quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Oui, c'est possible

Il est encore possible épater les bourgeois. Surtout quand ils ont le coeur bien au chaud, comme d'habitude, de toute façon.
Toute l'information ici.
(A propósito de um "cadeau" que os "europeus" receberam da sua própria presidência)


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Lusofonia total

O senhor da foto foi jornalista, professor e escritor. Filho de um português e de uma cabo-verdeana nasceu em Moçambique. Cresceu em Angola e é um clássico da literatura de expressão portuguesa daquele país. Também viveu no Brasil, onde, aliás acabou por falecer.
Se clicar aqui ficará a saber quem é. Como também ficará a saber que um dos maiores escritores brasileiros de sempre nunca foi publicado em Portugal.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Zé Diogo, e Zé Maria que são meus amigos (crónica em desalinho)

Augusto Alberto

O Zé Diogo foi meu companheiro de turma e também de carteira, na escola secundária onde ambos estudámos. Era um rapaz de longas e ágeis pernas. Um pernalta! Decidiu-se pela experiência do atletismo e durante vários anos foi campeão nacional de corta – mato escolar no âmbito da Mocidade Portuguesa. Aquela coisa fascista de que aproveitávamos os meios, diga-se com toda a verdade, e que hoje continuam bem longe de existir, ainda que custe a algumas democráticas almas tal revelação, porque esta democracia faz da omissão, a sua regra, nesta como em outras matérias. Depois decidiu-se pelo Sporting e por aí foi correndo até ao mais alto grau da disciplina. Foi muitas vezes campeão e atleta internacional, numa época em que o desporto de rendimento era mais do que incipiente. Dotado de soberba resistência e apurada velocidade, tinha tudo para ser um eleito. Perdi-lhe o rasto, mas um dia consegui chegar-lhe de novo. Estávamos ambos em Moçambique. Eu em Nampula e ele em Cabo Delgado. Apressei-me a enviar-lhe uma carta e reatamos os contactos. Contou-me então que estava gordo, tinha entrado pela cerveja e estava magoado, porque no auge da sua carreira atlética, tinha sido atirado para a guerra e agora já não se julgava capaz de retomar o nível que fizeram dele um dos eleitos para suceder a esse notável Manuel de Oliveira, que nos Jogos Olímpicos de 1964 em Tóquio, só cedeu a medalha na parte final dos 3.000 metros obstáculos. O Zé Diogo estava na calha, mas a pátria, esta pátria enviou-o para a penumbra. O bicho da corrida mordia-lhe. Disse-me que um dia tinha lá na terra onde estava destacado, organizado uma corrida pelas picadas da povoação. Para ganhar aos naturais, habituados ao pé descalço e à picada, sabia que com jogo igual perderia, convence-os então a beber umas aguardentes antes do tiro de partida, porque seriam mais rápidos. A aguardente produziu o efeito que o meu amigo Zé Diogo desejava. A maior parte dos seus competidores de ocasião desistiu, como seria de esperar e o Zé com esta artimanha acabou por ganhar a corrida. Disse-me que se riu muito e safou a imagem, porque por ali era uma espécie de mito. Uma brincadeira! Mais tarde foi eleito para o triangular anual, Moçambique, África do Sul, Rodésia, para os l0.000 metros. A meio acabou exausto deitado sobre a relva junto à corda. Sentia que já não era capaz, disse-me. Voltou da guerra e ainda tentou de novo no Sporting, mas o seu tempo tinha, de modo forçado, acabado. Mais tarde, encontrei-o por acaso, numa das minhas sortidas na maratona de Lisboa. Logo nas primeiras. Não o reconheci, estava muito diferente do Zé de passada ampla e elegante e velocidade base admirável, como se requer a um fundista de topo. Eu estava mais parecido com o ar da nossa escola. Chamou-me e reapresentou-se – me. Senti uma enorme alegria. Voltamos no ano seguinte a encontrarmos – nos no mesmo lugar, em semelhante ocasião. Seguia a sua modalidade por perto e deu-me os parabéns por continuar apesar da idade madura. Mas ele, ele estava inevitavelmente triste. A pátria para ele tinha sido uma merda, confessou-me.
O Zé Diogo é para mim uma longa e persistente saudade, porque eu acredito que aquele meu amigo de carteira, numa outra pátria teria como poucos, como é normal, atingido alto grau de rendimento atlético. Teria estado com certeza nuns Jogos Olímpicos e eu estaria todo contente e provavelmente recorda-lo-ía nesta “aldeia” de outro modo. Mas a pátria, sempre a pátria…

O meu amigo Zé Maria, meu vizinho e companheiro de primária, o melhor de todos, filho de família pobre, conseguiu a custo duro nos anos 60 formar-se em engenharia. Um verdadeiro e preciso feito para aquela época. A sua mãe buscava diária e incessantemente a lata da lavagem para criar os porcos, com que sustentava os filhos e formava aquele filho dilecto. O Pai passava meses sem ver a família, porque trabalhava nas obras que construíram à época os maiores molhes e as maiores barras do País, a da Figueira por exemplo, porque aquele filho era uma “barra” e merecia o esforço. O Zé Maria apesar de pobre, era também elegante, e isso foi-lhe um benefício na hora de escolher o seu par. Viu-o pela última vez da varanda da casa onde eu vivia. Eu estava quase a ir para a tropa e o Zé Maria disse-me que ia para Angola. E foi! Um dia a guerra matou-o e eu fiquei muito triste e zangado e nunca mais perdoei a esta pátria, que ainda não encontrou modos de sublinhar os seus melhores. Fico cansado quando recordo o Zé Diogo e o Zé Maria, mas escrevo porque quero que se saiba que estas elites só nos desrespeitam e continuam a ser a mesma merda de sempre.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Intox




A comunicação social, como é sabido, está nas mãos de quem tem o poder económico. Assim, toda a informação, seja nacional seja internacional, é crivada, para aquele melhor controlar a opinião pública.
Disfarçadamente, como convém. Só que com o estado a que isto chegou, imposto por uma mistura explosiva de incompetência e ganância, vão perdendo o norte, são escândalos atrás de escândalos, até parece que a corrupção está institucionalizada. Só lhes começa a restar inventar casos a despropósito, sem a preocupação de apurarem o que é verdade ou mentira. Preocupação que também, diga-se, nunca a tiveram. Vale tudo, pelos vistos.
Um caso recente com o jornal de Belmiro de Azevedo, o conhecido “Sonae News” é paradigmático. Um dos seus funcionários, muito provavelmente terá juntado o útil ao agradável estando sem assunto e crer agradar ao patrão, teve a “imaginação” de afirmar que o PCP numa das suas muitas campanhas e acções políticas terá usado um slogan de Barack Obama. A frase em questão é utilizada pelo PCP desde, pelo menos 2002. Ora nesse ano nem qualquer funcionário de Belmiro de Azevedo terá ouvido sequer falar em Barack Obama nem este afro-americano sonhava certamente vir a ter possibilidades de ser candidato à Casa Branca.
Portanto, se alguém copiou terá sido o presidente Obama. E, se copiou o slogan, fez muito bem evidenciando o seu bom gosto. E, já agora, não seria má ideia copiar outras coisas. Sobretudo ideias. Ganhava ele, ganhávamos nós e… ganhava o mundo. Ou não?
Yes, we'd win.
Veja mais aqui.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Histórias de mineiros (X)

Santa Bárbara – Padroeira dos mineiros
Augusto Alberto



Pingos grossos, varridos pelo vento agreste do mar, batiam no chão com vigor, constituindo um autêntico mar de água. Na falésia baixa, ali junto à boca da mina, o mar agitado e impelido pelo vento atirava-se contra a rocha com força, trazendo um som enorme que parecia que iria engolir a terra, ou simplesmente fendê-la, mostrando-lhe o ventre.
Tocado pelo vento, encolhido, com um samarrão coçado por cima da cabeça e dos ombros, um homem com as calças deixando ver as magras canelas, já que os pés grossos e fendidos vinham desguarnecidos e chapinhavam a água, em corrida ziguezagueante, apontava à mina.
Ofegante, parou por um tempo ligeiro na boca da mina para tomar ar, esperguir a água da chuva e enrolar o samarrão no braço. Abrigado do temporal e agora mais calmo, dirigiu-se ao nicho cavado na parede onde repousava a Santa Padroeira dos mineiros. Olhou um momento para a imagem, com a mão persignou-se e murmurou por entre os lábios uma oração. Pedia à santa sua Padroeira que a sorte o acompanhasse até ao fundo da mina, que corria por baixo do mar agora tão revoltado.
Esperou com os outros companheiros a descida.
Santa Bárbara, Padroeira dos mineiros desde tempos longínquos, repousava já dentro da mina em imagem pequena e de cândida beleza. Os mineiros devotavam-lhe uma fé e um enorme respeito. Essa fé acompanhava-os para os poços.
Uma imagem maior repousava na igreja de Buarcos, à falta de uma igreja próxima da mina.

Estava um 4 de Dezembro de uma beleza incomum para um dia de mês de Natal.
O céu limpo e de um sol com intensa luz, que não chegava para encalorar a tarde fria, constituía tempo ideal para a Festa da Padroeira dos mineiros.
Homens de figuras secas, espremidas pelo trabalho difícil, espalhavam-se pelo recinto vasto da festa, enquanto os miúdos saltavam e corriam doidos de alegria incontida.
Toda a família mineira vestia a sua melhor roupa. As mulheres enroladas no seu xaile, raramente usado e guardado por longos meses dentro da arca no meio de bolas de naftalina. Blusa nova que para aquela ocasião sempre se mandava fazer. No pé, chinela ou sandália nova e brilhante. Os miúdos, de camisolas e calças, já usadas, na maior parte de pés descalços, libertos para topadas que esfolavam ou punham em sangue os dedos dos pés.
Os homens orgulhosos: - era a sua festa!
A banda devidamente afinada e com os músicos em traje de gala marchava direita ao recinto. As pessoas prestavam atenção à banda e ficavam embaladas pela melodia da marcha. Os filhos corriam atrás da banda, em ar de marcha, com um riso gaiato. Era a felicidade em tempo de ingenuidade.
Ali ao lado, no amplo refeitório da Companhia ultimava-se a merenda para toda a gente, merenda que por tradição metia castanhas e água-pé. As mesas compridas dispostas topo a topo, cobertas com toalha lavada e recheadas de boas iguarias constituíam sempre momento apetecido para quem durante o ano enganou constantemente o estômago.
À hora prevista desenrolou-se a procissão, momento alto de esplendor religioso. Procissão grandiosa porque nela os mineiros depositavam o seu melhor.
Era um desfilar sucessivo de crianças devidamente vestidas à semelhança do santo preferido da família. Outros, os mais velhos, frequentadores da catequese, formando duas filas, seguravam grossas velas de cera. Mas o momento mais importante era o da passagem da Santa Padroeira.
Quatro mineiros calejados, transportavam o altar em movimento cadenciado e lento. Santa Bárbara, de belo vestido azul e de faces pálidas, congregava em si a fé e a esperança da multidão que à sua passagem se ajoelhava e benzia em respeitosa atitude.
A procissão percorreu vagarosamente a distância entre o seu ponto de início e a boca da mina. Aí, iniciou a descida ao primeiro poço. Viajou pelas galerias. Lento e seguro, o cortejo entranhou-se na humidade das paredes, por onde a água corria em abundância até ao chão, formando enormes charcos. O frio somava-se à humidade criando dificuldades às pessoas. O manto da Santa Padroeira tornou-se húmido, as faces das imagens tornaram-se frias e com maior brilho.
A marcha continuou em ida e volta pelo caminho diariamente tortuoso para os mineiros.
Estava cumprida com carinho e respeito a tarefa anual, suprema mesmo, dos mineiros.
Santa Bárbara regressava à Igreja que durante um ano a recolhia em repouso.
Terminada a procissão, a festa, lugar onde as mágoas e a dor de um ano eram esquecidas, retomava a sua marcha.
As castanhas e a água-pé ou o vinho novo, as iguarias e. a encerrar, o baile, constituíam momentos finais.
Amanhã era o regresso ao trabalho extenuante que quase constituía castigo imenso para os homens.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

... planuras imensas


foto: alex campos




Amo


Eu amo planuras imensas
E gestos de linguagem muda!
Amo silêncios intensos
Onde o ser, às vezes, se transmuda.
Amo-te, porque te amo,
Em definições extensas de dar
E sinto-te quando te chamo
Dentro de mim ao despertar!
*
Eu quero colinas e montes
Plenos de canduras viçosas!
Amo regatos e fontes,
Doces meios-dias,
Manhãs brumosas.
Quero intensos Verões
E frémitos escaldantes,
Doçuras de serões
Em noites aconchegantes.
Quero a tua voz poderosa
Sobre a minha rebeldia!
Amo a tensão amorosa
De um puro dia-a-dia!




Ana Tapadas




quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

8 de Janeiro, dia de manif


"Estamos precisamente a assegurarmo-nos de que outro palestiniano não quer lançar rockets sobre nós"

Cartoon do norte-americano Signe Wilkinson, vencedor do Prémio Pulitzer
retirado daqui

De Cuba com uma flor (Crónica em desalinho)

Augusto Alberto (texto e fotos)


A TV de um modo geral é fraquinha, mas de volta e meia lá se arranca alguma coisa de jeito. Um pouquinho, não se ganhem bons hábitos. E foi exactamente o que sucedeu com uma pequena peça que tratou de pessoas que no Brasil catam latas de cerveja, sumos e claro está, coca -cola, para depois de pisadas serem vendidas para a reciclagem. Ora aqui temos uma tarefa que baixa a taxa de desemprego, com certeza. Lá vinha um menino com 8/10 anos da praia de Copacabana, pé pelo chão, calção escuro e tronco ao vento, com o seu saco carregado com as latas. Com a crise, o quilo das latas baixara de 3 reais, para metade, 1,5 reais, disse o entrevistado. Que corte brutal! Conformado! Oh crise, que tão mal tratas o povo. Como é possível num País com imensas riquezas, petróleo inclusive, haver assim tanta gente deserdada? Lembro - me que em Portugal uma das profissões mais abjectas no tempo do fascismo, era o trabalho de andar à mala nas estações da C.P. Concluído o frete, a mão era estendida, quase que por caridade. Uma humilhação. Mas à lata… Em 1974 um velho militante comunista brasileiro confidenciou-me que o pior para o Povo, era o Brasil ganhar o campeonato do mundo de futebol. O Povo desligava em absoluto. Mas hoje, peço desculpa a esse meu velho camarada, para dizer, e vamos aqui esquecer o futebol, fado e Fátima, pese essa clara verdade, que aquela selecção Brasileira que em 1970 no México ganhou o campeonato do mundo, era uma pérola. Lembro-me de Pelé, admirável, Tostão, astuto, dois extremos iniguais, Rivelino à esquerda e Jairzinho à direita. Pelo meio, uma formiga, Clodoaldo, e não me lembro de mais. Essa equipa foi a melhor de todas quantas já vi e vingou o fracasso de 4 anos antes em Londres, de boa memória para o futebol português, que glorificou Eusébio e confirmou um fabuloso Vicente, que secou completamente Pelé, enquanto pode jogar, até ao momento em que Morais lhe deu em cheio e o atirou a mancar para a linha, quase sem se poder mexer. Mas antes, quero aqui recordar Matateu, irmão de Vicente, que foi do meu ponto de vista, o melhor jogador português de sempre, só que veio antes do tempo. Um negro magistral. Tivesse chegado agora...
O Brasil assim continua, mas não resisto a contar um diálogo apanhado na minha última viagem a Lisboa, no penúltimo dia do ano de 2008. Tive por companhia nos dois lugares ao lado, um senhor já pela meia-idade e uma jovem na casa dos 20. Falaram calmamente de viagens. Ele mai
s viajado, mas ambos com passagem por Havana e Varadero. Disse ele, que também tinha passado pelo Rio de Janeiro e ali por vezes teve medo, mas em Cuba, esteve sempre à vontade. Ela, que tinha chegado a Varadero poucos dias após um tufão, mas marcas, nem uma. Mas a grande confissão desta jovem, era a de não perceber como é que os cubanos com aquela sua moeda, adquiriam os produtos do dia a dia, e aonde, mas, contudo, estava espantada porque não viu meninos rotos, sujos, descalços, andrajosos e barriga redonda. Todos limpinhos nos seus trajes escolares. Ora aqui está. Comparemos então. Os cubanos apesar de pobres, por causa de um petróleo rasca, mas dignos, não andam à cata da lata e essa jovem com certeza não percebe como é que meninos em Cuba andam limpinhos e escorreitos e a segurança ser uma regra. Nem ela, nem muita outra boa gente. Então eu aconselho aos que não entendem esta coisas, que deverão, em primeiro, começar por expurgar as notícias, porque anda por aí gente má e má noticia. Quem sabe se não virão um dia, então, a perceber?
Estamos em data de comemorar os 50 anos do fim da Ilha dos Casinos. Resistência, que nem a política da Canhoneira dobrou. E a melhor homenagem a estes 50 anos, deu-a esta minha jovem companheira de viagem, sem saber. Um espanto!
Desejo terminar, registando uma pequena nota deixada por um antropólogo que há uma dúzia de anos atrás, estabeleceu o primeiro contacto com uma tribo, até então desconhecida, exactamente na Amazónia. Estava feliz com certeza, mas preocupado, e disse-o: - “no dia em que esta gente tiver o primeiro contacto com a Coca-Cola, caminhará para a perdição”. E eu digo o mesmo e já agora, também vos digo que gosto de futebol, mas ele acaba para mim logo no fim do jogo, porque o futebol não tem importância nenhuma.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Eminências pardas

Eminência parda é um termo utilizado na política. Será mesmo já um termo político. Há na História muitos exemplos. Diz-se de eminência parda quando há um sujeito que não sendo o governante supremo, o rei por exemplo, é, contudo, a figura mais poderosa, a que domina os cenários nos bastidores, que influencia o “cabeça de cartaz”, exercendo seja poder militar, económico, religioso ou político.
Pode-se mesmo dizer que não há regime que não tenha a sua eminência parda. O socratismo, por exemplo, não é menos que outros e também a tem.
Para saber quem é basta clicar aqui.
E para ficar a saber que o famigerado “pardo” também já se meteu em concursos é precisamente aqui.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

José Saramago: Gaza e os vestígios de um deus rancoroso e feroz

Desde o dia 9 de Dezembro os caminhões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelense lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas?

A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelense, decidido, pelos vistos, a condenar à fome as 750 mil pessoas ali registadas como refugiados. Nem pão têm já, a farinha acabou, e o azeite, as lentilhas e o açúcar vão pelo mesmo caminho.

Desde o dia 9 de dezembro os caminhões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelense lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas? Contando com a cumplicidade ou a covardia internacional, Israel ri-se de recomendações, decisões e protestos, faz o que entende, quando o entende e como o entende.

Vai ao ponto de impedir a entrada de livros e instrumentos musicais como se se tratasse de produtos que iriam pôr em risco a segurança de Israel. Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelense, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente atualizado.

Ataque nazi na Palestina: um grave problema para a Humanidade



Dia 8 de Janeiro, pelas 18h00, uma concentração convocada por várias organizações frente à embaixada de Israel.
A humanidade condena e tem de se levantar contra mais este acto terrorista perpetrado pelos nazis sionistas, que impunes contam com o apoio dos EUA e da União Europeia.
Estes últimos não conseguiram esconder as suas intenções, porquanto foram denunciados, ainda que inadvertidamente pelo checo, um tanto imberbe nestas questões, quando disse que o acto terrorista era uma estratégia defensiva.
A solidariedade com o povo palestiniano e a condenação de actos bárbaros dignos dos nazis é uma imposição à nossa condição de humanos e seres livres.
"O Herout, partido de Begin, é um reflexo dos aspectos mais destrutivos para a nossa época e para o Estado de Israel, recentemente criado.
É um partido que se assemelha muito aos partidos nazis e fascistas pela organização, filosofia e pela atracção que exerce sobre as massas".
Albert Einstein, Dezembro de 1948, em entrevista ao jornal "Newsweek Times"

domingo, 4 de janeiro de 2009

Histórias de mineiros (IX)

Propaganda de Delgado no ventre da mina

Augusto Alberto


O regime fascista estava a passar por uma grave provação. O movimento de opinião e de massas em volta da candidatura do General Humberto Delgado estava a pôr em causa o futuro desse regime podre e sanguinário.
Por todo o lado a candidatura do General se fazia sem medo, em confronto directo com as normas do sistema.
No fundo dos poços, à boca da mina, os homens discutiam, davam e recebiam novidades. A candidatura do General também ali tinha chegado e para os mineiros constituía uma esperança numa mudança de vida.
A propaganda chegava ao fundo da mina trazida voluntariamente por homens anónimos, alguns deles animadores da vida sindical local.
Estes últimos tinham motivos sobejamente fortes para quererem a mudança, daí a sua voluntária participação no amplo processo de massas em curso.
O seu sindicato, criado recentemente, constituía um longo processo de lutas e de insistências. Foi uma árdua luta contra a castração a que o regime votava tudo o que fosse pólo da organização partidária. Daí a sua redobrada consciência.
A formação de um sindicato honesto, e limpo de homens ligados ao fascismo, não era fácil. Sindicatos só aqueles que o fascismo muito bem queria e com quem muito bem queria. E a verdade é que a malha era tão apertada que muito difícil era passar por ela.

Edifício entre a Rua da República e a Rua Manuel Fernandes Tomás, onde, numa sala do 1º andar funcionou a sede de candidatura do General Delgado.


Diz-me um dos homens que foi dirigente que as peripécias foram muitas:
- “Era preciso enviar ao Instituto Nacional de Trabalho a lista com os nomes e outros dados dos dirigentes sindicais eleitos previamente em assembleia geral. Recebidos os dados, o Instituto recolhia informações suplementares junto das Juntas, da polícia local e da anterior residência dos mineiros. E a seguir ditava a sua lei como se compreenderá.
Nós vimos rejeitadas direcções sucessivas sem qualquer explicação. Era-nos enviada a lista com os nomes traçados a vermelho e com uma frase curta e seca: rejeitados os nomes propostos. Ficávamos sem saber os motivos que levavam à recusa e nem sequer tentávamos saber porquê. Mas tantas vezes insistimos com novos nomes, ou com a simples repetição de alguns, que um dia conseguimos a legalização.
Não era fácil exercer a actividade sindical nesse tempo, mas fazíamos o que podíamos. E mesmo pouco que fizéssemos, era já muito…”.
E assim, com uma consciência bem forte, homens anónimos carregavam os folhetos, listas, etc., desde a Comissão de Apoio à candidatura, a funcionar num edifício da Rua da República, até ao ventre da mina.
Também por estes lados o fascismo, à boca das urnas eleitorais, foi derrotado, mas também por estes lados recorreu à trafulhice para conseguir sobreviver e, mais do que isso, pôr fim durante um longo período às liberdades e ao voto secreto e universal.
Depois disso, com a vitória desleal forjada na pessoa do espantalho Tomás, o regime fascista ultrapassou tudo quanto antes tinha mostrado em repressão. A vida do pequeno Sindicato dos Mineiros do Distrito de Coimbra tornou-se mais difícil, mas resistiu como pôde.
Regularmente, as visitas da PIDE, a constante busca de dados sobre os seus dirigentes, não fez esmorecer os mineiros. Ao que parece, a sua pequena sede ainda se mantém no mesmo local, com toda a documentação, mas agora apenas como recordação histórica.

assassinos, nazis, filhos da ...

Claro que tenho andado preocupado e revoltado com o que a besta nazi israelita tem feito na Palestina.
Mas só para que a minha opinião não seja interpretada como sendo igualzinha à do palhaço Barack Obama, aqui vos deixo um link e um cartoon, de Fernando Campos, lá publicado.


sábado, 3 de janeiro de 2009

A fuga de Peniche

A 3 de Janeiro de 1960 ocorreu a célebre Fuga de Peniche.Pela sua superior organização; pelo facto de o Forte de Peniche ser a prisão de mais alta segurança do fascismo; por ter restituído à liberdade e à luta um valioso conjunto de quadros dirigentes do PCP, esta fuga espectacular constituiu um dos mais relevantes acontecimentos ocorridos durante a longa ditadura fascista.

Eis os nomes dos «10 de Peniche», como ficaram conhecidos:Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Joaquim Gomes, Jaime Serra, Francisco Miguel, Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério de Carvalho, José Carlos e Francisco Martins Rodrigues, (que posteriormente abandonaria o PCP).

A Fuga só foi possível graças a um planeamento extremamente rigoroso e a uma coordenação perfeita entre as organizações do PCP no interior e no exterior do Forte. No interior, organizaram e dirigiram a Fuga, Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes e Jaime Serra.No exterior, intervieram Pires Jorge, Dias Lourenço, Octávio Pato e o actor e militante comunista Rogério Paulo.

As consequências da Fuga de Peniche - quer no reforço interventivo, ideológico e político do PCP, quer na subsequente intensificação da luta antifascista - foram imediatas. Delas falarei aqui, no próximo post.

Crónicas em desalinho (IX)

Memorias do tempo da guerra e agora da paz
Augusto Alberto


Em 1971, depois de libertado da prisão militar da Trafaria, porquê? Porque dei milho aos pombos do jardim da minha terra e isso era proibido, tão simples, eh.eh, eh, fui colocado em engenharia no perímetro militar de Santa Margarida em trânsito para África. Fiz bastas mudanças de comboio na estação do Entroncamento. Não sei como, aparecia por lá com muita regularidade um alfarrabista. Simples vendedor de livros usados? Nunca o saberei. Mas a questão é que por ali comecei a enriquecer uma biblioteca que já tomou corpo e sobretudo a possibilidade de possuir livros, alguns difíceis para a época. Lembro-me de uma edição Brasileira, do A.B.C. de Castro Alves de Jorge Amado, raro, e para o caso desta escrita, uma colecção apelativa, das edições D. Quixote. Precisamente com essa colecção dei de caras pela primeira vez com a abordagem teórica e histórica da luta palestiniana. Já lá vão 38 anos e as mortes e destruição continuam. É já muito tempo.
Há três anos, num dos meus Campeonatos do Mundo, um jovem alto e espadaúdo, como convêm a um remador de nível, resolveu cumprimentar-me diariamente. Naturalmente não estava a perceber, logo a mim, com tamanho e belo sorriso, porquê? Haveria do ponto de vista do jovem razões, perguntei-me. Até que acabei por perceber. Estava grato aos muitos que nesta pátria sentem simpatia pela Palestina e não quis deixar de o registar. Por mim não se enganou. O jovem estava ali em representação da sua pátria, a Palestina, mas do ponto de vista desportivo, fiquei de boca aberta. Simplesmente não supunha a Palestina com um atleta num Campeonato do Mundo de uma modalidade como esta, que requer meios estruturais e naturais impossíveis de recriar em qualquer lugar, porque é preciso água, muita água, capaz de possibilitar um remo de 20/30 km numa tarde ou manhã, sem o mínimo de dificuldades e muita paz. Quis saber como. Disse-me que estudava em França para voltar mais tarde à sua Palestina e naquele momento, e muito bem, trazia a bandeira da sua pátria. Isto foi há três anos e de lá para cá, as mortes e destruição continuam a ser conta corrente.
Os países ocidentais nos escombros da segunda guerra mundial quiseram resolver um problema, disseram, mas como quase sempre, acabaram a criar mais problemas e monstruosidades. A Palestina é hoje uma chaga séria e aparentemente sem solução. Uma Pátria separada em dois, por um espaço ocupado por estranhos que lhes surripiaram os melhores terrenos. Murada, com betão bem levantado e cercado por valas bem largas. Sufocada, prisioneira em regime aberto. Miserável e aparentemente sem ver o futuro. Uma chaga! Aquilo não é um equívoco, é um momento histórico bem assumido por quem pode colocar a razão em seu lugar. Mas assim está bem, porque convêm.


Hoje, 2 de Janeiro 2009, vejo uma fotografia notável na imprensa. Um apartamento de habitação sem parede fronteira. Um horror e eu interrogo-me, como ficaria eu se a parede da minha casa desaparecesse e ficasse a ver sem barreiras o meu quintal e a cerca das galinhas? Provavelmente, apesar de tudo lá estar em seu sítio, não veria nada. E vocês?
Entretanto muita gente espera que o fantástico Barak Obama diga alguma coisa sobre a matéria. Até agora só silencio. De momento está em trasfega de meios, ao que diz a imprensa. Está a mudar-se para um hotel de onde verá deliciado e confortável, a queda da branca neve, se for caso disso, mas sobretudo, as luzes suaves e imperiais da casa branca e dará inicio então a um caso de amor.
Na Palestina, famílias em casas esventradas, apesar de ouvidos e olhos abertos, já nem os destroços vêem. Vêem isso sim, de momento, o nada. Mas isto vai ter um fim. Só poderá, quando os países ricos se libertarem em definitivo, ou quase, do maldito petróleo. Então estas monarquias árabes, corruptas, imorais e incapazes de respostas certas e a horas, ruirão como castelos feitos de areia molhada da praia e o grande porta-aviões montado na Palestina, para açoitar, deixará então de deixar de ter a importância de hoje. Tudo mudará por fim, com certeza. Haverá solução, mas vai durar muito. Quantas mais mortes?
Mas de momento, o silêncio do grande Obama não é bom prenúncio. Ai isso não. Preparemo-nos porque o amanhã será mais do mesmo, até um dia.