sábado, 16 de janeiro de 2010

O grande capital chega a ser necrófago, porque tanto lhe faz

Augusto Alberto


Há portugueses que se aquecem de dia nas salas de espera da estação de Santa Apolónia e passam a noite em enormes tubos de grande diâmetro, de polietileno preto, ali por perto. Em boa verdade, só estão a repetir um período terrível que atravessou de modo transversal a nação.
Nos anos 60 do século passado, foram os portugueses do “salto”, que se encontraram nas grandes cidades francesas, para participar nas grandes obras públicas e se juntaram em guetos, autênticas cidades, conhecidas por “bidonvilles”. Porque exactamente, o lugar de descanso, eram os bidões de alcatrão que os próprios esvaziavam na pavimentação das estradas. Foi um memorável e angustiante período, pela qual passaram muitos dos nossos bisavós e avós, para fugir à pátria que os queria mandar para a guerra e matava com fome. Não me devo enganar, se disser que alguns de nós, tiveram um familiar nessa miserável diáspora. Eu tive e por isso não esqueço.
Ao cabo de 35 anos de democracia, não são já os “bidondivilles”, mas são os “tubovilles”, que marcma a pobreza. Os “bidonvilles foram coisa de Paris, e os “tubovilles”, são, desavergonhadamente, coisa de Santa Apolónia, Lisboa, a capital.
Será justo, a quem chegou no dia 25 de Fevereiro de 1974 da guerra, e passados 2 meses também esteve na rua Antónia Maria Cardoso, a viver a mudança, perguntar, se foi para isto que se tomou o Carmo?
Entretanto, no dia destas terríveis imagens de degradação da Pátria, um amigo enviou-me imagens fotográficas, cruéis, da Costa Rica. País aparentemente calmo, delicioso para férias e onde a vida parece fluir sem grandes angústias. Dá a ideia de que o paraíso é ali. Mas desenganemo-nos. Tratam-se de fotos de gente ao desafio, a recolher ovos que as tartarugas deixam na praia, para criar. Evidentemente, que ao mesmo tempo que as tartarugas choram de dor, os ovos vão para boa mesa. Imagino, por bom dinheiro.
Tenho um amigo que viajou para o Brasil com 4 anos e por lá esteve cerca de 40. Regressou e por cá anda. Mostrei-lhe as fotos, porque a Costa Rica não está longe do Brasil que o acolheu. E o comentário do meu amigo foi simples: - é a fome. Se não houvesse fome as pessoas não cometeriam tamanha barbaridade.
O meu amigo tem razão, mas que me desculpe, porque eu digo mais. Aqui está mais uma face desapiedada do capitalismo. Em boa verdade, o grande capital que continua a atirar portugueses para os “tubos”, é o mesmo capital que cria fome na Costa Rica e por via dela, carrega os bichos com dor e impotência perante a força brutal do homem. Andam por ai, pelos fóruns, piedosas palavras, mas na verdade, é a hipocrisia como estratégia, porque a biodiversidade é uma treta e o dinheiro é de ouro.
O dinheiro hoje avança ao clique de uma tecla e por isso não é de estranhar que a sua pátria seja todo o mundo. Até porque sabemos que um ilustre cavalheiro, ex- Conselheiro de Estado e banqueiro cá da pátria, também correu à Costa Rica, não à procura de ovos de tartaruga, mas à procura de offshores. É um democrata com certeza!
Há na tartaruga um olhar arrepiante, mas o grande capital não tem regras morais e por isso, chega a ser necrófago, porque, vivo ou morto, tanto lhe faz.

Ainda Cabinda

O governo angolano apresentou um protesto ao embaixador francês em Angola pelo facto de as autoridades politicas e judiciais francesas “não condenarem com veemência, e accionarem os mecanismos desejáveis contra o cidadão que assumiu a autoria moral e material do ataque de 8 de Janeiro contra a caravana do Togo na fronteira em Cabinda”.
O cidadão em causa “circula livremente” pela França, de onde foi emitida a nota de reivindicação do atentado perpetrado pela FLEC.
Começa-se a perceber quem manipula esse grupelho terrorista. Com ou sem consentimento de “governos democráticos”, ou com esse consentimento encapotado ou não, parece fácil de entender que são algumas das grandes petrolíferas.
Num post no seu blogue, o jornalista angolano Wilson Dada, um crítico, como eu, do governo angolano, condena sem margem para dúvidas o atentado terrorista. Nesse post, um comentário de um angolano, que preferiu manter o anonimato, dá uma ajuda para a compreensão do complicado problema.
Transcrevo-o de seguida:
"No fundo o MPLA agradece pois a FLEC acabou por se colocar numa posição intolerável. Penso que esta história de Cabinda já foi longe demais e que está na altura de os diversos intervenientes se sentarem e conversarem de boa fé. Angola via MPLA errou ao usar em benefício próprio o dinheiro do petróleo de Cabinda não garantindo que uma grossa fratia de tais rendimentos ficasse no território. Os interessados na independência de Cabinda a meu ver estão apenas ao serviço de estranhos a Angola e a Cabinda. É evidente que Angola nunca aceitará a separação de Cabinda pois isso seria aceitar a desfragmentação da unidade territorial de Angola. Não foi por acaso que os portugueses resolveram integrar administrativamente Cabinda em Angola. Sempre actuaram, em termos territoriais de forma muito pragmática. Aliás, não fora a Conferência de Berlim onde Portugal para tentar proteger os seus territórios cedeu uma fatia para acesso do Congo ao mar, e nunca teria havido descontinuidade territorial entre Cabinda e o restante território de Angola. A meu ver esta é a altura para se implementar uma solução federativa para Angola. O caso do Brasil é uma demonstração do sucesso de tal solução. Também aqui houve tentativas de secessão e no entanto todos os diferendos se resolveram de forma adequada. Cabinda isolada será presa fácil para os países vizinhos, iniciará o processo de fragmentação tribal de Angola, processso este que se estenderá, como uma praga aos países vizinhos e dará certamente início a um novo período de guerras civis. Será bom para a rapaziada do petróleo e das armas. Ou seja, interessará muito boa gente mas certamente não interessará aos Africanos que tenham dois palmos de testa. Não é por acaso que a política Portuguesa, ao contrário do que se passou com Timor, anda a assobiar para o lado nesta questão de Cabinda. Para o MNE português a questão de Cabinda não existe".

American dream or american nightmare



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Que beleza é o Haiti

Augusto Alberto


O mundo foi informado do terrível tremor de terra que se abateu sobre o Haiti. Muita gente a chorar e muitas dessas lágrimas a serem de crocodilo, porque durante anos comeram a carne àquele povo, que hoje não passa de um esqueleto.
Neste momento de tragédia será bom avivar memórias e a história, porque a amnésia e o branqueamento são um dos modos do embuste que vai levando a dianteira.
O Haiti, colónia espanhola depois francesa e a seguir, protectorado americano, sempre foi um lugar de escravidão e nunca foi questão que preocupasse as democracias e os democratas. Durante muitos anos, governou por lá um tipo carniceiro e sanguinário, do pior que a humanidade já viu e teve. Um tal, Papa Duvalier, ou papa Doc, que foi substituído pelo seu filho, baby Doc, que deu continuidade à saga e a seguir, por um padre católico, Bertand Aristide, que continuou a carnificina e a miséria. Esta gente sempre foi coberta pelo império e sobreviveu montada numa milícia, talvez a mais cruel que correu em toda a América, Caraíbas e Antilhas, os tontons macoutes, que nunca atormentou os mais lúcidos democratas.
Sabe-se que o Haiti é uma notável sequela, mística, social e política do poder de chumbo e da canhoneira, para poder estar a salvo de qualquer ousada experiência. Uma nação paupérrima. Com uma taxa de analfabetos na ordem dos 50% e com uma esperança de vida mitigada e que ainda há poucos anos esteve à beira da implosão como estado e nação.
Evidentemente que as democracias e os democratas nunca por ali viram nada de anormal e a pedir remédio. Medrosos, dir-se-á que o Haiti sempre esteve longe dos olhos e, por isso, longe dos corações.
Entre esses democratas, cito aqui o Doutor Mário Soares, esse dandi da democracia, que naquela zona, só dislumbrou uma ditadura. A dos barbudos, liderados por Fidel, Camilo e Che. Aliás, Fidel tornou-se-lhe o ditador de culto. A questão é que o que separa Cuba do Haiti, é o mesmo que separa o calor do frio, e o Doutor Mário Soares dos verdadeiros democratas.
Esse Doutor Mário Soares, homem de vários sítios, opinador e escrevinhador de regime e por isso, muito requisitado, ainda que na maior parte das vezes, só diga banalidades, que gere uma sua fundação a quem o estado português de volta e meia aguenta e amigo de gente especialista em arrear esperanças em troca dos mais cruéis e sanguinários regimes que a história regista, como no caso do Haiti, mas também o homem que conseguiu, sabe-se lá de que modo, descarregar dos escaparates das livrarias um célebre livro, “contos proibidos, memórias de um P.S. desconhecido”, escrito por um amigo, que foi do peito, Rui Mateus, que bem o conheceu e por ventura, conhece, fica, mais aqueles democratas que por ele nutrem uma militante ternura, desafiados, neste momento de dor, a tomarem o avião e aterrarem em Port-au-Prince, para ver que beleza é o Haiti.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A gripe A



Sempre estive convencido que a gripe a, bem como outras doenças, nomeadamente no Terceiro Mundo, foi uma criação do capitalismo internacional. a febre de Marburg, o dengue, o ebola, por exemplo.
São milhões e milhões facturados pela indústria farmacêutica. A propósito da famosa gripe a, um dos proprietários da empresa que comercializou o também famoso tamiflu é, nem mais nem menos, o famoso terrorista Rumsfeld.
A escandaleira começa a adquirir visibilidade porque terão cometido o erro de assustar a Europa com uma hipotética pandemia. Talvez porque outros mercados já estejam saturados. E, então, houve governos, consciente ou inconscientemente, que gastaram os tais ditos milhões e milhões, sem que houvesse necessidade. E terão sido gastos a troco de nada?
Wolfgang Wodarg, presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa chama-lhe um escândalo. E diz que isto não vai ficar assim. De certeza?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Um balde de água fria? Foi antes uma tempestade de gelo

É que ainda não estou recomposto. Tudo porque os “palancas negras” se armaram em hitchcoquianos. Até o Manuel José ia ficando gago. Reagiu como se nunca tivesse visto um filme do Alfred.

domingo, 10 de janeiro de 2010

A CAN, Angola e a FLEC



Tem hoje início a CAN, com o jogo de abertura Angola-Mali. Manchada, como é óbvio, por um ataque terrorista contra uma embaixada desportiva.
Devo dizer que este tipo de comportamento por parte da FLEC infelizmente não me admira. A dúvida, a maior que tenho, é saber quem está por trás desse bando “separatista”.
Sabe-se que durante a luta armada contra o regime colonial a FLEC sempre recusou juntar-se a outros movimentos de libertação. Fossem eles tribalistas, como o caso da UPA/FNLA ou o MPLA, que se queria pan-angolano. A FLEC combatia-os. O regime colonial percebeu e tirou os devidos dividendos.
No início dos anos 60 o MPLA conseguiu abrir uma frente em Cabinda, cujo exército integrava angolanos dos mais variados grupos étnicos, aliás como nos é dado ver no romance de Pepetela, “Mayombe”.
Portanto é fácil de perceber a quem foram criadas dificuldades por parte da FLEC durante a guerra colonial e a quem interessava esse comportamento nada nacionalista.
Sabe-se, também, que esses separatistas, nesse tempo, tinham o apoio do presidente do Congo Brazzaville, Fulbert Youlu. Para um movimento separatista barricado não se sabe em quê, pois pelos vistos não baseado em aspirações populares, estamos em presença de algo incompreensível à luz do bom senso.
Mesmo sabendo que o terrorismo só tem um sinal, persiste uma grande incógnita: Quem estará, afinal e agora, a manobrar e apoiar a FLEC?
Ao povo do Togo só me resta apresentar os meus sentimentos e a minha solidariedade.





O escritor e professor universitário, foi chefe de guerrilha. Esteve na frente de Cabinda e foi a partir de um relatório seu de uma acção de combate sob o seu comando que nasceu o romance citado no texto.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Os meus penúltimos sapatos adidas, com que corri, foram comprados em Havana

Augusto Alberto
(texto e fotos)

Os textos aqui publicados sobre Cuba provocaram, como seria de esperar, discussão. Alguma sem qualquer nexo, outra, contraditória.
De verdade, tenho que dizer que Cuba não é o paraíso na terra. É só uma pequena ilha que realizou alterações demasiado profundas e inconvenientes, sobretudo, estando situada onde está, por ser exemplo e resistir como resiste. Para que melhor se entenda cito Frank Solar, professor na Faculdade em Santiago de Cuba e membro de base da Juventude Comunista Cubana: “Cuba foi durante meio século a utopia possível. A pequena ilha, embora pobre e subdesenvolvida, mostra, (apesar das suas insuficiências e desacertos), tudo o que é capaz de fazer um Povo quando decide tomar em suas mãos a construção do seu próprio destino. Produziu notáveis avanços em matéria social, educacional, saúde e desportiva… é hoje uma esperança dos povos num mundo melhor”.
Quem assim fala é um intelectual comunista, que não foi castigado por colocar as questões de modo certeiro. Ou como a verdade, afinal, não é delito de opinião.
Cuba não possui em alta escala, recursos e reservas naturais, como é sabido. Nem possui um exército fabuloso treinado na arte da rapina. Não é uma nação colonial. Nem possui um sistema de espionagem electrónica industrial, como o “excelom”.
Certíssimo! É pobre. Alguns lugares, sobretudo Havana, apesar de grandes esforços têm zonas físicas muito deprimidas, como o histórico bairro chinês. Possui um sistema de transportes públicos obsoleto. Perguntaram um dia ao ministro dos transportes, se um sistema de eléctricos rápidos, não seria o ideal para Havana? Com sinceridade, disse: - “essa solução não está esquecida, mas o país não tem por agora os recursos necessários”. Límpido! Mas tem uma cidade velha, recuperada com apoio da Unesco, que é um modelo de recuperação urbana.
Mas se a natureza não dotou a ilha de riquezas e que se saiba não há por lá uma santa Leonor com a faculdade de multiplicar o pão, é inclusive esparso, como se explicam os notáveis avanços sociais? No saneamento público e no acesso a água potável. Uma taxa de mortalidade infantil, só comparada no continente americano, ao Canadá. Na saúde pública, sem o “segurinho”, (está hoje no topo da biotecnologia, por exemplo). No ensino. Nas artes, (uma visita ao museu de arte Nacional em Havana é um fabuloso exercício). No desporto. Na segurança. As três refeições por dia estão absolutamente resolvidas. Nesta matéria, confessou estrondosamente o presidente de um país riquíssimo em petróleo, água e florestas, Lula da Silva. Pequeno-almoço, almoço e jantar, ainda é um luxo para milhões de brasileiros. Mas por contraste, a natureza oferece-lhe de quando em vez, duras tempestades. Mas não consta que dezenas ou centenas morram no olho do furacão. Estas são questões fundamentais da vida, resolvidas, numa pátria pobre, embargada e acossada, enquanto, escandalosamente, os que possuem as notáveis riquezas, fazem questão de não querer passar para lá da fase da Quinta da Marinha ou das paradisíacas ilhas de Angra dos Reis e, mais grave, os milhões que sobram entram em nova fase, a da marcha à ré.
Não sei quanto mais tempo Cuba irá resistir. Mas estou certo, se a deixarem em paz, lá chegará o eléctrico rápido, os micros ondas, os frigoríficos, os televisores, os telemóveis, as roupas e sapatos de marca, em maior abundância.
Antes de me ir e se as coisas têm de ser medidas assim, então sempre vos digo, que os meus penúltimos sapatos adidas, com que corri muitos quilómetros, foram comprados em Havana. Já sei, escusam de me lembrar, que os há em todo o lado, mas em Havana, foram importados para me serem vendidos em exclusividade, porque descobriram que tinha chegado um tipo importante.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lembram-se do jovem Martunis?


Irá ele receber um convite da FPF para assistir ao Mundial?
Pelos vistos, não é provável.

Saldos: é de aproveitar

foto sacada daqui à marretada

A língua portuguesa é que é muito traiçoeira...

O rei do rock


Uma das suas virtudes era o timbre de voz que, segundo especialistas, tinha um alcance difícil para um cantor popular.
Denominado "Rei do rock" foi considerado um dos maiores cantores populares do século XX.
Faria hoje 75 anos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Para o ano, em vez de cavalos, que se ponham burros

Augusto Alberto


O velho João, meu pai, ainda aos 90 anos, costumava declamar os autos do presépio. O velho João, sempre imbricado nestas artes da terra, para além de um grande ponto, foi também ponto nos teatros da “10 de Agosto” e da “Figueirense”. E os meus tios “Paraltas” também por lá andaram. Sobretudo o Zé, que também foi do teatro nos “Caras Direitas”.
Eu, ainda rapaz, lembro-me de vir a pé, e ir, pela noite, dos Vais à Figueira e regresso, e depois, mais tarde, toda a gente de táxi, porque dividido por todos era mais barato, para assistir aos autos pastoris e aos reis. Isto foi ainda no tempo do fascismo. Todos gostávamos muito destas coisas e o poder corporativo, desses tempos, nunca negou, que se saiba, apoios às actividades cénicas do Natal e Ano Novo. Mas agora, no tempo da democracia e do poder autárquico democrático, porque quem toma o poder, toma-o porque o povo vota, parece que esquecem as melhores tradições cénicas. Mas isto é bem feita, porque gente de fora ao fazer lei em casa alheia é o que dá. É de atavismos.
É evidente que um cidadão como eu, que gosta destas coisas e está sempre atento, fica sem saber bem o que se passa. Por isso temos de nos cuidar, porque este desleixo autárquico, ao que parece, começa a fazer escola. É que outro dia já o senhor vereador da cultura faltou a uma cerimónia literária, cá na terra, que contou com gente da Galiza, para galardoar um distinto Figueirinhas.
Será perrisse? Será desleixo? Será já cansaço? Será que o frio da noite assusta e o mais recomendado é ficar de robe, ceroulas e pantufas, esparramado perante a TV e no calor do lar, a fazer zapping? Ou será que estes espectáculos do povo, com mais ou menos sabores a ferrugem, não carregam no bojo o glamor necessário à presença de tão importantes autarcas, que por isso, também negam o necessário apoio? Não o saberemos, porque os nossos autarcas parece que entraram um pouco mudos e por isso querem continuar a falar pouco, porque às faltas, o nosso vereador da cultura, diz nada.
De qualquer modo, sempre aproveito para sugerir às duas colectividades envolvidas nos espectáculos de Natal e Reis, que para o ano, num arrojo de piedade, ofereçam prendas ao senhor vereador da cultura e restantes pares, sobretudo sobretudos, luvas, cachecóis e gorros, para que possam sair nas noites frias dos autos pastoris, ainda que justamente quando se deslocarem ao Centro de Artes e Espectáculos façam a muda de toillete, porque a presença na arte da dança, requer outros cuidados, em linha com um espectáculo mais dado às pífias elites.
Eu penso, evidentemente, que não é obrigatório que os autarcas tenham canudo. Ainda que dê jeito, porque assim se dirá: - “como está senhor doutor?” Mas há por ai gente no povo, com ares de cavalgadura, mas com mais jeito para estas coisas do espírito. O importante é escolher bem. E nessa matéria, somos de atavismos.
Como as coisas estão, para o ano, quem sabe, talvez no lugar de cavalos no desfile dos reis, se ponham burros, em linha com alguns espíritos mais carrancudos, apáticos e negacionistas.

A tradição ainda é o que era

Uma foto



Esta foto terá sido eleita pela "National Geographic" como a melhor. Recebi-a por e-mail.
Sabe-se que foi extraída de um jornal hindú, com a seguinte legenda:
"Só quem é pobre procede com tanta generosidade.
... que pena que o homem não seja sempre assim"

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Há prémio



O blogue “Marcha do Vapor” atribuiu-nos o Prémio “Relíquia da Internet”, que agradecemos.
Ditam as regras que temos de escolher outros 5 blogues a quem, na nossa opinião, o prémio também ficará bem.
E assim, por alfabética ordem, aí vão eles:
O resto das regras são as do costume. Podem lê-las aqui.