terça-feira, 29 de setembro de 2009

A situação financeira da Câmara - A história da dívida

por Nelson Fernandes





Durante esta campanha o PS e o PSD prometem coisas que não podem realizar. Na realidade o nível das promessas é inversamente proporcional às disponibilidades financeiras da Câmara. E na realidade o desempenho da Câmara para o quadriénio de 2009 a 2012 depende em primeiro lugar do saneamento financeiro da Câmara.

1- A HISTÓRIA E CAUSAS DA DÍVIDA
A história da dívida é rápida. Aguiar de Carvalho transmitiu a Santana Lopes uma câmara com quatro milhões de contos de receita e uma dívida controlada de cerca de 150 mil contos. Durante o mandato de Santana Lopes, a partir do segundo ano as receitas praticamente triplicaram, para cerca de 12 milhões de contos, por aumento das transferências do poder central, aumento das receitas do sector imobiliário e das derramas, porque esse período coincidiu com o fim das isenções dos impostos por aquisição de habitação própria e outros.
Este aumento de receitas originou de seguida um conjunto de “liberalismos” nas realizações de então que foram levadas a cabo sem acautelar financiamentos quer do estado, como foi o caso do CAE quer da UE como foi o caso da ETAR da Salmanha. Ou ainda na utilização da recém criada empresa municipal Figueira Grande Turismo para a aquisição expedita, do Abrigo da Montanha ou da discoteca “o Pecado”.

O “liberalismo” continuou com Duarte Silva. Se o mandato de Santana Lopes terminou com um empréstimo de 1 milhão de contos Duarte Silva estreou-se com um empréstimo de 3 milhões de contos. E durante o primeiro mandato, alienaram-se parte importante das receitas com a renegociação do contrato de concessão das águas, cuja empresa ainda hoje não paga o valor de mais de 300 mil € correspondentes ao complemento da renda da concessão, pela incorporação do investimento realizado pelo município antes de 2004.
Os orçamentos camarários expressam esse “liberalismo” orçamentando sempre o dobro da capacidade de receitas. E como as receitas reais não se compadeciam com as orçamentadas o mecanismo era simples. O ano económico para a Câmara tem dois tempos. Para receber tem doze meses, terminando em Dezembro, e, para pagar, tem nove meses terminando em Setembro, empurrando as despesas do último trimestre para o ano seguinte.
Também o governo do PS contribuiu para a diminuição das receitas ao não cumprir a Lei das Finanças Locais, modificando as regras do jogo e impondo limites ao endividamento sem dar aos municípios tempo para adequarem a sua situação financeira a novas regras.
E finalmente algumas reorganizações empresariais e a crise deram o golpe de misericórdia nas receitas que no ano de 2008 ficaram praticamente reduzidas a metade daquilo que já foram, isto é, a um pouco mais de 36 milhões de €.

Entretanto a dívida não para de subir como nos mostra o quadro que compara a diferença entre a despesa comprometida e a despesa paga.

Repare-se que o total das receitas é praticamente afecto às despesas o que quer dizer que na realidade a diferença encontrada para cada um dos anos não tem cobertura orçamental e transita já como dívida para o orçamento seguinte e assim sucessivamente. O passivo apontado para 2008 era de 66.104.497 M € a que há que juntar os passivos das empresas municipais o que se estima um valor global de cerca de 90 M €.

2. COMO LIDAR COM A DÍVIDA
Vale a pena agora lembrar que, do ponto de vista empresarial, uma Câmara que tem activos avaliados em 234.645.983 M€ e fundos próprios avaliados em 168.541.486 M €, o quantitativo de 90 M € de dívidas é naturalmente preocupante, e deve merecer uma imediata atenção pois pode comprometer o futuro, mas está longe de se considerar uma situação insolúvel.
A forma de lidar com a dívida será naturalmente diferente para as empresas municipais e para a Câmara. A dívida da responsabilidade das primeiras terá que ser analisada com as respectivas administrações e decidir medidas a tomar face à situação patrimonial e financeira de cada uma delas, sem excluir qualquer solução. A dívida da responsabilidade directa da Câmara deverá ter uma intervenção imediata.
A decomposição desta, (66 M€) mostra-nos duas grandes rubricas. As dívidas a terceiros Médio e Longo Prazo de 21.585.789 M€ que são dívidas a instituições de crédito e que estão naturalmente controladas: e as dívidas a terceiros Curto Prazo de 35.606.717 milhões de €. É esta que exige acção imediata pois implica com a actividade do tecido produtivo das pequenas e médias empresas fornecedoras de bens e serviços.
No entanto também não há que lidar com a totalidade desta rubrica. Uma parte dela 10.140.088 M € também está sob a responsabilidade das instituições de crédito através das modalidades de Leasing ou Factoring o que deixa para intervenção urgente uma quantia de 25.466.629 M€. Se entretanto a Câmara tivesse utilizado criteriosamente os cerca de 10 M€ que lhe couberam do programa de pagamento de dívidas ao Estado, a quantia a intervencionar passaria aos cerca de 15 M€.
Não é pouco. Tendo em conta que as despesas correntes consomem cerca de 80% das receitas correntes o que fica para pagamento da dívida são estes 20% remanescentes das receitas correntes (cerca de 6 M €) e a totalidade das receitas de capital. Ora como as receitas de capital tem vindo a decrescer, (11 milhões em 2006, 8 milhões em 2007 e 6 milhões em 2008) o plano de saneamento financeiro deve prolongar-se pelos quatro anos de mandato.

3. MEDIDAS CONCRETAS
1. Credibilizar os documentos de gestão nomeadamente o Orçamento Anual e as Grandes Opções do Plano.
O quadro seguinte mostra-nos a relação entre a despesa orçada e a receita cobrada.

Como se vê os sucessivos orçamentos tem uma taxa de execução muito baixa, e encorajam a cabimentação orçamental da despesa ainda que não haja cobertura nas receitas.
1.Correcção dos Orçamentos
A primeira medida a tomar é que o orçamento anual da receita seja igual á receita do ano anterior mais 20%, para dar margem de manobra á integração de verbas extraordinárias que possam acontecer durante o exercício. Esses 20% ficariam cativos e só seriam utilizados em função do comportamento das receitas.
Assim o orçamento de 2007 seria de cerca de 46,8 milhões de €, o de 2008 de cerca de 45,6 milhões de € e o de 2009 de 43,2 milhões de €. Só por si esta medida impede a Câmara de se comprometer anualmente com os montantes de despesa que nos são mostrados no quadro 1 uma vez que não existiria cabimentação orçamental.
2. GOP. Escalonamento de prioridades
É evidente que os reflexos desta medida nas Grandes Opções do Plano teriam de ser objecto de um escalonamento de prioridades, participado pelas freguesias, naquilo que a estas diz respeito. E é também evidente que esta medida não se compadece com as promessas eleitorais agora em curso, e que não terão nenhuma possibilidade de serem concretizadas. Assim as prioridades seriam para obras da responsabilidade das Juntas de Freguesia, fundamentalmente por administração directa, apoiadas na transferência de verbas, no apoio jurídico-administrativo, e no apoio técnico, quer em recursos humanos quer em maquinaria.
3. Disciplinar a Aquisição de Bens e Serviços
A segunda medida será a de disciplinar a rubrica de “Aquisição de Bens e Serviços”. Esta rubrica com mais de 15,5 milhões de € é a mais importante da despesa e em certa medida um verdadeiro “saco azul” de prebendas para particulares e empresas. O princípio será o de que nenhum serviço deve ser adquirido desde que a Câmara tenha capacidade para o fazer.
4. Disciplinar as Despesas Departamentais
Adequar a dimensão dos departamentos às prioridades estabelecidas nas Grandes Opções do Plano, e adaptar o seu funcionamento às capacidades de receita.
5. Rever os Contratos de Concessão
Os contratos de concessão, nomeadamente da Exploração das Águas e da recolha dos Resíduos Sólidos Urbanos, têm saído aos munícipes e ao município demasiado caros. É nosso entendimento que deve voltar á exploração do município, logo que cesse o período da concessão, uma vez que estes serviços deixam muito a desejar em termos de qualidade e de preço.

Estas são as medidas de emergência para o saneamento financeiro da Câmara. Não se deve naturalmente esquecer que serão necessários ajustes locais á capacidade de cobrança de receitas, mas também pressionar o governo no sentido de não utilizar a seu prazer as receitas municipais, e a cumprir integralmente a lei das Finanças Locais.


Adenda: Depois deste escrito tomamos conhecimento de uma informação sobre a situação financeira da Câmara no 1º semestre de 2009, que nos mostrou um sério agravamento, face ao Relatório de Gestão de 2008, que constitui a fonte deste trabalho.

Finalmente, Cavaco vai falar

O presidente da República vai falar ao país, hoje, pelas 20h00.
Não se sabe qual o assunto da faladura, ou mesmo se ele irá dizer alguma coisa.
Temos de esperar para ver, perdão, para ouvir.

A corja à volta da Parvónia

Augusto Alberto

Se por cá andasse, Camilo Castelo Branco haveria de continuar a falar sobre a velha corja, porque ela vai continuar a atacar. Mas também Guerra Junqueiro, falaria da “viajem à roda da Parvónia”, porque é tudo o que nos saiu, mais uma vez, destas eleições.
Primeiro, porque se fez vender a ideia de que o parlamento não tem corpo e voz própria, para melhor se poder reinar. Que se acabe então com o parlamento e se eleja logo directamente o 1º ministro e pronto, escusamos de ter estes deputados e esta maçada eleitoral.
Depois, porque começou a aritmética, ou seja, como somar para que a corja se continue a governar. Afinal, a coisa mudou um pouco, mas tudo vai ficar na mesma. E desse modo, já ouvi e li, falar num entendimento do Partido Socialista com o partido do deputado Portas. O deputado Portas, um celibatário nos géneros, parece que do ponto de vista político se prepara, ao que parece, para dar o nó, com o Partido Socialista, a fazer fé no Chico Van Zeller. Com papas e bolos se enganam os tolos e pelos vistos, o deputado Portas, quando mudou de partido democrata cristão para um partido “meio espertalhão”, de tanto papaguear, acertou e prepara-se para dar o conforto político que os amigos do Chico necessitam. Porque se o Chico Van Zeller assim o diz, assim se fará, aliás, em linha com o que de pior se fez no que diz respeito ao código do trabalho, essa coisa responsável por graves distorções na vida individual das pessoas, e não sou eu que o digo, mas gente que essas coisas estuda. Se o ministro Vieira da Silva, seu bom amigo, lhe deu ouvidos naquele instante, bem certo lhe dará ouvidos de novo.
A corja porque não é trouxa, sabe bem o que faz e como o faz.
Conseguiu à custa de traquinices o seu grande objectivo, ainda que com um pequeno custo. Manter o Partido Socialista como poder, agora, bem garroteado pelo CDS, a fazer fé na vontade do Chico Zeler, porque aquela gente do PPD/PSD está hoje completamente insane. Mas houve um pequeno engano. O Bloco de Esquerda, que foi criado para morder no PCP, acaba antes por morder no seu criador, porque acolheu os chateados urbanos e por isso, em breve veremos como se vai matar o Bloco, pois então. E ao contrário, contra muitos esforços, a CDU, única força escorreita e séria do xadrez político, acaba mais uma vez, laboriosamente, a consolidar o seu campo, numa luta desigual, ainda que muita gente considere que os comunistas são coisa má.
Afinal, não foi Jerónimo quem fez as considerações mais certas, que só por maldade não se amplificaram? Quem disse, por exemplo, que uma parte dos lucros da EDP poderia simplificar a vida às pessoas e empresas, as pequenas, sobretudo, de que o esperto do Portas agora se lembrou? Esta foi daquelas que a corja calou, porque esta gente foge como o diabo da cruz, quando se trata de ouvir dizer, vá lá, reparta-se um poucochinho a riqueza.
Guerra Junqueiro disse que este Povo é sisudo e sempre disponível para ser ultrajado. É um atavismo e isso faz as delícias da corja.
E eu, em conversa amena, já no rescaldo do dia, à volta dos restos do leitão, ainda disse para a mesa: - ainda hão-de os mais novos um dia de pagar para trabalhar, e logo dois companheiros acrescentaram: -sabemos quem cedeu terrenos e pelo menos um deles, a mulher, a troco do emprego.
Que dizer? Que a corja vai continua a andar à volta da parvónia.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Nelson Fernandes e a situação financeira da câmara



Já com vários mandatos como deputado municipal no curriculum, Nelson Fernandes é um dos mais experientes entre os seus pares. Exibe um humor fino, algumas vezes sarcástico e sempre incisivo, nas suas coerentes e bem argumentadas intervenções.
É o primeiro nome da lista da CDU concorrente àquele órgão, no próximo dia 11.
Amanhã, o “aldeia olímpica” publica um seu trabalho sobre a situação financeira da câmara, em que é historiada a dívida daquela entidade. Um trabalho elaborado com o rigor e a seriedade que caracteriza os comunistas, em que o autor aponta soluções que contribuem para uma possível governabilidade do município.
Bastante elucidativo para quem se der ao trabalho de ler.

O iate

Augusto Alberto

Ao correr os jornais, vejo que o santo Papa foi em cruzada, anticomunista, como ainda são as cruzadas modernas, embora não pareça, à República Checa. O santo homem mais uma vez papagueou, bem ao jeito dos que hoje são o ómega e o alfa da globalização, esse eufemismo, onde se deverá, antes, escrever, o mais cruel e acirrado capitalismo, que muita desgraça tem deixado pelo mundo.
Falou da libertação dos Países da Europa do leste de regimes opressivos, da época comunista. E se a queda do muro de Berlim marcou um momento decisivo da história mundial, ainda foi mais para os países da Europa Central e do leste, permitindo-lhe ocupar o lugar que lhes compete no concerto das Nações de forma soberana.
Bem sei que o santo homem, escondido e drapejando suave no conforto do Vaticano, não imaginará que muitos dos cidadãos deste mundo, estão tão desconfortáveis, que não ocupam o lugar que lhes compete no concerto dos povos.
O santo padre é um traficante de consciências e da história, porque deveria saber que povos que saíram do concerto, ali sim, da União Soviética, estão hoje bem longe do justo concerto dos povos. Saberá como vivem os povos da Chechénia, da Inguchétia, do enclave do Nagorno Karaba e dos fracassados regimes soberanos da Bulgária, por exemplo, que se dá à tontura de fazer uma experiência com um primeiro ministro, que antes do ser, já tinha sido, Simião, o rei, por exemplo, ou mesmo da mãe Rússia? Tanto faz, porque os andrajosos não se arrastam pelas praças do Vaticano.
Mas, em todo o caso, falemos de denúncias. Se o santo padre é um homem de uma só denúncia, então é preciso dizer que a igreja que agora dirige nunca se deu ao trabalho de apontar os que na União Soviética deixaram um rasto de 30 milhões de vidas e de milhares de infra-estruturas vitais, completamente destruídas. Se eu pudesse chegar-lhe, talvez o convidasse a passar pelo cemitério de Piskarevskaye, hoje em São Petersburgo, onde em campa rasa e comum, estão 700 mil vidas, e ali fazer a denúncia ao Mundo, dos abjectos crimes do capitalismo, em serviço, ontem, de democráticas, hoje, empresas como a Siemens, Krupps ou a Bayer, e de seguida fazer o elogio da resistência, escrita a sangue, do povo da cidade de Leninegrado, durante 900 dias. E se este santo homem, preocupado com o mundo, nunca o fez nem o fará, é porque também foi um fascista. E um fascista, nunca falará das tropelias dos seus pares.
Mas nem a propósito, na semana que agora acabou, passei por Lisboa. Fui ver os painéis de Almada Negreiros, no edifício da Rocha de Conde de Óbidos, hoje o terminal de cruzeiros da capital, e por onde nos anos da guerra, desfilavam os batalhões com passagem para a África, ao serviço de um indigente capitalismo, que a igreja de Roma nunca foi capaz de denunciar, antes pelo contrário, com quem partilhou ideias e amores.
Hoje já não passam batalhões, mas passam cruzeiros da mais fina tontaria e requinte, e naquele instante, vejo um iate colossal e espanto-me, apesar de já ter visto o suficiente para não me impressionar. Anotei a imagem, e qual o meu espanto, quando no dia seguinte, também através da imprensa, fiquei a saber que o fabuloso iate é pertença de um sortudo novo rico, magnate do petróleo russo, daqueles que num estalar de dedos se fizeram riquíssimos após o famoso tropeção soviético. É então legítimo dizer que o santo homem terá afinal alguma razão. Este magnata do petróleo, tem, com certeza, lugar no concerto dos homens, muito ao contrário de muitos dos seus concidadãos, abafados na indigência e no álcool.
Porventura, o santo homem, que bem sabe o que faz, poderá continuar a papaguear o quiser, mas não poderá decretar o fim da história, ainda que lhe desse bom gosto.

Legislativas: a Esquerda foi às cordas



A direita foi a grande vencedora do acto eleitoral de ontem, não há que escamotear. Colocou três partidos nos três primeiros lugares (PS, PSD e CDS), ficando os partidos de Esquerda com o quarto e quinto (BE e CDU). E em termos individuais o grande vencedor foi Paulo Portas, uma vez que com o CDS o partido socialista consegue formar uma maioria para governar, mesmo sem contar com os quatro lugares ainda por atribuir da emigração. O que deve doer ao BE, muito possivelmente derramadinho para experimentar o poder. Terá de ficar para outra ocasião.
Se bem que o Bloco conseguiu manter a dinâmica de crescimento à custa da Direita e que a CDU também tenha subido, em número de votos e um deputado, não gosto de “dourar a pílula” como ouço na televisão que a Esquerda tem a maioria. É já uma redundância que me aflige os miolos ouvir dizer que o “ps” é de Esquerda. Basta estar atento à sua governação. Se eu considerar o “ps” de Esquerda o que chamarei ao PSD, comparando os códigos de trabalho? Extrema-esquerda?
E se o “ps” se juntar ao CDS, parecendo o cenário mais plausível, não seria nada a que não estivéssemos habituados. Claro que terá que fazer algumas cedências, ao populismo de Portas, mas também nada que não esteja disposto a fazer, a até vem a calhar, dá nas vistas. Por outro lado, sem maioria absoluta terá que se entender também com o PSD, principalmente nas grandes questões como a revisão da Constituição, por exemplo.
Pronto, a Esquerda também teve uma vitória. Temo é que tenha sido uma vitória de Pirro.

domingo, 27 de setembro de 2009

Autárquicas na Figueira da Foz: um breve historial (VI)

1993
Neste ano da graça os resultados eleitorais forneceram resultados idênticos aos de 4 anos antes. A vereação ficou exactamente na mesma, 5 mandatos para o “ps” e 4 para o PSD, o que demonstra que os figueirenses estariam satisfeitos com a administração cessante.
Os “socialistas”, os sociais-democratas e a coligação entre comunistas e verdes (CDU) tiveram sensivelmente a mesma votação. Só o CDS e o MRPP desceram, talvez pelo aparecimento, também fugaz como o PRD em 1985, do PSN, que ultrapassou o milhar e meio de votos.
Foi o segundo elenco camarário só com vereadores do “centrão”, como aliás se repetirá nos três actos eleitorais seguintes, como iremos ver. “Centrão” é uma maneira de dizer, uma palavra que ficou na moda, pois é de fácil compreensão que os seus governos ( “ps” ou PSD) têm vindo a radicalizarem-se à direita, a cada acto eleitoral que se vai realizando.


Os resultados:
PS, 15.455 votos, 45,45%, 5 mandatos
PSD, 11.928 votos, 35,08%, 4 mandatos
CDU, 2.127 votos, 6.25%,
PSN, 1.737 votos, 5,11%
CDS, 887 votos, 2,61%
MRPP, 358 votos, 1.05%,
Votos brancos, 948, 2,79%
Votos nulos, 565, 1,66%
Votantes: 34.005, 62,13%
Abstenção: 20.728, 37,87%
Inscritos: 54.733

sábado, 26 de setembro de 2009

Lamber as feridas

Augusto Alberto


Há uns dias passei pelo Hospital Rovisco Pais, no contexto das minhas tarefas no âmbito do desporto para deficientes, mais concretamente, na minha relação com o remo paraolímpico. Tratou-se de estar presente numa cerimónia que selou um longo protocolo para as diversas áreas desse desporto.
Estava, como era de calcular, muita gente num calmo mar quando de repente dei, quase à minha frente, com uma figura que esteve durante alguns anos no centro da vida figueirense e que há muito não via. Falo do Drº. Carlos Beja, antigo deputado da nação e ilustre candidato do Partido Socialista a presidente da autarquia, no ano da vitória do Drº. Santana Lopes, mediático Presidente. Aliás, nessa sua passagem como deputado da nação, fica-lhe uma desfeita, que de certeza nunca mais esquecerá. No centro das dificuldades que os trabalhadores da EMEF/CP da Figueira da Foz estavam a sentir, o Sr. Deputado recebeu os seus representantes e ficou célebre a resposta que lhes deu, depois de os ter informado que não acolhia as suas preocupações. Suceda o que suceder e fizessem os trabalhadores o que fizessem, ele, deputado Carlos Beja e o seu P. Socialista, ganhariam sempre as eleições na Figueira da Foz, disse. Acontece que ao Sr. deputado à época, os cães saíram-lhe ao caminho, cagaram na estrada e como é bom de ver, o Sr. deputado acabou a lambuzar os sapatos, como se sabe. Evidentemente fiquei surpreendido, porque não sei como calha o Drº. Carlos Beja com o movimento que ali se celebrou. Pode ser só ignorância minha. Mas logo um tempinho adiante, comecei a perceber. Chegou também o senhor Juiz Ataíde, candidato à presidência da Câmara da Figueira da Foz, pelo partido socialista, que por isso mesmo, vai sendo conhecido pelo Sr. Juiz de fora. Começava a bater certo, embora também ao senhor juiz de fora, não se conheça relação com o que se estava ali a celebrar. Pode ser só, de novo, ignorância minha. E ser for, penitencio-me.
Evidentemente que as apresentações foram correctas e estiveram ao nível. A campanha seguiu ali com recato e gosto. Embora tenha uma dúvida, porque não sei se o Sr. juiz de fora, vai cair para dentro, ou se vai cair para fora, o que sei é que os tempos passados recentes, nesta minha terra, foram tempos de faca e alguidar. Amores e desamores, traições, rasgões e muitas atrapalhações. Houve de tudo, como é público, mas mantenhamo-nos calmos. Certo que é dito que as principais figuras giram segundo os interesses de verdadeiros pares. Evidentemente, não tenho a certeza. Talvez sim. Contudo, não creio que os amores e desamores condicionem as intenções. Tudo com o tempo se cura e logo o agiornamiento se fará, porque no fundo, bem no fundo, há sempre quem cultive a esperança de que no tempo sempre será melhor chupar um osso, nem que pequeno seja, do que ficar a lamber as próprias feridas.

O Campo (que foi) Pequeno!

imagem daqui (onde se inclui um ensaio sobre a teoria da perseguição)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O pessimismo da OCDE


As previsões da OCDE indicam que Portugal, no final de 2010, terá 650.000 desempregados.
Temo que essa organização cooperativa tenha sido um pouco pessimista, e injusta, em relação à competência dos governos que os portugueses têm escolhido. Porque estes escolhem com a melhor das intenções e não se têm enganado. Não houve governo algum que não fosse capaz de aumentar as taxas de desemprego.
Portanto, penso que no final daquele prazo o governo de Portugal consiga chegar ao milhão de desempregados e, assim, exceder as previsões da OCDE.
Vai daí, resolvi fazer uma sondagem, uma vez que também estão na moda, as sondagens, aí pela blogosfera fora. Só para aquilatar se os portugueses confiam mesmo nos governos que escolhem.
Aí mesmo, no canto superior direito.

Dr. Rui e Mrs. Manuela



O que terão em comum o juiz Rui Teixeira e Manuela Moura Guedes? E só para falar de duas figuras, digamos, mediáticas.
Ou serão surdos ou distraídos. Ou então, uma terceira hipótese, destemidos.
Porque uma das grandes figuras do “ps”, o empresário Jorge Coelho avisou, alto e bom som, que “quem se mete com o “ps”, leva”.
E esta é uma das diferenças, abissal, diga-se, entre os “socialistas” e o Estado Novo. É que Salazar nem sequer se dava ao luxo de avisar. O que retira toda a credibilidade a quem anda a colocar uns bigodes, também mediáticos, diga-se, nos cartazes do grande chefe “socialista”.
É que estes avisam. quem não ouve, não ouve. E, como se sabe, o desconhecimento da Lei não serve de desculpa.
E ficamos a saber que o Dr. Rui e a sra. Manuela não conhecem nenhuma citação de Luís XV.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Autárquicas na Figueira da Foz: um breve historial (V)

1989
Realizadas em 17 de Dezembro este acto eleitoral trouxe duas novidades: a primeira, o executivo camarário subiu de 7 para 9 elementos e, segunda, passou a ser representado unicamente pelo “ps” e pelo PSD. Começaram, então, as maiorias absolutas, que se mantêm até aos dias de hoje.
Os “socialistas” obtiveram 5 mandatos e os sociais-democratas 4.
Sabendo que nas grandes opções as diferenças entre eles são mínimas, ou mesmo inexistentes, poder-se-á dizer que se elegeu um executivo monocórdico. Até aos dias de hoje a Direita tem feito sempre o pleno. Assim a modos como eu e os “Cães Danados” nas “Noites do Forte”.
Em relação às eleições anteriores todas as forças políticas subiram em número de votos, à excepção do PCP/PEV, que concorreram coligados na CDU (Coligação Democrática Unitária) e perderam mais de mil votos.



Os resultados:
PS, 15.178 votos, 47,01%, 5 mandatos
PSD, 11.456 votos, 35,48%, 4 mandatos
CDU, 1.880 votos, 5,82%,
CDS, 1.526 votos, 4,73%
MRPP, 600 votos, 1.86%,
Votos brancos, 909, 2,82%
Votos nulos, 737, 2,28%
Votantes: 32.286, 61,85%
Abstenção: 19.913, 38,15%
Inscritos: 52.199

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

domingo, 20 de setembro de 2009

Morreu Costa Andrade


O deputado e poeta angolano Fernando Costa Andrade faleceu na última sexta-feira em Lisboa, aos 73 anos.
Poeta, ficcionista, ensaísta e pintor, tendo estudado arquitectura, foi também membro fundador da União de Escritores Angolanos.
Nacionalista, foi comandante da guerrilha na Frente Leste nos anos 60 e 70. Com vários pseudónimos literários, como guerrilheiro ficou conhecido por comandante Ndunduma Wé Lépi.
É uma perda irreparável para a Cultura angolana.



Confiança


olha amor estas anharas
nelas renasce
o verde forte
do capim…


olha e escuta a vida
a borbulhar
sob a imensa sensação
de sermos nós


olha amor
e solta enfim
o brado da certeza
que não é crime
o grito à vida
e ao amor que se adivinha.


olha amor estas anharas
renasce verde
o capim da terra grávida
de bocas saciadas.


olha amor escuta
esta imensa sensação
de sermos Nós.