terça-feira, 13 de maio de 2008

Desportivo Cova-Gala: o lado quebrado de um triângulo



O que se passa com a questão da legalização, ou não, dos terrenos onde se situa o campo de jogos, há várias décadas, do Grupo Desportivo da Cova-Gala, é qualquer coisa de nebuloso.
Faz lembrar, agora que os terrenos são apetecíveis, o famoso triângulo referido pela magistrada Maria José Morgado, ou seja, Autarquias-Futebol-Construção Civil. Só que desta vez há uma nuance: o clube, neste caso, é o lado quebrado do triângulo, isto porque não vai ganhar nada com a situação, tudo indicando que poderá vir a ser prejudicado.
Estamos a falar de um clube que, se não é de utilidade pública, ser até é, mas escrevia, se não é considerado ou não tem esse estatuto deveria tê-lo. Porque tem desporto de formação, tem a responsabilidade de colocar muitas crianças a praticar desporto.
Este negócio soa-me a um “belo” negócio, até faz lembrar aquele da Ponte Galante, em que um amigalhaço e sócio de um assassino (boa, Geldof) ganhou uns milhares larguíssimos numa só tarde.
Por outro lado também é arrepiante o alheamento da sociedade perante estas coisadas todas. Na Assembleia Geral do Desportivo estiveram 15 pessoas. Não faço ideia do número de sócios que a simpática colectividade possui, terá seguramente umas cinco dezenas. Jovens atletas terá, penso, no mínimo, o triplo de sócios presentes. Se só metade dos pais, ou mães dos miúdos, tivessem participado na assembleia, o número de presenças não teria sido só aquele. E a possível negociata não seria tão fácil como aparentemente será.
É devido a este tipo de alheamento que vamos tendo os governantes que temos, que vamos tendo os autarcas que temos, que vamos tendo o país que temos.

Lino Tavares (Boxe e Kickboxing)



Aos 27 anos, quer no Boxe, quer no Kickboxing, Lino Tavares cota-se como um dos melhores atletas figueirenses de sempre. Na segunda das modalidades foi vice-campeão do mundo e campeão ibérico em 1999 em Light-Contact (juniores), além de ter sido 4 vezes campeão nacional em 94, 95, 2000 e 2001; em Full-Contact foi campeão nacional por 3 vezes e campeão ibérico em 2002.
No boxe foi vice-campeão nacional de Iniciados em 1999 e campeão nacional de Consagrados em 2000. Esteve quase a conseguir os mínimos olímpicos em 1999.
Actualmente fora da competição, é treinador de Kickboxing de 2º nível e vice-presidente do conselho regional de Arbitragem desde 2007.
No filme Lino vence o Nacional de Boxe, em 2000, no Pavilhão Carlos Lopes, frente a Rui Ferreira, do Sporting.





segunda-feira, 5 de maio de 2008

Jaime Santos (Ténis de Mesa)


Com as cores da Associação Naval 1º de Maio foi campeão nacional por equipas em 1966, com Gustavo Ponte e José Roque. No ano seguinte sagrou-se campeão nacional individual e de pares com Gustavo Ponte. Em 1968, ainda júnior, foi campeão nacional de pares, com António Neves, e venceu a Taça de Portugal, troféu que voltaria a levantar em 1969 já numa equipa sénior. Mas nestes dois anos, bem como em 1970, foi vice-campeão nacional individual, não tendo conseguido repetir o título.
De 1970 a 1973 Jaime Santos representou os Alunos de Apolo, de Campo de Ourique, onde, por equipas foi campeão da 3º e da 2ª Divisão e vice-campeão nacional, tendo perdido a final frente ao Benfica. Nestas épocas representou também a selecção nacional.
Entre 74 e 86 o atleta jogou ainda no Sporting das Caldas.
Jaime Santos também jogou basquetebol, tendo representado a Naval e o Ginásio.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Dia Mundial do Trabalhador

A "Aldeia Olímpica" saúda todos os trabalhadores portugueses





Operários, vanguarda do povo
Camponeses que a terra lavrais
Libertai-vos do jugo para sempre
é o povo quem vós libertais

Unidade! Unidade! Unidade!
do trabalho contra o capital!
Camaradas, lutemos unidos
porque é nossa a vitória final.
Camaradas, lutemos unidos
porque é nossa a vitória final.

Norte a sul, vinde trabalhadores,
pescadores não fiqueis para trás
Avançai, e sem medo, na luta
pelo pão, p'lo trabalho, pela paz.

Unidade! Unidade! Unidade!
do trabalho contra o capital!
Camaradas, lutemos unidos
porque é nossa a vitória final.
Camaradas, lutemos unidos
porque é nossa a vitória final.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Nacionais de Boxe na Figueira da Foz, 10 e 11 de Maio

O Ginásio participa nos nacionais de Boxe, que se realizam no seu pavilhão, com 9 atletas, sendo 4 cadetes, 4 juniores e uma atleta sénior.
A participação dos ginasistas reveste-se de alguma curiosidade porque são atletas de Kickboxing. Mas não é raro estes atletas conseguirem bons resultados no Boxe, aliás como já aconteceu com atletas do clube, nomeadamente Bruno Santos, Lino Tavares, ou Victor Loio.
Na foto, da esquerda para a direita: Miguel Ângelo (57 kgs. júnior); André Sério (60 kgs. cadete); Maria Trindade (60 kgs. cadete); Joana Teixeira (60 Kgs. sénior); Victor Páscoa (81 Kgs. júnior); Francisco Gomes (63 kgs. cadete) e João Gomes (63 kgs. júnior).

Os que faltaram à fotografia são: Micael Loio (57, cadete) e Fábio Correia (60, júnior).

segunda-feira, 28 de abril de 2008

E sempre que Abril aqui passar… (VI)

Prosador de primeira água, o talento de José Martins também navegou pelos mares da poesia. Para cujos, diga-se, era raro zarpar, só mesmo de vez em quando, quando lhe dava na real gana.
A propósito da discussão sobre a IVG, no parlamento, nos idos de 80, glosou uma resposta, em forma de poema, a um deputado, da grande Natália Correia. Um espectáculo. Só mesmo lendo. Ou relendo.
Aqui, no Outra Margem, António Agostinho relembrou já estes deliciosos versos. Dê um saltinho, vai ver que se diverte.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

E o que faz falta?


Há uma outra margem

foto: António Marques





Entre ela e esta corre um rio. Que rio será? O da virtude? Se calhar, já que ela está sempre no meio. Como escreveu o nosso amigo… bem, antes disso, aproveito para dar um abraço de parabéns aos meus amigos António Agostinho e Pedro Cruz, pelo 2º aniversário do excelente e actuante blog. E votos para que continuem o bom trabalho que têm feito.
Voltando atrás: escrevia o nosso saudoso amigo Joaquim Namorado: “A virtude está no meio”. Mas não, não era o rio. O velho Quim acrescentava: “com uma perna de cada lado”.
Um bom 25 de Abril!!!!!!!


quinta-feira, 24 de abril de 2008

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dia Mundial do Livro


A minha “jóia da coroa”
Escreveu como viveu, e como amou e, ironia do destino, como também morreu. Ou seja, freneticamente. O mar encapelado de vicissitudes em que gastou a vida não lhe deu tempo para escrever um grande romance. Não deixa de ser, contudo, um dos melhores prosadores da língua portuguesa. De todos os tempos.
Recomendo a sua leitura. É uma delícia. E sem dúvida um dos melhores “vintages” produzidos por toda a literatura portuguesa.
O livro, cuja capa reproduzo, comprei-o em Chaves, numa loja de antiguidades, em 2002, uma 3ª edição, fazia, na altura 100 anos.

Um cheirinho do prefácio (do qual mantive a ortografia e a acentuação originais):

“Em quanto á influencia do romance nos costumes, estou mais que muito desconfiado de que o romance não morigera nem desmoralisa.
Porém, admitida a ponderação que lhe alvidram os exhortadores dos pais de família, não sei decidir como se ha de escrever o romance fautor da sã moral. São dois os expedientes: levar os personagens viciosos ao despenhadeiro; ou crear anjos n’ um paraíso sem serpente.
Na primeira espécie, mostra se a lucta de virtude e crime: natural e concludentemente triumpha a virtude. E’ o costume com sacrifício, ás vezes, da verosimilhança.
Na segunda forma de romancear, a virtude recebe as ovações sem batalha. O romancista põe peito á reformação das obras de Deus, e corrige-as. Quando os seus personagens se avisinham de algum sujo aguaçal, em que é uso a gente commun salpicar as botas, atam lhes as asas de serafins, e largam-lhe trella por esse azul dos céus dentro, até lhes vir a geito poisal-os em alegretes de flores.
São estes os romances que moralisam, ou os outros? E’ a minha dúvida”.

terça-feira, 22 de abril de 2008

E sempre que Abril aqui passar... (V)

Carta para Carino, ou a história triste de uma criança loira que cresce entre as latas e a lama. Aqui, ao pé de nós.


(José Martins, jornal Barca Nova, 17 de Fevereiro de 1978)




Carino
Devo-te uma explicação e estou aqui para ta dar. Sou aquele tipo da máquina fotográfica que aí foi duas vezes para te ver e fotografar, e que da primeira vez enfiou pés e sapatos pelo lamaçal adentro. Lembras-te, não lembras? Com a tua idade, Carino, podes ficar seguro de que eu teria rido a bom rir se visse alguém atolar-se como a mim aconteceu nessa manhã de sábado. Mas tu não riste. Antes me fixaste com o teu olhar a um tempo doce e circunspecto, comentando sereno e a propósito: “Tás sujo”. Eu estava realmente sujo, Carino. E mais sujo do que tu pensas. É que na ânsia de revelar as chagas da minha cidade, com uma intenção, aliás, que supus louvável, esqueci-me de que estava a devassar a tua própria intimidade, a fazer fogo contigo, a mostrar aos outros, sem tua licença, o que necessariamente ainda escapa à tua inocente concepção da vida. Sujei-me, Carino, e disso venho penitenciar-me. Perante ti, os teus irmãos, os teus pais, os amigos que contigo coabitam nessa enxovia sem nome.
Querido amigo:
Acredita que guardarei para sempre o porte exemplarmente digno da atitude que tomaste. Na tua nudez superior, que com indiferença total enfrenta a inclemência da intempérie, o frio, a chuva, a ventania agreste, reside uma força que é simultaneamente um exemplo vivo de resistência, já não digo ao fascismo, que não seria correcto, mas a esta forma de vida que continua a confundir prioridades, a iludir situações, a percorrer caminhos que nada têm a ver contigo nem comigo. Mas eu tenho casa, Carino. Tenho conforto, agasalho, alimentação, ainda uma tranquilidade que me permite o luxo de escrever cartas quando e a quem me dá na gana. É tudo mais simples para mim. No entanto, vê tu bem, querido amigo: quem está sujo sou eu, e não tu.

É verdade que há milhares de crianças iguais a ti por esse País fora. Sei que o problema que te diz respeito não pode ser encarado isoladamente, que a solução passa por opções de fundo, a toda a dimensão da terra em que nascemos. Mas foste tu que não riste quando me atolei à entrada do antro em que vegetas, nesse mar de lama e porcaria onde chafurdas com a indiferença de um herói. Se me é permitido confessar um íntimo desejo, és tu agora que me interessas, jovem companheiro. É para a tua vida e para a dos teus irmãos, para a dos teus pais e para a dos teus amigos, para todos aí reunidos nesse bairro de lata por detrás da antiga cadeia da nossa cidade, que eu desejaria, para já, ver encontrada solução capaz. Sem esquecer as opções de fundo, que nelas continuaremos todos esperançadamente interessados.
Arrisco dizer-te, Carino, que a nossa Câmara tem nas suas mãos livrar-te da imundície e da pocilga. Acredita: eu nem sequer me lembraria dela se não fora o caso de ter sempre presente que se trata de uma Câmara de maioria socialista. Mas tenho. Reconheço por isso que não é uma Câmara qualquer, que é uma Câmara com responsabilidades, e sobretudo com responsabilidades perante ti. E não era difícil, Carino: tudo se resumiria, afinal, também numa opção. Numa opção entre ti e umas poltronas; ou, se preferires, entre vocês todos e o escândalo do pagamento extra de um ante-projecto. O do Mercado, sim, Carino, a Câmara sabe bem que é a ele que me refiro.
Talvez intramuros me chamem demagogo, um palavrão perante o qual encolherás teus ombros de criança. Estou-me nas tintas para o palavrão. Tal qual como tu. Mas podes acreditar: se ela quisesse ponderar o problema, e decidisse optar por ti, teria a seu lado a população laboriosa de uma cidade em peso.
Aposto, Carino. Aposto a valer.
Um beijo fraternal do

José Martins

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Sociedade União Operária - a história parou nos Vais

Os resultados no atletismo, ao longo dos anos, que a SUO tem conferido, mantendo o nível numa fasquia elevada, provam a credibilidade do projecto e o quanto ele é merecedor de apoios. Numa reportagem com perto de 13 anos, pode-se ver que as coisas não mudaram muito, que os problemas continuam exactamente os mesmos e que se continua a remar contra a maré.
Relembremos algumas passagens da reportagem.







(Excertos de uma reportagem do jornal A linha do Oeste, 24 de Novembro de 1995)


Fundada em 1914, a Sociedade União Operária teria como objectivo a instrução e recreio das populações, a exemplo de muitas outras colectividades que nasceram no princípio do século, durante a vigência da 1ª república.
Como a sua designação e a proximidade às minas de carvão do Cabo Mondego deixam adivinhar, aquela colectividade dos Vais terá sido fundada por operários e por eles dirigida.
Não fugiu muito às suas origens, conquanto muitos dos homens que compõem a sua actual direcção são operários. Mas como tudo na vida, sofre também a inevitável evolução que o decorrer dos tempos vai ditando, ao ponto de os seus directores e o técnico da sua equipa de atletismo se referirem à Sociedade União Operária como clube.(…)


(…) (a SUO) chegou a ter quatro atletas internacionais, entre os quais Sónia Grácio (actualmente no Boavista) e Nuno Serra, no Cucujães. (….)

(...) Segundo o prof. Fonseca Antunes as condições em que se trabalha não são as mais propícias, "a captação de valores fora de um espaço específico como uma pista é muito difícil. É muito difícil a um jovem passar na Marginal, na nossa Marginal, ver o grupo a treinar e vir oferecer-se para integrar o grupo".


(…) A partir do momento em que há possibilidades de manter o nível competitivo, Fonseca Antunes pensa que existem outras entidades que poderão ter uma parte activa na tomada de decisões. Há muitos anos que se aponta para a possibilidade do nosso concelho possuir uma equipa, pelo menos na parte feminina, na primeira divisão nacional, com custos relativamente baixos. Para isso seria necessário uma estrutura a funcionar, porque a partir do momento que a Figueira da Foz seja uma zona de captação e detecção de valores, o nível do atletismo distrital subirá. (…)



clique na imagem

sábado, 19 de abril de 2008

Sociedade União Operária – um projecto

Dezoito anos é tempo suficiente para repararmos na teimosia do prof. Fonseca Antunes em fazer omeletas sem ovos. Bem, sem ovos não é bem assim, que eles vão aparecendo, mas decididamente sem frigideira (leia-se pista de atletismo).
Basta ver as fotografias da rubrica Dia de Treino, para apreciarmos as condições actuais, e desde sempre, na Figueira, para a prática de atletismo. Claro que com uma pista mais ou menos decente para treinos o próprio campo de recrutamento seria outro, e outros seriam os resultados e níveis de competição, embora os atingidos não sejam, muito longe disso, de desprezar.
Cabe aqui uma palavra de apreço para a colectividade dos Vais, quase centenária, a Sociedade União Operária, que com grandes dificuldades e sem grandes apoios, tem mantido este projecto.
Estamos a falar de uma modalidade que apurou, até hoje, para os Jogos de Pequim 23 de um total de 54 atletas, num conjunto de 11 modalidades.
No distrito de Coimbra existe uma única pista de atletismo, precisamente na capital de distrito. Haverá, não posso afirmar, distritos sem uma única. Em contraponto, poderemos imaginar quantos campos de futebol ou pavilhões de basquetebol existem no país?
Mas seja em campeonatos do mundo, europeus, olimpíadas, é o atletismo que nos faz vibrar e termos orgulho em nós próprios, com mais uma ou outra excepção, bem entendido.









O prof. Fonseca Antunes faz uma pequena radiografia do momento actual do Atletismo na SUO

Na 18ª época do Atletismo, a colectividade conta com um conjunto de 25 atletas, enquadrados tecnicamente por 3 técnicos.
É um projecto assente essencialmente no sector masculino, com um verdadeiro poker composto por:
Luís Cardoso, infantil, lançador mas com bons resultados na velocidade e provas combinadas. É o líder nacional no lançamento do martelo e disco.
Pedro Ferreira, iniciado, saltador, especialista na altura, comprimento e triplo. No triplo salto é recordista nacional em pista coberta.
Pedro Mossamedes, juvenil, saltador e atleta de provas combinadas. Internacional, multi-recordista nacional e atleta com estatuto de alta competição.
Daniel Gregório, fundista, especialista com diversos títulos nacionais.
Assim, trata-se de um grupo, de infantis a veteranos, com medalhados em todos os escalões.
E o sector feminino? Mais do que crise de valores há crise de estruturas dignas para o treino, e apoio ao desporto, com reflexos especialmente no sector feminino.
Quanto a projectos futuros, diga-se que o futuro começa em 2008, o ano da viragem. Abrimos uma secção de halterofilismo e criamos condições de treino do salto em altura na sede. Deste modo, levamos o atletismo à sede da colectividade.
O que realmente falta é uma pista, balneários e, especialmente, boa vontade. Os atletas com estatuto de alta competição são de interesse nacional. A grande surpresa é que a autarquia local não se interessa nada com eles.

Dia de treino (Atletismo - Sociedade União Operária)