terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Almeidas avant-garde


foto:internet

Foi em Lisboa que surgiu a designação de “almeida” para os varredores da rua e outros trabalhadores da limpeza porque a grande maioria, senão todos, seriam naturais de Almeida, vila fronteiriça do distrito da Guarda.
Já a expressão “Alma até Almeida” evoca, ou homenageia, a importância daquela vila e a valentia das suas gentes na defesa contra as incursões castelhanas e, bem mais tarde, na expulsão dos franceses.
E porque carga de água me lembrei de Almeida? Porque, via blogue “Outra Margem” do meu amigo Agostinho, fiquei a saber que os "almeidas" da Figueira da Foz melhoraram substancialmente a qualidade do seu trabalho, só não sei se foi com recurso a quaisquer novas tecnologias de ponta ou coisa parecida.
O que parece é que, sobretudo na rua da Liberdade, as folhas caídas das árvores já não se acumulam e as ruas já são bem limpas.
Ora bem.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Olh'órçamento


De que o país não fica sem orçamento, uma vez que os partidos que nos têm governado, ou à vez ou em duo, sempre estiveram de acordo nas grandes opções, não haverá grandes dúvidas. Nem pequenas.
As peudo-discussões e pseudo-reuniões solenemente anunciadas na comunicação social é para darem um ar de discordância, de que há até alguma divergência e tal, porque é sabido que a Direita se vai refastelando com a governação do PS. Está bem que CDS e PSD estejam um bocadinho atoleimados, mas só porque o “ps” lhes ocupou o espaço.
O certo é que, com queijo ou sem queijo, o regabofe vai continuar.
A única nota positiva é que toda esta discussão já forneceu uma frase para a estória. Aqui vai ela.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Angola,0 - Ghana, 1


O futebol é assim. Nem sempre ganha o melhor.
Mas valeu a pena. Os "palancas negras" estão de parabéns. Sairam de cabeça erguida, com a consciência de quem deu o que tinha para dar.
Faltou aquilo que normalmente se designa por "sorte".

Hino do CAN 2010




Curiosíssimo: em português. E esta, hein?

Só pr'a contradizer... I gotta feeling..

CAN: Angola - Gana, um jogo histórico



O jogo de hoje frente ao Gana a contar para os quartos de final da CAN poderá ser uma partida histórica para a selecção.
Em caso de vitória seriam atingidas as meias finais de uma prova internacional pela primeira vez. Não é fácil se tivermos em conta que o Gana é uma selecção com pergaminhos na prova, contando com 4 vitórias nas 26 edições disputadas e que Angola só na última edição - a quarta em que participava - , em 2008, ultrapassou a fase de grupos, sendo eliminada pelo Egipto, que viria a vencer a prova, nos quartos de final.
E o seleccionador, o português Manuel José, não tem tido vida fácil. Nos 3 encontros da primeira fase só por uma vez efectuou uma substituíção por motivos tácticos, tendo sido as outras devido a lesões.
Angola já merecia um pouquinho mais de sorte. Pelo menos no futebol.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Irra!!!

O meu desalmado Sporting está sempre a põr-se a geito.
Desta vez alguém lhe desenhou uma nova camisola.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Um jovem artista

O Pedro é um jovem. Que gosta de fotografia. E que fotografa. No próximo dia 28, às 16h00, no Núcleo Museológico do Mar, em Buarcos, inaugura a sua primeira exposição.
Seria legítimo, portanto, pensarmos estar na presença de um jovem promissor, minimamente competente, com jeito para a coisa. Mas seria, também, um puro engano.
Porque Pedro Cruz é um talento. Só assim se explica como o co-autor do blogue "Outra Margem" consegue carregar de sensibilidade, de sentido, o mais banal alvo da sua objectiva.
"Recortes da Aldeia", uma exposição a não perder.


"Gaivota" (foto: Pedro Cruz)

Estranhos e constitucionais critérios



A hipócrisia dos governos “democráticos” não tem limites. Os Estados Unidos colocaram recentemente Cuba numa lista por eles elaborada de países patrocinadores de terrorismo. Que os americanos façam o que lhes dá na real gana, sempre foi assim. Mas o que causa consternação é que outros países igualmente “democráticos” limitam-se a dizer ámen. Tipo mordomos do império, como foi o caso de Durão Barroso acerca das armas químicas do Iraque. Mas compensou, pois foi promovido.
O que acho mesmo deprimente são os critérios quer dos americanos quer dos seus fiéis vassalos para defenir terrorismo. Ainda agora, no estado em que o Haiti está os EUA vão enviar mais 4000 soldados. É mesmo do que o Haiti precisa.
Quer dizer, se um governo for obediente, se se colocar de cócoras, mesmo que seja constítuido por bandoleiros passam imediatamente para o rol dos países “democráticos”, mesmo que lá esteja devido a um golpe de estado contra um governo democraticamente eleito, como o caso recente das Honduras. O narco-traficante Uribe é outro exemplo.
O silêncio sobre o que se passa em Angola, com a aprovação da nova constituíção que tem por objectivo a eternização de Eduardo dos Santos no poder também é paradigmático. Sabe-se que quer ele quer a sua filha, Isabel dos Santos, são sócios de muitos magnatas ocidentais, muitos dos quais portugueses. Garantia de estarem sempre ilibados façam o que fizerem. Serão sempre considerados “democratas”.
Em Angola, até acabam de inventar um novo conceito: “engenharia constitucional”.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Fidel, os “américas” e o Haiti


O triste papel desempenhado pelos americanos no Haiti, cuja “ajuda” mais visível foi a imposição militar com a tomada do aeroporto de Port-au-Prince, está bem à altura do seu habitual e bélico comportamento. Terão medo que os haitianos tomem nas suas próprias mãos o seu destino? É cruel pensar nisso, agora que eles não estão noutra situação que não serem ajudados. Também não sabemos, diga-se, se os haitianos terão ou não armas de destruição massiva, pois o presidente da comissão europeia que costuma saber estas coisas "fechou-se em copas" e não nos disse absolutamente nada.
Mas duma ajuda coordenada por George Bush ninguém esperaria outra coisa, a não ser o cinismo do campeão dos democratas, Obama, que o nomeou.
O comandante Fidel, cujo país tem sido inexcedível na ajuda humanitária (e que também precisaria de ajuda, quanto mais não fosse o fim do boicote), alias como não nos é dado ver na imprensa ocidental, num artigo recente, escreve que no Haiti “se coloca à prova o quanto pode durar o espírito de cooperação antes que prevaleçam o egoísmo, o chauvinismo, os interesses mesquinhos e o desprezo por outras nações”.
Referindo-se ao aquecimento global, o velho comandante escreve que “uma mudança climática ameaça toda a humanidade e que aquele terramoto apenas três semanas depois, lembra-nos o quão egoístas e auto-suficientes nos comportamos em Copenhaga”.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Angola e a CAN: utilidade para os estádios


Angola decide hoje, frente à Argélia, o apuramento, ou não, para os quartos de final da CAN. Basta um empate para os pupilos de Manuel José, mas sempre será melhor o primeiro lugar no grupo para evitar a Costa do Marfim. O jogo é já daqui a nada, 16h00 tmg.
Entretanto surgiu uma ideia para dar um sentido ao Estádio “11 de Novembro”. Isto é, para que os novíssimos estádios não fiquem às moscas como alguns em Portugal, nomeadamente o de Aveiro, em que até foi aventada a hipótese de demolição.
A ideia até é muito boa. Falta saber se terá concretização, ou feed-back por parte de quem de direito.
Defende a criação de um Museu Nacional do Desporto, nos “generosos espaços” do Estádio "11 de Novembro”. Pensam os autores da ideia que ela traduziria novas opções culturais, e, de qualquer maneira, seria uma boa utilização de um espaço com capacidade para 50 mil pessoas que estaria, ou está salvo medidas como esta, condenado a transformar-se num elefante branco.

sábado, 16 de janeiro de 2010

O grande capital chega a ser necrófago, porque tanto lhe faz

Augusto Alberto


Há portugueses que se aquecem de dia nas salas de espera da estação de Santa Apolónia e passam a noite em enormes tubos de grande diâmetro, de polietileno preto, ali por perto. Em boa verdade, só estão a repetir um período terrível que atravessou de modo transversal a nação.
Nos anos 60 do século passado, foram os portugueses do “salto”, que se encontraram nas grandes cidades francesas, para participar nas grandes obras públicas e se juntaram em guetos, autênticas cidades, conhecidas por “bidonvilles”. Porque exactamente, o lugar de descanso, eram os bidões de alcatrão que os próprios esvaziavam na pavimentação das estradas. Foi um memorável e angustiante período, pela qual passaram muitos dos nossos bisavós e avós, para fugir à pátria que os queria mandar para a guerra e matava com fome. Não me devo enganar, se disser que alguns de nós, tiveram um familiar nessa miserável diáspora. Eu tive e por isso não esqueço.
Ao cabo de 35 anos de democracia, não são já os “bidondivilles”, mas são os “tubovilles”, que marcma a pobreza. Os “bidonvilles foram coisa de Paris, e os “tubovilles”, são, desavergonhadamente, coisa de Santa Apolónia, Lisboa, a capital.
Será justo, a quem chegou no dia 25 de Fevereiro de 1974 da guerra, e passados 2 meses também esteve na rua Antónia Maria Cardoso, a viver a mudança, perguntar, se foi para isto que se tomou o Carmo?
Entretanto, no dia destas terríveis imagens de degradação da Pátria, um amigo enviou-me imagens fotográficas, cruéis, da Costa Rica. País aparentemente calmo, delicioso para férias e onde a vida parece fluir sem grandes angústias. Dá a ideia de que o paraíso é ali. Mas desenganemo-nos. Tratam-se de fotos de gente ao desafio, a recolher ovos que as tartarugas deixam na praia, para criar. Evidentemente, que ao mesmo tempo que as tartarugas choram de dor, os ovos vão para boa mesa. Imagino, por bom dinheiro.
Tenho um amigo que viajou para o Brasil com 4 anos e por lá esteve cerca de 40. Regressou e por cá anda. Mostrei-lhe as fotos, porque a Costa Rica não está longe do Brasil que o acolheu. E o comentário do meu amigo foi simples: - é a fome. Se não houvesse fome as pessoas não cometeriam tamanha barbaridade.
O meu amigo tem razão, mas que me desculpe, porque eu digo mais. Aqui está mais uma face desapiedada do capitalismo. Em boa verdade, o grande capital que continua a atirar portugueses para os “tubos”, é o mesmo capital que cria fome na Costa Rica e por via dela, carrega os bichos com dor e impotência perante a força brutal do homem. Andam por ai, pelos fóruns, piedosas palavras, mas na verdade, é a hipocrisia como estratégia, porque a biodiversidade é uma treta e o dinheiro é de ouro.
O dinheiro hoje avança ao clique de uma tecla e por isso não é de estranhar que a sua pátria seja todo o mundo. Até porque sabemos que um ilustre cavalheiro, ex- Conselheiro de Estado e banqueiro cá da pátria, também correu à Costa Rica, não à procura de ovos de tartaruga, mas à procura de offshores. É um democrata com certeza!
Há na tartaruga um olhar arrepiante, mas o grande capital não tem regras morais e por isso, chega a ser necrófago, porque, vivo ou morto, tanto lhe faz.

Ainda Cabinda

O governo angolano apresentou um protesto ao embaixador francês em Angola pelo facto de as autoridades politicas e judiciais francesas “não condenarem com veemência, e accionarem os mecanismos desejáveis contra o cidadão que assumiu a autoria moral e material do ataque de 8 de Janeiro contra a caravana do Togo na fronteira em Cabinda”.
O cidadão em causa “circula livremente” pela França, de onde foi emitida a nota de reivindicação do atentado perpetrado pela FLEC.
Começa-se a perceber quem manipula esse grupelho terrorista. Com ou sem consentimento de “governos democráticos”, ou com esse consentimento encapotado ou não, parece fácil de entender que são algumas das grandes petrolíferas.
Num post no seu blogue, o jornalista angolano Wilson Dada, um crítico, como eu, do governo angolano, condena sem margem para dúvidas o atentado terrorista. Nesse post, um comentário de um angolano, que preferiu manter o anonimato, dá uma ajuda para a compreensão do complicado problema.
Transcrevo-o de seguida:
"No fundo o MPLA agradece pois a FLEC acabou por se colocar numa posição intolerável. Penso que esta história de Cabinda já foi longe demais e que está na altura de os diversos intervenientes se sentarem e conversarem de boa fé. Angola via MPLA errou ao usar em benefício próprio o dinheiro do petróleo de Cabinda não garantindo que uma grossa fratia de tais rendimentos ficasse no território. Os interessados na independência de Cabinda a meu ver estão apenas ao serviço de estranhos a Angola e a Cabinda. É evidente que Angola nunca aceitará a separação de Cabinda pois isso seria aceitar a desfragmentação da unidade territorial de Angola. Não foi por acaso que os portugueses resolveram integrar administrativamente Cabinda em Angola. Sempre actuaram, em termos territoriais de forma muito pragmática. Aliás, não fora a Conferência de Berlim onde Portugal para tentar proteger os seus territórios cedeu uma fatia para acesso do Congo ao mar, e nunca teria havido descontinuidade territorial entre Cabinda e o restante território de Angola. A meu ver esta é a altura para se implementar uma solução federativa para Angola. O caso do Brasil é uma demonstração do sucesso de tal solução. Também aqui houve tentativas de secessão e no entanto todos os diferendos se resolveram de forma adequada. Cabinda isolada será presa fácil para os países vizinhos, iniciará o processo de fragmentação tribal de Angola, processso este que se estenderá, como uma praga aos países vizinhos e dará certamente início a um novo período de guerras civis. Será bom para a rapaziada do petróleo e das armas. Ou seja, interessará muito boa gente mas certamente não interessará aos Africanos que tenham dois palmos de testa. Não é por acaso que a política Portuguesa, ao contrário do que se passou com Timor, anda a assobiar para o lado nesta questão de Cabinda. Para o MNE português a questão de Cabinda não existe".

American dream or american nightmare



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Que beleza é o Haiti

Augusto Alberto


O mundo foi informado do terrível tremor de terra que se abateu sobre o Haiti. Muita gente a chorar e muitas dessas lágrimas a serem de crocodilo, porque durante anos comeram a carne àquele povo, que hoje não passa de um esqueleto.
Neste momento de tragédia será bom avivar memórias e a história, porque a amnésia e o branqueamento são um dos modos do embuste que vai levando a dianteira.
O Haiti, colónia espanhola depois francesa e a seguir, protectorado americano, sempre foi um lugar de escravidão e nunca foi questão que preocupasse as democracias e os democratas. Durante muitos anos, governou por lá um tipo carniceiro e sanguinário, do pior que a humanidade já viu e teve. Um tal, Papa Duvalier, ou papa Doc, que foi substituído pelo seu filho, baby Doc, que deu continuidade à saga e a seguir, por um padre católico, Bertand Aristide, que continuou a carnificina e a miséria. Esta gente sempre foi coberta pelo império e sobreviveu montada numa milícia, talvez a mais cruel que correu em toda a América, Caraíbas e Antilhas, os tontons macoutes, que nunca atormentou os mais lúcidos democratas.
Sabe-se que o Haiti é uma notável sequela, mística, social e política do poder de chumbo e da canhoneira, para poder estar a salvo de qualquer ousada experiência. Uma nação paupérrima. Com uma taxa de analfabetos na ordem dos 50% e com uma esperança de vida mitigada e que ainda há poucos anos esteve à beira da implosão como estado e nação.
Evidentemente que as democracias e os democratas nunca por ali viram nada de anormal e a pedir remédio. Medrosos, dir-se-á que o Haiti sempre esteve longe dos olhos e, por isso, longe dos corações.
Entre esses democratas, cito aqui o Doutor Mário Soares, esse dandi da democracia, que naquela zona, só dislumbrou uma ditadura. A dos barbudos, liderados por Fidel, Camilo e Che. Aliás, Fidel tornou-se-lhe o ditador de culto. A questão é que o que separa Cuba do Haiti, é o mesmo que separa o calor do frio, e o Doutor Mário Soares dos verdadeiros democratas.
Esse Doutor Mário Soares, homem de vários sítios, opinador e escrevinhador de regime e por isso, muito requisitado, ainda que na maior parte das vezes, só diga banalidades, que gere uma sua fundação a quem o estado português de volta e meia aguenta e amigo de gente especialista em arrear esperanças em troca dos mais cruéis e sanguinários regimes que a história regista, como no caso do Haiti, mas também o homem que conseguiu, sabe-se lá de que modo, descarregar dos escaparates das livrarias um célebre livro, “contos proibidos, memórias de um P.S. desconhecido”, escrito por um amigo, que foi do peito, Rui Mateus, que bem o conheceu e por ventura, conhece, fica, mais aqueles democratas que por ele nutrem uma militante ternura, desafiados, neste momento de dor, a tomarem o avião e aterrarem em Port-au-Prince, para ver que beleza é o Haiti.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A gripe A



Sempre estive convencido que a gripe a, bem como outras doenças, nomeadamente no Terceiro Mundo, foi uma criação do capitalismo internacional. a febre de Marburg, o dengue, o ebola, por exemplo.
São milhões e milhões facturados pela indústria farmacêutica. A propósito da famosa gripe a, um dos proprietários da empresa que comercializou o também famoso tamiflu é, nem mais nem menos, o famoso terrorista Rumsfeld.
A escandaleira começa a adquirir visibilidade porque terão cometido o erro de assustar a Europa com uma hipotética pandemia. Talvez porque outros mercados já estejam saturados. E, então, houve governos, consciente ou inconscientemente, que gastaram os tais ditos milhões e milhões, sem que houvesse necessidade. E terão sido gastos a troco de nada?
Wolfgang Wodarg, presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa chama-lhe um escândalo. E diz que isto não vai ficar assim. De certeza?