terça-feira, 29 de abril de 2008

Nacionais de Boxe na Figueira da Foz, 10 e 11 de Maio

O Ginásio participa nos nacionais de Boxe, que se realizam no seu pavilhão, com 9 atletas, sendo 4 cadetes, 4 juniores e uma atleta sénior.
A participação dos ginasistas reveste-se de alguma curiosidade porque são atletas de Kickboxing. Mas não é raro estes atletas conseguirem bons resultados no Boxe, aliás como já aconteceu com atletas do clube, nomeadamente Bruno Santos, Lino Tavares, ou Victor Loio.
Na foto, da esquerda para a direita: Miguel Ângelo (57 kgs. júnior); André Sério (60 kgs. cadete); Maria Trindade (60 kgs. cadete); Joana Teixeira (60 Kgs. sénior); Victor Páscoa (81 Kgs. júnior); Francisco Gomes (63 kgs. cadete) e João Gomes (63 kgs. júnior).

Os que faltaram à fotografia são: Micael Loio (57, cadete) e Fábio Correia (60, júnior).

segunda-feira, 28 de abril de 2008

E sempre que Abril aqui passar… (VI)

Prosador de primeira água, o talento de José Martins também navegou pelos mares da poesia. Para cujos, diga-se, era raro zarpar, só mesmo de vez em quando, quando lhe dava na real gana.
A propósito da discussão sobre a IVG, no parlamento, nos idos de 80, glosou uma resposta, em forma de poema, a um deputado, da grande Natália Correia. Um espectáculo. Só mesmo lendo. Ou relendo.
Aqui, no Outra Margem, António Agostinho relembrou já estes deliciosos versos. Dê um saltinho, vai ver que se diverte.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

E o que faz falta?


Há uma outra margem

foto: António Marques





Entre ela e esta corre um rio. Que rio será? O da virtude? Se calhar, já que ela está sempre no meio. Como escreveu o nosso amigo… bem, antes disso, aproveito para dar um abraço de parabéns aos meus amigos António Agostinho e Pedro Cruz, pelo 2º aniversário do excelente e actuante blog. E votos para que continuem o bom trabalho que têm feito.
Voltando atrás: escrevia o nosso saudoso amigo Joaquim Namorado: “A virtude está no meio”. Mas não, não era o rio. O velho Quim acrescentava: “com uma perna de cada lado”.
Um bom 25 de Abril!!!!!!!


quinta-feira, 24 de abril de 2008

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dia Mundial do Livro


A minha “jóia da coroa”
Escreveu como viveu, e como amou e, ironia do destino, como também morreu. Ou seja, freneticamente. O mar encapelado de vicissitudes em que gastou a vida não lhe deu tempo para escrever um grande romance. Não deixa de ser, contudo, um dos melhores prosadores da língua portuguesa. De todos os tempos.
Recomendo a sua leitura. É uma delícia. E sem dúvida um dos melhores “vintages” produzidos por toda a literatura portuguesa.
O livro, cuja capa reproduzo, comprei-o em Chaves, numa loja de antiguidades, em 2002, uma 3ª edição, fazia, na altura 100 anos.

Um cheirinho do prefácio (do qual mantive a ortografia e a acentuação originais):

“Em quanto á influencia do romance nos costumes, estou mais que muito desconfiado de que o romance não morigera nem desmoralisa.
Porém, admitida a ponderação que lhe alvidram os exhortadores dos pais de família, não sei decidir como se ha de escrever o romance fautor da sã moral. São dois os expedientes: levar os personagens viciosos ao despenhadeiro; ou crear anjos n’ um paraíso sem serpente.
Na primeira espécie, mostra se a lucta de virtude e crime: natural e concludentemente triumpha a virtude. E’ o costume com sacrifício, ás vezes, da verosimilhança.
Na segunda forma de romancear, a virtude recebe as ovações sem batalha. O romancista põe peito á reformação das obras de Deus, e corrige-as. Quando os seus personagens se avisinham de algum sujo aguaçal, em que é uso a gente commun salpicar as botas, atam lhes as asas de serafins, e largam-lhe trella por esse azul dos céus dentro, até lhes vir a geito poisal-os em alegretes de flores.
São estes os romances que moralisam, ou os outros? E’ a minha dúvida”.

terça-feira, 22 de abril de 2008

E sempre que Abril aqui passar... (V)

Carta para Carino, ou a história triste de uma criança loira que cresce entre as latas e a lama. Aqui, ao pé de nós.


(José Martins, jornal Barca Nova, 17 de Fevereiro de 1978)




Carino
Devo-te uma explicação e estou aqui para ta dar. Sou aquele tipo da máquina fotográfica que aí foi duas vezes para te ver e fotografar, e que da primeira vez enfiou pés e sapatos pelo lamaçal adentro. Lembras-te, não lembras? Com a tua idade, Carino, podes ficar seguro de que eu teria rido a bom rir se visse alguém atolar-se como a mim aconteceu nessa manhã de sábado. Mas tu não riste. Antes me fixaste com o teu olhar a um tempo doce e circunspecto, comentando sereno e a propósito: “Tás sujo”. Eu estava realmente sujo, Carino. E mais sujo do que tu pensas. É que na ânsia de revelar as chagas da minha cidade, com uma intenção, aliás, que supus louvável, esqueci-me de que estava a devassar a tua própria intimidade, a fazer fogo contigo, a mostrar aos outros, sem tua licença, o que necessariamente ainda escapa à tua inocente concepção da vida. Sujei-me, Carino, e disso venho penitenciar-me. Perante ti, os teus irmãos, os teus pais, os amigos que contigo coabitam nessa enxovia sem nome.
Querido amigo:
Acredita que guardarei para sempre o porte exemplarmente digno da atitude que tomaste. Na tua nudez superior, que com indiferença total enfrenta a inclemência da intempérie, o frio, a chuva, a ventania agreste, reside uma força que é simultaneamente um exemplo vivo de resistência, já não digo ao fascismo, que não seria correcto, mas a esta forma de vida que continua a confundir prioridades, a iludir situações, a percorrer caminhos que nada têm a ver contigo nem comigo. Mas eu tenho casa, Carino. Tenho conforto, agasalho, alimentação, ainda uma tranquilidade que me permite o luxo de escrever cartas quando e a quem me dá na gana. É tudo mais simples para mim. No entanto, vê tu bem, querido amigo: quem está sujo sou eu, e não tu.

É verdade que há milhares de crianças iguais a ti por esse País fora. Sei que o problema que te diz respeito não pode ser encarado isoladamente, que a solução passa por opções de fundo, a toda a dimensão da terra em que nascemos. Mas foste tu que não riste quando me atolei à entrada do antro em que vegetas, nesse mar de lama e porcaria onde chafurdas com a indiferença de um herói. Se me é permitido confessar um íntimo desejo, és tu agora que me interessas, jovem companheiro. É para a tua vida e para a dos teus irmãos, para a dos teus pais e para a dos teus amigos, para todos aí reunidos nesse bairro de lata por detrás da antiga cadeia da nossa cidade, que eu desejaria, para já, ver encontrada solução capaz. Sem esquecer as opções de fundo, que nelas continuaremos todos esperançadamente interessados.
Arrisco dizer-te, Carino, que a nossa Câmara tem nas suas mãos livrar-te da imundície e da pocilga. Acredita: eu nem sequer me lembraria dela se não fora o caso de ter sempre presente que se trata de uma Câmara de maioria socialista. Mas tenho. Reconheço por isso que não é uma Câmara qualquer, que é uma Câmara com responsabilidades, e sobretudo com responsabilidades perante ti. E não era difícil, Carino: tudo se resumiria, afinal, também numa opção. Numa opção entre ti e umas poltronas; ou, se preferires, entre vocês todos e o escândalo do pagamento extra de um ante-projecto. O do Mercado, sim, Carino, a Câmara sabe bem que é a ele que me refiro.
Talvez intramuros me chamem demagogo, um palavrão perante o qual encolherás teus ombros de criança. Estou-me nas tintas para o palavrão. Tal qual como tu. Mas podes acreditar: se ela quisesse ponderar o problema, e decidisse optar por ti, teria a seu lado a população laboriosa de uma cidade em peso.
Aposto, Carino. Aposto a valer.
Um beijo fraternal do

José Martins

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Sociedade União Operária - a história parou nos Vais

Os resultados no atletismo, ao longo dos anos, que a SUO tem conferido, mantendo o nível numa fasquia elevada, provam a credibilidade do projecto e o quanto ele é merecedor de apoios. Numa reportagem com perto de 13 anos, pode-se ver que as coisas não mudaram muito, que os problemas continuam exactamente os mesmos e que se continua a remar contra a maré.
Relembremos algumas passagens da reportagem.







(Excertos de uma reportagem do jornal A linha do Oeste, 24 de Novembro de 1995)


Fundada em 1914, a Sociedade União Operária teria como objectivo a instrução e recreio das populações, a exemplo de muitas outras colectividades que nasceram no princípio do século, durante a vigência da 1ª república.
Como a sua designação e a proximidade às minas de carvão do Cabo Mondego deixam adivinhar, aquela colectividade dos Vais terá sido fundada por operários e por eles dirigida.
Não fugiu muito às suas origens, conquanto muitos dos homens que compõem a sua actual direcção são operários. Mas como tudo na vida, sofre também a inevitável evolução que o decorrer dos tempos vai ditando, ao ponto de os seus directores e o técnico da sua equipa de atletismo se referirem à Sociedade União Operária como clube.(…)


(…) (a SUO) chegou a ter quatro atletas internacionais, entre os quais Sónia Grácio (actualmente no Boavista) e Nuno Serra, no Cucujães. (….)

(...) Segundo o prof. Fonseca Antunes as condições em que se trabalha não são as mais propícias, "a captação de valores fora de um espaço específico como uma pista é muito difícil. É muito difícil a um jovem passar na Marginal, na nossa Marginal, ver o grupo a treinar e vir oferecer-se para integrar o grupo".


(…) A partir do momento em que há possibilidades de manter o nível competitivo, Fonseca Antunes pensa que existem outras entidades que poderão ter uma parte activa na tomada de decisões. Há muitos anos que se aponta para a possibilidade do nosso concelho possuir uma equipa, pelo menos na parte feminina, na primeira divisão nacional, com custos relativamente baixos. Para isso seria necessário uma estrutura a funcionar, porque a partir do momento que a Figueira da Foz seja uma zona de captação e detecção de valores, o nível do atletismo distrital subirá. (…)



clique na imagem

sábado, 19 de abril de 2008

Sociedade União Operária – um projecto

Dezoito anos é tempo suficiente para repararmos na teimosia do prof. Fonseca Antunes em fazer omeletas sem ovos. Bem, sem ovos não é bem assim, que eles vão aparecendo, mas decididamente sem frigideira (leia-se pista de atletismo).
Basta ver as fotografias da rubrica Dia de Treino, para apreciarmos as condições actuais, e desde sempre, na Figueira, para a prática de atletismo. Claro que com uma pista mais ou menos decente para treinos o próprio campo de recrutamento seria outro, e outros seriam os resultados e níveis de competição, embora os atingidos não sejam, muito longe disso, de desprezar.
Cabe aqui uma palavra de apreço para a colectividade dos Vais, quase centenária, a Sociedade União Operária, que com grandes dificuldades e sem grandes apoios, tem mantido este projecto.
Estamos a falar de uma modalidade que apurou, até hoje, para os Jogos de Pequim 23 de um total de 54 atletas, num conjunto de 11 modalidades.
No distrito de Coimbra existe uma única pista de atletismo, precisamente na capital de distrito. Haverá, não posso afirmar, distritos sem uma única. Em contraponto, poderemos imaginar quantos campos de futebol ou pavilhões de basquetebol existem no país?
Mas seja em campeonatos do mundo, europeus, olimpíadas, é o atletismo que nos faz vibrar e termos orgulho em nós próprios, com mais uma ou outra excepção, bem entendido.









O prof. Fonseca Antunes faz uma pequena radiografia do momento actual do Atletismo na SUO

Na 18ª época do Atletismo, a colectividade conta com um conjunto de 25 atletas, enquadrados tecnicamente por 3 técnicos.
É um projecto assente essencialmente no sector masculino, com um verdadeiro poker composto por:
Luís Cardoso, infantil, lançador mas com bons resultados na velocidade e provas combinadas. É o líder nacional no lançamento do martelo e disco.
Pedro Ferreira, iniciado, saltador, especialista na altura, comprimento e triplo. No triplo salto é recordista nacional em pista coberta.
Pedro Mossamedes, juvenil, saltador e atleta de provas combinadas. Internacional, multi-recordista nacional e atleta com estatuto de alta competição.
Daniel Gregório, fundista, especialista com diversos títulos nacionais.
Assim, trata-se de um grupo, de infantis a veteranos, com medalhados em todos os escalões.
E o sector feminino? Mais do que crise de valores há crise de estruturas dignas para o treino, e apoio ao desporto, com reflexos especialmente no sector feminino.
Quanto a projectos futuros, diga-se que o futuro começa em 2008, o ano da viragem. Abrimos uma secção de halterofilismo e criamos condições de treino do salto em altura na sede. Deste modo, levamos o atletismo à sede da colectividade.
O que realmente falta é uma pista, balneários e, especialmente, boa vontade. Os atletas com estatuto de alta competição são de interesse nacional. A grande surpresa é que a autarquia local não se interessa nada com eles.

Dia de treino (Atletismo - Sociedade União Operária)




































quarta-feira, 16 de abril de 2008

Dia Mundial da Voz

Então, ouçemos uma voz. A de Graeme Allwright interpretando uma sua versão, em francês, da canção "Who killed Davy Moore", de Bob Dylan. Aí vai.


O Comentário

Anónimo disse...
É vital para a lucidez própria, compreender que cada história é datada e tem contexto e, assim, deve ser visitada. Viver dela, esquecendo o tempo que passa, é pateticamente insensato.Não o descernir, faz com que a mente se enrede no novelo fatal dos limos velhos. É esse o caminho dos náufragos da História.
15/4/08 19:37


Resolvi evocar o 25 de Abril, ou seja, o espírito que ele encerra, porque no estado em que isto está não haverá muitos motivos para celebrações, com uma homenagem ao José Martins, na forma de recordar textos seus.
Os que tenho escolhido têm a ver, directa ou indirectamente, com a data, com o que ela significa, as preocupações sociais, a solidariedade, a esperança que renasceu com o acontecimento.
O primeiro texto é uma recordação pessoal do Zé, em que ele e a sua família foram vítimas da actuação dos pidescos, possíveis correligionários de quem agora se incomoda e quer branquear ou esquecer a História. O segundo texto não estava nas minhas cogitações mostrá-lo, não fora a actualidade e a oportunidade o terem imposto, veio mesmo a talhe de foice.
O terceiro, sobre os velhos. Na altura ainda a Figueira não me tinha adoptado, ainda eu não conhecia o Zé. O Agostinho poderá recordar as circunstâncias e confirmar se a minha imaginação acerca estará muito longe, ou não, da realidade. É assim: o Zé viu algures a foto e lembrou-se ou teve um flash ou uma inspiração ou o que quer que seja que o terá levado a glosá-la. Fez uma ternurenta homenagem à terceira idade. É poético. É eterno.
Vem esta relambória toda só para recordar que os textos do Zé até agora publicados são actuais e bem poderiam ter sido escritos agora.
Tive o cuidado de indicar a data exacta da edição em que saíram, não por necessidade premente, pois bastaria dizer que são do Zé e que foram publicados no Barca Nova, jornal local que esteve nas bancas entre 1977 e 1984, e do qual o Zé foi o director.
Ao que parece, entrincheirado no anonimato, alguém ficou incomodado e teve mesmo que vomitar. Seria muito mais decente se se identificasse e assinasse o seu próprio vómito. Isto é, em vez de tentar lavar a História, lave-se a si mesmo.
Sr. Anónimo: se tem comichão, coce aqui. E, olhe, não naufrague.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

G.P.C.M.M.C.S.


Grande Prémio do Comentário Malcriado Mais Curto da Semana


Já há dois concorrentes de peso. Será fácil escolher um favorito entre os dois que já se apresentaram a concurso, pois um dos comentários é bem mais pequeno que o outro.

Mas clique. Em qual votaria?

E sempre que Abril aqui passar... (IV)

Também os velhos são uma bandeira
(José Martins, in jornal Barca Nova, 3 de Março de 1978)


Estes dois velhos guardarão das suas vidas muitas recordações. Mas deixaram-nas apagar, como a um deles aconteceu com o cigarro. De que lhes valeria, também, recordar os tempos idos? A vida foi dos outros, dos que brincaram em meninos, dos que frequentaram a escola, dos que puderam seguir um rumo certo e definido. Agora eles!... terão alguma vez sido meninos? Tudo quanto se sabe é que chegaram à derradeira etapa com uma certeza aterradora: a de que os esperava um lento agonizar às mãos da caridade.

E no entanto, ninguém vai garantir que não foram trabalhadores dos mais esforçados, que não deram o melhor do seu suor na defesa do ofício que abraçaram sem escolha. Mas quando o fim chegou, quando os braços caíram e o corpo pediu descanso, toda uma vida que já fora de sacrifício, de privações e de trabalho, se esfumou na esmola de uma sopa.
Há no gesto destes dois homens todo o calor e o encanto da solidariedade. Mas não há apenas isso. Se virdes bem, também há todo o retrato de uma época que queremos ver desaparecida; há o alento para uma luta que desejamos ver continuada; há o alvorecer de uma jornada que precisa ser defendida; há uma bandeira que se nos dá para empenhar e progredir; há todo um Abril que nasce na expressão dos dois velhos.

sábado, 12 de abril de 2008

A democracia plena, total, tolerante, esquizofrénica e tudo...


Conhece o cartoonista brasileiro Carlos Latuff? Está monitorado pelos serviços de informação americanos. O que é que isso quer dizer?
O artista figueirense Fernando Campos, apresenta-nos Latuff e conta-nos o que se passa.


Adenda, às 14,47 hs.
: Já que falamos em democracia, direiros humanos e outras tretas, aí vai mais uma, que me chegou via Prosas Vadias.