terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

As "chegas"

Augusto Alberto

Poucos dias antes de ser assassinado em Dallas, Jonh Kennedy quis saber da possibilidade de derrubar o governo brasileiro de João Goulart. Provam documentos, entretanto desclassificados, sob o testemunho de “Arquivos da ditadura”. Daqui se conclui que John só era meigo enquanto esmifrava a vagina da Monroe, porque, quanto ao resto, foi mais um meliante, especialista na “boa” arte da canhoneira.

Entretanto, no mesmo dia em que li estes testemunhos, vi imagens de uma “chega” de bois à transmontana. Colocados os bois frente a frente, encaixam na perfeição os cornos que só se desenlaçam com a fuga do mais fraco. Ora, este é o actual caso da Ucrânia. Palco, preferencial, para o capital desavindo, encaixar os cornos, na ânsia de que um, se sobreponha ao outro. De um lado, a oligarquia capitalista russa, vencedor dos escombros da experiência socialista, que não cede na defesa dos seus espaços físicos, onde há enormes riquezas e do outro, as oligarquias capitalistas ocidentais, que bem conhecemos, com Gaspares, Coelhos, Portas e Seguros, a atacarem na fronteira, onde há carne disponível para o canhão, no sentido de colocar a mão, onde hoje, manda a oligarquia russa.
A traquitana ucraniana é um perigo, porque a oligarquia russa é bruta, e vai responder sem delicadeza e onde mais dói. Por isso, agora em Kiev, parece que estamos perante uma “chega à moda da Ucrânia”. Que “boi” se vai desensarilhar, carregando o fardo da derrota e que ondas de choque sobrarão para os povos, como os que sobraram, entre os anos de 39/45, do século passado?
Chaves em vida “traiu” os manhosos caceteiros de 1989, quando mandou investigar o “caracaço”, que só em Caracas, fez mais de 4.000 mortos. Por isso, “arreceia-se”, tanto a oligarquia capitalista ocidental e americana, como a oligarquia venezuelana, que, presa por uma arreata, convoca de novo meninos, meninas, e senhoras de rostos mimosos, a baterem tachos, para sinalizar a falta(?) de comida. O modelo é o do Chile, de 1973. Então, como é regra nos partidos de poder nas democracias parlamentares, a estrutura do Partido de Allende era eleitoralista e por isso, incapaz de mobilizar gente para vir à rua defender as transformações sociais. Ora, na Venezuela, hoje, a coisa não é bem assim. O fascismo sai à rua e dos morros, para lhe dar o troco, à cidade, descem ainda muitos mais. Por isso, o fascismo na Venezuela vai ter que fazer trabalhos suplementares.
E quem sabe se o actual líder do golpe fascista na Venezuela, Leopoldo López, não é um neto da liderança de Andrés Perez, o amigo socialista de Soares, que há 25 anos, com o “caracaço”, reprimiu violentamente o povo com fome?     
Os diabos são cornudos e o capitalismo também. Desde os primórdios, passando por Kennedy, ou no tempo que corre, de Obama, Merkel ou Barroso. De todo o modo, há sempre quem acredite, que ter um Mercedes e um BMW, é quanto basta para haver democracia. Infelizmente, para os incautos que nada têm.   

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

“As gafeiras” no paraíso*

Augusto Alberto


 Era hora do chã, e um grupo de “tias” tomava o das cinco. Eu também estava presente e logo coquei a enfática conversa e os concomitantes disparates.
-Imaginem -  disse uma, que tinha cabelo volumoso e langorosos traços de rímel – uma mulher arreliada com os preços das coisas e a reclamar que não tinha dinheiro para a compra. Gesticulava que era preciso acabar com isto e promover um sobressalto. E como? Imaginem! Votar na CDU. Nos comunistas! Confesso que até me assustei. Não fosse a mulher, naquele instante, ter a ousadia, também, de me tratar por camarada. Longe vá o presságio. Prefiro viver 100 anos debaixo do mando da troika, do que ver os comunistas com algum tipo de decisão…que despautério!
Não nos admiremos. É muito comum na histórias dos povos as elites fracassarem e esperarem que outros, vindos de longe, possam tirar as castanhas do lume. Foi assim quando a elite cedeu a soberania a Castela, e quando a coroa fugiu, deixando o povo maltrapilho a ser comandado por um inglês, que logo tirou as melhores do lume. E para melhor entendimento, informar, também, que a aristocracia e burguesia russa, atrapalhadas em 1917, aspiravam pela derrota militar e moral da Rússia perante as tropas alemãs do imperador Guilherme, para, como diziam…com a chegada dos alemães…chegar a lei e a ordem…E lembrar, também, que parte da elite francesa capitulou com o governo de Vichy.
Essas “tias” não sei quem são, evidentemente, mas não tenho a mínima dúvida em afirmar, que são “tias” da burguesia peralvilha, convictas dos actuais benefícios. Maior desigualdade na distribuição da riqueza. Os ricos, mais ricos, e os pobres, mais pobres, ainda que para isso se tenham verificado cedência ao capital estrangeiro, do melhor da produção nacional. Pagamento aos mercados (?), de juros usuários. Drástica desregulação das leis laborais, (por primeira iniciativa do P.S. e total complacência da UGT, a central sindical socialista), com custos seriíssimos para os trabalhadores. Baixa do custo unitário do trabalho. Aumento exponencial da emigração, ao nível da dos anos 60 do século passado. Acelerada desertificação do país. Desaceleração na natalidade, colocando riscos sociais e demográficos.
Dizia o cristão (?) cónego Melo, no intervalo da pólvora e traulitada, mancomunado com socialistas moderados (?), sociais-democratas (?), e cristãos (?), do CDS, à vez, ou por atacado, que a democracia e a soberania, são uma ova e um enfado.
E tomando a lembrança, disse, ainda, para rematar e sem prever, me danar, uma outra senhora, com unhas de gel e grosso anel: Se for preciso, aos insurrectos, dá-se-lhes chumbo.
     - Reagi! Então, dona! Isto vai-lhe a preceito, mas ainda não recuamos à “gafeira”. (Arquétipo, do criminoso Portugal fascista. - “Só no ano passado, emigraram da freguesia dezanove famílias inteiras, calcule Vossa Excelência”- Regedor da Freguesia, 1778). Em “Delfim”, de José Cardoso Pires.
- Não me diga, que o senhor, ai, é camarada?
- Sou sim e depois?
   

     * Não desligue, porque a história é verdadeira.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Toda a vida é dívida, toda a vida é fado

Augusto Alberto


Anos após Hitler receber o poder democraticamente, recorde-se, oferecido pelo voto do povo alemão, Goebels, assistiu a um concerto dado pela Filarmónica de Berlim, dirigida por Wilhem Furtwangler, em honra da Juventude Hitleriana. Primeiro, o mestre botou palavra, perante grandes dignitários civis e militares do fascismo alemão, e depois ouviu-se a 9ª sinfonia, como muito bem mostra, a propósito, um documentário que passa, amiúde, no canal Mezzo. Furtwangler, à época, era figura maior da cultura alemã, contudo, não é certo o seu affaire com o fascismo. Todavia, por cá, os opinadores de colarinho branco, sem receios e restrições, colaram-se aos poderes reinantes, ainda que nenhum, apesar da cagança e jactância, se aproxime do nível de Goebels. Mas não se julgue que não fazem mossa. Fazem, sim! Por isso, alguns Goebel(zinhos) domésticos, que bem conhecemos de ginjeira, afadigam-se na tese da recuperação, omitindo, contudo, o essencial da questão. E ela é... o programa cautelar, foi o manto diáfano, que permitiu cavalgar a baixa do custo unitário do trabalho e a transferência da maior parte da riqueza produzida, para um punhado de bandidos, em linha com a filosofia “fascista”, de catapultar algumas famílias, a donas da nação.
Alexandre Soares dos Santos levou vantagens fiscais, que depositou na Holanda. A Mota-Engil, mais o futebol doméstico, usufruíram de gordas subvenções. No primeiro caso, 8.142 milhões de euros e no segundo, 9 milhões. Contudo, após anos de tarraxa, o défice achado para o ano de 2013, ficou em 5.6%. Seria suposto ficar em 2%, na hora da despedida. A divida soberana da nação, trepou de 127%, para 129%. E aqui reside a mãe de todas as pérfidas. As maturidades em referência à divida da Nação, foram as que mais renderam aos credores internacionais, 6.6%. Mais dos que as maturidades grega, espanhola ou irlandesa. Ora cá está, por que razão, as hienas consideram a divida soberana portuguesa um figo maduro e por isso, não abdicam de a trazer inscrita no excel, segura por uma corda, a arroxear os nossos pescoços.
Salazar e o fascismo dirigiram esforços e muitos meios, para a criação de grandes monopólios industriais, mas agora, este “fascismozinho”, saído do 25 de Novembro de 1974, remete riqueza e meios, para as áreas da saúde, ensino e distribuição. Uma espécie de fascismo de merceeiro, que inexplicavelmente colhe o apoio eleitoral da maioria dos portugueses, como colheu, dos alemães, Hitler e o seu Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães.

Desenganem-se os que acham que o actual estado democrático, é neutro. Pelo contrário, é um estado de classe, que protege gente cavernosa e mal cheirosa, tal como o estado fascista alemão protegeu a elite industrial e financeira, arruinada e dilacerada por múltiplas contradições. Por isso, toda a vida é dívida, toda a vida é fado.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O Mondego que une

Augusto Alberto



Terra danada, esta. Dirigida por uma elite bafienta que procura, viciada, os raios de sol que a aqueçam, na razão oposta da friagem das suas ideias e compromissos. Ao ponto de ir por aí uma discussão troglodita, a propósito de um assunto sério, como é o caso, que tende a filar um novo clube, sobre os escombros da Associação Naval 1º de Maio. Qualquer coisa, como Naval 1893. Se assim for, a estultícia é grande. Porque “Naval”, indica água, barcos, (as gigas), homens e rio. Como Cachola, que no apogeu da vida, em1933, se colocou na condição de herói insano, porque a meio de uma regata, e na sequência de um acidente técnico, sem saber nadar, se atirou à água, para ser recolhido cadáver, horas após, agarrado ao pegão da velha ponte, que ligou a cidade à Ilha da Morraceira, no caminho para sul.
Ou ainda, o grande Edmundo, de quem disseram os ingleses do Rowing Clube de Londres, presença assídua nas majestosas regatas Internacionais, (com as margens cobertas de gente, digo margens, sim, que faria, hoje, inveja a muita assistência em jogos das ligas profissionais de futebol), ser o remador mais bravo que alguma vez observaram.
Ou ainda Zezinho, o terrível, o último da primeira grande geração de remadores da cidade. Ou bem mais perto, Manuel Parreira e Luciana Alçada, ambos finalistas nos respectivos campeonatos do Mundo.
E reafirmar que foi precisamente devido à obsessão pelo futebol que a Associação Naval 1º de Maio se tornou irrelevante, do ponto de vista patrimonial, do ponto de vista dos quadros, que são peças fundamentais em qualquer projecto desportivo, e vai a caminho da irrelevância desportiva e social.
Ficarão parcos registos, porque os melhores foram devorados pelas chamas, e a memória, que se apagará inexoravelmente, por morte biológica, de um clube que congregou os figueirenses, não só no Rio, mas também nas tardes de futebol, (esse sim, jogado por gente da nossa terra), no velho campo da Mata, (Tó Pinto, Pinto Machado, emérito guarda-redes e remador) e outros, mais tarde também, no estádio municipal, nas matinés dançantes, e nas da ginástica acrobática, no teatro, com o exclusivo “Casamento da Vasca”, nos jogos de basquete, (no S. Siro), de Ténis de Mesa, ou no tiro de sala, na sua engenhosa carreira de tiro, tudo, na velha sede da Rua da República, que também serviu para tratar e confortar combatentes chegados em péssimo estado, da 1ª guerra mundial.
É imperioso deixar de apoucar e arreliar a história, que é quase o pouco que ainda resta, e perceber que as soluções para resolver o problema de uma colectividade, com mais de 120 anos, não passa por acabar com ela, e sobre os seus escombros e a sua história, construir uma outra, rebuscando o substantivo e a data, (1893), para prosseguir um modelo que se revelou inábil, mas manter e reforçar o pouco que ainda resta e acabar com o futebol profissional, que foi quem colocou a Associação Naval 1º de Maio, no estado de catalepsia, há custa de promessas e do recrutamento de gente, calçada com sapatos de pelica ou chuteiras, muita dela, sem saber que a cidade tem um rio, que não sendo maior do que outros, é, contudo, o rio mais belo.

O destino de uma colectividade com mais de 120 de vida, não merece esta discussão troglodita, porque, Ela, pode para acabar mal. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Thank you, Pete

Uma versão em francês por Graeme Alwright. O original, de Pete, já por aqui passou, e pode recordar.

Academias

Augusto Alberto


Na academia do Argentino Juniores formou-se Armando Maradona, o astro. E de outras academias das Américas, saíram coronéis torcionários. E também de West Point. E nos anos 70, 80 e 90 do século passado, da academia do Ajax de Amesterdão, saíram estrelas do futebol como Ruud Krol, Johan Cruijff, Van Basten, Rijkaard, Ruud Gullit e Bergkamp. A seu tempo, todos, construíram a espinha dorsal da selecção de futebol da Holanda, conhecida como a laranja mecânica. A academia do Barcelona, deu também ao mundo do futebol, astros como Messi, o fundamental, Puyol, Xavi, Iniesta, Piqué, Valdês e mais recentemente, Pedro Rodrigues, que dão corpo à “Roja”, dupla campeã da Europa e actual campeã do Mundo.
Contudo, não se julgue que em Portugal nada se cria ou nada se transforma. Pelo contrário. Vinda do século passado, a academia de futebol do Sporting Clube de Portugal produziu e continua a produzir, estrelas, como Paulo Futre, bola de prata em 1987 e mais recentemente, os bolas de ouro, Figo e Ronaldo. E também num palacete à Lapa, na Capital, se tem fabricado alguns dos melhores mixordeiros, vigaristas, puxa-sacos e malandros de que há memória em Portugal e na Europa democrática e Ocidental.
Alguns, chegados pelo voto, a ministros e um, inclusive, a Presidente da República e um outro, pela arte da cooptação, a Presidente da Comissão Europeia. Marques Mendes, o arquétipo do homem pequenino, que, diz o ditado, ou é velhaco ou dançarino, é o último a dar-se à universal babujem. Espera pela presunção da inocência, bem sei, todavia, basta de milongas, porque já é demais. Mas também, uma outra academia, num outro palacete ao Rato, na Capital, uns furos abaixo, na qualidade e matreirice, produziram-se flibusteiros, como Armando Vara, Penedos, Coelhos e Calvetes, (orientados por GPS).
Estrelas um pouco carentes de pedigree, é certo, mais em linha com a academia de futebol do glorioso Sport Lisboa e Benfica, uns degraus abaixo da insigne academia de futebol do Sporting Clube de Portugal.

Todavia, em falando de academias, estabeleça as diferenças com os homens referenciados nas academias supracitadas, e perceba, ainda, de que academias vieram homens, como, Bento Gonçalves, Bento de Jesus Caraça, (e a inestimável colecção Cosmos), Lopes Graça, (e a canção heróica), Freitas Branco, os poetas militantes, José Gomes Ferreira e Ary dos Santos, e os escritores militantes, Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes, Armando de Castro, Mário Dionísio, Manuel da Fonseca, Urbano Tavares Rodrigues e Saramago, pena de ouro da literatura universal, e etc. Garanto que só o enobrece.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Um empresário da restauração com modos de padeira de Aljubarrota

   Augusto Alberto
    
Ou a história da passagem pelo restaurante Meta dos Leitões, na Bairrada, de magnos delegados ao congresso do Ministro Paulo Portas. A história é conhecida, e conta-se breve, para o caso de alguém andar distraído. A fazer fé nas notícias, os magnos delegados, comeram 15 refeições e pagaram 18. Um roubo! Assim é! Todavia, o dono do restaurante, inclemente, indicou que sendo os clientes militantes de um partido de ladrões, ele, empresário, aproveitou o momento para um pequeno reparo. “Roubar”, quem o rouba. Certo! Ou a assunção do velho ditado, que em caso de justiça, manda que seja resolvido por jurisprudência popular. Absolvição, por 100 anos, do ladrão que roubou os ladrões. E como prova do juízo do empresário, dou aqui nota de como a ladroagem funciona em circuito fechado, que conforma a justeza da diatribe.
     - O Estado que pague. Os arautos do capitalismo, que tanto se queixam das "gorduras" do Estado, exigindo a cada momento, “menos Estado e melhor estado”, vão obrigar a Direcção-geral do Tesouro e Finanças (DGTF), (os contribuintes), a pagar 23.5 milhões de euros de dividas bancárias, da responsabilidade da Associação Industrial do Norte, proprietária do Europarque, situado em Vila Nova da Feira, criado em meados da década de 90, por empresas, associações empresariais e bancos, destinado a congressos, jantares, almoços e demais tagatés.
E como a “roleta russa”, cuja bala abate sempre os mesmos, rola consistemente, acabamos ainda a saber, que após distintos serviços prestados ao mundo empresarial e da finança, um ex-ministro vai ocupar um lugar de relevo no FMI, e um outro, vai ocupar um outro lugar na OCDE, enquanto um tal José Luís Arnaut, advogado, também ex-deputado, ex-ministro e conceituado especialista na acomodação das “gorduras” do estado, vai rumar a alto quadro do Goldman Sachs. O banco, cujos quadros são figuras omnipresentes nas selectas reuniões do Clube Bilderberg. O tal que decide, anualmente, onde e como fazer a guerra e que no ano anterior, se realizou em Londres, e para o qual foram convidados Paulo Portas e António José Seguro, (assuste-se!), segundo indicação do cipaio dos cipaios autóctones, Pinto Balsemão.
E para acabar, quero ainda dizer que me parece que os rapazes da história do leitão, são da agremiação de onde há pouco saiu gente a sugerir o 9º ano como limite para o ensino obrigatório. Ora cá está uma outra boa razão, para negar o livro amarelo a “porcos”, que acham, como acharam os porcos avôs salazarentos, que num país de “burros”, os nobres “porcos” têm a vida mais facilitada.
Tal como Salazar, que foi padreco e fascista, determinou como limite máximo para o ensino obrigatório, a 3ª classe e desse modo, capou os tomates aos “burrinhos” da Nação.

Pois é!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Messi de deus é uma notação trôpega

Augusto Alberto

Disse John Foster Dulles, (1888/1959), secretário de estado Americano: - deixem os asiáticos fazer a guerra aos asiáticos, onde quer que isso aproveite aos Estados Unidos. Foi, utilizando até à exaustão este princípio que os Estados Unidos acumularam guerras e derrotas na Ásia. Mas também acumularam vitórias nas Américas, fazendo dela, o quintal a sul. E ainda hoje, mantêm o médio Oriente e África, segundo esse odioso e velho princípio, com custos irreparáveis para os autóctones. Ora, acontece, que nestas refregas, se associou lindamente a igreja de Roma, sobretudo, no grande período da política americana da canhoneira. Ao ponto de excomungar personalidades progressistas, fartas na denúncia dos governos torcionários da América do Centro, Sul e Caribe, a mando dos Estados Unidos.
Soubesse destes factos António Raminhos, ao que me dizem, humorista da nova vaga, e logo perceberia que a sua “boutade”, que classifica o padre Chico, como o Messi de Deus, é trôpega, porque, exactamente a igreja de Roma, ao longo dos séculos, sempre apresentou a espinha macia e foi farta nos skills, ou na soberana capacidade de se adaptar, prever e potenciar acontecimentos. De um cardeal polaco, fê-lo “Papa”, ou o representante de Pedro na terra, que conhecendo bem as contradições do regime socialista, deu um contributo inestimável para a sua queda, ainda que não seja definitiva, que resultou num mundo unipolar, onde quem esfola é o liberalismo, ou, por hora, o fascismo de baixa intensidade.
E de momento, sentindo que a igreja está a caminhar para a irrelevância, por força dos ajustes sociais e demográficos, acelerados, justamente por esse liberalismo, elegeu para representante de Pedro, na ânsia de estancar o declínio, um homem que parece um comunista, justamente, na denúncia desse modelo unipolar, vindo de um país, onde a doutrina da denúncia dos crimes políticos e sociais fez escola. Acontece, que os ajustes, tanto são em Roma como na Lusitânia. E por isso, convêm tomar nota, do modo como por cá se vai procurando a “personalidade” que dê seguimento à regra que diz que com “Papas”, papas e bolos, se enganam os tolos, ou a habilidade de manter a direita usuária no centro dos poderes.

E assim, está a chegar a hora do católico Rio, a quem se atribuem rios de boa gestão, tal como chegaram a Roma, da Polónia, Woijtila, para enfatizar o mundo unipolar, e da Argentina, Bergoglio, para estancar a irrelevância dos dogmas da igreja de Pedro. Mais um engano. Por isso, povo, se alguém te disser que a direita é burra, está-te a enganar. Um temente a “Deus”, tanto pode ser um “Rio”, farto na sorrelfa, como um vil e desprezível, (assim mostrou ser Dick Cheney, vice-Presidente dos Estados Unidos), vendedor de armas. Não sei se me faço entender, caro Raminhos?

sábado, 11 de janeiro de 2014

O esteta e o bobo!

Augusto Alberto


Eusébio da Silva Ferreira, faria hoje as delícias de qualquer investigador da área da biomecânica. Um esteta! E um portento do ponto de vista do rendimento. No futebol, hoje, só Ronaldo se compara, sendo, comparativamente, Eusébio superior. Contudo, Ronaldo, bate-o no jogo aéreo, que em Eusébio foi muito fraco.
Eusébio colheu universalmente simpatias, apesar de ser do Benfica, porque no campeonato do mundo de 1966 foi o dínamo que produziu luz e exacerbou o amor pátrio, numa campanha fabulosa, que só não atingiu prata ou ouro, porque, como em muitas vezes antes e também, muitas vezes depois, Portugal foi avassalado pelo colonialismo e imperialismo anglófono. Tivesse Portugal jogado em Liverpool, como deveria ser e não em Londres como foi, obrigando desse modo a Inglaterra a sair do seu conforto, e Portugal teria ganho a meia-final e disputaria a final com a Alemanha, onde, naturalmente, tudo poderia acontecer. Foi claro que Simões, extenuado, não conseguiu, no dealbar e em cima da linha, fazer o golo que levaria a partida para prolongamento. Esta é a verdade, que ainda hoje, em plena democracia, atormenta as “responsáveis” e entarameladas cabeças da República. O ideal é que se esqueça o episódio.
de Fernando Campos

Eusébio, foi um entertainer de superior qualidade, o que para a época não foi pouco. Num país enclausurado e nas mãos de uma elite, mãe da presente, trôpega, e cinzenta, que nunca é capaz de bater o pé, antes, cede, Eusébio valeu pelas alegrias, a que a nação não estava habituada. Sobretudo não estava habituada a feitos desportivos de primeira grandeza. Apesar de até então, a Pátria ter conquistado medalhas olímpicas na esgrima e vela. Contudo, em 1912, Francisco Lázaro, carpinteiro de profissão, caiu extenuado e morreu, untado de banha, como um lázaro, na maratona olímpica de Estocolmo, dando, logo aí, uma imagem da nação exangue.
E, dois anos antes de 1966, em 1964, em Tóquio, e 2 anos após Eusébio ganhar a sua única taça dos campeões europeus, Manuel de Oliveira, carregou durante 2.800 metros, a medalha de bronze olímpica, que perdeu, porque não lhe suportou o peso, nos últimos 200 metros da prova dos 3.000 metros obstáculos. Baixou, na meta, para o 4º lugar, o lugar maldito de qualquer final olímpica. Esta teria sido a primeira grande medalha olímpica do rendimento desportivo em Portugal. O país não chorou a perda dessa medalha, nem rejubilou com tamanho resultado, porque não conhecia esse seu filho, porque o país era, e é, analfabeto. Tão analfabeto, que Oliveira mais pareceu, ser, apesar da excelência, como muitos, antes e agora, um seu enteado.
Eusébio foi bondoso, delicado e um mouro de trabalho. É verdade! Mas esses não são predicados só de Eusébio. Quantos nativos mourejam duramente, e não passam da cepa torta e nem sequer têm direito a uma pequena flor? E foi, ainda, soberbamente usado. Salazar, para evitar cair mais cedo, impediu-o que garimpasse a vida no estrangeiro. E quando deixou de ser o Eusébio superior, foi ao limbo e assobiado, e só muito depois, foi acolhido e reabilitado. Quantos choram agora, lágrimas de crocodilo? Contudo, está de parabéns, quem soube, a tempo, fazer essa destrinça.
Nessa procissão de oportunidades, está também o misantropo, analfabeto e rancoroso Cavaco Silva, quando em pose de estado, fez saltar da púcara Eusébio já morto, para simultaneamente, sacudir o mofo e se colocar na condição de charneira.
O mesmo Cavaco, 1º ministro de Portugal, que censurou Saramago, Prémio Nobel da Literatura, na pessoa do seu secretário de estado da cultura, Santana Lopes e este, na pessoa de um seu sub-secretário de estado, nome de código civil, Lara. Cavaco, parece que se dá muito bem com quem pensa superiormente com as cabeças dos dedos dos pés e pelos vistos, dá-se muito mal, com quem pensa com a cabeça, que conforma o cérebro.
Faço sinceros votos, para que Moniz Pereira, (que muito pensou com a cabeça), Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro, (que muito e bem, pensaram com as pernas), (que são maneiras de pensar, acima dos pés), durem ainda bons anos, para que o cabotino, não tenha nova oportunidade, para fazer outro funéreo e idiota papelinho.

Ah, e Matateu! Tivesse nascido anos adiante, Matateu, e Eusébio, não sei, não… 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A história do tio do Kim Jong, citado por canalhas

Augusto Alberto



 O tio de Kim Jong-un, terá sido lançado vivo para uma jaula, onde estava uma matilha de 120 cães, completamente esfomeados, por não terem sido alimentados durante cinco dias. Informa o jornal I, colocando o verbo no condicional, que catou a informação num jornal chinês, citado pela NBC. Eu, pobre e duro de cabeça, acho que 120 cães enjaulados e famintos de 5 dias, antes de chegarem ao tio do Kim Jong, devorar-se-iam, em latida e sangrenta batalha. 
De todo o modo, isso só não sucedeu porque durante esses dias, foram enviados para o Iraque, e distraídos, na procura das armas de destruição maciça, que o Bush, o “Borroso” e alguns veros jornais ocidentais, ainda garantem existir. Depois, sim, acredito que após dias de distracção e com fome, tenham sentido a necessidade de dar trabalho às mandíbulas. E desse modo um desses cães, (no sentido politico, evidentemente), também conhecido por afirmar a pés juntos, a existência das armas de destruição maciça no Iraque, será candidato do CDS-PP e do PSD às eleições europeias de 25 de Maio. E mais, suporta a necessidade de mandibular forte e feio no Tribunal Constitucional da Lusitânia Liliputelândia, para de seguida, já de papo cheio, assistir, como dizem que fez Kim-Jon, ao festim da devora do indígena.
A Polícia Judiciária está a ouvir centenas de pessoas do distrito de Coimbra, que terão sido inscritas no PS, em 2011, com dados falsos. Conta o Jornal de Notícias… que já foram ouvidas cerca de 200 pessoas... A quantidade e o desplante das falsificações detectadas, na ordem das centenas, segundo a fonte, causaram forte impressão em quem acompanha a investigação. Que interessante noticia! Ao que apurei junto da NBC, (national broadcasting company, com sede no famoso Rockefeller Centre, em Nova Yorque), parece, que afinal, a P.J da Liliputelândia Pátria, está também a usar os cães esquálidos e bons de faro, do Kim-Jong, para esclarecer as falsidades no Partido Socialista.
Mas precate-se, porque aos mastins do Kim-Jong, se se lhes apresentam as fichas canalhas do P. S. de Coimbra, correm o risco de serem engolidas, sobretudo, se for ao pequeno-almoço, acabando desse modo, com as provas materiais da intrujice. Aliás, com tanta comezaina pela frente, só me pergunto, como foi possível, aos cães, ainda arranjar tempo, para “comer” o tio do Kim-Jong. 
Se na notícia a semiologia é canalha, o que dizer de quem acredita nela? Mas há, pelo menos, nesta história, uma coisa certa. A mim, nunca os “cães vadios” de colarinho branco, me comerão.

domingo, 5 de janeiro de 2014

EUSÉBIO


A única coisinha que tenho contra o Eusébio são os golos que marcou ao meu Sporting. Fora isso, que não é pouco, mas insuficiente para não ter por ele uma profunda admiração, deixo aqui, em jeito de homenagem um belíssimo texto do jornalista Ferreira Fernandes. E um obrigado ao Eusébio, com o respeito que se deve a um dos maiores desportistas de sempre.
Vale a pena ler:

" Há 90 minutos da História de Portugal que deveriam ser passados a video e divulgados nas escolas primárias. Na disciplina Formação de Carácter.
Aconteceu em Liverpool, a 23 de Julho de 1966, num estádio de futebol. Havia um jogo em que entravam uns desconhecidos, reputados de toscos mas muito rápidos, que vinham de um lugar que fazia sorrir em matéria de mérito futebolístico - a equipa da Coreia do Norte. Do outro lado, estávamos nós, a selecção portuguesa. Naturalmente descontraídos, como costumamos estar nos momentos que se anunciam fáceis. "Está no papo" é expressão portuguesa muito mais exclusivamente portuguesa do que a palavra saudade.
Tal como os norte-coreanos, era a primeira vez que nos víamos por aqueles cumes, jogavam-se os quartos-de-final do Campeonato do mundo. Mas Portugal tinha todas as razões de estar impante, arrastávamos um manto de glória clubística (nos últimos cinco anos, o Benfica ganhara duas Taças dos Campeões e o Sporting uma Taça das Taças), a própria selecção já não perdia há dois anos e, quatro dias antes, naquele mesmo estádio, tinha humilhado o bicampeão do Mundo, Brasil, por 3-1. e, depois, o adversário eram aqueles pequenitos asiáticos...
Aos 23 minutos perdíamos por 3-0. E a soberba que nos subira à cabeça foi substituída pelas duas mãos. Todos os jogadores portugueses encostavam o queixo ao peito, levavam as mãos à cabeça e olhavam perdidamente a relva. Ou, pelo menos, parecia que eram todos. Aqui, o professor deverá parar o vídeo, olhar para a classe, certamente de olhos marejados também, e deixar a frase insidiosa: "Está tudo perdido, não está?"  Os alunos, se forem bons portugueses, encolherão os ombros. Os mais combativos apontarão o erro da presunção inicial, mas todos concordarão que, agora, não havia nada a fazer.
Com um sorriso matreiro, o professor de formação de Carácter pode repor o vídeo em andamento. Reparem, reparem: na melancolia da equipa portuguesa há um gesto de rebeldia. Passaram molemente a bola ao nº 9 e este correu para a esquerda. Encostou a bola à linha lateral, o que quer dizer das duas umas:ou os coreanos o deixavam passar ou atiravam a bola para fora. Perceberam a intenção? O nº 9 estava a pôr todo o jogo português em cima dos seus ombros.
O nº 9 era o Eusébio. Já todos o sabíamos muito bom, não lhe emprestávamos ainda era tanta gana. E, reparem, reparem, ele é mesmo muito bom, nem atirar a bola fora os coreanos conseguiam, o Eusébio avança, já se permite obliquar para  a baliza, ninguém o agarra e faz golo!
Reparem, agora, nos braços erguidos de Torres, o gigante, e do calmo Coluna e de todos - um assombro de alegria. De todos? Não. Eusébio não estava para festas porque a obra estava pelos caboucos. Foi ao fundo da baliza, meteu a bola como um melão debaixo do braço e correu para o centro. De passagem, ainda deu uma cotovelada no Simões que acorria ao abraço. Abraço? Não era tempo disso.
Os coreanos puseram a bola em jogo, a pantera saltou-lhes em cima, agarrou-a e repetiu a manobra, encostar-se à linha: ou ela é minha ou não é de ninguém. Continuou ele. E fez golo. Os nossos saltaram, correram para o herói, agora já não lhes podia fazer a desfeita da festa. Qual o quê? Eusébio foi às malhas onde dormia a bola refastelada, chamou-a ao trabalho, voltou a metê-la debaixo de braço e ala para o centro do terreno. Saem-lhe ao caminho os colegas, querem abraçá~lo, ele pára um brevíssimo momento, mas at+e o Morais que arrumara dias antes o Pelé, hesitou quando viu o sobrolho carregado de Eusébio... Todos se afastam, prescindem da alegria porque o chefe assim mandou.
Os coreanos, esses, estavam parvos, não sabiam se das fintas do negro endoidado se dos costumes esquisitos das lusas celebrações.
Jogo recomeçado. E Eusébio continuou: 3-3. o que ainda não teve direito a festejos. E 4-3. Aí já sorriu, mas só isso. Aos 5-3, enfim, permitiu-se mostrar-se contente, como Miguel Ângelo, batendo no mármore do joelho de Moisés: "Fala!" A satisfação do artista perante a obra feita.
O professor de "Formação de Carácter" pode desligar o vídeo, dar um tempo aos garotos para esconder as lágrimas, e abrir a luz. Perceberam?, deverá ele dizer. Haverá alguém a engasgar-se de emoção: "O Eusébio, que grande, grande jogador!" Ao que o professor deverá dizer: não é isso, aqui não é aula de Educação Física, e de qualquer modo isso não nos interessa, nunca vocês jogarão como o Eusébio, nunca vocês verão um jogador como o Eusébio, lamento, vocês nasceram tarde.
Os garotos vão ficar meio sem jeito. E o professor deve continuar: eu mostrei este vídeo para vocês aprenderem, não futebol, porque o Eusébio não se ensina, nasce com a pessoa genial. Mostrei-vos foi o que nos falta, à maioria dos portugueses, e este vídeo ensina, como eu não conheço nada português que ensine tanto: resistência. Resistência à euforia infundada, ao entrar no campo; resistência à resignação, aos 0-3; resistência ao "porreirismo nacional", no 1-3, no 2-3, no 3-3 e até no 4-3. Enfim, aquele jogo, meus rapazes, foi uma lição de carácter.
Eusébio da Silva Ferreira nasceu em Lourenço Marques, capital de Moçambique, em 25 de Janeiro de 1942. Quase 60 anos depois, já ouvi kosovares entre paredes chamuscadas fazerem a relação tradicional: "Portugal? Eusébio!". relevância que de certa maneira Portugal reconhece ao mandar construir o maior estádio nacional ao lado de onde estava uma estátua de Eusébio. O facto de o estádio ter sido construído muitos anos antes de Eusébio ser conhecido só significa que, por vezes, somos premonitórios - sabendo que um dia teríamos ali uma estátua de Eusébio, ali se fez o Estádio da Luz.
Para a pequena história, há quem diga que poderia ser o estádio de Alvalade a vizinhar a estátua. Afinal, o garoto de 17 anos veio, em 1961, para Lisboa, com a promessa da mãe que seria para o Sporting. Teve de ser raptado para ir para o Benfica. esse rapto foi o crime de que mais de orgulha o Benfica. E, afinal, nós todos, porque Eusébio merecia o melhor dos pedestais, a melhor das equipas nacionais de então, para poder dar os concertos que deu.
Ganhou sete Bolas de Prata, como o melhor marcador do Campeonato Nacional. foi duas vezes Bota de Ouro (o melhor marcador europeu), uma vez o Bola de ouro (o melhor jogador europeu)) e duas vezes bola de Prata (o segundo melhor jogador europeu), mas isso valem o que valem os prémios de especialistas.

Nada pode ser maior condecoração de que o silêncio que se fazia em todos os estádios do mundo quando Eusébio se preparava para cobrar um  livre a menos de 40 metros do guarda-redes. conta-se que no já falado Brasil-Portugal, do Mundial de 1966, a equipa canarinha demorou a entrar. Procuravam Manga, o guarda-redes, um armário com cara de guarda-costas de chefão de droga, mas uma alma Cândida e dotes de adivinho. Manga estava no WC, tremendo, sabendo o que o esperava. Eusébio meteu-lhe dois golos, sendo um com os dois pés no ar, que pôs no ar a multidão do estádio. Mas esses não eram anunciados, e por isso não tinham a carga de execução pública dos tais livres.
Eusébio começava a marcar os livres com as mãos. ficava a três metros da bola, pés a testar a relva em ligeiro trote. Mas era para as mãos que todos olhavam. Abanavam como se quisesse ouvir duas possíveis pulseiras de missangas. Abanavam enquanto o torso se ia inclinando. Partia, rapidíssimo -  compararam-no a pantera - e chutava como ninguém. Não digo melhor que ninguém, nem pior - simplesmente como ninguém. Há milhares de fotos a prová-lo: fazia uma vénia perfeita, como um samurai, só que a perna direita, hirtíssima, quase se juntava à cabeça. A todos só lhes restava a admiração - e ao guarda-redes adversário, ir ao fundo da baliza.


sábado, 4 de janeiro de 2014

Pelos vistos em 2014 vai ser mais do mesmo

Aí temos o primeiro imbecil do ano...
Apesar da imbecilidade não ser coisa que se pegue, não deixa de ser irritante. Mas prontos, como diria o outro. É o que temos.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

McCain e Duartinho, dois cabotinos

Augusto Alberto
   

Andam felizes, alguns ucranianos, na utilização do direito à manifestação, para reivindicar uma maior relação com a União Europeia, em detrimento da Rússia. Contudo, não me enganarei se disser, que depois da união, tal como hoje, com romenos e búlgaros, serão, mais cedo do que tarde, impedido de circular por alguns países “ricos” da União, como se de leprosos se tratassem.
Neste contexto, Duarte Marques, rico filho, deputado rico e presidente da JSD, foi também a Kiev, para clamar pela submissão da Ucrânia à União. Também, McCain, senador americano, republicano, fez o mesmo papelinho. Ok! Quando se trata da liberdade, estou com McCain, e com o Duartinho.
Desse modo, imaginem, caríssimos, a ousadia de um deputado, ucraniano, dos que favorecem o entendimento com o vizinho russo, decidir gritar, bem alto, junto ao muro que separa os Estados Unidos do México: “que devem as autoridades americanas proceder à identificação, julgamento e punição, dos agentes fronteiriços norte-americanos, que ao longo da fronteira, segundo o jornal, The Independent, desde 2005, já assassinaram 42 pessoas”. Ou então, imagine um cidadão maníaco da arte pública, entender por bem, impedir a venda da colecção do museu da cidade de Detroit, Detroit Institute of Art (DIA), de obras, de, Van Gogh, Rembrandt, Henri Matisse, e Brueghel, o Velho, como solução para tirar a capital da indústria automóvel americana do atoleiro social. O que sucederia? Prisão!
De todo o modo, neste ponto, sublinho que cânticos devem ser ofertados às almas que foram capazes de enriquecer o património público, para que outras, as passem a patacos a agiotas privados, para compor orçamentos estaduais e concluir a premissa ideológica, de que os lucros não devem ser virtude pública, mas privada. Casos dos CTT, (públicos desde os tempos da mala posta, (1520), ou da EDP. No primeiro caso, agradeçam ao rei D. Manuel I e no último, não se esqueçam de agradecer ao Gonçalvismo.
A liberdade pode ser desenhada num fio, como o de Ariadne, mas ao rejeitar a verdade, por mais sábio que seja o postilhão, bem pode ser apanhado em contramão.

Assim, porque não se planta frente ao tribunal de Alexandria, Duartinho, para clamar pela libertação das 14 mulheres partidárias do presidente Morsi eleito democraticamente, condenadas a 11 anos de prisão, metade das quais, menores de idade? Desculpe, sou tonto e tarde percebo que o táctico senador McCain ainda não lhe ordenou a viagem. Contrição minha, porque só agora me ocorre, que o lugar perverso da liberdade e da democracia, não deverá ser aí, mas mais a oriente.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A desgraça em modo gourmet

Augusto Alberto


Em 1580 perdemos a favor de Castela, a independência. Anuiu uma grossa fatia da aristocracia, que ensaiou os primeiros passos, na recolha de migalhas, que Castela deixava cair da mesa ao chão. Nas casas senhoriais e nos meandros da corte, mal amanhada e canalha, chamaram a essas migalhas, comida gourmet, sem haver, então, “chefes”, reconfortados com estrelas Michelin. Comida gourmet, vistas assim as coisas, é, pois, comida ancestral. Foi de tal modo, que uns anitos após a perda da honra, ainda o cabresto do “Portas”, nem sequer era projecto, Castela, meteu a nossa pobre frota em apuros e concedeu ao pirata Draque, mais à rainha herética, Isabel I, uma vitória militar, nas costas da Cornualha, a que os lordes de sua majestade, logo chamaram, uma vitória gourmet, porque afinal, a armada invencível, entregue a um duque, que de água, só conhecia a da celha onde lavava os pés e a piça depois de sair de cima da duquesa, foi uma armada tenrinha. Ou seja, Groumet é exactamente isso. Tontice e tenrice!
Acontece que foi depois dessa desgraçada derrota, que nos levou as fracas barcas e os que amanhavam a terra e dela recolhiam o sustento dos nobres, que a “elite”, se tomou de frémitos. Deu-se, então, a reboada de 1640. Sem embargo de outras interpretações, vivemos, hoje, um tempo semelhante, ou o tempo em que o “Portas” passou de projecto a realidade macabra. Ou seja, mais uma vez a elite desgraçada cedeu a honra da Pátria, e recolhe migalhas, mas agora, com uma suave nuance. Ao tempo do Vasconcelos, soubemos que foi Castela quem nos esbulhou, mas agora, a gente não conhece, quem. Sabemos, sim, que são “bacantes”, como Lagarde, quem desenha o saque, sem antes, um tal “Subir Lalle”, indiano, de ¼ de costado, fazer o esquiço.
Contudo, falta ainda dizer, para a acabar este textozinho, quem veste, hoje, os casacos de púrpura, que sobraram da duquesa de Mântua. Magníficos biltres! Que moram num palácio à Lapa, ou no Largo do Caldas, ou ainda, num Largo, com nome apropriado, de Rato. Todos, debaixo do comando de um “algarvio”, de baixíssima têmpera, ou da terra, de onde partiram muitos dos Portugueses, que nas águas do canal da Mancha, naufragaram para sempre. Conhecesse Cavaco o mau fim dos seus conterrâneos, e colocaria a Nação em sereníssima defesa da honra. E conhecêssemos nós também a malfadada história, logo perceberíamos, a razão porque o 1º de Dezembro, passou de feriado a nudez.
A barca de hoje, vai rota também, e o gajeiro sentado no alto da gávea, vai enganando a companha, por isso, pouco falta para a barca afundar e levar muitos de nós.