quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Crónicas em desalinho (VI)

Figueira da Foz-Singapura: ida e volta (parte 2)

por Augusto Alberto (texto e foto)

Os primeiros Jogos Olímpicos da Juventude, a realizar em 2010, dois anos exactamente antes dos Jogos Olímpicos de Londres, chamarão jovens atletas nascidos nos anos 1992/1993. Estes primeiros Jogos da Juventude receberão cerca de 5.000 pessoas, somando cerca de 3.500 jovens atletas, e os restantes, treinadores, dirigentes, árbitros, equipas médicas e outros. Para receber este enorme grupo de pessoas, a cidade-estado construirá, uma enorme estrutura à volta do actual Instituto do Desporto de Singapura. 5 dias são o tempo necessário para esta competição, que receberá um conjunto importante de 26 modalidades, individuais, como o atletismo, natação, ginástica desportiva e rítmica, ciclismo em estrada e pista, tiro com arco e colectivas, como o remo, basquetebol, andebol, voleibol, por exemplo. São modalidades que constituem tradicionalmente o melhor dos Jogos Olímpicos de Verão. Será importante dizer que Singapura, sendo um pequeno estado, não é alheio ao prazer das medalhas olímpicas. Nos últimos Jogos Olímpicos de Pequim, teve a oportunidade e o sabor de arrecadar 2 medalhas, numa disciplina tão competitiva como a natação.
A cerimónia de abertura será montada exactamente num local com grande espaço, de extraordinária beleza, absolutamente tranquilo, numa imensa massa de água limpa, que acolhe barcos de todos os cantos do mundo, tratando-se de uma enorme marina, e que terá para o efeito possibilidades únicas para montar um belo espectáculo televisivo, tratando-se da cerimónia de abertura, como é usual, em situações idênticas passadas e evidentemente futuras. Com certeza esse espectáculo recolherá o melhor das várias culturas que cruzam o pequeno estado, chinesa, a etnia maioritária, indiana e muçulmana. Eu direi que estão ali razões ancestrais e culturais, em contributo para num caldeamento superior nos oferecer mais um belo espectáculo cénico e televisivo, num cenário suportado pela água. Convêm dizer, desde já, que não é por acaso que a cerimónia terá por companheira a noite, indo ao encontro de nuances absolutamente notáveis de luz e som. Esperemos por essa noite, que se quer mais uma vez admirável. A beleza será sempre beleza aqui ou ali, em absoluto.



Neste encontro internacional, anual na minha modalidade, que fez uma primeira abordagem a estes Jogos, estiveram países tão importantes, como a Grã Bretanha, país anfitrião dos próximos Jogos olímpicos, Austrália, Nova Zelândia, Suíça, Noruega, Roménia, Itália, Dinamarca, França, Alemanha e muitos países da região asiática, não menos importantes por essa condição. É evidente que esta abordagem foi realizada sempre na perspectiva da modalidade que a realizou, como é mais do que óbvio. De sublinhar a magistral intervenção, na perspectiva da Grã-Bretanha, por razões mais do que evidentes, dado que alguns dos seus jovens atletas, estarão primeiro em Singapura e adiante dois anos, em Londres, realizada por uma senhora, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, ano do centenário dos Jogos Olímpicos. Uma intervenção muito lúcida de uma bela mulher, Gui Batten, vice-campeã Olímpica e que correspondeu em absoluto ao seu brilhante titulo desportivo.

As razões foram muitas e correspondem em absoluto ao espírito destes primeiros jogos da juventude e que desejo deixar aqui breves referências. Em primeiro, o da aprendizagem dos valores do espírito olímpico, na esteira dos ideais iniciais, ao cabo do tempo, prensados pelo alto valor do resultado desportivo moderno. Contudo, será importante esclarecer, que de bom grado, é possível compatibilizar o sucesso com o espírito do afecto e do respeito. E isto esclareceu uma verdadeira medalha de prata, que deixou muito claro esta mensagem de um modo surpreendentemente elegante. Ninguém ficou indiferente a uma mulher que nos transmitiu o gosto daquela medalha arrancada com dor, numa luta épica de 2.000 metros, sempre lado a lado, também com uma superior equipa russa.

A diferença que separou estas medalhas de prata e bronze, foi um impressionante centésimo. Assim se molda e faz a coragem olímpica. O cumprimento, após a competição, ainda no barco e depois no pódio, alinha com esse valor social. Foi, nas palavras desta senhora, a prova mais longa da sua vida, admitindo mesmo que outras provas na sua longa vida de atleta, tenham sido mais rápidas. Mas com certeza, em nenhuma o coração bateu tanto e os músculos tanto sofreram. Mas que fique claro, que esta dor física que suportou esta e tantas outras leais batalha, assentou sempre em altos níveis de trabalho diário, ao longo de semanas, meses e anos, sem desfalecimentos e em modelos de organização estáveis e sólidos. E isso foi aquilo que nos vieram dizer os que também vieram da Austrália, Nova Zelandia, Alemanha, Dinamarca, sobretudo estes, por tanto estarem habituados ao sucesso, ainda que de tempos em tempos às vezes lhes aconteça percalços, mas que não retiram brilho às ideias, porque na competição nem sempre se ganha, mesmo que aquilo que a suporte seja um bem estruturado e dinâmico modelo. É assim a competição. Importante é perceber que ao lado está outra equipa ou outro parceiro de competição que também tem o direito ao sucesso e à felicidade da vitória.
Todos explicaram, com notável clareza, que é na escola que tudo começa, continua depois e muitas das vezes, também acaba. E esta é a verdadeira questão e dimensão do sucesso desportivo ao mais alto nível. Foi muito claro das suas explicitações e amostragens. De momento, na Grã-bretanha, estão a decorrer, com vista primeiro a Singapura e depois a Londres, 5 programas que cobrem transversalmente e do modo mais variado, milhares de jovens, que correm em todas as escolas do país. Aliás, esta senhora medalha de prata fez em absoluto este percurso, ainda no ido século XX. Como nos disse, não foi um produto do acaso, mas de um modelo de sucesso.
O segundo registo impressionante, que quero aqui deixar e que nos foi transmitido pelo treinador da Nova Zelândia, que diariamente trabalha numa escola secundária, cuja modalidade eleita é o remo e que nos deixou muito imperecíveis, dois números, 30-35. São os números semanais que fazem as horas dadas ao treino das várias competências desportivas na sua escola, com vista ao sucesso desportivo e nem sequer admite o insucesso escolar. Como isto é feito, não explicou, mas pressinto. Será segredo? Não creio. Também, quase direi, para que me interessa, se no meu país esta questão nem se coloca e está bem longe de ser resolvida.
É na escola que tudo começa e muitas das vezes onde tudo acaba, disse eu. É verdade, ainda que as horas dedicadas ao treino e à competição, aos muitos quilómetros percorridos sejam de capital importância para o sucesso desportivo, vos digo, porque o próximo registo, quiçá para mim o mais importante, é que esta gente que se soube colocar no lugar mais alto do Olímpo, ainda consegue, após tantos anos, de um modo claro e activo, indicar que teremos de porfiar com os valores da elegância, da saúde física e emocional do homem, da leal competição, da preocupação pela saúde do planeta, num mundo, feito por homens que o atrelam a conflitos em catadupa, torpezas, mentiras e golpadas esquizofrénicas.

Só pode ser, de certeza, por pura paixão, não havendo por isso aqui lugar a nenhuma contradição.

No video: final de shell4 em Atenas 2004.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Lá vai poema....

POEMA da 'MENTE'

Há um primeiro-ministro que mente,
Mente de corpo e alma, completamente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele, mente sinceramente,
Mas que mente, sobretudo, impunemente...
Indecentemente.
E mente tão nacionalmente,
Que acha que mentindo história afora,
Nos vai enganar eternamente.


(recebido por e-mail)

domingo, 26 de outubro de 2008

Aldeia que entardece

De como um entardecer nos trás à memória uma das mais belas canções da música portuguesa.
Vale a pena ouvir:










fotos: alex campos

sábado, 25 de outubro de 2008

Dr. Melo Biscaia




Num pobre e tacanho país onde pides são condecorados e pensões são negadas à viúva de um Capitão chamado Salgueiro Maia, por politiqueiros eleitos democraticamente e supostamente democratas, reconforta qualquer democrata, qualquer anti-fascista, assistir à entrega da Medalha de Ouro da Cidade e do título de Cidadão Honorário da Figueira da Foz a homens como o Dr. Melo Biscaia.
aqui nos tínhamos congratulado com a decisão camarária. Ontem tivemos o grato prazer de assistir à cerimónia. E cumprimentar o “velho” democrata.
Raramente uma distinção destas é tão bem entregue. Personalidade sobejamente conhecida, reconhecida e respeitada, intransigente nos valores sociais, morais e cívicos que defende, resta-nos assinar por baixo as palavras do artista Fernando Campos:
“Luís de Melo Biscaia é um advogado e político cuja conduta corajosa (quando foi preciso), compostura moral e lisura cívica devia servir de exemplo a todas as gerações de políticos e advogados que se lhe seguiram. Um cidadão atento que ainda hoje, quase diariamente no seu blog, continua a fazer a pedagogia do bom senso e da tolerância, o que hoje pode parecer antiguado. É, no sentido literal, um aristocrata. Se o poder fosse exercido apenas por homens assim, até eu me tornaria miguelista”.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Crónicas em desalinho (V)

Figueira da Foz-Singapura: ida e volta
Texto e fotos: Augusto Alberto


Quase 24 mil quilómetros, 60 horas de Viagem e 4 dias para participar numa reunião internacional que discutiu questões relativas ao remo internacional mais jovem, realizada na cidade-estado de Singapura e voltar ao lugar do costume, esta cidade e esta pátria.
Desta viagem não resisto a fazer dois comentários sobre também duas questões que me parecem de todo pertinentes. Mas em primeiro, não quero deixar de registar a bela impressão física que me deixou a cidade-estado de Singapura. Um estado tornado independente da Malásia no rescaldo da segunda guerra mundial, hoje assumidamente capitalista, suportado por um notável porto de mar de águas profundas, num lugar, para o efeito, mais do que abençoado pela natureza e por uma rede de bancos privados que multiplicam dinheiro, mas onde a crise também já chegou, com gente a chegar ao desemprego e a reclamar que não foi para viverem assustados, assim de um momento para o outro, que acreditaram em tal estado social. Os meus caros dirão, é a crise. Não nos distraiamos, porque tem sido com o voto de 4 em 4 anos que se vai dando corpo a este modelo político e social que se está cagando para o comum das pessoas, porque durante muito tempo só teve tempo e modos para olhar para o seu umbigo. Cada um que assuma então as suas responsabilidades politicas, porque já vai sendo tempo.

Mas deixemos a cidade-estado para deixar as tais duas impressões de um modo muito claro e sério.
Na volta, viajamos durante toda a noite e do alto dos 10.000 metros deu para ver uma Índia muito povoada e identificada pelas centenas de lugares iluminados, que mais pareciam trabalho de filigrana. Também o mesmo, ao sobrevoar o Paquistão, sobretudo o seu lado mais oriental. Chegados ao Afeganistão, o mapa do avião situou-nos sobre uma imensa massa rochosa alta e branca, porque já coberta de neve. Foram quilómetros e horas percorridas sem ver um pequeno clarão, sequer. Ali só pedra e com certeza povoamento, vida humana organizada, mas longe dos padrões que nos são próximos. Os progressos da civilização ainda ali não chegaram, concluí. E por isso mesmo, perguntei-me porque razão o mundo levou para ali o centro de uma querela bem séria e que bem vistas as coisas, sem saber como sair a bem. Então pareceu-me estar o mundo suspenso de um conjunto de decisões completamente loucas e esta de querer levar a “democracia às pedras”, só pode ser parva e abstrusa. Mas será que será mesmo parva? Não creio! De parva e abstrusa nada terá, porque esta gente raramente se engana e rápido se agiorna. E desse modo, começa a ser corrente que está na hora de retirar, deixando caminho livre a qualquer soez ditadorzinho, desde que permita a pressão sobre a fronteira Russa, porque a Sibéria fica ali tão perto e colocar a mão nas suas imensas riquezas é questão central. Depois, adiante até à China. Desmembrada, o centro de gravidade do mundo continuaria por muito e bom tempo inamovível. Isso sim! Mas acontece que ninguém calculou que naquelas pedras alguém iria resistir ferozmente, impedindo novas cruzadas. Esta coisa de ganhar uma guerra por ali, está a custar mais uma vez caro, não só a quem decidiu, mas também ao mundo em geral, porque esta coisa de construir “democracias” à porrada, e estruturar estratégias cruzadas, e quando tudo falha, toca a fugir, coloca invariavelmente o mundo sujeito a muitos perigos. Direi, que o mundo está mal atrelado e as primeiras sequelas aí estão. Cuidemo-nos, pois então.
A segunda questão, esta magnífica, é a que tem a ver com uma coisa que por cá ainda ninguém pelos vistos, imagina, e como tal, nem pode ser levada a sério. Falo da primeira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, a realizar exactamente em Singapura, no mês de Setembro de 2010. A cidade-estado candidatou-se, ganhou e por isso já se prepara para realizar esta primeira edição que vai acolher mais de 5.000 pessoas. Para além de me querer parecer que o centro de muitas decisões começa a passar pelo Oriente e isso deve estar a provocar azia em muita gente, fiquei a saber que países como a Grã-Bretanha, Nova Zelândia, Austrália, Alemanha, Holanda, a própria Singapura, um pequeno estado com duas medalhas nos Jogos Olímpicos de Pequim, já se movimentam em atenção a estes Jogos. Já têm programas e estratégias, sobretudo a Grã-Bretanha, dado que os seus Jogos são após dois anos e muito provavelmente alguns dos seus magníficos atletas passarão primeiro por Singapura. Por cá, que sei eu, que sabemos nós? Nada, absolutamente nada. Será possível que de um modo inopinado a pátria bem amada venha a conseguir o apuramento de um punhado de jovens, provavelmente sem saber como, até porque a universalidade do acontecimento protege os países menos desenvolvidos e distraídos. Mais uma vez, será uma dádiva, para um país incapaz de aprender. Sem desporto escolar, que é um embuste, sem desporto universitário, que nem embuste é, porque não existe de um modo sustentado, só mesmo a providência nos poderá ajudar. Aliás, nesta matéria, quero aqui deixar uma nota sobre a brilhante lembrança que um senhor vereador da nossa cidade teve ao propor uma distinção de mérito desportivo a uma jovem universitária figueirense, creio, jogadora de futebol de 5, medalha de prata no último Campeonato da Europa Universitário realizado em Coimbra. Com todo o respeito para com a jovem atleta universitária, que de certeza deu o seu melhor, eu deixo um conselho ao senhor vereador proponente. Não se baralhe. Saberemos nós quantos dias, quantas horas treinou a jovem atleta ao longo da sua ainda breve carreira desportiva? Se soubermos, provavelmente ficará o senhor vereador então a perceber que a brincadeira não calha com alto rendimento e que então, por cá, muita outra gente que vai brincando também ao desporto, exigirá semelhante distinção.
Mas passemos à frente, porque destas confusões o senhor vereador não sairá, porque nunca perceberá quando é que a bota há-de bater com a perdigota.
Falava eu de nem sequer sabermos que Singapura vai então realizar os primeiros Jogos Olímpicos da Juventude, da nossa ignorância e da nossa apatia relativamente a este lado social da vida. Mas de qualquer modo, será importante esclarecer que nem me admira que a pátria venha a ganhar em Singapura umas quantas medalhas, porque a competição vai chamar à liça, exactamente os escalões onde de um modo geral os nossos jovens atingem maior notoriedade desportiva. Acreditem que será da precocidade atlética. Esse será o caminho, dirão, mas pura ilusão, porque os jovens de outros países esperam pela maioridade para se colocarem no verdadeiro caminho da consagração adulta. A precocidade em desporto não é nunca boa conselheira porque mata e impede a chegada à maturidade desportiva. É possível chegar aos 19/20 anos ao alto nível, mas depois prolongá-lo por mais 8/10, é tarefa difícil, porque requer tempo e muito trabalho e sobretudo, quando em sociedades como a nossa, pouco dadas ao compromisso social e também ao rigor, obrigam a decisões sociais e profissionais incompatíveis com a idade da maturidade, matando cerce a possibilidade de futura expressão. A desistência está sempre ali à mão e acaba por ser a porta de saída, naturalmente, também precoce. E nessa matéria a Universidade não ajuda, embora volta e meia se desafie a umas brincadeiras, como modo de expiação.
Então só nos restará estar atentos e ver como vai a pátria dar resposta a mais este desafio desportivo universal. Mas não nos chateemos se as coisas não correrem bem, por mais uma vez, porque pela ignorância somos nós também responsáveis, e nem vale a pena atirar bolas para o pinhal. Nesta medida, mau foi a pátria no futebol ter empatado com a Albânia, para gáudio dos albaneses que em frente à estação do Rossio estendem a mão à caridadezinha para matar a fome.
Só me resta perguntar, mais uma vez, que Pátria é esta que só na bola consome a alma?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

“Aldeia Olímpica” – Há um ano na blogosfera

Ao completar um ano de existência, este humilde blogue que é a “Aldeia Olímpica” saúda todos os seus visitantes, incluindo aqueles “clandestinos” militantes do neo-liberalismo, que numa atitude “corajosa”, a coberto do anonimato, nunca deixaram de cá aportar para deixarem as suas “respeitáveis” opiniões.
A todos os outros, quer concordemos quer não concordemos com as suas ideias ou concepções, aqui ficam um agradecimento e um grande abraço.
Fiquem com imagens da Aldeia Olímpica, a verdadeira, captadas pela objectiva do meu amigo e camarada Augusto Alberto.

































domingo, 19 de outubro de 2008

Uma fama que vem de longe (croniqueta de fim-de-semana)

“Tenho observado que os partidos socialistas de quase todos os países, mesmo onde possuem uma força considerável, como na Inglaterra, na Alemanha e na França, têm servido mais os interesses do capitalismo que os do proletariado. São, nos seus congressos e em ocasiões de eleições, isto é, quando se não vai além do domínio da propaganda, pela luta de classes, mas a sua acção no campo das realidades – e temos de convir que é este o aspecto mais significativo – é de reforço ao regime capitalista. Teoricamente, pela luta de classes; praticamente, pelo prolongamento do sistema que se lhe opõe”.

Alexandre Vieira, um dos mais destacados sindicalistas portugueses, falava assim numa entrevista ao “Diário de Lisboa”, em 1933. Por cá, já o Partido Socialista se tinha inevitavelmente extinguido, afogado na sua incompetência para conduzir qualquer processo social, fiel ao seu papel histórico, como diz Vieira, “o prolongamento do sistema que se lhe opõe”, especialistas, como se sabe, em abandonar o seu papel natural de força reivindicativa, e enveredar pelos caminhos fáceis e sinuosos do oportunismo.
E Alexandre Vieira, tipógrafo e jornalista entre outras profissões, embora tenha sido conotado com os anarquistas, estava equidistante dos anarco-sindicalistas e dos comunistas, e, muito mais longe, como será óbvio, dos socialistas-reformistas. Que nunca passaram daquilo que se sabe. O emblemático sindicalista assumiu-se sempre como adepto, e militante, do sindicalismo-revolucionário, diferente daqueles, mas penso que próximo dos comunistas. Com umas tantas nuances, é certo, que não cabem agora aqui.
Mas por cá, o Partido Socialista renasceu. Nas vésperas, cerca de um ano antes, da queda do regime fascista. Caso para se dizer estarmos perante um oportunismo de alto calibre, digamos que mantiveram a ”coerência”. Uma histórica reprise.
As declarações de Vieira, em 1933, há perto de 100 anos, seriam premonitórias não fosse o desempenho dos socialistas ser já conhecido através da História. Que como um partido de poder, do poder capitalista, controlam uma espécie de central sindical. A História repete-se. Deveria, por isso, servir de lição.
A minha solidariedade, portanto, para com os trabalhadores portugueses, que, estou convencido que inadvertidamente, militam em "sindicatos" controlados pelo partido “socialista” e votam neste partido, muitas vezes sem terem consciência de que estão a votar contra os seus próprios interesses. E, inacreditavelmente, a fazerem o jogo do seu próprio inimigo de classe.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Eu, treinador de bancada

Devido às más prestações (como agora se diz) da equipa das quinas, resolvi apresentar-vos um "onze" inicial, caso fosse eu o treinador .
E devo dizer, em abono da verdade, que ficaria solenemente "chateado" se vós dissesséis que não percebo nada do pontapé no coiro.
Primeiro, porque não é líquido que esta equipa fizesse pior do que aquela que tem jogado. Segundo, depois do clamoroso falhanço dos pobres albaneses, na primeira parte, não parei de pensar numa táctica que mudasse o estado das coisas. Assim, substituí o "4-4-2 em losango" por um atrevido "4-3-3 em trapézio". O que fará que os adversários até fiquem tontinhos quando cairem.
Tem mais. Também ficaria no mesmo estado que disse há pouco se vomeceses me acusassem de sectarismo. É que nesta equipa estão dois mocinhos da formação do FC Porto, um do Penafiel, outro que andou perdido no outro lado da rua, e mais um quinto que trabalhava no Brasil.
Eis a equipa:



Agora podeis reclamar é da relva não ser verdinha. Foi de propósito, aquilo é um pelado, que é para eles aprenderem a não perder com o Benfica e com o FC Porto.

Bem feito.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Lá tenho de me repetir..........


..........Pronto. Repito-me. Mas é a última vez.

"Volta Scolari, estás perdoado".

Crónicas em desalinho (IV)

Novas notas sobre os Jogos Paraolímpicos
por Augusto Alberto (texto e fotos)


Não quero deixar, depois da minha primeira incursão pelas impressões sobre a estrutura olímpica em geral, e em período de comemoração do primeiro aniversário do “aldeia olímpica”, de fazer um breve comentário social e técnico, que são as verdadeiras razões dos jogos.
Em primeiro, quero dizer que a saudade já mora, porque os dias vividos na aldeia deram-me imagens de atletas muito diferenciados, mas todos com a mesma vontade de viver em absoluto e pleno. O gosto pelos dias colectivos marcou cada um de um modo absoluto. Todos e também os campeões paraolímpicos, mantiveram a atenção social educada, própria de gente que faz da vida um acto de sensatez, paixão e elegância. Por ali os narizes não empinaram, nem o umbigo pessoal representou o centro do mundo, ou simplesmente, o ar foi de enjoo. A modéstia acima de tudo. E isto não é pouco. Da delegação portuguesa, direi que vivi com dirigentes com currículo
comprovado, de grande sensibilidade, capaz de discutir sem levantar a voz e procurando sempre solução para o problema. Recordo o grupo dos fundistas, uma boa parte deles em fim de carreira, com vastas medalhas, e por isso, um grupo de fina ironia e de bons malandros. Gente excepcional! Apaixonante o trabalho dos treinadores dos atletas da boccia. Atletas, alguns, em completa dependência do seu treinador. A paixão com que colocavam a colher, ou passavam o guardanapo na boca do seu atleta, só pode ser um sinal de gente completamente engajada e de fina sensibilidade social.

De certeza nem sequer o dinheiro contou, porque não dei nota de que à cabeça se discutisse o cheque. Ali estava um compromisso com gente com o mesmo direito, de fazer bem, ou simplesmente viver, mas infelizmente com necessidade de apoio. Gente desta, assim, só pode ser “Gente” de fina sensibilidade. A boccia representa uma parte do melhor do nosso presente e futuro. Aliás, quero aqui deixar também um pequeno registo da emoção sentida pela treinadora coordenadora da boccia, que orientando um dos atletas nacionais, num jogo em que o adversário era um atleta iraniano, é pá…, se comoveu de tal modo, que não nos deixou de identificar o momento em que o atleta iraniano, numa fase do jogo em que estava a “massacrar” o atleta Português, resolveu cometer 4 faltas seguidas, no sentido de ser penalizado e aliviar o pesado resultado, tornando-o mais nivelado.
Não resisto também à referência a um atleta venezuelano, amputado dos braços, medalhado na natação, que utilizando os seus dois antebraços para se locomover na piscina e espantoso, não estava dependente de ninguém. Sentado, como todos, na mesa do restaurante, utilizava os dedos de um dos seus pés, para com a colher ou o garfo, chegar a comida à sua boca, ou para marcar a tecla do computador, na zona da “net”. Gente assim, é fabulosa.
Ficando aqui estes espantosos registos, aproveito para dar um pouco da extraordinária dimensão atlética. Com o correr dos anos, foram ganhando importância social e desportiva e entretanto a China, com o magistral trabalho efectuado, acentuo-lhes o mediatismo e hoje os Jogos Paraolimpicos são um momento indiscutível de grande criação desportiva e imagem. Não vai ser possível ficar indiferente, no tempo, a este movimento que ao se colocar com tal nível de grandeza e qualidade, vai colocar problemas novos, de afirmação desportiva, imagem ou de integro apelo social, tanto aos países que deliberadamente apostam seriamente, pelas mais
diversas razões, como por exemplo, e não se pasme, o Brasil, o Irão, ou aqui a nossa vizinha Espanha, ou a países ainda sem esse lastro, como o caso de Portugal. Conseguir guias, por exemplo, para algumas modalidades na área da visão, cegos ou ambliopes, em disciplinas tão rápidas como os 100, 200 ou 400 metros, vai ser tarefa árdua. As marcas que hoje já são realizadas e que tendem a ser ainda mais perfomantes, vão exigir guias de craveira superior, porque não é possível o guia ser mais lento do que o verdadeiro sujeito da história, o atleta paraolímpico. Aliás, nesta matéria, nos Jogos de Pequim, o atleta cego, medalha de ouro nos 100 metros, seria actualmente medalhado no Campeonato Nacional absoluto de Portugal. Em breve isto vai colocar um desafio sério do ponto de vista desportivo. Como resolver?

Outra imagem que retenho, de grande fulgor desportivo, apelo social e mediático, são claramente as disciplinas colectivas, algumas de grande dinâmica, beleza atlética e solidariedade, de que Portugal continua arredado. Refiro-me por exemplo à enorme dinâmica colectiva do voleibol de solo, destinado a paraplégicos, ao basquetebol em cadeira de rodas, a algumas variedades do ciclismo, os barcos colectivos do remo, ou ainda o duro rugby em cadeira de rodas. A presença nestas disciplinas, requer a procura de gente com o mesmo perfil das modalidades olímpicas similares, ou seja gente grande e forte. Neste contexto, será bom sublinhar que esta é uma dimensão que requer grandes investimentos e meios e só os países com apostas declaradas em políticas socialmente fortes, serão capazes de responder. Citei atrás três países, dois deles não seria expectável tamanha vontade, mas a verdade é que devem ter percebido a importância deste movimento, não só por razões mediáticas, mas porque do ponto de vista social estas coisas tem um caminho provado, o da multiplicação, e sociedades relativamente bem organizadas, a este nível, sabem como isto é tão verdade. Acontece que Portugal esteve presente em modalidades individuais, que no futuro lhe trarão necessariamente maiores dificuldades quando se discute a medalha. Isto poderá revelar, tal como nos Jogos Olímpicos, em que não estivemos presentes com nenhuma modalidade colectiva, aliás, a única foi o remo, com um barco de dois, mas isso não chega para iludir a verdade das coisas, que muito está por fazer e por este andar a tarefa se tornará mais complicada. Desse modo, exigir medalhas, como se a coisa se resolvesse, deitando a mão dentro de um caixote, agarrando, levantando e já está, não será possível. Saberemos, porque nem conhecemos os nomes de quem representa o País de 4 em 4 anos? Nesse intervalo só sabemos do Benfica, do Porto, do Sporting, do Ronaldo, do Simão, etc., etc. e porque a dimensão da actividade desportiva, individual ou colectiva, é de tal modo limitada, por razões que cavam fundo na nossa penúria intelectual e consequente militante frustração, exigimos a gente que para além de não sabermos sequer o nome, se classificou com tal esforço, quase no limite, e sabe-se lá como, que só estar é já um notável feito. Um país assim descrito, só pode ter aflições e tristezas. Chamam a isto fado.
Deste ponto de vista, será a Boccia a única modalidade paraolímpica credível para se colocar em fila para as medalhas? Pela lógica social e desportiva do país, provavelmente. Os atletas da Boccia, muito dependentes funcionalmente, vivem muito do seu tempo em instituições e isso garante a oportunidade de poderem praticar com toda a regularidade a modalidade, para além do alto grau de qualificação, feito ao sabor do tempo, e de total entrega dos seus técnicos. Mas estes Jogos também já ajudaram a perceber que nem por aí nos poderemos distrair, porque outros também se posicionam como sérios concorrentes aos lugares da frente. O mesmo se não dirá de outra gente, que faz do trabalho o seu ganha-pão e que na hora das opções, tal como qualquer outro cidadão, escuta antes de mais o apelo do estômago. Cá estaremos durante os próximos 4 anos, para sabermos como será, e se o facto de a alteração estatutária de Federação Portuguesa do Desporto para Deficientes, para Comité Paraolímpico de Portugal, fará diferença. De qualquer modo é importante cuidar de saber, acima de tudo, que estar presente no seio de tamanha família, já de si é de inquestionável valor, retirando desse modo, o peso da exigência da medalha, mas que se contudo ela resultar e se bem publicitada, poderá ter o tal efeito multiplicador e esse é de facto a grande simbiose entre o só estar e o conseguir a excepção. Desenganemo-nos, pois. Pelo caminho que as coisas levam, vai ser preciso fazer muito mais e rápido. Se assim não for, lá vamos cantando, como sempre, o velho fado em dó menor.
Que se fuja ao fado, é uma exigência.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Nobel da Paz?

Quando aqui nos juntamos à candidatura de Pete Seeger ao Prémio Nobel da Paz dissemos que à volta destes prémios varejavam muitos interesses, lobbies e outras coisas mais.
Nem de propósito. A História deu-nos razão. Há uma resolução, a 1244, do Conselho de Segurança da ONU que garantia à Sérvia a sua integridade territorial.
Acontece que o prémio Nobel da Paz já foi atribuído. A alguém cuja última acção política foi a separação do Kosovo da Sérvia. Como escreve o jornal cubano “Juventud Rebelde” foi o “roubo de um pequeno estado europeu de parte do seu território”. Uma acção que valeu um prémio. Da paz.
Dá mesmo é para ouvir Pete Seeger. É importante sabermos de que lado estamos.


sábado, 11 de outubro de 2008

Porque é importante não esquecer...

Qualquer coisa trouxe à memória o que esta canção recorda. Apesar de nunca estar esquecido.