domingo, 31 de janeiro de 2010

Carnaval: já há reis

Agora que os reis do Carnaval de Buarcos foram oficialmente apresentados, lembrei-me que o cidadão José Marques Correia, falecido há cerca de 10 anos, nunca recebeu a honra de um convite para exercer tão dignificante quão gratificante cargo. Ele, (em baixo fotografado por Augusto Carvalho) que até era monárquico. Bem, pelo menos era visconde.
De qualquer maneira uma irreparável injustiça.

(fotos:Augusto Carvalho)

O blogue da Ti Hortênsia

Perspicaz e acutilante comentadora blogosférica, a Ti Hortênsia do Iselindo finalmente resolveu, também ela, abrir um blogue.
Na primeiríssima pessoa, para que não haja dúvidas. Pois o dito tem como título o nome da própria senhora. Saudamos a iniciativa, até considerando a provecta idade da impoluta cidadã. O que vem provar que velhos são os trapos.
Mesmo assim, no primeito post conseguiu surpreender-nos: sempre atenta aos problemas que nos envolvem a senhora não se referiu a essa treta do orçamento geral do estado, com que até a própria Direita diz que não concorda, mas que, derramadinha por isso, decidiu deixar passar.

Aqui fica um desejo de boas postagens à Ti Hortênsia.

sábado, 30 de janeiro de 2010

@


De onde vem o misterioso sinal @, a que os portugueses chamam «arroba», os norte-americanos e ingleses «at», os italianos «chiocciola» (caracol) e os franceses «arobase»? Porque razão foi ele escolhido para os endereços de correio electrónico? Na verdade, não conhecemos ao certo a origem deste misterioso símbolo. Nem estávamos preocupados com o problema, até que ele começou a entrar no nosso dia-a-dia e foi preciso arranjar-lhe uma designação.
A princípio, os portugueses chamavam-lhe «caracol», «macaco» ou outro nome claramente inventado. Depois, houve quem reparasse que a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira dizia tratar-se do símbolo de arroba, pelo que esse nome pegou.
Que terá a arroba a ver com esse sinal? Não se sabe ao certo, mas há pouco mais de um ano, o investigador italiano Giorgio Stabile descobriu um documento veneziano datado de 1536 onde esse símbolo aparecia. Estava aí a representar ânforas, utilizadas como unidades de peso e volume. Posteriormente, num vocabulário Latim-Espanhol de 1492, Stabile encontrou o termo «arroba» como tradução castelhana do latim «amphora». A ânfora e a arroba, concluiu o investigador italiano, estariam na origem da estranha letra retorcida.
O encadeamento dos factos é fascinante, mas há pontos obscuros. A palavra «arroba» não tem qualquer relação com «ânfora», pois vem do árabe «ar-ruba'a», designando «um quarto» ou «a quarta parte», como se aprende no Dicionário Etimológico de José Pedro Machado. Trata-se de uma unidade de peso que equivale a 14,788 quilogramas e que habitualmente se arredonda para 15kg. Podia ser que uma ânfora cheia de vinho tivesse esse peso, mas a semelhança fica por aí.
No século XVII o mesmo símbolo reapareceu, mas com outro significado. Utilizava-se para abreviar a preposição latina «ad», que significa «para», «em», «a», e que se usava para introduzir os destinatários das missivas. Condensava-se o «a» e o «d», num único carácter. É a chamada ligatura. O dicionário brasileiro Aurélio diz que ligatura é a «reunião, num só tipo, de duas ou mais letras ligadas entre si, por constituírem encontro frequente numa língua». Nesse mesmo dicionário da língua portuguesa confirma-se o símbolo @ como abreviatura de arroba.
O misterioso @ continuou a ser utilizado até ao século XIX, altura em que aparecia nos documentos comerciais. Em inglês lia-se e lê-se «at», significando «em» ou «a». Quem percorra as bancas de fruta ou os mercados de rua norte-americanos vê-o frequentemente. Os vendedores escreviam e continuam a escrever «@ $2» para significar que as azeitonas se vendem a dois dólares (cada libra, subentenda-se). Para eles não se trata de nenhuma moda: sempre viram aquele símbolo como a contracção das letras de «at».
Na máquina de escrever Underwood de 1885 já aparecia o @, que sobreviveu nos países anglo-saxónicos durante todo o século XX. O mesmo não se passou nos outros países. No teclado português HCESAR, por exemplo, que foi aprovado pelo Decreto-lei 27:868 de 1937, não existe lugar para o @. Por isso, quando o símbolo reapareceu nos computadores, ele tinha já um lugar cativo nos teclados norte-americanos, por ser aí de uso frequente. Nos nosso teclados só foi acrescentado nos anos 80 e encavalitado noutra tecla: é preciso pressionar simultaneamente Ctrl+Alt+2 ou AltGr+2 para o fazer aparecer
Quando o correio electrónico foi inventado, o engenheiro Ray Tomlinson, o primeiro a enviar uma mensagem entre utilizadores de computadores diferentes, precisou de encontrar um símbolo que separasse o nome do utilizador do da máquina em que este tinha a sua caixa de correio. Não queria utilizar uma letra que pudesse fazer parte de um nome próprio, pois isso seria muito confuso. Conforme explicou posteriormente, «hesitei apenas durante uns 30 ou 40 segundos... o sinal @ fazia todo o sentido». Estava-se em 1971 e esses 30 ou 40 segundos fizeram história, mas criaram um problema para os países não anglo-saxónicos. Não foi só nos teclados, foi também na língua.
Em inglês, «charles@aol.us» entende-se como «Charles em aol.us», ou seja, o utilizador Charles que tem uma conta no fornecedor AOL, situado nos Estados Unidos. Mas em português não soa bem ler «fulano@servidor.pt» dizendo fulano-arroba-servidor.pt. Nem tem muito sentido. Mas qual será a alternativa? Uma solução seria seguir o inglês e dizer «at». Outra ainda seria dizer «a-comercial», como nos princípios do século XX se chamava a esse símbolo no nosso país. Talvez o melhor fosse utilizar «em». Mas haverá soluções mais imaginativas.Quem quiser gastar o seu latim pode proclamar «ad», rivalizando em erudição com o mais sábio dos literatos. Ou surpreender toda a gente, anunciando uma «amphora» no seu endereço.

Nuno Crato
(texto recebido por e-mail)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Tomo sempre partido por aqueles que gostam de lamber a marmelada

Augusto Alberto


Há muitos anos, mais de 40, no período em que vivi em Lisboa, tive por vizinhos, uma família numerosa e pobre.
Um desses meninos, o João, tisnado pela rua, ganhou a rotina de quase todos os dias me bater à porta, na esperança de lhe dar alguma comida para matar a fome. Em regra, dava-lhe pão com marmelada ou manteiga e fruta. Mas o João, esperto e atinado, a partir de dada altura, de volta e meia, lambia a marmelada ou a manteiga e deixava o pão no lancil do passeio. A minha família começou a ficar zangada e quase a desatinar e ameaçou cortar a ração. Mas eu tomei partido, como sempre, pelo João. Argumentei que também tinha o direito ao seu mimo, apesar de ser pobre, como qualquer menino farto. Era um dever dar-lhe para lamber a marmelada e a manteiga, quando de volta e meia não lhe apetecesse o pão. Em boa verdade, o João também era lambareiro, com todo o direito. Acabei por convencer a família e o João continuou a ter direito ao seu pequeno luxo.
A família do João era numerosa e os pais trabalhavam muito, para lá do justo, ainda que o dinheiro fosse sempre pouco. Chegavam tarde e cansados e os mais velhos dos filhos, cedo começaram a ter tarefas da lide e liderança doméstica.
Lembro-me desta pequena história sempre que os teóricos da demografia e da natalidade dão palpites sobre a baixa taxa de nascimentos, que por este andar haverá de por fim à pátria antes que o sol perca força, se ponha e ponha fim à nossa existência.
Ainda outro dia li que em Portugal nascem poucos meninos. Pudera! E porquê? Porque passados tantos anos, as famílias, tal como há 40 anos, continuam a trabalhar muito e o que ganham, é tão curto, que continua a não chegar. Ainda por cima, sem terem a almofada da tropa, que durante cerca de 4 anos, dava botas, roupa, comida e cama lavada. Com este cenário, a taxa de natalidade só pode minguar, evidentemente.
Afinal, o país que tomou o Carmo em 74 para começar a mudar, continua afinal tão igual. E porquê? Porque logo apareceu uma gente, “alegre”, a falar-nos de um mundo moderno e mais perfeitinho, feito do socialismo de rosto humano, ou socialismo em liberdade. E no que é que isto deu? Ora no que é que isto deu? Deu em exploração em liberdade, que aos indígenas do sítio trouxe redobrada pobreza, ainda por cima, consubstanciada em leis, por exemplo, que os podem por a trabalhar até 60 horas por semana. Ou o exemplo mais abstruso da escravatura legalizada e de como a família pode ser mandada às malvas. Mas a questão é que as famílias indígenas, continuam a comer pouco, e mais grave, para além de calar, gostam de repetir, e por isso não admira que os meninos vão sendo coisa rara e essa caca do socialismo de rosto humano, pareça de pedra e cal. Tudo tão legal, é certo, mas quero aqui lembrar aos teóricos destas coisas, que no fascismo se trabalhava legalmente 48 horas.
Pois é!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"Fortunate son" ou todos pelo Haiti




Multiplicam-se as ajudas e as acções de solidariedade com o povo do Haiti. Não será um pouco tarde? Por não termos pensado noutros pormenores que bem poderão entardecer ainda mais uma questão fundamental.
Esta: se pensarmos que Cuba, um país pobre, menosprezado e boicotado, enviou 300 especialistas de saúde ao mesmo tempo que a “grande pátria das liberdades e da democracia” enviou cerca de 10.000 soldados.
Mas claro que estamos solidários, quanto mais não seja para lavarmos a consciência.
Entretanto, os cinco anti-terroristas cubanos presos nos States enviaram uma mensagem de solidariedade para com o povo do Haiti.

Almeidas avant-garde


foto:internet

Foi em Lisboa que surgiu a designação de “almeida” para os varredores da rua e outros trabalhadores da limpeza porque a grande maioria, senão todos, seriam naturais de Almeida, vila fronteiriça do distrito da Guarda.
Já a expressão “Alma até Almeida” evoca, ou homenageia, a importância daquela vila e a valentia das suas gentes na defesa contra as incursões castelhanas e, bem mais tarde, na expulsão dos franceses.
E porque carga de água me lembrei de Almeida? Porque, via blogue “Outra Margem” do meu amigo Agostinho, fiquei a saber que os "almeidas" da Figueira da Foz melhoraram substancialmente a qualidade do seu trabalho, só não sei se foi com recurso a quaisquer novas tecnologias de ponta ou coisa parecida.
O que parece é que, sobretudo na rua da Liberdade, as folhas caídas das árvores já não se acumulam e as ruas já são bem limpas.
Ora bem.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Olh'órçamento


De que o país não fica sem orçamento, uma vez que os partidos que nos têm governado, ou à vez ou em duo, sempre estiveram de acordo nas grandes opções, não haverá grandes dúvidas. Nem pequenas.
As peudo-discussões e pseudo-reuniões solenemente anunciadas na comunicação social é para darem um ar de discordância, de que há até alguma divergência e tal, porque é sabido que a Direita se vai refastelando com a governação do PS. Está bem que CDS e PSD estejam um bocadinho atoleimados, mas só porque o “ps” lhes ocupou o espaço.
O certo é que, com queijo ou sem queijo, o regabofe vai continuar.
A única nota positiva é que toda esta discussão já forneceu uma frase para a estória. Aqui vai ela.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Angola,0 - Ghana, 1


O futebol é assim. Nem sempre ganha o melhor.
Mas valeu a pena. Os "palancas negras" estão de parabéns. Sairam de cabeça erguida, com a consciência de quem deu o que tinha para dar.
Faltou aquilo que normalmente se designa por "sorte".

Hino do CAN 2010




Curiosíssimo: em português. E esta, hein?

Só pr'a contradizer... I gotta feeling..

CAN: Angola - Gana, um jogo histórico



O jogo de hoje frente ao Gana a contar para os quartos de final da CAN poderá ser uma partida histórica para a selecção.
Em caso de vitória seriam atingidas as meias finais de uma prova internacional pela primeira vez. Não é fácil se tivermos em conta que o Gana é uma selecção com pergaminhos na prova, contando com 4 vitórias nas 26 edições disputadas e que Angola só na última edição - a quarta em que participava - , em 2008, ultrapassou a fase de grupos, sendo eliminada pelo Egipto, que viria a vencer a prova, nos quartos de final.
E o seleccionador, o português Manuel José, não tem tido vida fácil. Nos 3 encontros da primeira fase só por uma vez efectuou uma substituíção por motivos tácticos, tendo sido as outras devido a lesões.
Angola já merecia um pouquinho mais de sorte. Pelo menos no futebol.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Irra!!!

O meu desalmado Sporting está sempre a põr-se a geito.
Desta vez alguém lhe desenhou uma nova camisola.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Um jovem artista

O Pedro é um jovem. Que gosta de fotografia. E que fotografa. No próximo dia 28, às 16h00, no Núcleo Museológico do Mar, em Buarcos, inaugura a sua primeira exposição.
Seria legítimo, portanto, pensarmos estar na presença de um jovem promissor, minimamente competente, com jeito para a coisa. Mas seria, também, um puro engano.
Porque Pedro Cruz é um talento. Só assim se explica como o co-autor do blogue "Outra Margem" consegue carregar de sensibilidade, de sentido, o mais banal alvo da sua objectiva.
"Recortes da Aldeia", uma exposição a não perder.


"Gaivota" (foto: Pedro Cruz)

Estranhos e constitucionais critérios



A hipócrisia dos governos “democráticos” não tem limites. Os Estados Unidos colocaram recentemente Cuba numa lista por eles elaborada de países patrocinadores de terrorismo. Que os americanos façam o que lhes dá na real gana, sempre foi assim. Mas o que causa consternação é que outros países igualmente “democráticos” limitam-se a dizer ámen. Tipo mordomos do império, como foi o caso de Durão Barroso acerca das armas químicas do Iraque. Mas compensou, pois foi promovido.
O que acho mesmo deprimente são os critérios quer dos americanos quer dos seus fiéis vassalos para defenir terrorismo. Ainda agora, no estado em que o Haiti está os EUA vão enviar mais 4000 soldados. É mesmo do que o Haiti precisa.
Quer dizer, se um governo for obediente, se se colocar de cócoras, mesmo que seja constítuido por bandoleiros passam imediatamente para o rol dos países “democráticos”, mesmo que lá esteja devido a um golpe de estado contra um governo democraticamente eleito, como o caso recente das Honduras. O narco-traficante Uribe é outro exemplo.
O silêncio sobre o que se passa em Angola, com a aprovação da nova constituíção que tem por objectivo a eternização de Eduardo dos Santos no poder também é paradigmático. Sabe-se que quer ele quer a sua filha, Isabel dos Santos, são sócios de muitos magnatas ocidentais, muitos dos quais portugueses. Garantia de estarem sempre ilibados façam o que fizerem. Serão sempre considerados “democratas”.
Em Angola, até acabam de inventar um novo conceito: “engenharia constitucional”.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Fidel, os “américas” e o Haiti


O triste papel desempenhado pelos americanos no Haiti, cuja “ajuda” mais visível foi a imposição militar com a tomada do aeroporto de Port-au-Prince, está bem à altura do seu habitual e bélico comportamento. Terão medo que os haitianos tomem nas suas próprias mãos o seu destino? É cruel pensar nisso, agora que eles não estão noutra situação que não serem ajudados. Também não sabemos, diga-se, se os haitianos terão ou não armas de destruição massiva, pois o presidente da comissão europeia que costuma saber estas coisas "fechou-se em copas" e não nos disse absolutamente nada.
Mas duma ajuda coordenada por George Bush ninguém esperaria outra coisa, a não ser o cinismo do campeão dos democratas, Obama, que o nomeou.
O comandante Fidel, cujo país tem sido inexcedível na ajuda humanitária (e que também precisaria de ajuda, quanto mais não fosse o fim do boicote), alias como não nos é dado ver na imprensa ocidental, num artigo recente, escreve que no Haiti “se coloca à prova o quanto pode durar o espírito de cooperação antes que prevaleçam o egoísmo, o chauvinismo, os interesses mesquinhos e o desprezo por outras nações”.
Referindo-se ao aquecimento global, o velho comandante escreve que “uma mudança climática ameaça toda a humanidade e que aquele terramoto apenas três semanas depois, lembra-nos o quão egoístas e auto-suficientes nos comportamos em Copenhaga”.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Angola e a CAN: utilidade para os estádios


Angola decide hoje, frente à Argélia, o apuramento, ou não, para os quartos de final da CAN. Basta um empate para os pupilos de Manuel José, mas sempre será melhor o primeiro lugar no grupo para evitar a Costa do Marfim. O jogo é já daqui a nada, 16h00 tmg.
Entretanto surgiu uma ideia para dar um sentido ao Estádio “11 de Novembro”. Isto é, para que os novíssimos estádios não fiquem às moscas como alguns em Portugal, nomeadamente o de Aveiro, em que até foi aventada a hipótese de demolição.
A ideia até é muito boa. Falta saber se terá concretização, ou feed-back por parte de quem de direito.
Defende a criação de um Museu Nacional do Desporto, nos “generosos espaços” do Estádio "11 de Novembro”. Pensam os autores da ideia que ela traduziria novas opções culturais, e, de qualquer maneira, seria uma boa utilização de um espaço com capacidade para 50 mil pessoas que estaria, ou está salvo medidas como esta, condenado a transformar-se num elefante branco.