quarta-feira, 18 de março de 2009

Ainda da manif e também da isenção do jornalismo que temos

Sempre fui daqueles que acreditam que a isenção, quer na História quer no jornalismo, é uma quimera. Lembro-me de um filme, “Debaixo de fogo”, de 1983, cuja acção se passa na Nicarágua, em que o protagonista é um jornalista interpretado por Nick Nolte. Ele sente a necessidade de mentir por uma boa causa, a não continuação da ditadura sanguinária que assola o país. Tem, por isso, de fotografar um comandante da guerrilha como se ele estivesse vivo para que o governo ditatorial não recebesse mais ajudas do império. Assim, ele dava a sua contribuição à luta pela democracia, o que, como jornalista, não é propriamente correcto. Foi o que fez. Sofreu por isso um problema de consciência, pois à luz da isenção terá sido um mau trabalho. Depois de reflectir chegou à conclusão que se o tivesse de o fazer novamente, o faria.
Em 1997 era eu jornalista de um jornal local. Integrei a lista da CDU à Assembleia de Freguesia de S. Julião da Figueira da Foz. Fiz, no entanto, a cobertura jornalística de acções de campanha quer do candidato do PS, Carlos Beja, quer do PSD, Pedro Santana Lopes. Acho, e disse-o no início, a isenção uma quimera. Mas fiz o trabalho e não houve reclamações absolutamente nenhumas. Também, verdade seja dita, escrevi o que vi e o que ouvi. Facílimo. Se quisesse fazer o triste historial da administração do PS durante os vinte anos de câmara, teria escrito um artigo, uma crónica ou coisa parecida, e assinava por baixo. E o mesmo comportamento teria se quisesse falar do que pensava sobre uma hipotética, mas muito plausível, aliás como aconteceu, vitória de Santana Lopes.
Vem isto a propósito da última manifestação da CGTP-IN em Lisboa. Os dados da central apontam para mais de 200 mil trabalhadores. Para um jornalista não é uma informação definitiva, compreendo. Seria contudo muito fácil para um jornal de referência entrar em contacto com a PSP, cujos dados, não sendo infalíveis são certamente muito próximos da realidade, quanto mais não seja devido à experiência que têm nestas coisas.
Ora o “Público” prestou um muito mau serviço à opinião pública, à tal isenção que é quase um paradigma desse tipo de jornalismo, e um muito bom serviço aos seus donos. Diz o jornal, “200 mil pessoas, diz a CGTP-IN”. Noutro local da edição escreve, excelente subterfúgio, “entre 150 mil a 200 mil pessoas”. Claro que há factos subjectivos, mas um número de pessoas presentes num dado local é um facto objectivo, não dá mesmo para nuances de dizer que estiveram entre “x” a y”. Sobretudo quando é do conhecimento de toda a gente a dimensão do acontecimento. Só mesmo por má fé.
Eu estive lá, estou convencido que estiveram mais de 200 mil pessoas, mas nunca escreveria fosse que número fosse sem consultar a PSP.
Mais do que a isenção, importante é escrevermos a verdade que sentimos. Enfim, coisa arredia dos tempos que correm.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O santo que aí virá…

por Augusto Alberto

D. Duarte “tio” de Bragança, conta-nos num seu opúsculo, com data de 2005, que D. Nuno Alvares Pereira, desde sempre o Santo Condestável, a caminho da grande batalha Pátria de Aljubarrota no ano da graça de 1385, passando nas cercanias de Tomar, foi atraído à Cova da Iria e aí chegado, viu, no meio de muitas azinheiras, os cavalos do seu exército ajoelhar. Confesso que fiquei embasbacado e atormentado com esta singular história. Uma novidade! Passei pelos bancos da escola em pleno fascismo, onde estas coisas eram seguramente esmiuçadas, para um maior apelo pátrio, mas nunca tamanha história me foi ensinada. É licito perguntar, será que o fascismo andou distraído? Não creio…, mas a verdade é que nunca é tarde para descobrir e aprender. Seja como for, esta história assim contada é uma delícia e me parece, entretanto, que logo ali, com aquele preparo, o Santo Condestável, com toda a razoabilidade, deslumbrou a vitória sobre os castelhanos, como também percebeu que no século XXI, a 26 Abril 2009, a igreja de Roma o faria santo. Que premonição! É de santo.
Estava eu a amamentar os meus pensamentos, eis que a cabeça me leva a novos desafios. Não tive como lhes fugir e perguntei-me, que bravatas também virão dentro de escasso tempo a esta cidade? Reflecti então sobre uma informação que um amigo, pessoa de um modo geral bem intrincada nos mentideros dos casos e coisas locais, me volta a reafirmar, ser sua convicção de que o Partido Socialista vai apresentar uma figura de fora do Concelho, com peso na máquina partidária, como amplamente se tem anunciado.
A ser verdade e postas as coisas nesse pé, isso diz-nos que o Partido Socialista local não tem fé nos seus militantes e quadros locais e que vai provavelmente deixar cair alguns dos que se constituíram em lista e foram eleitos há 4 anos e que por isso, continua em termos absolutos, numa espécie de orfandade, para assim ter de deitar mão a uma figura exterior, bem escolhida, naturalmente de fino trato, como convêm, boas venturas, alma cálida e farta ternura. Logo me lembrei do outro, que por cá passou 3 anos, mas sempre arredado dessas virtudes. Reflecti, e já me parece ver, quando semelhante figura chegar, os Figueirinhas, tal como os cavalos do Condestável na Cova da Iria, ajoelhados perante cálida e serena figura, levantando as faces e as mãos ao céu e exclamando a uma mesma voz, até que enfim, porque merecedores, nós, os Figuerinhas, também iremos ter o nosso santo…Abençoado o que aí virá, porque nos trará e dará mais graças, logo à cabeça, o da boa governação.
E eu acrescento, ditoso século XXI, que será o século de todas as glórias e de todos os santos.
Mas no fim, serei eu o excomungado por aqui escrever estas singelas crónicas não alinhadas. Mas sem tormentos.

sexta-feira, 13 de março de 2009

A manif

foto daqui
Mais de 200 mil trabalhadores manifestaram-se esta tarde em Lisboa contra a política desastrosa e de mentira do governo do “partido socialista”, uma sequência, aliás, da política seguida pelos sucessivos governos há anos. Da resolução aprovada deduz-se que os trabalhadores e os sindicatos que os representam estão atentos, não se deixarão enganar e têm propostas:


«É preciso identificar as causas e os responsáveis dos bloqueios criados à sociedade, e, através da luta, exigir resposta positiva às propostas e reivindicações dos trabalhadores e da CGTP-IN. As medidas e propostas do Governo são insuficientes e, em alguns casos, inadequadas. A economia tem de estar ao serviço dos trabalhadores e do povo e não subordinada aos interesses dos grupos económicos e financeiros. Queremos uma sociedade onde se privilegie a dimensão humana como factor do progresso, que reparta a riqueza de forma mais justa, que respeite e dignifique quem trabalha, que recentre o papel do Estado e promova serviços públicos de qualidade a favor dos portugueses e do desenvolvimento do País.»

O peso dos blocos

por Augusto Alberto

Ao passar outro dia pelas muralhas de Buarcos, que é lugar dos meus passos diários, deparo-me com um estaleiro de obra e cheirou-me a coisa nova. Talvez em definitivo venham retirar aquelas pedras enormes que suportaram a estrada por cima das muralhas e recolocar o pano original que há uns anos arreou, pensei. Engano! Afinal, foi-me explicado, que se trata de uma intervenção no piso superior da muralha no sentido de ali se fazer um meio percurso pedonal, com circulação automóvel de uma só via, usando materiais mais próximos dos originais, como os paralelos, naquele lugar superior, que foi local de resistência contra quem regularmente pirateava as gentes, que resistiu também às invasões napoleónicas, e que hoje é um magnifico miradouro de observação do oceano, do areal, do molhe e da cidade. Aliás, a obra é para começar já, claro está, com paragem pelo Verão, e tem prazo para acabar no dia 30 Setembro. Sopa no mel, bem se vê.
Pessoa com quem partilho com alguma regularidade informações sobre pessoas, casos e coisas cá do burgo, mostrou-se surpreendida pelo tempo da obra, dado que, disse-me ela, numa altura em que o Presidente anda aos papeis com dinheiros, porque primeiro a crise, claro está, e depois, porque desgraçadamente o engenheiro ainda anda a apanhar as canas do foguetório lançado pelo outro, a Câmara atreve-se a lançar obra nova. Chegamos ao tempo em que a pescadinha anda com rabo na boca, está bom de ver. É tempo de eleições. E além do mais, das duas, uma, ou o empreiteiro tem a certeza de receber o dinheiro, com maior ou menor dificuldade, ou então, não sendo o primeiro nem o último, já está preparado para a falência, disse-lhe. Aqui chegados, estamos perante um golpe de fina estratégia, que vai deixar muito boa gente posicionada na área da direita embaraçada. Afinal, o actual Presidente da Câmara poderá não desistir e então, começa a posicionar-se para renovar a candidatura. Será? Como os lugares são poucos, é de esperar fartos golpes e contra golpes, em razão directa dos apetites.
Quanto aos outros, vem de novo no jornal, que a solução poderá muito bem vir de fora. Alguém com peso na estrutura partidária, mas muito menos do que o peso dos blocos de que se vai fazendo o prolongamento do molhe norte, claro está…Se assim for, mais um que da Figueira então, só conhece o areal e mais uma vez os cidadãos desta terra farão o papel de Figueirinhas. Virá um doutor, a modos como um D. Sebastião, figurinha sem canudo e sorte, sabemo-lo, e dir-nos-á, cá estou, votai em mim…
Vai entrar a Primavera, virá o Verão, subirá o calor nos dias das festas do S. João e depois se verá como vamos de temperatura até ao final do Outono. Mas, bom golpe Presidente. Antes o quero a si do que outro qualquer mafarrico. Pelo menos é afável e de fina simpatia, ainda que para estas coisas, não é que chegue, mas já é alguma coisinha.


Braguissímo II, Fernanda Ribeiro ou “Quem conhece Afonso Alves?”



Decididamente ando a embirrar com a imprensa desportiva. Quer dizer, não é bem desportiva, é mais futeboleira, pois mais de 95% das suas edições falam-nos no pontapé no coiro. Também não é que a leia muito ou que me faça muita falta, mas sempre se vai lendo alguma coisa, seja num café, seja noutro sítio qualquer.
A de hoje, após mais um brilharete internacional do Sporting de Braga, uma equipa que podemos considerar da segunda linha portuguesa, as manchetes falam-nos de um tal Afonso Alves que não conheço e penso que muitos portugueses também não saberão quem possa ser. Acho irritante. É necessária uma lupa para procurar a referência à equipa minhota na primeira pagina. Exercício desagradável.
E não me digam que estou azedo devido à figura de urso que o meu desalmado Sporting andou a fazer por essa Europa fora. Em defesa dos leões só posso dizer que até a perder somos grandes.
Ainda há dias a D. Fernanda venceu uma prova já de uma certa importância e não teve mais do que umas poucas de linhas a noticia nos vários jornais. É certo que a senhora já não ganha com a regularidade com que ganhava quando a tratávamos por Nandinha. Mas Fernanda Ribeiro, aos 40 anos, não tem problemas nenhuns em continuar a correr. Sem complexos. Simplesmente porque gosta. E também porque é teimosa. O tendão agora não a chateia, como a chateou quando ela mais precisava que a não importunasse. Mesmo assim só as melhores conseguem chegar à sua frente. Mas mesmo que D. Fernanda chegasse em último estaria a fazer o que gosta de fazer. Mas mesmo que D. Fernanda chegasse em último seria merecedora da nossa admiração, do nosso aplauso, do nosso respeito. Porque a memória não deve ser curta.
Lembro-me, há pouco mais de dez anos, assisti a um Campeonato Nacional de Corta-Mato. Na prova feminina estavam campeãs europeias e mundiais em pista. A vitória, facílima, de Fernanda Ribeiro, foi algo de espectacular.
Viva o Sporting de Braga. Viva a Fernanda Ribeiro.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Do que eu gosto é de estar sentado num mocho, e usar roupas leves e frescas

por Augusto Alberto
A propósito da minha última crónica, veio um anónimo, aqui nesta ”aldeia olímpica”, perguntar se eu sou candidato pela CDU. Quero dizer que pela CDU sou sempre candidato, aqui ou ali, tanto faz, como já fui em locais tão longínquos, como a Freguesia de S. Paio da Farinha Podre, lá para as serranias, ou o primeiro da lista da Freguesia de Buarcos, no ano da graça da razia eleitoral imposta pelo Dr. Santana Lopes. Por mim, estou sempre disponível, mas que fique claro, bem sei que me falta perfil para ir mais além. Aliás, quem me conhece sabe que sou mais do terreno. Alguém que pedala pela manhã rumo ao hospital, meu local de trabalho, há mais de 30 anos, em cima da bicicleta, ainda por cima com alguns trambolhões pelo meio e um braço partido já no bornal, que durante pelo menos 20 anos, correu com regularidade, do “Teimoso” até ao Hospital e vir, estivesse vento, chuva, frio ou calor, e com muita e boa felicidade dado aos barcos. A este rapaz, caro anónimo, falta-lhe chá, frequência dos mentideros, conversa de chacha e da treta, enfim, aquilo de que se fazem os que se fazem a tais lugares e exactamente por tudo isto, ninguém poderá levar a sério um candidato assim. Como é bom de ver, não vou ser candidato pela CDU em lugar de topo, a não ser num lugar lá para o meio de uma necessitada lista.

Por outro lado, as coisas no meu Partido funcionam de modo diferente, com muita calma, democracia interna, suficiente, para se chegar aos nomes. Surpreendidos? Não se surpreendam, porque eu sei do que falo. Quem decide nestas coisas são os da casa, para o bem ou para o mal. Figurinhas ou figurões, por ali, não tratam do futuro.
Contudo, parece-me que a hora começa a ser de agitações. Agitam-se os que agora são, mas que lhes vai parecendo que em breve deixarão de ser, e os que agora não sendo, lhes parece ser hora para virem a ser. Ainda está a sair o cortejo e já muita gente vai suando para chegar à frente. Vai ser um papelinho, eu bem sei.
A este propósito, li há dias uma posição num jornal regional de um cidadão que se coloca à esquerda, sim senhor, que assegura que a bancada socialista na oposição, “estudou os dossiers e que hoje conhece bem a Câmara e o Concelho”, e sabe também quem deverá ser o candidato socialista, mas não diz o nome. Deixa-nos numa espécie de desejo. Mas também nos fala de um crescimento massivo e desordenado do betão e de processos pouco transparentes no urbanismo. Ora cá está! Para socialistas que conhecem bem o Concelho, saberão com certeza quem mais cimento imbricou na cidade. O Partido Socialista… Branquear é pecado que poderá dar perda da graça e... como quem diz, perder eleições.
Do lado do actual poder, vamos sentindo gente também a tomar posição, e como convêm, é vê-los atrás ou ao lado da chefe quando as TVs lançam o óculo. O Engenheiro está na corda bamba, só poderia ser, após aquela cena cruel da perda dos pelouros. Como diz o ditado, dos fracos não reza a história, ainda que me parece que há uma certa ingratidão, porque a bem da verdade, é neste reinado que obras estruturantes se puseram em marcha. Recordo a variante do galo d´ouro, a ponte da Gala e o portinho, a recuperação da principal, e as obras do prolongamento do molhe norte, para o melhor ou pior, só o tempo o dirá, embora alguma asneira também se tenha feito. Se calhar, alguma à conta dos arquitectos cá da praça, provavelmente com pouco jeito para a coisa. Lembro a obra grotesca da Rua da República e o desgraçado projecto que alterou e desfeiteou o jardim municipal, mas sobretudo aquele novo hotel, uma arruaça paisagística, a deixar razões para questionar a moral das decisões. Mas a questão é que o engenheiro não passa nas revistas cor-de-rosa e claro está, a laranja começa a parece pálida e quem sabe, a rosa ganhe agora cor depois de um tempo de anemia. Melhor dizendo, pode vir aí a rotatividade, ou seja, mais do mesmo.
Caro anónimo, como vê, não me abespinho, tudo o que quero é poder continuar a usar roupas leves e frescas, sentado em cima de um mocho, que é um banco de pé alto, e lá de cima, olhar as agitações que por aí vão e o que mais se verá. É tudo de fácil entendimento.


domingo, 8 de março de 2009

São as mulheres como tu

Que pela consciência, encontram
respostas para todas as perguntas

Que pela fraternidade, possuem não só
uma vida mas todas as vidas

Que pela dedicação, transformam o cansaço
numa esperança infinita

Que pelo pensamento, ajudam
a realizar o azul que há no dorso das manhãs

Que pela emancipação, fazem de nós
mulheres e homens com a estatura da vida,
capazes da beleza,
da igualdade, da justiça e do amor

São as mulheres como tu

Que podem transformar o mundo


Joaquim Pessoa



No ano passado, neste dia, dediquei uma canção à minha camarada Sofia Ferreira. Este ano dedico este post às minhas amigas da blogosfera. Umas conheço pessoalmente, outras não. Mas aí vai, "comme même": À professora Ana Tapadas, uma excelente poetisa, à Ana Camarra, uma cronista de primeira água, à Sal, uma investigadora incansável e uma blogger de grande qualidade.

Acrescentaria uma só, e pequena, opinião: Estou de acordo com o Orson Welles, não concordo com a igualdade da mulheres. Pronto, é uma opinião. É que acho mesmo que elas devem continuar superiores.

Um beijinho a todas.

sábado, 7 de março de 2009

Ainda o acordo ortográfico

aqui me referi e tomei posição sobre esta treta do acordo ortográfico. Não pensei retornar ao assunto. Mas a marcha da história, infelizmente, vai-me dando razão, por isso não retirarei o "p" ao meu camarada Carlos Baptista. Critérios dúbios, pouco honestos, gravíssimo quando se trata de uma das mais importantes línguas do planeta. E não temos necessidade alguma de nos ridicularizarmo-nos, deixando-nos colonizar conscientemente.

sexta-feira, 6 de março de 2009

06 de Março de 1921

A história do PCP é a história da luta dos trabalhadores portugueses. Faz hoje 88 anos que começou...

"A fundação do PCP ocorreu a 6 de Março de 1921, em Lisboa, na sede da Associação dos Empregados de Escritório. Tendo como referências essenciais as lições das grandes lutas e vitórias da classe operária internacional e do desenvolvimento histórico do movimento operário português - e sob o impulso da criação do partido bolchevique, da trevolução de Outubro e dos ensinamentos de Marx, Engels e Lénine -, o PCP nasce num clima marcado por grandes lutas de classe, travadas pelos trabalhadores portugueses. No Manifesto em que faz a sua apresentação pública, o Partido, através da publicação dos 21 pontos da Internacional Comunista, afirma a sua adesão ao Movimento Comunista Internacional.

Logo a seguir é criada a organização das Juventudes Comunistas.

A primeira sede do Partido é na Rua do Arco do Marquês do Alegrete e, em pouco tempo, o número de filiados comunistas atinge o milhar.

O Partido define, como frente de acção prioritária dos seus militantes, a intervenção nas organizações sindicais com o objectivo de dar uma justa orientação à luta dos trabalhadores e visando a adesão do movimento sindical português à Internacional Sindical Vermelha.

Com a fundação do PCP a classe operária portuguesa encontra a sua firme e segura vanguarda".

quinta-feira, 5 de março de 2009

Da utilidade da arte

Sempre fui dos que entenderam que a Arte não é só uma mera forma de expressão, de representação pura e simples da realidade. Possui também uma componente funcional, acompanhando sempre a evolução da sociedade onde está inserida. Ora, acabo de ter uma experiência de como a arte também tem um lado didáctico.
Experiência com dois casos relacionados com o grande e empolgante comício em que se transforma sempre um congresso de qualquer partido burguês que se preze.
O primeiro foi o congresso em si mesmo. Confesso que não percebi rien de rien do que eles andavam ali a fazer, por muita atenção que prestasse às televisões. Não falavam de coisa nenhuma importante e que dissesse respeito à grande maioria das pessoas, coisas como o código de trabalho, o emprego precário, os baixos salários, as pensões ridículas, a desvalorização do trabalho, a corrupção que por aí grassa, das Pontes galantes, dos freeports... etc, pois nunca mais daqui sairia. Teríamos de passar pelos problemas na Saúde, na Educação...
Foi então que um excelentíssimo cartoonista me fez um resumo do dito congresso, bastante sintetizado diga-se de passagem, mas que deu à vontade para eu perceber o que então se tinha passado. Foi Henrique Monteiro, a quem deixo os meus sinceros agradecimentos. Ora, aqui está:



Bem, continuemos para bi…, desculpem, continuemos para o segundo caso:
José Sócrates, o actual primeiro-ministro, diz que decidiu recandidatar-se para “travar um combate decisivo pela decência na vida democrática”. Fiquei perplexo como, aliás, qualquer um de vocês. É que nem sabia se havia de rir se de chorar. A minha sorte é que apareceu um outro excelentíssimo cartoonista que me elucidou sobre tal questão, pois de política, como já deixei a entender, não percebo patavina. O cartoon, que vai já a seguir, da autoria de Fernando Campos, até tem um link para o caso de não entendermos muito bem a figura de estilo.

Ver aqui o que diz a este respeito a Gramática de língua Portuguesa

E pronto. Fiquei elucidado, mas também fiquei um pouco estarrecido, pois isto de imitar o grande poeta deve trazer água no bico. Se o hábito se tornar rotineiro o meu medo irá intensificar-se. Como se sabe o grande poeta era derramadinho para andar à traulitada por dá cá aquela palha.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O Sr. vereador demitiu-se. Porquê?

por Augusto Alberto


Pela imprensa nativa fiquei a saber que o Sr. Vereador do Partido Socialista, número um da sua lista, pediu escusa e foi-se. O Sr. ex-Vereador resolveu caminhar pelo próprio pé antes que outro pé o fizesse caminhar. Antecipou-se à decisão de ser deixado pelo caminho, sentiu que houve ingratidão e bateu com a porta, mas ao contrário do que provavelmente pensou, sem grande estrondo, porque não é uma figurona. Só foi número um porque na altura o Partido Socialista estava ainda em fase de lamber visíveis feridas e de vitória incerta e foi, nesse instante, o que melhor estava à mão. Hoje, acha o Partido Socialista que se calhar as coisas estão mais distendidas e evidentemente há que dar oportunidade a uma figurona, nem que da Figueira só conheça o areal.
O senhor ex-Vereador neste instante, parece-se com o atleta que fala fino e alto, mas na eminência da competição, se ela for a doer, arranja sempre uma desculpa para se escapar. Perde geralmente por omissão.
Li atentamente as razões da renúncia e tenho alguma dúvida que o Sr. ex-Vereador, agora só Dr. Vítor Sarmento, tenha percebido alguma coisa. Atenda-se ao que disse:
Não tem relações com a direcção local do PS desde Abril do ano passado. Que foi marginalizado no último acto eleitoral para a Concelhia, não tendo sido ouvido para a constituição das listas. Alterou-se a relação com o Presidente da Concelhia local, João Paredes. Que a direcção local do PS deixou de reunir com os vereadores, ou a concelhia já não valoriza o trabalho ou não há disponibilidade para essa articulação. Apesar da ruptura com a direcção local, mantém-se militante, pelo que está disponível para fazer campanha a favor do candidato socialista à câmara, à excepção de António Alves.
Explicou tudo, só não esclareceu o que acima digo e me parece ser certo, mas é uma pena que o Sr. Dr. Vítor Sarmento não tenha aprendido nada. Ou seja, o Sr. Dr. que se cruzou por outros locais, noutros tempos, mal sabia que afinal, aqui nos teria de vir falar de novo da falta dessa democracia interna, com todas as letras. Afinal, descobriu pela segunda vez, que ela não existe e que isso só lhe trouxe infelicidade. Aliás, quem prestar mais atenção às razões, poderá suspeitar que pela sede do PS local só por lá caminham diariamente as aranhas. Então, eu que acho que o Sr. Dr. é pessoa de bem, aconselho-o a pensar seriamente nesta coisa da militância partidária, para não ter de se sentir só e de novo abjurado.
Mas aquela de fazer campanha a favor do candidato socialista à câmara, à “excepção de António Alves”, é uma pérola. O que fizeste tu homem, que criaste no seio do teu Partido um anti-corpo muito sério? Nos Partidos sérios essas coisas resolvem-se com tino e chá, não na praça pública. Que raios, ambos começaram em boa escola e agora estão a escangalhar tudo.
Mas ainda relativamente ao Sr. ex-Vereador, acho bem que se mantenha disponível para novas batalhas, ainda que se pareça mais uma vez, com aquele atleta que acima refiro, que depois de renunciar à competição, volta ao treino para preparar nova recusa, até que um dia, já sem vontade, renuncia de vez. Mas atenção, porque o Partido Socialista ainda é poder e pelos jeitos com mais ou menos dificuldade vai continuar a sê-lo. Não vá o diabo tecê-las, Sr. ex-Vereador, faz bem em não se precipitar.
É uma pena que as coisas aconteçam e acabem assim, mas que dê para ter pena, ai isso não dá.

terça-feira, 3 de março de 2009

África minha

Os recentes acontecimentos na Guiné-Bissau, não sendo inéditos, lembra-nos que não há recôndito algum em África onde haja paz e sôssego. Não se deve poder dizer ao certo o que lá se passa sem especular. Tanto podem ser potências estrangeiras a manobrar os cordelinhos, e neste caso há a considerar as democracias ocidentais, motivadas por interesses económicos, comerciais ou mesmo porque a Guiné se transformou num entreposto do narcotráfico.
Em Angola, por exemplo, não há hoje guerra. Mas pela simples razão de os seus governantes estarem devidamente domesticados. Temos notícias, recentes, de que é o país africano de língua portuguesa com o pior registo de violação dos direitos humanos. Outras dizem-nos que há uma situação de fome nas províncias do Sul, nomeadamente no Cunene. Estamos a falar de um dos países mais ricos do mundo, onde já morreram mais de uma centena de crianças devido a uma epidemia de “raiva”.
Tudo isto traz-nos à memória que África é um continente adiado desde o assassínio de Patrice Lumumba às mãos das “democracias ocidentais”. Ele, que disse que a independência política não era suficiente para libertar África do seu passado colonial, era também necessário que o continente deixasse de ser controlado pela Europa. Foi o que ditou o seu assassínio, por intermédio dos serviços secretos americanos e europeus. Belgas, neste caso. E em que o amigo dos “socialistas” portugueses, o “democrata” Carlucci não estará impune.
Adiantando alguns números, da ONU, não meus, para acabar com o flagelo da fome bastaria a módica quantia de 3 mil milhões de dólares. Ora, na guerra do Iraque gastaram-se 12 mil milhões até finais de 2008. Gastos por governos “democraticamente” eleitos.
Sabe-se também, e a história comprova-o, aliás Lumumba é um exemplo, um leader africano que queira mesmo lutar pela real independência do seu país é um homem marcado para… morrer.

E, para não dizer que a culpa é só dos outros, no meio de tudo isto há os “leaders” que se põem a jeito, fazem o papel de meninos obedientes e bem comportados, traindo os seus povos, colocando-se às ordens do capitalismo internacional. E assim se explica a situação daquele martirizado continente.
O escritor angolano Manuel dos Santos Lima traduziu brilhantemente tudo isto num dos seus romances “Os anões e os mendigos”, de 1984, que vale a pena reler. E, em África, devia ser obrigatório nas escolas. Porque.

domingo, 1 de março de 2009

Habemos Festa!



Os comissários políticos do neo-liberalismo (leia-se capitalismo selvagem) acabam de obter uma grande derrota na sua tentativa de atentar contra a Festa do Avante, reconhecidamente o maior acontecimento político-cultural que se realiza no país. Um acórdão do Tribunal de Contas deu razão ao PCP numa perseguição por parte da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos.
Estranho, ou talvez não, o maior ataque que a Festa do Avante sofre acontece quando está a “esquerda” no poder. Aquela entidade procurava executar uma lei criada propositadamente para dificultar a acção dos comunistas. Mas ficou provado que os “xuxas” à falsa fé não vão lá. Mas também não têm outra.
Eu era capaz de lhes dar uma ideia, a única que eles então teriam, para conseguirem impedir a realização quer da Festa quer de outras actividades dos comunistas: era, tão-só, ilegalizarem o PCP. Abstenho-me, no entanto, pois muito provavelmente também me sentiria, como eles agora, frustrado. É que os comunistas eram muito bem capazes de irem realizar a Festa para a Galiza, ou, sei lá, para a Andaluzia.

fotos: alex campos (Festa do Avante! 2008)