente lembrar

por Augusto Alberto

Numa das minhas voltas dei comigo a olhar para um homem, acima dos 70, literalmente enfiado num contentor, estacionado à porta de um infantário da cidade. Poderão desconfiar. Um homem acima dos 70 enfiado dentro de um contentor! Como é possível? Eu explico: um septuagenário habituado a fazer ginástica para resistir ao cabrão do mundo onde vive. E por isso, de tanta ginástica, ficai a saber que ainda consegue levantar o pé ao nível da cabeça. Brutal? Não, nem por isso. Porque o nosso cidadão que tudo rapou no contentor, e colocou numa quantidade de baldes que transportou num carrinho de mão, daqueles que a gente usa para carregar areia ou cimento daqui para ali, é o produto mais vil de um conjunto de mastins e embusteiros que passam por este meu país, desde há muitos anos.
É urgente lembrá-los. E porquê? Porque este meu concidadão, que rebusca literalmente, num contentor, ainda não sabe de quem está a ser vitima.
Primeiro, desse Dr. Mário Soares, senhor de vários socialismos. Em liberdade. De rosto humano. Da social-democracia. Só ainda falta, o da…
De um conjunto de príncipes da escrita e da palavra, como esse sociólogo Barreto. O poeta Alegre. O Dr. Almeida Santos. O grande empresário do jornalismo, claríssimo e inteligente, e que trata por amigos e amigas, príncipes e putas, o Dr. Pinto Balsemão. E ainda outros, como o Eng.º Coelho, responsáveis pela destruição da nossa industria pesada da metalomecânica, que num desbarato, entregaram, e que rápido caiu nas mãos da multinacional ABB, que também rápido, tudo mandou fechar, para nos privar de termos liberdade para construir e sermos livres. As consequências ai estão. Necessitamos, por exemplo, de uma carruagem para o metro, então encomende-se aos donos dos mastins. Do actual presidente da República, que criou o reino do cavaquismo, onde tão poucos enriqueceram em tão pouco tempo, e por onde passaram Condes, hoje, sarnentos na casca, como os Drs. Dias Loureiro, Duarte Lima, Ângelo Correia. Ou, ainda o homem do bota ao fundo, porque pagou para se arrearem barcos à lama das docas e agora resolveu clamar pela riqueza do mar. Que cara tem Dr. Cavaco!
Dos Drs. Proença de Carvalho, Freitas do Amaral, António Vitorino, e ainda muitos outros, politólogos e avençados do regime, sempre de dentes afiados e em posição de salto para abocanharem, a velocidade de mastim, mais um estudo, que em regra vai para o contentor.
Os opinadores oficiais do regime. Como esse insigne jornalista, feito no “luta popular” e que passou para o jornal inteligente do regime, José Manuel Fernandes. Ou o professor João Duque, homem novo, porque as carcaças estão a ficar velhas e convêm, volta e meia, retocar os charlatães.
São muitos, e uma página não chega para os escrever e descrever. Contudo, creio que este meu concidadão, septuagenário como tantos outros, não sonha que enquanto rebuscam nos contentores, lhes rebenta a boca enquanto os mastins comem os bifes e os robalos, e ainda e sempre, lhes pedem para tirar o cinto das calças, que escorregam até aos pés, para que os possam continuar a fornicar.
Mas as coisas são de tal modo, que estes últimos nem tiveram o cuidado e a vergonha de fazer uma paragem na 3ª via, logo caminharam para o pior do terror social. Aquilo a que muitos encartados, designam por socratismo, onde na verdade, não existe um pingo de compaixão, mas só doçura para os ricos e dentes de mastim para os pobres. E é de tal modo, que ao contrário do Guterrismo, o socratismo nem consegue pôr ar de beato.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O alegre candidato

Ainda há dias, sobre um dos candidatos neo-liberais à presidência da república, aquele que é apoiado oficialmente pelo Partido neo-liberal de serviço, Manuel Alegre de seu nome, defendi eu numa discussão com alguns camaradas, que é verdade, sim senhor, que a ele ninguém o cala. Suportei essa minha conclusão com uma tirada, achei eu, espectacular: “ele tem razão, sim senhor, é verdade que ninguém o cala. Quanto mais não seja pela simples razão de que também não diz nada”.
Tenho de reconhecer que estava enganado. O homem até fala. Não pode é dizer grande coisa.
Samuel, aqui, explica porquê.

Equador

A tentativa recente de golpe de estado no Equador não constitui, de modo algum, alguma surpresa. Apesar do repentismo que o acto protagonizou. Esta dedução, fazendo uma leitura correcta do contexto internacional, é óbvia. O imperialismo americano está a abrandar no médio oriente, uma vez que os custos da guerra no Iraque e no Afeganistão estão a tornar-se insuportáveis, quer dizer, não dá para esconder que se chegou à conclusão que não compensou. 
Começam então a reinvestir na América Latina, como foi o caso, ainda recente, das Honduras, que se quer condenar ao esquecimento. Mas a História é fecunda nestes exemplos de "democraticidade". O boicote a Cuba, o Chile ou as dificuldades impostas à Venezuela, por exemplo.