terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sociedade União Operária: e se houvesse condições?


O fundista figueirense Daniel Gregório, que representa o Centro de Atletismo de Seia, vai integrar a selecção nacional portuguesa, sub-23, no Campeonato Europeu de Corta-Mato, que se disputa na Eslovénia no próximo dia 11 de Dezembro.
Daniel é um produto da SUO Vais, onde, aliás, continua a treinar com o professor Fonseca Antunes.
Por outro lado, o lançador Luís Cardoso, atleta da Sociedade União Operária, foi convocado para participar no estágio da selecção nacional de juvenis.
Cardoso, recorde-se, foi recordista nacional do lançamento de martelo, em 2008, na categoria de infantis.
Aos atletas, à Sociedade União Operária e ao professor Fonseca Antunes nunca são de mais os parabéns.

Lutas há muitas

foto: alex campos

A vida é feita de pequenos nadas. E de pequenas e grandes lutas. A do Hospital Distrital da Figueira da Foz é crucial, mesmo para a nossa condição de povo minimamente evoluído.
Mas há mais lutas. Como a do Mercado Municipal, por exemplo.
Se a notícia de um certo “assalariado” ter problemas com o fisco facilitará a luta deste último, ou não, não nos deve fazer baixar a guarda.
Basta lembrarmo-nos de um ditado catalão: “se todos os filhos da puta voassem, nunca mais veríamos a luz do sol”.
Que deles há por aí, né?

Aos borrados príncipes do liberalismo

Augusto Alberto

Está-vos a crescer a angústia, mas tenham paciência, porque só agora entramos na parte mais apertada da curva. Bem sei que, adiante, a força centrifuga haverá de empurrar para fora e contra o muro e por isso, adivinhando o tombo e o estrondo, José Manuel Fernandes, antigo director do jornal “Público”, hoje, com crónica garantida às sextas-feiras e um dos que matutaram sobre o fim da informação pública e ainda, um dos teóricos dos princípios e da prática liberal, mostra como uma certa franja liberal, teme o embate.
Apagadas as curvas, imaginaram que isto era coisa para se desenhar em linha recta, mas enganaram-se. Agora temem pelo canastro, porque já vêm pedras e coquetailes em fragosas explosões na calçada à portuguesa, a deixar estilhaços em todas as direcções, capazes de partir montras, cegar e dilacerar a carne. Perdido de amores pelos mais vistosos crápulas da sociedade portuguesa, este fariseu, escreveu na sua última crónica semanal, no dia após a greve geral, o seguinte: - “… Não sou dos que acreditam na lenda salazarista do “país dos brandos costumes. Acredito em vez disso na organização e capacidade de controlo do PCP”.
É um pedido de socorro pungente e borrado, ao Partido que ele próprio e muita outra gente, já tinham decretado como extinto. Ao velho e anquilosado partido marxista, caldeado no centralismo democrático, (que corta a raiz ao pensamento). Aqui está, como a camarilha teme, sem contudo, aparentemente, perceber bem porquê. Descansem! Se alguém sabe o que em cada momento é urgente fazer, são os comunistas. É por estas e outras que me fazem rir, os bravos, que depois de tantas patas desilusões, ainda acreditam que é o dr. Mário Soares, essa espécie de ave, puta e esperta, mas desacreditada, quem comanda a luta, seja ela na rua ou em outro qualquer lugar.
Uma greve geral não se decreta no interior de um manifesto, a que só faltou acrescentar o socialismo em liberdade e o socialismo de rosto humano, para o embuste ser completo. Lutas como a de 24 de Novembro e as próximas, comem muito sono e solas dos sapatos e requerem ainda, músculos e pensamento tesos. Aqui está, como isto não é obra de meia dúzia de ilusionistas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Defender o Hospital Distrital da Figueira da Foz: uma petição pública



Aqui pode mostrar o seu descontentamento e o seu desacordo contra a perda de valências que os "governantes", acolitados pelos seus apaniguados, querem infligir ao HDFF. Tais são, por agora, bem entendido:  a VMER, o encerramento dos Serviços Oncológicos e o encerramento parcial do Bloco Operatório. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Um batido de cerveja preta e gema de ovo

Augusto Alberto


É assim mesmo: “Não há remédio”, admitiu o Partido Socialista, um café em São Bento, entre o primeiro-ministro e o secretário-geral do PS, António José Seguro. Será do tinto? Desgraça é, certamente. Durante muitos anos o Partido Socialista entreteve-se a enfiar o socialismo na gaveta e agora, que do seu socialismo já nada resta, entretêm-se nos jogos florais. É ver quem compõe com a mais bela cedilha.
No largo do(s) rato(s) vai grossa confusão. Uns dizem que há folga, outros dizem que não. Os súcia(listas) do parlamento garantem que no orçamento para o próximo ano existe uma folga capaz de suportar um subsídio aos funcionários públicos. Contudo, pelo contrário, diz o antigo secretário de estado do tesouro de José Sócrates, Costa Pina: “Os 78 mil milhões de euros não chegam. Portugal necessita de reforçar o pacote de financiamento num montante entre 20 e 25 mil milhões de euros”, durante uma conferência organizada pela Ordem dos Economistas.
Ora cá está como a bota não bate com a perdigota. Em que ficamos afinal? Ou estamos só em novo reino de ratos e milongas, capazes de promover a recuperação do estado de fraqueza em que se encontra a família súcia(lista). Admira como o povo ainda consegue colocar nas mãos desta gente, o leme da barca.
Aliás, pelos vistos, vai mal isto de barcas, sim senhor. A da Figueira rompeu e foi ao fundo e a barca de Portugal, ao fundo vai. Com barqueiros como estes, com mão trémula na cana do leme, não admira que a quilha da barca roce pelos fundos e se desfaça a cada roçadela, para nossa santa desgraça. Por isso, a ti, povo, aconselho-te a mudar de barqueiros, porque com estes, vais a pique, com toda a certeza.
Quando eu cheguei da guerra, pálido e fraquinho, o tasqueiro da minha terra, oportuno e vivaço, como só ele, aconselhou-me um batido de cerveja preta e gema de ovo. É preferível às milongas, para recuperar da fraqueza, caros súcia(listas). Vereis que da fraqueza à pujança, vai um pulo de rato.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Greve Geral: actualização permanente de dados

Se quiser seguir as incidências da Greve Geral, como a aderência, clique aqui.
Pelos dados até agora conhecidos estaremos perante a maior greve de sempre. A resposta que se impõe a este desgoverno de apátridas e vendidos.

Defender o Hospital Distrital da Figueira da Foz

Um grupo de cidadãos elegeu uma comissão para defender o Hospital Distrital da Figueira da Foz contra a perspectiva de perda de valências.
Integram a comissão Paulo Dâmaso, vocalista da banda "Cães Danados", Nelson Fernandes, deputado à Assembleia Municipal pela CDU, Pedro Rosa, cordenador da União de Sindicatos da Figueira da Foz, e Susana Pires, Cláudia Baptista, Adagildo Carvalho e Lucinda Saboga.
Entre outras iniciativas, foi aprovado, por unanimidade, um manifesto, que pode ler aqui, num blogue criado exclusivamente para a divulgação das acções da referida comissão.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Aos anónimos cidadãos que mourejam para enriquecer a canalha

Augusto Alberto


Os últimos acontecimentos vêm provar em definitivo que o povo que conta os tostões, que de modo geral não chegam ao fim do mês, que correu atrás do conto do crédito, acreditando que de crédito em crédito passaria por artes do crédito, a rico, foi quem votou nesta desgraçada e miserável elite, para a fazer enriquecer, sempre à custa, afinal, do seu empobrecimento. Caso a justiça alcance, ainda haveremos de ter, adiante, mais amigos do Cavaco, do Barroso, do Guterres, do Sócrates e do Portas, com o corpo na choça.
Bem sei que por causa das canalhices dessa gente, de momento, sou eu e você, anónimo cidadão, quem está a pagar a conta. Não tenha a mínima dúvida. A diferença é que eu sei como aqui cheguei. E você? Cuido que não. Então o que lhe quero dizer de novo, é que para aqui chegar, você acreditou, que, ou os canalhas, ou os comunistas. Os que obrigariam toda gente, de modo singelo a calçar as mesmas botas e a mesma farda. Os que, por arrombamento, fariam da sua casa, a casa de um comunista. Não diga que não, porque eu sei por dolorosa experiência. Que por indicação de um dedo em riste, faria do seu carro, um carro do PCP.
Acreditou, mas a verdade dos factos está para cá das rábulas. O facto é que você e eu estamos no mesmo barco, já com o convés alagado e à beira do afogamento. Qual de nós chegará à praia cadáver? Não sei!
É bom também que saiba, porque parece que ainda ninguém lhe contou, que a parte grega de Chipre é desde há muito governada por comunistas. Que se saiba a assembleia nacional cipriota grega, não decretou que o talhe do fato seja igual para toda a gente e as botas, com sola grossa e cordões pretos, também. Que cidadão que não seja comunista tenha que ceder, por decreto régio, a sua casa e automóvel ao camarada do AKEL. Sabemos que a parte cipriota grega vive, evidentemente, dias gregos. Mas o caminho é natural. Se um dia os votos indicarem que os comunistas terão que ceder o poder, não há drama. A seu tempo, o recuperarão. São as regras do jogo que os comunistas sabem respeitar como ninguém, ao contrário da canalha que o enganou e que vai continuar por ai.
A máquina é poderosa e você, anónimo cidadão, sempre um tipo disponível para escutar o canto mavioso dos crápulas. Pois que seja. Sorte da cambada, azar o seu e o meu. Dir-me-á: “é a democracia estúpido”. Eu sei! Não se mexa, então, porque enquanto as trombetas maviosas tocam, vão chuchando em si.

Greve, um direito, um dever e um acto patriótico

O aumento do desemprego, a desvalorização do trabalho, a perda de direitos laborais que demoraram anos a conquistar e custaram muitas vidas, porque a exploração deveria ter limites, são razões suficientes para esta jornada de luta.
Mas há mais. O que transforma esta greve geral num dever patriótico, como protesto contra esta política de submissão a interesses estrangeiros que põem em causa a independência do país.


Artigo 57º da Constituição da República Portuguesa:


1 - É garantido o direito à greve.
2 - Compete aos trabalhadores definir o âmbito de interesses a defender através da greve, não podendo a lei limitar esse âmbito.
3 - A lei define as condições de prestação, durante a greve, de serviços necessários à segurança e manutenção de equipamentos e instalações, bem como de serviços indispensáveis para ocorrer à satisfação de necessidades sociais impreteríveis.
4 - É proíbido o lock-out.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mamões e cabrões

Augusto Alberto

Hoje o texto é curto, porque o tempo é de inundação e as palavras correm o risco de afogamento. O Partido Socialista é uma espécie de dique com uma velha e longa fenda e por isso, em risco de abrir, permitindo que a água golfada violentamente venha a inundar campos e casas. É o tempo presente.
No final do tempo fascista, Marcelo Caetano ousou sondar Mário Soares para que ocupasse o cargo de Ministro dos Estrangeiros. Marcelo sabia que por ali poderia passar a saída airosa do regime, no sentido de que nada mudasse. Soares guardou, então, o único pingo de honra que lhe restava, que veio a deixar escapar, poucos anos adiante. É por isso que lida a noticia no “Diário de Noticias” de que o Partido Socialista deu sopa na greve geral do próximo dia 24, não admira.
Deveremos dizer, sobretudo aos milhares de portugueses que nele acreditaram, que pelo cercado do largo do Rato, ao longo destes anos, passou leite que nunca amamentou “cabritinhos”, mas sempre alimentou mamões e cabrões, que parecem a salvo da enxurrada que passa.
Mas saibam que mesmo em tempo de traição, há sempre alguém que resiste e diz não.

sábado, 19 de novembro de 2011

No "Penedo da Saudade", em Coimbra





Aqui, neste Penedo da Saudade,
eu vim embalsamar o coração,
porque, já morta a fé, morta a ilusão,
envolve-se de luto a realidade.


E, dentro do meu corpo feito grade,
minh'alma presa escuta a oração
do poeta da eterna solidão,
na voz deste silêncio que me invade.


Meu coração, repousa em terra santa,
em cada flor, em cada pedra, em cada
recanto onde a poesia nos encanta...


E sepulta contigo o teu segredo.
Já foste carne e sangue; agora és nada,
agora és a saudade dum penedo...


Geraldo Bessa Victor (poeta angolano)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

De versões poéticas

Este poema, inicialmente atribuído a Bertolt Brecht, terá sido escrito por um pastor luterano chamado Niemoller. Mas nestas coisas de poesia há sempre outras versões, outros poetas que glosam o mesmo tema, como, por exemplo, o famoso "Descalça vai para a fonte", do grande Luís Vaz glosado por Francisco Rodrigues Lobo.
Isto para dizer que o Senhor Silva tem uma versão deste poema que se segue. Se o quiserem ler basta clicar aqui, onde Samuel nos faz o favor de divulgar.


Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo,
Em seguida levaram alguns operários,
mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário,
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista,
logo a seguir chegou a vez 
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Calma????? E a falta de quórum?????


A propósito da detenção de Duarte Lima por via do caso BPN, diz o meu amigo Agostinho, aqui, e passo a transcrever: “… Isaltino continua a fumar charutos na rua… Dias Loureiro continua a fazer turismo em Cabo Verde… Oliveira e Costa continua em casa a gozar a reforma e os rendimentos…”
Portando, calma… acrescenta o Agostinho.
Acho que sim, muita calma. Mesmo que a coisa dê para o torto e os PPD’s venham a obter falta de quórum, atendendo às trafulhices que se vão revelando, o grande capital não tem, mesmo-mesmo, nada com que se preocupar. É que o “ps” sempre esteve no sítio certo, nunca falhou e nunca desiludiu ninguém. A História não nos deixa mentir, é um julgamento.
E para a “legalidade democrática” continuar garantida, e equilibrada, ainda temos, para contrabalançar, Armando Vara, José Sócrates, José Penedos… and so long (só para me armar que sei inglês).
Mas se forem necessários mais equilíbrios, ainda temos sobreiros, universidades ultra-modernas, barquinhos que andam por debaixo de água e tudo isso.
É que somos um país em vias de desenvolvimento, não sei se repararam…

Elástico!

Augusto Alberto

Quando os crânios de uma nação pedem emprestado 78 mil milhões de euros e após algum tempo pagam por esse empréstimo acima de 110 mil milhões de euros, isso é ajuda democrática. Explicando melhor: a democracia é o modo bruto como o povo, o português no caso, é obrigado a alimentar certo clero e certa nobreza.
Como exemplo, desconstruído o estado social utilizando argutos argumentos ideológicos que servem para justificar o embaratecimento das pessoas, mas, contudo, quando se trata de salvar os interesses desse clero e dessa nobreza, não há limites ao bom “estado social”.

É o que sucede, agora, com o centro de exposições e negócios da Associação Industrial do norte. Uma ideia levantada pelos grandes homens de negócios do norte, debaixo do guarda-chuva público, para que os riscos fiquem a cargo do bom “estado social”. Na verdade, existe um estado social que deverá ser minguado para o povo, e um estado social bom e avantajado, quando se trate do clero e da nobreza. Para melhor clarificar direi que o clero e a nobreza estão bem suportados por um conjunto de alquimistas da opinião, que se alimentam como abutres dos farrapos, depois da caça grossa ter sido previamente devorada por um amontoado de chulos e traficantes de consciências e dinheiro.
Os povos tem toda a razão em duvidar, ainda que o grau de consciência e maturidade às vezes não vá além do chinelo e de alguma paródia. Aliás, o clero e a nobreza dão-se bem com essa dessintonia porque lhes permitir reinventar a democracia, basculando o cacete e musculando quem é preparado para bater sem questionar.
Na terra de todas as oportunidades, os Estados Unidos, e também por cá, com a superior colaboração da Drª Leite, desengonçadamente, deu-se um passo adiante na batalha ideológica à volta do comprimento do elástico. Pode afinal a democracia ser como um elástico que o clero e a nobreza mandam reduzir quando as coisas começam a tomar ares de que se vai escapar por entre os dedos? Pode, sim senhor. Encolha-se, antes que chegue a primavera, sempre celebrada quando ocorre em quintais distantes, mas nunca no quintal americano, regado, agora, a botas, bastão e a gás lacrimogéneo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Saramago faria hoje 89 anos

"É hora de uivar, porque se nos deixarmos levar pelos poderes que nos governam, e não fizermos nada por os contestar, pode-se dizer que merecemos o que temos".

José Saramago

É o direito à vida, estúpidos!*


Mandantes (grande capital e grupos económicos) arrogantes e pesporrentos, executantes (Presidente da República, governo e seus apoiantes) diligentes e servis, políticos e politólogos, analistas e comentadores, economistas e jornalistas, todos defensores do pensamento único, mais ou menos neoliberal, com presença assegurada na comunicação social dominante, afirmam que não há dinheiro para o Serviço Nacional de Saúde.
«Em 2010, pelo menos 45 mil pessoas morreram nos EUA por incapacidade de acesso a assistência médica.».
E em Portugal?
Paulo Macedo, ministro da saúde (???) afirma, sem ponta de vergonha, que o Governo vai cortar mais de 1000 milhões de euros no orçamento da saúde e que consegue fazer o mesmo e garantir a mesma qualidade no Serviço Nacional de Saúde. Como é óbvio não só não consegue, como põe em causa o acesso aos cuidados de saúde a milhões de portugueses.
Reduzir o valor da vida humana a um número é um crime. Sejamos claros e frontais: estas políticas na saúde vão-se traduzir, inevitavelmente, em MORTES.
Como criminosas e execráveis são as propostas que alguns trogloditas apresentaram de fornecer medicamentos fora de prazo aos «pobrezinhos». E de dispensar a fiscalização das condições de higiene e saúde da alimentação em lares e creches.

É o direito à vida, estúpidos!


* Em 1992 Bush (pai) parecia imbatível. Porém, Bill Clinton venceu as eleições ajudado por uma frase que ficou nos anais: «É a economia, estúpido!»


Post total e conscientemente copiado de O Castendo 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Contra a fascistagem! Defender os nossos direitos!


Trabalhadores do Hospital Distrital da Figueira da Foz, no activo e na situação de aposentados, assim como utentes e cidadãos preocupados com as notícias tornadas públicas pelos órgãos de comunicação regional, auto-organizaram-se e decidiram tomar nas suas mãos a defesa do Hospital.

Vão, assim, realizar uma reunião, aberta a todos aqueles que se queiram integrar neste objectivo, no próximo sábado, dia 19 de Novembro às 15 horas nas instalações onde funcionou o Quartel do CICA e a Univ. Internacional e agora sede da Associação Tubo d’Ensaio.

Não faltes... O direito à Saúde não é mercadoria de negócio político!

foto e texto: daqui

Os príncipes vão nus

Augusto Alberto

O que existe de comum nas noticias que comentam que um sem abrigo foi acusado pelo ministério público de um roubo de 6 chocolates de um super mercado, no Porto, que milhares de famílias estão endividadas e arruinadas, que muitos meninos entram nas escolas com fome, que muitos universitários estão com fome e a desistir dos seus cursos superiores e o processo “Face Oculta”?
Primeiro é preciso que se diga que muitos dos que passam dificuldades nesta pátria, devem avaliar em que medida caucionaram com o seu voto esta democracia e os seus príncipes, porque a culpa não pode morrer assim, sem fastio.

Depois, que os indicados príncipes da democracia e, já agora, alguma elite da justiça, vão nus, apesar de andarem a surfar em proveito próprio, sobre a tal democracia e um povo reprimido e castrado por 48 anos de fascismo e séculos de obscurantismo. Por isso, aquela pequena peça de jornalismo que passou nos telejornais, assume o epíteto de extraordinária, porque nos permitiu ver um dos príncipes de um dos bandos que conformam a celebrada democracia, este, do bando socialista, com as calças em baixo e o cu ao léu.
Mas é bom não esquecer que ainda existem o bando social-democrata e o bando democrata- cristão, que são um pouco mais atabalhoados. Aquele temerário anónimo cidadão, cansado da canalha, disse muito sobre o cansaço e o desespero. Não está só. Muitos outros teriam o prazer e a coragem de o repetir. Bem sei que a canalha e os lambe cus dirão, até à prova feita, o senhor (s), é excelente. Pois continuem lambendo o cu, sim senhor, mas saibam que isso é conversa para adormecer o rebanho, que é coisa que a canalha faz quando se encontra em apuros.
Mas voltando ao sem abrigo, é importante que se diga que um tipo que não tem abrigo, é um tipo que nada tem e faça o que fizer, a perda será nenhuma. Por isso, muito cuidado, porque um tipo sem nada, de um momento para o outro, poderá passar para lá do cartão e tornar-se num violento desabrido. Que se desenganem aqueles que acham que pelas ruas não existe gente educada e inteligente capaz de perguntar a si próprio: quem me acompanha? 
Quem sabe, um dia o caldo entorne. Ou como é possível dizer: isto está a ficar em ponto de rebuçado.

Itália, Espanha, Grécia: vem aí mais do mesmo


Os italianos festejaram a saída de Berlusconi do poder. O mais certo é não saberem que não ganham nada com isso, como é evidente. Por cá também se substituiu José Sócrates por Passos Coelho. Com a mesma política, a única diferença, se assim podemos considerar, é que as coisas pioraram.
Na Grécia assiste-se ao mesmo cenário. Com a agravante do indigitado primeiro-ministro ser um homem do BCE. Claro que não agoira nada de bom. Estavam à beira do precipício e acabam por dar um passo em frente. Em Espanha, os espanhóis vão mudar de governo, ou nem tanto. Vão é mudar de nomes.
O que se pode concluir é que a questão não passa por nomes ou por este ou aquele partido. A questão central é que as políticas são exactamente as mesmas e dirigidas por traidores para quem o interesse nacional é secundário.A questão central é a aplicação de uma outra política que tenha o cidadão como elemento central.
A mercadocracia já não resolve problema nenhum, se é que alguma vez resolveu. Antes os inventa.
É urgente por termo a estes desvarios.

domingo, 13 de novembro de 2011

Dos Balcãs e do Parque Desportivo da Figueira da Foz

Augusto Alberto

No “Outra Margem” leio, a propósito do Portugal/Bósnia, em futebol, um comentário que subscrevo na íntegra. E porquê? Pelas razões que o Agostinho valoriza. Estamos a falar da Bósnia, um país, de um conjunto de países que se estão a fazer a partir de desenlaces muito violentos e tortuosos. 
Estive nos Balcãs em Agosto, a tempo de assistir, pela TV, evidentemente, à fase final do Campeonato da Europa de Basquetebol, realizado na Lituânia, onde Portugal também esteve. Para meu espanto, saídos, após poucos anos, de divórcios violentíssimos, lá estavam, no topo da modalidade e de modo sistemático, os seguintes países da velha Jugoslávia: a Bósnia Herzegovina, Sérvia, Croácia, Eslovénia, Macedónia e Montenegro. 
Independentemente de óbvias e apaixonadas análises sobre os mais diversos factos, a questão é que aqueles povos, muito doridos e arrasados, continuam a fazer o seu caminho. E nesse caminho, impressiona e até nos espanta a simplicidade de soluções no sentido de dar resposta a necessidades básicas das populações, como por exemplo, a actividade física, seja de lazer, competição ou rendimento. Aliás, exactamente no sentido inverso ao que por cá se passa. 
Não esqueço as paródias acerca do parque desportivo de que a minha cidade necessita. Não me enganarei se disser que estamos sobre uma promessa com pelo menos 4 mandatos, que deveria ter como centro uma pista para atletismo. A mentira sempre tem perna curta e por isso, até apetece perguntar: que dificuldade terá tamanha obra que até parece que é coisa mais difícil de realizar da que foi a dobragem do Cabo das Tormentas, por um dos portugueses mais ilustres, Bartolomeu Dias? Temos de facto uma elite, que me atrevo a parodiar, aproximando-me e apropriando-me de uma boutade de um amigo meu: que não merece nem um sopro. Por isso, faço das palavras do Agostinho, as minhas. Joguem à bola príncipes de um povo abatido e empobrecido e deixem-se de procurar justificações, porque se alguém está privado das coisas, é exactamente o povo e não vós.

Post script:  também sei que hoje corre pelos Balcãs o sentimento de perda da velha Jugoslávia, mas isso é outra coisa. Ou melhor. Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga.



A mercadocracia vai-se consolidando...


Tirá-la  do poder é um dever patriótico e democrático. E urgente, sob pena de vermos o país a afundar-se  cada vez mais.
Começa a ser impossível sermos governados, porque votamos, em energúmenos.

Depois de oferecermos, de mão beijada, o BPN, começam a aparecer outros efeitos colaterais que também não nos ficarão (ao contribuinte, a quem trabalha) nada baratos.

sábado, 12 de novembro de 2011

O ponto haverá sempre de ter um nó

Augusto Alberto

O que existe de comum entre Otelo Saraiva de Carvalho e o Dr. Marques Mendes? Ambos são perigosos.
Otelo não é só o diletante social, ou o homem de pequenez de análise e pensamento. Antes pelo contrário, é o homem a quem se recorre, de modo cirúrgico, em momentos em que a curva muito aperta. Otelo não debita tontarias. É bom que se saiba que é bem mais do que isso.
Marques Mendes é perigoso porque é intelectualmente desonesto no afã de servir o regime muito caduco. A última arenga a propósito da rábula dos transportes públicos é um exercício da mais cretina desonestidade. Não basta exibir mapas e debitar umas quantas ideias, e pronto, estamos falados. Marques Mendes sabe bem do que fala. É um fariseu que tripudia sobre a verdade dos factos, porque é importante que o regime não esqueça os seus príncipes.
E os factos são claros: a taxa de realização, através das tarifas, nos transportes públicos, em média na Europa, situa-se na ordem dos 30%. Em Portugal, essa taxa situa-se cerca dos 40%. Mais do que às rábulas em referência às mordomias dos trabalhadores ou dos administradores dessas empresas, é preciso que se diga que por falta das transferências do orçamento geral do estado, em obrigação pelo serviço público, empurrou as empresas para o crédito para realizar investimentos. Naturalmente, a amortização e as dificuldades em voltar aos empréstimos, são hoje um ónus violentíssimo. Isto prova que um cidadão português, hoje, com menos recursos, paga mais pelo transporte público do que a média do cidadão, com mais recursos, no resto da Europa. Isto omitiu o dr. Marques Mendes. Não por esquecimento, evidentemente. Ambos os senhores tentaram uma enorme provocação em véspera da manifestação dos militares e da greve geral.
O tempo provará que o ponto haverá sempre de ter um nó.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No 36º aniversário da independência de Angola


O Pensador
A mais famosa e uma das mais belas estatuetas angolanas. De origem chokwe (povo do leste do país), é uma referência e um símbolo da cultura angolana. Representa um idoso, homem ou mulher, que personifica a sabedoria e o conhecimento da vida.
Esculpida geralmente em madeira, é agora uma popular peça de artesanato. Como o Zé Povinho em Portugal ou John Bull na Inglaterra.
Sobre ela aqui fica um poema de Henrique Abranches:


ao artista desconhecido, autor da 
mais conhecida escultura angolana



Ela está sentada, 
a Mãe-Pensador.
Está cuidadosamente sentada
entre a vida e a morte
para lá de toda a gente.
Ela está sentada, 
a Mãe-Genitor,
sobre o seu andor.
Mas não como a Senhora dos ausentes.
Nem como a virgem dos doentes,
Nem como a Nossa Senhora das Dores.
Ela não tem nada
a Mãe-Pensador.
Não tem morte
nem vida
nem Sul
nem Norte
nem cima 
nem baixo,
nem cor...
nem dó.

A Mãe-Pensador é nós,
na nossa mente.
Ela é nossa longa consciência.
Ea não tem senão um velho pó
como palavras justas em roda duma oval.
Ela não tem senão a força
e toda a ciência
da sua oval talhada
num pedaço de ideia universal.

Sem contrair nenhum nervo,
sem pronunciar uma palavra
sem alargar o nó do seu dorso
ela é cereal na nossa lavra,
ela é uma luz no nosso acervo.
Ela é nós, sem qualquer esforço.

Mãe-Pensador serena e nua
entre a morte eterna
e a vida imoral
tiradas um pouco a toda a gente
como um tributo à flor habitual
que fica entre o Sol e a Lua
eternamente...

Ela está enrodilhada
em volta do seu nó
dentro do qual desfila em parada
toda a nossa miséria militante,
como num outro gueto, onde vive um povo
sem Galileia nem Jericó
entre a paz e a guerra
entre Cassinga e Soweto,
nervoso e hesitante,
mas não só.

Ela está sentada num tronco de pau-preto
num taco de pau-terra
com profundas ra´zes na nossa mente.
E é como o fluxo sincrético
que vem pelo tempo fora
repensando o Povo
ao longo de um milénio,
mestiçando de novo
a consciência de agora,
irredutivelmente.

Ela está sentada no seu génio hieráctico
sentada no seu modo diacrónico,
a porta do seu túmulo transparente.
ela geme imperceptivelmente
o seu gemido rouco e desarmónico
que soa em nós por dentro e por fora
num cântico diatónico.

Ela não tem sombra
a Mãe-Pensador.
Ela não tem bafo
nem sangue nem suor.
Ela é sombra
ela é o bafo
ela é o amor...

A Mãe-Pensador não está de pé.
Cotovelos assentando nos joelhos
olhos serrados em grão de café,
está sentada meticulosamente
escutando tudo
olhando toda a gente,
básica e serena como ela é,
vendo tudo detalhadamente.

Mãe-Pensador
mudamente ambigua...
Tua cabeça pensa adormecida
o Ser e Não ser da nossa vida,
e murmura num gemido ritual
o som de tão perigosa vizinhança,
dessa misteriosa condição contígua
da derrota que precede a vitória da esperança.
E o som gemido, rouco e atonal
como a fórmula básica dum singular perito,
sonoriza a rigorosa oval
onde se debate o nó do conflito
que germina uma formosa ideia.
E as equações da morte e da Vida
vão do princípio ao fim do infinito
abraçadas entre as trevas e a luz
tecendo a nossa teia.

O teu cérebro antiquíssimo regista
essa unidade vagarosa, imemorial
que se cria pela História a perder de vista
e nela serpenteia.

A voz murmurada do cântico expontâneo
que exala da terra e se reproduz
pelas chanas arrasadas do Mussende
como prece pagã que repercute
no céu da catedral dum velho crâneo,
ressoa ainda uma cantata em ut,
rodopia ainda uma dança em redondo,
que foram missa negra em ditirambo
na belicosa véspera de Kalendende,
na aurora sangrenta de Angoleme Akitambo
no raiar da vitória do Kifangondo.

ela olha e vê
do seu toco de pau-tempo
a marcha saturnal de tanta gente
corrompendo a esperança,
activando os medos,
gargalhando as suas risadas soturnas
palavreando os seus discursos loucos.

Os olhos apagados como estrelas diurnas,
ela olha e vê pelos seus longos dedos,
ela olha e vê paulatinamente
toda aquela gente
a morrer aos poucos.

Com seu sorriso de estrela reservada
a Mãe-Pensador olha e vê,
os nomes que sobraram na história da coragem,
que não morrem aos poucos, nem tão pouco
doutra maneira mais sofisticada.

Ela olha e vê do cimo do seu toco
seus antigos companheiros de viagem:
o Príncipe Ilunga - que recusou a guerra - 
e a formosíssima Princesa Lweji,
amarem-se na paz e no calor da terra
de uma outra Chana de Lwameji
onde as begónias se cruzam com os fetos
mestiçando a flora.

Ela olha e vê
pelo tempo fora,
o cortejo de filhos e de netos
dos filhos dos netos dos bisnetos,
habitarem cada campo e cada canto
desta pátria que foi mundo novo.

E a Mãe-Pensador
como quem cisma,
sorri então todo o seu espanto
e goza de olhos postos em si mesma
a formidável linhagem, do seu Povo.



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Álvaro Cunhal


... um ser humano decididamente muito diferente...
Álvaro Cunhal faria hoje 98 anos.

"O meu derby"


Não há mesmo como ter duas pátrias.
Na segunda edição da "Taça Independência", incluída nas comemorações do 36º aniversário da independência de Angola,  defrontam-se, nem mais,  a minha selecção e o meu clube. 
Declaração de interesses: estou pelo empate. Decidam nos penalties, se quiserem. Ou à "moedinha", também pode ser.
Mainada.
É hoje, às 18H00, no Estádio 11 de Novembro.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Fotografia com História (III)

foto: alex campos

4 de Dezembro de 1985. O navio KONGSAA, de pavilhão dinamarquês, fundeado ao largo da Figueira da Foz a aguardar a maré para poder atracar no porto, devido ao mau tempo a que se juntou a negligência da tripulação, estatelava-se na praia do Cabo Mondego.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O acordo ortográfico e a reestruturação do Álvaro

Já aqui confessei que não aderi a essa treta do acordo ortográfico. Se calhar fiz mal. Foi por via disso, estou convencido, que não percebi bem, em tempo útil, o que o ministro Álvaro quer dizer com reestruturação.
Mas lá consegui entender, e diga-se, coisa mais fácil de entender não há. Só que eu sou teimoso e acordos ortográficos comigo não pegam, sobretudo se forem como este.
Fiquei a saber que reestruturação significa privatização. Até tinha consultado o dicionário e mesmo assim fiquei com dúvidas. Não batia a bota com a perdigota.
Mas lá entendi, apesar de muito esforço. Afinal não têm o mesmo significado mas lá vai dar no mesmo.
Reestruturação significa que o contribuinte tem de pagar as dívidas das empresas públicas, aquelas que os políticos desta política se empenharam em fazer, para servir o dono, bem entendido, que é como quem diz, privatizar tudo em pratos limpos. É assim como uma fase intermédia.
Foi o que se passou no BPN, em que o Estado, ou seja, o contribuinte, colocou lá mais de dois mil milhões de euros depois de o terem esmifrado, acabando por o vender por tuta e meia. Ou por outra, oferecê-lo de mão beijada.
É o que se passa com a RTP, e agora, a propósito, com as empresas de transportes.
Assim se compreende que o grande tacho é ser ex-ministro, porque depois se abrem as portas das empresas que se serviu enquanto detentor de cargos públicos. Exemplos não faltam.
Acho que tenho de rever a minha posição quanto ao acordo ortográfico. Sobretudo quando cá vêm os elementos da troika debater a coisa, voilá!!!!

Joe Frasier

Aos 67 anos, o primeiro pugilista a derrotar Muhammad Ali, Joe Frasier (à esquerda na foto), perdeu ontem o seu último combate. 
Dois dias antes do falecimento desta lenda do Boxe, outra, Ali, afirmou que as notícias sobre Joe eram  "difíceis de acreditar e ainda mais difíceis de aceitar", e ressaltou "Joe é um lutador e um campeão e eu rezo para que esteja lutando agora". 



domingo, 6 de novembro de 2011

Descontaminado

Augusto Alberto


Há cerca de 3 meses o actual secretário de Estado do Desporto, Miguel Mestre, de quem se diz ser um mestre na legislação desportiva, e, pelos vistos, um trôpego noutro tipo de avaliações, foi-me apresentado. Ou eu a ele. Estava eu nas minhas funções, quando o Mestre, afável, se abeirou e depois de informado acerca das minhas tarefas, estendeu a sua mão e o cumprimento da praxe ficou feito. Mas aconteceu que alguma coisa, para além de eu me ter portado lindamente, não estava bem. O secretário de estado Mestre, do Governo do PPD/PSD, apareceu-me com uma gravata rosa, quando, em exercício de funções, se recomendaria que pusesse gravata laranja. Pequena discrepância ou pequena disfunção? Nada disso! A flâmula que o secretário Mestre trazia sobre o peito, laranja ou rosa tanto faz. Iguais! Como assim? Eu explico.
Desde o ido ano de 1974, cada um à sua vez, quem melhor contribuiu para a emigração? É verdade que logo depois de Abril muitas esperanças se abriram, mas depressa tanto os rapazes do Partido Socialista, do PPD/PSD, e ainda, o partido do Amaral, do Monteiro e por fim do Portas, logo trataram de as fechar. E em tratando de as fechar, a pátria voltou à sangria desatada da emigração. Quem não tem cão, caça com gato, foi o que disse o Secretário Mestre. Que emigrem! Sobretudo os melhores, porque isso permite baixar as angústias de quem já não sabe bem o que fazer e dizer. Com efeito, este Mestre de pensamento intrincado, baixou ao bestiário do pensamento, porque não sabe que governar deve ser a arte de bem contornar dificuldades, bem dirigir, das boas opções, do bom desenvolvimento e da prestação das boas ou más contas, em linha com os interesses das pessoas. Mas isso não está nos referenciais desta gente. Antes pelo contrário, governar como governa esta seita, é assim mais ao menos como Pilatos, que é a forma mais fácil de dar andamento ao assunto. 
Sendo eu já um pouco entradote e ainda confortável na vida e sobretudo no pensamento, cada vez que penso nesse encontro, logo fico confortado, tão só porque já lavei as mãos umas centenas de vezes. Estou descontaminado!
E muito confortável, porque reconheço que em boa e santa verdade, todo o anedotário carece de ajustamento de quando em vez.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Fotografia com História (I)

Vapor alemão  "GLADIATOR" encalha na Figueira da Foz, em Abril de 1910

Requiem para um homem de paz

tangencialmente assim
na ambivalência das distâncias

o silêncio dos mortos
odes rasgadas no fundo
do mais fundo tempo
nos jardins das cruzes
plantadas sobre silêncio

e há-de vir em coro
cantado tocado e chorado
rompendo por sobre nuvens
de fumos e álcoois vaporosos
e há-de ser ouvido

o silêncio dos mortos
vindos da latitude longe
e o rasgar silvante
de ponta em aço e fogo
há-de ser entendido

só então se atingirá
luther king morto pela paz
das armas disparadas
silêncio da carne apodrecendo
mas de voz perpetuada

e os outros também dirão
da história de corpos anónimos
- tangencialmente assim
na ambivalência das distâncias
gente mártir da liberdade

o silêncio dos mortos
cantados tocados dançados
ritmos de protesto
tintos de sangue derramado
nas pontas das baionetas

e no ínterim dos carros patrulhando
por entre os tanques enfileirados
e gases e fogos ateados
o silêncio dos mortos
como aleluia de paz

até nas noites das buates
no remanso dos teatros
em tudo que será festa
o silêncio dos mortos
no aço em fogo da metralha.

Ruy Burity da Silva (poeta angolano)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A elite revanchista

Augusto Alberto


A elite reaccionária e revanchista está a ajustar as contas com a história e os seus mais credíveis defensores exultam. O povo domesticado há séculos, não percebe que o ajuste é com tudo o que foi ganho com o 25 Abril, muito no chamado Gonçalvismo, modo ideológico muito agressivo de justificar a revanche. A elite que não esquece, só consegue viver achincalhando o povo e, esperta, escolheu para ponta de lança, entre um menino de coro, bem ataviado e uma avô desprendada. O povo foi levado, e então?

Então o que o país, sobretudo do interior, ganhou com o poder local vai perder à conta da rábula da reforma administrativa. Vai ficar à mercê dos mais espertos caciquinhos. Por ora, depois do fecho da ferrovia, acabará também por perder o transporte rodoviário, porque a população que já não enche uma carruagem, também não encherá um autocarro. Em Trás-os-Montes há já doentes oncológicos que não dispõem do transporte para irem em tratamento ao Porto ou a Coimbra. É de todo conveniente que morram sem alaridos, para que não se some ao fecho do posto de correio, o próximo é tão longe que as pessoas de tão exauridas, já se arrastam para ir levantar a vianda, e ao fecho da escola primária, e do centro de saúde. Só não vê quem anda distraído, que se as boas estradas dão para chegar, dão sobretudo para partir.

O ordenado mínimo, o 13º e 14º mês, que foi um meio de elevar os baixos salários, nunca mais voltarão. O povo que ganhou acesso a bens e serviços, fica desde já a saber que quem pode, vai pagar para ter saúde, quem não pode, não pode…que se foda! Na escola, que apesar de algumas opções discutíveis, hoje, com o esmagamento da auto-estima dos professores, uma sala de aula pode ser um lugar em que um meio bandido poderá sair bandido inteiro, tal como se diz para a prisão, em que se sai mais bandido do que quando se entrou. O edifício jurídico no mundo do trabalho, que trouxe mais equilíbrio, tomba, agora, para o mesmo lado. Espera-se o fim da contratação colectiva e dos órgãos de direcção dos trabalhadores. O funcionário público que durante o ocaso fascista, era uma espécie de bobo da república, tinha de esperar que o Salazar acordasse bem disposto, e isso era coisa que poderia suceder de 10 em 10 anos, para ter o magro aumento salarial de 1 tostão. Sabem quantas partes do euro valeria hoje um tostão? Não façam contas, não a vale a pena. A dignidade ganha acabou. E por fim, a independência! Ninguém nos perguntou se queríamos o euro e o tratado de Lisboa. Porque a democracia nos mandou para o caralho, hoje mandam no governo e em nós, banqueiros facínoras.

No Portugal profundo, o povo das horas mortas, que já são mais do que as horas vivas, vai vivendo com uma cerveja na mão e a barriga encostada ao balcão, enquanto, em Novembro, os militares da terceira via, deram o 1º passo, e de seguida, os descendentes do fascismo, como Sá Carneiro, Cavaco e os amigos, mais os do socialismo de rosto humano, do socialismo em liberdade, o socialismo engavetado, estão-nos a levar ao haraquiri.

E eu interrogo-me: como é possível, povo, não reagires à canalha que destruiu a produção, enriqueceu com a economia de casino e agora ainda decreta o teu empobrecimento em ordem a manter, ainda e sempre os seus privilégios?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Palestina, membro pleno da Unesco


Foi uma significativa vitória diplomática a aceitação da Palestina como membro da Unesco. Ao contrário da maioria do "mundo democrático" penso que foi dado mais um passo no caminho da paz.
Os Estados Unidos e Portugal (e outros) não conseguiram impedir o facto. Enquanto os americanos expõe a sua azia suspendendo a  contribuição financeira para a Unesco, o governo português manteve-se fiel a si próprio, mantendo a posição que sempre tem tomado internacionalmente: a posição de cócoras. 
A votação não deixa margem a dúvidas: 107 votos a favor, 52 abstenções e 14 votos contra.
Agora, aqueles que afirmam que este facto afasta a possibilidade de um acordo de paz são os mesmos que estão interessados na guerra.
Embora seja uma pequena vitória, é muito significativa para aqueles para quem os direitos humanos e a liberdade não são palavras vãs.
A "aldeia Olímpica" regozija-se com a entrada da Palestina na Unesco.

Foi você que votou neles?