
Um texto publicado por Rogério Neves no seu blogue
“Marcha do Vapor” motivou um debate sobre a necessidade ou não de um estádio novo para a Naval 1º de Maio. Também interferi com a ideia de que não é propriamente um estádio novo que a cidade precisa.
O diário desportivo “A Bola” na sua edição de ontem, na reportagem sobre o jogo que opôs a Naval ao Nacional, destaca a pior assistência da Liga. Estiveram 340 pessoas no Municipal.
Se uma das razões para um estádio novo é este não possuir condições, a culpa, como eu disse, é da Liga de Clubes que o autorizou para a disputa das refregas. Não acredito que as pessoas não vão à bola só porque o estádio não presta. Não vão porque não se identificam com a equipa. Se não vejamos: nos dois campeonatos profissionais de futebol quantos jogadores figueirenses estão na liça?
Denotava muito mais bom senso um melhoramento do estádio e melhores condições, ou simplesmente condições, para a prática do futebol de formação.
Porque o futebol na Figueira não tem, como o basquetebol aliás, problemas de recrutamento para a sua prática. Antes têm, os dois, um efeito eucalipto. Há outras modalidades que se poderiam impor mais facilmente se não tivessem esses problemas, como a natação, o boxe, o atletismo ou o remo.
Claro que estou consciente de que o futebol é uma indústria que movimenta milhões, mas um estádio novo é um investimento que dificilmente terá contrapartidas, quer para jovens atletas quer para a cidade. Vê-se o caso de Aveiro ou de Leiria. Terá para outros, como se pode ler no interessante debate do “Marcha a Vapor”.
Mas, por outro lado, também estou consciente de que poderia ser um bom negócio para a autarquia. Se vendesse o terreno para um estádio, a preço justo, pois estou a lembrar-me que o terreno da Ponte do Galante foi vendido, numa manhã, por 300.000 contos e, o comprador revendeu-o na mesma tarde pelo dobro ou mais. Como o aniquilamento da Mata Sotto Mayor, a favor da especulação imobiliária há uns anos, não rendeu absolutamente nada para autarquia. Pelo menos nada que se visse. Assim se compreende porque as câmaras municipais, grande parte delas, estão na situação que estão. O poder económico privado é que dá cartas e o poder político é-lhe subserviente.
Mas com esse negócio, o actual estádio poderia ser aproveitado para a formação não só do futebol como também com a activação da pista de atletismo, essa sim uma das grandes carências do desporto figueirense. E a manutenção do estádio, não tão barata como se possa supor, teria assim uma razão de ser e uma utilidade pública. Além de ficar menos onerosa.