quinta-feira, 23 de abril de 2009

A imagem não é tudo


O meu amigo António Agostinho, do blogue "Outra Margem", está preocupado com a possibilidade de se tornar um "vilão".

Pelas fotos dá a ideia que ele, precavido, porque isto de homem prevenido vale por dois, já andaria há uns tempos a cultivar um visual algo "soprano". Tony Soprano também habita uma "vila" de subúrbio.

D'ont worry, man, também não é caso para consultar psiquiatra.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Quando os xuxas conspiram na sombra

Não sei se as novas gerações fazem ideia do que acontecia, antes do 25 de Abril, se alguém fosse apanhado a ouvir o Zeca e outros.
Mas há dias um amigo meu estava a ouvir o último trabalho dos “Xutos”, no seu automóvel devidamente estacionado, em plena Praça General Freire de Andrade, mais conhecida por Praça Nova, e um agente da autoridade mandou-o desligar o leitor de cd’s. Ele negou-se como é evidente, e o agente, tentou a dissuasão dizendo que a música, a tal da qual se fala, tinha palavras obscenas e chegou a ameaçá-lo de o autuar. O meu amigo e colega de trabalho disse-lhe que não havia nada palavras obcenas e que a canção é sobre a realidade.
Claro que isto é impensável, ou deveria sê-lo, mas aconteceu. Que o fascismo anda por aí, não será bom menosprezá-lo.
O grande poeta e professor de história, autor de “Os Vampiros” tinha razão e continua actualizadíssimo. Pegando no título, o que faz falta é avisar a malta. Tanto mais que eles, os xuxas, têm uns amigos recomendáveis com quem fazem umas trocas que não são só de galhardetes ou cromos.
Ouçamos a música em causa, também actual:

Arrebenta adversários

por Augusto Alberto


Por falar em política, falemos da política da merda, o meu computador corrige-me sistematicamente e envia-me para medra, mas eu não quero. Recuso e volto à origem, porque como cidadão deste mundo me envergonho e indigno, porque medra por aí, desta vez não há engano, a política da merda, digo bem, sem ressalva.
Gentinha que se diz da”terceira via socialista”, descobriu como conspurcar e arrebentar opositores, tripudiando sobre a democracia, essa coisa muita elástica e que servida com esmero e na conta própria, dá para tudo. Eu diria que estamos perante um bando de gente, sem eira nem beira moral e que para chegar ao poder, faz da política, o vale tudo. Uma vergonha! Foi esta gente que nos colocou em apuros e agora não sabe como nos tirar desta salada podre e pobre. Infelizmente não é possível colocá-los onde devem estar. Na prisão. Porque afinal, é essa gente que tem as chaves das celas e desse modo as rodam, quando querem, como querem e para quem querem. Dirão que as eleições serão o momento das contas públicas e políticas. Não me contem histórias porque já não tenho idade para ser embalado. Estamos, queiramos ou não, perante gente que são faces do mesmo sistema. O sistema, que se auto alimenta e que enxameado de gente sem escrúpulos, faz do combate politico, uma coisa reles.
Então o que fez essa gente?
Compinchas do primeiro ministro inglês, Brown, por sua vez compincha de Blair, aquele que é amigo do “Borroso”, ambos do bando que estiveram no quintal das Lajes para promover a guerra do Iraque, trataram de enxovalhar e arrebentar o principal opositor. Ou seja, o estratega-mor de Brown, juntamente com o “spin Doctor” dos trabalhistas, desenharam uma cabala, a passar num blogue, para fazer implodir política e socialmente o dirigente da oposição, Cameron, que passava por histórias, como: - Cameron tem uma doença sexualmente transmissível, resultado de uma relação com uma prostituta, num período de consumo de drogas, que tem uma relação homossexual com um deputado gay não identificado, anónimo, claro está, que protege, e para alindar o naipe, sem escrúpulos, rumores sobre a saúde mental de sua mulher. E por fim, Cameron teria de se explicar publicamente. Uma mentira dita um milhão de vezes, soará mais tarde ou mais cedo como verdade, para além de que é ao suspeito que cabe demonstrar o contrário, mas com o cenário assim montado, muito dificilmente sairia limpo e então, só lhe restaria uma saída… a saída. A cabala teria resultado em cheio. Mas Cameron em vez de pedir prisão para esta gente, fica-se só por um pedido de desculpas. Tão pouco…
É com gente deste calibre, que se vai fazendo esta pobre e doente democracia, que só tem uma via, a de servir destrambelhadamente a política do “arrebentamento”, dos povos, culturas, e adversários políticos. O poder para esta gente, coloca-os doentes e desse modo, ética, moral e sensatez, não atracam. Uma desgraça!
Esta história faz-me lembrar uma outra passada há muitos anos. Meninos de um jardim infantil da RDA, fotografados nos seus escorreitos fatos listados, passaram por detidos em prisões soviéticas. Em definitivo, não perdem o gosto pela mentira e desonra.
Para que não restem dúvidas, soube disto num jornal diário de referência. Até aqui, parece que tudo está bem. Pois parece. Mas a questão é que os “spins “comentadores, desta feita, não produziram análise política, antes pelo contrário. O mesmo jornal, colocou Brown, na coluna do sobe e desce, a subir, porque apesar de demorar 4 dias, sempre pediu desculpa. Que canalha a quem toda a canga serve.


Mais porco no espeto



Noticia o jornal "Sol" que a Câmara Municipal de Santa Comba Dão incluiu a inauguração do Largo António Oliveira Salazar nas comemorações do 25 de Abril.
Que a festa vai contar com a presença de uma tuna e, segundo o programa oficial, vai haver porco no espeto.
Este último não é novidade nenhuma, pois, como se sabe, é também um prato muito apreciado pelos "socialistas" cá da nossa paróquia.
O que não se sabe é se o primeiro ministro vai presidir á Comissão de Honra.

terça-feira, 21 de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ah! e os piratas são eles?


Qem imaginaria que em 2009, os governos do mundo declarariam uma nova Guerra aos Piratas? No instante em que você lê esse artigo, a Marinha Real Inglesa – e navios de mais 12 nações, dos EUA à China – navega rumo aos mares da Somália, para capturar homens que ainda vemos como vilãos de pantomima, com papagaio no ombro. Mais algumas horas e estarão bombardeando navios e, em seguida, perseguirão os piratas em terra, na terra de um dos países mais miseráveis do planeta. Por trás dessa estranha histhttp://www.independent.co.uk/opinion/commentators/johann-hari/johann-hari-you-are-being-lied-to-about-pirates-1225817.htmlória de fantasia, há um escândalo muito real e jamais contado. Os miseráveis que os governos 'ocidentais' estão rotulando como "uma das maiores ameaças de nosso tempo" têm uma história extraordinária a contar – e, se não têm toda a razão, têm pelo menos muita razão.
Os piratas jamais foram exatamente o que pensamos que fossem. Na "era de ouro dos piratas" – de 1650 a 1730 – o governo britânico criou, como recurso de propaganda, a imagem do pirata selvagem, sem propósito, o Barba Azul que ainda sobrevive. Muita gente sempre soube disso e muitos sempre suspeitaram da farsa: afinal, os piratas foram muitas vezes salvos das galés, nos braços de multidões que os defendiam e apoiavam. Por quê? O que os pobres sabiam, que nunca soubemos? O que viam, que nós não vemos? Em seu livro Villains Of All Nations, o historiador Marcus Rediker começa a revelar segredos muito interessantes.
Se você fosse mercador ou marinheiro empregado nos navios mercantes naqueles dias – se vivesse nas docas do East End de Londres, se fosse jovem e vivesse faminto –, você fatalmente acabaria embarcado num inferno flutuante, de grandes velas. Teria de trabalhar sem descanso, sempre faminto e sem dormir. E, se se rebelasse, lá estavam o todo-poderoso comandante e seu chicote [ing. the Cat O' Nine Tails, lit. "o Gato de nove rabos"]. Se você insistisse, era a prancha e os tubarões. E ao final de meses ou anos dessa vida, seu salário quase sempre lhe era roubado.
Os piratas foram os primeiros que se rebelaram contra esse mundo. Amotinavam-se nos navios e acabaram por criar um modo diferente de trabalhar nos mares do mundo. Com os motins, conseguiam apropriar-se dos navios; depois, os piratas elegiam seus capitães e comandantes, e todas as decisões eram tomadas coletivamente; e aboliram a tortura. Os butins eram partilhados entre todos, solução que, nas palavras de Rediker, foi "um dos planos mais igualitários para distribuição de recursos que havia em todo o mundo, no século 18 ".
Acolhiam a bordo, como iguais, muitos escravos africanos foragidos. Os piratas mostraram "muito claramente – e muito subversivamente – que os navios não precisavam ser comandados com opressão e brutalidade, como fazia a Marinha Real Inglesa." Por isso eram vistos como heróis românticos, embora sempre fossem ladrões improdutivos.
As palavras de um pirata cuja voz perde-se no tempo, um jovem inglês chamado William Scott, volta a ecoar hoje, nessa pirataria new age que está em todas as televisões e jornais do planeta. Pouco antes de ser enforcado em Charleston, Carolina do Sul, Scott disse: "O que fiz, fiz para não morrer. Não encontrei outra saída, além da pirataria, para sobreviver".
O governo da Somália entrou em colapso em 1991. Nove milhões de somalianos passam fome desde então. E todos e tudo o que há de pior no mundo ocidental rapidamente viu, nessa desgraça, a oportunidade para assaltar o país e roubar de lá o que houvesse. Ao mesmo tempo, viram nos mares da Somália o local ideal onde jogar todo o lixo nuclear do planeta.
Exatamente isso: lixo atômico. Nem bem o governo desfez-se (e os ricos partiram), começaram a aparecer misteriosos navios europeus no litoral da Somália, que jogavam ao mar contêineres e barris enormes. A população litorânea começou a adoecer. No começo, erupções de pele, náuseas e bebês malformados. Então, com o tsunami de 2005, centenas de barris enferrujados e com vazamentos apareceram em diferentes pontos do litoral. Muita gente apresentou sintomas de contaminação por radiação e houve 300 mortes.
Quem conta é Ahmedou Ould-Abdallah, enviado da ONU à Somália: "Alguém está jogando lixo atômica no litoral da Somália. E chumbo e metais pesados, cádmio, mercúrio, encontram-se praticamente todos." Parte do que se pode rastrear leva diretamente a hospitais e indústrias européias que, ao que tudo indica, entrega os resíduos tóxicos à Máfia, que se encarrega de "descarregá-los" e cobra barato. Quando perguntei a Ould-Abdallah o que os governos europeus estariam fazendo para combater esse 'negócio', ele suspirou: "Nada. Não há nem descontaminação, nem compensação, nem prevenção."
Ao mesmo tempo, outros navios europeus vivem de pilhar os mares da Somália, atacando uma de suas principais riquezas: pescado. A Europa já destruiu seus estoques naturais de pescado pela superexploração – e, agora, está superexplorando os mares da Somália. A cada ano, saem de lá mais de 300 milhões de atum, camarão e lagosta; são roubados anualmente, por pesqueiros ilegais. Os pescadores locais tradicionais passam fome.
Mohammed Hussein, pescador que vive em Marka, cidade a 100 quilômetros ao sul de Mogadishu, declarou à Agência Reuters: "Se nada for feito, acabarão com todo o pescado de todo o litoral da Somália."
Esse é o contexto do qual nasceram os "piratas" somalianos. São pescadores somalianos, que capturam barcos, como tentativa de assustar e dissuadir os grandes pesqueiros; ou, pelo menos, como meio de extrair deles alguma espécie de compensação.
Os somalianos chamam-se "Guarda Costeira Voluntária da Somália". A maioria dos somalianos os conhecem sob essa designação. [Matéria importante sobre isso, em http://wardheernews.com/Articles_09/April/13_armada_not_solution_muuse.html : "The Armada is not a solution".] Pesquisa divulgada pelo site somaliano independente WardheerNews informa que 70% dos somalianos "aprovam firmemente a pirataria como forma de defesa nacional".
Claro que nada justifica a prática de fazer reféns. Claro, também, que há gângsteres misturados nessa luta – por exemplo, os que assaltaram os carregamentos de comida do World Food Programme. Mas em entrevista por telefone, um dos líderes dos piratas, Sugule Ali disse: "Não somos bandidos do mar. Bandidos do mar são os pesqueiros clandestinos que saqueiam nosso peixe." William Scott entenderia perfeitamente.
Por que os europeus supõem que os somalianos deveriam deixar-se matar de fome passivamente pelas praias, afogados no lixo tóxico europeu, e assistir passivamente os pesqueiros europeus (dentre outros) que pescam o peixe que, depois, os europeus comem elegantemente nos restaurantes de Londres, Paris ou Roma? A Europa nada fez, por muito tempo. Mas quando alguns pescadores reagiram e intrometeram-se no caminho pelo qual passa 20% do petróleo do mundo... imediatamente a Europa despachou para lá os seus navios de guerra.
A história da guerra contra a pirataria em 2009 está muito mais claramente narrada por outro pirata, que viveu e morreu no século 4º AC. Foi preso e levado à presença de Alexandre, o Grande, que lhe perguntou "o que pretendia, fazendo-se de senhor dos mares." O pirata riu e respondeu: "O mesmo que você, fazendo-se de senhor das terras; mas, porque meu navio é pequeno, sou chamado de ladrão; e você, que comanda uma grande frota, é chamado de imperador." Hoje, outra vez, a grande frota europeia lança-se ao mar, rumo à Somália – mas... quem é o ladrão?

copiado daqhttp://jorge-anortedoequador.blogspot.com/ui
Adenda às 15h20: Acaba um amigo de me dizer: "Piratarias há muitas, seu palerma".

Eu não acredito na crise. Mas que ela existe, existe!


sábado, 18 de abril de 2009

Das botas cardadas aos pezinhos de lã


Lá que tenha condecorado pides, não meterei a, como se costuma dizer, foice em seara alheia. Talvez tenham prestado valorosos serviços ao país. Quais, não faço a menor ideia. O que é certo é que me senti horrorizado. Será necessário, contrariando a lavagem que se tem feito do Estado Novo, dizer às novas gerações quem foram esses esbirros. Sentir-se-iam como eu, com certeza.
Que tenha negado uma pensão à viúva do Capitão Salgueiro Maia… aí não vou dizer como me senti. Porque me sentiria antes um traste comentando uma reles atitude de vingança mesquinha.
Isto foi Cavaco Silva na altura em que era primeiro-ministro. Agora, como Presidente da República, o homem da Opus Dei consegue elevar a perfomance. Promover um reformado a Major-General. Será mesmo disto que o país precisa?
O problema da minha indignação estará mesmo, muito possivelmente, em mim próprio. Não consigo adaptar-me a uma “democracia” destas. Doutra forma conseguiria respeitar gente desta.

Ninho, uno e indivisível

por Augusto Alberto


Em Abril, como é habitual, ainda não vi andorinhas nos meus beirais. Provavelmente verei mais tarde do que o normal, porque o tempo de Abril por agora vai frio e talvez por isso a Primavera ande desconfiada. Mas no Pocinho, no beiral, mesmo por cima da minha janela, do edifício do Centro Nacional de alto rendimento de remo, os ninhos são já muitos.
Estou neste momento em convívio com cerca de 70 alunos de colégios e universidades de Inglaterra, que escolheram o Pocinho para o seu “campus” de treino da Primavera. Eton, o colégio dos colégios de Inglaterra, em cujas instalações e estruturas se irão disputar as provas de remo e canoagem nos próximos Jogos Olímpicos e Paraolimpicos de 2012, onde desejo estar, e a Universidade de Bristol, são exemplos. Muitos alunos oriundos dos Estados Unidos, Canadá e até um jovem da Colômbia. Gente com gostos muito diversos. Muito dados ao chá, já o sabíamos, molhos, pimenta nas sopas, saladas, batata frita, bacon e ovos. Conseguir contentá-los do ponto de vista da dieta, segundo os seus gostos, é tarefa complicada.
Em Março, também convivi com a equipa olímpica francesa. Uma equipa com muitos e bons resultados, duas medalhas de bronze em Pequim, fruto de um bom nível de organização e disciplina, já consolidados há muitos anos. Sem atletas profissionais, tal como os nossos, com os mesmos problemas de universidade e emprego, mas bem resolvidos, em linha com um modelo estrutural que deu resposta capaz de solucionar essas questões para que os seus melhores atletas possuam o tempo necessário para a preparação ao mais alto nível. Para os universitários, a “net” mantêm-nos em linha com a universidade, na busca das ferramentas para continuarem os seus estudos, mesmo longe do país e em pleno treino de alto rendimento. Por França, há mais vida para cá e para lá do futebol.

Entretanto, às andorinhas que sobre a minha janela do quarto construíram os seus ninhos, observo-as em total azáfama, buscando em cada voo o barro com que laboriosamente os reconstruíram. Desconheço se o bando tem alguma hierarquia, mas sinto que o ninho é uno e indivisível e por isso, sortidas para o tomar de assalto, são duramente reprimidas. Convivem penduradas nos fios eléctricos e são pássaros trabalhadores, que procuram com garra o seu alimento. Se existe outra regra, creio, é a de não roubar o produto do trabalho de quem procurou e amealhou e por isso, qualquer tentativa é também repelida com aspereza e estrondo, porque por ali, do mesmo passo, não devem faltar os espertos.
Confronto esta apreciação, com notícias publicadas nos jornais diários. E essas notícias dizem-nos que a sopa dos pobres vai em crescendo e que as misericórdias vão no sentido do reforço da malga. Ora aqui está aparentemente uma boa solução. Mas eu que já sou burro velho, e já vi este filme, tenho bem presente os níveis de caridadezinha dos tempos do fascismo. Receio bem que estejamos quase no mesmo nível.
A coisa deve estar tão preta, porque de momento nem o esteta do Governador do Banco de Portugal consegue esconder a coisa, sempre contada como se ainda o pior não tivesse chegado. Mas logo novos dados nos dão em pior estado do que o anterior. Merdas!
Sinceramente, acho que está na altura de fazer tal como as andorinhas, repelir com aspereza e estrondo esta gente, que sem dó nem piedade, nos meteu neste estado de angústia. Porque deveremos nós ter piedade desta gente que nos atira de novo para as sopas do Barroso?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

Nos 100 anos de Soeiro



Militante comunista, precursor do Neo-realismo e um dos seus nomes mais destacados. O seu livro mais conhecido, publicado em 1941 com ilustrações de Álvaro Cunhal, foi “Esteiros”, dedicado “aos filhos dos homens que nunca foram meninos”.
Soeiro Pereira Gomes foi também um dos poucos escritores que levou para as páginas da literatura, com os “Contos Vermelhos”, uma época conturbada da História de Portugal do século XX: a luta clandestina contra a ditadura fascista. Os outros escritores foram Manuel Tiago e José Casanova, o director do “Avante!”.
Soeiro faria hoje cem anos.

14 de Abril – Dia da Juventude Angolana

Homenagem a Hoji-ia-Henda

Peito ao vento
na anhara em chamas
Hoji valente
de coração Henda
braço e arma
um só

Nem o leão ousado
ruge mais:
no troar dos passos
Hoji Comandante
de coração Henda
o ritmo de combate

Peito ao vento
na anhara em chamas
Hoji Camarada
em teus olhos Henda
um fulgor canta


Jofre Rocha (poeta angolano)


No dia 14 de Abril de 1968, José Mendes de Carvalho, de 27 anos, era morto em combate contra o exército colonial português. Em Karipande, no Leste. Era o lendário Comandante Hoji-Ia-Henda.
Considerado um herói do povo angolano, a I Assembleia da III Região Militar do MPLA passou a considerar, a 23 de Março de 1969, este dia como o Dia da Juventude Angolana.
Há uns anos, algumas associações juvenis filiadas no Conselho Nacional da Juventude determinaram que o dia 14 de Abril continuaria a ser o Dia Nacional da Juventude Angolana.

domingo, 12 de abril de 2009

Pela Paz na Palestina

MPPM - Movimento pelos direitos do Povo Palestiniano e pela Paz no Médio Oriente

Sete maravilhas, Dois artistas, e um comissário

Entre os portugueses depressivos e neurasténicos, o artista Fernando Campos encontrou, aqui, um fora-de-série.
É exactamente o mesmo que preside à comissão das “7 Maravilhas Que Certos e Determinados Portugueses Mandaram Outros Fazer”, cujas,
aqui, o artista Pedro Penilo colocou à votação.
Eu já votei mas não revelo em qual. Longe de mim querer influenciar alguém. E, além disso o voto é secreto.

sábado, 11 de abril de 2009

Dentro de ti ó cidade (IV)

não eram cinco da tarde
nem da noite ou da manhã



No passado dia 3, num texto do meu camarada Augusto Alberto sobre os anónimos, um anónimo acusou as pessoas que comentaram de não utilizarem o nome próprio. Acontece que essas pessoas, que não anónimas, assinaram com o nome próprio. Uma delas é uma figura pública, um nome importante da música portuguesa, discípulo de Zeca Afonso e por ele descoberto. Um cantor de Abril, portanto. Ainda há dias foi entrevistado na RTP Memória. Menos anonimato que isso penso ser impossível. Tanto mais que Samuel assina um dos mais interessantes e inteligentes blogues da blogosfera portuguesa.
Triste figura fazem, então, os anónimos. Está bem, concordo com Brel quando ele diz que prefere enganar-se a ficar calado. Mas há limites, caramba. À excepção de quem se esconde, porque sabe que utiliza a má fé.
Em mais uma evocação de Abril deixo aqui uma parceria de Samuel com o grande poeta e incontornável figura da cultura portuguesa que foi José Carlos Ary dos Santos.