quinta-feira, 7 de maio de 2009

O rapaz cromado

Augusto Alberto

Confesso que ainda estou meio baralhado com os acontecimentos do 1º Maio. Já não se pode estar um tempo fora da pátria, para um tipo chegar tarde e a destempo às coisas, e neste caso, a única que percebo, é porque por tão pouco, se fez tanto barulho. Porque nunca nada rendeu tanto, do ponto de vista eleitoral e político, como o anti-comunismo. A história moderna é feita cavalgando sistematicamente sobre esse sentimento e os frutos têm sido generosos.
Deixem-me dizer, em primeiro, que os comunistas não têm que pedir desculpas pelos fracos factos, a não ser que nos peçam desculpas, à cabeça, pelo modo como nos conspurcaram durante anos. Quem nos acusou durante tantos anos de comer meninos ao pequeno-almoço, de matar os velhinhos com uma injecção atrás da orelha, de querer ficar com o automóvel e a casa do vizinho, frutos de uma vida de trabalho, etc, é que se terá de retratar, já vai sendo tempo, porque isso foi o modo mais soez de nos ultrajar. Já se esqueceram? Pois bem, pedir desculpas, a quem nos tem de pedir a nós, a propósito de quê?
Sabe-se, adiante, que um militante do bloco de esquerda, tentou também molhar a sopa no cromo e a par, berrou-lhe nomes, que o sujeito, aparentemente, não gostou. Mas foram os comunistas…

A mesma luta ou, a história repete~se

A propósito destes distintos revolucionários, deixem-me contar aqui uma história passada há muitos anos, como aquela da carochinha, que apesar do uso do tempo, se conta sempre com propósito.
A Figueira da Foz ainda tem, passados tantos anos, um grupo MRPP, certinho do ponto de vista eleitoral. Mas nos tempos quentes de 75/76, o Partido da “revolução” era servido na minha terra, por gente gira, mas pela amostra, sem grandes meios para se fazer expressar. Naquele tempo, não havia computadores com impressoras em linha. Os meios eram fracos e qualquer acto de propaganda escrita tinha de se socorrer de um local onde houvesse uma tipografia, com máquina de escrever, papel stencil, tinta e uma policopiadora. Então, era vê-los entrar e sair da tipografia, lépidos e discretos. Às vezes, os meios colapsavam e saia borrada. Quer isto dizer que os meios de ontem são hoje de museu, mas muitos dos distintos “militantes revolucionários do partido da revolução proletária”, nem por isso, estão redondinhos e giríssimos. Actuais…
Mas imaginais onde se situava então a tipografia onde entravam e saíam à sucapa e lestos, os distintos militantes do partido do Povo? Numa porta de um edifício da Rua da República, rua por excelência do comércio e por isso, a principal, sede local do Partido Socialista cá da cidade. Aqui está como revolucionários e canários de pena rosa se confundiam e confundem, e por isso, o Pai Soares gritava, à época, deixai viver os rapazes…
Não se espantem, se o cromo rosa e o rapaz com ar cromado, sejam ambos figurinhas da mesma encenação, porque democratas e pífios revolucionários, são exactamente tudo isto e muito mais. Dentro em pouco, saberemos como participarão nesta supimpa democracia. Pelas amostras, os seus braços, são longos e abrangentes.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Autárquicas: CDU apresenta candidatos

foto: Pedro Cruz

foto: alex campos



A CDU apresenta, daqui a pouco, em conferência de imprensa marcada para as 17h30, os candidatos aos órgãos autárquicos. Para a câmara a coligação aposta na professora Silvina Queiroz, actual deputada à Assembleia Municipal.
Dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro e da União dos Sindicatos da Figueira da Foz, é também membro do Coral David de Sousa.
Figura conhecida e participativa na sociedade, tem liderado ou integrado vários movimentos cívicos como, por exemplo, o movimento de solidariedade com Timor, ou o movimento “Nascer na Figueira” que teve como objectivo a defesa da maternidade do HDFF que, inexplicavelmente, foi encerrada pelo actual governo em 2006.
Nelson Fernandes, também actual deputado à AM é o primeiro nome proposto pela coligação para a Assembleia Municipal. Enfermeiro-director do HDFF, actualmente reformado, este antigo jornalista esteve ou está ligado a várias organizações de solidariedade social, como os Bombeiros Voluntários, a Cruz Vermelha ou a Misericórdia-Obra da Figueira.
Depois da candidatura independente de Javier Mendez de Vigo, a CDU é a segunda a perfilar-se.

Kayaksurf na Figueira


Realiza-se no próximo sábado, 9, na Praia do Cabedelo, a III Edição da "Kayaksurf Session". Esta é a maior concentração nacional de uma modalidade que ganhou maior expressão com a criação de um circuito nacional que percorre quatro praias do país.
Em 2006 disputou-se a final da Taça do Mundo em Peniche e, este ano, realizar-se-á o mundial em Santa Cruz, Torres Vedras.
É uma boa sugestão para uma visita à Figueira da Foz para assistir a um evento diferente... e espectacular.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Que anarcas bisonhos

por Augusto Alberto


Entrei no avião em Malpenza/ Milão, pelas 20.00 horas e após estar uns dias fora da pátria, fui logo direitinho aos jornais pátrios de referência. Sentei-me confortavelmente e vai de folhear folha a folha na procura das histórias que durante 6 dias me passaram ao lado, e hoje, mal dormido da viagem, pela manhã, fui à bica e aproveitei para folhear jornais de há dias mais atrás, na procura continuada de mais histórias e como era de prever, lá estavam.
Fiquei espantado com a notícia do “destrambelhado”, que ficando sem emprego e na contingência de ir dormir para debaixo da ponte, porque lhe foi indicada também a porta de saída da casa em que vivia, resolveu dizer sim senhor, para baixo da ponte não, vou para o definitivo, e lança em alta velocidade o seu carro contra o cortejo real holandês. O seu desejo seria o de se fazer acompanhar da família real. Infelizmente, este “tresloucado” acto, ceifou 6 vidas que estavam ali só para dar vivas à realeza. Sabemos que o homem também morreu, mas fica por saber porque não resistiu à perda violenta do desemprego e da habitação. A festa na Holanda começou mal e a democracia viu-se naquele momento confundida. Que se saiba o homem nem comunista era, porque, creio, por ali são residuais. Ponhamo-nos à coca, porque às vezes a democracia faz perder o tino ao cidadão mais pacato.

Outros lº de Maio por esse mundo tiveram arruaça forte. Li que na Rússia, Turquia, Alemanha, Itália, Grécia, etc, etc, foi um dia esticadinho e de muitas nódoas, mas por cá, uma incompetência. Desilusão! Os anarcas pátrios reuniram cerca de 80 simpatizantes lá para o Príncipe Real e logo comecei a ficar frustrado, porque até estes se portaram certinhos, direitinhos e fraquinhos. Já não há anarcas como antigamente. Como se a desilusão já não fosse pouca, fiquei espantado porque na manifestação principal a coisa ficou-se também por pouco, mas apesar de pouco, o ruído é ainda enorme, só porque um cromo cá da praça levou uns encontrões, ouviu palavrões, e ainda por cima foi borrifado com água de garrafa, que bem cara é. Estou incrédulo, porra. Como é possível entornar água tão cara sobre um sujeito destes? Que tamanho desperdício.
Esta pátria é uma desilusão, porque bem vistas as coisas, não passa de uma pátria bisonha e incompetente, porque nem uma arruaça de jeito é capaz de fazer.
Já nem sei o que dizer, a não ser que me parece também que os paineleiros políticos, tal como os do futebol, são por cá tão fraquinhos, que até as defesas do cromo são também incompetentes.
Falta o próximo. Haverá de ser em Almada.
Mas que isto está a pedir uma boas porradas, não tenhamos dúvidas.

Adenda (por alex campos): O rapaz da foto, o loiro, segundo da direita para a esquerda, foi o tal que foi apanhado pelas câmaras de televisão a cumprimentar o triste Vital. Ou seja, um dos autores da farsa engendrada pelo "ps". O blogue "O sexo e a cidade" faz aqui uma apresentação mais pormenorizada.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Parabéns, Luandino


Nacionalista angolano, José Vieira Mateus da Graça, nasceu em 1935, a 4 de Maio, na Lagoa do Furadouro, Vila Nova de Ourém, Portugal. Preso pela PIDE por várias vezes, uma das quais cumpriu pena, 14 anos, no Tarrafal. É um dos mais conceituados escritores angolanos e um dos nomes grandes da literatura de língua portuguesa.
Em 1965 a Sociedade Portuguesa de Autores atribui-lhe o grande prémio Camilo Castelo Branco, o que levou a Pide a desmantelar a sociedade.
Em 2006 venceu o Prémio Camões, o maior galardão literário para a língua portuguesa, que rejeitou por motivos “íntimos e pessoais”.
Romancista, novelista, poeta, tradutor. Traduziu para português a célebre obra de Anthony Burguess, “Laranja Mecânica”. Escreveu, entre outras obras, “Nós, os do Makulusu”, “No antigamente, na vida”, “Luuanda”, “João Vêncio: os seus amores” ou “A cidade e a infância”.
Foi secretário geral da União dos Escritores Angolanos (membro fundador) e secretário geral adjunto da Associação dos Escritores Afroasiáticos.
Pelo enriquecimento que trouxe à língua portuguesa, pela recriação da linguagem oral, penso que é um sério candidato ao Prémio Nobel.

Arrastão do Martim Moniz: os suspeitos do costume


domingo, 3 de maio de 2009

Afinal havia outra…

Desta vez a estratégia do “ps” muito dificilmente irá resultar. E iriam ter de pedir desculpas ao PCP, e mesmo à CGTP-IN que, como é fácil entender, não teve nada com o assunto, caso tivessem dignidade para tal.
Vital, que terá desbaratado o pouco arcaboiço intelectual que ainda conseguia arvorar ao servir um intento destes, sairá muito mal na fotografia. É que depois de andar a falar mal de quem trabalha lá no seu blogue, não se cansando de lamber as botas ao primeiro-ministro, teve o desplante, eleiçoeiro, já se vê, de se ir colocar entre os que ele diariamente desanca.
Aqui se pode ver que um dos figurantes da “agressão” afinal é da casa. Azar, foram descobertos pelas câmaras.
Vejam bem.

A imprescindibilidade

Aquela negra


aquela negra, de enxada em punho,
lutando pela minha fome;
aquela negra que jorra suores na minha sede;
que vai de lenha à cabeça
porque o frio me consome;
aquela negra pobre, sem nada,
que vende os panos para me vestir,
que chora nas ruas o meu nome,
aquela negra é minha mãe.

Jorge Macedo (poeta angolano)






“Nocturno, maternidade com gatos”, 70x80, 2004
Fernando Campos




A mãe

de noite
ouvi barulho
na cozinha

levantei-me

fui ver.

a mãe passava a ferro
os calções que eu devia
levar à escola.

sentada, mal podia
com o ferro. longe
um galo já dizia: “o dia aí vai!”

esfrego os olhos, estremunhado
e a Mãe:

- o que é filho? cuidado
não acordes o pai.

Mário Castrim (poeta português)

sábado, 2 de maio de 2009

Zeca

Um "Parque José Afonso" vai ser inaugurado a 10 de Maio junto ao "Auditorio de Galicia", em Santiago de Compostela, em homenagem ao autor de "Grândola, Vila Morena", informou hoje o Núcleo do Norte da Associação José Afonso (AJA).
Situado numa lateral do Auditorio de Galicia, o parque é uma homenagem ao cantautor português promovida por um grupo de amigos, apoiada por cerca de três mil pessoas de todo o mundo e aprovada pela câmara de Santiago de Compostela, precisou Paulo Esperança, daquele núcleo.

O "Parque José Afonso" situa-se junto do complexo Burgo das Nácions (Burgo das Nações), onde actualmente se concentram várias residências universitárias e onde em 1972 Zeca Afonso cantou pela primeira vez em público "Grândola, Vila Morena" na sua primeira digressão pela Galiza, que integrou também espectáculos em Ourense e Lugo.
A inauguração do parque é o culminar de um projecto iniciado por Benedicto Garcia Villar, um dos fundadores do grupo galego Voces Ceibes (Vozes Livres) que entre 1968 e 1974, com a sua música de intervenção, afrontou a ditadura franquista, e que pretendia dar o nome do cantor português, de quem era amigo, a uma rua de Santiago de Compostela, indicou Paulo Esperança.
O professor universitário Xoan Guitian é outro dos promotores da iniciativa. Segundo Paulo Esperança, Zélia Afonso, viúva do cantor, e elementos do núcleo do norte da Associação José Afonso, vão marcar presença na inauguração do parque. Na véspera da inauguração, o Núcleo do norte da AJA promove no Centro Social do Pichel, em Santiago de Compostela, um espectáculo com poemas, imagens, narração e música subordinado ao canto de intervenção, cuja segunda parte será assegurada por Tino Flores, que também gravou com José Afonso.
José Afonso nasceu em Aveiro a 2 de Agosto de 1929 e morreu em Setúbal em 23 de Fevereiro de 1987. Fado de Coimbra, recuperação de temas populares e originais constam da vasta obra discográfica de Zeca Afonso, que nos finais da década de 1960 e inícios de 1970 se tornou um símbolo da resistência democrática em Portugal.
(notícia LUSA)

A provocação terá efeitos?

Na imagem , 3 das "alegadas vítimas"
O “ps” colocou novamente em acção a velha estratégia da vitimização ao pormenor. Numa altura em que as “sondagens” dão o PSD muito próximo há que fazer pela vida. Não sei porquê mas já esperava por uma encenação destas. É que já não é a primeira nem a segunda, e a experiência sempre nos ensina qualquer coisa. E ajuda-nos a criar hábitos, não é?
A primeira vez resultou em cheio quando levou um ex-agente da CIA à presidência da república. Outra vez, esta com contornos locais, os figueirenses lembrar-se-ão certamente, quando em 1997 era iminente a vitória de Santana Lopes nas autárquicas, também um dirigente local do “ps” foi parar às urgências queixando-se de um inexistente ataque de forças laranjas. Não resultou.
E desta vez penso ser difícil resultar. Porque penso mesmo ser impossível fazer das pessoas parvas eternamente.
Triste é não se darem conta do ridículo. Mas estas tramóias estão-lhes no sangue, como diria o povinho. Até mesmo entre eles fazem destas coisas, basta lembrarmo-nos do Assis e dos acontecimentos em Matosinhos nas últimas "europeias".
Apetece-me lembrar o que um eminente "socialista" disse-me, ironicamente em 97 de Santana Lopes: "O homem é encartado". E lembrei-me porque eles não ficam nada atrás.
Tem mais aqui e aqui.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

1º de Maio na Figueira, esta tarde





Festejou-se Abril, viveu-se Maio. Sem provocações daqueles que aprovaram o código de trabalho, daqueles que são responsáveis pela degradação das condições de vida das populações, daqueles que se vão governando, daqueles que não têm dignidade nem vergonha e que provocam... tanto de votos precisam para continuarem esta política que, indubitavelmente, não interessa.
Em Lisboa os trabalhadores não tiveram tanta sorte...

"O sonho comanda a vida", disse um poeta


“Ainda hoje acredito que é possível aquilo com que sonhávamos.
Aprendi no Tarrafal que nem que dure 50 anos, 60 anos, a situação actual é apenas um desviozinho no curso da História. Claro que gostava de ver tudo isso em vida minha…”


Luandino Vieira, 2009.05.01, jornal O Público, entrevista de Alexandra Lucas Coelho

Danaram-se!!!



Que um jornalista cante e toque viola baixo, um treinador de natação cante e toque guitarra e um pugilista toque bateria, não será nada de admirar. É, como diria o outro, “uma situação perfeitamente normal”.
Agora, se seria ou não aconselhável que se juntassem, é uma situação bastante discutível.
Mas já é tarde. E o resultado deu nisto!

"O Estado sou eu"


Maio