sábado, 25 de julho de 2009

“Cães Danados” on the road

Quando aqui apresentei esta novel banda, eles eram 3. Ainda que com um significativo atraso devo informar que as coisas se complicaram: agora são 4.
E como as complicações serão, sei lá, como as cerejas, ou as conversas, esta madrugada, no “Niktos Rock Bar” venceram um concurso em que entraram bandas de vários cantos do rectângulo, que também só tem quatro, os Lusíadas é que têm dez. O dito concurso foi para escolher quem abriria um concerto com os consagrados “Mata Ratos”, em breve também naquele espaço. Parabéns “Cães”.
No vídeo em baixo, podem ver uma das ainda poucas e recentes actuações dos “Cães Danados”, no Jardim da Sereia, em Coimbra, no Festival da JCP.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Um alegre adeus

imagem sacada via internet
Manuel Alegre despediu-se do parlamento. Também já não era sem tempo, trinta e quatro anos são sempre trinta e quatro anos. É muita ano, convenhamos. Agora terá tempo para mandar uns "bitaites", a fingir já se vê, contra o seu "ps" de sempre e assim ir preparando a sua candidatura à presidência da pobre república.
Mas descansem os "socialistas" que a sua parlamentar ala "esquerda" não ficará desguarnecida. Já está agendado um substituto à altura.
Com esta estória toda fiquei com uma dúvida, e nem sei se é metódica ou não: sobre o apreço que tenho pela seriedade intelectual das pessoas. Serei eu mais comedido que o meu camarada Victor Dias?
Dúvidas são dúvidas. "Prontos"!!!!!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

“Les guitares jouent des sérénades”

Vivo na Figueira da Foz desde 1980. Não terei, certamente, muitas recordações do velho e mítico salão da Associação Naval 1º de Maio, consumido pelas chamas há 12 anos. Ainda assim tenho algumas, e, entre elas, recordo que foi lá que vi, no âmbito do Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz, cujo desaparecimento foi um dos legados de Santana Lopes na sua passagem pela cidade, dois memoráveis filmes: “Roma, cidade aberta”, com argumento de Federico Fellini e direcção de Rosselini e o “Diário de uma criada de quarto”, de Luís Buñuel. Vem até a talhe de foice relembrar que o vice-presidente daquele conhecido político lisboeta era Daniel Santos, agora candidato independente à CMFF.
Foi lá, também, que tive o privilégio, jamais repetido, de ver e ouvir, pela primeira e única vez ao vivo, um génio com uma guitarra portuguesa nas mãos. Era a Festa “Férias”, organizada pelo PCP.
Hoje, 23 de Julho, faz anos que os deuses nos roubaram Carlos Paredes. Mas para falar de um artista, nada melhor que um outro. A palavra, portanto, e o lápis, a Fernando Campos:


“Primeiro, uma declaração de interesses. Nunca gostei de fado. Nem sequer gosto daquilo que chamam guitarra portuguesa, que é uma coisa que os portugueses tocam com dedais na ponta dos dedos, mais ou menos como as portuguesas cosem os botões. Detesto o seu estridente timbre metálico e odeio os lânguidos trinados piegas que em Lisboa, dizem, identificam a alma portuguesa, seja lá isso o que for. Posto isto, Carlos Paredes era um génio. E tinha talento. Apenas um génio com talento seria capaz de tanger a alma com instrumento tão duvidoso. A alma portuguesa que eu pressinto na sua guitarra vem de mais longe e de mais fundo; é mais forte, mais grave e tem uma afinação mais acima (Coimbra). Possui subtilezas e um lirismo viril que não têm nada que ver com a melíflua e dengosa pieguice dos trinados que se ouvem no país, pelas capelinhas, pelas lezírias ou em Lisboa, pelas vielas.
Este desenho é uma homenagem a um artista que para além disso é uma espécie de mártir dos artistas. A sua longa e terrível agonia representa o pior pesadelo de todos nós: ele suportou sozinho e impotente, durante 11 longos anos, o espectáculo devastador da própria incapacidade física para concretizar o seu talento. Presumo que deve ser isso o fado; ou a alma portuguesa. Ou a puta que pariu.”

publicado em http://revolucionaria.wordpress.com/



quarta-feira, 22 de julho de 2009

Certezas a propósito de quem de nós deveria ir a votos


Augusto Alberto


Em Dezembro de 1998, escrevi no extinto “A linha do Oeste”, sobre uma viagem a Bordéus, em que fui o responsável por uma representação de atletas do Ginásio Clube Figueirense, nas regatas internacionais da cidade. Fiz, nesse instante, um convite aos responsáveis desta terra, para uma visita ao parque desportivo da cidade de Bordéus, para ver como se faz. Naturalmente, ninguém me levou a sério. Era o que faltava…Mas de qualquer modo, relembro um pouco do que então escrevi.…Já não via futebol há uns tempos. Casualmente numa tarde de um sábado solarengo e frio passei pelo estádio municipal. Parei e estive uns bons minutos a presenciar um jogo dos juniores da Naval. Fiquei estarrecido com o que vi e pensei para mim que os homens do futebol nem para eles são bons. Como é possível que estando nós na Europa das comunidades, no virar do milénio, jovens em fase de crescimento e desenvolvimento, tenham que jogar o jogo que gostam, com prazer, num pelado duro e decrépito…Por momentos julguei estar em África.
Como ao cabo de 11 anos nada mudou, vieram agora os pais de uma equipa de futebol de juvenis da Associação Naval 1º de Maio, impor, e muito bem, uma abstinência à competição dos seus pequenos. Mas para que a gravidade não se fique por ali, vai o clube procurar condições, para o jogo, em campo situado em concelho limítrofe, no complexo desportivo da Tocha, freguesia do Concelho de Cantanhede, terra de gandarezes, como gostamos depreciativamente de os identificar, mas… mas a questão é que eles tem o que o concelho da Figueira não tem. Uma desgraçada vergonha para esta terra, que não consegue em definitivo resolver a questão do seu parque desportivo, em ordem a oferecer qualidade aos seus cidadãos. Parece que a necessidade de um parque desportivo se confunde com outros interesses bem menos prosaicos, e por isso, enrolados numa montanha de dúvidas quanto à forma de toda a gente sair saciada. Desvergonha, ainda, porque ao cabo de tanto tempo, a promessa vai sair de novo encadernada, para a gente acreditar que agora vai.
É bom acrescentar que esta terra tem sido vítima de todo o tipo de propostas, em tempo de eleições ou na sua própria ressaca, assim a modos como falar para pacóvios. Quero aqui lembrar as propostas de uma ponte pedonal para a outra margem, de um túnel pedonal para a mesma outra margem, o tal complexo desportivo, que se diz e se quer em Buarcos, que não sai, para futebol, atletismo, rugby e até, um campo para o golfe e ainda uma piscina oceânica no areal da praia, ali junto da antiga bola nívea. Tudo coisas em grande, mas convenhamos, algumas delas, meio atoleimadas.
Não passamos disto, porque andamos ao engano, embora, desta vez, os pais irritados, tenham resolvido dizer basta. Mas não chega. É preciso perceber também que as coisas tem acontecido, porque temos tido a complacência de andar a apaparicar quem nos engana, tanto do ponto de vista desportivo como do ponto de vista político e, por isso, teremos também de partilhar responsabilidades.
Estamos no fundo, no centro de um sistema que não passa de um embuste, que lá por nos dar a possibilidade de olhar para uns quantos nomes, de 4 em 4 anos, e colocar uma cruz num papel a favor dos que nos vão dando treta e enganos, se acha uma democracia.
Pois eu acho que quem deveria ir a votos, seriam os melhores de entre os melhores e não as melgas que nos picam.

Humor igualitário e pluralista

Não posso deixar de rir quando ouço defender que o humor tem de ser pluralista e igualitário. Sobretudo quando essa defesa vem de um "socialista". Aqui vai, só pode ser metáfora.
Mas exemplos do pluralismo que me dá vontade de rir não faltam. Alguns podem ser vistos aqui e aqui. E esta ainda. Sabem quem é o "patrão" da Liscont? Adivinharam, é mesmo o Jorge Coelho. Isto é que é um pluralismo e igualitarismo notáveis. O país está bem entregue, sim senhores.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Prémios “Bento Pessoa”: o julgamento da História?


Decorreu ontem no Casino a cerimónia de entrega dos Prémios Bento Pessoa, atribuídos, pela segunda vez, pela Tertúlia José Bento Pessoa.
Confesso que não gostei do mau trato que a personalidade daquele enorme desportista sofreu. Ao ponto de, em alguns discursos, se ter julgado, sumariamente a História. Que se enaltecesse a figura do grande ciclista e dos premiados tudo bem, estávamos lá para isso. Agora julgar o 25 de Abril, a mais importante, indubitavelmente, data da nossa História recente, numa cerimónia de entrega de prémios supostamente desportivos, é ultrapassar o bom senso.
Se foi um teste à minha resistência, acho que passei com distinção, pois consegui suportar até ao fim. Mas houve quem não suportasse, quem tivesse abandonado a sala e só reentrando na altura do discurso final do presidente do júri, Marçal Grilo.
Os premiados:
Atleta: Telma Monteiro; Jornalista: Luís de Freitas Lobo; Dirigente: Artur Lopes, presidente da FPC; Personalidade da Figueira: Augustus; Personalidade do Ginásio CF: Adalberto Carvalho; Prémio Especial do júri: Artur Agostinho.
Fico a aguardar pelas reportagens jornalísticas. Estou ansioso.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

2º Jogos da Lusofonia chegaram ao fim

Embora os resultados não sejam o mais importante neste tipo de jogos, nos quais se sobrepõe o convívio, o intercâmbio de experiências com o debate de estratégias de acesso ao desporto, e, claro, a assunção da língua portuguesa, ela a grande estrela, deixo aqui alguns apontamentos sobre os jogos que ontem terminaram.
O primeiro, a felicidade que D. Fernanda nos deu ao revisitar a sua enorme classe com a vitória na prova de 10 Km, dando a entender que a Maratona está a ser bem preparada.
Segundo, a surpresa quer do futebol quer do basquetebol cabo-verdeanos, nunca pensei que já estivessem no nível em que está.
Por último, um jogo de basquetebol com um resultado muito atípico. Está bem que Portugal talvez tenha feito um dos seus melhores jogos de sempre, mas a falta de seriedade competitiva dos angolanos foi inadmissível. Eles que me desculpem, mas tenho mesmo muito mau perder. Eu já os desculpei, na final ultrapassaram a centena de pontos.
Vivam os 3º jogos da Lusofonia.

Imprensa local: mais uma perfomance

Acerca da fraca qualidade da imprensa local já por algumas vezes me tenho aqui referido. Este é mais um exemplo da ausência de critérios de rigor pela qual se guia.
Como diria a minha avó: "quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão".

domingo, 19 de julho de 2009

João Costa de ouro




O atirador da Naval e da selecção nacional, João Carlos Costa, conquistou na tarde de ontem a Medalha de ouro em Pistola Livre a 50 metros, no Campeonato da Europa que se realiza em Osijek, na Croácia.
Com um curriculum invejável em europeus, mundiais e taças do Mundo, o atirador não tem tido sorte no que respeita aos Jogos Olímpicos, onde a pontaria não tem sido a necessária, faltando ainda uma medalha.
Com os parabéns ao João deixo votos para que em Londres não falhe um...

sábado, 18 de julho de 2009

Os jogos da Lusofonia

As declarações de Miguel Maia, hoje ao jornal “A Bola”, sobre os Jogos da Lusofonia devem constituir um ponto de partida para uma reflexão séria. Desde o reparo a algumas modalidades que não se fazem representar a um nível mais competitivo, ao escasso público que tem assistido aos jogos. A crítica de Maia é contundente: “A organização de um evento deste cariz devia pensar que é impossível tentar ganhar dinheiro. Deviam pensar em outras coisas em vez de estar a tentar fazer dinheiro com as bilheteiras. Isso é impensável”. Porque estes jogos, acrescenta o atleta, "deviam ser a festa da união e da língua".
Ainda bem que nem todas as modalidades cabem nas críticas do excelente atleta olímpico, pois os atletas lusófonos tiveram, ainda assim, oportunidade de competir e conviver com alguns dos melhores atletas mundiais, casos de Naide Gomes, Nelson Évora, Obikuelu ou Mário Silva.
Entretanto o desporto revela-se sempre uma caixa de surpresas.
Eloy Boa Morte, que representa o Benfica, venceu para S. Tomé e Príncipe a única medalha de ouro daquele país. Transcrevo a notícia do jornal “A Bola”:


“Sobrevivo dos biscates”
A última final (-80kg) do dia no torneio de taekwondo colocou frente a frente o brasileiro Henrique Moura e Eloy Boa Morte, de são Tomé e Príncipe, e de forma surpreendente as bancadas quase vazias animaram-se. Para torcer por Eloy, que confirmou parentesco com o futebolista – “meu pai é irmão da mãe dele mas não o vejo porque saiu muito cedo de S. Tomé” – e o atleta respondeu à altura, vencendo o mais renhido dos combates. “Esta vitória é muito importante para mim e para quem me apoiou aqui. Sabem o esforço que eu fiz para vencer. Despedi-me, deixei de estudar para ganhar. Represento o Benfica e ganhei tudo o que havia mas eles não me dão nenhum apoio. Nem para os transportes”, explicou emocionado. “Até o fato de treino tenho de devolver. Como sobrevivo? Trabalho naquilo que aparece. Transportes, mudanças, todos os biscates, mas passo muitas dificuldades. Muitas mesmo.
Se a situação não se alterar vou ter de abandonar, pois sou emigrante e estou sozinho”
. Sem subsídios, sem fatos de treino mas com direito a Benfica TV no momento em que se sagrou campeão.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O fascismo anda por aí...



Talvez entusiasmado e embalado pela governação “socialista”, (o código de trabalho, o caso da operária aqui citado que recebeu o salário em moedas de euro, e que não é mais do que um caso que ilustra centenas deles) um palhaço protofascista excedeu-se e cometeu o deslize de ser politicamente correcto.
Isto porque lhe fugiu a boca para a verdade e disse de uma assentada o que vai na alma da Direita, prescindindo da tradicional hipocrisia de se travestir de democrata. Propõe ele, ou quer propor, acho que foi bem explícito, a ilegalização do PCP. E, de caminho, a proibição dos sindicatos que não obedecerem às regras desregradas do patronato.
E seria incorrecto, e perigoso, considerar que esta atoarda está enquadrada no perfil do homenzinho, não sendo mais do que isso, mais uma atoarda para a colecção.
Será, certamente, mais um efeito colateral, ou será central?, da governação “socialista”.
É preciso “avisar a malta”.

Honduras...


...e os dias cinzentos de Tegucigalpa.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O “Boca do Inferno”

Gregório de Mattos nasceu e morreu no século XVII. No Brasil. De boas famílias, o pai era de Guimarães, andou por cá, tendo-se formado em Coimbra. Exerceu o cargo de juiz de fora em Alcácer do Sal, de juiz cível em Lisboa e representou a Baía nas Cortes de Lisboa.
Devido a um comportamento, digamos, politicamente incorrecto, foi destituído de vários cargos, por, entre outras coisas, não querer usar batina nem aceitar a imposição das ordens maiores. A alcunha que ganhou, “Boca do Inferno” deve-se à aspereza com que criticava a igreja e a classe política em truculentos poemas.
A sua poesia, bastante satírica, arranjou-lhe os inimigos suficientes para ter de ser deportado para Angola. Cultivou a poesia erótica, bastas vezes roçando a pornografia, sendo esta a sua faceta menos conhecida.
E agora perguntais: porque me lembrei do “Boca”? E eu respondo: porque o mais recente cromo do delicioso "album figueirense" do artista Fernando Campos é um juiz que também vem de fora, mais propriamente de Coimbra mas que, ao contrário do “tio” Gregório, é muito bem comportado e conhece o Estádio do Dragão.
Entre por aqui, não tem que enganar, é logo em frente.
A obra de Gregório de Mattos estende-se desde a lírica à sátira social e à política. Mas leiamo-lo na sua faceta menos conhecida. Façam o favor:


O caralho do moleiro
É feito de papelão
Arreita pelo inverno
Para foder no Verão

I
O moleiro e o criado
Tiveram grande porfia
Saber qual deles teria
Mor membro e mais estirado.
Pôs-se o negócio em julgado
E, botando a soalheiro
Um e outro membro inteiro
Às polegadas medido
Se viu que era mais comprido
O caralho do moleiro
II
Disto o criado apelou
E foi a razão que deu:
Que o membro, então, mais cresceu,
Porque então mais arreitou.
Logo alegou e provou
Não ser bastante razão
A polegada da mão
Para vencer-lhe o partido
Que, suposto que é comprido,
É feito de papelão.
III
Item, sendo necessário,
Disse mais, que provaria
Que se era papel se havia
Abaixar como ordinário;
Que o membro era muito falsário
Feito de um pobre caderno
Tão fora do uso moderno;
Que, se uma moça arreitada
Lhe dá no Verão entrada,
É para foder no Inverno.
IV
E que, depois de se erguer
É tão tardo e tão ronceiro,
Que há de mister o moleiro
Seis meses para o meter;
Porque depois de já ter
Aceso, como um tição,
Engana a putinha, então,
Pois pedindo que a fornicasse
Lhe dizia que esperasse
Para foder no Verão.

Mas que confusão

Chega-se a um ponto que não se sabe quem anda ao colo de quem.
A menos que seja só uma questão de pormenor. Mas mesmo assim, não deixa de ser confuso. A não ser que seja um pormenor maior.

terça-feira, 14 de julho de 2009

No Dia da França

Nos finais dos anos 70, do século passado, durante a fase de trabalhador clandestino em França, militei no PCF. O Partido estava organizado por células, um tipo de organização característico dos partidos revolucionários. A particularidade dos comunistas franceses é de que baptizavam as células com nomes de destacados militantes, fossem intelectuais ou operários. Calhou a minha ter o nome daquele que ficou conhecido por Poeta da Liberdade, Paul Éluard. A outra célula com cujos camaradas mais convivíamos chamava-se Pablo Picasso.
Hoje, Dia da França, quero dedicar um poema aos inesquecíveis camaradas Marie Jeanne, Philipe , Claude e Alain. Este era o cómico do grupo, sempre que me apresentava a outro camarada acrescentava que eu falava melhor francês que ele, numa alusão à sua ligeira gaguez.
Lembro que certa vez não me deixaram participar numa colagem de cartazes de um concerto de reggae, porque podia haver problemas com a polícia…
Aí vai o poema. É da angolana Alda Lara.






A Paul Eluard
(na sua morte)

onde o poeta não havia já
foi quando em nós se gritou finalmente
que não estávamos sós…


entre nós e as vossas mãos caídas,
- ele! –
por quem os firmamentos
se fizeram de repente
lúcidos como ventos…
por quem as estrelas cresceram
belas e eternas,
no horizonte das horas,
como luas antigas,
vestindo os esqueletos
de humanas formas resumidas…
ele,
por quem, só as crianças
carregaram espingardas
nos jogos brinquedos de guerra,
e as trincheiras
permaneceram para sempre adormecidas
sobre os francos estivais
da terra…
ele,
por quem, nunca mais
estaremos sós…
e buscando-o ainda
ao longo dos longos dias inteiros,
só sabemos falar de amor,
aos companheiros…


Alda Lara