Augusto Alberto
Há portugueses que se aquecem de dia nas salas de espera da estação de Santa Apolónia e passam a noite em enormes tubos de grande diâmetro, de polietileno preto, ali por perto. Em boa verdade, só estão a repetir um período terrível que atravessou de modo transversal a nação.
Nos anos 60 do século passado, foram os portugueses do “salto”, que se encontraram nas grandes cidades francesas, para participar nas grandes obras públicas e se juntaram em guetos, autênticas cidades, conhecidas por “bidonvilles”. Porque exactamente, o lugar de descanso, eram os bidões de alcatrão que os próprios esvaziavam na pavimentação das estradas. Foi um memorável e angustiante período, pela qual passaram muitos dos nossos bisavós e avós, para fugir à pátria que os queria mandar para a guerra e matava com fome. Não me devo enganar, se disser que alguns de nós, tiveram um familiar nessa miserável diáspora. Eu tive e por isso não esqueço.
Ao cabo de 35 anos de democracia, não são já os “bidondivilles”, mas são os “tubovilles”, que marcma a pobreza. Os “bidonvilles foram coisa de Paris, e os “tubovilles”, são, desavergonhadamente, coisa de Santa Apolónia, Lisboa, a capital.
Será justo, a quem chegou no dia 25 de Fevereiro de 1974 da guerra, e passados 2 meses também esteve na rua Antónia Maria Cardoso, a viver a mudança, perguntar, se foi para isto que se tomou o Carmo?
Entretanto, no dia destas terríveis imagens de degradação da Pátria, um amigo enviou-me imagens fotográficas, cruéis, da Costa Rica. País aparentemente calmo, delicioso para férias e onde a vida parece fluir sem grandes angústias. Dá a ideia de que o paraíso é ali. Mas desenganemo-nos. Tratam-se de fotos de gente ao desafio, a recolher ovos que as tartarugas deixam na praia, para criar. Evidentemente, que ao mesmo tempo que as tartarugas choram de dor, os ovos vão para boa mesa. Imagino, por bom dinheiro.
Tenho um amigo que viajou para o Brasil com 4 anos e por lá esteve cerca de 40. Regressou e por cá anda. Mostrei-lhe as fotos, porque a Costa Rica não está longe do Brasil que o acolheu. E o comentário do meu amigo foi simples: - é a fome. Se não houvesse fome as pessoas não cometeriam tamanha barbaridade.
O meu amigo tem razão, mas que me desculpe, porque eu digo mais. Aqui está mais uma face desapiedada do capitalismo. Em boa verdade, o grande capital que continua a atirar portugueses para os “tubos”, é o mesmo capital que cria fome na Costa Rica e por via dela, carrega os bichos com dor e impotência perante a força brutal do homem. Andam por ai, pelos fóruns, piedosas palavras, mas na verdade, é a hipocrisia como estratégia, porque a biodiversidade é uma treta e o dinheiro é de ouro.
O dinheiro hoje avança ao clique de uma tecla e por isso não é de estranhar que a sua pátria seja todo o mundo. Até porque sabemos que um ilustre cavalheiro, ex- Conselheiro de Estado e banqueiro cá da pátria, também correu à Costa Rica, não à procura de ovos de tartaruga, mas à procura de offshores. É um democrata com certeza!
Há na tartaruga um olhar arrepiante, mas o grande capital não tem regras morais e por isso, chega a ser necrófago, porque, vivo ou morto, tanto lhe faz.
Há portugueses que se aquecem de dia nas salas de espera da estação de Santa Apolónia e passam a noite em enormes tubos de grande diâmetro, de polietileno preto, ali por perto. Em boa verdade, só estão a repetir um período terrível que atravessou de modo transversal a nação.

Nos anos 60 do século passado, foram os portugueses do “salto”, que se encontraram nas grandes cidades francesas, para participar nas grandes obras públicas e se juntaram em guetos, autênticas cidades, conhecidas por “bidonvilles”. Porque exactamente, o lugar de descanso, eram os bidões de alcatrão que os próprios esvaziavam na pavimentação das estradas. Foi um memorável e angustiante período, pela qual passaram muitos dos nossos bisavós e avós, para fugir à pátria que os queria mandar para a guerra e matava com fome. Não me devo enganar, se disser que alguns de nós, tiveram um familiar nessa miserável diáspora. Eu tive e por isso não esqueço.
Ao cabo de 35 anos de democracia, não são já os “bidondivilles”, mas são os “tubovilles”, que marcma a pobreza. Os “bidonvilles foram coisa de Paris, e os “tubovilles”, são, desavergonhadamente, coisa de Santa Apolónia, Lisboa, a capital.
Será justo, a quem chegou no dia 25 de Fevereiro de 1974 da guerra, e passados 2 meses também esteve na rua Antónia Maria Cardoso, a viver a mudança, perguntar, se foi para isto que se tomou o Carmo?
Entretanto, no dia destas terríveis imagens de degradação da Pátria, um amigo enviou-me imagens fotográficas, cruéis, da Costa Rica. País aparentemente calmo, delicioso para férias e onde a vida parece fluir sem grandes angústias. Dá a ideia de que o paraíso é ali. Mas desenganemo-nos. Tratam-se de fotos de gente ao desafio, a recolher ovos que as tartarugas deixam na praia, para criar. Evidentemente, que ao mesmo tempo que as tartarugas choram de dor, os ovos vão para boa mesa. Imagino, por bom dinheiro.

Tenho um amigo que viajou para o Brasil com 4 anos e por lá esteve cerca de 40. Regressou e por cá anda. Mostrei-lhe as fotos, porque a Costa Rica não está longe do Brasil que o acolheu. E o comentário do meu amigo foi simples: - é a fome. Se não houvesse fome as pessoas não cometeriam tamanha barbaridade.
O meu amigo tem razão, mas que me desculpe, porque eu digo mais. Aqui está mais uma face desapiedada do capitalismo. Em boa verdade, o grande capital que continua a atirar portugueses para os “tubos”, é o mesmo capital que cria fome na Costa Rica e por via dela, carrega os bichos com dor e impotência perante a força brutal do homem. Andam por ai, pelos fóruns, piedosas palavras, mas na verdade, é a hipocrisia como estratégia, porque a biodiversidade é uma treta e o dinheiro é de ouro.
O dinheiro hoje avança ao clique de uma tecla e por isso não é de estranhar que a sua pátria seja todo o mundo. Até porque sabemos que um ilustre cavalheiro, ex- Conselheiro de Estado e banqueiro cá da pátria, também correu à Costa Rica, não à procura de ovos de tartaruga, mas à procura de offshores. É um democrata com certeza!
Há na tartaruga um olhar arrepiante, mas o grande capital não tem regras morais e por isso, chega a ser necrófago, porque, vivo ou morto, tanto lhe faz.











