quinta-feira, 11 de junho de 2009

Já não há boiardos, mas há uma Alexandra

Augusto Alberto
Bem pode a Alexandra ter sido abençoada com nome muito ao gosto, mas Alexandra é só uma menina de pais russos, que por péssimas razões nos entrou casa dentro, em razão de uma decisão de um magistrado que, se soubesse acrescentar alguma coisa mais à formatação em linha com o pensamento único e à formação escolástica, ficaria desse modo mais atento ao que vai no mundo e teria percebido que bem melhor seria, apesar de tudo, em arranjar outra solução para a Alexandra e sua mãe.
A Alexandra saiu de uma terra vagamente urbana e calma para ser depositada, depois de longa viajem, numa aldeia rural da Rússia, a cerca de 300 quilómetros de Moscovo. Por cá são uma estucha, por lá, coisa pouca. Mas clamor, a menina vive em casa de madeira, meio esconsa, cercada de corrais, porcos, cabras e galinhas, caminhos de saibro ressequidos e vincados. Pois é… E como são por cá as nossas aldeias?
Mas a questão não é essa. Aldeias rurais e casas de madeira, há-as em todo o lado, ainda que casas esconsas sejam próprias do terceiro mundo, evidentemente. E ai está exactamente o centro da questão. Ou seja, lidos e ouvidos abundantes comentários com centro na imprensa russa, ficamos a saber, em desabafos sofridos, que a Alexandra acabou por aterrar numa sociedade em que milhões de famílias se afogam no álcool, retorquindo violência sobre as crianças, tornando o assunto corrente, e que perante esse desvario, muitas delas, dormem friamente em catres. Porque ouvi bem e porque conheci a Rússia há mais de 30 anos e conhecendo o comportamento corrente de muitos dos seus jovens, hoje, só posso dar crédito à informação que nos chega. E para que a coisa se torne mais séria, também registei o desabafo, de um conselheiro da Presidência russa, para as questões sociais, que nos disse que o estado russo não dispõe dos meios necessários para a resposta afectiva a que as crianças russas tem direito. Uma confissão dura e cruel, que só o pode envergonhar e a nós, magoar.
O que sobrou da experiência socialista, é um monte de escombros e desilusões, que hoje, aos vencedores de uma longa e minuciosa batalha, não atormenta. Que lhes importa que a sociedade russa se afogue na miséria?
Na Rússia de hoje já não boiardos, mas oligarcas, os novos senhores, que em pouco tempo, para marcar terreno, lutaram desenfreadamente, em orgias de traições, ódio e sangue, tal e qual os boiardos de ontem. Os vencedores construíram impérios em que belas mulheres, barcos e automóveis topos de gama, vilas, clubes de futebol, são o fio condutor, e em que os vencidos estão, alguns, por detrás de grades e outros, assustados, fugiram para longe.
A Rússia, a grande mãe, é hoje uma nação em perfeito sobressalto, onde os oligarcas numa luta titânica e diária, tratam de proteger da cobiça, as sua fronteiras e os recursos naturais que querem somente seus, dos que ontem apressadamente se consideraram vencedores. A grande mãe está fraca e em farrapos e ao seu povo, já não lhe dá afecto e orgulho. Está exangue.
Há um recuo civilizacional muito sério, que não atinge só a grande Rússia, mas nos atinge a todos nós, infelizmente. Há quem se ria, mas eu não.
Infelizmente, este é o mundo em que nos meteram e por isso, apesar de a Alexandra não me conhecer, só me resta desejar que resista, porque, como muitos, também me sinto impotente. Mas não vale desistir.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Um soneto de Luís Vaz

Num mundo poucos anos, e cansados,
Vivi, cheios de vil miséria dura:
Foi-me tão cedo a luz do dia escura,
Que não vi cinco lustros acabados.

Corri terras e mares apartados,
Buscando à vida algum remédio ou cura;
Mas aquilo que, enfim, não quer Ventura,
Não o alcançam trabalhos arriscados.

Criou-me Portugal na verde e cara
Pátria minha Alenquer; mas ar corrupto,
Que neste meu terreno vaso tinha.

Me fez manjar de peixes em ti, bruto
Mar, que bates na Abássia fera e avara,
Tão longe da ditosa pátria minha!

O 10 de Junho, a hipocrisia e a azia

Cavaco Silva não consegue disfarçar o mau estar que lhe causa o 25 de Abril. Enquanto primeiro-ministro chegou ao desplante de recusar uma pensão à viúva do Capitão Salgueiro Maia e de condecorar dois pides.
Hoje vai, numa atitude de hipocrisia pura, homenagear o herói da data libertadora. Será que vai engolir um "sapo vivo" ou estará tão à vontade porque o espírito de Abril está, no seu entender, já morto e enterrado?
Em todo o caso, o presidente da república faz dois em um, a vingança toma a forma de antídoto para a azia: vai também condecorar um “penduricalho patronal” (a expressão não é minha, a que tenho não é melhor, é muito longa. É assim: um “grupelho de jagunços ao serviço de um bando de malfeitores”).

terça-feira, 9 de junho de 2009

Eleições europeias: pormenores colaterais (II)

A direita ganhou em toda a linha as eleições para o parlamento europeu. Conseguiu até terminar um ciclo, o do poder político do PS, de forma pacífica e ordeira. Evitou que os votos do descontentamento, muitos certamente, não caíssem em “más mãos”, ou seja na Esquerda. O tampão que arranjaram, o Bloco de Esquerda, portou-se lindamente, tendo-se arvorado na terceira força eleitoral do cenário político. Assim fica a direita contentinha e descansadinha, pormenor confirmado com a actuação desse mesmo bloco no parlamento europeu, uma vez que nas grandes questões irá manter a sua perfomance e o seu hábito, o de votar condignamente com o PS, o PSD e o CDS, ou, então, optar pela abstenção.
A confirmar tudo isto que acima escrevo está o papel da imprensa, desde a afirmação proferida de que seria engraçado que a “esquerda simpática” ficasse em terceiro lugar, passando pelo facto de toda a imprensa ter andado com o bloco ao colo, com o pertinente caso, mesmo colateral, pois embora possa parecer que tivesse passado despercebido ficou no subconsciente de quem vê televisão, do canal do guru do grupo bilderberg em Portugal ter transmitido em directo o discurso de encerramento de campanha do Bloco de Esquerda. Por esquerda simpática deve-se entender, não consigo entender outra coisa, que não aquece nem arrefece, não faz grandes ondas.
Está visto que a grande batalha dos senhores da finança e de outras quejandices não era que ganhasse o PS ou o PSD, para eles é exactamente a mesmíssima coisa. É bom recordar a afirmação do patrão da CIP antes das legislativas de 1995, de que era indiferente que ganhasse o PS ou o PSD, o importante era que o CDS ultrapassasse o PCP. Como chegaram à conclusão que é uma tarefa bastante difícil deitaram mãos a uma outra estratégia, a esquerda simpática. Este adjectivo, simpática, faz lembrar o melhoral, isto na perspectiva deles. É que nem lhes faz bem nem lhes faz mal. Mas bem faz-lhes, certamente, embora a sua modéstia apareça, como é fácil depreender, como uma inteligente jogada táctica.
Este ano foi Manuela Ferreira Leite a convidada portuguesa para a reunião do grupo bilderberg. Quem sabe se para o ano não será Francisco Louçã? O homem merece, sim senhora.

Bonnie e Clyde come back



Transformados em ícones de uma contracultura de insubmissão e resistência na época da grande depressão económica dos anos 30 do século passado, eles aí estão de novo. Mas desta vez em formato de blogue. E, embora continuando os assaltos, alteraram os papéis. São eles que disparam agora contra os assaltantes.

Pode visitá-los aqui.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Eleições europeias: pormenores colaterais (I)

1976

Augusto Alberto (texto e foto)*


Já que estamos em maré de lembranças e efemérides, aqui estou de novo a escrever contra a corrente.
Desta vez, quero lembrar a morte de 73 desportistas cubanos, que no longínquo ano de 1976, mais exactamente no dia 11 de Maio, se dirigiam de Caracas a Havana, em avião da companhia de aviação cubana. Uma bomba colocada no interior do avião, fez, em pleno voou, implodir a aeronave, acabando de ceifar a vida a esses jovens desportistas que tinham participado, com inteiro sucesso, nos Jogos latino americanos. Tratava-se fundamentalmente das equipas de halterofilia, judo, boxe e luta olímpica. Foi uma enorme tragédia, que não tem, evidentemente, em dia de efeméride, o tratamento mediático de outras tragédias, como a de Lokerby, ou da praça Tiananmen, por exemplo, porque mais uma vez, os latino americanos ou são brancos vagamente a atirar para o castanho, senão, na totalidade pretos.

Mas o ponto da questão, é que o autor moral deste feroz atentado, tem um rosto confesso, contudo, e apesar, está guardado a sete chaves, impedindo desse modo a possibilidade de justiça. E o rosto é de um terrorista que dá pelo nome de Luís Posadas Carriles. Um venezuelano, que se tem mantido ao longo da sua vida ligado às máfias de Miami, e em estreita colaboração com a CIA. Um terrorista nato, autor de muitas obras de arte, assassinas, e sempre bem coberto pelo estado norte-americano e sua justiça.
No dia 11 de Maio deste ano, passaram 33 anos sobre tamanha barbarie, mas, num mundo de imprensa curva, a data necessariamente passa sem referência. Era o que faltava. E o que falta também, é que a justiça e o estado norte-americano, coloquem tal figura no centro da justiça venezuelana, para que pague o que tiver a pagar. Apesar de muitos esforços e várias reclamações, o vizinho do norte que o utilizou, haverá, depois de o comer, de seguida chupar os ossos, porque de outro modo, muito se poderá saber, e isso nunca será coisa boa, evidentemente.
Bem faz a revolução Cubana, em sua própria defesa, sempre a propósito, de volta e meia, em dar uns sopapos, porque sendo eu um sujeito atento, nunca vi ou soube que qualquer democrata ou vago intelectual, do lado de lá ou do lado de cá da ilha, tenha exigido justiça a propósito destes e outros feitos.
Aos democratas que por ai passam a vida a zurrar, convido-os a clamar por mais equilíbrio na democracia, para depois nos podermos entender. Se assim não for, então bardamerda e passem muito bem.

* foto: Havana, praça em homenagem às vítimas, com 73 bandeiras, uma por cada vítima.

sábado, 6 de junho de 2009

O caracazo



Augusto Alberto



A 4 de Junho deste 2009, comemorou-se os 20 anos dos acontecimentos da praça de Tianamen. Acho muito bem. Ainda por cima, do ponto de vista da paisagem, a praça só é especial porque é um panegírico e, por isso mesmo, austera. Temos por cá mais belo. Aliás, entendo que tudo deverá ser comemorado e lembrado, ainda que por cá, certa, ou quase toda a imprensa, falada e escrita, seja vesga, com todo o seu propósito. E é por isso que para azar, num mesmo tempo, várias coisas possam ser comemoradas, embora, em regra, se escolha a dedo. Então, eu aproveito, contra a corrente, para falar de outra coisa. O caracazo. E o que é o caracazo?
O caracazo foi o caso que levou a uma brutal repressão em toda a Venezuela, mas sobretudo na Cidade de Caracas, exactamente no mesmo ano de 1989, num período de grandes dificuldades sociais, com gente amargurada, que desceu das favelas, e saiu às praças e avenidas, em protesto, porque a vida lhe estava insuportável. Passaram agora também 20 anos, na terra em que agora governa Chavez, o tal populista que anda com furor nacionalizador. Dados conhecidos, falam em centenas de mortos e até hoje, cerca de 2.000 desaparecidos.
Mas este caracazo tem um rosto, e ele é de um tal Carlos Andrés Pérez, Presidente de um partido social-democrata, membro da Internacional Socialista, amigo de Felipe Gonzalez e de Mário Soares. Aliás, no ano de 1978, Caracas recebeu o congresso dessa internacional socialista. Essa personalidade, que mandou sair a tropa às praças, acabou, sem espinhas, como todo o bom “cabron” oriundo da América Latina, no amigo do norte, os Estados Unidos.
Continuo a achar que tudo deverá ser lembrado, mas exactamente tudo e então, eu espero que por cá e por todo o lado, se fale também dos 20 anos do caracazo, e dos tais, até hoje, mais de 2.000 desaparecidos, sob pena de considerar que a imprensa nativa não passa de uma imprensa abjecta e curvada, porque considera um despropósito aquela gente de um branco meio acastanhado. Pela amostra, o mais provável é nada ser dito, e então, eu aproveito desde já para dizer aqueles que acreditam que a democracia assim é coisa linda, que ganhem tino.

Dia de reflexão

Vamos lá, então, reflectir.




Aqui, o Prémio Nobel de Literatura reflete sobre democracia.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Na planura

foto: alex campos

À porta da minha casa,

Além ao longe, na planura,

A verdade arrasta a asa

Partida pela brandura...

Quero a força!

Quero os que digam

Que seguem o rasto

Da Justiça e da Verdade

E nos caminhos por onde sigam

Vão desnudando a falsidade!



Ana Tapadas

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Os outros tempos (crónica instrumentalizada e discriminada)

Quando há dias atrás o nosso lamentável primeiro-ministro falou em instrumentalização sabia muito bem do que estava a falar. Estava, entre outras coisas, a por em prática uma expessão popular. Esta: “chama-lhe puta antes que ela te chame a ti”.
Eu cheguei só agora a perceber o que na realidade é essa coisa de intrumentalização, muito porque não tenho o hábito de ver televisão. À excepção de filmes e de futebol, e este já muito menos, pois limito-me ao meu desalmado Sporting e a uma ou outra vitória de uma equipa que joga de azul-grená e que patrocina a UNICEF, pouco mais vejo e de fugida.
Mas, também há uns dias atrás, assisti às reportagens da campanha eleitoral. Consegui, nitidamente por um acaso, ver a cobertura das várias forças políticas em dois canais. Primeiro num privado. Após o que, num zapping, fui parar à televisão pública, que não sei se é ou não do “ps”, isso teria de perguntar à candidata ao parlamento europeu e à câmara do Porto pelo “ps”, mas não perguntei. E, no canal, chamemos-lhe público, assisti exactamente às mesmas reportagens das mesmas forças políticas.
O ponto alto da reportagem sobre a visita da CDU a uma empresa pública, a EMEF, foi a queixa de uma dirigente sindical que não recebeu aumento devido à sua condição de sindicalista. Vê-se a reacção da candidata Ilda Figueiredo a desafiar o Ministro do Trabalho a inteirar-se da situação pois trata-se de um caso flagrante, e absurdo, acrescento eu, de discriminação.
Na mesma reportagem no canal público além desta parte ter sido, cirurgicamente, estratégicamente, politicamente, cortada, limitaram-se a passar imagens com a voz off do jornalista.
Pronto, no tempo do “Botas” os comunistas nem tinham tempo de antena. Tinham outros tempos. Tempo de perseguição, tempo de tortura, tempo de prisão, tempo de morte.
Os trabalhadores é que, pelos vistos e pelo andar da carruagem, têm os mesmos. Tempo de discriminação, tempo de baixos salários, tempo de trabalho precário, tempo de desemprego, tempo de fome.
E, se se distraírem muito a coisa ainda pode andar mais para trás.

terça-feira, 2 de junho de 2009

No aniversário do CAE Pedro Santana Lopes


7 anos são 7 anos. Vai daí os festejos metem uma parada de sardinhas e uma corrida de carapaus.
Assim ficam (ficamos) todos contentes.

Sai mais um candidato

foto:"O Figueirense"
Hoje dá à estampa mais um candidato. O segundo independente. Trata-se do engº Daniel Santos. Uma candidatura que irá baralhar o cenário político pois é certo que irá mexer com os eleitorados do centrão, nos laranjas e nos xuxas, como aliás já se chegou a comentar.
Mas isto quer dizer que Duarte Silva irá recandidatar-se, o que significa que as nossas fontes não se enganaram, ou pelo menos acertaram em 50% quando em meados de Janeiro nos disseram isto. Os outros 50% são devidos à imprevisibilidade dos “socialistas”, pois parece que andam sem rei nem roque, e para quem até tem um “líder histórico” que se dava ares de monárquico...
Mas a provar que Daniel Santos vai baralhar o xadrez todo, a nossa fonte é de opinião que o deputado social-democrata Miguel Almeida se perfila como seu apoiante. A gente por aqui vai aguardando mais informações.
Agora com 4 candidatos de Direita é que a nossa “rica” comunicação social terá dificuldades para se orientar. Há sempre a possiblidade de se poder recorrer a “gps’s”.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A comunicação social figueirense, outra vez

Esta tarde, uma iniciativa da CDU com João Ferreira, o segundo nome da lista concorrente às eleições europeias de domingo próximo, constou de uma viagem de comboio de Coimbra à Figueira da Foz.
Durante a viagem e nas duas estações, a de embarque e a de desembarque, o candidato falou e ouviu os utentes dos caminhos de ferro. Isto porque o pretendido era aprofundar o conhecimento da situação de degradação da qualidade dos serviços de transporte ferroviário através do contacto com a comissão de utentes e com a população em geral. Deve-se dizer também que a CDU tem insistido na necessidade de investimentos na modernização das linhas existentes e de algumas entretanto encerradas – tendo mesmo o PCP feito propostas de inclusão de verbas em PIDDAC com esse objectivo.

O que interessa é que no final estava convocada uma conferência de imprensa, na estação da Figueira da Foz, para o candidato relatar a sua experiência e as queixas dos utentes e colocar-se à disposição das perguntas dos senhores jornalistas. Mas aconteceu o inacreditável: nenhum jornalista compareceu. O que não abona em nada a seu favor. E não vou tecer mais considerações nem nenhumas suposições. Deixo-as ao critério dos leitores deste humilde blogue, por respeito à sua inteligência.
Só quero acrecentar que acho indigno de uma comunicação social que gosta muito do que gosta, não tenho nada com isso, mas por causa disso chateia-me que copiem textos e fotos, como tem acontecido com este blogue, sem pedirem autorização ou citarem a fonte.
Agora permitam-me que utilize o título de um livro do filósofo inglês Colin McGinn, só para desopilar:
“Não me fodam o juízo”. É que também já "brinquei" ao jornalismo, e se o não levarmos a sério desrespeitamo-nos a nós próprios.

A uma criança

as longas mãos, cobertas de silêncios
e de esperas
acariciam agora, outras mãos,
mais pequenas e mais belas…
e desse contacto tão distante,
que ainda é saudade,
e é já promessa,
nasce a íntima certeza
de que o sangue do meu corpo
corre para o teu,
como uma herança…

estão presas as minhas mãos,
às tuas mãos, criança!
e sobre a ponte frágil
dos nossos dedos confundidos
como cadeias de hera,
se ergue dia a dia
a esperança desta dor
e desta espera…