quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Não querem que mudemos, porque assim está bem

por Augusto Alberto


Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles o País ficou suspenso da final dos 10.000 metros e quase ciente da vitória de Fernando Mamede. Foi apaixonante e o meu saudoso amigo Armando Vareta, desafiou-me para uma noite de esperança. É preciso lembrar que o tiro para a final seria dado cerca das 05.00 da manhã. Recusei, porque tinha a certeza de que Mamede como quase sempre, sairia pela porta do túnel de acesso à pista. Dormi docemente nessa noite e pela manhã confirmei essa minha suspeita. O meu amigo Vareta ficou como toda a nação, desolado. E eu também, porque mais uma vez, Mamede ficou-se pela entidade biológica de alto rendimento e negou-se renovadamente à alta competição.Imagino como sofria nesses momentos que se exigiam de superação.
Também aqui o meu amigo Alexandre, titular desta “aldeia olímpica”, deu nota e bem, da sua desolação quando encarou numa manhã de 5ª Feira a primeira página do jornal diário “O record”. Nesta aldeia deu-se discussão, e não querendo dar de barato a triologia, fado, futebol e Fátima, quero aqui também entrar.
As coisas são só o resultado daquilo que somos como povo há muitos anos, pobre, e por isso, digo, ávido em permanência de alguma coisa que o ajude a compensar tanto sofrimento, uma simples alegria, nem que seja efémera. E aqui começa logo a porca a torcer o rabo, porque não temos a cultura de depois de conseguir um êxito, voltar a colocar tudo no ponto de partida e partir para novo ciclo. De um modo geral, queremos andar ou chegar à frente sem grande trabalho e isso não existe. A alegria desportiva não se compra, fabrica-se. Salvo honrosas excepções, isso não é matéria em que sejamos especialistas. Tudo é mais ou menos casuístico.
Entretanto, alguma discussão resvalou para a lógica do lucro, tão legítima como qualquer outra, neste mundo canalha, digo, mas, apesar, quero aqui provar que existe mais vida para lá do futebol, deixando pequenos exemplos de experiências para lá dos Pirinéus, mesmo que elas tenham lugar em mundos onde o futebol e o lucro também se confundem, mas onde os outros têm o seu espaço e às vezes bem abundante, e isso depois, muito naturalmente, tem expressão nos resultados que cada uma dessas nações obtém nos grandes eventos internacionais.
Começo por referir que na Flandres, o vencedor do Paris/Roubaix em ciclismo, é o herói da festa e amplamente publicitado tanto na imprensa escrita como falada. Na fria Finlândia, onde os desportos da neve levam vantagem, lançar o dardo é disciplina de heróis e a bela Tânia Lilak, multipla campeã do Mundo e olímpica, atingiu na Pátria falada e escrita, o Olímpo. O Ténis de Mesa arrasta multidões na China. Em Itália, onde o cálcio gera paixões, muitas das vezes irracionais, Milão vê correr pelas suas ruas e avenidas, acima das 50.000 pessoas, na sua Meia Maratona anual, a Stramilano e em 1998, a RAI parou a transmissão de um jogo em directo do cálcio, para transmitir a final do Campeonato do Mundo de remo em shell 2 com timoneiro, ganho pela dupla campeã olímpica, gémea, dos irmãos Abanhale. Nesse ano, um deles foi atleta do ano em terra de futebol. Em que mundo a TV pára o futebol a favor de uma final de remo? Também no ano em que estive em Itália, Pantani foi o herói falado e escrito depois da sua vitória no tour e o Giro disputa taco a taco com o futebol as paixões. Há anos, em França, assisti na imprensa falada e escrita à final do campeonato nacional de rugby. Dentro do estádio, estavam ansiosamente 80.000 pessoas e no exterior estavam mais 20.000 coladas ao som e às imagens passadas em ecrã. O Tour, essa irresistível paixão do Verão, do L’Equipe, leva a palma e os ciclistas são os verdadeiros sujeitos da História. Londres pela Páscoa mobiliza-se, sempre com os morangos com chantily no bornal, na ordem dos 300 mil anónimos, para assistir à mítica Oxford/Cambridge. No final, o derrotado, com garbo, desafia o vencedor para voltarem à desforra. É a renovação do acto.
A pequena Holanda desafiou-se para ver o seu shell 8 com timoneiro ser campeão olímpico em Atlanta, dando a única medalha olímpica à pátria que acabou com lágrimas de emoção. E para acabar, coloco no centro, o rugby, que em terras de sua majestade marca paixões.
Fico-me para não provocar indigestão aos leitores e provar que apesar de tudo há mais mundo, e na nossa terra, só não há esse outro mundo porque à cultura dominante do lucro, estão associados baixos níveis de exigência e falta de atitude crítica. É o paradoxo e o liberalismo no seu pior. Ou seja, quanto menos exigentes como povo melhor, e é por isso que quando há futebol as bandeiras são aos molhos e o Belmiro de Azevedo e o Ferraz da Costa, figura com ar de quem gostaria de ser torcionário, falam do modo como falam.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Mas quem nos há-de acudir?

Ou o que há-de ser de nós se não formos nós?
Ela é a arte, ele é Courbet, ela é a origem do Mundo, tá tudo ilegal e fora da lei?????
O pintor foi o autor da primeira exposição individual da História da Arte. Parece que quer ele quer elas começam a estar ilegais em Portugal.
Ou alguém anda a fumar e a beber “coisa forte pra caraças” ou então, devagar, devagarinho, recordam-me um certo ministro, aqui há muitos anos, que dizia que quando ouvia a palavra cultura…
O chato é que… devagar, devagarinho…
Até porque o governo do supracitado ministro também era nacional-socialista.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Zeca

Os poetas não morrem

As Pedras Negras





As Pedras Negras de Pungo Andongo, Malange, em Angola, é um belo recanto nomeado para as 7 novas maravilhas naturais do mundo.
Na primeira foto podem-se ver umas pedras conhecidas por "Cabeça da velha".
Na segunda, a pequena aldeia de Pungo Andongo, mais conhecida por Pedras Negras, onde vivem 16 pessoas.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Desculpem-me o desabafo


Braguíssimo


Lembram-se quando Nelson Évora ganhou a medalha de ouro nas olímpiadas? Foi esta a capa de um jornal desportivo português. Outros casos idênticos poderia citar. De Naide Gomes, quando ultrapassou pela primeira vez os 7 metros, ao apuramento do Boavista pra uma meia-final de uma competição europeia, há de tudo.
Hoje, após uma brilhante vitória da equipa de futebol do Sporting de Braga num jogo internacional a cena repete-se. E com o mesmo jogador que retirou a manchete ao atleta do Benfica e que, na altura, ainda não tinha feito qualquer jogo em Portugal.
É curiosa a relevância dos factos para certa imprensa. Qualquer dia há um terramoto e as manchetes dizem-nos que o Reyes tem um panarício.

Democracia? Onde... onde?




Por exemplo, é assim que o "Tratado Porreiro Pá" , como aliás muitas outras questões de vital importância para os povos ocidentais, vai ser aprovado e aceite "democraticamente", sem que esses mesmos povos tenham voto na matéria. É assim nos países campeões da democracia.
Nas ditaduras, como no caso do tenebroso ditador Chavez, fazem-se referendos, o que é um paradoxo que eu ainda não consegui entender muito bem, pois estes são uma instituição absolutamente, inegavelmente, primorosamente, democrática.
Devo concluir que os desígnios referendisticos são como os de Deus: insondáveis.
Enfim! É mesmo preciso pachorra.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O fascismo anda por aí...

Não é exagero nenhum afirmar que o fascismo anda por aí. Não será aquele, pronto vá lá... quimicamente puro. Mas como até vem com pézinhos de lã e não com botas cardadas, faz-nos lembrar aquela história da rã, que colocada numa tina com água fria lá se ia espraiando, a água ia aquecendo e ela cada vez mais maravilhada, até que... já era tarde, morreu cozida. Se a tivessem megulhado logo em água a ferver ela teria saltado muito a tempo de se salvar.
Vem isto a propósito disto. Dá mesmo que pensar. Se ainda não tivermos os miolos cozidos. Penso que não, ainda não é tarde.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Um código todo xuxa

Entra hoje em vigor mais uma das anomalias do governo “ps”: O famigerado Código de Trabalho, que, pelas noticias que se ouvem, não agrada nem a gregos nem a troianos, que é como quem diz, nem ao patronato nem aos sindicatos.
Claro que nestas coisas alguns queixam-se com, como se costuma dizer, de barriga cheia. É o caso do patronato reaccionário, desculpem o pleonasmo, pois não se conhece dele progressista, como costuma dizer o meu camarada Augusto Alberto, “um patrão é um patrão, seja aqui seja no Japão”.
Queixa-se então o patronato, também é preciso não ter vergonha nenhuma para tal, que vai pagar mais por cada empregado. Mas o Código dá-lhe a solução, permitindo-lhe despedir a torto e a direito, basta-lhe querer. Esta é uma das muitas facetas terríveis do famigerado, ataca a segurança no emprego, aumenta a carga laboral sem contrapartidas, aumenta o trabalho precário, aumenta o desemprego, atacando também a contratação colectiva, um dos direitos fundamentais do trabalho digno numa sociedade civilizada.
Outro dos que “têm” queixas do código é uma agremiação que se intitula central sindical. Falo da UGT, que nada fez contra este código de trabalho ou contra outro qualquer. E mais, o seu secretário-geral é dirigente nacional do “ps”. Mais fez o próprio “ps” contra o código de Bagão Félix, como pode ver aqui, código esse que acaba de agravar. Estamos perante uma comandita de hipócritas.
Hoje é mais um dia negro da história desta “democracia”. Considero que a entrada em vigor deste código de trabalho é um recuo civilizacional.



O cartoon de Fernando Campos, com a devida vénia

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Distrital de Salto em Altura em sala

No campeonato distrital de salto em altura, em sala, realizado esta manhã no pavilhão da Escola Secundária Mário Augusto, nas Alhadas, o estudante daquela escola e natural daquela vila, João Ferreira, de 11 anos,venceu na categoria de infantis, ultrapassando a fasquia a 1,45 metros, uma boa marca atendendo ao facto do atleta ser infantil do 1º ano.
Como nota negativa, só uma escola e uma colectividade, o Girassol, de Cantanhede, competiram, tendo um atleta de Cantanhede vencido a competição em juvenis com 1,65 metros.
Nestas duas categorias, o record distrital é pertença do atleta da SUO Vais, Pedro Mossamedes, com 1,75 e 1,96 metros, respectivamente.





Quero todas as noites dormir em paz

Augusto Alberto

Nasci na Figueira, em zona de artificies, o Vale, mas cedo a família mudou para Aveiro, mais concretamente para as Gafanhas. Fixamo-nos na Praia da Barra, o meu lugar fetiche. Por lá cresci, passei de menino a jovem e depois a adolescente. Fiz paragens, mas sempre regressei, até me fixar em definitivo nesta minha terra natal. Por lá ainda tenho família muito chegada, deixei a minha mãe enterrada e há muito pouco tempo uma jovem sobrinha. A saudade está-me sempre a chamar, mas não creio que possa voltar, a não ser por escassos momentos. Habituei-me a adormecer com o som da vozeira ronca que em dia ou noite de nevoeiro, lá do alto dos mais de 60 metros do esguio farol, sinalizava os barcos que passavam, indicando que ali está uma barra e terra. Em 1964, se me não engano, da janela mais alta da casa onde vivi, vi em aflição, em tarde de muito vento e mar cão de Setembro, virar a traineira Praia da Atalaia e levar para si dezenas de vidas. Foi um horror.
Pelo molhe interior, a chamada meia-laranja corriam e correm, numa espécie de romaria, famílias inteiras na hora da chegada ou da partida dos barcos da frota do bacalhau. Recordo-me de gente estrangeira, franceses e alemães, de gravador na mão, a registar sons de alegria quando da chegada, ou de dor na partida. O som do barco na despedida, parecia um punhal que retalhava e entrava pela carne. Muitos dos meus amigos de escola, tinham pais nesses mares longínquos e partilhavam com eles poucos dias por ano. Ficaram barcos célebres, o Santa Mafalda, o Santa Joana Princesa, o Capitão Ferreira, o Rainha Santa Isabel e outros, alguns utilizando ainda a técnica da pesca à linha.
Há anos atrás, movido pela saudade, comprei uma revista de grande qualidade gráfica e documental, editada por alturas da exposição de 1998, a “oceanos”, que trata exactamente dessa epopeia do bacalhau. Não me foi barata, mas valeu a pena, porque me respondeu às saudades e a muitas inquietações. Dessa revista desejo, nesta hora de novas inquietações, sublinhar aqui justas preocupações.
… Em finais do século XVIII, os colaboradores das memórias Económicas da Academia, lastimavam a decadência das pescarias do reino de Portugal. Apontavam como factores dessa decadência a extrema ignorância e pobreza dos pescadores…as vexações dos oficiais de justiça quando da arrecadação dos tributos...
…mas então como explicar que Viana do Castelo ainda contasse com uma flotilha de 80 embarcações, em 1750? E porque razão em 1816, já não tivesse uma única?... é que tomadas do delírio das grandezas, todas elas (as embarcações) se tinham metido de carreira para o Brasil, que foi sempre terra encantada.
…Alberto Souto, deputado por Aveiro, em 1097, disse… – bom seria que se protegesse essa importantíssima indústria através da aplicação “na protecção aos pescadores, marinheiros e empresas nacionais uma pequena parte desse imposto”, evitando-se, assim, “ a emigração das terras da beira-mar…”
Dá a ideia de que nada nesta pátria muda e duvido que alguma vez este povo tenha sido feliz. Estamos há séculos entregues a elites de fancaria, inapta, de um só sentido, que salivam apesar de pança cheia, mesmo com o povo de rastos. Ontem, como hoje, os banqueiros, o freeport, o siresp, as armas, as fardas, os aviões, os submarinos, as universidades privadas, os meninos da Casa Pia e a justiça a passo de lesma, (mas só quando interessa). Tudo rasteiro, fundo e imundo. Alguém dizia dias atrás que o momento é semelhante aos dias da 1ª República. Não sei, mas se o meu duro pai fosse vivo, talvez me confirmasse que sim. Dá a ideia de que como nação estamos, hoje, mais uma vez num pico de orfandade. Parece não haver ninguém capaz de nos estender uma almofada, mas é bom que saibamos, que antes de mais, dependemos de nós.
Contudo, ainda desejo partilhar aqui uma ideia, deixada numa crónica, por um historiador, professor, fazedor de opinião e reaccionário, que por uma vez teve alguma lucidez - é bom que os comunistas não se desunam, porque neste momento difícil se deixarem de ter a possibilidade de manter as coisas socialmente controladas, então talvez nos venhamos a arrepender - . Palavras sábias. Parece-me que de facto, mais uma vez, como em tantas outras ao longo da história, que vamos ser nós, Comunistas, a tirar as castanhas do lume, ainda que aqueles a quem mais damos não nos entendam. Não sei se é fado, o que eu sei é que não vale desistir. Por mim, quero todas as noites continuar a falar para a almofada com calma e dormir em paz.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Paraolímpicos

Sempre utilizei a palavra paraolímpicos pela simples razão de me parecer a forma mais correcta de a dizer e escrever, atendendo ao próprio significado da palavra. Mas, já por várias vezes, nos comentários, me têm corrigido e de maneiras diferentes. Que se diz paralímpicos, escreveram uns, que se diz parolímpicos escreveram outros. Se esta última forma me parece nem sequer existir, por nada significar, já aquela, derivada do inglês, me parece uma forma errada de nos referirmos ao que efectivamente queremos referir. Errada quer na adaptação para português, quer mesmo na própria língua inglesa, mas quem sou eu para me referir à língua de Shakespeare. Por isso não direi estarmos em presença de outra bestialidade inglesa, deixo isso para o grande Mestre. Respeitando as palavras e os seus significados, nem “para” nem “olímpicos” devem ser amputadas. Retira-lhe o significado.
Aqui pode encontrar uma explicação mais pormenorizada.

Atleta figueirense nos Jogos Paraolímpicos

Catarina Marques, atleta da Sociedade União Operária, obteve os mínimos nos 800 metros para estar presente nos Jogos Paraolímpicos para surdos que se realizam em Setembro, em Taipé. A marca obtida pela atleta é a 10ª melhor marca europeia do ano.
Também nos 3000 obstáculos a jovem que representa a colectividade dos Vais vai tentar fazer os mínimos e assim poder competir em duas provas.
A competição paraolímpica destinada a surdos não se realiza conjuntamente com os Jogos Paraolímpicos no mesmo Verão dos Jogos Olímpicos, efectuando-se sempre no ano seguinte.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O homem que não tinha espelho

Em 2004, então na "oposição", José Sócrates, muito premonitoriamente, zurzia na política que um ano mais tarde encetaria. Assim se ilustra os pesos e as medidas, as ideias e a falta delas, o que se defende e o que não se defende, consoante se está na "oposição" ou na governação.
Assim se explica como vai o país: de carrinho, como dizia o poeta.
Assim se deduz que só se deixa enganar quem quiser mesmo deixar-se enganar.
Feitios, digo eu.