domingo, 11 de novembro de 2007

E aos costumes disse nada… (croniqueta de fim-de-semana)

O debate sobre o Orçamento de Estado provou mais uma vez que a política, hoje em dia, é a arte de enganar para conservar o poder. E partindo desta premissa temos de convir que José Sócrates é um excelente político.
Porque durante o debate não debateu nada, não respondeu nada. Limitou-se a atacar como quis a Oposição. E ataques que foram sempre os mesmos de sempre, tal qual uma cassete. E com o beneplácito de os outros da Direita não terem tido necessidade de inventarem uma qualquer estratégia do género da do queijo limiano, para poderem disfarçar e votar contra e o dito ser aprovado. Desta vez o resto até se deu ao luxo de votar contra. A favor votaram também alguns que se dizem, ou gostam de dizer, que são de Esquerda. Mas, enfim, só se violenta quem quer, só é livre quem quer. Opções são opções e temos de as respeitar. Sobretudo se são dramas alegres.
É evidente que o governo não tem preocupações sociais nenhumas. O desemprego aumenta, o trabalho precário aumenta, os impostos aumentam, os salários desvalorizam, o IVA subiu em contra ponto com outros países em que desceu. Para o sector bancário é que a vida está boa: com fabulosos milhões de lucros, têm uma taxa de IRC menor do que qualquer pequena ou micro empresa, o que representa, o que não se lê na nossa inefável imprensa onde diariamente não faltam experts a botar opinião, uma perda fiscal que ronda os 400 milhões de euros.
A nada (…) respondeu Sócrates, preferindo produzir a “ironia" de que “o PCP está sempre contra”. Pois está. Na proporção exacta em que o seu Governo, dito “socialista”, está todo a favor – mas dos grandes interesses capitalistas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Tânia Garcia (Natação)


Aos 15 anos esta estudante do 10º ano de Ciências e Tecnologia ainda não tomou uma decisão concreta sobre o seu futuro académico. Convenhamos que também ainda é cedo. Quanto ao desportivo, já vai tendo algumas certezas a curto prazo, passando o objectivo por melhorar os seus tempos e conseguir um título nacional.
As credenciais já apresentadas justificam as aspirações, pois ainda com idade de júnior obteve um 3º lugar nos nacionais de 2006/2007 nos 400 metros livres absolutos.
Tânia nada desde os 7 anos e tudo leva a crer que estamos perante mais um valor dos muitos que a natação ginasista tem dado à modalidade.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Há Democracias e democracias


O bando de energúmenos que está no poder em Angola, bem acolitado pelos sócios que possui na Europa democrático-ocidental (leia-se capitalismo internacional) não se tem queixado da vida. A globalização tem-lhes corrido de feição e vai de vento em popa. O país cheio de mutilados e esfomeados. É que já nem disfarçam. Dá para tudo. E pensar que Luanda irradiava uma beleza serena... agora há quem lhe chame cidade frenética! Aí vai mais uma ...Vejam e indignem-se.
África continua adiada. Até quando?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Álvaro Dias (Atletismo)

Perder um título olímpico e um Campeonato da Europa, sem nunca ter sido derrotado, não é, decididamente, um facto vulgar. Aconteceu com o primeiro monstro sagrado do atletismo português, Álvaro Dias. Porque os deuses do Olimpo indecorosamente o abandonaram.
Nas Olimpíadas de 1948, em Londres, uma ruptura muscular, logo nos primeiros saltos, afastaram-no de qualquer tentativa de ganhar uma medalha, ditando a desistência. Dois anos mais tarde, no campeonato europeu na Bélgica, o primeiro português a ultrapassar os 7 metros no salto em comprimento, lesionou-se na fase final e viu o islandês Torfi Bringeirsson vencer com a mesma marca que Álvaro tinha feito no apuramento, ou seja 7,32 metros. Os deuses que se envergonhem. Não lhe deram hipóteses de ser derrotado, por saberem que seria difícil. Mesmo assim, talvez por ser mais teimoso que eles, o atleta figueirense continuou a saltar, mas não foi além do 4º lugar, ele que era o favorito.

Dias chegou ao atletismo quase por acaso. Jogava futebol no Carcavelos, depois de ter começado na sua A. Naval 1º de Maio, e as suas aptidões chegaram ao conhecimento do Sporting. Então, num intervalo de um treino enquanto os seus colegas descansavam e se hidratavam, ele abeirou-se da equipa de atletismo e pediu para saltar “a título de brincadeira”, palavra dele. E pronto.
Especializou-se no salto em comprimento, e estando o record nacional há já bastante tempo em 6,89 metros, Álvaro faz em pouco tempo 6,92 e 6,95m. Num meeting frente à Bélgica, em 1946, coloca o record em 7,20 metros, pela primeira vez um português ultrapassava a barreira dos 7 metros. Na mesma prova consegue a sua melhor marca pessoal, 7,34 metros, um record nacional que durou até meados dos anos 60.
Recordista nacional de 4x100 e campeão nacional de 4x200, 4x400 e 4x800, Álvaro Dias também fez salto à vara onde não foi além de 3,45 metros, mas temos de ter em conta que não existindo ainda varas flexíveis, não deixa de ser uma boa marca.
Também foi decatlonista, mas aqui foi sempre segundo, derrotado por aquele que ele próprio considerou o maior atleta português de sempre: o benfiquista Matos Fernandes. “Era um atleta fabuloso”, reforçou ele, ignorando-me, quando na brincadeira lhe disse que o Álvaro Dias era melhor.
Entre atletismo e futebol o atleta preferia o segundo, e em Moçambique ajudou a fundar a Associação Desportiva do Limpopo, onde como treinador de jovens foi campeão. Mas também continuou ligado ao atletismo tendo tirado um curso de monitor.
Numa entrevista, no início dos anos 80, para o semanário ”Barca Nova” perguntei-lhe o que pensava do desporto actual:
Aí vai a resposta: “Houve uma evolução bastante grande, não só provocada pelo aparecimento da alta competição, mas também pela própria evolução do material utilizado, equipamentos, pistas, etc, etc. Tenho pena de não poder competir agora. Mas…”
Álvaro Dias partiu para o Olimpo no dia 24 de Fevereiro de 2005. Imaginemos os deuses a corarem, uma vez mais, de vergonha, à sua chegada.
Onde ainda não chegou o “velho” Álvaro foi à toponímia da Figueira da Foz, a terra que sempre considerou sua.
Vá-se lá saber porquê…

domingo, 4 de novembro de 2007

UMA TRISTE EFEMÉRIDE

Foto: alex campos

LEIA AQUI MAIS UMA "PERFOMANCE" DO GOVERNO QUE QUISEMOS E QUE ESCOLHEMOS.

sábado, 3 de novembro de 2007

A Chicotada Psicológica (croniqueta de fim-de-semana)


A chicotada psicológica é uma particularidade do chamado desporto-rei. Acontece pelas mais variadas razões, quando, por exemplo, a bola passa ao lado ou bate na trave, quando o extremo não consegue o último drible antes de fazer o passe fatal para o centro-avante, quando o guarda-redes não consegue suster a grande penalidade.
Ora, para tentar mudar este estado de coisas, os dirigentes, tal como um jogador de póker para contrariar a má sorte dá uma voltinha à cadeira numa acção supersticiosa, despedem o treinador e contratam outro. Tudo muito igual, muito repetitivo.
Mas quem pensava que o futebol já não é uma caixinha de surpresas, enganou-se.
Leio num jornal de distribuição gratuita (O Metro, que não sei porquê não são distribuídos na Figueira da Foz) que uma equipa da 3ª divisão israelita – Hapoel Kiryat Shalom – decidiu despedir o treinador e entregar o comando técnico aos adeptos. Como? Assim: basta visitar o portal Web2Sport.com, consultar as fichas informativas sobre a evolução dos jogadores e votarem na constituição da equipa bem como as tácticas, substituições ou outras incidências. Com este sistema a equipa já realizou um jogo e foi derrotada por 2-3.
Visitei o dito site, e posso dizer-vos que aquilo está num hebraico que mais parece árabe, nem percebo porque é que eles não se entendem.
Continuando: se a chicotada não resultar estamos perante um grave problema: como despedir os adeptos?
Imaginemos que a ideia se populariza. Por exemplo, no Desportivo Cova-Gala não seria preocupante, os adeptos não são muitos por aí além. Mas no Benfica, para falar no maior clube português, penso que era catastrófico.
E a conseguir-se tal coisa o acontecimento faria José Sócrates roer-se de inveja de Luís Felipe Vieira, pois só lá para o fim do seu primeiro mandato conseguirá elevar a taxa de desemprego para perto dos 10%.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Bruno Santos (Kickboxing)


Acabadinho de se sagrar campeão mundial de FullContact, Bruno Santos continua a saga dos atletas figueirenses, que, nesta modalidade, não têm deixado os seus créditos por luvas alheias. No seguimento de nomes como Lino Tavares, Victor Jorge, Nelson Afonso ou Victor Loio (entre outros), o mérito tem de ser partilhado com o treinador Manuel Teixeira, cuja competência e dedicação à modalidade nunca é demais realçar.
Bruno Santos já não é um neófito nestas andanças, apesar deste ter sido o seu primeiro campeonato do mundo para profissionais.
Em 2006 foi campeão nacional de Boxe, e, já este ano conseguiu o título nacional em Full Contact, ostentando também dois títulos de campeão ibérico.
”Isto foi uma vitória conquistada pela equipa, em que eu apenas executei o que os meus treinadores planearam, durante todo o período de preparação. Por isso estou feliz e motivado para seguir em frente, com vista ao mais alto nível internacional” disse o novo campeão mundial figueirense ao site Kickboxingpt.com.
Na foto, durante uma pausa no treino de ontem, o jovem Bruno mostra o cinto-símbolo de campeão do mundo à “Aldeia Olímpica”.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Parabéns, Bruno

Bruno Santos, atleta do Ginásio Clube Figueirense, sagrou-se campeão do mundo de Full-Contact, de pesos médios (76 kgs.), no passado Sábado em Angra do Heroísmo, ao derrotar o campeão da Catalunha, Jorge Anton, num combate muito renhido de 5 assaltos.
Até amanhã, campeão.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

José Bento Pessoa (Ciclismo)


Foi o primeiro campeão de Espanha em Ciclismo, ele, que chegou à modalidade por um mero acaso. É que José Bento Pessoa praticou natação, remo, corrida, e até futebol, a guarda-redes.
Depois de partir um tornozelo, numa queda que “lhe poderia ter sido fatal”, como se pode ler na biografia de Romeu Correia, a recuperação mostra-se complicada e é um médico que lhe aconselha exercícios, ciclismo por exemplo… um desporto que está em voga e a ganhar popularidade. Aluga ou pede emprestada uma bicicleta e dá umas voltinhas para recuperar. Um certo dia, em 1891, com 17 anos, assiste a umas corridas e nasce a sua paixão pela modalidade que o tornará famoso e o primeiro português detentor de um record do mundo.
Em 1897 participa no I Campeonato Nacional de Espanha, prova que ficou conhecida por “100 quilómetros de Ávila”. Vinha catalogado como um bom sprinter e “a sua inclusão na prova de fundo não deixou de fazer sorrir alguns ciclistas e dirigentes. E maior surpresa suscitou ainda quando viram o ciclista da Figueira a utilizar uma bicicleta de pista… soube-se mais tarde (este episódio foi evocado pelo próprio José Bento) que um dirigente espanhol se condoera por isso, dizendo-lhe: Oh, homem, mas se você me tivesse dito eu arranjava-lhe uma boa bicicleta para esta prova! (in Biografia de José Bento Pessoa, Romeu correia).
Segundo a própria imprensa do país vizinho foi uma vitória categórica do atleta figueirense. Nesse mesmo ano, meses depois, Bento Pessoa bate o record mundial dos 500 metros, em Madrid, que será melhorado pelo próprio nesse mesmo ano. Repare-se nas distâncias, o que faz de Bento Pessoa um atleta invulgar, excepcional seja como sprinter seja como corredor de fundo.
O genial ciclista, um dos fundadores do Ginásio Clube Figueirense, foi contratado por uma empresa francesa e fez grande parte da sua carreira em Espanha, França, Alemanha, Suíça, tendo corrido também no Brasil. No seu auge raramente perdeu uma prova, e nos intervalos, as suas visitas à terra eram um acontecimento com centenas de populares a aplaudi-lo e as duas filarmónicas a tocarem em sua homenagem.
Quando da construção do Parque de Jogos, nos anos 50, a CMFF tinha já resolvido que se chamaria Estádio Municipal Oliveira Salazar. Estava a construção perto do final, quando a CMFF recebe um ofício do gabinete da Presidência do Conselho, dizendo que Sua Exª sem deixar de se sentir sensibilizado com a ideia, propõe que seja dado o nome de qualquer desportista famoso da Figueira da Foz, como por exemplo o de José Bento Pessoa.
Bento Pessoa passou à eternidade em 7 de Julho de 1954, com 80 anos de idade.
Pensamos que já se justifica uma reedição da sua biografia, da autoria do romancista e dramaturgo Romeu Correia, cuja capa da primeira e única edição ilustra este texto.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Comunicado nº 01


1 - A Administração da Aldeia Olímpica pede desculpa pelo atraso da emissão deste comunicado, mas devido ainda a deficiências técnicas (leia-se falta de conhecimentos destas coisas de blogs, posts, links e demais confusões), por enquanto, espera-se, só é possível postar com a ajuda de um amigo, especial, mas não está sempre ao nosso dispor, como é evidente. Aproveitando-nos da disponibilidade do António Agostinho prometemos, contudo, ir aprendendo, embora a idade não ajude.
2 – A Administração da Aldeia Olímpica congratula-se com a atribuição, por parte da CMFF, da Medalha de Ouro da Cidade e o título de Cidadão Honorário ao democrata, anti-fascista, político, intelectual, homem de cultura, cidadão, o dr. Luís de Melo Biscaia. Registamos o atraso, mas nunca é tarde.
3 – A Administração da Aldeia Olímpica lamenta a constatação de já não existirem, nesta sociedade consumista e decadente, muitos homens com a verticalidade reconhecida do Dr. Melo Biscaia.

domingo, 28 de outubro de 2007

Oito vírgula três (em jeito de croniqueta de fim-de-semana)

Se eu conseguisse cobrir os 3 mil metros obstáculos em 8,3 minutos seria certamente campeão olímpico. Se fizesse a distância em 7,1 seria considerado um super-homem.
Esta coisa das corridas funciona um bocadinho de maneira diferente dos saltos. Quer dizer, recorrendo ao De La Palisse, nas corridas quanto menor for o tempo, melhor; nos saltos, é melhor quanto maior for a distância saltada. Há estas nuances na mesma modalidade desportiva, consoante a disciplina. Acontece que eu seria capaz de fazer os 3000/obs. para aí… sem ser muito exigente… bem… muito perto dos vinte minutos. Por isso mudemos o azimute.
Na política, que só tem uma disciplina, as coisas variam do mesmo modo.
Quer dizer, se estivermos na Oposição, e a taxa de desemprego for de 7,1%, achamos que é uma calamidade, que o governo fracassou e coisa e tal. Se estivermos no governo e elevarmos a taxa para 8,3%, achamos a coisa normalíssima, assobiamos para o lado e nem nos passa pela cabeça que fracassamos. É uma espécie de “porreiro, pá”, não sei se entendem.
O defeito não será dos políticos, eles só enganam quem gosta de ser enganado. Quando o actual primeiro-ministro afirmou o que afirmou como líder da Oposição, e que toda a gente sabe, estava a mentir.
Só por isso estará ilibado, estava tão-só a cumprir o seu papel. Há é uma incapacidade nossa, talvez genética, de sermos governados por gente séria.
Se não perceberam nada do que se passou não se apoquentem: é que eu também não percebi. Talvez não deva ser para perceber.
Enfim.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Solange Azevedo (Natação)


Com 18 anos, esta estudante de enfermagem, é um dos valores seguros da natação figueirense da actualidade. Natural de Lavos, conseguiu o 3º lugar nos nacionais em 2003 nos 200 e 400 metros livres. Mas, especialista nos 200 metros/costas, na época 2005/2006 foi campeã nacional sénior nos Nacionais de Inverno em piscina longa e, na mesma distância nos nacionais de Verão conseguiu a segunda posição.
Em 2006/2007 repetiu o primeiro lugar nos nacionais de Inverno em piscina curta, e o segundo lugar em piscina longa, na mesma distância.
Produto do GCF, estudando em Coimbra representa agora o Clube Náutico daquela cidade.
Não se podendo queixar por falta de resultados, a natação figueirense poderia contudo sofrer uma maior evolução, no entender de Solange, “com uma piscina, mesmo de 25 metros, com condições ditas normais, e uma boa sala de musculação também dava um grande jeito”.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O primeiro post

Apesar da actualidade poder não o dar a entender, a Figueira da Foz sempre teve uma vasta tradição desportiva.
Nos finais do Século XIX, assiste-se à fundação da Associação Naval 1º de Maio, do Clube Ginástico, do Ginásio Clube Figueirense, da Associação Naval Figueirense e de outras colectividades.
O escritor Romeu Correia, na sua biografia de José Bento Pessoa: “E, assim, esta cidadezinha meridional depressa se torna na terceira potência desportiva do País. (…) A vitalidade desportiva progride sempre, pois, a par do remo, da ginástica educativa e aplicada, da esgrima, surgem secções de ciclismo, futebol, tiro, hipismo e pedestrianismo.”
Até aos dias de hoje, com estruturas ou sem elas, suficientes ou insuficientes, a juventude figueirense tem tido um comportamento meritório em provas nacionais, a avaliar pela distinção que a CMFF faz todos os anos aos atletas que conseguem um dos 3 lugares do pódio.
Deles iremos falar, divulgar o que fazem e como o fazem, sem esquecer outros que através dos tempos têm honrado a sua cidade.
Iremos, então, neste espaço, recordar a juventude de ontem e conhecer a juventude de hoje.