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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O campo da morte lenta (3)

(…) Quando cai no Tarrafal, continuei a fazer poesia, duma maneira geral sem a preocupação da rima, da métrica - da métrica deliberada. Simplesmente, caio na cela disciplinar e estou num dos momentos mais duros, mais tremendos da minha vida, em que fiquei um ano sem recreio, sem direito a correio – nem sequer esse cordão umbilical: as cartas da família, dos amigos e das amigas - , dormi no chão períodos enormes – três horas já era noite lá dentro, sem livros – e era uma espécie de jazigo…
Era como se isto fosse uma cela e, dentro dela, havia quatro ou cinco jazigos até lá ao fundo. Depois a gente entrava, tinha um corredor e depois ainda entrava para outro sítio. E ali, como natureza, tinha baratas, mosquitos, aranhas, pardais que faziam ninhos lá em cima… E eu vi que, se não arranjasse uma capacidade de resposta, eu enlouquecia. Bem, entro já debilitado – nessa altura tinha já dez anos de campo de concentração… (…)
Então, autenticamente como quem faz palavras cruzadas, comecei… tinha problemas em conseguir papel e lápis. Havia na cela ao lado uns camaradas do PAIGC, com quem eu, clandestinamente, consegui entrar em contacto – a janela era relativamente longe, mas eu, com um pau de vassoura, conseguia estender o meu saco, na ponta. Eles depois punham lá coisas que eu escondia, podia ler, escrever. E em períodos em que, aligeirada a situação, e em que já podia ter um ou outro livro, caderno – eram da caserna onde os outros viviam -, para queimar o tempo eu compliquei o jogo tentando fazer a minha poesia – toda a que entendesse – e passou a ser um jogo, autenticamente um jogo, sem pensar que sairia vivo de lá… Eu estava absolutamente convencido que morria lá, e que aquilo era absolutamente inútil. Mas o que eu queria era não enlouquecer. Eu tinha um raciocínio: o suicídio ocorria-me muitas vezes e, ao mesmo tempo, o desespero e uma raiva louca. Dizia: “- Eles enterram-te só, e ganham o jogo totalmente…” A minha ideia era esta: fazer um acto de violência em que conseguisse matar um, mesmo que depois fosse morto, mas pelo menos fazia um a um – isto em termos de jogo. Se matasse dois, ganhava dois a um! Veja só o meu estado… Dava comigo a acordar com a minha voz a falar alto, e passeava como um louco; quando já não me deixavam no jazigo, deixavam-me passear… Isto é, era dentro daquele espaço, mas passeando naquele corredor… e então tentei reconstituir de memória alguns sonetos, algumas quadras, umas estâncias de Os lusíadas, e estudar com o pouco que eu tinha aprendido de versificação – 4ª e 8ª, 3ª, 5ª etc., cinco sílabas, dez sílabas… E, inclusivamente, até procurava as rimas mais arrevesadas para andar ali com os cornos um dia inteiro, entretido, à procura até acabar o soneto. E isto foi um recurso em que, posso dizer, taxativamente, a poesia me salvou. Se quiser, chame-lhe palavras paralelas, hieróglifos: para mesmo matar o tempo e não enlouquecer…
Mas tive outros recursos, domesticar pardais, domestiquei uma aranha, uma sardanisca, dessas osgas que comem mosquitos – o que para mim era um inferno -, e ela andava no meu bolso, no meu ombro… Os pardais – que são cruéis entre eles – os ninhos não lhes chegavam, tiravam os ovos. E os gajos iam crescendo, iam lá fora fazer as suas rusgas e vinham, pousavam aqui, pousavam na cama – às vezes sujavam-me o lençol, isto nos períodos em que eu já podia ter lençol… De maneira que, pronto, assim ficou… Se aquilo dá para literatura ou não dá, também não estou muito preocupado. De qualquer maneira foi assim.
Portanto, foi um salto tremendo entre a poesia clássica, obrigada a todos os ss e rr, e aquela era uma poesia absolutamente espontânea, livre, sem preocupação de ofício literário, e que há quem diga que está mais conseguida, há quem diga que há bons num lado, há bons no outro, o problema já não é meu…
António Cardoso a Michel Laban, in "Angola - Encontro com escritores", vol I)
N. R. - O poeta António Cardoso foi preso em 1959 e depois em 1961. Nesta segunda prisão esteve cerca de três anos em cadeias em Luanda após o que foi transferido para o Campo de Concentração do Tarrafal, de onde foi libertado em 1 de Maio de 1974.
No extracto da entrevista que reproduzimos, o poeta, ou por decoro ou porque não veio ao caso pois era o escritor que estava prestar um depoimento, não diz o que é do conhecimento público e já contado por outros presos: que neste paraíso foi espancado várias vezes até à inconsciência.

sábado, 21 de agosto de 2010

O campo da morte lenta (2)

O jornalista e investigador cabo-verdiano José Vicente Lopes esclareceu à Lusa que a expressão "Tarrafal era um paraíso" foi utilizada por um dos emissários da Cruz Vermelha Internacional (CVI) de visita ao Campo de Trabalho de Chão Bom (CTCB) em novembro de 1971.
A expressão "paraíso" foi utilizada pelo autor numa entrevista ao jornal Expresso, a propósito do seu novo livro, na passada semana e provocou um coro de críticas de ex-prisioneiros.
"Não fui eu, até porque não tenho autoridade para tal. Como vinham outras missões, comparando o Campo de Concentração do Tarrafal com as outras prisões que Portugal tinha em Angola, Moçambique e Guiné, um dos emissários da CVI exclamou que o `Tarrafal era um paraíso`", disse.
São as chamadas desculpas de mau pagador. Só pergunto o que o dito senhor tem de jornalista e de investigador. Haja vergonha!!!

O campo da morte lenta (1)


Está montada uma operação gigantesca para limpar a imagem do fascismo. Uma autêntica lavagem da História. Depois das recentes “investigações” de uma pretensa historiadora sobre o regime fascista e a PIDE aparece-nos um trabalho de um cabo-verdiano, que o jornal português ”Expresso” alcunha de prestigiado jornalista e investigador, em que se afirma que o campo de concentração de Tarrafal não era uma prisão, mas sim um paraíso.
Ex-presos políticos angolanos que cumpriram penas naquele que ficou conhecido por “campo da morte lenta” mostraram-se indignados e chocados, em conferência de imprensa.
O campo de concentração foi aberto em 1936 para comunistas e anarquistas, e foi encerrado em 1954 por pressões internacionais. Nesta primeira fase morreram 34 pessoas, entre as quais Bento Gonçalves, secretário-geral do Partido Comunista Português e Mário Castelhano, líder da central anarco-sindicalista CGT.
Reaberto em 1962 para receber presos políticos das ex-colónias só foi novamente encerrado com o 25 de Abril de 1974. Não faço ideia quantos africanos morreram nesta segunda fase, mas entre aqueles que lá cumpriram pesadas penas contam-se os escritores angolanos Luandino Vieira e Uanhenga Xitu (Agostinho Mendes de Carvalho), irmão do mítico comandante Hoji-Ia-Henda, e os poetas António Cardoso e António Jacinto.
Segundo os “lavadores” o estado fascista nunca permitiu que a Cruz Vermelha visitasse outros campos, como o de S. Nicolau, no sul de Angola. Mas claro, a autorização para a visita ao Tarrafal foi estratégica, como não podia deixar de ser, e os visitantes viram aquilo que os fascistas queriam que eles vissem.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ruy Duarte de Carvalho



Morreu hoje Ruy Duarte de Carvalho. Ficcionista, poeta, antropólogo e cineasta, o seu desaparecimento é uma grande perda para Angola.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Luther King e Angola




A poetisa e líder revolucionária angolana, Deolinda Rodrigues de Almeida, trocou correspondência com Martin Luther King, nos finais dos anos 50.
O Jornal de Angola publica uma carta, agora descoberta, do reverendo para a angolana, então jovem estudante no Brasil.
Deolinda foi fundadora da Organização da Mulher Angolana, em 1962, e sua primeira presidente. Morreu em combate em 1967, com 28 anos.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Globalizações...


O que terão a ver três galardoados com o Prémio Nobel (Literatura, Paz e Economia, por ordem cronológica) e dois presidentes de Repúblicas muito pouco públicas?
Aparentemente nada. Ou, talvez, meras circunstâncias.
Mas o jornalista Wilson Dadá junta-os num texto. E recorda noutro, de 1999, a passagem de José Saramago por Angola.
Vale a pena ler.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Sobre pontos de vista fascistas

Que as figuras políticas são polémicas não haverá muitas dúvidas. Os seus inimigos tendem sempre a denegri-las. Mas quando se recorre à ignomínia e à mentira estamos perante mentes mal formadas, cujas armas mais mortíferas são a mesquinhez e o desconhecimento histórico.
A ilustrar o que acabo de escrever está o que leio sobre o Almirante Rosa Coutinho. Sobretudo em belogues de direita. Que esta esteja órfã do fascismo é uma coisa que não me diz respeito, embora em trinta e tal anos de democracia, ou coisa parecida, já tivesse tido tempo de se democratizar.
Está bem que os filhos da puta dos fascistas se estão nas tintas para o facto de Rosa Coutinho ser um dos protagonistas que eu admiro daquela fase histórica. Têm esse direito. Não deveriam era ter o direito de mentir e dizer baboseiras para tentar denegrir o almirante.
Sobre algumas destas baboseiras que li faço alguns comentários, ou esclarecimentos.
Que Rosa Coutinho entregou Angola ao imperialismo soviético e aos mercenários cubanos, alçando um pouco implantado MPLA, li. Que aterrorizou a população branca com a finalidade de os fazer fugir daquela terra, li.
Bem, o MPLA não estava nem pouco nem muito implantado. Por muitas divergências que actualmente possa ter com o MPLA devo dizer que é o único movimento que teve origens nas reais necessidades do povo angolano e na urgência de uma luta pela independência. Foi fundado por nacionalistas angolanos e em território angolano. Lembro, ou esclareço quem possa não saber, que a UNITA só foi fundada em 1966 após o MPLA ter aberto uma frente no leste do país. Tenho dúvidas sobre quem terão sido os fundadores. Mas também será um facto que dificilmente alguém venha a saber. O general Costa Gomes? Ou a própria PIDE? Da FNLA sabe-se que Holden Roberto, familiar do homem forte da CIA, Mobotu, também foi funcionário dessa colectividade americana. E formou a FNLA a partir de um agrupamento tribalista baseado em povos do norte do país. O “15 de Março”, que ficou conhecido por terrorismo, em que foram chacinados não só brancos como operários e camponeses negros do sul, diz, quem tem interesse em tal, que foi um erro do próprio Holden, à revelia da própria CIA.
Quanto ao ter entregue Angola, também é sabido que quem começou a guerra não foi o MPLA. Guerrilheiros da FNLA que no quartel estavam a limpar armas ligeiras, dias antes da guerra começar, disseram-me, a mim e a colegas meus: “estas meninas vão dançar no fim do mês”. Certo é que a guerra começou nos primeiros dias de Junho de 1975.
Mercenários foram os sul-africanos, alguns militares portugueses e terroristas internacionais ao serviço da FNLA. Os guerrilheiros que me prenderam não falavam português. Falavam francês, pois vinham do Congo.
Por último, devo lembrar, ou esclarecer quem não saiba, que muitos brancos estão entre os fundadores do MPLA, alguns dos quais figuras grandes da cultura e da literatura angolanas. E alguns nascidos em Portugal. O próprio Agostinho Neto, presidente do MPLA e primeiro presidente da República era casado com a poetisa Eugénia Neto, branca e transmontana.
Não adianta tentar branquear a História. Ela é um julgamento.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Rosa Coutinho (1926-2010)


Um dos militares que formou o Movimento das Forças Armadas que viria a derrubar o regime fascista.
O Almirante Rosa Coutinho faleceu hoje, aos 84 anos. Figura marcante do 25 de Abril, os povos africanos de expressão portuguesa vitimas do regime colonial recordá-lo-ão para sempre com o devido respeito que se deve aos amigos e aos homens corajosos e coerentes.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

“Na minha terra cabe o mundo todo”


A MAR UNO - Associação Social de Cooperação, Educação e Desenvolvimento, em parceria com a ACARFAssociação Social, Cultural, Artística e Recreativa de Forjães, organizam nos dias 21, 22 e 23 de Maio, em Forjães - Esposende, um evento denominado "Na minha terra cabe o mundo todo", que se centra na homenagem ao escritor angolano Pepetela e gravação da mão-escrevente do escritor na Parede dos Famosos (WALL OF FAME), para o efeito criada no Centro Cultural de Forjães. Um acto que em cada ano se repetirá com um autor diferente que na sua obra de algum modo reflicta esta noção intercultural de uma terra onde cabe o mundo todo.
Do programa consta um almoço e um colóquio com Pepetela e a celebração de um protocolo entre a MAR UNO e a UNESCO.
A “aldeia olímpica” agradece o convite.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

14 de Abril ou a cada um o herói que merece

Tenho a felicidade, ou infelicidade, de ter duas pátrias. Li, aqui, que “a dimensão da pátria vê-se pela estirpe dos heróis que reconhece”.
Tenho os meus heróis em cada uma delas. Muitos. Bastantes. E, com regimes parecidos, parece-me que o respeito por eles é diferente em cada uma delas.
Hoje, 14 de Abril, celebra-se em Angola o Dia da Juventude. Em homenagem a um comandante da guerrilha. A um nacionalista. Mas há muitos mais. Poderia falar de Agostinho Neto, António Jacinto, António Cardoso. O comandante Valódia. E muitos mais.
Dos portugueses, posso referir Alfredo Dinis, mais conhecido por Alex, o único militante do PCP que ficou conhecido pelo nome “falso” que usava na clandestinidade. Confesso que nunca percebi porquê. Vil e cobardemente assassinado pela PIDE em 1945, aos 28 anos de idade. Há muitos outros. Desde Bento Gonçalves, Ferreira Soares, Militão Ribeiro, Álvaro Cunhal, Dias Coelho, e muitos outros anónimos, que lutaram pela liberdade.
Mas, em Portugal, por outro lado, homenageiam-se fascistas ao mesmo tempo que se esquecem outros nomes, embora mais distantes na História. E, se for verdade que a dimensão da pátria se vê pela estirpe dos heróis que reconhece…bem… penso que Angola ainda entrará nos eixos… mas Portugal está sempre a tempo.
Deixo-vos um poema de Rui de Matos:

Procuro um leão

Ando à procura de um leão
que não seja muito grande,
que seja terrível na luta,
que o temam e o amem.

Quero fazer o retrato de um leão
de olhar doce,
de sorriso franco,
um leão alegre,
sem reservas.
Um leão imenso
no seu amor.
Chamá-lo-ei
HOJI-IA-HENDA

Procuro um leão
um leão generoso
que divide o seu pão
e que dá a vida.

Procuro um leão
duro e implacável
com os seus inimigos…
esse leão
doce e humano
amigo e simples
chamá-lo-ei
HOJI-IA-HENDA

Ando à procura de um leão
que sorria da derrota
com tanta fé na vitória.

Procuro um leão
que seja temerário
um leão amado
um leão temido,
chamá-lo-ei
HOJI-IA-HENDA

Hei-se procurá-lo
na terra
procurá-lo
no mar
procurá-lo
nos rios
procurá-lo
nas chanas.
Hei-se encontrá-lo em Angola,
Farei o seu retrato,
Chamá-lo-ei
HOJI-IA-HENDA

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Savimbi, o traído



Fernando Campos tem razão quando diz que é dificil encontrar uma visão distanciada e desapaixonada de Jonas Savimbi. É da mais elementar justiça que, à luz da História, lhe seja consentido tal.

Temo que seja difícil. Pela personalidade do próprio. Traidor por vocação, e muito posivelmente por convicção, Savimbi morreu como viveu. Viveu a trair e morreu traído. Nunca teve uma ideia sobre a independência de Angola, nem por ela lutou, serviu o colonialismo, o apartheid, e tranformou-se no homem de mão do imperialismo americano até que este o eliminou quando já dele não necessitava, como fez, aliás, com Saddam e outros, e que já é um comportamento normal.

Além de ter lutado ao lado das forças colonialistas, o que fez à Zambia é um verdadeiro manual de instruções da traição. A Zâmbia, país interior, necessitava do Caminho de Ferro de Benguela. Savimbi logo após se ter comprometido com Kaunda a deixá-lo intacto, dinamitava-o. Aconteceu várias vezes.

Apoiou-se no mais numeroso grupo étnico angolano, os Ovimbundus, refugiando-se no tribalismo quando Angola caminhava para um nacionalismo à dimensão do seu povo e território. Teve sempre muitos bons amigos mas ficará para sempre um incógnita: quem fundou a Unita? O general Costa Gomes? A própria PIDE?


sábado, 6 de fevereiro de 2010

“A língua portuguesa é o nosso espólio de guerra”



Não me recordo a quem pertence a declaração em título, se a Pepetela se a Luandino Vieira. Foi proferida após a independência e, passe o humor e ironia nela contidas, traduz a certeza de que os angolanos, apesar de tudo, herdaram um tesouro, enriquecido com o facto de ser ela, a língua portuguesa, um promotor de unidade nacional.
Os portugueses em África atribuíam nomes de figuras suas a localidades, mas também nomes de povos e de sub-grupos desses povos.
Alguns exemplos: no norte Maquela do Zombo ou Sanza Pombo, sendo que os zombos e os pombos são um sub-grupo dos Bakongo. Ou Andulo, Bailundo, Huambo, estes no centro-sul, sub-grupos ovimbundos.
Claro que as palavras estão adaptadas à língua portuguesa. Porto Amboím vem dos amboíns, ou Va-Mbui.
Mas isto é do conhecimento geral. O que eu não sabia, e certamente os leitores, é que a província do Bié foi buscar o nome ao sub-grupo Vhié. E porquê a troca do “ v” pelo “b”?
O poeta angolano Namibiano Ferreira explica-nos, no seu blogue, que os primeiros colonos portugueses eram oriundos do norte do país, onde a letra v vale por b. Depois da independência ter-se-á tentado restaurar o nome da província mas já não foi possível.
De qualquer maneira um bom “bife com um obo a cabalo”, regado com um bom “Ebel” do Douro, tanto sabe bem no Vhié como em Bila Real. Ou em Balongo.
(Na imagem: mulher mucubal, da região de Moçamedes)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Angola,0 - Ghana, 1


O futebol é assim. Nem sempre ganha o melhor.
Mas valeu a pena. Os "palancas negras" estão de parabéns. Sairam de cabeça erguida, com a consciência de quem deu o que tinha para dar.
Faltou aquilo que normalmente se designa por "sorte".

Hino do CAN 2010




Curiosíssimo: em português. E esta, hein?

Só pr'a contradizer... I gotta feeling..

CAN: Angola - Gana, um jogo histórico



O jogo de hoje frente ao Gana a contar para os quartos de final da CAN poderá ser uma partida histórica para a selecção.
Em caso de vitória seriam atingidas as meias finais de uma prova internacional pela primeira vez. Não é fácil se tivermos em conta que o Gana é uma selecção com pergaminhos na prova, contando com 4 vitórias nas 26 edições disputadas e que Angola só na última edição - a quarta em que participava - , em 2008, ultrapassou a fase de grupos, sendo eliminada pelo Egipto, que viria a vencer a prova, nos quartos de final.
E o seleccionador, o português Manuel José, não tem tido vida fácil. Nos 3 encontros da primeira fase só por uma vez efectuou uma substituíção por motivos tácticos, tendo sido as outras devido a lesões.
Angola já merecia um pouquinho mais de sorte. Pelo menos no futebol.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Angola e a CAN: utilidade para os estádios


Angola decide hoje, frente à Argélia, o apuramento, ou não, para os quartos de final da CAN. Basta um empate para os pupilos de Manuel José, mas sempre será melhor o primeiro lugar no grupo para evitar a Costa do Marfim. O jogo é já daqui a nada, 16h00 tmg.
Entretanto surgiu uma ideia para dar um sentido ao Estádio “11 de Novembro”. Isto é, para que os novíssimos estádios não fiquem às moscas como alguns em Portugal, nomeadamente o de Aveiro, em que até foi aventada a hipótese de demolição.
A ideia até é muito boa. Falta saber se terá concretização, ou feed-back por parte de quem de direito.
Defende a criação de um Museu Nacional do Desporto, nos “generosos espaços” do Estádio "11 de Novembro”. Pensam os autores da ideia que ela traduziria novas opções culturais, e, de qualquer maneira, seria uma boa utilização de um espaço com capacidade para 50 mil pessoas que estaria, ou está salvo medidas como esta, condenado a transformar-se num elefante branco.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Ainda Cabinda

O governo angolano apresentou um protesto ao embaixador francês em Angola pelo facto de as autoridades politicas e judiciais francesas “não condenarem com veemência, e accionarem os mecanismos desejáveis contra o cidadão que assumiu a autoria moral e material do ataque de 8 de Janeiro contra a caravana do Togo na fronteira em Cabinda”.
O cidadão em causa “circula livremente” pela França, de onde foi emitida a nota de reivindicação do atentado perpetrado pela FLEC.
Começa-se a perceber quem manipula esse grupelho terrorista. Com ou sem consentimento de “governos democráticos”, ou com esse consentimento encapotado ou não, parece fácil de entender que são algumas das grandes petrolíferas.
Num post no seu blogue, o jornalista angolano Wilson Dada, um crítico, como eu, do governo angolano, condena sem margem para dúvidas o atentado terrorista. Nesse post, um comentário de um angolano, que preferiu manter o anonimato, dá uma ajuda para a compreensão do complicado problema.
Transcrevo-o de seguida:
"No fundo o MPLA agradece pois a FLEC acabou por se colocar numa posição intolerável. Penso que esta história de Cabinda já foi longe demais e que está na altura de os diversos intervenientes se sentarem e conversarem de boa fé. Angola via MPLA errou ao usar em benefício próprio o dinheiro do petróleo de Cabinda não garantindo que uma grossa fratia de tais rendimentos ficasse no território. Os interessados na independência de Cabinda a meu ver estão apenas ao serviço de estranhos a Angola e a Cabinda. É evidente que Angola nunca aceitará a separação de Cabinda pois isso seria aceitar a desfragmentação da unidade territorial de Angola. Não foi por acaso que os portugueses resolveram integrar administrativamente Cabinda em Angola. Sempre actuaram, em termos territoriais de forma muito pragmática. Aliás, não fora a Conferência de Berlim onde Portugal para tentar proteger os seus territórios cedeu uma fatia para acesso do Congo ao mar, e nunca teria havido descontinuidade territorial entre Cabinda e o restante território de Angola. A meu ver esta é a altura para se implementar uma solução federativa para Angola. O caso do Brasil é uma demonstração do sucesso de tal solução. Também aqui houve tentativas de secessão e no entanto todos os diferendos se resolveram de forma adequada. Cabinda isolada será presa fácil para os países vizinhos, iniciará o processo de fragmentação tribal de Angola, processso este que se estenderá, como uma praga aos países vizinhos e dará certamente início a um novo período de guerras civis. Será bom para a rapaziada do petróleo e das armas. Ou seja, interessará muito boa gente mas certamente não interessará aos Africanos que tenham dois palmos de testa. Não é por acaso que a política Portuguesa, ao contrário do que se passou com Timor, anda a assobiar para o lado nesta questão de Cabinda. Para o MNE português a questão de Cabinda não existe".

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Um balde de água fria? Foi antes uma tempestade de gelo

É que ainda não estou recomposto. Tudo porque os “palancas negras” se armaram em hitchcoquianos. Até o Manuel José ia ficando gago. Reagiu como se nunca tivesse visto um filme do Alfred.

domingo, 10 de janeiro de 2010

A CAN, Angola e a FLEC



Tem hoje início a CAN, com o jogo de abertura Angola-Mali. Manchada, como é óbvio, por um ataque terrorista contra uma embaixada desportiva.
Devo dizer que este tipo de comportamento por parte da FLEC infelizmente não me admira. A dúvida, a maior que tenho, é saber quem está por trás desse bando “separatista”.
Sabe-se que durante a luta armada contra o regime colonial a FLEC sempre recusou juntar-se a outros movimentos de libertação. Fossem eles tribalistas, como o caso da UPA/FNLA ou o MPLA, que se queria pan-angolano. A FLEC combatia-os. O regime colonial percebeu e tirou os devidos dividendos.
No início dos anos 60 o MPLA conseguiu abrir uma frente em Cabinda, cujo exército integrava angolanos dos mais variados grupos étnicos, aliás como nos é dado ver no romance de Pepetela, “Mayombe”.
Portanto é fácil de perceber a quem foram criadas dificuldades por parte da FLEC durante a guerra colonial e a quem interessava esse comportamento nada nacionalista.
Sabe-se, também, que esses separatistas, nesse tempo, tinham o apoio do presidente do Congo Brazzaville, Fulbert Youlu. Para um movimento separatista barricado não se sabe em quê, pois pelos vistos não baseado em aspirações populares, estamos em presença de algo incompreensível à luz do bom senso.
Mesmo sabendo que o terrorismo só tem um sinal, persiste uma grande incógnita: Quem estará, afinal e agora, a manobrar e apoiar a FLEC?
Ao povo do Togo só me resta apresentar os meus sentimentos e a minha solidariedade.





O escritor e professor universitário, foi chefe de guerrilha. Esteve na frente de Cabinda e foi a partir de um relatório seu de uma acção de combate sob o seu comando que nasceu o romance citado no texto.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

CAN

Conhecida por Coupe Africaine des Nations (CAN), a Taça das Nações Africanas, competição correspondente ao Europeu, tem inicio Domingo, com o país anfitrião, Angola, a defrontar o Mali.
Para realizar este evento desportivo Angola teve de construir 4 estádios novos. Em Luanda, Benguela, Cabinda e Lubango.
Temo que quem vai lucrar (ou já lucrou) com esta situação são os mesmos (ou equiparados) que lucraram, em Portugal, com a realização do Euro’04.
E temo também que os angolanos fiquem com o mesmo problema que os portugueses ficaram: com estádios novos onde se gastou uma pipa de massa e sem alguma utilidade. Por exemplo, já houve quem defendesse a demolição do estádio de Aveiro, por ser incomportável a sua manutenção.
Quero com isto dizer que o povo angolano não beneficiará nadinha com isto, pois já se vê que outras prioridades muito mais prementes foram ultrapassadas.
Quanto ao aspecto desportivo claro que vou torcer pela minha equipa, embora não esteja lá muito entusiasmado.
Os “palancas negras”, orientados por um treinador com grande curriculum, Manuel José, têm obrigação de fazer melhor do que fizeram nas duas últimas grandes competições em que entraram. No Mundial’06 não fizeram má figura, atendendo que ficaram no grupo de Portugal e México. No CAN’08 foram eliminados, com grande injustiça, diga-se, nos quartos de final, pelo vencedor da prova, o Egipto.
Mas no actual “consulado” do treinador português, que substituiu o angolano Oliveira Gonçalves, visto pela crítica como “conservador” que revelava medo de arriscar, a equipa rubro-negra ainda não ganhou qualquer jogo. Empatou com o Portimonense, com o Olhanense, com a Gâmbia e com a RD do Congo e perdeu com a Estónia. Está bem que são só jogos-treino, até pode ser que… bem, oxalá.
Uma questão favorável, além do incontornável factor casa, é que em Angola os treinadores portugueses dão-se lindamente: Bernardino Pedroto já foi campeão nacional várias vezes e por várias equipas e, no basquetebol, Luís Magalhães é o actual campeão nacional e africano com o 1º de Agosto, e à frente da selecção venceu o Afrobasket’09.


O site oficial do CAN/2010.