quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Quanto vale um militante?

Augusto Alberto

A angústia de um militante perante acontecimentos, que apesar de ser militante não domina, às vezes até parece ser coisa sórdida. Como aliás, todos sabemos se formos à blogosfera, pode dar em melancolia.
Adianto desde já o seguinte. Como muito cidadão deste país, também vou ser candidato na minha terra, mas com uma particularidade. Qual é ela? O meu partido fez-me a vontade. Mostrei vontade de ser colocado em qualquer lista e em qualquer lugar, excepto ser candidato na minha freguesia de residência: Buarcos. E porquê? Coitado de mim, por razões de estabilidade emocional. Depois da minha experiência no ano da razia provocada pelo “tufão”, em que fui candidato, cabeça de lista pela freguesia de Buarcos, e na contenda acabamos por perder o único mandato à assembleia de freguesia, fiquei com pena de mim, arrasado e mal tratado e, por isso, solicitei ao meu partido, que me livrasse de levar outra pancada e daí, Buarcos nunca mais. Ora aqui está, o que vale um militante e como se lhe faz a vontade. Estes não são mimos que abundem, mas que ainda os há, garanto-vos que os há. Pelo contrário, na Rua Direita do Monte, parece que a noite foi longa e não chegou, e a fazer fé na blogosfera, não estou a inventar nada, coisa sórdida se passou por ali. Aliás, burro velho, não me admira, porque já uma vez aqui contei, desde que em 75 vi sair dali os rapazes do MRPP, com as folhas policopiadas a zupar nos comunistas, não me admira. Até alguns numa troca de pés, acabaram por lá ficar e muito bem.
Quanto vale um militante? É uma boa pergunta para ser feita nestes tempos de reboliço e cacetada.
Lida a blogosfera, não sei se na reunião militante da freguesia da Sé no Porto, algum militante socialista a fez e que resposta teve? O que sabemos é que duas famílias se disputaram e a coisa continuou ao estalo, com mobília arrancada e pelos ares e um militante no hospital. Duas angústias. A da família que estando, não quer sair, e a que não está, a querer entrar. Ficaram a saber que são famílias, com certeza, mas continuam sem saber quanto vale um militante.
Quanto vale, também aqui na Figueira, um militante? Não sabemos se algum militante socialista também fez a pergunta. Bem perguntada. Porquê? Porque sabemos, também da blogosfera, que os nomes fundamentais propostos pelo órgão competente do Partido socialista da terra, são de fora do partido, ou mesmo sacados ao outro, o PSD/PP, que somado, disse-se, faz o centro, e arredados ficaram, como se lê, os que sempre trabalharam a bem do partido, os militantes.
Se eu fizer a pergunta a mim mesmo, de quanto vale um militante, direi humildemente, que sempre fui ouvido, muitas vezes a minha opinião foi tida muito em conta em momentos cruciais, e quando fiquei só contra os outros, ninguém me olhou de soslaio. Por isso, pedida escusa da lista da minha freguesia, logo aceite, logo outro lugar me deram, a de número 7 na lista da Câmara Municipal. Confesso militantemente, que ser o 7 já é uma honra porque entendo que à medida que os anos correm, provavelmente ser 7 já fica acima do que valho como militante, mas foi assim que foi decidido e então, fico em 7.
Mas ainda assim, é meu desejo perguntar ao Toni Alves, que é gentil e de coração grande, e a outros, o que vale um militante? O que fizesteis gente?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Angola: um país adiado (croniqueta nacionalista)

Este excelente artigo de Fernando Samuel no blogue “Cravo de Abril” obriga-me a algumas reflexões. Primeiro, porque tive a oportunidade de ver o que ele reporta, via tv, mais concretamente via TPA, a televisão de Angola que passa agora no cabo.
O noticiário das 7 horas da manhã daquele canal ocupou muito perto de vinte minutos com a visita da senhora. Considerei uma chafurdice.
Segundo, porque algumas das anotações feitas pelo referido escriba já eu, por várias vezes, as fiz aqui neste espaço.
O que ressalta é o desplante da senhora Clinton falar de direitos humanos num país completamente dominado pelo seu, onde conseguiu impor um capitalismo selvagem à imagem da América. Só pode mesmo soar a hipocrisia, porque quem está instalado no poder em Luanda sabe muito bem que está de pedra e cal. O que me fez, também, recordar um livro de Manuel dos Santos Lima, “Os anões e os mendigos”.
Como eu escrevi há tempos, neste mesmo blogue, a paz teve para o povo angolano um preço muito alto, que ele não mereceu pagar. Porque a guerra foi imposta.
Do MPLA, eu reclamo-me. Mas deste, estamos conversados. Deste, há muito que perdi as esperanças. Ainda estávamos em guerra e aconteceu o que eu pensava impossível: o MPLA participou numa reunião, como observador, da internacional socialista. O que significa, tout court, que o MPLA aderiu ao império. Na mesma altura, um poeta, nacionalista e ex-chefe de guerrilha, era preso.
Muitos nacionalistas angolanos deram a vida, primeiro contra o regime colonial, depois numa guerra contra o imperialismo. E este acabou por vencer. Mas não é, não pode ser, o fim da história.
Lembro-me que tinha doze anos, e deliciava-me nas praias de Luanda, e apreciava os belos, inacreditáveis e únicos fins de tarde. Não me passava pela cabeça que um outro nacionalista, o poeta António Cardoso, numa cela do Tarrafal, na cela disciplinar, melhor dizendo, aliás onde escreveu muitos dos seus poemas, escrevia estes versos:



Pôr-do sol, em Luanda...
Nesta hora cresce o sol sobre a fortaleza
E paira na cidade mágica beleza
Até a noite se vestir de escuridão…
E sobe o Povo, exausto, leitos de alcatrão,
A caminho de seus musseques-prisões,
Com um resto secreto arfando nos corações…

Não, não chegamos ao fim da história. Faço minhas estas palavras de Luandino Vieira. Apesar de tudo, acho que nunca se luta em vão.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"Revolta na Bounty"????

Mas mesmo assim, do mal o menos. É que na Invicta a coisa correu bem pior. Diz que meteu traulitada da feia, com tolas partidas e entradas no hospital. Democracia estranha, né?

domingo, 9 de agosto de 2009

Afrobaket 09: Angola procura 10ª vitória

Angola-Mali


Angola disputa este fim de tarde com a Líbia o primeiro encontro da segunda fase do campeonato africano que se disputa nas cidades de Tripoli e Bengazi, daquele pais. O jogo é transmitido pela TPA às 18h00 e pode ser visto na tv por cabo.
Depois de uma primeira fase com vitórias sobre o Mali (79-74), Egipto (79-69) e Moçambique (93-50) os angolanos, recordistas de vitórias na prova, são naturalmente os favoritos e têm vindo a crescer de jogo para jogo. Com excepção da primeira parte do jogo com o Egipto, em que repetiram a fraca exibição que fizeram frente a Portugal nos Jogos da Lusofonia. Foi assim a modos de palancas negras a fazerem figura de urso.
A primeira das 9 vitórias de Angola na prova aconteceu em 1989 e, desde então, só em 1997 não ficou no lugar mais alto do pódio, ficando com a medalha de bronze.
Mas, com a arrogância própria dos angolanos, como diz a Kianda, arrogância essa divertida, acrescento eu, lá vou dizendo que o Afro está no papo.
Aqui deixo uma novidade da FIBA: um excelente e completo site sobre a prova.

sábado, 8 de agosto de 2009

O Mosteiro de Seiça e a preservação da História



O blogue “O que eu penso” divulga a existência de um outro, da autoria de Maria Rosa Anttonen. Este, "Seiça, a região e o mosteiro" conta-nos a história do Convento de Santa Maria de Seiça, através dos séculos.
Utilizado durante muitos anos como armazém de arroz encontra-se praticamente abandonado, mesmo depois de ter sido adquirido pelo município há cinco anos. É agora utilizado como armazém da câmara.
Maria Rosa divulga também um abaixo-assinado que foi entregue no município com o objectivo de se recuperar aquele imóvel histórico.
Preservar a história é, sem dúvida, uma preocupação dos cidadãos, mas o poder não se pode demitir de responsabilidades que lhe são inerentes.
Porque é vital. Recordemos Marcus Garvey: “um povo sem o conhecimento do seu passado histórico, origens e cultura é como uma árvore sem raízes”.

fotos: alex campos

A campanha alegre, a blogosfera e o repórter X

imagem sacada da net
Animada com as reportagens de um enigmático jornalista a campanha eleitoral para as autárquicas na Figueira da Foz promete abandonar o cinzentismo que caracteriza todas as campanhas eleitorais. Ou seja, a tradicional, triste e enfadonha caça ao voto, com aquelas frases e slogans que não dizem nada a espíritos lúcidos mas que sempre vão servindo para enganar papalvos. Tais como “Figueira com rumo”, “Figueira a 100%” ou outras alarvidades do género, imperceptíveis para aqueles mas aliciantes para estes. Porque, no fim de contas, acabamos por ter sempre mais do mesmo.
O dito assina “jornalista Serafim” e aproveita o anonimato que a blogosfera concede, mais propriamente o lugar dos comentários, para fazer emergir o que se passa nos “bas-fonds” dos partidos, aquelas chafurdices que raramente chegam ao conhecimento público. Implicando claro, que uma grande percentagem do eleitorado vote sem qualquer conhecimento de causa e sem saber no que se está a meter.
O lápis, e a pena, do artista Fernando Campos traçam um delicioso “retrato robot” da misteriosa personagem. Com um link para as respectivas reportagens.
Não perca, vale a pena.

Mais do mesmo?


Só até a gente se fartar!!!!!!!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Adalberto Carvalho e Augusto Alberto candidatos

Adalberto Carvalho e Augusto Alberto, duas grandes referências do desporto figueirense, são candidatos pela CDU à Câmara Municipal.
O treinador de Halterofilismo é o quarto da lista, atrás de Silvina Queiroz, Carlos Baptista e Olga Gaspar, e o treinador da selecção paraolímpica de Remo, colaborador desta humilde “aldeia”, é o sétimo nome proposto pela coligação.
Para a Assembleia Municipal, e secundando Nelson Fernandes que como aqui noticiamos é o cabeça de lista, os candidatos são António Baião, Adelaide Gonçalves, Graça Rocha e Licínio Maia Azedo.
Na próxima semana a coligação de esquerda apresenta os candidatos às assembleias de freguesia.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Lei é Lei, não discuto, mas...

"Lei n.º 58/2009 de 5 de Agosto

Elevação da povoação de São Pedro, no município da Figueira da Foz, distrito de Coimbra, à categoria de vila

A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:

Artigo único

A povoação de São Pedro, no município da Figueira da Foz, distrito de Coimbra, é elevada à categoria de vila.

Aprovada em 12 de Junho de 2009.
O Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.

Promulgada em 20 de Julho de 2009.

Publique -se.

O Presidente da República, ANÍBAL CAVACO SILVA.

Referendada em 21 de Julho de 2009.

O Primeiro -Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa"

...mas onde fica a povoação de S. Pedro?????

6 de Agosto de 1945

Ó D. Manuela, por quem sois!!!!!!



Reparai que isto já o PCP anda a dizer, a defender e a cumprir há muitas décadas. Não me digais que “roubasteis” a cassete aos comunistas, foi?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sporting ou a sorte proteje os inocentes


Confesso que continuo desiludido com o meu desalmado Sporting. Não gosto de ganhar assim. Mas também, diga-se, o futebol não é propriamente um jogo estúpido. Seria, com este resultado, se a equipa holandesa não tivesse culpas no cartório. E tem-nas porque não quis ganhar o jogo, quis defender o resultado. E isso tem custos.
Mas devo dizer que quando vi o Rui Patricio correr para cima deles, como Santiago para cima dos mouros, me preparei para assistir a um monumental e emplogante 0-2.
Não aconteceu, ainda bem.

domingo, 2 de agosto de 2009

A blogosfera e o estrelato político


Há estrelas da política que têm blogues. E isso de serem estrelas, ou figuras da política, até que dá uma boa ajuda à qualidade de bloggers, quanto mais não seja pelo mediatismo que a coisa comporta, em alguns casos tornando-se, e apesar das bacoradas que se possa ler em muitos deles, em opinions makers, seja lá o que isso for, como diria um conhecido artista.
O inverso é menos comum. Mas não há regra sem senão, e a excepção, como se sabe, confirma a dita. Apresento-vos, então, este caso de um blogger de sucesso, um dos mais visitados da blogosfera figueirense, senão o mais, que pode alcandorar-se ao estrelato político.
Assim o eleitorado queira. Siga por aqui.

sábado, 1 de agosto de 2009

7-magníficos-7 (croniqueta autárquica)

A proliferação de candidatos à Câmara Municipal da Figueira da Foz, para além de constituir um record, será a única novidade que o acto nos apresenta. O título poderá parecer um tanto ou quanto dúbio: são 5 magníficos e duas magníficas.
Começando pelos partidos que formam a duetocracia que tem dominado o país estamos conversados. Os auto-denominados “socialistas” estiveram cerca de vinte anos consecutivos à frente do município e o que ficou foi a betumização da cidade e o início da concessão das águas, um bem público, que faz com que a Figueira tenha o orgulho de pagar a mais cara do país. Do seu irmão gémeo, há doze anos consecutivos sem sair de cima, pode-se dizer que continuou a obra, a ponte Galante é emblemática, e no campo cultural ficamos sem o Festival de Cinema e o Prémio Joaquim Namorado.
A lista independente, de quê também não percebo, “Figueira 100%” de Daniel Santos, antigo vice de Santana Lopes, mais me parece uma lista a meias entre partidos a que anteriormente me referi. Mas a fazer fé nos apoios que apareceram quando da sua apresentação parece-me que estamos perante um santanismo sem Santana, embora reforçado, uma maneira das forças locais de direita continuarem a controlar os seus interesses, face ao descrédito que PS e PPD têm acumulado.

Os “socialistas” pelo que se tem ouvido, talvez por lhes “cheirar” a poder, andam “à porra e à massa”, a ponto do seu candidato ter ameaçado bater com a porta. E segundo uma das nossas fontes um dos seus antigos presidentes da concelhia ter-se-á passado para a lista de Daniel dos Santos. A informação ganha contornos requintados quando nos diz que o citado político irá ser cabeça de lista em Tavarede.
Não havendo muito a dizer do CDS/PP haverá um facto novo relacionado com o fenómeno BE. Não existindo no concelho, concorreram pela primeira vez em 2005 e conseguiram eleger um deputado municipal. Nestes 4 anos ninguém ouviu falar deles mas aí estão. O dado novo será a nível nacional: a questão é se o BE está preparado para ocupar o lugar do PS em caso de desfragmentação deste. Acho difícil pois o grande poder económico continua a confiar nos “socialistas”, fartíssimos de darem provas, e para tal, o BE teria de moderar o palavreado e, sem o fazer não conseguirá subir, pelo menos entre as camadas mais jovens. Problema deles.
Portanto, e acedendo que a CDU não ganhará a Câmara, como se pode depreender pela blogosfera figueirense para a qual as 3 listas concorrentes são PS, PPD e Daniel Santos, quem quiser mais do mesmo tem muito por onde escolher, as cinco que me referi e a outra independente, protagonizada por Javier Vigo.
Eu, por mim, não quero mais do mesmo. Já cansa.

Uma noite danada