quinta-feira, 18 de junho de 2009

Câmara da Figueira da Foz: um record de candidatos?

Na próxima Segunda-Feira o engenheiro Duarte Silva vai apresentar a recandidatura ao 3º mandato à presidência da Câmara Municipal, nas listas do PSD. Aliás era esperado, como já tínhamos avançado em Janeiro último.
Tudo indica que se pode bater, este ano, o record de candidatos. Depois de Silvina Queiroz, da CDU, dos independentes Javier Vigo e Daniel Santos e do candidato do “partido socialista” ainda não se sabe se CDS-PP e BE irão ou não concorrer sozinhos, o que subiria para 7 os candidatos, e constituiria um record.
A dúvida ainda permanece sobre estes dois últimos, pois também há a considerar a hipótese de concorrerem diluídos ou, quiçá, coligados com os respectivos partidos-mãe.
Destaque para o facto do PSD/PPD ter dois candidatos independentes: Duarte Silva, tanto quanto sei não é filiado, e Daniel Santos que concorre com uma lista independente. De quê, também não consegui apurar.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Fatwa e a nossa própria irresponsabilidade

foto: Pedro Cruz, blogue "Outra Margem"

A passagem a vilas de algumas aldeias do nosso concelho não traria muitos mais problemas, nem daria origem a mais ou menos comédias, do que já deu, não fosse a parolice fundamentalista de um presidente de junta. Ao exacerbar o facto para se elevar aos olhos dos eleitores, acabou por se denunciar e por se reduzir àquilo que nunca deixou de ser. Mas que, pelos vistos, ninguém sabia.
O que custa, num regime democrático, é que pessoas como estas são capazes de ganhar eleições. Veja-se outros casos, estes a nível nacional, para fazermos ideia do que acontece a nível local, e cito alguns: Adolfo Hitler, Ronald Reagan, George Bush, Margareth Tatcher, Durão Barroso, Sócrates, Berlusconi, Sarkozi, e muitos, muitos mais.
E custa porque somos nós, os eleitores, que escolhemos.
Somos, portanto, os únicos responsáveis. Ou irresponsáveis.
Talvez começando a pensar desse jeito. Digo eu.

Mãe preta

Que desplante!!!

Leiam isto:
“Travar os combates que devem ser travados, o combate a uma direita que representa um modelo neo-liberal falhado”.
É preciso muita desfaçatez para afirmar isto, quando se é um dos dirigentes do partido neo-liberal por excelência. É que o que acabamos de ler, dito por Francisco Assis faz parte da análise política feita pelos “socialistas” na sua última reunião em que dissecaram os despojos da eleição para o parlamento europeu.
É sabido que eles retiraram todo o espaço político à Direita, que deixaram o PSD a falar sozinho. Compare-se o novo Código de trabalho aprovado por um governo PSD com o agravamento desse mesmo código infligido pelos “socialistas”. Analisemos o nível de vida das classes trabalhadoras a deteriorar-se compulsivamente. Analisemos o estado a que o país chegou nos últimos 4 anos. As perseguições aos professores, enfermeiros, aumento do desemprego…
Não se enxergam e pensam que fazem de nós parvos.
Irra!!!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Comandante, o desporto e um clube muito especial


Ontem, dia 14, o comandante “Che” Guevara faria 81 anos, se fosse vivo. O jornal on-line MaisFutebol publica uma reportagem sobre as relações do comandante com o desporto.
Ficamos a saber que era um desportista de qualidade, desde guarda-redes de futebol a um xadrezista exímio, entre outras modalidades que praticou.
Ficamos a saber que na pequena localidade onde foi assassinado viviam familiares do futebolista Sanchez, o boliviano que se sagrou campeão nacional pelo Boavista FC e que nasceria dois anos depois.
E também que na Argentina existe um clube muito, muito especial: o “Clube Social Atlético e Deportivo Ernesto Che Guevara.
A excelente reportagem, além de várias outras curiosidades, divulga factos da personalidade do revolucionário argentino pouco conhecidos que contribuem para humanizar a imagem que temos do mito.
Podem lê-la aqui.

domingo, 14 de junho de 2009

A democracia tenebrosa

Há dias, aqui, interroguei-me sobre que povo somos para elegermos gente de uma estranha estirpe.
Parece que a mentalidade salazarenta ainda está arreigada em muitas das mentes que têm responsabilidades públicas. Desta vez é o povo da freguesia de S. Pedro, que não fugindo à bitola nacional também comete os tradicionais excessos. De arrepiar. Ora façam o obséquio de ler atentamente.
Que o papel das câmaras municipais esteja esgotado é coisa que nem sequer discuto, mas que sirvam, juntamente com as juntas de freguesia, para impor o caciquismo e utilizar o poder conferido democraticamente para satisfação de interesses e ambições privadas, ultrapassa as fronteiras do bom-senso.
Agora ao votarmos em quem não conhece minimamente a lei, sobretudo a lei fundamental, atropelando-a por desconhecimento, a culpa só pode ser nossa.
Que povo estranho somos!

sábado, 13 de junho de 2009

A pasta funâmbula

Augusto Alberto


Foi em 1997 na campanha eleitoral para as autárquicas, aquelas em que o Dr. Santana Lopes deu um capote, que me cruzei na cidade com um jovem, de pasta na mão, que conheço, e perguntei ao que ia. Um militante da juventude de um partido de poder cá da terra, mas de ingenuidade muito ligeira, como só pode ser, porque me disse calmamente que ia a um determinado local, que mantenho sob reserva, claro está, buscar um cheque, gordo, para pagar a campanha eleitoral do seu partido. Nada de mais pagar os cartazes, desdobráveis, pins e outras coisas afins, mas quanto ao resto…
Em tempos de campanha autárquica, esta pequena história é-me irresistível.
Acontece que após mais uns diazitos por fora, passei os olhos por jornais atrasados e fiquei a saber que o senhor engenheiro Daniel Santos se coloca na posição de candidato independente à presidência do município. Nada mais justo, porque a cidadania é um direito.
O lugar escolhido para a apresentação tinha de ser, necessariamente, a condizer. A Assembleia Figueirense, lugar onde pára de quando em vez uma certa amálgama da burguesia e aristocracia da vanguarda da cidade, muito a gosto, alguma vagamente funâmbula, em saraus que o comum dos mortais não entende e que mais parecem ser coisa esotérica.
O Eng. Daniel avança porque diz, entre outras coisas, que os partidos estão esgotados. É uma perigosa observação. Primeiro, é preciso saber por onde andamos, o que fez cada um de nós e que contributos demos, não vale, pois, assobiar para o ar. Depois é preciso perceber que os partidos não são coisas vagas e herméticas. As pessoas não são más por estarem organizadas politicamente e boas por não estarem. São meritórias quando gerem e zelam pela coisa pública e comum, estejam politicamente organizadas ou não, mas se tomam decisões que só a alguns interessa, então a mesma pessoa, do mesmo passo, organizada politicamente ou não, coloca-se na posição contrária à do interesse geral. É por isso que se eu fosse o Presidente da Câmara, por exemplo, nunca permitiria que o hotel do galante fosse construído, por violação, do meu ponto de vista, do bem comum. É claro que construído o hotel, a decisão foi excelente para o promotor, mas para o comum dos cidadãos, foi uma decisão desastrosa para a cidade. A questão é saber de que lado estamos.
Evidentemente, que um promotor sortudo, com certeza arriscará colaborar na campanha eleitoral a favor de quem decida pela sua sorte, mas não contribuirá, necessariamente, a quem lhe traga o azar. É assim que se faz nas grandes democracias, como acima se vê, e ponto final.
Mas voltando à apresentação da candidatura do Eng. Daniel dos Santos, sabemos que a sala esteve cheia e que muitos dos tais burgueses e aristocratas da vanguarda figueirense passaram por lá, e nada os podia impedir, evidentemente. Mas, apesar, não lhe garante grande cartão de apresentação, digo eu. Por isso e dito o que acima disse, e o que lá se viu, já me chega. Mas civilizadamente, desejo-lhe a maior sorte.
E já agora, resta perguntar, se esta é mesmo a democracia que nos serve. Ou será que o nosso tempo ainda é igual ao tempo de que nos falou Eça, há 138 anos, na sua “campanha alegre”? O país é um espectador distraído…paga àqueles que o espoliam e àqueles que o parasitam…paga tudo, paga por tudo.

Do jornalismo

"Eu não quero ser desagradável, mas creio que as escolas de jornalismo são quase todas viciadas. E viciadas logo à partida sobre o que é o jornalismo e o que não é o jornalismo. E até criando grandes dificuldades a jornalistas que entendem que entre os grandes valores que pode ter o jornalismo se contam o valor da liberdade, da verdade e da justiça."

Álvaro Cunhal, jornal "Expresso", 31 de Maio de 2003

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Finalmente temos vilões


Após interrogações e preocupações de vária ordem, o meu amigo António Agostinho, do blogue "Outra Margem", ascendeu finalmente ao estatuto de vilão.
Mas continua, mesmo assim, com uma dúvida, e, diga-se em abono da verdade, muito pouco cartesiana.
É que ele não sabe quando é a festa.

Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil

Assinala-se hoje, 12 de Junho, o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. Segundo a imprensa do dia estão neste momento a trabalhar mais de 200 milhões de crianças. Os números são da Organização Mundial do Trabalho, portanto, penso que insuspeitos, pois não se tratam de números inventados por qualquer organização política que se opõe ao capitalismo desenfreado que se estabeleceu como que uma moda. Números que sublinham que, transcrevo, “três em quatro crianças estão expostas às piores formas de exploração laboral”.
E este problema não é só característico do chamado Terceiro Mundo. As notícias dizem que em Portugal a fiscalização do trabalho infantil não funciona como deveria funcionar.
Há necessidade de democratizar e não de brincar à democracia, acrescentaria eu.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Uma alegre parcela da vitória


Parece que todos o calam!

Muitas razões se invocam para o espantoso crescimento eleitoral bloquista pela blogosfera, mas nenhuma alude ao Alegre! Quantos votos renderam os 2 comícios Louçã-Alegre que "credibilizaram" a alternativa BE, aos olhos duma fatia PS?
Digamos que é uma injustiça não atribuir os devidos méritos ao histórico "socialista".

Já não há boiardos, mas há uma Alexandra

Augusto Alberto
Bem pode a Alexandra ter sido abençoada com nome muito ao gosto, mas Alexandra é só uma menina de pais russos, que por péssimas razões nos entrou casa dentro, em razão de uma decisão de um magistrado que, se soubesse acrescentar alguma coisa mais à formatação em linha com o pensamento único e à formação escolástica, ficaria desse modo mais atento ao que vai no mundo e teria percebido que bem melhor seria, apesar de tudo, em arranjar outra solução para a Alexandra e sua mãe.
A Alexandra saiu de uma terra vagamente urbana e calma para ser depositada, depois de longa viajem, numa aldeia rural da Rússia, a cerca de 300 quilómetros de Moscovo. Por cá são uma estucha, por lá, coisa pouca. Mas clamor, a menina vive em casa de madeira, meio esconsa, cercada de corrais, porcos, cabras e galinhas, caminhos de saibro ressequidos e vincados. Pois é… E como são por cá as nossas aldeias?
Mas a questão não é essa. Aldeias rurais e casas de madeira, há-as em todo o lado, ainda que casas esconsas sejam próprias do terceiro mundo, evidentemente. E ai está exactamente o centro da questão. Ou seja, lidos e ouvidos abundantes comentários com centro na imprensa russa, ficamos a saber, em desabafos sofridos, que a Alexandra acabou por aterrar numa sociedade em que milhões de famílias se afogam no álcool, retorquindo violência sobre as crianças, tornando o assunto corrente, e que perante esse desvario, muitas delas, dormem friamente em catres. Porque ouvi bem e porque conheci a Rússia há mais de 30 anos e conhecendo o comportamento corrente de muitos dos seus jovens, hoje, só posso dar crédito à informação que nos chega. E para que a coisa se torne mais séria, também registei o desabafo, de um conselheiro da Presidência russa, para as questões sociais, que nos disse que o estado russo não dispõe dos meios necessários para a resposta afectiva a que as crianças russas tem direito. Uma confissão dura e cruel, que só o pode envergonhar e a nós, magoar.
O que sobrou da experiência socialista, é um monte de escombros e desilusões, que hoje, aos vencedores de uma longa e minuciosa batalha, não atormenta. Que lhes importa que a sociedade russa se afogue na miséria?
Na Rússia de hoje já não boiardos, mas oligarcas, os novos senhores, que em pouco tempo, para marcar terreno, lutaram desenfreadamente, em orgias de traições, ódio e sangue, tal e qual os boiardos de ontem. Os vencedores construíram impérios em que belas mulheres, barcos e automóveis topos de gama, vilas, clubes de futebol, são o fio condutor, e em que os vencidos estão, alguns, por detrás de grades e outros, assustados, fugiram para longe.
A Rússia, a grande mãe, é hoje uma nação em perfeito sobressalto, onde os oligarcas numa luta titânica e diária, tratam de proteger da cobiça, as sua fronteiras e os recursos naturais que querem somente seus, dos que ontem apressadamente se consideraram vencedores. A grande mãe está fraca e em farrapos e ao seu povo, já não lhe dá afecto e orgulho. Está exangue.
Há um recuo civilizacional muito sério, que não atinge só a grande Rússia, mas nos atinge a todos nós, infelizmente. Há quem se ria, mas eu não.
Infelizmente, este é o mundo em que nos meteram e por isso, apesar de a Alexandra não me conhecer, só me resta desejar que resista, porque, como muitos, também me sinto impotente. Mas não vale desistir.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Um soneto de Luís Vaz

Num mundo poucos anos, e cansados,
Vivi, cheios de vil miséria dura:
Foi-me tão cedo a luz do dia escura,
Que não vi cinco lustros acabados.

Corri terras e mares apartados,
Buscando à vida algum remédio ou cura;
Mas aquilo que, enfim, não quer Ventura,
Não o alcançam trabalhos arriscados.

Criou-me Portugal na verde e cara
Pátria minha Alenquer; mas ar corrupto,
Que neste meu terreno vaso tinha.

Me fez manjar de peixes em ti, bruto
Mar, que bates na Abássia fera e avara,
Tão longe da ditosa pátria minha!

O 10 de Junho, a hipocrisia e a azia

Cavaco Silva não consegue disfarçar o mau estar que lhe causa o 25 de Abril. Enquanto primeiro-ministro chegou ao desplante de recusar uma pensão à viúva do Capitão Salgueiro Maia e de condecorar dois pides.
Hoje vai, numa atitude de hipocrisia pura, homenagear o herói da data libertadora. Será que vai engolir um "sapo vivo" ou estará tão à vontade porque o espírito de Abril está, no seu entender, já morto e enterrado?
Em todo o caso, o presidente da república faz dois em um, a vingança toma a forma de antídoto para a azia: vai também condecorar um “penduricalho patronal” (a expressão não é minha, a que tenho não é melhor, é muito longa. É assim: um “grupelho de jagunços ao serviço de um bando de malfeitores”).

terça-feira, 9 de junho de 2009

Eleições europeias: pormenores colaterais (II)

A direita ganhou em toda a linha as eleições para o parlamento europeu. Conseguiu até terminar um ciclo, o do poder político do PS, de forma pacífica e ordeira. Evitou que os votos do descontentamento, muitos certamente, não caíssem em “más mãos”, ou seja na Esquerda. O tampão que arranjaram, o Bloco de Esquerda, portou-se lindamente, tendo-se arvorado na terceira força eleitoral do cenário político. Assim fica a direita contentinha e descansadinha, pormenor confirmado com a actuação desse mesmo bloco no parlamento europeu, uma vez que nas grandes questões irá manter a sua perfomance e o seu hábito, o de votar condignamente com o PS, o PSD e o CDS, ou, então, optar pela abstenção.
A confirmar tudo isto que acima escrevo está o papel da imprensa, desde a afirmação proferida de que seria engraçado que a “esquerda simpática” ficasse em terceiro lugar, passando pelo facto de toda a imprensa ter andado com o bloco ao colo, com o pertinente caso, mesmo colateral, pois embora possa parecer que tivesse passado despercebido ficou no subconsciente de quem vê televisão, do canal do guru do grupo bilderberg em Portugal ter transmitido em directo o discurso de encerramento de campanha do Bloco de Esquerda. Por esquerda simpática deve-se entender, não consigo entender outra coisa, que não aquece nem arrefece, não faz grandes ondas.
Está visto que a grande batalha dos senhores da finança e de outras quejandices não era que ganhasse o PS ou o PSD, para eles é exactamente a mesmíssima coisa. É bom recordar a afirmação do patrão da CIP antes das legislativas de 1995, de que era indiferente que ganhasse o PS ou o PSD, o importante era que o CDS ultrapassasse o PCP. Como chegaram à conclusão que é uma tarefa bastante difícil deitaram mãos a uma outra estratégia, a esquerda simpática. Este adjectivo, simpática, faz lembrar o melhoral, isto na perspectiva deles. É que nem lhes faz bem nem lhes faz mal. Mas bem faz-lhes, certamente, embora a sua modéstia apareça, como é fácil depreender, como uma inteligente jogada táctica.
Este ano foi Manuela Ferreira Leite a convidada portuguesa para a reunião do grupo bilderberg. Quem sabe se para o ano não será Francisco Louçã? O homem merece, sim senhora.