sexta-feira, 31 de maio de 2013

Parece que... é óbvio!!!

27 de Junho, greve geral


A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses-Intersindical Nacional convocou para 27 de Junho uma greve geral. 
Razões há muitas, infelizmente. O estado a que isto chegou é uma delas.

"Galopinar"*

Augusto Alberto



A vida vai bela, por isso já nada se sussurra e tudo se escancara. Não é de estranhar, pois, que a corja tenha perdido a vergonha e tenha dito comam sopa! a uma mãe desempregada, com uma pensão de 240 euros, e ao seu filho, com um abono de 90, ambos epilépticos, e que paga de renda 250 Euros. Quando a há! Grita a mãe. Quando o filho chora, a mãe não sabe se é da fome ou de nova crise de epilepsia. Moída, só sussurra palavras de amor, porque por sorte, as palavras de amor, não se servem no prato.
Em conformidade com o espavento, não admira que a maioria socialista da Câmara Municipal de Braga tenha aprovado, com a abstenção da direita (é o fim da picada), a construção de uma estátua para recordar o cónego Melo. Para os esquecidos e os mais novos, é bom indicar que o cónego foi dos mais brilhantes caceteiros da direita no norte de Portugal, associada ao assassínio de um jovem padre com preocupações sociais e da sua companheira de viagem, numa altura em que Manuel Alegre e Mário Soares, percorreram o norte, em comunhão com o cónego, mais os arruaceiros organizados no MDLP e no CDS, no sentido de mobilizar outros padres, analfabetos, MRPP (s) e outros (ml’s), para puxar o sino, para dar inicio à algazarra e à caça aos progressistas.
Não admira, pois, que hoje, ao preparar o pós PPD/PSD-CDS/PP, a direcção do Partido Socialista, coloque no horizonte, um governo com o mesmíssimo CDS, que foi intrínseco da traulitada. Nesse governo, sem esconjuros, evidentemente, Paulo Portas, sucederá ao velho Paulo Portas, num governo liderado pelo partido socialista, chefiado por António José Seguro.
E agora que escrevo para o fim, é com coragem, mas em sussurro, para não ofender os mais sensíveis, que vou falar do que há dias atrás. Por consciência, mesmo sabendo que vão ser os abutres do Partido Socialista quem vai capitalizar o descontentamento orgânico mais o benigno, deixei de ver a final da liga dos campeões, entre teutónicos, para marcar presença na grande manifestação da CGTP-IN, em frente aos portões do Palácio do “Presidente”. O P.S. não é de ruas, como provei, a não ser que venha atrelado e silencioso, à corja tramontana, como no antanho. Contudo, enquanto algum povo luta, o P.S. não deixa de “galopinar”. Já lá vem, montado na rábula do voto útil. Voto útil, sim. E para que se quer o voto útil, Rogerinho? Ora para que se quer o voto útil! Quem sabe, para que Portas suceda ao velho Portas.
Aqui sentado em frente do meu computador, batendo nas teclas, atrevo-me a dizer que os verdadeiros amigos podem tardar, mas nunca se esquecem. Lá do alto, olhando os dias que correm em baixo, o Cónego Melo, súplica, para que à sede do Largo do Rato, cheguem os votos estritamente necessários, que permitam nova dupla assassina.



     * Galopinar - O acto de no dia das eleições, as pessoas influentes dos Partidos do arco do poder e da rotatividade, o regenerador e o progressista, (fidalgos, regedores, padres, médicos, boticários, e demais caciques), irem, porta a porta, arrebanhar os votos dos eleitores. Isto foi no fim da monarquia, contudo cacicar, continua ser a tarefa brilhante de uma vida. Não é Portugal?

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Um drone no Porto da Figueira da Foz

Esta manhã o Porto da Figueira da Foz foi sobrevoado por um drone. Nada de pânico. Estava munido de uma câmara para filmar um carregamento de peças acabadas de construir nos Estaleiros Navais do Mondego. As peças são para a montagem de um tanque de etileno e o seu destino é a Noruega. Estão a ser carregadas no navio Wilson Goole, de bandeira maltesa e agenciado pela Eurofoz.



fotos: alex campos (by telemóvel)

O poder na sua forma mais pura

Augusto Alberto 

O apogeu da patetice. Ou as coisas são atávicas e pronto! Isabel Jonet, que revelou uma atracção pela celeste caridade, na sequência da pobreza, vai no dia 10 de Junho do corrente ano fazer o laudo aos soldados mortos na guerra colonial, a convite da comissão organizadora das comemorações do dia 10 Junho.
Um convite e distinção, em linha com o país dos lorpas e das açordas, não a que se designa por cozinha “grumet”, mas a que substitui a carne e o peixe, como nos velhos e novos tempos do latifúndio e da praça da jorna. Ou já nos esquecemos? Eu também poderia enfileirar na longa lista dos mortos da guerra, contudo, por alguma arte e sorte, fiquei longe dos lugares de batalha, diminuindo a probabilidade de me colocar em numerário. Embarquei no Boeing, a cheirar a novinho, no dia 21 de Fevereiro de 1972, com destino à Beira e de lá, fui posto em Nampula, de onde não sai durante os 24 meses, depois de fintar o lugar original, em Palma. Regressei, inteirinho, no mesmo avião, no dia 24 de Fevereiro de 1974.

De todo o modo, no equipamento que me foi destinado estava a chapinha de identificação, para o caso da morte. Esse foi o período voraz, do ponto de vista militar, e a seu propósito Kaúlza de Arriaga escrevinhou um livro, amplamente divulgado em Moçambique, mas pouco comprado, em que teve a coragem de assumir, então, a perda da guerra, dada a distensão dos factos no terreno. Mas essa é questão que para aqui não interessa. Aqui, desejo reflectir em como poderia ser um dos gloriosos soldados a ter dado a vida pelo império. E como no sossego, passados 40 anos, reagiria às palavras de circunstância da Isabelinha. De pronto, achei a resposta. Subiria ou desceria, conforme o meu repouso fosse na terra ou no céu, e colocar-me-ia por detrás da Isabelinha, devagar, muito devagar, não seja ela mulher assustadiça, e dir-lhe-ia ao ouvido, suave: “Gosto em ouvi-la, Dona Supico Pinto. O seu Movimento Nacional Feminino, continua um emblema. Belíssimo e sentido laudo. Muito obrigado!” .
Evidentemente, não sei como a Isabelinha reagiria. De todo o modo, sei pelo menos uma coisa. São os fingidos, os filhos e os netos do fascismo, apesar dos cravos, quem por cá continuam a mandar.

Como Salman Rushdie, a propósito do devastador desastre de Bhopal, acabo, com a mesma certeza que ele tem do poder. No seu caso, do grande império Americano, no meu caso, no da corja e dos sacanas… “é o poder na sua forma mais pura…não o vemos”,  - no caso da Índia, (aqui, só por cegueira, adormecimento, preconceito e patetice, é que não queremos ver),- mas ele fode-nos completamente.

domingo, 26 de maio de 2013

Limpinho, limpinho, limpinho


Uma manifestação patriótica

A única atitude patriótica e democrática que o governo pode tomar é demitir-se. Poderia, poderia. Se fosse, e quem o apoia, patriota e democrata. Mas, e infelizmente para quem trabalha, outros interesses se sobrepõem.



Fotos: Carlos Fonseca

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Vantagem moral e social


Augusto Alberto

 
A escrita de João Ubaldo Ribeiro é das melhores das Américas. Ubaldo Ribeiro, é Prémio Pessoa. Viva o Povo Brasileiro, é a obra principal. E no romance “O Feitiço da Ilha do Pavão” atinge o píncaro do hilariante, com a cena que descreve a noite em que se dá por achado o feitiço, porque o mestre de campo, Borges Lustosa, se deslocou à casa paroquial para dispor do padre Tertuliano, posto a quatro, contudo, imprevidente, o segredo ficou na boca do índio Balduíno, meio escravo mas de boa prosápia e melhor colhimento, à força manter o segredo e viver os restos dias na abundância.
Garcia Marquez e Jorge Amado são de outra paisagem. De cariz urbano. “Amor em tempos de cólera” e “Quincas Berro D’água”, devem ser lidas, porque falam do amor, no primeiro, sereno, no segundo, desbragado.
Também me agrada a escrita de Vargas Llosa, prémio Nobel da Literatura e lapidado reaccionário. Llosa, bem tenta mas não consegue desenhar um quadrado fora do círculo. Tanto denuncia o liberalismo selvagem como de seguida se enredar na volúpia do preconceito e afronta a história, porque espera que se auto regenere. O seu “Sonho do Celta”, é contudo um bom romance.
Roger Casement, irlandês e cônsul britânico, leva quase toda a sua vida a denunciar, na passagem do século XIX para o XX, as atrocidades da escravatura sobre negros e índios, tanto em África como nas Américas. Sobretudo no Perú. Foi vítima do seu impulso humanista e libertário, a favor da causa irlandesa. É enforcado pela coroa britânica, por traição e também por intolerância homofóbica.
Entretanto, apesar de estarmos num tempo em que parece impossível, de sopapo, chegam novas notícias da escravatura. Informa o Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, que, durante o ano 2012, 2.849 trabalhadores foram resgatados de situações análogas às dos escravos no século XIX. Um aumento de 14% face ao ano de 2011. Os escravos chegam predominantemente, da Bolívia, do Perú, (ainda!), do Paraguai e do Haiti. Será desejável que alguém decida usar o computador e aproveite este material abundante, e escreva sobre a escravatura do século XXI, à moda do século XIX, ainda por cima, se essa escravatura ocorre num dos países de maior crescimento no conjunto da economia global deste século?
De todo o modo, mesmo que fiquemos somente pela notícia, há um lado que me fascina. Ali por perto, em Cuba, não existe o material abundante, que aqui se descreve, provando afinal, em como a Ilha, apesar de pobre, leva vantagem politica, social e moral. Pois é! O preconceito é tramado. Tanto pode dar para ficar à mercê do diabo, como para ficar em posição de 4, como sucedeu ao padre. É a vida.

O terrorismo compensa?


O desconhecimento da História pode acarretar custos inimagináveis. Sabe-se que o 25 de Novembro foi a partida para o restabelecimento dos interesses instalados antes do 25 de Abril de 1974. O processo é lento, claro, por muitas e variadíssimas razões que agora não vêm ao caso. Mas uma delas será para não dar muito nas vistas.
Já assistimos à condecoração de "pides", à recusa de uma pensão à viúva do Capitão Salgueiro Maia, para não falarmos do "airoso" restabelecimento das absurdas condições sociais que então vigoravam.
Acrescente-se a situação do país, transformado num protectorado.
Faltava a cereja no topo do bolo dos indigentes ocupacionistas que nos governam. Ela aí está, na forma de uma estátua a um dos terroristas mais emblemáticos que a Direita portuguesa pariu.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Canteiro centenário com flores murchas


Augusto Alberto

Canteiro centenário, com flores murchas, mas nem sempre foi assim. Rogério Neves, no seu “Marcha do Vapor”, enfatiza a Associação Naval 1º Maio, com uma belíssima fotografia do aniversário de 1960. Sem esperança em reverter a História, inclino-me a dizer que a década de 60 do século passado marca o tempo que iniciou a perda do seu próprio pé. Logo na modalidade fundadora. Perdeu lastro técnico, físico e sobretudo material. No ano de 1993, fui convidado a escrever um texto para ser publicado no jornal comemorativo do centenário, que causou perturbação e esteve quase a ser riscado com o lápis azul. Contudo, apesar do desconforto, prevaleceu o bom senso. Nele, adivinhei as coisas e apontei as causas. Os factos comprovam as apreciações. Não há como negar as evidências. Insisto e podem-me chamar cruel. Os principais responsáveis pelo grave estado de astenia da Associação são exactamente os seus mais eméritos e qualificados sócios. Muitos tiveram, em tempo oportuno, a noção da desgraça, mas, sem se perceber, acantonaram-se e ajustaram, e por isso, têm especiais responsabilidades.

Far-se-á em breve o resistente almoço dos antigos remadores e timoneiros e não creio que se faça como habitualmente, a romagem ao túmulo do António Cachola. Cachola, absolutamente, já nada diz. Mas, no passado dia 30 de Abril, inopinadamente, fui convidado a estar presente na ceia dos 120 anos. Para evitar a deselegância, aceitei. E ainda bem. Estando por dentro melhor se percebe a inquietude. Exangue celebração. Nem uma autoridade civil nem desportiva. Nem o Presidente da Comissão administrativa. Nem o Presidente da Assembleia-Geral. Nem um vero registo da notabilíssima História.
Assim, e porque da História nada sabe, e porque o papel de direcção flutua, um jovem que chegou à Figueira, já com o barco adornado, fez-se mestre-de-cerimónias e convidou o que lhe pareceu razoável, o treinador da equipa de futebol e o médico, para falar aos presentes. Para acabar, já no dia 1 de Maio, o hino, melancolicamente ouvido. Nesse momento, desejei ter presentes, a meu lado, os meus três tios-avôs, fundadores da Associação Naval 1º de Maio, que estão no registo fotográfico colectivo que sublinha o facto, para lhes pedir para perdoarem a quem não soube o que fez.
Será assim tão difícil de entender que o futebol profissional é um drama de faca e alguidar e, simultaneamente, um poço sem fundo, a quem já tudo foi dado? Terrenos no valor de muitos milhares de escudos ou euros, bingos, bombas de gasolina, dinheiros autárquicos e “cães” feitos no BPN? Tudo é engolido.
No caso da Associação Naval 1º de Maio, devorou-a até às entranhas. Está na cara! E agora? Quem ficará para fechar as luzes e as portas? Ou será que uma guinada no leme, ainda a pode colocar entre bóias?

Há remédio para tudo, ou quase

(..) É possível que, tal como previu o Dr. Mexia, da EDP, o PIB nacional venha a sofrer ainda mais com o campeonato perdido pelo Benfica. Mas, quanto a isso, há um remédio fácil: basta que o Dr. Mexia e a EDP baixem as tarifas abusivas de electricidade que cobram às empresas e às famílias, e a economia poderá levantar a cabeça e o PIB também. Mais difícil do que isso é o Benfica perceber como é que perdeu três títulos nacionais para o FC Porto em apenas três dias." (...)

Miguel Sousa Tavares, in "A Bola", 2013/05/21

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Césares


Augusto Alberto


Por S. Jorge, gritaram os comandantes do Condestável  e o comando da ala dos namorados, dando início ao encontro fratricida, com os castelhanos. Por S.Jorge, respigou Cavaco, como se por si, chegasse a felicidade da vitória e a abundância. Só que desta feita, há uma especial diferença. O nosso inimigo não é Castela, mas um conjunto de Césares, contemporâneos reis do dinheiro, escondidos em sítios que nem imaginamos, nem nos nossos piores sonhos. Aliás, a Península está em oceano picado e sem bússola. Perdida e à rola. Mas não só a Ibérica. Também a Itálica.
Por isso, não é sério apontar o 25 Abril e o Gonçalvismo como culpados dos padecimentos, como para ai escrevem e gritam velhos e novos fascistas. Cavaco é uma criatura sem uma leve graça cultural. Estabeleceu um cisma com o Evangelho segundo Jesus Cristo e Saramago. Lê o que escribas do mesmo quilate lhe colocam à frente. Aliás, é um podão, porque deliberadamente se embebeda de fé, para escusar apontar os culpados dos males que um punhado de homens faz sobre muitos outros homens e mulheres, na Ibérica ou na Itálica ou em outros lugares. Cavaco deve expiar-se. Que vá ao santuário na companhia da sua Maria, de rojo, com os joelhos pelo chão, até ao círio, à semelhança de muito povo, para pagar promessas prometidas, a propósito de uma cura, esquecendo que a cura foi sabedoria da medicina e dos médicos e que a cura dos nossos muitos problemas deverá ser por conta de outras políticas.
Cavaco invoca a santa de Fátima, mas a inspiração que colhe dá-lhe para recusar afrontar os mercados. Antes pelo contrário. De canelas no chão, faz-lhes a genuflexão. Entre os mercados e o povo que o elegeu, por convicção ou por inacção, e o restante povo que não o escolheu, Cavaco escolhe os primeiros. Recusa usar os poderes e bugia ferreamente sobre a lei fundamental. Cavaco é da mesma linha de Bush.
A Bush, durante o sono, “deus” apontou-lhe o caminho da guerra. A Cavaco, para estar ao serviço dos Césares, que têm um olho no dinheiro e o outro sobre os cipaios, não vá algum recusar usar o chicote e o cepo. Verte fé a rodos, e há quem diga que agora está gagá, mas não está. Serôdio e cobarde sim, mas ainda com o arreganho necessário para nos dar de beber a cicuta que os farsantes e ímpios desejam, para além de nos ter vendido também, o carácter desideológico da vida, por contraponto ao primado fundamentalista do monetarismo, com os custos sociais associados. E agora, vejam como a factura é imensa.

sábado, 18 de maio de 2013

A União Nacional já esteve mais longe



Num dos telejornais (há pouco) ouço Assis dizer que o PS é alternativa, quando toda a gente sabe que é alternância. Depois ouço Bagão Felix defender o que toda a direita quer mas que ainda é suficientemente tímida para o reivindicar abertamente: um governo PS/PSD/CDS, ou seja, a União Nacional, em todo o seu esplendor. 
De qualquer modo eles lá vão conseguindo o retorno ao 24 de Abril sem grandes ondas, porque o povo é sereno. Basta ver o que se passa nos hospitais e escolas públicas, e no que se passa nas leis laborais, nas empresas. Bagão é ágil. Juntando os três, conseguir-se-ia uma revisão da Lei Fundamental, "democrática", o que não deixaria de ser um golpe de estado, e permitir-lhes-ia, quiçá, a ilegalização de sindicatos e partidos políticos que não sejam da "corda".
Até um dia, penso eu. O dia em que o povo acorde.

Uma nova política impõe-se... em nome da dignidade

No ataque em curso aos direitos à saúde, à educação, e também, ao trabalho com direitos, a margem de disfarce da classe ociosa que detém o poder começa a ser escassa. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A ilusão do mulato


Augusto Alberto

Na verdade, nascer, viver e morrer, é tão natural como apanhar um pifo, quer seja na festa de anos de um amigo, ou na festa do partidaço do coração. Vem isto a propósito da meteórica extinção (restará o quê?) do movimento 100%, para onde confluíram muitos figueirenses, na recusa dos partidos tradicionais, ainda que muitos tenham chegado dessas estruturas, atraídos pelo novíssimo.
Afinal, vai acabar sem que os confrades tenham apanhado o tal pifo. O gostoso sabor do poder e o contributo para fazer do concelho uma terra 100%. No final da monarquia, houve a tentativa de a regenerar, contudo, progressistas e regeneradores, sofriam da mesma morrinhice. Uma caçoada! Por isso, logo achei que o Partido “Regenerador” Democrático, (PRD), com a bênção do general Eanes, seria, na linha, uma pelintrice. Creio mesmo, que muitos figueirenses que acorreram ao movimento 100%, já antes tinham acorrido ao Partido do General.
Apesar de estarmos perante gente de fé, afinal, os vícios que esses bons figueirenses viram nos partidos tradicionais, foram levados a 100% para o movimento, como já tinham sido levados, em tempo, para o PRD. Falta de militância. Falta de líderes com classe. Perros nas ideias. Os mesmos erros técnicos grosseiros. Talvez aborrecimento. Talvez falta de pachorra para ser um génio da militância. Porque ela não se esgota na caça ao voto e em ser passante e colocar o papelinho nas mãos de outro passante. Mas, quem sabe, tenham concluído, a 100%, da necessidade de expiar a cidadania. Muita dessa boa gente, apesar de estar na cara, recusa admitir que com o seu voto, contribuiu para a corrente desgraça. Quis ser moicana, para se expiar, contudo, logo percebeu que tem muito que se lhe diga. Num ápice, pode-se ser votado à exclusão, pelos pares do poder absolutista.
Melhor será, então, não negar a origem biológica e voltar às origens. Mas não se arrelie. Há coisas piores. Por exemplo, a maluqueira de ser militante do PCP, quando se tem um garboso iate de 20 metros de comprimento e se sobe o Douro, do Porto até a Barca de Alva, adornado a um bordo, pelo peso da gostosa família e se faz um manguito à contribuição para o PPD/PSD, para o CDS/PP ou para o PS. Ou pior ainda. Ser militante de base dos partidos do arco, e ter-se a ilusão de ser branco. Na verdade, ser militante de base dos partidos do arco, é estar mais perto de ser preto, (como eu), e bem longe de ser branco. Estou a parodiar, evidentemente. Mas quem sabe, não tenha razão. Se o cidadão militante de base, ou simples votante do arco, for um dos tais portugueses que arranjou recentemente emprego, a ganhar mensalmente, 330 euros. Está a ver no que dá o xuxialismo, a xuxial-democracia ou a democraxia cristã? Em 330 euros, a 100%.