quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Figueira da Foz, a tremendona


Alegrem-se figueirinhas. A importância da Figueira da Foz no contexto nacional é muito mais transcendente do que se pensava. A praia da claridade tem estado sempre presente nos grandes acontecimentos desta pobre pátria. Desde, pelo menos, os meados dos anos 60 do século passado.
O reconhecimento e a resenha histórica, aqui.

Confissões…






"( Verão Quente 1975) Foi o PS que organizou todas as manifestações. A direita andava fugida, silenciosa e algumas pessoas iam às nossas manifestações. Vi lá pessoas de extrema-direita que eu conhecia, de punho erguido a dizer: "PS! PS!".(...)"

Mário Soares, entrevista ao jornal “I”, 07/12/2009


“A direita andava fugida, silenciosa”.
Mas foi muito bem substituída, disso não temos a menor dúvida, e comandada pelo assassino Carlucci. Continua a ser, de resto. Também sem a menor das dúvidas. Bem substituída e muito bem servida.
E o que continua a fazer falta, atendendo ao estado em que isto está, como disse o grande poeta e professor de História, é avisar a malta.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um historiador mesmo aposentado?...


A um historiador ou a um professor de História, exige-se, até por dever de ofício, isenção, imparcialidade. Pelas responsabilidades inerentes.
Agora que essa isenção não tenha contornos absolutos, porque somos produtos da sociedade em que vivemos é uma outra estória.
Mas tem sempre de haver um esforço para um compromisso com a verdade. Muitas razões poderão existir para que esse encontro com a verdade não se efectue. Mas não serão, agora, para aqui chamadas.
O meu amigo António Agostinho, no seu blogue “Outra Margem” sente-se “vítima” de uma obra coordenada por “um professor de História aposentado e autor de vários livros temáticos”.
O grave da questão é o quanto é difícil saber o porquê deste professor se ter abstido do rigor, da verdade e da isenção que deve caracterizar a investigação histórica.
Se o trabalho se revestiu da falta destes ingredientes isto afasta-nos da leitura dos seus outros livros temáticos, uma vez que o critério será o mesmo. E obriga-nos também a reflectir na história que ele terá ensinado aos seus alunos. E se haverá muitos mais professores com o rigor deste.
Agostinho conta a "estória" toda de um livro apócrifo aqui.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

8 de Dezembro de 1980




Why?????????

Mr. Mojo Risin

O poeta americano James Douglas Morrison faria hoje 66 anos. Morreu em 3 de Julho de 1971, em Paris, em circunstâncias ainda hoje dúbias.
Terá sido assassinado? Nunca ninguém o saberá. O que se sabe é que o poeta era “vigiado” pelo FBI. Como outros, de qualquer maneira. Lennon, por exemplo.
Como cantor, compositor e poeta, Morrison era único. E não só. Também incómodo. Na proporção directa do seu valor como artista.
Um dos crimes pelo qual era “vigiado” seria, certamente, este:


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ary, "trovador de Abril e de Maio"

Associando-me à merecida, e devida, homenagem que o PCP prestou a José Carlos Ary dos Santos deixo um “retrato” e um texto de Fernando Campos. E um poema do saudoso e genial poeta que hoje faria 72 anos. Que pode ouvir aqui, pela voz do próprio Ary.
Mas para falar sobre o Ary ninguém melhor de quem com ele conviveu e o cantou. Aqui.


"[…] E pode “ser tudo o que quiserem”. Mas era sobretudo um poeta muito dotado e um tuga muito atípico; enfim, de outra estirpe: uma voz inteira, sem meias palavras e um coração maior do que o peito, aos saltos, perto da boca.
Até quando tomava partido. Sobretudo quando tomava partido: com a força-toda de uma profunda e autêntica sinceridade e não, como hoje se usa em certos meios de esquerda moderna, com calculismos de conveniência remunerada.
A ele nunca o veríamos abrilhantar “comissões de honra” de uma qualquer esquerda de opereta. O seu palco foi outro. Foi a vida generosa, essa Tragédia verdadeira onde se degladiam paixões, com convicção e deslumbramento.
Embora eu em nada acredite e cada vez mais de tudo duvide, aprecio o talento.
Acho admirável a força generosa e a beleza formal desta declaração de fé."

Tomar partido

Tomar partido é irmos à raiz
do campo aceso da fraternidade
pois a razão dos pobres não se diz
mas conquista-se a golpes de vontade.

Cantaremos a força de um país
que pode ser a pátria da verdade
e a palavra mais alta que se diz
é a linda palavra liberdade.

Tomar partido é sermos como somos
é tirarmos de tudo quanto fomos
um exemplo um pássaro uma flor.

Tomar partido é ter inteligência
é sabermos em alma e consciência
que o Partido que temos é melhor.

Pela espora da opressão
pela carne maltratada
mantendo no coração
a esperança conquistada.

Por tanta sede de pão
que a água ficou vidrada
nos nossos olhos que estão
virados à madrugada.

Por sermos nós o Partido
Comunista e Português
por isso é que faz sentido
sermos mais de cada vez.

Por estarmos sempre onde está
o povo trabalhador
pela diferença que há
entre o ódio e o amor

pela certeza que dá
o ferro que malha a dor
pelo aço da palavra
fúria fogo força flor
por este arado que lavra
um campo muito maior.

Por sermos nós a cantar
e a lutar em português
é que podemos gritar:
somos mais de cada vez.

Por nós trazermos a boca
colada aos lábios do trigo
e por nunca acharmos pouca
a grande palavra amigo
é que a coragem nos toca
mesmo no auge do perigo
até que a voz fique rouca
e destrua o inimigo.

Por sermos nós a diferença
que torna os homens iguais
é que não há quem nos vença
cada vez seremos mais.

Por sermos nós a entrega
a mão que aperta outra mão
a ternura que nos chega
para parir um irmão.

Por sermos nós quem renega
o horror da solidão
por sermos nós quem se apega
ao suor do nosso chão
por sermos nós quem não cega
e vê mais clara a razão
é que somos o Partido
Comunista e Português
aonde só faz sentido
sermos mais de cada vez.

Quantos somos? Como somos?
Novos e velhos: iguais.

Sendo o que nós sempre fomos
Cada vez seremos mais!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Uns tempitos na cadeia e o juizinho assentava

Augusto Alberto

Estava eu posto nos meus sossegos e até já tinha quase esquecido as rábulas, pré e pós autárquicas, quando de novo acordei para a Figueira da Foz. E porquê? Porque voltamos à rábula do parque desportivo para a cidade. Inevitável!
Já se sabia que a proposta de um parque desportivo para a cidade e concelho é coisa torta. Entre mais estudos, existem por ali linhas de água, expropriações devidas, terrenos em reserva ecológica nacional e financiamento, nada está acautelado. Ou antes, do ponto de vista do financiamento, a única cautela é a que diz respeito à construção de um campo de golfe. Um green, porque, antes de tudo, o glamour.
Há muitos anos, o meu amigo Professor Borronha, responsável pelo desporto autárquico, maçou-me durante semanas, porque queria que eu fosse o chefe de uma equipa de atletismo, que equipa de atletismo, da minha Freguesia de Buarcos, para participar na corrida das Freguesias, com bênção do Município, pelas festas do S. João. Sempre lhe disse que não. À época a autarquia adquiriu uma máquina para fazer pedaços de tijolo, pó. Pó que foi espalhado pelos corredores do parque das Abadias. Sugeri que parte desse pó fosse espalhado e compactado na pista de atletismo do estádio Municipal, no sentido de tornar o piso mais regular e adequado à corrida. A resposta do Presidente Aguiar, como era regra, foi não. Nada feito. Não havia pó vermelho na pista nem dinâmica desportiva no concelho, nem eu correria no folclore autárquico. Foi exactamente isto que eu disse, encostadinho à linha de meta, ao meu amigo professor Borronha e ao Presidente Aguiar. Apesar de lhes estragar o rame-rame, ainda tiveram tempo para esbugalhar os olhos e lá ouviram sem tossir e mugir.
Vão quase 20 anos e nada mudou.
Tanto o Partido Socialista como o Partido Social-democrata, à vez, prometem o que sabem ser difícil. Sucedeu exactamente o mesmo, só com uma diferença. O actual Presidente da Câmara, apertado, empurrou com a barriga para a frente e despachou o assunto, de modo habitual. O imbróglio está ali instalado, pelas razões expostas e ainda por uma outra razão superior. È que pelos vistos, a autarquia resolveu entender-se com a construtora Somague, com caderno de encargos e prazos e agora diz o presidente, a autarquia corre o risco de ter de indemnizar a empresa num valor próximo do milhão e 500 mil euros. Ora cá está como se preparam as almas e como tudo está bem arrumadinho. As cidades podem perder, mas os sacanas do betão, sabem ao que vão, sem risco, mesmo que não tenham nadinha a ver com as terras e as gentes. Só com o dinheiro. Certo, pelos vistos, a Somague, sem mover um metro cúbico de barro ainda vai arrecadar o que lhe é ilícito.
É de lamentar que a anterior gestão autárquica, os com pelouro e os insonsos da oposicrática, sem pelouro, se tenham fechado em copas e tivessem escondido a realidade dos cidadãos eleitores e tenham mais uma vez insistido na mentira.
A gente sabe quem perde. E os figueirinhas que quiserem ter uma actividade lúdica, como tantas vezes tenho lembrado, dediquem-se à pesca, nadem com as barbatanas ao longo da praia ou façam como eu, marchem ou corram pela areia, utilizando o grande complexo desportivo e lúdico, que é a praia e o oceano, que o criador construiu sem necessidade de expropriações, taxas, estudos e demais técnicos e construtores.
Ai figueirinhas, figueirinhas, como sois tratados! E quanto a autarcas desavergonhados, a ser verdade, eu acredito no que se disse e li, só existe um lugar onde deveriam passar, sem actividade que se veja. Uns tempitos na cadeia.
Mas ficai atentos, porque novas rábulas virão. Tenho a certeza.

Promoções turísticas


Isto (que recebi por e-mail) foi publicado há 3 ou 4 anos numa revista de turismo, no Brasil. Acho que nem merece comentários. A não ser o de que é muito difícil acreditar que tenha sido escrito por um brasileiro. Quer pelo sotaque que se pode depreender na leitura, quer pelas palavras utilizadas. Um brasileiro nunca escreveria arquitecto, mas sim arquiteto, um pormenor de que eu, aliás, discordo.
Mais classe tem a promoção da Figueira da Foz, em Luanda. Lembro a novel companhia de dança do CAE a actuar no próximo dia 10 de Janeiro, naquela capital, na cerimónia de abertura do Campeonato Africano das Nações (CAN).
Lá vamos tentar convencer os malianos, os nigerianos, os zambianos, o pessoal do Togo, do Malawi, and so on, a virem passar as suas férias à Figueira.
Promoção 5 estrelas, e a custo zero. Assim, sim senhor.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um funcionário amável e arguto

Augusto Alberto


Hoje, dia em que escrevo, 3 de Dezembro, comemora-se o dia dos cidadãos com deficiência. Nem de propósito, porque eu aproveito para falar de uma pequena história, que nos diz que as intenções morais estão bem longe das facilidades materiais.
Evidentemente que reconheço que as coisas mudaram. Já lá vai o tempo, quando viajava da cidade de Aveiro, onde vivia, para visitar a minha terra, Figueira da Foz, e em Mira se fazia a transferência de autocarro, lá estava, vagueando pelo parque, o sujo maluquinho de Mira. Isto foi no fascismo, nos anos de 60 e 70, do século passado, e era o que faltava que nada tivesse mudado. Contudo, há ainda muito para alterar, nem que seja no domínio da pequeníssima sensibilidade.
Foi o caso. No dia 30 de Novembro, último, dirigi-me com a atleta paraplégica e paraolimpica, que em Pequim, nos últimos Jogos Paraolimpicos, foi porta – bandeira da Pátria, na cerimónia de abertura, para o Centro de alto rendimento do Jamor, no sentido de continuar a preparação com vista a regatas futuras, logo à cabeça, o próximo Campeonato do Mundo, e as seguintes, com vista aos Jogos Paraolimpicos em 2012, em Londres.
Tudo certo entre a Federação Portuguesa de Remo, que é a entidade que suporta a preparação da atleta, e o Centro. Para lá rumamos, ela e eu, que sou o seu treinador. Para nosso espanto, tivemos de voltar logo para casa, porque o centro de treino de alto rendimento por excelência, não reúne, em boa verdade, condições de alojamento para cidadãos com deficiência de fora da capital, atletas de alta competição e por isso, está desse modo vedada a utilização das magníficas instalações de apoio ao treino.
Fiquei com a ideia de que o responsável pelas instalações, estava convencido de que eu carregaria a atleta, que pesa quase tanto como eu, pela escada acima e volta, até aos quartos, que estão no primeiro andar, 6 a 8 vezes por dia. Um completo absurdo e uma cruel falta de sensibilidade.
Acredito que quem manda, ainda não tenha percebido que alguns atletas com deficiência, treinam tanto, como os atletas, de quem se diz, normais. Aliás, esta atleta treina 10 a 12 vezes por semana, e por isso trata-se de uma atleta de alta competição e naturalmente, com o completo direito de utilizar em pleno, as magnificas estruturas.
O funcionário que nos atendeu, sem responsabilidade, desfez-se em desculpas e foi de uma gentileza notável e raramente arguto, porque me disse: - infelizmente, tem sido sempre assim, quando por cá passam pessoas com deficiência, são carregados a braços para o 1ºandar.
Bastava uma pequeníssima parte do dinheiro que se gastou na construção de alguns estádios para o Europeu de futebol, sobre os quais se diz, agora, que o melhor é atirar ao chão, para que este problema fosse completamente resolvido. Tem inteira razão, até porque a solução é simplíssima e ligeira. Mas eu, que me habituei a ser céptico, digo que é por estas e por outras, que desconfio, não raro, nesta pátria, de algumas ideias. Tremo, porque são de trampa. Foi assim com a ideia do Campeonato da Europa e agora com a ideia que nos querem vender, de um Campeonato do Mundo de futebol. Ainda por cima, mitigado, porque a parte de leão, vai para Castela e Leão.
É que nesta pátria, ainda não se percebeu que há mais vida para lá daquilo que nos querem vender como óptimo e por isso, dá a ideia de que uns são filhos da Pátria e outros são filhos… de uma loba.
Das palavras aos actos vai um longo caminho, sempre tumultuoso e tortuoso, como se alguns só possam ter direito às sobras.

A "caça às bruxas"


O macartismo foi tão mau, tão trágico, que ficou conhecido por “Caça às bruxas”. Uma das muitas páginas negras da História dos EUA. Aliás nem sei se eles têm páginas brancas.
O nome vem do seu mentor, o senador nazi chamado Joseph MacCarthy. Entre os nomes que pontificaram na famosa “Comissão de Actividades Anti Americanas”, por ele criada, salientam-se os conhecidos Richard Nixon e o velho admirador de Mário Soares, Ronald Reagan. Ambos chegaram à presidência do país.
Mas sobre esse período negro do pós-guerra, não me alongo.
Deixo-vos antes uns links para uns artigos do blogue “Cravo de Abril”. Onde Fernando Samuel, o autor, num trabalho tão interessante quão oportuno nos historia esses acontecimentos. Interessante porque bem escrito e bem documentado e oportuno porque dá a oportunidade, a uns para reavivarem a memória, a outros para se inteirarem de um período da história do século XX, que, muito possivelmente, e por motivos óbvios, nunca ouviram falar.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Malandros!

Augusto Alberto


Por estes dias ficamos a saber que o grande capital não pode ser corrigido, e que nem sequer tem grandes preocupações éticas ou morais. Sabe-se que as grandes instituições bancárias americanas, salvas com dinheiros públicos, voltam ao crime e distribuem milhões em bónus. Nem vale a pena referir as elevadas somas, porque elas constituem um completo e desaustinado absurdo, quando há americanos a viver debaixo da ponte ou com tenda montada nos parques e jardins. E no Dubai foi feita uma experiência nunca vista. Absurda e sem vergonha. A do enriquecimento sem esforço. Por isso, só poderá ser ilícita. De tão ilícita, e com pés de barro, a coisa começou a tremer e a gente já sabe quem vai pagar.
Por cá, por esta zelosa pátria, dá a ideia de que a coisa também não difere muito, porque apesar do nosso ministro das finanças, dos Santos, nos vir dizer que Portugal vive um momento difícil, sabemos que as principais empresas cotadas em bolsa, sobretudo a banca, a EDP, a Galp, continuam na engorda. Mas o povo caminha para o miserabilismo. Não tarda, com um desemprego bem perto do milhão de desempregados. Eu nem quero imaginar o que isso vai dar. Que o défice público vai para lá dos 8%. Uma divida pública imprudente. E o nosso ufano e nutrido governador do banco de Portugal, mais a menina, escolhida por Sócrates, de quem se diz ter sido dirigente sindical no inicio daquelas rábulas revisteiras, que a gente bem conhece, ainda por cima do tempo do fascismo, quem diria, e que diz assim: “oh Zé, aperta o cinto, oh Zé aperta-o bem”. E o Zé convencido da bondade e como é doce e, por norma, palerma, aperta mesmo, como se não houvesse alternativa.
E também já sabemos quem são os culpados, que não restem dúvidas. E os culpados são os comunistas, senhores de tantos e vários males. Tentaram um período revolucionário. Uma reforma agrária, escangalhada com propósito. Nacionalizaram coisas que outros desnacionalizaram, com proveito. E se calhar, por hora, na rábula oculta, não venha algum idiota delirante e que se ponha para ai berrar:- não foram o Vara e o Penedos, foram os comunistas.
Ainda que sejam outros a comer os figos, é obrigatório que seja aos comunistas a quem rebenta a boca. Se parece que não há volta a dar, só me resta exclamar:
"Porra meus meninos, não querem ir bardamerda?"

George Bush e Barack Obama: diferenças fundamentais

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E pronto, aqui estão elas. Mas também há semelhanças. Podem encontrá-las aqui.

“House of Rock”, em Maiorca

No próximo dia 5, a 1ª Edição do festival “House of Rock”, na Casa do Povo de Maiorca. São 4 as bandas: as figueirenses "Skarface", "The Ozzies" e "Cães Danados", que terão a companhia da "Insidus", que vem de Sintra.
Aí em baixo podem ver vistos (chiça, parece um pleonasmo) por Fernando Campos, os Cães Danados.
E um bocado mais abaixo ainda, eles, a canzoada, numa canção em que ultrapassando as propriedades paraísoartificiais do néctar do padre Baco, desbundam outras, digamos, ansiolíticas. Sinais destes socráticos tempos.




Vinho pr’o Zé


No país dos três "f’s"
Fado, Fátima e Futebol
Não há trabalho, não há justiça
Muito menos carcanhol

Há doutores e engenheiros
Que nos roubam aos milhões
Só querem o nosso voto
Em troca dão tostões!

Ref:
Dá um copo de vinho ao Zé
Um copo de vinho ao Zé
Dá um copo de vinho ao Zé
Para o povo esquecer
A merda que nos andam a fazer!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Irrelevância

Augusto Alberto


António Barreto, sociólogo e um dos gurus da opinião publicada, disse há dias que Portugal corre o risco da irrelevância. Deveria acrescentar, para estar em completo acordo, que ele próprio, sociólogo Barreto, é um dos sujeitos responsáveis por este triste declínio. Mas isso era se fosse intelectualmente honesto.Também Eça de Queiroz, que no dia 25 de Novembro fez 164 anos, afirmou exactamente o mesmo. Logo se vê que afinal o sociólogo Barreto, não disse nada que já não tenha sido dito há mais de 100 anos. A diferença é que Eça foi implacável na afirmação, à época, dos males da pátria e o sociólogo Barreto, que tem a mania que é um príncipe da palavra e do pensamento, não passa afinal de um atávico barrete, como os príncipes do fim da monarquia, como nos contou, e bem, Eça. Por isso, eu acho que comemorar com rigor a data do nascimento de Eça, é bem mais importante do que comemorar o tal 25 de Novembro de 1975, que deu de novo o poder à elite esperta e caceteira, que Eça, à época, acusou de irrelevante e da qual, hoje, o sociólogo Barreto faz parte. Pelos vistos nada mudou, apenas o 25 de Abril foi um momento breve de esperança. Por isso, para a canalha bem melhor será não lembrar Eça, porque as verdades queimam.
Eu que percorro o país de norte a sul, tive há poucos dias a oportunidade de observar a irrelevância de que fala o sociólogo e falou Eça. Passei por uma terra, referência no mapa pátrio, pela primeira vez e pasmei. Saí envergonhado e a perguntar a mim mesmo o que fez ali o poder local, democrático, durante 35 anos. Pouco! Numa vila suja e desordenada, não percebo como, por exemplo, a entrada na terra não seja mais do que uma rua comprida, em que só um automóvel tem direito a passagem. Como muita coisa ainda é estreita!
É visível hoje o estado de astenia em que o País vive. Sobretudo o interior esquecido. E aquela história de que agora há estradas também pode ser vista como a facilidade de as pessoas de lá fugirem. È certo que em algumas terras o poder local tenta. Às vezes de um pequeno riacho, se faz uma linha de água, que vai levar a um pequeno lago. Relvam-se as margens, e a paisagem fica mais repousante. Mas acontece que a seguir se degrada, ou porque as pessoas não ajudam ou porque o mais difícil é manter. As dificuldades são enormes e a malha urbana começa a ficar feia.
Pior, qualquer um de nós, espreitando pela janela do avião, descobrirá um país com uma gestão dos espaços miserável. Cidades e vilas meio cambadas e desengonçadas, em que parece que nada está no lugar. Uma irrelevância do ponto de vista do ordenamento dos espaços e um festim para os patos do betão.
Este é um país a caminhar para a irrelevância, diz o sociólogo. Só se quisermos e deixarmos, porque, afinal, é o povo que escolhe. Péssimo é quando aceita e não reage. Porque apesar de muitas dificuldades, há coisas boas.
Uma passeata por Almada, por exemplo, ensina-nos que vale a pena.