quarta-feira, 31 de março de 2010

Paulo Portas, José Sócrates, Goucha... e os padres

Augusto Alberto


"Dona Alice, Paulo Portas é Presidente de que Partido politico? Cds/pp, Partido Socialista ou Bloco de Esquerda?" …uma longa pausa e o Luís Goucha na falta da resposta, volta à pergunta. Então dona Alice, de que partido é presidente Paulo Portas? E a dona Alice e o silêncio. Dona Alice, não vê TV? E a Dona Alice, lá disse, não sei. Não sabe dona Alice…Talvez a segunda, disse a dona Alice. E o Goucha, aflitíssimo, porque sem querer, viu que levantou o tição da santa ignorância que nos queima. Então dona Alice, e o José Sócrates, é presidente de que partido? …do lado de lá do telefone, na sua cristalina voz, a dona Alice, disse: - apesar de ver TV, não sei. E o Goucha: - então dona Alice, não sabe quem é José Sócrates?
Dona Alice de facto, aparentemente, não sabe de nada. Mas eu não quero acreditar. Talvez saiba que vive com poucochinho, mas sempre dá para o safanço e nos intervalos das misérias aproveita para ver o programa da manhã do Goucha, e ainda arranja tempo para entrar nos jogos boçais com que se fazem os programas matinais. E desta vez, ainda por cima, teve de suportar o grito do Goucha. : - perdeu dona Alice, não ganhou o prémio. Foi uma pena D Alice, rematou. Dona Alice afinal carrega desde sempre este estigma e fardo. É uma perdedora. A dona Alice, e muitas outras donas e muitos de nós. Contudo, ainda acredito que a dona Alice, saiba de outras coisas, ainda que poucochinho, e siga outros conselhos. Talvez saiba onde é a Igreja da sua paróquia, mas não saiba, porque pouco sabe, que os padres da igreja de Roma gostam de meninos de pele de veludo.
Esta dona Alice, é preciso dizê-lo, vive no distrito de Braga. Braga onde há meia dúzia de dias o povo saiu à rua por uma causa. Zurzir no conselho de disciplina da Liga de futebol profissional, a propósito das severas penas aplicadas aos jogadores de futebol do Sporting de Braga, impedindo-o de utilizar as melhores armas na luta pelo titulo do foot, que em Maio fará do time das águias da capital, a coisa mais importante da pátria. Não sei se por lá esteve gente que sabe o que são paupérrimos salários, precariedade e desemprego, e a esse propósito, se alguma vez veio à rua. Se calhar, antes pelo contrário. Mas provavelmente tivemos ali gente que pela semana santa, suporta um andor ou segura no palio que resguarda o senhor cónego, que lhes dirá, em momentos muitos especiais, que para manter os cordeiros de deus no redil e esperar pela redenção no céu, é preciso votar no partido do senhor padre, ainda que esta dona Alice não saiba, na terra, quem são politicamente Paulo Portas e José Sócrates.
Mais uma vez ficamos a saber que aquilo que une muitos de nós é muito pouco e que o braço da ignorância é longo, ao jeito dos desejos dos poderes temporais e religiosos. Aliás, coisas assim, já eu tinha visto há mais de 40 anos. Como tudo, afinal, é tão certinho nesta Pátria tão amada.

terça-feira, 30 de março de 2010

Hulk e a incrível justiça dos tugas


Não faço a mínima ideia do que motivou a “dirigência” desportiva portuguesa a castigar “exemplar e ineditamente” os jogadores Hulk e Sapunaru do FC Porto e Vandinho, do SC Braga.
O que sei é que, no caso de Hulk, conseguiram condicionar a escolha do plantel brasileiro com vista à disputa do mundial da África do Sul, uma vez que o atacante do FC Porto tinha feito, até então, parte das escolhas de Dunga. Quanto ao médio dos minhotos não faço ideia se estava ou não nas cogitações do seleccionador canarinho, mas seria sempre uma hipótese a considerar, uma vez que era parte importante de uma equipa de um clube que está a fazer a sua melhor época de sempre.
De qualquer maneira, e reconhecendo que o seleccionado português não tem nada a ver com isto, este aparecerá no sul de África fragilizado. E uma derrota frente aos brasileiros terá sempre o sabor de uma auto-humilhação. E com a certeza de que lá estão graças a um golo de um cidadão brasileiro. É chato.
Por muito xico-espertície que norteie o dirigismo desportivo português, faço votos para que não consiga impedir o hexa.
E, já agora, se o dirigismo português fica com a consolação de ter sido decisivo no campeonato indígena, eu desejo, no mundial, uma final sul hemisférica. Mas com hexa, claro.

Democracia orgânica: uma nova versão



A propósito de um novo programa de comentário político na Rádio Maiorca lembrei-me dos tipos de democracia praticados quer por Pinochet quer por Salazar. Ambos adoravam falar de democracia, embora tendo perspectivas e concepções supostamente diferentes da dita. Se um era apologista da democracia representativa, o outro era da democracia orgânica. Se os leitores deste blogue lerem o “Mein Kampf” também lá irão ler conceitos sobre democracia. Ora a minha concepção, bem como as minhas perspectivas, são muito diferentes de qualquer dos três ilustres sacripantas acima citados.
Não serão diferentes as concepções e perspectivas dos senhores da Rádio Maiorca. Conseguem fazer um programa de debate político, ou comentário ou qualquer coisa desse género, sem a presença de uma opinião quer da CDU, representada no poder autárquico figueirense, quer do CDS, uma força que, goste-se ou não se goste, já esteve representada na vereação.
Não é admiração nenhuma, diga-se de passagem, embora queira aqui deixar o registo, pois sabe-se que a comunicação social, seja a nacional, a regional ou a local, está em muito ”boas mãos”.

domingo, 28 de março de 2010

O sítio dos desenhos - 3º aniversário

O blogue "O Sítio dos desenhos" editado pelo artista Fernando Campos completa hoje o 3º aniversário. Aqui ficam os parabéns, não só pelo aniversário mas também pela qualidade patenteada ao longo deste tempo.

Do PEC e de outras tretas

A constante alternância de poder no PSD é um sintoma de fragilidade dos sociais-democratas. A política natural do partido laranja está a ser muito bem executada pelos “socialistas” , transformando-o, não no maior partido da oposição, mas no segundo maior partido de direita.. Não têm, por isso, espaço político, por muitas divergências que tentem inventar com o “ps”.
Vimos isso na aprovação do Código de Trabalho, “rectificado” logo que os “socialistas” chegaram ao poder. Vê-se agora com este famigerado PEC, viabilizado pelos sociais-democratas pela simples razão que não podiam tomar outra decisão. Banqueiros, sucateiros, grandes gestores de grandes empresas, qualquer um que não trabalhe, foram quem mais ficaram contentes com estas decisões políticas. E enquanto confiarem no “ps” o papel do PSD será sempre secundário, porque, pelos vistos, menos “competente”. As reticências, poucas e envergonhadas, são areia que nos atiram para os olhos. Foi com os “socialistas” no poder que os lucros da banca, das pt’s, das galp’s, o desemprego, a deterioração da qualidade de vida das classes que produzem aumentaram para índices indecentes.
A direita está e sabe estar unida. Basta vermos o “volte-face” do mandarim do jardim, agora ao lado do grande líder da direita, mesmo se for contra os laranjas, como ele próprio diz. Mas haverá sempre um prémio de consolação para os laranjas, para além dos dois maiores partidos de direita serem dirigidos por produtos JSD, como relembra o meu amigo Agostinho. Esse, estou em crer, será a Presidência da República. Daí aparecerem um, dois, ou mesmo três, candidatos da área xuxa. Assim quase se garante a reeleição de Cavaco. Ficam todos contentes. Já há figurantes como Manuel Alegre ou Fernando Nobre. Aparecerão outros, pelo que se diz. Ainda haverá outro candidato soarista, que, digo-o já, se for o que se fala não me admiraria de todo.
Ainda não me referi às presidenciais. Também ainda é muito cedo e não embarco em manobras de diversão. Mas sempre vou adiantando alguma coisa: a menos que me apareça a fronha de um camarada meu no boletim de voto, vou experimentar um de dois sentidos de voto que não conheço: a abstenção ou o voto branco. Tenho ainda outro, o voto nulo, mas que por razões de feitio não utilizo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Entendamo-nos


Quando Sócrates diz que no “ps” as coisas se debatem em “ambiente de liberdade e unidade” ou está a mentir ou a chamar mentirosos a correligionários seus ou, ainda, a fazer de nós parvos. Porque, segundo nos é dado ler nas notícias, há “pesos pesados” do governamental partido que não concordam com o tal de PEC e das privatizações obsessivas.
Entendamo-nos.
E quando alguns dos seus apaniguados, também “pesos pesados” do governamental partido, dizem que o chefe prossegue uma “politica de resultados”, face ao que está à vista parece que estão a fazer de nós parvos. Há qualquer coisa que não bate certo.
Entendamo-nos.
Quando os xuxas dizem que o PEC não é uma imposição externa, sendo antes uma condição para o crescimento económico, deveriam ser obrigados a contar com a minha compreensão lenta, minha e possivelmente de muitos cidadãos, lentíssima no meu caso, pois não consigo perceber muito bem de quem será o crescimento económico.
Entendamo-nos.
Quando Francisco de Assis diz que não pode contar com a Esquerda e que o “ps” "faz parte da Esquerda séria e responsável, realista e exigente, e que não tem medo de mudar a realidade” apetece-me igualar o nível, mas só o consigo imitando o velho Almada, sem o nível deste: “se o “ps” é de Esquerda, eu quero ser nazi”.
Mas, vá lá, a Francisco de Assis fugiu-lhe a boca para a verdade. Um descuido toda a gente tem: “Se olharmos para todos os outros governos, temos que concluir que fomos mais longe, fomos melhores e tivemos uma política com mais sucesso”, concluiu. Ah, leão.
Assim, sim, a gente entende.se.

domingo, 21 de março de 2010

Salvar o Tâmega e os seus afluentes - PETIÇÃO PÚBLICA

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No dia Mundial da poesia

A tua mão Poeta

A tua mão poeta
atravessou os oceanos até mim

A tua mão poeta
encontrou-me sentado na ilha África
levantada no coração de Lisboa

A tua mão poeta
partiu de mim para mim pela tua voz
pela voz angustiada da meia-noite nos muceques
pela tua voz ritmada das enxadas
nos terrenos adubados pelo sangue da sujeição
pela tua voz milhões de vozes fraternidade
amor
situadas para lá das algemas para lá das grades
sempre livres sempre fortes sempre grito sempre riso

A tua mão poeta
um poema de amor
escrito com os cinco dedos de África
sobre a ânsia humana de amizade e paz

A tua mão poeta
sonorizando o batuque liberdade
entre as cubatas escravas da vida

Tenho-a na minha mão
e através dela
oferto-me à nossa África


Agostinho Neto

sábado, 20 de março de 2010

A ver vamos...


cartoon daqui

"O humor é uma tentativa para libertar os grandes sentimentos da sua parvoíce"
Raymond Queneau

sexta-feira, 19 de março de 2010

A “coisa” complica-se

O “ps”, como aqui já escrevi por mais que uma vez, tem uma maneira muito especial de exercer o poder. É um “vê se te avias”, estilo tipo “ fartar vilanagem enquanto aqui estamos”.
Vai ganhando contornos fascizantes e assim não admira o estado a que isto chegou e que, pelos vistos não fica por aqui. São prémios de boys em cima de prémios de boys, e mais do que a gente sabe…
É mais notório nas instituições do Estado, o que traduz bem a confusão estabelecida entre o “ps” e o estado. Confundem-se. Uma espécie de ”O Estado sou eu”. E o Estado enquanto for o “ps” não dá respostas nenhumas a ninguém. A não ser aos seus donos. Porque a palavra de ordem é sabotar o que é o “Estado”. O “ps”, ou esta ordem económica que está na moda da qual os xuxas são o seu expoente máximo.
É grave, é deprimente. Já nos está muito caro e não ficará por aqui. Isto é só um exemplo.

A língua portuguesa é muito traiçoeira. E a vírgula?

Da campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa)


Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.



Detalhes Adicionais:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.


* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...


quinta-feira, 18 de março de 2010

A crise não existe, é estratégia de classe


Que há linhas de força fascizantes na prática política do “ps” penso não haver muitos que tenham dúvidas.
Já não vale a pena falar do código do trabalho, da situação de quem realmente produz, do desemprego, da desvalorização do trabalho e do endeusamento do lucro, do estado em que o Estado está, dos lucros fabulosos da grandes empresas e dos também fabulosos ordenados e prémios dos que melhor servem a confraria em tempos, dizem eles, de crise. Que pelos vistos não existe, é mais uma estratégia de uma opção de classe, para melhor imporem as políticas que querem e têm levado a cabo sem grandes oposições e sem provocar uma capacidade de indignação que as pessoas realmente têm, mas que está adormecida. Trágico, ou tragicómico, é que a situação começa a ter contornos incontroláveis.
Esta de não reconhecerem ao poder local a legitimidade de escolher, ele próprio, a sua toponímia é de bradar aos céus.
Tão imbecil, tão imbecil, tão anti-democrática, tão anti-democrática, que só pode ser mais uma manobra de diversão.
E mesmo as manobras de diversão costumam, supostamente, ser um pouco inteligentes. Agora com estas contradições é preciso muita pachorra para aturar esta cáfila.

terça-feira, 16 de março de 2010

Americam dream revisited



O famoso american dream está a tornar-se cada vez mais um pesadelo.
O desemprego está a subir vertiginosamente, sendo já 15 milhões o número de desempregados, só em Nova Yorque são 40 mil os sem abrigo e 25% dos total dos presos de todo o mundo estão em cadeias norte-americanas. O que, para mim, são violações sérias, e graves, dos direitos humanos.
Já há contestações populares a este democrático “paraíso” em vários estados do país. A notícia não chega às manchetes nem aos grandes ecrãs. Mas sabe-se que democraticamente” a polícia atacou e prendeu algumas centenas d0s estudantes e desempregados que se manifestaram exigindo emprego, não prisões.
Os dirigentes destas manifestações dizem que a luta pela educação e o emprego se vai intensificar.
O capitalismo já, aliás desde há muito, não consegue resolver problemas absolutamente nenhuns. Antes os inventa.
Mais aqui.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Naide Gomes: medalheiro completo


Com o título de vice-campeã nos mundiais de pista coberta Naide Gomes junta a medalha de prata à de ouro de 2008 e à de bronze conquistada em 2006.
Para compor a prateleira das medalhas Naide tem ainda uma de ouro nos mundiais de 2004 no pentatlo. E os títulos de campeã europeia em 2005 e 2007.
A atleta, que mesmo assim ficou a escassos 3 centímetros do lugar mais alto do pódio, dedicou mais esta boa prestação ao seu treinador que insistiu na sua participação apesar do atraso na preparação.
Num país como o nosso, que tem o desporto que tem, é obra. Lá vão aparecendo , de vez em quando, uns atletas de eleição, que nos vão mitigando as tristezas.
Porque os Lopes, as Rosas, as Fernandas, os Évoras, os Silvas e outros não aparecem por geração expontânea todos os dias.