quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Pêssoal, bora tudo pó rabaion!

O “estado policiado”

Augusto Alberto

A TV tem destas coisas. No meio do chorrilho, de quando em vez, lá nos dá um breve momento de interesse. Foi o caso, em directo, ao vivo e para o mundo, da arruaça no palacete do Banco Privado Português, na zona da Foz, na cidade invicta. Aquele grupo de gente, que se diz roubada, deu desta feita áspero trabalho à polícia, que teve de dar uma imagem do “estado policiado” e por conseguinte, de usar do músculo e da pimentinha, para correr com gente que só quer o que legitimamente é seu. Ou muito me engano, ou ainda ali vai haver trolaró do grosso.
Acredito que muitos tenham trabalhado uma vida inteira, de modo honesto, para mais tarde terem um razoável suporte, como nos disse uma senhora: - "tenho aqui uma vida de trabalho, que desejo deixar para as minhas filhas e agora estou a ver as coisas muito difíceis". Ou como disse um outro senhor, já com alguma idade, até para ter juízo: - "eu sou socialista e até arranjei uns cobres para o Partido Socialista, mas agora o senhor primeiro ministro…" e acabou, porque a repórter retirou-lhe o microfone. Mas a gente adivinha-lhe a vontade.
Confesso que de massas e de bancos sou pouco sabido, mas percebo que aquela gente ande aos papéis e não me custa nada crer que o senhor que os vigarizou volte diariamente, com automóvel, chauffer e glamour, ao lugar de sempre. Ao Guincho.
Mas também não me devo enganar se disser que esta gente, que vai vendo o seu dinheiro em marcha lenta, entre Lisboa/Guincho/Lisboa, está a ter também o seu momento de ajuste com a vida. Porque acredito que os trabalhadores, que em consciência e de pleno direito nunca se furtaram ao protesto na rua, sempre lhes tenham parecido uns madraços. Mas agora, são eles a beber do democrático fel, e por isso, coube-lhe a vez de passarem, em directo e em exclusivo, ao protesto na rua, e mais, na ocupação dessa coisa sagrada, o espaço privado. Pois é!
Este mundo, que muitos vão escolhendo, tem destes jogos e por isso, é mesmo assim. Contudo, eu duvido que tenham aprendido grande coisa sobre o mundo e alguns homens, porque sempre foram crentes que a distribuição de umas tantas migalhas faria uma sociedade sã, ao mesmo tempo que julgaram, que desse modo, a democracia e o respeito, eram matéria definitivamente consolidada. Mas a democracia ainda não é bem esta coisa. Por isso, virão novos democráticos capítulos que nos dirão que os grandes amigos maçons, com ar seráfico de ratos de igreja, refocilgam e vão engordando, com cama e mesa posta, para os lados do Guincho.
Quem diria que, volta e meia, alguns meninos da classe média também são gozados!

Solidariedade





Se quiser ser dador voluntário de medula óssea tem aqui todas as respostas a qualquer dúvida.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

As várias utilidades do “Magalhães”

Nenhum outro computador, ou imitação de, foi e é tão útil quanto o famigerado “Magalhães”. Tendo sido um indecoroso e lucrativo negócio para a empresa que o negociou, às custas do erário público, a grande estrela do ano que agora se fina serve ainda para crianças desfavorecidas o trocarem por dinheiro ou por brinquedos.
Isto num país moderno onde a corrupção atinge picos pós-modernos.
Uma outra utilidade foi encontrada pela primeira-dama aqui da “aldeia”. Na prova de língua estrangeira para o 12º ano do CNO, o dito “magalhães” foi o argumento para treinar o seu espanhol, com um hipotético diálogo telefónico entre Sócrates e Hugo Chavez.
Aí vai, penso que ficaram bem os dois na fotografia:




(Qualquer comparação entre esta conversa telefónica e a realidade é pura ficção… Ou talvez não!)


J. Sócrates- Está? Está lá? Daqui fala José Sócrates, o engenheiro! Estás porreiro pá? Está? Está lá? Estás-me a ouvir meu?
Hugo Chavez- Enginiero!? Oh si, si! El enginiero… Te escucho perfectamente. Hombre qué pasa, algun problema compañero?
J. Sócrates- Companheiro uma ova… Nada de misturas!
Hugo Chavez- Qué? Qué dices? No te entiendo!
J. Sócrates- Nada, nada, deve ser do barulho das obras na rede de comunicações, coisas do progresso. Olha pá estou-te a ligar para saber como é que as tuas criancinhas aí receberam a minha grande ideia do Computador Magalhães?
Hugo Chavez- Bon, la tuya idea yo no la sé, pero la mía, esa si tuvo un suceso fenomenal. Aproveché las Navidades, para regalar el “Magalhães” a los chavalitos de las escuelas. Mira, crees que, con esta idea, hay superado la popularidad daquello gordo imperialista de papá-Noel.
J. Sócrates- Estou a ver, estou a ver, meu… Eu aqui também obtive um grande sucesso, pois durante o período de Natal, as operadoras de telecomunicações e os hiper-mercados, fartaram-se de ganhar dinheiro a vender esta minha ideia a duzentos e tal euros cada computador Magalhães.
Hugo Chavez- Entonces toda aquella charla de ordenadors para los chavales de las escuelas a cinquenta euros, era todo un embuste? Y es asi que quires obtener la mayoria absoluta?
J. Sócrates- Podes crer meu! Estou a trabalhar nesse sentido. Sabes, aqui em Portugal, quem decide quem ganha eleições são os tipos da “massa”. Os meninos das escolas ainda não votam, e a seu tempo terão o tão desejado “Magalhães”, mas entretanto tenho outras prioridades.
Hugo Chavez- Estoy mirando! Á ver! Yo no conosco pueblo más raro do que los portugueses. Pasan la vida a recibir bastonadas, pero, lo peor de todo, a mi me parece que vos gusta. Menos mal.
Mira, los chavalitos de acá, les gusta mucho el ordenador, pero como son muy listos, ya se enteraran acerca de los hechos dese tal Magalhães, y te lo aseguro que no quedaran fãs de él. Les gusta más vuestro jugador de futebol, Cristiano Ronaldo. Quê te parece si cambiáramos el nombre del ordenador?
J. Sócrates- Oh meu! Mas tu ensandeceste, ou quê pá? O Magalhães foi o homem que no século XVI iniciou a viagem de circum-navegação à volta do Mundo, provando que a terra era redonda! É o Armstrong do renascimento!
Chavez- Me parecia que los “Yankees” estavan metidos en esto… Acá los chavalitos tienen razon, no gustan de lo Magalhães y como yo, tampoco de los americanos.
J. Sócrates- Bem pá, vou ter de desligar porque combinei uma patuscada com uns amigos do Governo e aqueles chatos da oposição para assistirmos, dentro de momentos, à transmissão em directo de Washington da tomada de posse do Presidente Obama. Adeus, e vê lá! Não me desgraces com essas tuas ideias de…
Hugo Chavez- Ojo! Ouhi decir que la color dese tal Obama es más una ilusión de óptica. Ahora la Naomi Campbell, esa no es ningúna ilusión, es una dádiva de Dios. Saludos y hasta siempre compañero.

Maria Madalena de Carvalho Campos
Figueira da Foz, 20 de Janeiro de 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Cuba: fim ao boicote

foto: alex campos (Exterior do Pavilhão de Cuba, Festa Avante!/2006)

A declaração que se segue não é minha. Nem do Comandante Fidel Castro. Nem de qualquer outro militante de Esquerda solidário com o povo cubano.
A declaração que se segue pertence a um recente relatório da UNICEF.
A declaração que se segue diz o seguinte: “Cuba é o único país da América Latina que eliminou a subnutrição infantil graças aos esforços do seu governo”.
No mesmo relatório a UNICEF assinala que "hoje existem cerca de 146 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade que vivem em estado de pobreza, o que contrasta com a realidade das crianças cubanas".
Desses 146 milhões, 5% são na Europa e 27% em nações em desenvolvimento.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Aos papagaios, é preciso encurtar a guita para os arrear

Augusto Alberto


Há uns anos atrás vi um notável documentário sobre uma das mais sérias sequelas saídas do fim da União Soviética. A guerra fratricida no enclave azeri, de maioria arménia, do Nagorno Karabakh. Deu-nos imagens de como famílias inteiras, acossadas, fugiram das suas aldeias e se recolheram em vagões de carga abandonados numa linha de caminho de ferro, tornada inoperacional pela guerra. Os que chegaram primeiro, ocuparam o interior, os que vieram depois, ocuparam o espaço abaixo, entre os rodados. A ONU mitigava diariamente a dor, distribuindo sopas. Entretanto, ouvimos ainda um fabuloso e oportuno desabafo de um alto e libertário quadro da francesa “Total”, que reflectiu sobre o momento e disse: “esperámos muitos anos para vir para o Azerbeijão explorar o petróleo, mas, enfim, chegamos. Estamos hoje em Baku”.
A grandiosa muralha da China, construída no século III a.c. resistiu a repetidas invasões, mas não foi capaz de resistir à chegada da nobre e imperial marinha inglesa, que no século XIX, ocupou a milenar China e a obrigou a capitular perante o consumo larvar do ópio. Foi a guerra do ópio que colocou a grande nação chinesa de joelhos, após os acordos de Nanquim. Estava dado o passo para a cedência de Hong Kong ao império inglês e para o início do período em que nos parques a interditação a cães e a chineses, tinha força de lei. E hoje, sabemos que o mais famoso dissidente chinês, o senhor Liu Xiaobo, um veterano da praça Tiananmen, foi condenado a 11 anos de prisão por delito de opinião. Logo as mais cruéis chancelarias do século XXI vieram clamar por mais abertura e democracia.
Entretanto, no México, uma família inteira foi completamente chacinada pela máfia da droga, porque um dos seus melhores filhos, um militar, ousou enfrentar um distinto senhor. Mas no México, a democracia e as suas virtuosas liberdades, correm em pleno, porque uma democracia como esta, apesar de banhada por este sangue, não precisa de conselhos das mais nobres consciências, porque assim vai bem.
Neste instante, lembrei-me que quando era miúdo fiz papagaios de papel que lancei ao vento. Aliás, a arte de lançar papagaios na China, é milenar. Desse modo, não será preciso lembrar-lhes, que quanto mais guita se lhes der, mais eles sobem e por isso, quando tendem a subir demasiado, é preciso encurtar-lhes a guita, para os arrear.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Os "negócios" de um Nobel da Paz


O Prémio Nobel da Paz não perde tempo. Quer expandir o "negócio" e pede mais envolvimento aos seus mordomos. E entre eles há os que metem mesmo nojo, de tão subservientes que são. E, pelos vistos orgulham-se, pois nem sequer disfarçam. Um dos mordomos deve-se sentir "amado" pelo "dono".

Um poema

Programa
Para Miguel Torga



seja a poesia
o que nós quisermos que seja…
… não venha ao sabor do dia
porque os dias são instantes no caminho

-: não cante a voz
mais alto que nós!




António Neto (Poeta angolano)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Cão que ladra…

foto: alex campos



Estava a blogosfera tão sossegadinha e… prontos!!!!
Acabou-se o sossêgo. Com o regresso do jornalista e leader da banda “Cães Danados” Paulo Dâmaso. Afastado da “blogos” desde que encerrou a “Confraria das bifanas” o novo blogue chama-se “Cão que ladra… também morde”. Porque, explica o vocalista e baixista da "famosa" banda, nem sempre os provérbios batem certo!
Cá estamos para ver…, mas alguns até que batem.
Mas mesmo que não batam, Dâmaso promete não criar (muitas) polémicas.
A gente acredita.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Uma balada de Natal

Graeme Allwright, que já tem actuado aqui na aldeia, traz-nos hoje uma bela e enternecedora balada de Natal.
De origem neo-zelandesa este cantautor e homem do teatro tornou-se mais conhecido pelas adaptações de canções de cantores populares da América do Norte como Bob Dylan, Leonard Cohen, Pete Seeger, Tom Paxton, Malvina Reynolds e outros, os quais divulgou ao público europeu.


Dans son manteau rouge et blanc
Sur un traîneau porté par le vent
Il descendra par la cheminée
Petit garçon, il est l'heure d'aller se coucher

Tes yeux se voilent
Écoute les étoiles
Tout est calme, reposé
Entends-tu les clochettes tintinnabuler

Et demain matin, petit garçon
Tu trouveras dans tes chaussons
Tous les jouets dont tu as rêvé
Petit garçon il est l'heure d'aller se coucher

Tes yeux se voilent
Écoute les étoiles
Tout est calme, reposé
Entends tu les clochettes tintinnabuler

Et demain matin, petit garçon
Tu trouveras dans tes chaussons
Tous les jouets dont tu as rêvé
Petit garçon il est l'heure d'aller se coucher

Tes yeux se voilent
Écoute les étoiles
Tout est calme, reposé
Entends tu les clochettes tintinnabuler

Et demain matin, petit garçon
Tu trouveras dans tes chaussons
Tous les jouets dont tu as rêvé
Petit garçon il est l'heure d'aller se coucher


Ainda por cá temos gente como a Dona Supico Pinto e o Dr. Ramiro Valadão

Augusto Alberto


Fez 37 anos que em Moçambique recebi uma prenda muito especial de Natal. Uma caixa em cartão torrado, com 12 livrinhos RTP. Oferta do caridoso Movimento Nacional Feminino, ao glorioso Exército Português, em África. Acabei por fazer a colecção inteira, que guardo, porque fui juntando os livrinhos que outros não queriam, como é óbvio, numa Pátria macambúzia e iletrada.
Nesse Natal de 1972 a central de propaganda do fascismo já dava com gosto conta das dificuldades da Unidade Popular, no Chile. Apesar de estarmos longe, soubemos que mulheres bem trajadas, com casacos com gola de pele de marta, vieram à rua bater com as tampas de panelas e tachos no chão, porque, vejam só, andavam famintas. Foi o prenúncio da greve dos camionistas, que deixou o país à míngua de alimentos e que preparou a pinochetada. O que se seguiu já a gente sabe, mas parece que por hora, anda muita gente distraída.
E é também neste Natal, idos 35 anos após Abril, que estamos a saber que muitos dos que nesta pátria fizeram a sua diáspora, na esperança de uma vida melhor, sobretudo brasileiros, estão de volta à sua pátria, porque o país que escolheram vai de rastos e deixou de ser o jardim prometido.
E esta realidade pode ser bem vista. Basta estarmos atentos à programação de uma estação de TV. Porque a verdade ai está, nessa matéria nada mudou, antes tudo se repete, agravado, ano após ano. No mínimo fica o mérito de vermos a fome em várias gentes, de vários modos e em vários lugares.
Mas o que mais impressiona, é a quantidade de organizações não governamentais, como se diz, que nos mais variados locais da pátria pretendem matar a fome a gente atirada para as fímbrias e que, dia a dia, aumenta exponencialmente. Mesmo gente que tem o seu emprego, e que apesar de pegar no batente e largar, a tempo e horas, o magnifico soldo, não chega para garantir uma qualidade de vida mínima e daí às sopas, vai um pequeno passo. Tenho de confessar, talvez por defeito e por sentir a irritação à flor da pele e na ponta da língua, porque nem sequer conheço as pessoas, que de cada vez que vejo nesta quadra de profunda hipocrisia, menina, senhora ou senhor, bafejado de voluntário, ocorre-me que ali poderá estar uma dona Supico Pinto ou um Dr. Ramiro Valadão a fazer a caridadezinha, depois de ter colaborado na formação da pobreza, nem que seja por omissão da denúncia.
E é neste caldo, que me ocorreu lembrar a pinochetada no Chile, para que não duvidem como a Pátria vai, alguém deverá estar mortinho para vir “à la calle” bater no alcatrão, com tampas de tachos e panelas. Que as pessoas de bem e preocupadas não se distraiam, porque o ambiente está cada vez mais espesso e as centrais de propaganda e de poder, estão em plena laboração, aliás, como nos é contado no blog “Cheira-me a Revolução”.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O fascismo anda por aí...


Já os vimos começar por menos. Muito menos. As botas cardadas virão depois. O filme é, aliás, sempre o mesmo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

As ruínas do Fortim de Palheiros







fotos: alex campos
Por uma razão ou por outra, mais concreta ou mais abstracta, o Fortim de Palheiros está intimamente ligado ao reinado dos dois “manuéis”.
Quanto à sua construção, geralmente atribuída às forças de D. Miguel durante a guerra civil, há quem defenda que lhe é anterior, do período manuelino.
Em 1909, durante o governo de outro Manuel, o II, foi colocado em hasta pública e vendido a Joaquim Sotto-Mayor.
Numa posição naturalmente privilegiada em relação à povoação era usado para a defesa da costa. Constituído por uma bateria com 10 peças de artilharia cruzava fogos com o Forte de Santa Catarina e a Fortaleza de Buarcos, dispondo de uma Casa da Guarda.
Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1963 por decreto, o que, contudo, não impediu a sua degradação. Que foi aumentando com o avanço da especulação imobiliária, ou seja, da urbanização desenfreada, sobretudo com a urbanização da mata do Palácio Sotto-Mayor, durante o primeiro consulado dos “socialistas” na Figueira da Foz (1976/1997).

Do orçamento

Afinal o rumo é o mesmo.
O que quer dizer que vamos ter mais ou menos do mesmo. Se bem que mais para menos do que para mais. Nada que não se estivesse à espera.
Mas para mais tem aqui.