domingo, 17 de maio de 2009

18 Anos

Augusto Alberto

Azharuddin, dito assim, a frio, ficamos sem saber do que se trata, mas se se disser que é o nome do menino que foi figura principal do filme, vencedor dos últimos Óscares, Quem quer ser bilionário?, já somos capaz de nos entender. O menino tornado ocasional estrela, tal como outros seus companheiros indianos, vive em barracas na grande cidade de Mumbai. Acontece que a imprensa nos disse que a barraca onde o menino vivia com o seu Pai, tuberculoso, foi destruída e ainda por cima, para a concretização do acto, a polícia de Mumbai ferrou na família e nos restantes residentes, umas valentes cacetadas. Estas coisas impressionam-me sempre, sobretudo porque também quando fui menino passei por algumas dores, e porque sei também que a “grande democracia” Indiana, é uma extraordinária tragédia colectiva, tal como nos disse Salman Rudhsie, no seu livro, O último suspiro do mouro e a propósito, o próprio filme. Mas no mesmo dia em que li esta noticia, também vi uma reportagem num canal de Tv., que me deixou duplamente amargurado, até porque neste caso, já sou eu, na pele, de quem durante muitos e muitos anos trabalhou com muitos jovens, e felizmente com pleno êxito. Do ponto de vista desportivo, com muitos e variados títulos, alguns com útil experiência internacional e fundamentalmente, com enorme sucesso escolar e social.
Tratou-se de uma reportagem que falou da desmesurada preocupação de um pai em fazer dos seus filhos, especialmente um deles, um homem rico, via futebol. Quero aqui dizer, que neste mundo que nos ensina que é preciso consumir, consumir de preferência do melhor, e que para isso é preciso ter muito dinheiro, é uma cretinice. Mas o mais grave, é que há quem ache, ser possível com passes de mágica. Aquelas imagens impressionaram-me exactamente pela idiotice, de criar rotinas tão estreitas e únicas em meninos de 7 anos, como a redução de experiências que se querem universais, em geral, do gesto, em particular, se nos ativermos exclusivamente ao conceito do treino, e muito singularmente, às do ponto de vista psicológico, que sendo tão limitadas, em caso de falha, as sequelas ficarão por muitos anos. Este amor paternal, visto deste modo, é uma perversão!
Nestas histórias, falou-se ainda de um número, o 18, para o efeito, um número redondo. 18 anos será então o momento da maior idade e chave. Porque o realizador nos diz que os meninos, figuras centrais de um entretimento filmico, poderão, enfim, chegar a uma conta onde lhes depositou dinheiro. Acreditemos nessa bondade. E se um menino foi exactamente menino, os 18 anos serão o início da maturidade cívica, concerteza, e a vida então correrá. Mas se o menino nunca foi menino, então os 18 anos serão só uma passagem de um trajecto abjecto e besta que continuará assim, até ao epílogo. Mas 18 anos poderá ser também a idade de todas as desilusões no futebol, e a passagem a um estado menor, porque essa barreira custa e a taxa de sucesso é muito estreita. Jogar tudo na estreiteza dos horizontes é o mesmo que qualquer um de nós se candidatar ao euro milhões, digo eu, com taxa de reduzidíssimo sucesso, com toda a probabilidade.
Todavia, esta democracia que nos tranca e trata de matar muitos pela fome, também esmaga o pensamento, cada vez mais, único, e por isso, deixa muitas vezes as pessoas parvas.
A propósito desta história indiana, achei justa uma observação colocada na net, com lapidar síntese. – Se calhar nunca nenhum dos miúdos vai chegar aos 18 anos. Sabe-lo-e-mos mais adiante.

sábado, 16 de maio de 2009

Alegres patetices ou alegres xico-espertices?

O falso tabu sobre a posição de Manuel Alegre em relação ao “PS” não trouxe nada de novo. Penso que nunca passou pela cabeça de ninguém que ele alguma vez sairia do seu partido. Nunca acreditei que ele alguma vez tivesse tido alguma divergência com o seu partido. Quem não tem a memória curta deve lembrar-se da figurinha triste que ele fez quando da votação do Código de Trabalho no parlamento. Bem como outras a que já nos tem habituado.
Agora o facto de não integrar as listas pode ser uma jogada política de mestre em que os grandes vencedores serão ele próprio e o “ps”.
Sabe-se, sente-se, sofre-se a política desastrosa do governo do partido de Manuel Alegre.
Sabe-se também da apetência que o vice-presidente da Assembleia da República tem pela presidência da República. É uma maneira de sair ileso, pois sempre vai fingindo que não está de acordo com a perfomance governamental. E assim vai preparando a sua candidatura.
Estratégia inteligente, em contra ponto com a de Vital Moreira, que passa a vida a falar mal de quem trabalha no seu blogue e agora aparece como candidato além de se ter ido meter no meio de quem trabalha. Melhor dizendo, estratégia inteligente contra a falta de estratégia.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mais um candidato à CMFF, já são 3

Ora vamos lá a ver se eu percebo esta coisa: o “PS” escolheu o juiz do Tribunal de Relação de Coimbra, José Ataíde das Neves, para candidato à Câmara Municipal da Figueira da Foz. Segundo a imprensa a reunião prolongou-se até de madrugada, o que dá a entender que a escolha não terá sido propriamente fácil. Saber escolher também tem a sua arte.
Mas a formalização da candidatura está ainda dependente da autorização da suspensão de actividade do juiz pelo Conselho Superior de Magistratura.
Enquanto aguardamos pela referida autorização e pela consequente apresentação oficial do candidato, suponhamos que o CSM não autoriza a suspensão de actividade.
É caso para dizer que os “socialistas” não dariam só um tiro no pé. Literalmente, suicidar-se-iam. Quer dizer, era um tiro na tola.
Mas com esta escolha as nossas fontes enganaram-se, também, redondamente. Lá calha.

Da liberdade na blogosfera

ilustração de: Fernando Campos
Se há sítio no mundo onde a liberdade tem expressão mais real é na blogosfera. Porque exercida a seu bel-prazer por cada um de nós. Não há regras impostas, leis, regulamentos, a não ser o comportamento de cada um. Há, isso sim, ou melhor, deveria haver, regras subentendidas de respeito pelo próximo, pelo trabalho ou opinião de quem os emite.
Mas não há. E assim aparece esse flagelo do anonimato, sob o qual são manifestadas opiniões muitas vezes mesquinhas, mal-educadas, denunciando, ora cobardia, ora vergonha de assumir aquilo que no fundo sente ou pensa o emissário da missiva.
Os direitos de autor são outro problema. Pela minha parte, já várias vezes tenho publicado aqui textos, fotos, cartoons, ou mesmo aludindo a determinados temas, citando sempre a origem ou fazendo um link.
Não me chateia absolutamente nada que copiem textos daqui, mesmo sem citarem a fonte. Primeiro porque não posso fazer nada contra isso e, segundo, até é um motivo de orgulho porque significa que o texto até tem a sua importância. Mas seria sempre de bom tom citar a fonte, porque doutro modo o acto pode ser confundido com “usurpar o trabalho de outrem”.
Uma das vezes aconteceu com um jornal e aqui fiz referência. Agora nem vou citar este último caso, pois fiquei mais admirado que incomodado, só porque este “copianço” deselegante partiu de uma conhecida e respeitada instituição local.
Mas aqui fica o registo.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Pressões e pressões


Há pressões de várias qualidades. Há quem pressione sozinho, assim, sem mais nem menos e por sua livre recriação, só porque lhe deu na gana, e pronto. E há quem seja pressionado. O Engenheiro Sócrates, por exemplo, que ganhou uma auréola de aldrabão, descobre-se agora que injustamente. Pelo menos sobre o referendo ao Tratado de Lisboa, e segundo o cartaz acima, foi pressionado.
Falta agora saber quem foi o responsável da pressão que impediu o engenheiro de não ter criado os 150.000 empregos de acordo com promessas eleitorais, subindo, aliás assustadoramente, o desemprego. Como o Código de Trabalho de Bagão Felix, que o PS condenou e, depois, no governo, veio a agravar. Falta saber muita coisa. A seu tempo…
Como também seria engraçado saber quem pressionou um triste e obscuro secretário de estado a dizer que iria trucidar os funcionários públicos.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ginásio: 2º lugar na Coruña


O jovem Volodymyr Batyuk

A equipa de halterofilismo do Ginásio CF classificou-se em segundo lugar, colectivamente, no Torneio Internacional da Coruña, disputado no Pavilhão Riazor, perante numerosa assistência. Competiram 48 atletas de 5 clubes e os ginasistas Viasheslav Kondrashov e Volodymir Batyuk obtiveram o segundo e o terceiro lugares individuais, respectivamente.
O facto de os melhores halterofilistas actuais do ginásio serem filhos de emigrantes ucranianos traduz as dificuldades que a modalidade tem, como outras, no recrutamento de atletas. Isto porque o futebol e o basquetebol parecem ter um efeito eucalipto. Basta vermos quantos figueirenses as equipas profissionais destas duas modalidades possuem nos seus plantéis e quantos atletas figueirenses disputam as respectivas primeiras ligas. Ou mesmo as segundas. No entanto, as suas classes de formação têm muitos atletas...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Do sentido do voto ao voto com sentido


Falta já menos de um mês para a eleição do novo Parlamento Europeu. Um acto não pouco importante para o país mas para o qual os eleitores, portugueses e não só, estão pouco sensibilizados, a julgar pelos índices de abstenção que esta chamada às urnas costuma proporcionar.
Diga-se em abono da verdade que a comunicação social também não ajuda na sua missão de informar sobre a actividade dos deputados que com o nosso voto para lá vão. Se muitos, como diz o povo, só vão para lá pavonearem-se e esperar pelo fim do mês, que é um regalo, diga-se de passagem, outros trabalham e apresentam ou fazem por apresentar resultados em prol das populações que os elegeram e que representam.
Aqui pode ver, comparativamente, a actividade de duas deputadas e, quiçá, modificar o seu sentido de voto, se é que já o tem. Isto, se notar alguma diferença. Que penso que sim, é bastante nítida.

domingo, 10 de maio de 2009

Instante

foto: alex campos

O vento passou
beijando a magnólia do jardim.
Docemente a beijou…

e vestida de rosa e roxo,
a magnólia sorriu, e ficou.
Docemente sorriu…

o vento passou.
A magnólia floriu.



Alda Lara

A ciclovia

Augusto Alberto

O lago di Varegio tem os Alpes por perto e está cercado por pequenas povoações, uma delas Gavirate, lugares de vivendas, em Italiano, vilas, onde a classe média de Milão, a cerca de 40 km, faz férias ou o repouso do fim-de-semana. O lago não é grande e está cintado por uma pista pedonal e ciclável, feita túnel pelas copas das árvores em boa parte e com um perímetro de cerca de 30 km. São às centenas os Italianos efusivos, afáveis e sonoros que por ali andam, correndo ou pedalando nas suas brilhantes bicicletas. Convêm dizer que naquela zona é grande o gosto pelo ciclismo e também pelo remo.
Claro está, que também eu, num momento de pausa nas minhas tarefas técnicas, dei curso ao meu bichinho e tratei de me equipar e correr, cerca de 70 minutos. Como sempre, é um hábito adquirido, pensei e reflecti sobre muitas coisas. Tentei ligar e juntar ideias e a primeira coisa sobre que reflecti, foi o facto de, há um par de anos, ter ficado a saber que um senhor vereador da minha terra, hoje distinto deputado pátrio, ter classificado como a melhor da Europa, a ciclovia, em zona urbana, os cerca de 4 km de pista criada ao longo da avenida oceânica da minha cidade. Já na altura me pareceu que o distinto vereador estava a exagerar e a falar para tolos, e nesse instante da minha corrida, confirmei essa impressão. Exactamente durante a minha corrida ao longo da pista do lago di Varegio, estive a pensar como dizer neste pequeno texto o que penso, aparentemente a destempo, porque já vão anos, mas é sempre bom que se diga, sobre a forma como nos tratam e dizem as coisas. Então eu acho que devo dizer, apesar de saber que o actual deputado da nação, não lerá este simples texto, que presunção… o seguinte:
Tal como a roda foi inventada há muitos anos e hoje é de uso universal, também as ciclovias por essa Europa adiante, são de uso lúdico também há muitos anos. Não valia a pena tanta palavra e fogo para celebrar coisa tão simples e já muito vista. Tomo isso, como uma “boutade”, à conta de alguma vaidade, ou então...
É certo que de um modo geral as coisas sempre chegaram, ou ainda nos chegam, relativamente tarde. Historicamente sempre foi assim. A nação muitas vezes esteve uns anos atrás do que de melhor e mais moderno se fez por essa Europa fora. E não são coisas só de 48 anos, em referência ao longo período do fascismo. Antes desse abjecto período, tivemos o longo tempo da inquisição, onde o pensamento, por exemplo, também foi longamente reprimido. Pensadores e intelectuais como António José da Silva, pagaram bem caro a ousadia de pensar e criar. E ainda há bem poucos anos Saramago foi vetado por um patusco e estreito sub-secretário de estado, e ainda hoje, o “prémio Camões”, o Brasileiro João Ubaldo Ribeiro, tem a sua obra, “A casa dos budas ditosos”, também vetada, por razões de decoro, diz-se, em local claramente identificado nesta pátria, de pistas pedonais e cicláveis atrasadas.
A minha dúvida continua a ser se o distinto ex-vereador e hoje deputado, e ainda outros deputados, não têm razão quanto ao modo como nos distinguem e utilizam como Povo. De um modo geral, acreditamos que pode ser assim e que suas excelências, são capazes de estar a falar piamente verdade.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A mudança obamiana ou no melhor pano cai a nódoa


O meu cepticismo levou-me desde o princípio a desconfiar da tão esperada mudança na política norte-americana, com a saída do Imbecil Bush e a entrada de Obama. Cheguei mesmo a escrever que seria uma mera mudança táctica, ou seja, a substituição das “botas cardadas” pelos “pézinhos de lã”. Cheguei também, pegando na teoria de Frank Zappa, a divulgar o meu sentido de voto: em branco. Enganei-me redondamente.
No melhor pano cai a nódoa.
É que Samuel, no seu blogue “Cantigueiro”, depois de um aturado trabalho de investigação, consegue provar que houve efectivamente muitas mudanças, expondo categoricamente uma delas.
Mas nem tudo ainda é perfeito. Aquela de considerar Silvio Rodriguez um perigoso terrorista é uma atroz injustiça, digna dos tempos da caça às bruxas. Porque assim, também Zeca Afonso, Francisco Fanhais, Adriano, Pete Seeger, Tom Paxton, Malvina Reynolds, Graeme Allwright, o próprio Samuel, e muitos outros, são “perigosos terroristas”. Injustiça mais medonha ainda, quando foi Samuel que investigou e divulgou as tão propaladas mudanças.
No melhor pano cai a nódoa.

Remo paraolímpico - Regata internacional


Filomena Esteves

Em Itália, numa regata internacional, a atleta treinada por Augusto Alberto, prezado cronista aqui da "aldeia" , mostrou grandes progressos, dando a ideia de que se pode contar com ela para os próximos Jogos.

Alberto conta como foi:

"No lago di Varegio, na localidade de Gavirate/ Itália, decorreu no passado fim de semana de 2 e 3 de Maio, a primeira regata internacional para o remo adaptado, em linha com o longo período que levará aos Jogos Paraolimpicos de 2012 a realizar em Londres.
Estiveram presentes selecções fortíssimas, com os seus campeões paraolimpicos, da Grã-bretanha e Itália. Também viajaram até ao lago de di Varegio, as selecções da Rússia, Polónia e Portugal, que se fez representar com a sua atleta paraolimpica, Filomena Esteves, na categoria, arms e spalding. (braços e espaldas).
Neste primeiro encontro internacional, num remo muito especial, a atleta portuguesa portou-se de modo brilhante e conseguiu duas medalhas de ouro em outras tantas provas. Contudo, o mais importante, foram os progressos técnicos e físicos da atleta, escassos meses de trabalho após os Jogos Paraolimpicos de 2008 em Pequim. Evoluiu mais de 1 minuto, para uma distância de 1.000 metros, colocando a sua marca a um nível que lhe daria desde já um lugar para os próximos Jogos, ainda que a prova de apuramento se realize somente em 2011. Quer isto dizer, que os níveis de progressão são muitos, pelo que o tempo realizado nesta competição, se situa cerca de 30” das regatas finais onde se decidem as medalhas em Campeonatos do Mundo e Jogos Paraolimpicos. É uma diferença possível de diminuir substancialmente, e cremos que na próxima competição, a realizar em Poznan/Polónia, no Campeonato do Mundo, a realizar em Agosto, isso vai ser uma realidade".

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O rapaz cromado

Augusto Alberto

Confesso que ainda estou meio baralhado com os acontecimentos do 1º Maio. Já não se pode estar um tempo fora da pátria, para um tipo chegar tarde e a destempo às coisas, e neste caso, a única que percebo, é porque por tão pouco, se fez tanto barulho. Porque nunca nada rendeu tanto, do ponto de vista eleitoral e político, como o anti-comunismo. A história moderna é feita cavalgando sistematicamente sobre esse sentimento e os frutos têm sido generosos.
Deixem-me dizer, em primeiro, que os comunistas não têm que pedir desculpas pelos fracos factos, a não ser que nos peçam desculpas, à cabeça, pelo modo como nos conspurcaram durante anos. Quem nos acusou durante tantos anos de comer meninos ao pequeno-almoço, de matar os velhinhos com uma injecção atrás da orelha, de querer ficar com o automóvel e a casa do vizinho, frutos de uma vida de trabalho, etc, é que se terá de retratar, já vai sendo tempo, porque isso foi o modo mais soez de nos ultrajar. Já se esqueceram? Pois bem, pedir desculpas, a quem nos tem de pedir a nós, a propósito de quê?
Sabe-se, adiante, que um militante do bloco de esquerda, tentou também molhar a sopa no cromo e a par, berrou-lhe nomes, que o sujeito, aparentemente, não gostou. Mas foram os comunistas…

A mesma luta ou, a história repete~se

A propósito destes distintos revolucionários, deixem-me contar aqui uma história passada há muitos anos, como aquela da carochinha, que apesar do uso do tempo, se conta sempre com propósito.
A Figueira da Foz ainda tem, passados tantos anos, um grupo MRPP, certinho do ponto de vista eleitoral. Mas nos tempos quentes de 75/76, o Partido da “revolução” era servido na minha terra, por gente gira, mas pela amostra, sem grandes meios para se fazer expressar. Naquele tempo, não havia computadores com impressoras em linha. Os meios eram fracos e qualquer acto de propaganda escrita tinha de se socorrer de um local onde houvesse uma tipografia, com máquina de escrever, papel stencil, tinta e uma policopiadora. Então, era vê-los entrar e sair da tipografia, lépidos e discretos. Às vezes, os meios colapsavam e saia borrada. Quer isto dizer que os meios de ontem são hoje de museu, mas muitos dos distintos “militantes revolucionários do partido da revolução proletária”, nem por isso, estão redondinhos e giríssimos. Actuais…
Mas imaginais onde se situava então a tipografia onde entravam e saíam à sucapa e lestos, os distintos militantes do partido do Povo? Numa porta de um edifício da Rua da República, rua por excelência do comércio e por isso, a principal, sede local do Partido Socialista cá da cidade. Aqui está como revolucionários e canários de pena rosa se confundiam e confundem, e por isso, o Pai Soares gritava, à época, deixai viver os rapazes…
Não se espantem, se o cromo rosa e o rapaz com ar cromado, sejam ambos figurinhas da mesma encenação, porque democratas e pífios revolucionários, são exactamente tudo isto e muito mais. Dentro em pouco, saberemos como participarão nesta supimpa democracia. Pelas amostras, os seus braços, são longos e abrangentes.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Autárquicas: CDU apresenta candidatos

foto: Pedro Cruz

foto: alex campos



A CDU apresenta, daqui a pouco, em conferência de imprensa marcada para as 17h30, os candidatos aos órgãos autárquicos. Para a câmara a coligação aposta na professora Silvina Queiroz, actual deputada à Assembleia Municipal.
Dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro e da União dos Sindicatos da Figueira da Foz, é também membro do Coral David de Sousa.
Figura conhecida e participativa na sociedade, tem liderado ou integrado vários movimentos cívicos como, por exemplo, o movimento de solidariedade com Timor, ou o movimento “Nascer na Figueira” que teve como objectivo a defesa da maternidade do HDFF que, inexplicavelmente, foi encerrada pelo actual governo em 2006.
Nelson Fernandes, também actual deputado à AM é o primeiro nome proposto pela coligação para a Assembleia Municipal. Enfermeiro-director do HDFF, actualmente reformado, este antigo jornalista esteve ou está ligado a várias organizações de solidariedade social, como os Bombeiros Voluntários, a Cruz Vermelha ou a Misericórdia-Obra da Figueira.
Depois da candidatura independente de Javier Mendez de Vigo, a CDU é a segunda a perfilar-se.

Kayaksurf na Figueira


Realiza-se no próximo sábado, 9, na Praia do Cabedelo, a III Edição da "Kayaksurf Session". Esta é a maior concentração nacional de uma modalidade que ganhou maior expressão com a criação de um circuito nacional que percorre quatro praias do país.
Em 2006 disputou-se a final da Taça do Mundo em Peniche e, este ano, realizar-se-á o mundial em Santa Cruz, Torres Vedras.
É uma boa sugestão para uma visita à Figueira da Foz para assistir a um evento diferente... e espectacular.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Que anarcas bisonhos

por Augusto Alberto


Entrei no avião em Malpenza/ Milão, pelas 20.00 horas e após estar uns dias fora da pátria, fui logo direitinho aos jornais pátrios de referência. Sentei-me confortavelmente e vai de folhear folha a folha na procura das histórias que durante 6 dias me passaram ao lado, e hoje, mal dormido da viagem, pela manhã, fui à bica e aproveitei para folhear jornais de há dias mais atrás, na procura continuada de mais histórias e como era de prever, lá estavam.
Fiquei espantado com a notícia do “destrambelhado”, que ficando sem emprego e na contingência de ir dormir para debaixo da ponte, porque lhe foi indicada também a porta de saída da casa em que vivia, resolveu dizer sim senhor, para baixo da ponte não, vou para o definitivo, e lança em alta velocidade o seu carro contra o cortejo real holandês. O seu desejo seria o de se fazer acompanhar da família real. Infelizmente, este “tresloucado” acto, ceifou 6 vidas que estavam ali só para dar vivas à realeza. Sabemos que o homem também morreu, mas fica por saber porque não resistiu à perda violenta do desemprego e da habitação. A festa na Holanda começou mal e a democracia viu-se naquele momento confundida. Que se saiba o homem nem comunista era, porque, creio, por ali são residuais. Ponhamo-nos à coca, porque às vezes a democracia faz perder o tino ao cidadão mais pacato.

Outros lº de Maio por esse mundo tiveram arruaça forte. Li que na Rússia, Turquia, Alemanha, Itália, Grécia, etc, etc, foi um dia esticadinho e de muitas nódoas, mas por cá, uma incompetência. Desilusão! Os anarcas pátrios reuniram cerca de 80 simpatizantes lá para o Príncipe Real e logo comecei a ficar frustrado, porque até estes se portaram certinhos, direitinhos e fraquinhos. Já não há anarcas como antigamente. Como se a desilusão já não fosse pouca, fiquei espantado porque na manifestação principal a coisa ficou-se também por pouco, mas apesar de pouco, o ruído é ainda enorme, só porque um cromo cá da praça levou uns encontrões, ouviu palavrões, e ainda por cima foi borrifado com água de garrafa, que bem cara é. Estou incrédulo, porra. Como é possível entornar água tão cara sobre um sujeito destes? Que tamanho desperdício.
Esta pátria é uma desilusão, porque bem vistas as coisas, não passa de uma pátria bisonha e incompetente, porque nem uma arruaça de jeito é capaz de fazer.
Já nem sei o que dizer, a não ser que me parece também que os paineleiros políticos, tal como os do futebol, são por cá tão fraquinhos, que até as defesas do cromo são também incompetentes.
Falta o próximo. Haverá de ser em Almada.
Mas que isto está a pedir uma boas porradas, não tenhamos dúvidas.

Adenda (por alex campos): O rapaz da foto, o loiro, segundo da direita para a esquerda, foi o tal que foi apanhado pelas câmaras de televisão a cumprimentar o triste Vital. Ou seja, um dos autores da farsa engendrada pelo "ps". O blogue "O sexo e a cidade" faz aqui uma apresentação mais pormenorizada.