sexta-feira, 7 de junho de 2013

José Seguro e o seu novo clube


Augusto Alberto

Seguro vai com Portas ao covil da matilha, em namoro, à catequese ou ao crisma. Ao encontro anual do Clube Bilderberg, convidado por Francisco Pinto Balsemão, que não é parolo, e é o único português que pertence em permanência ao clube, desde os idos tempos do fascismo.
Seguro sentiu-se inseguro, quando publicamente foi confrontado com a viagem, porque tem a noção de que se vai sentar ao lado de agiotas, especuladores e belicistas, como Rumsfeld ou Wolfowitz ou Peter Sutherland. E onde já estiveram também, Bush, Blair, Aznar e Barroso, que têm as mãos tingidas de sangue. E alguns gentios, como o beato Guterres, Sócrates, Teixeira dos Santos, Paulo Rangel, e Ferreira Leite, muito eficazes na arte de produzir pobreza, e hábeis, por contraponto, também, na arte de sebar uma vara de ricos. Num partido decente, esta viagem seria considerada como um político pecado capital. Razão suficiente para uma caterva de demissões. Mas no PS parece não ter importância.
Infelizmente, o debate histórico e ideológico quase sempre andou arredado do Partido Socialista e quando se esboça, é demasiado histriónico. Aquilo é uma espécie de “Maria vai com as outras”. Como antigamente se ia à santa da ladeira do Pinheiro, no convencimento de que se ganhava a cura dos males do corpo ou do juízo.
Para melhor se perceber o que se passa no exclusivo clube, é preciso dizer que as discussões são à porta fechada. Não se produzem resoluções ou propostas e não é emitida nenhuma informação pública. Tudo, ali, é sigiloso e sereníssimo. Não se brinca com a geopolítica da fome e da que assegura o controle completo das riquezas do planeta. Desta vez, é de admitir que se discuta a forma mais rápida de fazer cair a experiência democrática na Venezuela, e reaver o controlo do seu petróleo, como há anos se decidiu pela implosão da Jugoslávia, para evitar a preciosidade de haver um grande país desalinhado no centro da Europa e ainda, a independência do Kosovo, em linha com a estratégia de deixar a hibernar o precioso alvoroço.
Que se desengane quem acha que José Seguro é um palonço, apesar de ter ar de caranguejo vazio. Ele sabe bem que a matilha não reage por impulsos, mas por estratégias sabiamente discutidas.
Desse modo, hoje, como com outros, ontem, Seguro toma o hissope com que se festeja o ritual da traição. Só pode ser sábio, pois, quem prefere andar só, do que acompanhado por gente que trata a traição por tu. Por isso, é certo dizer, que vai por ai cheiro a ranço, que já nem um bom perfume parisiense consegue disfarçar.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Caros "cidadões", recuso a comentar isto...

porque, simplesmente, é demasiado triste.

Contra a privataria, trabalhadores dos CTT concentram-se na Figueira da Foz


Os trabalhadores dos CTT organizam uma concentração no próximo dia 7 de Junho, a partir das 10H00, no Largo do Bairro da Estação, na Figueira da Foz. Esta acção desenvolve-se no âmbito da luta em defesa dos CTT como empresa pública e contra o encerramento de estações e a sua privatização.
Estando solidários com aqueles trabalhadores também estaremos connosco, porque é uma causa de todos.
Porque a privatização destes serviços, como aliás muitos outros, afecta os utentes, encarece e deteriora os serviços prestados aos "cidadões", como diria uma certa abantesma, aumenta o desemprego, tudo isso com o único objectivo do lucro fácil.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Quem é você, Henrique?

Augusto Alberto


Henrique entrou em roda livre. Bolsa alarvidades no Expresso, que tem afinidades com o sedicioso El Mercúrio, o veículo de massas que conduziu o golpe fascista contra o governo de Allende, em 11 Setembro de 1973. Por isso, tenho-o como um pasquim, ainda que há dias, por desfastio, o tenha clicado e deparado com uma sua miserável crónica, que visou o linchamento do carácter da dirigente sindical da função pública Ana Avoila, como se Ana não fosse cidadã desta República e esteja impedida de desempenhar uma tarefa constitucionalmente aceite.

Monteiro utiliza a folha cuidando que o tempo é propício para a caça às bruxas. Contudo, é preciso dizer ao fariseu que apesar das coisas estarem como estão, ele ainda não é McCarthy, apesar de querer tornar universal a sua doutrina. E se bruxas existem, devem ser as que lhe povoam, com desgosto, ainda e só, o sótão e os desejos.
Desse modo, devolvo-lhe o arbítrio e a malvadez, fazendo uso da semântica com que bordou o seu texto. Quem é Henrique Monteiro? Um salafrário a soldo de um antigo deputado da união nacional, convertido de chofre à democracia, que lhe deu um brinquedo na forma de jornal, para semanalmente bolçar peçonha, ainda que, hoje como ontem, “democratas” achem o jornal um papel de referência. Pudera! Mas eu que de filhos e netos do fascismo já tenho conta que chegue, recuso a sua credibilidade.
E pergunto-lhe: Se escreve nesse jornal há muitos anos e não contribuiu, com a sua opinião, para melhores resultados dos que ai estão, pode ter a humildade de perguntar a si próprio se o problema não será também um pouco seu, pois não soube melhorar, ou impedir que as coisas piorassem? Utiliza o pasquim, para afirmar que nos partidos e nos clubes, não há oposição interna visível, escamoteando a verdade. Mas para mim, essa é questão risível. Porque eu sei o que o faz correr. Tal como o porco que sabuja a gamela, para chegar à cevada, a sua questão é de fé. O desejo de vitória da militância ideológica de gente que não perscruta para lá das noites de ópera no teatro Nacional, ou de um jantar nos indicados restaurantes de Cascais ou da Boca do Inferno, ou a presença em fogosas festas da elite.
Por isso, é bom interrogar este sebento profissional da malícia terrorista. Em que tempo julga que está? Acha que é o tempo de revisitar os aviões acrobatas do circo aéreo, como no Chile de Allende, e fazer “looping” e o golpe que a classe que serve deseja? Bem sei que não é preciso forçar. Para nosso mal, ele vai correndo devagar. 

sábado, 1 de junho de 2013

Colaboracionistas, um degrau abaixo de Vichy

Augusto Alberto      


Boa-vai-ela. O comentador “moralista “e tardo-romancista, de sua mercê, Miguel, perdeu a linha e escancarou o Presidente da República, tratando-o por palhaço. Na melhor sopa cai o escarro. Mas desta, não foi a de um “estalinista”, (a educação ainda é revolucionária), ainda que muito jeito desse, não é Miguel? Mas a de um tipo que não vai além de pardal de telhado.
Agora é que vão ser elas! Se se limitasse a dizer que sua excelência é uma inútil excrescência, teria dito tudo e evitaria, em breve, passar os dias a correr de casa para o tribunal e ainda por cima, com a obrigação de ter de interromper a escrita e de ter de aturar a chusma de repórteres, que sem piedade, cairão em cima, como se quisessem lavar a pele e a alma.

De todo o modo, um homem com traquejo e autor de histórias que acabam num pum… não se pode colocar como o pardal, que quando voa sobre o quintal, não perscruta a ratoeira que se desarma, logo que é tocada no gancho. Fiquem sabendo que a elite actual, que é a extensão da de antanho, nunca deixou o propósito de armar as artes. E então, não é que gente que se acha com pedigree, acaba exactamente como um pardalinho, com a pata presa na arte do santo oficio. Vou falar de Rui de Carvalho, o que foi agraciado por quem nos parece ser a excrescência inútil, na perspectiva do povo que pensa, mas que sobretudo, é o cabo às ordens da alta finança. O tal Cavaco. O artista percebeu, tardiamente, que foi armado. Sente-se apertado, mas ainda assim, com fôlego suficiente para interrogar: “francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?”. Mas eu sei, e também sei porque é que a pata lhe dói. Porque se convenceu que era um deles. Pois agora que garimpe, porque fez de peão de brega e colaborou ao toque do inteligente.
É a prova de que a inutilidade cívica e o colaboracionismo, podem estar para lá de Belém, num teatro bem perto de si, ou na novela das 10, que entra pela casa dentro. Todavia, este colaboracionismo não tem o avantajo do de Vichy, mas de qualquer maneira, desde o início da “crise”, a Alemanha, já lucrou mais de 170 mil milhões de euros. Repito! 170 Mil Milhões de euros.

Enquanto Natália, segurança, de segunda a sábado, trabalha 12 horas por dia, mas tem que pedir ajuda para comer, porque ganha pouco mais de 400. E sabem por quê? Porque a crise para as elites de Berlim ou de Lisboa, continuará fêmea, enquanto tiver a ajuda de colaboracionistas, um degrau abaixo dos de Vichy, que mesmo conhecendo Brecht, nunca fizeram caso do poema que acusa, que depois dos comunistas, chegará a vez de todos os outros? 

Dia Mundial da Criança

"Hoje em dia, entre as populações mais desfavorecidas e vulneráveis do mundo, encontra-se um número cada vez maior de crianças que vive em barracas e bairros de lata, privadas dos serviços de saúde mais básicos e a quem é negado o direito a um crescimento saudável. Excluir as crianças que vivem em bairros degradados não só lhes rouba a possibilidade de desenvolverem o seu potencial, como também priva a sociedade dos benefícios económicos resultantes de uma população instruída e saudável".
                                         
Anthony Lake, director executivo da UNICEF

No relatório Situação Mundial da Infância, 2012, da UNICEF, pode-se ler ainda: "mais de mil milhões de crianças vivem em estado de marginalização, vulnerabilidade e privação quase total em barracas, ou bairros da lata, ou favelas, sem acesso a água ou saneamento, sem segurança nem espaço"(...).


De 2008 para cá as coisas não mudaram muito. Não adianta comemorar o que não se sente. O relatório da UNICEF desse ano também é elucidativo. Ora vejam, se quiserem dar-se ao trabalho. Por aqui.
É uma pequena consolação a "coisa" não ser geral.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Parece que... é óbvio!!!

27 de Junho, greve geral


A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses-Intersindical Nacional convocou para 27 de Junho uma greve geral. 
Razões há muitas, infelizmente. O estado a que isto chegou é uma delas.

"Galopinar"*

Augusto Alberto



A vida vai bela, por isso já nada se sussurra e tudo se escancara. Não é de estranhar, pois, que a corja tenha perdido a vergonha e tenha dito comam sopa! a uma mãe desempregada, com uma pensão de 240 euros, e ao seu filho, com um abono de 90, ambos epilépticos, e que paga de renda 250 Euros. Quando a há! Grita a mãe. Quando o filho chora, a mãe não sabe se é da fome ou de nova crise de epilepsia. Moída, só sussurra palavras de amor, porque por sorte, as palavras de amor, não se servem no prato.
Em conformidade com o espavento, não admira que a maioria socialista da Câmara Municipal de Braga tenha aprovado, com a abstenção da direita (é o fim da picada), a construção de uma estátua para recordar o cónego Melo. Para os esquecidos e os mais novos, é bom indicar que o cónego foi dos mais brilhantes caceteiros da direita no norte de Portugal, associada ao assassínio de um jovem padre com preocupações sociais e da sua companheira de viagem, numa altura em que Manuel Alegre e Mário Soares, percorreram o norte, em comunhão com o cónego, mais os arruaceiros organizados no MDLP e no CDS, no sentido de mobilizar outros padres, analfabetos, MRPP (s) e outros (ml’s), para puxar o sino, para dar inicio à algazarra e à caça aos progressistas.
Não admira, pois, que hoje, ao preparar o pós PPD/PSD-CDS/PP, a direcção do Partido Socialista, coloque no horizonte, um governo com o mesmíssimo CDS, que foi intrínseco da traulitada. Nesse governo, sem esconjuros, evidentemente, Paulo Portas, sucederá ao velho Paulo Portas, num governo liderado pelo partido socialista, chefiado por António José Seguro.
E agora que escrevo para o fim, é com coragem, mas em sussurro, para não ofender os mais sensíveis, que vou falar do que há dias atrás. Por consciência, mesmo sabendo que vão ser os abutres do Partido Socialista quem vai capitalizar o descontentamento orgânico mais o benigno, deixei de ver a final da liga dos campeões, entre teutónicos, para marcar presença na grande manifestação da CGTP-IN, em frente aos portões do Palácio do “Presidente”. O P.S. não é de ruas, como provei, a não ser que venha atrelado e silencioso, à corja tramontana, como no antanho. Contudo, enquanto algum povo luta, o P.S. não deixa de “galopinar”. Já lá vem, montado na rábula do voto útil. Voto útil, sim. E para que se quer o voto útil, Rogerinho? Ora para que se quer o voto útil! Quem sabe, para que Portas suceda ao velho Portas.
Aqui sentado em frente do meu computador, batendo nas teclas, atrevo-me a dizer que os verdadeiros amigos podem tardar, mas nunca se esquecem. Lá do alto, olhando os dias que correm em baixo, o Cónego Melo, súplica, para que à sede do Largo do Rato, cheguem os votos estritamente necessários, que permitam nova dupla assassina.



     * Galopinar - O acto de no dia das eleições, as pessoas influentes dos Partidos do arco do poder e da rotatividade, o regenerador e o progressista, (fidalgos, regedores, padres, médicos, boticários, e demais caciques), irem, porta a porta, arrebanhar os votos dos eleitores. Isto foi no fim da monarquia, contudo cacicar, continua ser a tarefa brilhante de uma vida. Não é Portugal?

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Um drone no Porto da Figueira da Foz

Esta manhã o Porto da Figueira da Foz foi sobrevoado por um drone. Nada de pânico. Estava munido de uma câmara para filmar um carregamento de peças acabadas de construir nos Estaleiros Navais do Mondego. As peças são para a montagem de um tanque de etileno e o seu destino é a Noruega. Estão a ser carregadas no navio Wilson Goole, de bandeira maltesa e agenciado pela Eurofoz.



fotos: alex campos (by telemóvel)

O poder na sua forma mais pura

Augusto Alberto 

O apogeu da patetice. Ou as coisas são atávicas e pronto! Isabel Jonet, que revelou uma atracção pela celeste caridade, na sequência da pobreza, vai no dia 10 de Junho do corrente ano fazer o laudo aos soldados mortos na guerra colonial, a convite da comissão organizadora das comemorações do dia 10 Junho.
Um convite e distinção, em linha com o país dos lorpas e das açordas, não a que se designa por cozinha “grumet”, mas a que substitui a carne e o peixe, como nos velhos e novos tempos do latifúndio e da praça da jorna. Ou já nos esquecemos? Eu também poderia enfileirar na longa lista dos mortos da guerra, contudo, por alguma arte e sorte, fiquei longe dos lugares de batalha, diminuindo a probabilidade de me colocar em numerário. Embarquei no Boeing, a cheirar a novinho, no dia 21 de Fevereiro de 1972, com destino à Beira e de lá, fui posto em Nampula, de onde não sai durante os 24 meses, depois de fintar o lugar original, em Palma. Regressei, inteirinho, no mesmo avião, no dia 24 de Fevereiro de 1974.

De todo o modo, no equipamento que me foi destinado estava a chapinha de identificação, para o caso da morte. Esse foi o período voraz, do ponto de vista militar, e a seu propósito Kaúlza de Arriaga escrevinhou um livro, amplamente divulgado em Moçambique, mas pouco comprado, em que teve a coragem de assumir, então, a perda da guerra, dada a distensão dos factos no terreno. Mas essa é questão que para aqui não interessa. Aqui, desejo reflectir em como poderia ser um dos gloriosos soldados a ter dado a vida pelo império. E como no sossego, passados 40 anos, reagiria às palavras de circunstância da Isabelinha. De pronto, achei a resposta. Subiria ou desceria, conforme o meu repouso fosse na terra ou no céu, e colocar-me-ia por detrás da Isabelinha, devagar, muito devagar, não seja ela mulher assustadiça, e dir-lhe-ia ao ouvido, suave: “Gosto em ouvi-la, Dona Supico Pinto. O seu Movimento Nacional Feminino, continua um emblema. Belíssimo e sentido laudo. Muito obrigado!” .
Evidentemente, não sei como a Isabelinha reagiria. De todo o modo, sei pelo menos uma coisa. São os fingidos, os filhos e os netos do fascismo, apesar dos cravos, quem por cá continuam a mandar.

Como Salman Rushdie, a propósito do devastador desastre de Bhopal, acabo, com a mesma certeza que ele tem do poder. No seu caso, do grande império Americano, no meu caso, no da corja e dos sacanas… “é o poder na sua forma mais pura…não o vemos”,  - no caso da Índia, (aqui, só por cegueira, adormecimento, preconceito e patetice, é que não queremos ver),- mas ele fode-nos completamente.

domingo, 26 de maio de 2013

Limpinho, limpinho, limpinho


Uma manifestação patriótica

A única atitude patriótica e democrática que o governo pode tomar é demitir-se. Poderia, poderia. Se fosse, e quem o apoia, patriota e democrata. Mas, e infelizmente para quem trabalha, outros interesses se sobrepõem.



Fotos: Carlos Fonseca