quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

McCain e Duartinho, dois cabotinos

Augusto Alberto
   

Andam felizes, alguns ucranianos, na utilização do direito à manifestação, para reivindicar uma maior relação com a União Europeia, em detrimento da Rússia. Contudo, não me enganarei se disser, que depois da união, tal como hoje, com romenos e búlgaros, serão, mais cedo do que tarde, impedido de circular por alguns países “ricos” da União, como se de leprosos se tratassem.
Neste contexto, Duarte Marques, rico filho, deputado rico e presidente da JSD, foi também a Kiev, para clamar pela submissão da Ucrânia à União. Também, McCain, senador americano, republicano, fez o mesmo papelinho. Ok! Quando se trata da liberdade, estou com McCain, e com o Duartinho.
Desse modo, imaginem, caríssimos, a ousadia de um deputado, ucraniano, dos que favorecem o entendimento com o vizinho russo, decidir gritar, bem alto, junto ao muro que separa os Estados Unidos do México: “que devem as autoridades americanas proceder à identificação, julgamento e punição, dos agentes fronteiriços norte-americanos, que ao longo da fronteira, segundo o jornal, The Independent, desde 2005, já assassinaram 42 pessoas”. Ou então, imagine um cidadão maníaco da arte pública, entender por bem, impedir a venda da colecção do museu da cidade de Detroit, Detroit Institute of Art (DIA), de obras, de, Van Gogh, Rembrandt, Henri Matisse, e Brueghel, o Velho, como solução para tirar a capital da indústria automóvel americana do atoleiro social. O que sucederia? Prisão!
De todo o modo, neste ponto, sublinho que cânticos devem ser ofertados às almas que foram capazes de enriquecer o património público, para que outras, as passem a patacos a agiotas privados, para compor orçamentos estaduais e concluir a premissa ideológica, de que os lucros não devem ser virtude pública, mas privada. Casos dos CTT, (públicos desde os tempos da mala posta, (1520), ou da EDP. No primeiro caso, agradeçam ao rei D. Manuel I e no último, não se esqueçam de agradecer ao Gonçalvismo.
A liberdade pode ser desenhada num fio, como o de Ariadne, mas ao rejeitar a verdade, por mais sábio que seja o postilhão, bem pode ser apanhado em contramão.

Assim, porque não se planta frente ao tribunal de Alexandria, Duartinho, para clamar pela libertação das 14 mulheres partidárias do presidente Morsi eleito democraticamente, condenadas a 11 anos de prisão, metade das quais, menores de idade? Desculpe, sou tonto e tarde percebo que o táctico senador McCain ainda não lhe ordenou a viagem. Contrição minha, porque só agora me ocorre, que o lugar perverso da liberdade e da democracia, não deverá ser aí, mas mais a oriente.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A desgraça em modo gourmet

Augusto Alberto


Em 1580 perdemos a favor de Castela, a independência. Anuiu uma grossa fatia da aristocracia, que ensaiou os primeiros passos, na recolha de migalhas, que Castela deixava cair da mesa ao chão. Nas casas senhoriais e nos meandros da corte, mal amanhada e canalha, chamaram a essas migalhas, comida gourmet, sem haver, então, “chefes”, reconfortados com estrelas Michelin. Comida gourmet, vistas assim as coisas, é, pois, comida ancestral. Foi de tal modo, que uns anitos após a perda da honra, ainda o cabresto do “Portas”, nem sequer era projecto, Castela, meteu a nossa pobre frota em apuros e concedeu ao pirata Draque, mais à rainha herética, Isabel I, uma vitória militar, nas costas da Cornualha, a que os lordes de sua majestade, logo chamaram, uma vitória gourmet, porque afinal, a armada invencível, entregue a um duque, que de água, só conhecia a da celha onde lavava os pés e a piça depois de sair de cima da duquesa, foi uma armada tenrinha. Ou seja, Groumet é exactamente isso. Tontice e tenrice!
Acontece que foi depois dessa desgraçada derrota, que nos levou as fracas barcas e os que amanhavam a terra e dela recolhiam o sustento dos nobres, que a “elite”, se tomou de frémitos. Deu-se, então, a reboada de 1640. Sem embargo de outras interpretações, vivemos, hoje, um tempo semelhante, ou o tempo em que o “Portas” passou de projecto a realidade macabra. Ou seja, mais uma vez a elite desgraçada cedeu a honra da Pátria, e recolhe migalhas, mas agora, com uma suave nuance. Ao tempo do Vasconcelos, soubemos que foi Castela quem nos esbulhou, mas agora, a gente não conhece, quem. Sabemos, sim, que são “bacantes”, como Lagarde, quem desenha o saque, sem antes, um tal “Subir Lalle”, indiano, de ¼ de costado, fazer o esquiço.
Contudo, falta ainda dizer, para a acabar este textozinho, quem veste, hoje, os casacos de púrpura, que sobraram da duquesa de Mântua. Magníficos biltres! Que moram num palácio à Lapa, ou no Largo do Caldas, ou ainda, num Largo, com nome apropriado, de Rato. Todos, debaixo do comando de um “algarvio”, de baixíssima têmpera, ou da terra, de onde partiram muitos dos Portugueses, que nas águas do canal da Mancha, naufragaram para sempre. Conhecesse Cavaco o mau fim dos seus conterrâneos, e colocaria a Nação em sereníssima defesa da honra. E conhecêssemos nós também a malfadada história, logo perceberíamos, a razão porque o 1º de Dezembro, passou de feriado a nudez.
A barca de hoje, vai rota também, e o gajeiro sentado no alto da gávea, vai enganando a companha, por isso, pouco falta para a barca afundar e levar muitos de nós.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Os ratões vestem prada, enquanto muitos ratinhos…

Augusto Alberto

O Graça foi um bom amigo de infância. Lembro um rapaz, redondo e loquaz, que, em regra, só parava na asneira. E por isso, e para os devidos efeitos, conto aqui a história do rato de chocolate.
Um dia paramos numa confeitaria, vítima, já, de furtivas visitas. Entramos, e de imediato, percebi a armadilha. Enquanto chamava o dono, o Graça, sem perca de tempo e rápido como um rato, outra vez, rapou de uma taça, que tinha um cone feito por multiplos ratinhos de chocolate, um, e pô-lo ao bolso. Chegou o Sr, e eu, descansado, pedi um ratinho e paguei. O Sr, depois de receber o meu dinheiro, voltou à taça, contou os ratinhos, e deu pelo roubo. Foi ao Graça, puxou-o a si e apalpou-lhe o bolso, e o ratinho quase se esparramou nos calções. Ameaçou chamar a polícia, enquanto o Graça, com caçoada, olhava para a porta, na esperança de uma fuga. Mas o Sr. teve-o sempre por um braço. Eu, como bom amigo, paguei-lhe o rato e após um ralhete, saímos e continuamos na esbórnia. Na rua, despeitado, o Graça, ainda chamou ao homem, o que Maomé não chamou ao toucinho.
Ora acontece que o Partido Socialista, a propósito dos estaleiros Navais de Viana do Castelo, é uma espécie de Graça. É verdade que o Partido Socialista, no governo, não tinha uma indicação para despedir os 600 trabalhadores. Mas tinha, como indicação, privatizar e despedir 420. Um pouco menos, a bem da cidade. O PS quer meter a mão, mas não quer que se saiba. O PS quer meter a mão, mas não quer a coisa seja esclarecida. Ora porra! Aliás, nem sou eu quem o diz, mas o próprio Presidente Socialista da Câmara Municipal de Viana do Castelo, que lamenta a pouca "veemência" do PS, na defesa de uma comissão parlamentar de inquérito. O vice-presidente da bancada socialista, Marcos Perestrelo, manifesta… reservas face à constituição de uma comissão de inquérito parlamentar sobre os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), considerando que a prioridade é apurar responsabilidades políticas.

É por estas e outras razões, que quando em vez, convêm perguntar, neste mundo, o que fazem os ratos? Há os que passeiam nos sobrados e com as patas fazem um vago rumor que nos irrita. Ainda os que se passeiam pela relva maltratada. E ainda, os que na foz de um rio, como o meu, passeiam pelas pedras que forram as margens e se dedicam, com a cauda, a tirar camarões da água, para a refeição, sem terem de ir ao “gambrinos”. E há ainda, uns ratões, que se passeiam num edifício, num largo, com nome a condizer. Rato! E vestem prada, com efeito. E por último, ainda, há, os ratinhos, que se deslocam para os estaleiros, ensonados, em comboios, barcos e autocarros, com a vida já feita em “merda”, que de tão deprimidos, quase já nem ao toucinho chegam. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O que faz o crocodilo quando ataca a presa? Derrama lágrimas, bem sabemos

Augusto Alberto


Reagan e Thatcher, nas nuvens que conformam o inferno, devem estar a rir e a deitar lágrimas de crocodilo, porque Cavaco, traste como eles, deu-se ao papelinho, porque se pôs hoje ao arrepio do que defendeu ontem.
Acontece que todos os Povos têm o direito soberano de se levantar, se mister for, para se defenderem dos tiranos. Foi assim com o ANC, ao contrário do que dizem os que querem revisionar a História. Foi assim com os maltrapilhos, que enfrentaram as ordens de Napoleão, depois da elite fugir para o Brasil. Mas antes, já tinha sido, assim, em 1640. E no Brasil, em batalhas pela dignidade, como a dos Guararapes. Ou ainda, nas Américas, com Bolívar ou com Zapata, ou com Fidel e Chavez. E em África, com Lumumba, assassinado pelos cangaceiros ao serviço do Ocidente. E na Europa, contra a parte mais cruel do capitalismo, muito amachucado por dentro, o fascismo alemão.
A elite de hoje, que é a digna sucessora das elites de antanho, quer-nos fazer crer que a batalha pela emancipação, cultural, económica, social e política, se deve fazer unicamente num salão, a quem chama a casa da “democracia”. Se assim fosse, estava o Povo “bem frito”, porque quem manda nessa casa são fariseus, a quem os grandes grupos da advocacia e de banqueiros, que devoram a mesma carne e chupam o mesmo sangue, deram a tarefa de manter o controle político da Nação.
Não, as coisas não são assim, por mais que borreguem os “treteiros da democracia”. A democracia tem a sua casa, com efeito, mas a maior de todas ainda é a rua. Para a buscar, manter, ou, se caso disso, para a endireitar. A contragosto, na contemporaneidade, nas ruas, ainda não foram colocadas tabuletas a autorizar unicamente, o trânsito a cães e automóveis, e a proibir, o trânsito aos homens organizados, como fizeram os Ingleses, com o apartheid na China, antes de Mao e os “negros”, com o apartheid aos pretos, na África, de Mandela.
Em 1987, Reagan e Teachter, temeram por África. E Cavaco e o Presidente Soares, como sempre, dobraram a espinha. É preciso continuar a lembrar, que os Estados Unidos só retiraram Mandela da lista negra do terrorismo em 2008. Por isso, Obama que mande baixar a nuvem, desenhada pelo diabo, onde descansa e ri, Reagan, e se ponha, por lá, com ele, a trautear a rábula das “liberdades”. Ou então, que se entretenham a cortejar a “velha”, que colocou famílias inteiras de mineiros a pão e água e fez uma guerra feroz, para manter os “lordes” na casa do “poder”.

Um povo que deixa, pelo voto ou pela abstenção, eleger um tipo como Cavaco, que é uma nódoa, que já nem a benzina consegue remover, é outra nódoa. Por isso, para se purificar, só lhe resta, agora, sair à rua, ou então, nódoa continuará a ser.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Como na Liliputelândia

Augusto Alberto


 É velho o desejo da direita politica em partir a espinha à Intersindical, para quebrar, em definitivo, as costas ao PCP. Em tempos, apontaram-me algum exagero, na apreciação. Mas eu insisti, que alterar, por força de leis aprovadas pelo PPD, PS E CDS, o modo da recolha das quotizações sindicais, a redução drástica da contratação colectiva, o aumento do trabalho precário, o despedimento fácil, ou criando um enorme exército de desempregados, sempre colocados perante a oferta de um salário inferior ao anterior, só pode levar a maiores dificuldades sindicais.
O tempo é sábio, e, por isso o emaranhado de notícias sobre a concessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, está, em meu entender, em linha com essa apreciação. De todo o modo, a decisão deverá ser remetida, antes de tudo, para uma opção a montante, reveladora das cócoras, em que mais uma vez a elite nos colocou. Alguma coisa me diz que a decisão está alinhada com orientações a norte, para que se ponha fim, liminar, à indústria de construção naval, em países “pigs”, como Portugal. Como sucedeu com os estaleiros de Gdansk, berço de um laureado fascista, alcandorado a sindicalista, que agora, aos factos, nada diz. Destas decisões, beneficiam os grandes estaleiros do norte da Europa, pela diminuição da concorrência, aliás, em conúbio com o conjunto de orientações tomadas, desde os tempos do “pai” Soares, relativo à indústria metalomecânica, que contribuiu, em definitivo, para o actual estado pífio da Nação.
E por fim, a jusante, assume um outro inestimável interesse. A liquidação, sem mais lentidões, de uma elite operária, numa zona do país, muito tomada por “padre nossos e aves marias”. Ou pachorras e lengalengas. E, neste período deprimente, antes que essa consciência se espalhe, esta é boa altura para liquidar os feios, os porcos e os maus, amachucando desse modo, as costas ao PCP. Pois é!
A elite afascistada de Portugal, como na Liliputelândia, enterra os seus mortos na posição vertical, de cabeça para baixo e “picha” para cima, com a esperança, aliás, sempre renovada, de que passadas algumas luas, a terra de volta à posição anterior, os reencarne, nas pessoas dos filhos e dos netos. Enterros como esses, aconteceram em Abril de 1974, mas idas quase 40 luas, cá estão os rebentos, com nervo liliputeano e em estado de prontidão.

 Como gostam de ser enganados os líricos da Nação…

So long, Madiba


Nelson Mandela deixou-nos.
A Humanidade fica, passe o lugar comum, muito mais pobre. O seu exemplo deveria inspirar-nos. Mas o que se vê, o que eu vejo, é que a maior parte dos filhos da puta chegam~se agora a terreiro a manifestar solidariedade, a apresentar os pêsames, condolências, e coisa e tal. Os mesmos que o consideraram terrorista, que votaram contra a sua libertação em sede de ONU. É triste, dói. 
Tenho por Mandela o mais profundo respeito. O que dói, dói mesmo, é pensar que ele não merecia que filhos da puta que o consideraram terrorista se "verguem", agora, perante a sua morte. Morte física, porque como outros, Madiba permanecerá na memória de todos os homens e mulheres que se assumam seres livres.
Também Madiba não merecerá que, pelo menos na imprensa portuguesa, que foi aquela que li, continuasse a existir, mesmo em sua referência, omissões inadmissíveis. Se Mandela foi o maior dos líderes africanos?  pergunta-se. Claro que foi. Mas as referências foram Nkrumah e Amilcar Cabral. Só. Claro que foram grandes lideres. Mas muito provavelmente "esqueceram-se" de Patrice Lumumba. A sua morte adiou o continente africano, como se sabe.
Enquanto Cabral foi assassinado pelo regime fascista português, de pouca monta, claro, ou Nkrumah foi apeado do poder pelo que se sabe, o congolês foi assassinado pela CIA e pelos serviços secretos belgas, e mudou o panorama todo.
E há outros. E, puxando a brasa à minha sardinha, bem posso citar Viriato da Cruz ou Agostinho Neto.
Mas Mandela está acima. Vergou-os a todos. Não há filho da puta nenhum que não se vergue, inclusivamente o "presidente" de uma puta de uma comissão europeia, ou lá que aquilo é. 
Vergonha é que não têm.
Obrigado, Madiba, mais uma vez. 




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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Beijinhos!

Augusto Alberto


Estive a sonhar, bem sei. De todo o modo, em regra, todo o sonho foi realidade. Era uma manhã de um domingo, e 8 vizinhos voltaram à esplanada, para tomar o café da manhã. Falam do desempenho heróico do “foot” nacional, e o mais velho, porventura o que dispõe de melhores histórias, reafirma que a selecção nacional não foi tocada pelo sindroma Papanicolau, o tremendo varista grego dos anos 70, do século passado, sempre com a frustração da derrota nos grandes momentos, (ou a antecâmara da sina grega), que poucos anos após chegou até nós com o nome de Mamede.
Todavia, um outro vizinho lembrou que o dia a decorrer também era grande, por ser de votos. E logo perguntou. Em quem vota, vizinho? No PPD/PSD. E o senhor? No PPD/PSD, evidentemente. E disse o terceiro. Eu também! Mas eu não! Eu voto P.S. E você? Também no P.S! Faltavam os outros dois. E o querido vizinho, que tão calado está? Eu? Eu daqui vou para a praia. E o senhor, que é o último, não nos diz nada? Digo sim. Já votei na CDU, contudo, desiludi-me com a política e por isso, sigo o conselho do vizinho. Também vou para a praia. 8 votos, oito, com efeito, na democracia, que as  primeiras projecções reveladas nos telejornais das 8 confirmaram.

O povo votou, o sistema funcionou e nada mudou. Contudo, também há quem ache que quando as coisas se arrenegam, a democracia deve ser torcida: - O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, considerou que o exército egípcio destituiu o Presidente islamita Mohamed Morsi, para restabelecer a democracia. Acontece, que Morsi, após receber os votos de milhões de Egípcios, foi eleito Presidente da República e no seu caso, não se cumpriu o desidrato pantomineiro e democrático, que diz: - que quem ganha as eleições, deverá levar o mandato até ao fim. Daqui se conclui, que para haver democracia, é preciso que cidadãos, ou lorpas aos milhares, votem no sentido de que nada mude. Ou que um tipo, politicamente pederasta, dê ordens para que avance um golpe militar, com vista a depor o Presidente eleito. Fica deste modo provado, que a democracia, só o é, enquanto os interesses das elites não sejam postos em causa. Caso contrário, avançam as baionetas. E às vezes, também dá jeito avançar o futebol, apesar de aparentemente inócuo, como o voto em branco, que permite que os votos na corja sejam sempre mais. E por isso, para a “corja”, um golo do Ronaldo, é a cereja em cima da bola, que torna o futebol politicamente tão doce. E até, Seguro, para além de Cavaco e Passos, mandou beijinhos aos heróis da Suécia.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

No bairro social de Perafita... ou Salazar revisitado

Augusto Alberto

Deu-se a revolução de Abril e a pobreza perdeu a vergonha. Bateu às portas de uns e de outros, e à minha também, apesar de ser, também, porta de pobre. Contudo, nunca perdi o equilíbrio, porque o meu tino disse-me para nunca fazer empréstimo à banca, para não ter de ser engolido por filhos da “puta”, nem ter despesas correntes com seguros, pneus e gasolina e por isso, fiz a opção pelas pernas, com os pés no chão ou nos pedais.
Mas ia a lembrar que, com regularidade, me chegava à porta, um jovem, a quem servia pão com manteiga, nunca o enganei, marmelada e fruta. Um dia, a minha vizinha, descobriu que o rapaz lambia a marmelada e atirava o pão à valeta, e aconselhou-me a acabar com a lambarice, porque o moleque era de má pegadura. Deixe vizinha! O pobre também tem direito à escolha. Infelizmente, a minha vizinha nunca deixou de voltar à carga, porque não consegue ver a boa árvore no meio da péssima floresta e por isso, agora, acha que se deve acabar com o “rendimento mínimo”, porque alimenta a cultura da inacção e do vício. Veja! Como na “tablete”, ela lambisca as noticias. Mas alambisca-as...disse-lhe. Não me diga que acha bem? Nem bem nem mal. O que acho é que a vizinha só se escarnece de gente que no seu modo de ver é borra-botas, porque quanto às elites, ainda que façam do roubo uma arte, são doutores. Mas deixe, porque por mais que queira, ainda não atinei com o modo de lhe reduzir o preconceito.
Todavia, tive que recolher a chávena do café e puxar para o lado o jornal do dia, para não ter de lhe dar razão, porque a notícia dizia: - O presidente da Comissão Política Concelhia do PS de Matosinhos…insurgiu-se contra o pagamento de 1172 quotas em atraso no valor de 11.066 euros…as quotas foram pagas por um morador de um bairro social de Perafita. A carta refere, ainda, que da listagem de militantes com as quotas agora pagas, há pessoas que já morreram…
Noticias como estas provam essencialmente que o anticomunismo é a papa e o bolo que alimenta o tolo. Capelo Rego, transportou malas cheiinhas de notas, a um banco, na baixa pombalina, a favor do Partido de Portas. E hoje, no P.S. do Porto, num bairro pobre, com toda a naturalidade, ocorrem habilidades à moda de Salazar, que metem, chapeladas, quotas pagas por mortos e votos das sombras.
Contudo, apesar de na Soeiro Pereira Gomes se cultivar a mais estrita responsabilidade, aparecem amiúde, sebentos, escrevendo umas palermices, que é o modo mais canalha de bajular a elite de “Césares e Ratos” de igreja, que afinal, não têm em “deus” o guia, mas no esmagamento dos pobres, na fuga aos impostos e no jogo da bolsa, a ímpia metamorfose da conduta liberal.

Não sei se é desta que a vizinha me entende…

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Deneuve pode ser Goebbels?

Augusto Alberto

Portas é um esteta. Na arte de vestir, na arte dos esgares, na arte da treta e do melodrama, tal como Catherine Deneuve, foi esteta na arte de representar. Desconfio que também marrou nas histórias de Corin Tellado, de onde lhe veio o jeito para trejeitear, ao modo de faca e alguidar. Mas a fazer fé na última sondagem da “Mark Teste”, que por bem, jamais será conhecida, o partido da doutrina cristã, não vai além de 2,3% dos votos expressos, e o próprio Portas, é dado com a imagem de rastos. Ou seja, é bem provável que a direita dos interesses vá percebendo que Portas só atrapalha e, por isso, vão trabalhando a sua defenestração e maquinando para que chegue à frente, o bloco central, PPD/PSD-PS.
Portas, dizem os especialistas, sebentou, aqui e ali, ideias, e construiu um documento a que a direita mais bruta, chama a “reforma do estado”. Acontece, que lido, percebe-se que aquilo é um manual, que indica o rumo para soluções já testadas no Chile fascista de Pinochet, no Estados Unidos de Reagan e na Inglaterra de Thatcher, com custos sociais altíssimos. E mesmo na Suécia, a terra, diz-se, de muitas virtudes, a educação privada virou um faroeste, enquanto na área da saúde, muitos tiros vão rasgando os pés.
Paolo Porta, (não estou a brincar), o inspector-geral do partido fascista Italiano - não confundir com o nosso Paulo Portas, que é Presidente da nossa Democracia Cristã, a mesma que na Itália de Mussolini foi antifascista, enquanto em Portugal, após a retoma reaccionária de 75, juntamente com os padres, andou com o cacete atrás de boa e nobre gente - também fazia parte do séquito principal de Mussolini, que tentou a fuga para a Áustria. Todavia, no dia 28 de Abril, foram interceptados por Partizans, que logo, fizeram justiça, tal era a necessidade da reparação. De seguida, foram atados pelos pés a uma barra de ferro, com a cabeça voltada para baixo, sendo de imediato, escarnecidos e cuspidos pela arraia-miúda. Contudo, a “democracia”, não sendo o fascismo e por ser superior, pode por desagravo, fazer a justiça “democrática”, dando merecida utilização ao voto “livre e democrático”, porque por gente como esta, não merece que os homens, como os cães de Pavlov, se ponham a salivar.
Todavia, é preciso precisar o seguinte. Paolo foi um fascista, mas Portas é um cristão e evidentemente, um democrata. Contudo, há quem o aponte como o Gobbels da maioria

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Gosto muito de caracóis, mas não me curvo a ranhosos

(adaptação de uma boutade do meu muito amigo Betinho, que tenho por muito boa, e que diz:- “gosto muito de caracóis, mas não gosto de ir ao cu a ranhosos”).
    
Augusto Alberto

O Partido Social-democrata-Partido Popular Democrático é uma instituição das liberdades e da democracia e não é um partido marxista-leninista, e muito menos, estalinista, nem preconiza nenhuma revolução, e nem funciona segundo as regras do centralismo democrático. Apesar disso, este partido do arco da governação prepara-se para expulsar, por infracções aos estatutos democraticamente aprovados em congresso, entre 400 a 500 militantes. Uma verdadeira purga!
O Partido Socialista, é uma instituição das liberdades e da democracia e não é um partidomMarxista-leninista, e muito menos estalinista, nem preconiza nenhuma revolução, e nem funciona segundo as regras do centralismo democrático. Apesar disso, este partido do arco da governação prepara-se para expulsar, por infracções aos estatutos democraticamente aprovados em congresso, cerca de 50 militantes na Concelhia de Matosinhos. Uma verdadeira purga!
O Centro Democrático Social-Partido Popular, que tem como modelo as virtudes da democracia e da doutrina católica, não é um partido marxista-leninista, e muito menos estalinista, nem preconiza nenhuma revolução, e nem funciona segundo as regras do centralismo democrático. Apesar disso, este partido do arco da governação, prepara-se para expulsar, por infracções aos estatutos democraticamente aprovados em congresso, cerca de 30 militantes na Distrital de Aveiro. Uma “purguinha!”
Demonstra-se assim que os três partidos do arco da governação, já expulsaram, numa “autarquíada”, que é o tempo que medeia duas eleições autárquicas consecutivas, muitos mais militantes do que o Partido Comunista em toda a sua vida, sendo que parte dessa vida, foi vivida, longamente, em condições muito difíceis.
Abençoado anti-comunismo que tem dado para tudo. Sobretudo, para levar os pobres de espírito às fogueiras dos novos inquisidores sociais, onde cada um, é um anti-comunista de serviço, e funciona como um modernaço Torquemada.

E como a fogueira social está no auge, saiba que ainda há muito para arder. Tome como exemplo, a EDP, que já mandou cortar a energia a alguns pobres, provando que a luz se vai apagando, à medida que a fogueira social arde intensamente, enquanto nababos e “catrogas”, são pagos principescamente. 

sábado, 2 de novembro de 2013

Este já não é o tempo da miséria moral…

Augusto Alberto


É novo e não sabe, mas eu conto. Há mais de 40 anos, no tempo em que quem mandava, para lá de Salazar, por exemplo, eram figuras como Rebelo de Sousa, pai, Governador Geral de Moçambique e Ministro do Ultramar, Adriano Moreira, também Ministro do Ultramar, Pinto Balsemão, que já na altura tratava reis por tu e era membro da União Nacional, o partido único fascista, a respeitadíssima família Espírito Santo, de que é oriundo o banqueiro Salgado.
Nesse tempo, muitos portugueses colocavam em cima da mesa, com pernas de pau e tampo de madeira tosca e nodosa, uma côdea de broa e uma sardinha magra, para dividir por dois. Admito que não acredite no que lhe digo. Em todo o caso, o cidadão que foi da classe média, assim definida por ideólogos, como Rebelo de Sousa, filho, ou o dr. Freitas do Amaral, que já foi fascista e agora está convertido às virtudes da democracia parlamentar, que num momento dinâmico, que não previu, caiu socialmente, e nem sequer nota que já não tem possibilidade de dividir uma sardinha por dois, como nos tempos dos avôs, porque passou, para não morrer numa valeta, a estar presente com toda a regularidade na fila para as sopas e para um pãozinho com manteiga, fornecido por uma ONG da cidade, apesar de ter sido obrigado a mudar de fila, porque a anterior ONG, fechou portas, por já não ter condições, sequer, para fornecer o prato da sopa.
Isto vai mal. Pois vai! Mas se o cidadão continuar a dar ouvidos as melopeias dos “bichos” do regime, vai ver como a “democracia” o come. Saiba que a elite não desiste. Como assim, pergunta? Veja quem são os putativos candidatos da sebentíssima direita, a ocupar o lugar do Cavaco. Logo, Rui Rio, um feijão de duas caras, com selo de gestor celestial. Também Marcelo, a luminária católica, afeito às delícias do liberalismo, ou ainda Durão Barroso, que nos deixou em estado de catalepsia, para ir tratar da vidinha. Este é o horrendo cenário, que em nada difere do cenário deixado pela elite que fugiu para o Brasil e deixou, para enfrentar Junot e Massena, com as forquilhas e com a roupa que tinham no corpo, os pobres filhos da nação.

E porque a direita não é tola, até o padre Policarpo se tornou, também, em ave canora da elite cavalar, ao propor a moleza e a resignação. Nada de novo! Sabemos que ao longo dos anos, igreja e elites, concubinaram. E por isso, até apetece dizer: Arrede para lá a boca o padre Policarpo, mais a elite trambiqueira, porque este já não é o tempo da miséria moral de Torquemada e dos cruéis frades beneditinos, nem a actual República, é o reino miserável do rei imbecil e fanático, D. João III. Ainda por cá anda gente que pensa.    

sábado, 26 de outubro de 2013

O pensamento de Marcelo é um drone

Augusto Alberto

Marcelo Rebelo de Sousa, eminente membro da elite, filho de um outro Rebelo de Sousa, que foi Governador Geral de Moçambique e Ministro do Ultramar, o que explica a sua paixão pela antiga colónia -  aliás, como eu, que passei breve pela cidade de Nampula - com formação católica e bons conhecimentos do fascismo e o colonialismo, em referencia à “passeata” de autocarro sobre a ponte, “ex Salazar”, (o nome continua a excitar), e à outra “arruaça”, a norte, reagiu na sua última homilia dominical, da seguinte maneira: “A CGTP deu aos portugueses heroína e agora quando quer dar a cocaína já não consegue criar excitação”.
Sendo assim, também é possível que eu diga aquilo que Rebelo de Sousa não é capaz de dizer. Que o colonialismo, que bem conhece, deu aos povos colonizados o cacete e heroína e agora, no neo-colonialismo, dá chumbo, cocaína e demasiada excitação, aos “taumaturgos” locais. Aliás, o homem frugal no sono e na análise, que é o modo hábil de falar sobre tudo sem arriscar, expôs-se ao analisar os dramas de Lampeduza.
Sobre semelhante matéria, avançou que os países ocidentais se mobilizaram para arrear ditadores, vá lá…, com quem sempre concubinaram e agora, chegou a bagunça e ponto final. Fosse substancial a sua honestidade, diria da tragédia o seguinte: chegam a Lampeduza hordas de esfomeados, oriundos de países ricos em petróleo, gás, e outros recursos naturais. Enquanto, do mesmo passo, são as elites dos países do primeiro, segundo e terceiro mundos, quem enriquece, exactamente, à custa da pilhagem desses recursos.

Percebe-se, obviamente, porque Marcelo abusa da frugalidade da análise. Porque falar sobre o fascismo e o colonialismo, que bem conheceu, e conhece, é coisa que o empanzina. Melhor será usar serenamente as litanias nocturnas, para, sorrateiro, levitar sobre os indígenas locais, evitando desse modo, amargos de boca e amolgadelas no carácter. Aliás, porque será que em Moçambique, a corda partiu, quando se sabe que o país detém recursos fantásticos de gás natural? Até parece que as riquezas naturais só trazem aos povos os drones e o cheiro a pólvora. Aliás, em Timor, ainda foram a tempo de evitar o pau. “Democraticamente”, por enquanto, para afastar a Fretilin, usaram a chapelada à moda de Salazar e de “Bush” pai. Diga que é mentira…professor.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

De conjunturas, obras de regime e a democracia a que temos direito

foto: Alex Campos (O "Titanic" da Ponte Galante (PSD), seguindo a avenida encontrará o famoso prédio J. Pimenta (PS), junto ao Largo do Pescador)
Pouco depois das eleições autárquicas, numa conversa tipo rescaldo, alguém me dizia que agora é que íamos ver o verdadeiro PS. Que agora, com maioria absoluta, é que íamos ver “quem são as putas e quem são os coirões”.
Nem mais. É que nem foi preciso esperar muito tempo. Aí está a primeira decisão. Democrática quanto baste.
Pode muito boa gente ficar admirada, mas a verdade é que nunca vi grande diferença entre os “xuxas” e os outros... os fascistóides, os psd’s e outros cabrões que tais.
O poder autárquico figueirense, desde o 25 de Abril, divide-se em três conjunturas: a primeira, com o PS, até 1997, em que a sua grande obra de regime foi a betonização da cidade, o que não foi uma grande performance pois coincide com o auge do pato-bravismo, emblematicamente ilustrado com o prédio J. Pimenta, em Buarcos, e eternizado num busto de Aguiar de Carvalho, na praça da Europa.
A segunda, com a vitória de Santana Lopes, inicia o ciclo PSD que se estende por 12 anos, onde, curiosamente, passando por cima de atentados à cultura como a extinção do Festival Internacional de Cinema e do Prémio Literário Joaquim Namorado, a grande obra de regime é novamente uma grande vitória do pato-bravismo: a venda dos terrenos da Ponte Galante, com o prejuízo inerente, e enorme, do erário público, e a enormidade que lá se construiu.
A terceira tem agora o segundo episódio, ou capítulo, como entenderem, que, diga-se em abono da verdade, começa bastante bem, Aliás como linquei acima.
Mas os figueirenses estão felizes: quando chove imaginam-se em Veneza, o porto pertence a Aveiro, a estação de caminho-de-ferro é tipo Coimbra C e o presidente de câmara que elegeram poderá ser deputado europeu dentro de pouco tempo, segundo se consta nos “mentideros”. Onde poderá fazer muito pela Figueira. 
Quiçá colocá-la no mapa.
Quem sabe?

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O “aranha negra”


Considerado pela FIFA o melhor guarda-redes de todos os tempos, representou apenas uma equipa ao longo de duas décadas, de 1949 a 1971. Lev Yashine só vestiu duas camisolas, a do Dínamo de Moscovo e a da selecção da União Soviética.
Eram outros os tempos, e, aquele que foi o único guarda-redes, até hoje, a receber a bola de ouro (1963), recusou propostas milionárias.
Ex-guarda-redes de hóquei sobre gelo, Yashine aceitou um convite para representar o Dínamo. Mas a condição, quase vitalícia, de suplente fê-lo ponderar o regresso ao gelo. Não o fez, e os pontos mais altos de uma carreira, em que defendeu mais de 150 penalties, foram o título olímpico em 1956 e o Europeu, quatro anos mais tarde.
Representou o país em 4 edições do mundial (58, 62, 66 e 70).
Ficou conhecido por “aranha negra” devido ao equipamento preto que, invariavelmente, usava. “Gato voador” ou “polvo”, foram outras alcunhas com que foi agraciado.
Fã do futebol brasileiro, guardou as luvas aos 42 anos, em 1971, começando a trabalhar como professor de educação física e treinador de classes de formação.

Lev Ivanovich Yashine faria hoje 84 anos. Faleceu na sua cidade natal, Moscovo, em 20 de Março de 1990.