quarta-feira, 25 de novembro de 2009

25 de Novembro: um testemunho

O rescaldo do 25 de Novembro

"Fascistas, extrema-direita legalizada, PS, PPD e CDS não se conformaram com a saída do golpe de 25 de Novembro.
Logo no dia 26, o PPD num comunicado da Comissão Política, e o PS num comício no Porto, “exigiram” a saída dos comunistas do VI Governo Provisório. O CDS reclamou, não só a saída dos comunistas, como a sua própria entrada.
Continuou e ganhou furiosa intensidade a campanha reclamando medidas repressivas concretas contra as forças revolucionárias, nomeadamente contra o PCP.

Em Janeiro de 1976, é relançado o terrorismo: 64 atentados, dos quais 47 à bomba. Nas forças Armadas instaura-se uma hierarquia tradicional com oficialidade da direita. São postos na prateleira os oficiais de Abril, incluindo aqueles que tinham dado uma contribuição determinante para os dois resultados contraditórios do golpe de 25 de Novembro: por um lado, a abertura do poder político e militar à contra-revolução e, por outro lado, a derrota dos que pretendiam desencadear uma vaga de violenta repressão.
Na ofensiva desestabilizadora teve particular significado a campanha contra o Presidente da República general Costa Gomes, visando a sua demissão.
Costa Gomes desempenhara importante papel no Pronunciamento de Tancos e no afastamento de Vasco Gonçalves. Mas contrariava e recusou a acção e planos das forças mais reaccionárias, e a ilegalização e repressão do PCP. Considerou, como disse tarde, que o PCP representou um papel positivo na saída da crise político-militar no 25 de Novembro.
Expressou-se, na sua linguagem muito própria, dizendo que “no 25 de Novembro houve um partido que, ao contrário do que por aí se consta, teve uma actuação muito sensata: o Partido Comunista Português” (Revista Indy, 27/11/98).
Além disso, a contra-revolução, nomeadamente o PS, não lhe perdoava que, embora iludido acerca das possibilidades reais, tivesse encarado a saída da crise com a formação de um governo PS-PCP. Não lhe perdoavam que, no 25 de Novembro, embora dando cobertura institucional ao golpe militar, tenha contrariado que o resultado fosse uma vitória das forças mais reaccionárias. Não lhe perdoavam a conhecida intenção de assegurar que a Assembleia constituinte finalizasse o seu trabalho aprovando a Constituição.
Como o PCP então alertou,
a ofensiva desestabilizadora das forças contra-revolucionárias nos meses de Dezembro, Janeiro, Fevereiro e Março colocava como de importância determinante a passagem urgente da situação democrática provisória, extremamente instável, incerta e perigosa, para a institucionalização do regime democrático consagrando as conquistas da revolução, ou seja, a importância determinante, na situação existente, da aprovação e promulgação da Constituição da República.
Pela luta do povo, pela acção dos militares contrários à instauração de uma nova ditadura e pela firme actuação do PCP e outros democratas defensores de um regime democrático, esse objectivo foi alcançado.
Até ao último minuto, tentaram provocar a demissão do Presidente da República. Mesmo quando considerara já inevitável, com o “Pacto MFA-Partidos”, que a Assembleia Constituinte iria aprovar a constituição, as forças contra-revolucionárias acalentaram esperanças de que, uma vez a constituição aprovada, e o texto enviado para Belém, ainda Costa Gomes fosse forçado à demissão antes de poder promulgá-la.
Não o conseguiram.
No dia 2 de Abril de 1976, o Presidente da República deslocou-se à Assembleia Constituinte para assistir à votação e aprovação final da constituição e ali mesmo, na Assembleia, a promulgou."

Álvaro Cunhal, in “A verdade e a mentira na Revolução de Abril (a contra-revolução confessa-se)”

25 de Novembro de 1975: a morte do 25 de Abril


Muitos mistérios e dúvidas prevalecem ainda acerca destes acontecimentos. Dúvidas se foi um golpe de Direita ou de Esquerda. E que interessa que se mantenham integrados no velho e arreigado vício de lavar a História. De a compor. Já que há tentativas de Direita para fazerem crer que foi um golpe de Esquerda.
Estes tristes acontecimentos vêm no seguimento do que se passou durante o chamado “Verão Quente”, em que toda a Direita (desde o PS ao ELP-MDLP, o braço armado da Direita) se não cansou de desestabilizar com acções terroristas desde o incêndio à embaixada espanhola, passando pela rede bombista e pelos assaltos às sedes de partidos de Esquerda, nomeadamente do PCP.
Mas não admira. Não só porque a luta pelo poder envereda, não raramente, por este tipo de violência, mas também porque tendo Portugal saído de uma ditadura fascista teve também a estranha característica de nunca ter havido a desfasciszação do regime. Quer dizer, as suas forças mantiveram-se intactas. Não houve julgamentos, nem culpados nem condenações. Muitos crimes ficaram impunes.
Este acontecimento antecedeu as eleições. Mas mesmo assim não resisto a fazer um paralelismo com o facto de que sempre que a Esquerda ganha eleições sucede-se ou uma guerra civil ou um golpe de estado. Foi assim em Espanha ou no Chile. Mais recentemente nas Honduras. Ou as tentativas, por enquanto fracassadas, na Venezuela. Para citar só alguns exemplos.
Numa resenha histórica sobre o 25 de Novembro publicada pelo jornal “O público”, domingo passado, não vislumbrei nenhuma acção menos “democrática” levada a efeito pelas forças de Esquerda. Pelo contrário, acções terroristas perpetradas pela Direita como o bombardeamento da Rádio Renascença são elucidativas. A fuga dos seus dirigentes para o Porto, onde uma manifestação de apoio ao governo culminou com um assalto à sede da União dos Sindicatos, denuncia claramente as intenções, pouco democráticas, da Direita.
Enquanto isso, num debate na televisão Mário Soares acusava Álvaro Cunhal e o PCP de quererem instaurar uma ditadura. Faz lembrar a estratégia do “mundo civilizado” para invadir o Iraque sem escandalizar muito a opinião pública: a referência até à exaustão de uma mentira. A de que Saddam possuía armas de destruição maciça.
Prevalecem muitos mistérios. Hão-de prevalecer.
Mas não será à Esquerda que isso interessa.
Entretanto, lá temos de nos amanhar com a "democracia" parida em Novembro.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ajudem o Henry


Não me querendo meter na nova polémica futebolística, a que divide os puristas ou tradicionalistas (ou sejam lá o que forem), isto é, aqueles que defendem que o erro faz parte do jogo e aqueles que advogam a introdução das novas tecnologias, sempre vou dizendo que, apesar de gostar de ver esse jogo, o considero o mais desleal que existe. E só porque permite mesmo a batota, desde que se consiga enganar quer os árbitros quer os adversários, deturpando a verdade desportiva de uma maneira completamente impossível noutras modalidades. Casos como este, ou diferentes, não faltam.
Dos adeptos do futebol estamos conversados: consoante a equipa de quem são adeptos seja beneficiada ou prejudicada, vão mudando a perspectiva.
Quem não se está a ralar com isso são os franceses. Inventaram um jogo de perícia, que consiste em ajudar o seu atacante, Thierry Henri, evidentemente, a marcar golos à Irlanda.
Com a mão, pois claro.
O jornal online "maisfutebol" divulga-o aqui. Devo dizer que consegui 45 golos. Atrevam-se...

domingo, 22 de novembro de 2009

Perguntas pertinentes


Porque o governo Sócrates já não respeita nada nem ninguém?

Porque o cargo de Governador Civil, efectivamente, já não vale nada?

Porque é urgente voltarmos a falar de regionalização... mas desta vez, a sério?


Se não souber as respostas, sempre pode, aqui, encontrar algumas dicas
.

sábado, 21 de novembro de 2009

Um desafio


Fui desafiado por uma amiga, a poetisa Ana Tapadas (blogue Rara Avis) para completar estas 5 frases:
Eu já…
Eu nunca…
Eu sei…
Eu quero…
Eu sonho…

Então, com grande sacrifício, lá vai disso:

Eu já… tenho idade para ter juízo (mas enfim)
Eu nunca… fui ao Brasil (e tenho pena)
Eu sei… apenas que nada sei (Esta foi o Sócrates que me ensinou; as outras juro que é verdade)
Eu quero… paz e sossego (utopias)
Eu sonho… com uma Terra sem amos


Respeitando as regras, devo desafiar outros 5 blogues, que devem indicar de quem receberam o convite.
Portanto, são estes, por alfabética ordem, os (in)felizes contemplados:
A Tribuna do Marreta
Circunvagante
Momentos na Madrugada!
O que eu penso
Outra Margem

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

“Dia Nacional da Consciência Negra”, no Brasil


"Preservar a memória é uma das formas de construir a história. É pela disputa dessa memória, dessa história, que nos últimos 32 anos se comemora no dia 20 de Novembro, o “Dia Nacional da Consciência Negra”. Nessa data, em 1695, foi assassinado Zumbi, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, que se transformou em um grande ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade. Para o historiador Flávio Gomes, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escolha do 20 de Novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao 13 de maio: “os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse”.

In "Balaio Porreta 1986"



Sinceridade

sou sincero
eu gostava de ser negro
gostava de ser um joe louis, um louis armstrong
um harrisson dillard, um jess owens,
um leopold senghor, um aimé cesaire, um diopp
gostava de ritmar
de dançar como um negro.

sou sincero
eu gostava de ser negro
vivendo no harlem,
nas plantações do sul
trabalhando nas minas do rand
cantando ao luar da massangarála
ou nas favelas da baía.
eu gostava de ser negro.

e sou sincero...


Ernesto Lara Filho (poeta angolano)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Do desemprego e do lodo (croniqueta sobre uma hipocrisia)


Patrões e sindicatos estão preocupados com os números de desemprego, dizem as noticias. Consta-se que poderá já ultrapassar os 10%.
Se do lado dos sindicatos essa preocupação é naturalmente genuína, uma vez que os torna enfraquecidos por muitas e várias razões, entre as quais a diminuição do seu poder reivindicativo, a defesa dos interesses e direitos dos seus associados, do lado do patronato parece-me estarmos perante uma hipocrisia sem limites. É sabido, aliás é dos livros, que o desemprego favorece, entre outras coisas, a política de baixos salários, o que contribui para um aumento dos lucros com muito menos investimento.
Pensa-se que com a continuidade desta política, no final de 2010 Portugal tenha muito perto de um milhão de desempregados. E não vejo vontade, nem interesse da parte do governo ou de quem o sustem, de mudar este estado de coisas.
E não sei se os milhares de trabalhadores precários estão incluídos nas listas de desemprego. E o desemprego diminui, também, com o emprego de qualidade. Que não há. Serão milhares os casos e os sectores onde poderemos assistir ao que se acaba de dizer.
Um caso flagrante é os dos portos. Aqui na Figueira da Foz, como em qualquer outro porto. A título de exemplo, o porto da Figueira da Foz movimentava há cerca de 15 anos cerca de 600.000 mil toneladas de mercadoria/ano. E dava lucro. E tinha cerca de 80 estivadores.
Nos últimos 3 anos esse porto ultrapassou o milhão de toneladas/ano. O número de estivadores não chega a uma dúzia.
E como é isso possível? Perguntais vós. Simples, aos poucos a situação nos portos regressou à que era antes do 25 de Abril e que tão bem é retratada no filme de Elia Kazan “Há lodo no cais”. Os operadores têm uma lista de desempregados, superior aí umas dez vezes ou mais ao número de trabalhadores que precisam e diariamente vão chamando os que precisam, aleatoriamente ou… bem. Este tipo de contrato diário, além de ser uma violação dos direitos do homem, é uma outra nuance de trabalho precário.
Mas há um modernismo nesta coisa. Os trabalhadores não têm de se posicionar à frente do portão, como antes. Esperam que o telefone toque às 07h30 da manhã. Se não tocar lá têm de ir à vidinha procurar emprego. O que é, digamos, uma tarefa utópica. Mas os operadores portuários, para só citar este exemplo mas que serve para outros sectores, aumentaram os lucros fabulosamente.
Estarão eles preocupados com o desemprego? Sinceramente não me parece.

O porto da Figueira da Foz

fotos: António Marques
















segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um Jardim excêntrico


Alberto João Jardim continua igual a si próprio. Mas desta vez, as suas declarações não são só excêntricas. São mesmo irresponsáveis. Como homem de estado que é, pelas responsabilidades governativas e partidárias que tem desempenhado, pelo facto de ser cidadão português, não se pode dar ao luxo de dizer que não está interessado em saber o que se passa na Sicília hispânica. Deveria, isso sim, estar interessado e preocupado.
É grave que não esteja.

O S. Martinho

Augusto Alberto

Esteve o nosso Presidente da República em Torres Vedras, no passado dia 11 de Novembro, para comemorar os 200 anos da edificação militar das linhas de Torres, que resistiu com fibra, ao avanço das tropas de Napoleão rumo à capital. Evidentemente, que já na altura, um exercito monco só conseguiu parar uma tropa mais apetrechada porque a tropa inglesa ajudou. Sós, com um exercito de camponeses pobres e mal arrumados, era tarefa inglória e a pátria sofreria nova vergonha.
Mas deixemos as questões da glória para reter o trabalho jornalístico que teve a oportunidade de cobrir a cerimónia. Estava o nosso Presidente na arenga, como convêm em semelhante momento, quando a câmara se desvia e foca um grupo de jovens, pela pinta, do ensino secundário e avançou com a pergunta sacramental e da praxe:
-Sabes o que se comemora hoje aqui? Resposta lúcida e de rompante: - o S.Martinho.
Eu acho que a História volta e meia fica possuída de um desejo de recordar tudo de rostilhão. Ainda na véspera, e muito bem, claro está, a queda de um mito, o muro de Berlim e, logo após escassas horas, comemora outra fortificação, em pedra, ainda que não seja um muro.
Em ambos, dando de barato a pedra e o cimento, como elementos na estrutura física, não creio que os factos históricos, sobre os acontecimentos estejam bem contados. Só assim é possível entender que o jovem aluno de Torres Vedras, à pergunta, tenha respondido escorreitamente:
- aqui, comemora-se o S. Martinho.
Evidentemente, que do ponto de vista da história Pátria, não estamos perante uma boutade, mas de geral ignorância. E porquê? Porque eu há 50 anos aprendi exactamente, na minha escola primária, o que foi o plano fortificado das linhas de Torres e por isso, dá a ideia que às vezes as coisas só sabem andar para trás e não há como engatar. Se assim é, então eu sugiro que num tempo de comemoração da queda de um ícone, há 20 anos, da comemoração da criação de uma estrutura de defesa militar, contra as investidas de gente louca, há 200 anos, e porque ainda anda muita gente a trocar o passo, que se leve adiante aquela proposta da Drª Ferreira Leite, que diz: - congele-se a democracia pelo menos por 6 meses. Ora aqui está, como uma proposta terrorista, feita por uma democrata, provavelmente nos daria tempo para a gente pensar sobre a pátria, que muitos amamos.
Contudo, neste instante, talvez eu fosse um pouco mais longe, no aproveitamento da terrorista achega, propondo que se congele antes as elites deste país, porque com elas, este pais não passará de um S. Martinho, onde com castanhas e vinho, se entretêm o povinho.

domingo, 15 de novembro de 2009

País de sucata

A propósito da sucata, e dos sucateiros, começarem a usufruir de uma certa importância na condução dos destinos do país, é bom lembrar que há “objectos” que são transformados em sucata pela simples razão de que não há inteligência ou sensibilidade ou interesse para os preservar, atendendo, justificação suficiente, à memória histórica que transportam.
Aqui ficam uma fotografia de João Viana e um texto de Carlos Freitas.



"Para quem não saiba os barcos também se abatem. Morrem e são enterrados em cemitérios que podem ser encontrados um pouco por todo o lado junto às cidades portuárias. Mostramos um desses cemitérios na Figueira da Foz, desencantado pelo olhar do "shipspotting" e fotógrafo figueirense João Viana. A sua fotografia mostra em primeiro plano a "campa" onde jaz a antiga piloteira "Coutinho Garrido". Esta embarcação esteve ao serviço da corporação dos Pilotos da Barra da Figueira da Foz durante boa parte do século XX. Ultrapassada a sua época esta lancha-piloteira, assim é designado este tipo de embarcação que transporta os pilotos da barra a bordo dos navios comerciais que pretendem demandar o porto, fornecendo todas as orientações para as manobras de passagem da barra figueirense, zelando igualmente pela segurança da navegação no interior do estuário, por vezes, e isso verificou-se em muitas ocasiões, esta serviu também como rebocador, acabou por vir morrer aqui. Ostenta (ostentava) o nome de um prestigiado oficial da Marinha portuguesa, encontrando-se no estado de conservação que se pode observar. Aguarda, muito provavelmente, que o camartelo do progresso avance na margem sul do Mondego. Raras são as cidades que ostentam vestígios do seu passado recente que não procurem preservar. Algumas cidades contudo deixam morrer esse património identitário. A Figueira da Foz é uma delas. Cidade pobre em monumentos deixa morrer pequenas jóias que podem (e deviam) ser reabilitadas, contribuindo deste modo para a preservação da memória de uma das instituições mais importantes localmente: o seu porto. As novas gerações figueirenses desconhecem a história e significado do porto da cidade onde crescem e vivem muito por culpa deste enorme descuido na preservação do seu património físico. Os barcos são parte integrante da paisagem local, da história e memória figueirense. A "campa" da "Coutinho Garrido", mostra que esta se salvou, até hoje, de ir parar à sucata. Talvez algum estranho desígnio a tenha enviado para este cemitério à espera de ser ressuscitada. Quando? "

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Empresas portuguesas lideram em Angola

A noticia não é muito surpreendente, uma vez que cá na Europa, no ano nono do século XXI, são frequentes as que nos informam que trabalhadores portugueses são escravizados e explorados seja em Espanha, Inglaterra ou Holanda. E que a maioria dos empresários é portuguesa.
Desta vez, em Angola, um encontro de sindicalistas do ramo da construção e habitação concluiu que os empresários portugueses lideram as violações aos direitos dos trabalhadores, segundo uma reportagem no jornal on-line AngoNotícias. Nas violações constam o não cumprimento da Lei Geral do Trabalho e da Lei Sindical. Numa palavra, e em português mais vernáculo, exploraram até mais não, e pelos vistos, com a passividade e consentimento do governo angolano.
Albano Calei, secretário-geral do Sindicato da Construção de Benguela, onde as empresas portuguesas são as maiores empregadoras, afirma que estas têm dificuldade em aceitar a constituição de comissões sindicais e chama a atenção para atitudes prepotentes evidenciadas por muitos gestores.
Se a liberdade sindical em Portugal está a ser coarctada não admirará muito. Bem, em Angola também não, mas nunca pensei que o governo, dito do MPLA, fosse…, quero dizer, que se pusesse a jeito para um outro modelo de colonialismo.

Há “cães” na blogosfera


Não sei se será despiciendo dizer que a blogosfera figueirense ficou mais rica, nem isso importará muito. A novel, mas já bem rodada, banda de punk-rock “Cães Danados” acaba de se estrear no universo blogosférico da foz do Mondego. Um espaço onde vão divulgando a sua actividade, desde as músicas, com influência de várias vertentes do rock e letras que focam os vários problemas actuais com que a sociedade se debate, passando pelos concertos, que já não são tão poucos como isso.
Pronto, quer dizer, enfim, nunca estamos tão mal que não possamos estar pior.
Se quiserem lá dar uma saltada, é por aqui.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Como o cubo de Rubik

Augusto Alberto


Estava uma manhã como gosto na Figueira. O céu de um cinzento de poalha que se ia afogando na curva do mar. A temperatura estava de ocre, quente, e por isso, o convite estava feito à manhã desportiva. Convertido, quase, às longas caminhadas pelo vasto areal, que com as obras de prolongamento do molhe, caminhou adiante, entre a Figueira e Buarcos, bem mais de 50 metros, cruzei-me com gente, que me acusava há 40 anos de maluco, porque a corrida foi sempre a minha grande paixão, e hoje, estão eles convertidos à paixão da marcha.
O mar estava de lavadia e as gaivotas, por isso, estavam plantadas na praia, famintas, num bando de centenas. Passei por um amigo e disse-lhe: - as gaivotas estão ali à espera do bom tempo. Ele, como é costume e óbvio, disse-me exactamente o contrário: - estão recolhidas do mau tempo. Olhe que não, aquilo é uma farsa, estão à espera do bom tempo para se fazerem ao mar e à pesca, devolvi.
Mas antes da caminhada, tinha acabado de ler o jornal regional de referência e topo com a notícia e a fotografia do jantar de desagravo ao que foi eleito para Presidente da Assembleia Municipal, mas que acabou por não ser. Estiveram mais de 50 figuras, disse o jornal, porque eu não sei, como é óbvio. Só não disse quantos socialistas de gema estiveram, mas isso, em rigor, se calhar era difícil. É certo que na fotografia o que deveria ser Presidente da Assembleia Municipal mas não foi, tinha ao seu lado o Presidente da Câmara socialista, que também não consta que seja socialista bacteriologicamente puro. Sendo assim, será preciso recompor o cubo, como o de Rubik. Mas isso demora tempo.
Os 50 desagravos estiveram, a meu ver, recolhidos do mau tempo político, e construíram uma farsa, embora, talvez estivessem sentados à espera do fim da borrasca politica, como as gaivotas na praia, mas para isso, vão ter que esperar que o camarada Paredes e o Dr. Lidio Lopes, ao que se diz, mandem arrear o tempo e isso é coisa que a gente não sabe por quanto tempo.
Ora aqui está como a politica na terra gosta da farsa como as gaivotas. Quem diria que o raciocínio e os actos, dialécticos, por cá, se alinham pela natureza?