Augusto Alberto
Se Portugal fosse
um país feudal, ter-se-ia de fazer uma grande marcha, como fez Mao Tze Tung e
os companheiros, para dar uma malga de arroz a cada camponês esfomeado e para
acabar com as tabuletas colocadas nos jardins pelos Ingleses, a indicar: “proibido
a cães e a chineses”.
Se Portugal fosse um país de mujiques, governados por um
czar sanguinário e louco, como na Rússia, far-se-ia uma revolução socialista, à
maneira dos Bolcheviques.
Se Portugal fosse um lupanar, com hotéis de luxo, como o
Nacional em Havana, onde se servissem meninas feéricas, regadas a Porto e a
aguardente velha, e de onde saíssem gangsters podres, a pingar sangue e pus
pela piça, ter-se-ia de fazer uma revolução, como fez Fidel, a partir de uma Serra,
como a Maestra.
Mas este país é uma democracia, na Europa, e aparentemente,
está tudo bem. Em todo o caso, uma “democracia”, em que magotes de pobres, à
semelhança dos mujiques da Rússia feudal, dos camponeses pobres de Cuba ou da
China, fazem “bicha” para a sopa, para o pão e para umas meinhas e uns chuços
para os pés. E em que os sifilíticos, para além de pingarem também, sangue e
pus pela piça, pingam baba e ranho pelo nariz, nas noites frias e húmidas
dormidas nos bancos dos jardins. De todo o modo, quem sabe, um dia, o “poder
democrático”, na ânsia de varrer a fome para dentro do boeiro, mande colocar
tabuletas nos bancos, a proibir o uso, a sifilíticos, a cães e a portugueses
miseráveis, à semelhança daquela lápide marmórea, pregada numa parede de uma
vila, passados pelo menos 20 anos de Abril, que salazarentamente informava,
“proibida a mendicidade”. Práticas, hoje, vejam bem, pós-socialista na Hungria.
Que estranho Povo, que insistentemente continua a deixar o
futuro nas mãos do além e elege para os vários níveis do poder, os que a seguir
os vão roubar e empobrecer.
Ou não é verdade, que a soma dos votos depositados em urna,
no domingo, dão ao Partido Socialista, ao Partido Social-democrata e ao Partido
Popular, pelo menos, 70% dos votos expressos? Evidentemente, que deste mal, não
sofrem os que honradamente votam CDU, que se recusam a ouvir prédicas
sucedâneas do louco e insidioso Rasputine, ou ameaças de mandantes e
salteadores, à maneira de Dillinger ou Al Capone.









