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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Foi a corja quem o esculpiu

Augusto Alberto   

 José Seguro visitou uma empresa em Torres Vedras especializada em enchidos, que ardeu, mas súbito recuperou. Dizem os mais de 600 trabalhadores que as relações laborais e sociais são boas. E por isso, imagino, os trabalhadores barram com mel o café e o pão da manhã. Seguro folgou em saber que parte da produção é para exportar e sentiu também um impulso à exportação das suas ideias. Mas quando lhe colocam um microfone em frente, retrai-se e, em surdina, pergunta-se, e nós também. Quais?
Todavia, é importante lembrar que quando um dia perguntaram a Eça como é conhecido na Europa, Portugal? Respondeu: Pela laranja! Anos mais tarde, pelos andrajosos do “bidonville”.
E adiante, pelas conservas e pelos vinhos. E agora, por alguma ciência, mas também, e aqui parece que Seguro anda distraído, pela emigração, que mantem ainda alguma mala de cartão, mas sobretudo, pela qualificada. Desse modo, as azémolas não devem ter dado cavaco à notícia que diz que no distrito de Viana do Castelo emigraram, no último ano, 130 alunos do 1º ciclo. Multipliquemos uma criança por 4 pessoas, são mais de 500 pessoas que partiram, num contributo muito sério para a desertificação e maior penúria demográfica. Coloquemos, então, aos bois os verdadeiros nomes, porque a hipocrisia atingiu o zénite, com a recente greve dos professores, acossados e denegridos pelo poder, e pelos melífluos comentadores que o serve, e ainda, por alguns lacraus do PS.. Mesmo que poucos professores andem pelas escolas a encanar a perna à rã, nada altera. Sério, será que esclareçam o que lhes parece a notícia citada. Se calhar, olham-na como raposa olha para vinha vindimada, e por isso, dizem nada.

E como é necessário rechaçar a hipocrisia, urge perguntar: Neste tempo que é de férias, quantas crianças não fazem uma refeição completa, porque os pais não ganham para a vianda e porque as cantinas escolares, que os amparam, estão fechadas? Nesta substância, é que políticos e comentadores alinhados na prosápia, (e o Assis do P.S., espécie de lacrau voyager, que ataca preferencialmente pela madrugada), deveriam assentar. Não fosse a escola, a primeira a chegar o prato quente aos pequenos estômagos vazios, a tragédia ficava imparável, porque a fome infantil e juvenil, é fenómeno que a corja, no seu conforto, diz nada. É certo que não estamos em África, mas quando em sossegada viagem o cidadão vir pela rua de um povoado, um pequeno estômago já ovalizado, devido aos efeitos cruéis da fome, saiba que foi a corja quem o esculpiu.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O fatinho “blue” do candidato Miguel

Augusto Alberto


Chegou finalmente à cidade o grande “mupi”, que traz o circo e a candidatura autárquica “Somos Figueira”. Nada ali é laranja, como seria de supor, porque o primeiro candidato, o vereador Almeida, mais a restante entourage, como sabemos, tem fundas raízes no PPD/PSD.
Todo o cenário gráfico é em “blue” celestial, em linha com um certo propósito paternalista, anjinho e atlantista. Bem sabemos, e quem anda pela rua observa, que à candidatura chegaram outros sujeitos. Vindos, alguns, de outros lugares, carregados de frustrações e chutados borda fora, depois de anteriores escaramuças, pelejadas em seu tempo.
No arranjo gráfico, no lugar que por direito deveria ser das setinhas a apontar para diante, o verdadeiro símbolo político do PPD/PSD, de súbito renegado, está um símbolo que logo associei a um fenómeno atmosférico. Que anuncia uma depressão. Que parece, dialecticamente, agora, caracterizar uma depressão politica, que suporta uma candidatura de pessoas em negação, para cativar o voto de pessoas em depressão, de uma cidade deprimida, de um país em contramão.
Quem sabe, se dentro em pouco, no cartaz, o símbolo se ponha em movimento rotacional, que é o que parece que vai suceder, e levante, dialéctico, um tornado semelhante aos que percorrem a grande estrada da destruição, nos E.U., e faça voar o grande “mupi”, mais a estrutura que o suporta, para uns quilómetros adiante e faça daquilo, lixo…politico. Que é aquilo que a candidatura é. Porque uma candidatura que renega os princípios constituintes que, em substância, depois de muitos anos de poder, deram os resultados sociais miseráveis que se conhecem, só a podemos considerar como lixo eleitoral.
É por causa desta necessidade de tratar as pessoas por parvas, que um dia, fartos, os povos, como correntemente o brasileiro, se levantam violentamente. Parecendo ser, até, o único modo da elite ouvir quem passa por múltiplicos transes.

Por sorte, na ocidental praia Lusitana, o descontentamento tem sido, em regra, orgânico, conseguindo-se desse modo, impedir, apesar da raiva crescente, que se destrua património pessoal e público, às vezes, já com alguma dificuldade. Contudo, quem sabe, um dia, o controle e as boas maneiras se desvaneçam e então teremos o caldo entornado. Pode suceder que o caldo tinja, imprevisível, o fatinho “blue” do candidato Miguel, e então, só com uma boa benzina e com o voto certo, se remova a nódoa e o bocejo eleitoral.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Stalinistas e atavismos

Augusto Alberto
    
Depois que D. Teresa deitou ao mundo Henrique, outras mães deitaram perigosos filhos. Sectários e “stalinistas”. Que nunca agradaram è elite, que está ciente que o leite escorrega direito, da teta à boca. Alguns estiveram quase atados para as fogueiras, outros, foram corridos pelos esbirros ao serviço dos próceres, organizados no estado superior, a que chamamos fascismo e hoje se chama democracia. Sempre reconheci nos “stalinistas” de Portugal, ao longo dos séculos, inteligência e coluna direita e para qualificar os que perderam a bússola ou nunca a tiveram e passam a vida a catar o vento, nada melhor do que citar Jorge de Sena, para deixar claro como se apresenta a corja na Nação: “No reino da estupidez”… a incoerência é, na maioria dos casos, o estado normal das consciências…
E para qualificar o Povo e a Pátria, avancemos com António Vieira… oh, quem pudera retumbar em Portugal com voz de trovão, os Portugueses adormecidos…e no ”Sermão do bom ladrão”… nem os reis podem ir ao paraíso sem levar consigo os ladrões, nem os ladrões podem ir ao inferno sem levar consigo os reis…
E agora com Gil Vicente…”auto da barca do inferno”… anjo”…que quereis? “Fidalgo”…se a barca do paraíso é esta em que navegais?...sou fidalgo de solar, é bem que me recolhais. “Anjo”…não se embarca tirania neste batel divinal…essoutro vai mais vazio…ireis lá mais espaçoso, vós a vossa senhoria, cuidando na tirania do pobre povo queixoso…”diabo”…entrai meu senhor, entrai...
E agora Manuel Maria du Bocage… Reclama o teu poder e os teus direitos…
E avancemos com Pessoa. “Sobre a república” …a revolução constitucional não foi feita em a favor da burguesia Portuguesa, mas em favor da burguesia europeia. (actualizando, a alemã) … ”sobre o ditador Afonso Costa”…aquilo é uma besta! Empurrámo-lo ao poder e agora fere-nos, estando nós por detrás dele. (actualizando, Cavaco e os amigos). “Sobre outro ditador”, António de Oliveira Salazar…Três nomes em sequência regular. António é António. Oliveira é uma árvore. Salazar é só apelido. Até aí está tudo bem. O que não faz sentido, é o sentido que isso tudo tem…Coitadinho. Do tiraninho! O meu vizinho. Está na Guiné. E o meu padrinho. No Limoeiro. Aqui ao pé. Mas ninguém sabe porquê…Mas enfim é. Certo e certeiro. Que isto consola. E nos dá fé. Que o coitadinho. Do tiraninho. Não bebe vinho, Nem até café.
E com Eça e Ortigão. “As farpas”…sobre a emigração… nós emigramos pelo mesmo motivo que o grego emigra – a necessidade de procurar longe o pão que a Pátria não dá. E sobre o povo…é um boi que em Portugal se julga um animal muito livre, porque lhe não montam na anca, e o desgraçado não se lembra da canga! … E sobre os escroques e a fome…Sempre que um pobre se aproxima com a mão estendida de sua majestade o rei, de sua majestade a rainha, de suas altezas os infantes, é preso… Bem te conhecemos desgraçado… E sobre o País…lá fora Portugal é conhecido pela laranja…
E como a elite não mudou e continua escroquemente lampeira, a chupar sem percalços nas tetas, enquanto o povo continua a acreditar que o pão e o leite chegarão celestiais, acabo dando nota da prisão de …”foi mandado para este Mosteiro pelo Tribunal do Santo Ofício o célebre poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, bem conhecido nesta corte pelas suas Poesias e não menos pela sua instrução”.

E no tempo que corre, como dava jeito a alguns filhos da mãe nova caça aos sectários “stalinistas”, que teimam em pensar e ter a coluna direita. 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Tente, tente! O pior é se não consegue

Augusto Alberto

 No país do pé rapado há muito boa gente a casar com a opacidade e a contra luz. E tem ainda o condão de valorizar outros aspectos da personalidade, que durante os anos de acesso a alguns gadgets, estiveram em hibernação. A inveja! É feroz a prática que cavalga a divisão entre sector público e o privado. Com sucesso, diga-se, porque a inveja se lhe cola.
Primeiro foi José Sócrates, com vista à reinação. E o actual governo PPD/CDS, também. Todavia, é uma infelicidade que muitos autóctones não percebam que o que ao poder interessa, é fazer baixar, por grosso, a qualidade de vida do povo, quer seja do público ou do privado, em linha com o ajuste de contas, votado democraticamente, não esqueçamos.
foto: alex campos
Em segundo lugar, é urgente lembrar uma outra característica arreigada nos gentios. O oportunismo! O oportunismo e a delação, com que se cuida ser possível passar entre os pingos da chuva, sem molhar a fatiota. Mais ou menos assim: “cuidado chefe, com os nomes que vai colocar na lista para enviar para o director, com vista ao despedimento ou à mobilidade. Olhe que eu nunca fiz uma greve, nem nunca participei numa manifestação. Aquele ali ao lado, aquele que ali vê, é que não falha uma greve ou manifestação”.
Esta foi a sensação com que fiquei, há dias, quando estive na pequeníssima concentração, juntamente com um punhado de trabalhadores dos CCT, a favor do serviço público. Enquanto lá dentro, a estação funcionou com a toda a normalidade.
Não errarei se disser que reflectir sobre o que sucedeu com os trabalhadores das estações públicas de TV e rádio, na Grécia, é oportuno. Alguns gregos cuidaram que estando em posição de conforto evitavam o sopapo. Infelizmente, bastou um instante para que tivesse chegado um formidável piparote, que tudo levou de charola. Aliás, estas experiências canalhas, tendo sucesso, pelo menos uma vez, rapidamente fazem o seu percurso universal.
Por isso, não admira que sejam aplicadas medidas correlativas ao nosso mundo do trabalho, seja a trabalhadores honrados ou oportunistas, do ensino, dos CTT, da rádio ou da TV e etc. Jaime Fernandes, provedor da RTP, afirmou, sem rodeios, que em Portugal se pensou numa solução ainda mais drástica.
É de ciência feita, que alguns oportunistas passarão, sem dúvida, entre os pingos da chuva. Contudo, fica por saber quem tenta, mas não consegue.

Quem sabe se o azarado não é o cidadão, que nunca gastou um segundo numa greve um minuto numa manifestação? Pode acontecer!  

sábado, 15 de junho de 2013

É mais brando um leão do que um quadrilheiro

Augusto Alberto

 O senhor vereador António Tavares lobrigou o buraco por onde não passam os camelos, deu um passo adiante, (enquanto os camelos ficam sempre especados, à espera que o leite caia do céu), e aderiu ao Partido Socialista. Há pouco a dizer sobre esta opção militante do senhor vereador, a não ser sublinhar a insistência na sua vontade em ser vereador. Um direito democrático, a troco de uma chapelada. Ou o modo de dizer, como no tempo do fascismo.
De todo o modo, o senhor vereador zomba dos eleitores e do próprio P.S., porque a corja gosta muito de lustrar o amor à Pátria e à causa pública e o que o senhor vereador disse - partido para que trabalho há muitos anos… - contraria a tese de amores pelo serviço público, demonstrando antes de mais gosto pelo umbigo e insanidade táctica. Veremos se o golpe é de mestre, ou se pelo contrário, o cão aluado que por ai anda, ainda um dia lhe possa sair ao caminho. Tenha o senhor vereador tento com as canelas, porque uma mordidela à socapa deixa suplicantes marcas.
Todavia, tiremos ao senhor vereador Tavares o chapéu, porque ao contrário de outra elite, não abjurou, oportunisticamente, a sua relação afectiva e politica, ao partido alternadeiro. Assim, nesta nossa curva apertada da vida colectiva, está achado o momento ideal para todo o tipo de oportunismos. Há, inclusive, quem ache que o tempo está maduro. Desse modo, não havendo muito mais a dizer, nada melhor do que utilizar, ainda que abusivamente, um fragmento de um poema de um poeta jocoso, também oportunista, alinhado e oitocentista, Nicolau Tolentino, para melhor definir a elite trampolineira e a opção do senhor vereador Tavares…é mais brando um leão do que um quadrilheiro
Este é, pois, o perfil eterno da elite citadina, que bem resfolga e saboreia a política da “viradeira”. Não sendo, todavia, o vereador Tavares o primeiro, evidentemente, a vestir uma casaca que de inicio não foi talhada a pensar nele.

Mesmo assim, que lhe sirva e bem a casaca e tenha especial sucesso pessoal. 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

José Seguro e o seu novo clube


Augusto Alberto

Seguro vai com Portas ao covil da matilha, em namoro, à catequese ou ao crisma. Ao encontro anual do Clube Bilderberg, convidado por Francisco Pinto Balsemão, que não é parolo, e é o único português que pertence em permanência ao clube, desde os idos tempos do fascismo.
Seguro sentiu-se inseguro, quando publicamente foi confrontado com a viagem, porque tem a noção de que se vai sentar ao lado de agiotas, especuladores e belicistas, como Rumsfeld ou Wolfowitz ou Peter Sutherland. E onde já estiveram também, Bush, Blair, Aznar e Barroso, que têm as mãos tingidas de sangue. E alguns gentios, como o beato Guterres, Sócrates, Teixeira dos Santos, Paulo Rangel, e Ferreira Leite, muito eficazes na arte de produzir pobreza, e hábeis, por contraponto, também, na arte de sebar uma vara de ricos. Num partido decente, esta viagem seria considerada como um político pecado capital. Razão suficiente para uma caterva de demissões. Mas no PS parece não ter importância.
Infelizmente, o debate histórico e ideológico quase sempre andou arredado do Partido Socialista e quando se esboça, é demasiado histriónico. Aquilo é uma espécie de “Maria vai com as outras”. Como antigamente se ia à santa da ladeira do Pinheiro, no convencimento de que se ganhava a cura dos males do corpo ou do juízo.
Para melhor se perceber o que se passa no exclusivo clube, é preciso dizer que as discussões são à porta fechada. Não se produzem resoluções ou propostas e não é emitida nenhuma informação pública. Tudo, ali, é sigiloso e sereníssimo. Não se brinca com a geopolítica da fome e da que assegura o controle completo das riquezas do planeta. Desta vez, é de admitir que se discuta a forma mais rápida de fazer cair a experiência democrática na Venezuela, e reaver o controlo do seu petróleo, como há anos se decidiu pela implosão da Jugoslávia, para evitar a preciosidade de haver um grande país desalinhado no centro da Europa e ainda, a independência do Kosovo, em linha com a estratégia de deixar a hibernar o precioso alvoroço.
Que se desengane quem acha que José Seguro é um palonço, apesar de ter ar de caranguejo vazio. Ele sabe bem que a matilha não reage por impulsos, mas por estratégias sabiamente discutidas.
Desse modo, hoje, como com outros, ontem, Seguro toma o hissope com que se festeja o ritual da traição. Só pode ser sábio, pois, quem prefere andar só, do que acompanhado por gente que trata a traição por tu. Por isso, é certo dizer, que vai por ai cheiro a ranço, que já nem um bom perfume parisiense consegue disfarçar.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Quem é você, Henrique?

Augusto Alberto


Henrique entrou em roda livre. Bolsa alarvidades no Expresso, que tem afinidades com o sedicioso El Mercúrio, o veículo de massas que conduziu o golpe fascista contra o governo de Allende, em 11 Setembro de 1973. Por isso, tenho-o como um pasquim, ainda que há dias, por desfastio, o tenha clicado e deparado com uma sua miserável crónica, que visou o linchamento do carácter da dirigente sindical da função pública Ana Avoila, como se Ana não fosse cidadã desta República e esteja impedida de desempenhar uma tarefa constitucionalmente aceite.

Monteiro utiliza a folha cuidando que o tempo é propício para a caça às bruxas. Contudo, é preciso dizer ao fariseu que apesar das coisas estarem como estão, ele ainda não é McCarthy, apesar de querer tornar universal a sua doutrina. E se bruxas existem, devem ser as que lhe povoam, com desgosto, ainda e só, o sótão e os desejos.
Desse modo, devolvo-lhe o arbítrio e a malvadez, fazendo uso da semântica com que bordou o seu texto. Quem é Henrique Monteiro? Um salafrário a soldo de um antigo deputado da união nacional, convertido de chofre à democracia, que lhe deu um brinquedo na forma de jornal, para semanalmente bolçar peçonha, ainda que, hoje como ontem, “democratas” achem o jornal um papel de referência. Pudera! Mas eu que de filhos e netos do fascismo já tenho conta que chegue, recuso a sua credibilidade.
E pergunto-lhe: Se escreve nesse jornal há muitos anos e não contribuiu, com a sua opinião, para melhores resultados dos que ai estão, pode ter a humildade de perguntar a si próprio se o problema não será também um pouco seu, pois não soube melhorar, ou impedir que as coisas piorassem? Utiliza o pasquim, para afirmar que nos partidos e nos clubes, não há oposição interna visível, escamoteando a verdade. Mas para mim, essa é questão risível. Porque eu sei o que o faz correr. Tal como o porco que sabuja a gamela, para chegar à cevada, a sua questão é de fé. O desejo de vitória da militância ideológica de gente que não perscruta para lá das noites de ópera no teatro Nacional, ou de um jantar nos indicados restaurantes de Cascais ou da Boca do Inferno, ou a presença em fogosas festas da elite.
Por isso, é bom interrogar este sebento profissional da malícia terrorista. Em que tempo julga que está? Acha que é o tempo de revisitar os aviões acrobatas do circo aéreo, como no Chile de Allende, e fazer “looping” e o golpe que a classe que serve deseja? Bem sei que não é preciso forçar. Para nosso mal, ele vai correndo devagar. 

sábado, 1 de junho de 2013

Colaboracionistas, um degrau abaixo de Vichy

Augusto Alberto      


Boa-vai-ela. O comentador “moralista “e tardo-romancista, de sua mercê, Miguel, perdeu a linha e escancarou o Presidente da República, tratando-o por palhaço. Na melhor sopa cai o escarro. Mas desta, não foi a de um “estalinista”, (a educação ainda é revolucionária), ainda que muito jeito desse, não é Miguel? Mas a de um tipo que não vai além de pardal de telhado.
Agora é que vão ser elas! Se se limitasse a dizer que sua excelência é uma inútil excrescência, teria dito tudo e evitaria, em breve, passar os dias a correr de casa para o tribunal e ainda por cima, com a obrigação de ter de interromper a escrita e de ter de aturar a chusma de repórteres, que sem piedade, cairão em cima, como se quisessem lavar a pele e a alma.

De todo o modo, um homem com traquejo e autor de histórias que acabam num pum… não se pode colocar como o pardal, que quando voa sobre o quintal, não perscruta a ratoeira que se desarma, logo que é tocada no gancho. Fiquem sabendo que a elite actual, que é a extensão da de antanho, nunca deixou o propósito de armar as artes. E então, não é que gente que se acha com pedigree, acaba exactamente como um pardalinho, com a pata presa na arte do santo oficio. Vou falar de Rui de Carvalho, o que foi agraciado por quem nos parece ser a excrescência inútil, na perspectiva do povo que pensa, mas que sobretudo, é o cabo às ordens da alta finança. O tal Cavaco. O artista percebeu, tardiamente, que foi armado. Sente-se apertado, mas ainda assim, com fôlego suficiente para interrogar: “francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?”. Mas eu sei, e também sei porque é que a pata lhe dói. Porque se convenceu que era um deles. Pois agora que garimpe, porque fez de peão de brega e colaborou ao toque do inteligente.
É a prova de que a inutilidade cívica e o colaboracionismo, podem estar para lá de Belém, num teatro bem perto de si, ou na novela das 10, que entra pela casa dentro. Todavia, este colaboracionismo não tem o avantajo do de Vichy, mas de qualquer maneira, desde o início da “crise”, a Alemanha, já lucrou mais de 170 mil milhões de euros. Repito! 170 Mil Milhões de euros.

Enquanto Natália, segurança, de segunda a sábado, trabalha 12 horas por dia, mas tem que pedir ajuda para comer, porque ganha pouco mais de 400. E sabem por quê? Porque a crise para as elites de Berlim ou de Lisboa, continuará fêmea, enquanto tiver a ajuda de colaboracionistas, um degrau abaixo dos de Vichy, que mesmo conhecendo Brecht, nunca fizeram caso do poema que acusa, que depois dos comunistas, chegará a vez de todos os outros? 

sexta-feira, 31 de maio de 2013

"Galopinar"*

Augusto Alberto



A vida vai bela, por isso já nada se sussurra e tudo se escancara. Não é de estranhar, pois, que a corja tenha perdido a vergonha e tenha dito comam sopa! a uma mãe desempregada, com uma pensão de 240 euros, e ao seu filho, com um abono de 90, ambos epilépticos, e que paga de renda 250 Euros. Quando a há! Grita a mãe. Quando o filho chora, a mãe não sabe se é da fome ou de nova crise de epilepsia. Moída, só sussurra palavras de amor, porque por sorte, as palavras de amor, não se servem no prato.
Em conformidade com o espavento, não admira que a maioria socialista da Câmara Municipal de Braga tenha aprovado, com a abstenção da direita (é o fim da picada), a construção de uma estátua para recordar o cónego Melo. Para os esquecidos e os mais novos, é bom indicar que o cónego foi dos mais brilhantes caceteiros da direita no norte de Portugal, associada ao assassínio de um jovem padre com preocupações sociais e da sua companheira de viagem, numa altura em que Manuel Alegre e Mário Soares, percorreram o norte, em comunhão com o cónego, mais os arruaceiros organizados no MDLP e no CDS, no sentido de mobilizar outros padres, analfabetos, MRPP (s) e outros (ml’s), para puxar o sino, para dar inicio à algazarra e à caça aos progressistas.
Não admira, pois, que hoje, ao preparar o pós PPD/PSD-CDS/PP, a direcção do Partido Socialista, coloque no horizonte, um governo com o mesmíssimo CDS, que foi intrínseco da traulitada. Nesse governo, sem esconjuros, evidentemente, Paulo Portas, sucederá ao velho Paulo Portas, num governo liderado pelo partido socialista, chefiado por António José Seguro.
E agora que escrevo para o fim, é com coragem, mas em sussurro, para não ofender os mais sensíveis, que vou falar do que há dias atrás. Por consciência, mesmo sabendo que vão ser os abutres do Partido Socialista quem vai capitalizar o descontentamento orgânico mais o benigno, deixei de ver a final da liga dos campeões, entre teutónicos, para marcar presença na grande manifestação da CGTP-IN, em frente aos portões do Palácio do “Presidente”. O P.S. não é de ruas, como provei, a não ser que venha atrelado e silencioso, à corja tramontana, como no antanho. Contudo, enquanto algum povo luta, o P.S. não deixa de “galopinar”. Já lá vem, montado na rábula do voto útil. Voto útil, sim. E para que se quer o voto útil, Rogerinho? Ora para que se quer o voto útil! Quem sabe, para que Portas suceda ao velho Portas.
Aqui sentado em frente do meu computador, batendo nas teclas, atrevo-me a dizer que os verdadeiros amigos podem tardar, mas nunca se esquecem. Lá do alto, olhando os dias que correm em baixo, o Cónego Melo, súplica, para que à sede do Largo do Rato, cheguem os votos estritamente necessários, que permitam nova dupla assassina.



     * Galopinar - O acto de no dia das eleições, as pessoas influentes dos Partidos do arco do poder e da rotatividade, o regenerador e o progressista, (fidalgos, regedores, padres, médicos, boticários, e demais caciques), irem, porta a porta, arrebanhar os votos dos eleitores. Isto foi no fim da monarquia, contudo cacicar, continua ser a tarefa brilhante de uma vida. Não é Portugal?

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O poder na sua forma mais pura

Augusto Alberto 

O apogeu da patetice. Ou as coisas são atávicas e pronto! Isabel Jonet, que revelou uma atracção pela celeste caridade, na sequência da pobreza, vai no dia 10 de Junho do corrente ano fazer o laudo aos soldados mortos na guerra colonial, a convite da comissão organizadora das comemorações do dia 10 Junho.
Um convite e distinção, em linha com o país dos lorpas e das açordas, não a que se designa por cozinha “grumet”, mas a que substitui a carne e o peixe, como nos velhos e novos tempos do latifúndio e da praça da jorna. Ou já nos esquecemos? Eu também poderia enfileirar na longa lista dos mortos da guerra, contudo, por alguma arte e sorte, fiquei longe dos lugares de batalha, diminuindo a probabilidade de me colocar em numerário. Embarquei no Boeing, a cheirar a novinho, no dia 21 de Fevereiro de 1972, com destino à Beira e de lá, fui posto em Nampula, de onde não sai durante os 24 meses, depois de fintar o lugar original, em Palma. Regressei, inteirinho, no mesmo avião, no dia 24 de Fevereiro de 1974.

De todo o modo, no equipamento que me foi destinado estava a chapinha de identificação, para o caso da morte. Esse foi o período voraz, do ponto de vista militar, e a seu propósito Kaúlza de Arriaga escrevinhou um livro, amplamente divulgado em Moçambique, mas pouco comprado, em que teve a coragem de assumir, então, a perda da guerra, dada a distensão dos factos no terreno. Mas essa é questão que para aqui não interessa. Aqui, desejo reflectir em como poderia ser um dos gloriosos soldados a ter dado a vida pelo império. E como no sossego, passados 40 anos, reagiria às palavras de circunstância da Isabelinha. De pronto, achei a resposta. Subiria ou desceria, conforme o meu repouso fosse na terra ou no céu, e colocar-me-ia por detrás da Isabelinha, devagar, muito devagar, não seja ela mulher assustadiça, e dir-lhe-ia ao ouvido, suave: “Gosto em ouvi-la, Dona Supico Pinto. O seu Movimento Nacional Feminino, continua um emblema. Belíssimo e sentido laudo. Muito obrigado!” .
Evidentemente, não sei como a Isabelinha reagiria. De todo o modo, sei pelo menos uma coisa. São os fingidos, os filhos e os netos do fascismo, apesar dos cravos, quem por cá continuam a mandar.

Como Salman Rushdie, a propósito do devastador desastre de Bhopal, acabo, com a mesma certeza que ele tem do poder. No seu caso, do grande império Americano, no meu caso, no da corja e dos sacanas… “é o poder na sua forma mais pura…não o vemos”,  - no caso da Índia, (aqui, só por cegueira, adormecimento, preconceito e patetice, é que não queremos ver),- mas ele fode-nos completamente.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Vantagem moral e social


Augusto Alberto

 
A escrita de João Ubaldo Ribeiro é das melhores das Américas. Ubaldo Ribeiro, é Prémio Pessoa. Viva o Povo Brasileiro, é a obra principal. E no romance “O Feitiço da Ilha do Pavão” atinge o píncaro do hilariante, com a cena que descreve a noite em que se dá por achado o feitiço, porque o mestre de campo, Borges Lustosa, se deslocou à casa paroquial para dispor do padre Tertuliano, posto a quatro, contudo, imprevidente, o segredo ficou na boca do índio Balduíno, meio escravo mas de boa prosápia e melhor colhimento, à força manter o segredo e viver os restos dias na abundância.
Garcia Marquez e Jorge Amado são de outra paisagem. De cariz urbano. “Amor em tempos de cólera” e “Quincas Berro D’água”, devem ser lidas, porque falam do amor, no primeiro, sereno, no segundo, desbragado.
Também me agrada a escrita de Vargas Llosa, prémio Nobel da Literatura e lapidado reaccionário. Llosa, bem tenta mas não consegue desenhar um quadrado fora do círculo. Tanto denuncia o liberalismo selvagem como de seguida se enredar na volúpia do preconceito e afronta a história, porque espera que se auto regenere. O seu “Sonho do Celta”, é contudo um bom romance.
Roger Casement, irlandês e cônsul britânico, leva quase toda a sua vida a denunciar, na passagem do século XIX para o XX, as atrocidades da escravatura sobre negros e índios, tanto em África como nas Américas. Sobretudo no Perú. Foi vítima do seu impulso humanista e libertário, a favor da causa irlandesa. É enforcado pela coroa britânica, por traição e também por intolerância homofóbica.
Entretanto, apesar de estarmos num tempo em que parece impossível, de sopapo, chegam novas notícias da escravatura. Informa o Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, que, durante o ano 2012, 2.849 trabalhadores foram resgatados de situações análogas às dos escravos no século XIX. Um aumento de 14% face ao ano de 2011. Os escravos chegam predominantemente, da Bolívia, do Perú, (ainda!), do Paraguai e do Haiti. Será desejável que alguém decida usar o computador e aproveite este material abundante, e escreva sobre a escravatura do século XXI, à moda do século XIX, ainda por cima, se essa escravatura ocorre num dos países de maior crescimento no conjunto da economia global deste século?
De todo o modo, mesmo que fiquemos somente pela notícia, há um lado que me fascina. Ali por perto, em Cuba, não existe o material abundante, que aqui se descreve, provando afinal, em como a Ilha, apesar de pobre, leva vantagem politica, social e moral. Pois é! O preconceito é tramado. Tanto pode dar para ficar à mercê do diabo, como para ficar em posição de 4, como sucedeu ao padre. É a vida.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Canteiro centenário com flores murchas


Augusto Alberto

Canteiro centenário, com flores murchas, mas nem sempre foi assim. Rogério Neves, no seu “Marcha do Vapor”, enfatiza a Associação Naval 1º Maio, com uma belíssima fotografia do aniversário de 1960. Sem esperança em reverter a História, inclino-me a dizer que a década de 60 do século passado marca o tempo que iniciou a perda do seu próprio pé. Logo na modalidade fundadora. Perdeu lastro técnico, físico e sobretudo material. No ano de 1993, fui convidado a escrever um texto para ser publicado no jornal comemorativo do centenário, que causou perturbação e esteve quase a ser riscado com o lápis azul. Contudo, apesar do desconforto, prevaleceu o bom senso. Nele, adivinhei as coisas e apontei as causas. Os factos comprovam as apreciações. Não há como negar as evidências. Insisto e podem-me chamar cruel. Os principais responsáveis pelo grave estado de astenia da Associação são exactamente os seus mais eméritos e qualificados sócios. Muitos tiveram, em tempo oportuno, a noção da desgraça, mas, sem se perceber, acantonaram-se e ajustaram, e por isso, têm especiais responsabilidades.

Far-se-á em breve o resistente almoço dos antigos remadores e timoneiros e não creio que se faça como habitualmente, a romagem ao túmulo do António Cachola. Cachola, absolutamente, já nada diz. Mas, no passado dia 30 de Abril, inopinadamente, fui convidado a estar presente na ceia dos 120 anos. Para evitar a deselegância, aceitei. E ainda bem. Estando por dentro melhor se percebe a inquietude. Exangue celebração. Nem uma autoridade civil nem desportiva. Nem o Presidente da Comissão administrativa. Nem o Presidente da Assembleia-Geral. Nem um vero registo da notabilíssima História.
Assim, e porque da História nada sabe, e porque o papel de direcção flutua, um jovem que chegou à Figueira, já com o barco adornado, fez-se mestre-de-cerimónias e convidou o que lhe pareceu razoável, o treinador da equipa de futebol e o médico, para falar aos presentes. Para acabar, já no dia 1 de Maio, o hino, melancolicamente ouvido. Nesse momento, desejei ter presentes, a meu lado, os meus três tios-avôs, fundadores da Associação Naval 1º de Maio, que estão no registo fotográfico colectivo que sublinha o facto, para lhes pedir para perdoarem a quem não soube o que fez.
Será assim tão difícil de entender que o futebol profissional é um drama de faca e alguidar e, simultaneamente, um poço sem fundo, a quem já tudo foi dado? Terrenos no valor de muitos milhares de escudos ou euros, bingos, bombas de gasolina, dinheiros autárquicos e “cães” feitos no BPN? Tudo é engolido.
No caso da Associação Naval 1º de Maio, devorou-a até às entranhas. Está na cara! E agora? Quem ficará para fechar as luzes e as portas? Ou será que uma guinada no leme, ainda a pode colocar entre bóias?

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Césares


Augusto Alberto


Por S. Jorge, gritaram os comandantes do Condestável  e o comando da ala dos namorados, dando início ao encontro fratricida, com os castelhanos. Por S.Jorge, respigou Cavaco, como se por si, chegasse a felicidade da vitória e a abundância. Só que desta feita, há uma especial diferença. O nosso inimigo não é Castela, mas um conjunto de Césares, contemporâneos reis do dinheiro, escondidos em sítios que nem imaginamos, nem nos nossos piores sonhos. Aliás, a Península está em oceano picado e sem bússola. Perdida e à rola. Mas não só a Ibérica. Também a Itálica.
Por isso, não é sério apontar o 25 Abril e o Gonçalvismo como culpados dos padecimentos, como para ai escrevem e gritam velhos e novos fascistas. Cavaco é uma criatura sem uma leve graça cultural. Estabeleceu um cisma com o Evangelho segundo Jesus Cristo e Saramago. Lê o que escribas do mesmo quilate lhe colocam à frente. Aliás, é um podão, porque deliberadamente se embebeda de fé, para escusar apontar os culpados dos males que um punhado de homens faz sobre muitos outros homens e mulheres, na Ibérica ou na Itálica ou em outros lugares. Cavaco deve expiar-se. Que vá ao santuário na companhia da sua Maria, de rojo, com os joelhos pelo chão, até ao círio, à semelhança de muito povo, para pagar promessas prometidas, a propósito de uma cura, esquecendo que a cura foi sabedoria da medicina e dos médicos e que a cura dos nossos muitos problemas deverá ser por conta de outras políticas.
Cavaco invoca a santa de Fátima, mas a inspiração que colhe dá-lhe para recusar afrontar os mercados. Antes pelo contrário. De canelas no chão, faz-lhes a genuflexão. Entre os mercados e o povo que o elegeu, por convicção ou por inacção, e o restante povo que não o escolheu, Cavaco escolhe os primeiros. Recusa usar os poderes e bugia ferreamente sobre a lei fundamental. Cavaco é da mesma linha de Bush.
A Bush, durante o sono, “deus” apontou-lhe o caminho da guerra. A Cavaco, para estar ao serviço dos Césares, que têm um olho no dinheiro e o outro sobre os cipaios, não vá algum recusar usar o chicote e o cepo. Verte fé a rodos, e há quem diga que agora está gagá, mas não está. Serôdio e cobarde sim, mas ainda com o arreganho necessário para nos dar de beber a cicuta que os farsantes e ímpios desejam, para além de nos ter vendido também, o carácter desideológico da vida, por contraponto ao primado fundamentalista do monetarismo, com os custos sociais associados. E agora, vejam como a factura é imensa.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A ilusão do mulato


Augusto Alberto

Na verdade, nascer, viver e morrer, é tão natural como apanhar um pifo, quer seja na festa de anos de um amigo, ou na festa do partidaço do coração. Vem isto a propósito da meteórica extinção (restará o quê?) do movimento 100%, para onde confluíram muitos figueirenses, na recusa dos partidos tradicionais, ainda que muitos tenham chegado dessas estruturas, atraídos pelo novíssimo.
Afinal, vai acabar sem que os confrades tenham apanhado o tal pifo. O gostoso sabor do poder e o contributo para fazer do concelho uma terra 100%. No final da monarquia, houve a tentativa de a regenerar, contudo, progressistas e regeneradores, sofriam da mesma morrinhice. Uma caçoada! Por isso, logo achei que o Partido “Regenerador” Democrático, (PRD), com a bênção do general Eanes, seria, na linha, uma pelintrice. Creio mesmo, que muitos figueirenses que acorreram ao movimento 100%, já antes tinham acorrido ao Partido do General.
Apesar de estarmos perante gente de fé, afinal, os vícios que esses bons figueirenses viram nos partidos tradicionais, foram levados a 100% para o movimento, como já tinham sido levados, em tempo, para o PRD. Falta de militância. Falta de líderes com classe. Perros nas ideias. Os mesmos erros técnicos grosseiros. Talvez aborrecimento. Talvez falta de pachorra para ser um génio da militância. Porque ela não se esgota na caça ao voto e em ser passante e colocar o papelinho nas mãos de outro passante. Mas, quem sabe, tenham concluído, a 100%, da necessidade de expiar a cidadania. Muita dessa boa gente, apesar de estar na cara, recusa admitir que com o seu voto, contribuiu para a corrente desgraça. Quis ser moicana, para se expiar, contudo, logo percebeu que tem muito que se lhe diga. Num ápice, pode-se ser votado à exclusão, pelos pares do poder absolutista.
Melhor será, então, não negar a origem biológica e voltar às origens. Mas não se arrelie. Há coisas piores. Por exemplo, a maluqueira de ser militante do PCP, quando se tem um garboso iate de 20 metros de comprimento e se sobe o Douro, do Porto até a Barca de Alva, adornado a um bordo, pelo peso da gostosa família e se faz um manguito à contribuição para o PPD/PSD, para o CDS/PP ou para o PS. Ou pior ainda. Ser militante de base dos partidos do arco, e ter-se a ilusão de ser branco. Na verdade, ser militante de base dos partidos do arco, é estar mais perto de ser preto, (como eu), e bem longe de ser branco. Estou a parodiar, evidentemente. Mas quem sabe, não tenha razão. Se o cidadão militante de base, ou simples votante do arco, for um dos tais portugueses que arranjou recentemente emprego, a ganhar mensalmente, 330 euros. Está a ver no que dá o xuxialismo, a xuxial-democracia ou a democraxia cristã? Em 330 euros, a 100%. 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Imperfeições


Augusto Alberto (texto e foto)

 Ainda hoje, refinados coirões têm por hábito afirmar que, não havendo a sociedade ideal, a democracia que conhecemos ainda é a menos imperfeita. Permitam que discorde. A democracia, tal como a conhecemos, é perfeitíssima, para os que nela manobram com êxito.
Dei conta desta verdade, quando descobri o enigma que me perseguia há algum tempo. Saber por onde anda a “mula”, Jacinto Capelo Rego, das malas carregadas de euros, depositados em tempos não muito distantes, numa dependência do BES, ao Chiado, a favor do CDS/PP. Desde essa aventura, ninguém lhe pôs a vista em cima, mas, quem sabe?, por indicação de Portas, não tenha sido quem levou novos maços de notas, verdes de dólares, da Casa Branca até Cabul.

O New York Times considera que esse dinheiro foi usado para subornos e cobrir despesas, imperfeitas mas leais, a favor do presidente Karzai. Não existe, como vemos, neste caso, evidentes imperfeições.
Mas de que imperfeição falará o cidadão valenciano, Adrian Garcia, a quem o hospital Arnau de Vilanova, retirou uma prótese colocada num joelho, porque a família não pôde pagar os 152 euros devidos?
E de que imperfeições falarão, os cerca de 300 motoristas e guarda-freios da Carris, (muitos deles votantes em Portas, Coelho e Seguro), que chegam ao ponto de desfalecerem, porque só comem um iogurte por dia? E por ironia, que impenitente imperfeição existe em Cuba, que não dispõe de reservas de petróleo e de gás, como por exemplo, o colosso africano, Nigéria, que apesar, em cada esquina a fome abunda.
Não possui grandes rios, capazes de produzir energia limpa, como o país que tem 1 milhão e 500 mil desempregados, milhões de emigrantes e milhões de famintos. Portugal! Não possui riquíssimas florestas, como o Bornéu ou o Brasil, cujas miseráveis favelas, são postais, que faz salivar de gozo os “trusts” madeireiros. O que possui é muito pouco e ainda por cima na década de 90 do século passado, viveu um preocupante afundamento, que obrigou Fidel a descer à “la calle”, para continuar a pedagogia. Contudo, apesar destas dificuldades, reconhece a FAO, erradicou a fome.
Ah! Mas as liberdades! Bem sei. A cada instante vão-me falando delas. Em referência a Karsai, à Casa Branca, a Portas e Capelo Rego, apesar de eu ter a liberdade de utilizar os piores adjectivos para os qualificar, isso não indica que deixem de ser quem são e nós continuemos a ser quem somos. Eles párias e muitos de nós, objectos quase, mantidos em pé, com um iogurte. 
Pensemos bem, caro Olímpio Fernandes, porque se castiga a Ilha, que não tem recursos naturais, como continua a ser usual noutros lados, sempre à custa da política da canhonheira, nem as seráficas “liberdades”, mas é reconhecido como modelo social em organismos internacionais. Lembro que a 4ª frota, continua a marear as costas da América Latina e da ilha, e até houve, em 1961, uns tipos amortalhados na Praia Giron, que tinham como fim, manter a miséria no campesinato, o desemprego no operariado, os casinos, as putas e os gangsters.
Esta é a imperfeita e embaraçosa Revolução. Pois é!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O tartufista Miguel


Augusto Alberto

Está prestes a bater o pau para dar início ao teatro da vergonha, segundo as pancadas, não as de Molière, mas as do senador da Figueira da Foz, Miguel Almeida. Espectáculo, que não correrá nos sítios fechados habituais, 10 de Agosto ou a Figueirense, mas, com a inocência que esperam, pelas praças e ruas do concelho. Nesta cidade, que faz da sua avenida oceânica e da sua respectiva praia a única oportunidade de estar no convívio ou na mais prosaica actividade física de baixa intensidade. Marcha ou corrida lenta, pesca lúdica, recolecção de mexilhão, ripagem de perceves, arrancados na zona da primeira rebentação, ainda habilidosos na arte do bicheiro, com que enganam os polvos, ciclistas de baixa rotação, em regra bem equipados e meninas mais ou menos notadas, consoante vai o tempo. Não fosse assim, esta seria a terra em que viver seria uma estucha.
de F. Campos

Ora acontece que ainda antes de Abril, um figueirense de gema e cotado, num impulso fascizante, criou um imundo cais comercial, mesmo em frente à esplendorosa e mundana Avenida Saraiva de Carvalho. Mudou-se a urbe ribeirinha, mas o vício de escavacar manteve-se.
De tal modo, na terra onde cresceu o pato-bravismo e outros actos coevos, ainda respiram responsáveis por esses actos sofridos. Assim, o tartufista Almeida, santanista de boa gema, quer montar um teatro eleitoral, com vista a fazer esquecer actos de gestão apócrifos, nacionais e locais, como a queima de euros nos arraiais do S. João, a derrota manhosa de um dos actos de cultura de fim de verão, o festival de cinema. A coisa é de tal monta que o vereador, ex-deputado da República e dirigente do Partido da rotatividade local e nacional, PPD/PSD, que quando calha, mete trancas e pregos à porta e chuta na democracia e nas liberdades, aparece agora, como cabeça de um movimento, que se destina a enrolar o passado, de nome genérico,”Somos Figueira”.
Almeida, espécie de diácono dissoluto, com vergonha do passado, lança esperanças nos resquícios à obediência, matriz cerzida por 300 anos de tribunal do santo ofício e 48 anos de fascismo. É capaz de ter razão. Atavismos adiante, já vamos com mais 30 anos de missas cantadas, segundos rituais dos novos santos ofícios ”democráticos”. E pelos vistos, ainda temos para mais 300.
Quer-me parecer, medrosos e obedientes cidadãos, que os teus quinta netos ainda vão ter de lacrimejar. Ai vão, vão…

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Os budas de Kansas City

Augusto Alberto


Nas minhas deambulações pela rede, cheguei a duas notícias que me sobressaltam. Primeiro, fui ter ao sítio que dá conta de um congresso que se realizou no passado mês de Março, com o propósito de discutir e promover o conhecimento e a preservação dos edifícios da arte Deco, na cidade de Havana. O sitio, trouxe-me memórias da minha visita à cidade, onde muito provavelmente, nunca mais voltarei, porque os cabedais dão para a bucha e para alguma ajuda aos mais novos e para pouco mais. Contudo, mesmo se possibilidade de regresso, rejubilo, porque, afinal no país das catacumbas do pensamento, as pessoas reflectem de forma avançada, contrariando correntes vozes de burro. E como vozes de vozes de burro não chegam aos fins, acrescento o que de importante se diz, sem censura:

Parte do nosso objectivo é fazer ruído, disse o director do Museu Nacional de Artes Decorativas. Se nós em Cuba não reconhecemos o valor destes edifícios, como é que podemos esperar que os estrangeiros o façam? A falta de recursos, a alta humidade, o ar salgado pela água do mar…são algumas das razões para o mau estado de conservação da maior parte dos edifícios. Muitos precisam de obras de restauro… mas esse é um investimento que nem todos os proprietários podem fazer.
Havana, inteligentemente, recusa substituir a sua matriz urbana, pelo maniqueísmo do vidro ou do betão, como acontece em tantas das nossas vilas e cidades. Pelo contrário, procura, apesar de meios escassíssimos, como observei, manter a identidade urbana, usando a reabilitação. As boas revoluções tem como inteligente não destruir o que de bom está feito.
O segundo sobressalto, vem na esteira do que se refere, com cada vez mais frequência, à miséria americana. Em Kansas City, Las Vegas, Nova Iorque e Nova Jersey, conta-se, que as autoridades se têm deparado com milhares de pessoas, muitos, veteranos cansados das guerras, a viverem em tendas ou túneis escavados, rodeadas de lixo. Há, pois, claramente uma diferença nos sonhos. Cuba, procura o sonho de reunir energias e meios para conservar o registo urbano da sua art Deco e por essa via, melhorar a qualidade paisagística das suas cidades. Nos Estados Unidos, o embuste acabou com o sonho, porque muitos cidadãos vivem como ratos ou com os ratos. Assim a modos como viver numa montanha do Afeganistão. E então, é justo perguntar: Que diferença há entre saber da destruição dos budas de Bamiyan, (património cultural da humanidade), no Afeganistão, e a destruição das vidas, (património humano da humanidade), nessas cidades americanas? Ambas são vítimas de talibãs.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Make peace, not war


Augusto Alberto

Para quem não sente os encantos da corrida, a cidade de Boston será recordada unicamente pela irracionalidade do atentado sobre a meta da sua maratona. Chicago tem também a sua maratona, muito apreciada, porque o seu traçado em ligeiro declive, coloca-a ao jeito das grandes marcas. Mas, por ventura, a maratona de Nova Iorque é a mais universal e copiada, porque ao longo do percurso, tocam grupos de jazz, folk e rock, para animar a cidade e os atletas vindo de todo o mundo.
imagem do Bronx
 Nova Iorque é sensacional! Nela coabita a grande finança com lojas de marca. Tem o Central Parque, a magistral Filarmónica e o Carnegie Hall. Dali, um homem genial, mas reaccionário, Bernstain e os seus concertos para jovens, trouxe-me à minha definitiva apetência melómana, ainda no tempo da TV a preto e branco. A Nova Iorque chegou também do ballet Kirov de Leninegrado, Mikhail Baryshnikov, para ensinar a dança clássica que os americanos desconheciam. Algumas zonas têm pedigree, mas hoje outras estão devastadas pela pobreza, à semelhança de outras cidades, como exactamente Boston.
De acordo com um relatório da sua Câmara Municipal, cerca de 46% da população, em 2011, era pobre ou quase-pobre. Muitos sobrevivem com senha para a comida. Que despropósito! Julgava que as senhas foram coisas do tempo soviético. Pelos vistos, aprenderam rápido!
Nova Iorque, paradoxalmente, está em termos de índices de pobreza, acima de Havana. Que enxovalho! Acima de Lisboa. E a não ser contido o desvario, em breve estará em linha com os índices de cidades como Caracas, capital da Venezuela ou Nova Deli, capital da Índia. A Nova Iorque de que se fala prova que o sonho americano e o capitalismo com pedigree e chiquérrimo são uma utopia e uma trapaça.
Mas é evidente que a actual Nova Iorque, continua a ser terra de gente snob, mas que não passa, seguramente, pelos citados bairros do Bronx, Staten Island ou Queens, os mais batidos pela extrema desgraça.
Quem tem cu tem medo, por isso, quem tem dinheiro não partilha avenidas com vadios. Como cantá-la, então, ao jeito do manhoso, mafioso Sinatra?
E porque oportunamente novas notícias das urbes virão ao jeito de eriçar até o mais santo, ainda que a conta gotas e demasiado difusas, porque não pergunta, desde já, à imponente estátua da liberdade,  como vamos de liberdades? E de bem-estar? Está mal, dirá. E desabafará:Sabes, afinal o capitalismo enganou-me. Não é o fim da história.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Período fascista em curso


   Augusto Alberto

Gritou a mãe, ai o bagulho, quando deu pelo vizinho, no baile dos bombeiros, a acariciar as mamas à filha e soube, dias mais tarde, que lhe rasgou a virgindade. Ai os bagulhos, digo, a propósito da revolução branca. Que politicas caucionaste? Com que direito tratais todos por igual? Branquear, já sabemos, é hábito velho. Talvez por isso, também alguns socialistas desejem ter a sua alva revolução. Entra-se simpatizante, passa-se pelo auto-clave sito na sede ao Largo do Rato e fica-se um independente sem poalha e nódoa. Purificado e com ordem para votar para os órgãos dirigentes do partido ou indicando políticas sectoriais ou nacionais. Contudo, não sendo organicamente militante, deixa do lado de fora responsabilidades estruturais, financeiras, politicas, cívicas, éticas e morais. Era o que faltava! As coisas não correm assim, porque um militante corre, para além da ética politica, por um quadro opcional e de classe. 
De que lado estiveram os militantes eleitos pelo PPD/PSD, PS e CDS/PP; quando se tratou de elaborar e aprovar sucessivos orçamentos do estado, que liquidaram a indústria, as pescas e a agricultura, que nos trouxe à decorrente pobreza? 
De que lado se colocaram esses mesmos militantes quando se aprovou a actual legislação do trabalho, que joga em desfavor do mundo laboral? E que partidos entregaram a Pátria à extorsão, às mãos do Goldman Sachs, do banco central europeu, da união europeia e do F.M.I.? 
Bem sei que muitos tendem a mudar de pele quando o perigo encrespa, mas convêm perguntar, para que melhor se perceba quem nunca mudou. De que lado estão os comunistas? Boa vai ela… Não há como negar, que quase sempre as opções de classe comandam a vida. Só não percebe quem é tolo ou a quem serve a arte da treta. Por isso, ainda que custe, é preciso dizer, que o povo e os militantes de base dos partidos da rotatividade, elegem gente, para para além da ética ser uma ova, por opção de classe, continuam a desejar ajustes de contas com Abril e, ainda que subtilmente, ponham o cravo à lapela. 
Olhai os do finado P.R.D. (partido renovador democrático), e do pacóvio Fernando Nobre, que brancos que foram, após desnatarem a política e bobarem de dulcíssimas pessoas que cuidaram ser tocados por um milagre.
São extraordinários os “Malagridas” de hoje, que, no centro do palco do teatro dos truques, recusam assinalar as verdadeiras causas do terramoto social. Mas há sempre de tocaia um casmurro que lembra. Cuidado com os truques. Está em velocidade de cruzeiro o período neo-fascista em curso.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cabotinismo


Augusto Alberto 

Há uns anos apaixonei-me por um soberbo filme do iraniano Abbas Kiarostami, que leva à descoberta de um jovem que na pré-adolescência se fez às frias montanhas do Irão, na busca do sustento para si e para o irmão mais novo, quase paralisado. Almocreve, num corpo frágil, protegido pelos seus companheiros de esforço, homens retesados e lôbregos, assistiu a disputas de fulgurante bestialidade de navalha e varapau. 

Passava fome e frio, mas voltava sempre a casa para revisitar, com desejo, o irmão acamado. Andasse por aldeias, montes e vales, por três ou quatro dias, deixava tudo sustentado, para que ao irmão nada faltasse. A sua estória é uma sucessão de comoventes actos de amor, de um menino que nunca recebeu um beijo nem uma flor. Evidentemente que estes irmãos são de uma montanha do longínquo eixo do mal, para onde fará sentido destacar um enviado especial à hora do bombardeamento que antecede a ocupação por parte de um exército expedicionário. Por isso, quem sabe, um dia a sua aldeia possa ser vítima do efeito colateral, de bombas despejadas por um “drone”, à semelhança do que sucede, com frequência, em aldeias dos vizinhos Iraque e Afeganistão. Esses bombardeamentos, sabemo-lo, ficam sempre na opacidade, porque para o asco, não há jornalismo especial.
Finalmente, ficaram os habitantes de Boston aliviados com a captura do rapaz assassino, porque puderam voltar à normalidade da vida. Jornalistas em directo, relataram até à náusea, factos, que em alguns outros distantes lugares, afinal, são só ocorrências do mundo imperfeito.
Mas bom seria que o jornalismo pilha galinhas, que tagarela sobre o “life style” na urbe, lhes explicasse e ao resto do mundo, que em terras remotas existem semelhantes famílias que sofrem, especialmente se são docíssimas mães, meninos de berço e leite ou anciãos cansados da vida, as vitimas das bombas despejadas por um caça ladrão. Lá na montanha, não há a parafernália de carros de exteriores e câmaras, para mostrar em directo, pessoas ensimesmadas, a fazer o nojo do desatino, como nas majestosas catedrais da cidade. Mas, todavia, existe gente, apesar de paupérrima e apertada entre a tenaz das montanhas e intolerantes brutais. Gente nada “chiquérrima” e repulsiva, bem sei, para os padrões coquetes da cidade e por isso, demasiado ultrajada, mas alto lá, chega de cabotinismo.