domingo, 27 de abril de 2014

O “barão” de Cascais

Augusto Alberto


 39 Anos. E 50 euros a menos do que 3.300$00. Este é o axioma. E por isso, impoluto camarada meu, criado na escola dos ofícios, e quase com 40 anos do ferro, disse: “andou o Povo a acreditar em homens de bem e afinal, só lhe saíram “coirões”. E a esse propósito, Joaquim Pires Jorge, homem íntegro e de uma amabilidade extrema, nascido e formado nos anos de chumbo, cedo me alertou para não me deixar embalar pelo canto meigo de raras aves canoras.
E seguindo o princípio, contumaz, rejeitei o conselho dado pelo “Barão de Cascais”, numa das rádios do regime, (e da igreja), de que no 25 de Maio, o povo deverá votar em branco. O “barão”, é homem delicado e de verbo fino, com certeza. Mas acontece, que o “Barão”, sempre que pôde colocar a mão na nora, fê-la andar para trás. Foi deputado pelo PSD/PPD. Foi secretário-geral adjunto no seu partido. Foi coordenador do grupo parlamentar europeu do seu partido. Foi ministro da qualidade de vida. Foi ministro dos assuntos parlamentares. Foi, inclusive, fundador do seu partido. E foi Conselheiro do Estado. Bem sei que o “Barão” se agastou com os seus, porque pediu mais guita para voar mais alto, como os papagaios lançados ao vento, “Tenho perfil para o lugar de Presidente da República”, mas mais guita foi-lhe negada e por isso, amofinou-se, barafustou e acabou defenestrado.
Todavia, o “barão”, como toda a elite, tem um carácter adjacente. Toma o povo por desajeitado, enquanto tem a torpeza de reclamar boas virtudes de classe. E desse modo, o “barão”, porque tem medo dos sustos, desenha a hipérbole, de que povo do ordenado mínimo e do pouco pão, deve manter-se quietinho. Difícil de perceber?
António Capucho, que é o nosso serôdio “barão”, tome atenção, não é tolo e tem muita arte. Na verdade, só com bastante arte, é que tipos como o “barão”, conseguiram colocar, hoje, o ordenado mínimo nacional, abaixo 50 euros, dos 3.300$00, atribuídos no ano de 1975, pela “desequilibrada abrilada”, do camarada Vasco Gonçalves.

Mas saiba o “barão”, que neste tempo medonho, não se admitem pesporrências e passa-culpas. Por isso, diga lá, quantos votos foram precisos para o eleger e para concomitantemente, se construir um pobre?

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Não há perigo de coice

Augusto Alberto



A ascensão do terrorismo é a outra face do declínio americano, disse, na esteira de John dos Passos, Dom Delilo, um dos mais prestigiados escritores americanos vivos. Tal como o golpe contra-revolucionário de 25 de Novembro de 1975, poucos meses após a Revolução do 25 de Abril de 1974, marcou o contemporâneo declínio da Nação, com o regresso da velha camarilha ao poder, renovada com novos súcias, e também da remanescente nomenclatura financeira, suportada por velhos e novos padrinhos e velhas e novas famílias.
E para comprovar o axioma, destro, o ex ministro da Agricultura do governo de Sócrates, António Serrano, disse que a contabilidade da Fundação de Alter, que produz o cavalo lusitano, era um caso de polícia. Contudo, à semelhança do que sempre se fez, observou, desinteressado e enfatuado, velhos actos de gestão danosa sobre a coisa pública. E nada fez. E a actual Ministra Cristas, do C.D.S., tão pouco. Pelo contrário, manteve a cobertura aos crimes sobre o património, dando baixa da Fundação e colocando a sua contabilidade sobre gestão privada com fins públicos. Elegendo como boa, a velha maquinação de aperrear o que é público, para, de seguida, privatizar. No caso, em breve.

Acontece que o cavalo lusitano é hoje um dos cavalos mais apreciados e requisitados no mundo equestre. Ao ponto do cavalo de “dressage”, montado pela amazona brasileira, Giovana Paes, estar em adiantado estado de preparação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no futuro ano de 2016, tornando-se, desse modo, o primeiro cavalo da raça lusitana, olímpico. Titulo que muito actual e futuro bípede lusitano não tem, nem nunca terá. Porque, lamentavelmente, no dia do voto, como em anteriores actos, resolve ir passear, inter ou fora de muros, enquanto a base social da camarilha, essa, com o papo cheio, não falta. Por isso, no próximo dia 25 de Maio, sem receio, folgará mais uma vez a camarilha, porque não há, como nunca houve, perigo de coice.

domingo, 20 de abril de 2014

Relembrar Abril


fotos: alex campos

Nos tempos que correm não fará muito sentido comemorar Abril. Sabe-se que está atravessado nos partidos que costumamos eleger, e nas classes que eles representam e que detêm o poder. Quer o PPD, quer o PS que, paradoxalmente ou não, foi aquele que maior contributo deu para o seu esvaziamento e para a reposição da ordem vigente antes da data em causa. Patrocinados, como todos se lembram, e não é necessário perceber de História, pelo assassino de Lumumba e Allende. A situação do país fala por si.
Mas continua a ser importante relembrar Abril. Fazê-lo é ter esperança, é continuar a luta por uma sociedade mais justa.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Nem com benzina, a branca e a breca

Augusto Alberto


Tinham que chegar as promessas. Mas cheiram a falso. E por isso, convêm perguntar, o que cola António José Seguro ao Conde de Abranhos, personagem melosa, que só chega ao poder, porque, “embora o Rei não o conheça, é informado que tem uma senhora muito galante”. Mas, como disse Eça: …é um patife, um pedante, um burro, porque enquanto ministro da Marinha, afirmou …que só ao fim de 18 meses de Ministério, é que descobriu onde ficava Timor. Do mesmo modo que António José descobriu, que o país está enxameado de pobreza e por esse facto, resolve garantir que acaba em 4 anos com os sem-abrigo, após António Guterres, seu camarada e 1º ministro, os ter aumentado, desmentindo a tarefa prioritária, de acabar, eternum, com os que vivem na rua. E onde irá o futuro 1º ministro, António José, meter tanta gente? Não diz, e por isso, Abranhos, leva-lhe vantagem.
Na câmara anuncia, isole-se o pobre, definindo como necessário a construção de grandes espaços físicos, telhados e, dentro, uma enxerga, um cobertor e ao rebentar da lua, um prato de sopa quente. Mas para manter a sobriedade, exigiu aos indigentes, que fossem abstémicos. No sexo, (nem foda nem pívia), e parcos no praguejar, que, por sinal, cola com a miséria da sopa e do pão. De todo o modo, convêm insistir. Onde vai António José, recolher tanta gente? No Centro Cultural de Belém? De todo, não vá a classe alta, tropeçar num pedinte encardido, ao entrar para os dias da música e cagar o tacão do sapatinho de vela. Ou na magnifica sala do Teatro Nacional D. Maria II? Tão pouco. Ainda que pelas noites, debaixo das suas arcadas, recolhidas da geada e da chuva, já muitos andrajosos estendem o cartão, para passar pelas brasas. Contudo, já imagino, António José, convidado para a abertura da época de ópera, e já estou a ver, muito antes de chegar, aparecer um polícia dos costumes, a indicar: - arreda, arreda mendigo, que está a chegar António José, o primeiro-ministro de Portugal. A ordem, nesta noite, é para recolher para lá da “uma”, não vá, o 1º Ministro, pisar o cartão, escorregar e romper o tendão. E lá se vão as promessas. Que são um vício, que nem com benzina se lavam.

De todo o modo, prometa o que prometer António José, a verdade é que Portugal é hoje uma colossal “mitra”, e por esse facto, deverá também, António José, penitenciar-se. Dá-se o caso de António José  ter sido ministro-adjunto do piedoso primeiro-ministro António Guterres, pelo que, hoje, por má consciência, António José, está tomado, simultaneamente, por uma branca e por uma breca. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Ao Eliseu, as vaginas, mais os bostinhas

Augusto Alberto


 No Eliseu, o poder, a alcova e a vagina, são coisa trivial e singela. Contudo, Maria Antonieta, a austríaca que foi rainha de França, apesar de ter poder e vagina, acabou com o pescoço na guilhotina, (com o Povo a berrar, mata a cadela, mata…), porque parece que também o rei era mais ao menos atrapalhado em matéria de coito, ao ponto de o imperador,  José II da Áustria, ter viajado até Paris, para saber das razões que impediam o casamento entre sua irmã e Luís XVI. Chegou à conclusão, de que, afinal, Luís XVI, tinha erecções satisfatórias, mas que sua irmã, não tinha apetite para o sexo nem tampouco, desenvoltura. Segundo ele, o rei e sua irmã, eram "dois perfeitos confusos”. Confusa, a França? Oh, lá, lá….Sendo assim, sem mudar de cenário e sem interromper o raciocínio, falemos do cepo autárquico, onde o Partido Socialista Francês, depositou, também, a sua cabeça, ao ponto, de Hollande, (outra cabotina e perfeita confusão), trocar um governo de bosta, por um governo de bostinhas.
Hollande, afinal, é só mais um pindérico, como anteriores Presidentes da República Francesa, muito envolvidos em escândalos, políticos, financeiros e de vagina. Pouco serve, pelos vistos, os interesses da aristocracia Francesa, e nenhum préstimo, tem, sobretudo para o mundo do trabalho, mas é um tipo muito bom, nos alardes de alcova. Só pode haver consenso, quanto a estas duas matérias. 
Para 1º ministro, escolheu um tipo muito celebrado pela direita. Porque essa coisa de se ser socialista, sem vir ao marxismo, é de cabo de esquadra. E saliva, porque, honra seja feita ao 1º ministro indicado, o Catalão, “Manel Valls”, escolheu e muito bem, para ministra do ambiente, uma tremendíssima vagina, em tempos, por Hollande, muito bem visitada. Será que Hollande, apavoado, mais uma vez, ainda pensa “segolanizar, Segolande? Ou será, que desgraçado, outra vez, ainda vai, em definitivo, para gozo da grande aristocracia, ser pateado e corneado pela França? Mistério! De todo o modo, estes socialistas franceses, são uma boa pandilha. Do ponto de vista da alcova, capacíssimos, (ao contrário dos “nossos”, simplórios nessa nobre arte de acomodar os mais brilhantes desejos furtivos. Mas do ponto de vista politico, um desastre, à semelhança, pim, pam, pum, dos socialistas de “cá”. Ora agora engano eu, ora agora enganas tu, tum).

terça-feira, 8 de abril de 2014

Subliminarmente...


Embora nunca tivesse sido jornalista, nem qualquer coisa que se pareça, pratiquei-o. Amador, nos tempos do "Barca Nova". Também, nos tempos de "A linha do Oeste". Jornalismo local, era uma aventura arrebatadora.  Pagávamos para fazer o que gostávamos. Acho que não é preciso talento para se fazer o que quer que seja, embora deva ajudar um bom bocado. No meu caso, colmatava essa falta com trabalho, dedicação, prazer. Muito.
Lembrei-me disto agora mesmo. Acabo de ver uma reportagem numa estação de televisão sobre a canção. "A canção é uma arma" assim se intitulava.
E lembrei-me também que invejo o talento. Eu nunca conseguiria fazer uma reportagem dessas sem falar com José Mário Branco, José Freire, Samuel ou Francisco Fanhais. "Et bien d'autres", diria Michelle Senlis. Pela importância que têm. social, cultural, política, artística.
Mas a dita estação conseguiu-o. É obra.
Convém lembrar que os quatro senhores que referi interpretaram, e interpretam, para além de textos próprios, , Natália Correia, Sophia de Melo Breyner Andresen, Ary dos Santos ou António Gedeão.
E que um deles é autor de uma canção que se intitula mesmo "A canção é uma arma". E que a utilizaram com mestria, com arte, com grande qualidade. E quando era difícil. 
Mas os tempos são outros.
Como cantaria Graeme Allwright:
"Les temps sont durs
Et j'suis pas sûr
de me payer un coup à boire."



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Perfeito principio

Augusto Alberto

Não há bem que nos calhe, porque, amiúde, aparece sempre algum canalha a deixar-nos aterrorizados. É o caso da senhora economista, Teodora Cardoso, formatada numa das madraças (faculdades de economia) do capitalismo fundamentalista, onde se aprende o melhor modo de tirar a pele a quem trabalha, e que foi conselheira de António Guterres, ex-primeiro ministro de Portugal, simultaneamente dado à beatice e a Toni Blair, um sacripanta de luxo, que agora perora sobre a democracia pelo mundo inteiro, para aperfeiçoar a biltrice e ainda, com “blarisses” e bolos, enganar os tolos, em troca de grande somas em dinheiro, e que já há muito deveria estar preso, pelo papel de brutamontes contra a humanidade, e que liderou, ainda, um grupo de bacanos, a que se associou, precisamente, António Guterres, numa “terceira ideológica”, a que deram, precisamente, o nome genérico, de terceira via.
Coisa de cachaço em baixo, para assegurar o servilismo à “hidra” liberal, de milhentas cabeças. Que para além de triturar o trabalho, tratou de fazer baixar muita da chamada classe média à condição de trapo. Esse mesmo António Guterres, que por cá, ao não resistir ao pântano, acabou por fugir, para mais tarde ser recompensado, com uma tarefa à escala global. Provedor dos “desgraçadinhos”. E essa Teodora, outra ideóloga ao serviço da “bicha”, que descobriu, nova via para sacar o dinheiro de um modo mais fácil, aos que vivem do trabalho e do salário, através de um artifício legal, suportado, pois claro, pela tremendíssima banca, estabelecida em Portugal. E também, ainda, o conselheiro económico do principal, (que principal?), líder da oposição, (que oposição?), António José Seguro, que afinal, veio revelar, aquilo que Seguro nos tem andado a esconder. Seja no futuro, o Partido Socialista governo, o modelo actual de emagrecimento do Povo, é para manter.
E o mais vil, dizem as sondagens, ainda virá. Que os pobretanas revelam uma obsessão doidivanas pelo masoquismo, ao dar seguimento à abstenção ou entregar o voto à “hidra”.

Ao contrário da base social de apoio da “dita”, que não se esquece da sábia missão de votar, porque não precisa de um país diferente. Deste modo, um Povo que está sucessivamente a ajustar a cabeça no cepo, não merece perdão. Porque, não percebe, que a “bicha”, Dele, só necessita que continue a abster-se ou a votar PS, PPD/PSD e CDS, (Barroso), no sentido de manter a grande aliança, em ordem a que nada mude, (Lampeduza), segundo o perfeito principio, de que o Povo é um bom burro de carga e ainda por cima, tolo.

quinta-feira, 27 de março de 2014

“A ponte”

Augusto Alberto

Cisma que é o vizinho para quem todos os outros olham, porque tem na garagem, protegidos da intempérie e dos gatunos, os dois BMW da família. E toma ares de pavão em tempo de cio, porque cisma, também, que tê-los, é absolutamente chiquíssimo. E para completa felicidade, até o seu rico menino, chegou à faculdade e obteve licenciatura e mestrado. Mas, de repente, a sólida convicção de que o capitalismo representa a fase social superior, (à cabeceira tem as obras dos mestres de Chicago e até, surpreendentemente, foi ler umas coisas sobre o thatcherismo e a repressão nas minas de carvão no Yorkshire, nos idos anos de 1983,1984, ainda que pouco tenha aprendido), ficou ligeira e surpreendentemente abalada, porque o seu menino, mestre na área da engenharia alimentar, foi muito maltratado pela “Danone”, produtora de iogurtes sólidos e líquidos, ao ponto de a “Danone” ter de informar sua excelência o público em geral, que é prática corrente retribuir os estágios profissionais, com caixas de iogurtes, em vez do dinheiro com que se compra o pão e o melão.
Mas como não há bem que sempre dure, advirto-o, que um dia, inopinadamente, pode ser tomado pelo mesmo paradoxo que tomou a senhora que há poucos dias tentou o suicídio na ponte 25 de Abril, dilacerada e empurrada pelas mãos criminosas que cinzelam as politicas do sistema usuário, que tem no topo os banqueiros, magistralmente caracterizados pelo grande poeta russo, Maiakovsi. “Sozinho não posso carregar um piano e menos ainda um cofre-forte…Os banqueiros dizem com razão, quando nos faltam bolsos, nós que somos muitíssimo ricos, guardamos o dinheiro no banco”. “Todavia, para evitar a batota e para melhor perceber a eloquência de Maiakovsi, informo, que para além de poeta, foi bolchevique.

E voltando à senhora, convêm dizer que, se fosse mal sucedida, teria sido uma dupla tragédia. Porque a ideia de fazer o suicídio, saltando da ponte 25 Abril para o Tejo, onde garimpam pobres gaibéus, marnoteiros e marinheiros, depois de anos a fio a votar nos partidos “democráticos”, que contrariam, (vejam só…), o 25 de Abril, era uma palermice. Nunca subestime, pois, os seus inimigos de classe. Rechace-os, tanto no voto, como em cima da ponte. Porque uma ponte… é um lugar muito pateta para se ligar à morte.

sábado, 22 de março de 2014

«Se a luta de classes existe mesmo, a minha classe ganhou». Warren Buffett

Augusto Alberto


Tiremos o chapéu a Serguei Lavrov, o ministro dos Estrangeiros da camarilha que manda para lá dos Urais, porque não deixou lugar para uma avaliação bifurcada dos acontecimentos no mundo, quando enfaticamente, disse:-“a Crimeia diz mais à Rússia, do que a Republica Centro Africana à França e as ilhas Malvinas, à Inglaterra”.
Esta observação faz-me lembrar como a Venezuela e Ucrânia, são hoje as duas pontas da mesma tenaz. Os Estados Unidos, encorajados pela ajuda da Europa no reviralho da Ucrânia, atacam fundo na Venezuela. E nessa canalhice contam com uma máquina de propaganda, muito consolidada, ainda que possamos ver nela uma informação livre e independente. Nesse contexto, a televisão pública enviou, tanto para a Venezuela como para a Ucrânia, enviados especiais para nos darem as melhores notícias. O objectivo é simples. Colocar a desinformação, ou um ¼ de verdades, no centro do golpe, estabelecendo o espírito necessário, para universalmente se aceitar como bom, o “putsch” fatal. Resolvido e atirado o assunto para os textos da História, como no Chile em 1973, ou como no Iraque das armas de destruição maciça, lavadas as mãos, num processo de higienização secular, a vida de quem se prestou à poltrice, volta ao ronrom dos dias, esquecidos as vítimas brutais do “putsch”.    
Na Ucrânia, o resultado mais imediato parece traçado. Uma primeira derrota da camarilha ocidental, ao ponto de Rodrigues dos Santos ter deixado a Crimeia, sem ter aquecido os lençóis do hotel, onde pernoitou. Mas na Venezuela, o reviralho segue o guião do “putsch” chileno. A falta de reposição no mercado de produtos essenciais, que sustentam o barulho dos tachos no alcatrão. Todavia, na Venezuela de hoje, para acabar com o Chavismo, (é possível…), vão ter que fazer horas extraordinárias, porque o Chavismo, não é hoje um movimento que só reage em tempo eleitoral. E não vai haver aviões acrobatas americanos para bombardear o palácio de Miraflores, como bombardearam o de “La Moneda”, de Allende.

Sem esperança, “bastaram poucas horas para comprovar a remelosa informação”, desejava também, que a jornalista residente nos Estados Unidos, exemplificasse como Buffet tem razão. Ou como as pessoas vivem como ratos e como o sonho americano, claudicou. Terra, onde hoje, os 30 senhores do dinheiro, (incluindo Buffett), recolhem do bolo, tanto como 150 milhões de americanos. Ou seja, metade da população. (ONG Oxfam). Vitimas na sua terra, do mesmo capitalismo fascista, que impede que a Venezuela possa decidir o destino, e por isso, ter de ser punida, para servir como exemplo, para outros países da região. Aliás. Como sempre!

sábado, 15 de março de 2014

Cus, cuzinhos, rabos, rabinhos…

Augusto Alberto


No Portugal despencado, gente velha vem à rua para protestar, porque lhes levaram o tribunal, depois de lhes terem levado a farmácia, o posto médico, a escola primária, os CTT e os filhos e os netos. Ou seja,  os portugueses do tédio rural e do fraco amparo, de volta e meia, levantam a verve, mas sem sucesso, porque, inaptos e relapsos, voltam sempre a votar em quem os rouba.
E na urbe, os outros, com o mesmo jeito, sentam-se à mesa do café para tomar a bica do dia e ler o jornal de tendência judaico-cristã. Irados, apontam para a notícia, que diz que o governo Sócrates deu muitos euros à Fundação Soares, para a livrar de apuros. Ou que, o banqueiro de tal, se reformou com uma reforma tão alta, que é um insulto. E que Jaime Gama, antigo presidente da Assembleia da República, senhor necessitado e com longos anos de vida adiante, foi anunciado como administrador do banco Espírito Santo, nos Açores. Mas esquecem que, em tempos chegados, votaram precisamente em Soares e Sócrates, e no banqueiro insultuoso, e em Gama. E, vergados, juntam um pouco as folhas do jornal, não vá alguém dar pelo baixo pudor, para no caderno interior, não ler as ofertas de emprego, que não há, mas olhar para as fotografias dos cus, cuzinhos, rabos, rabinhos, ou, em linguagem de forró, bunda, bundinha, bundão. Tudo anotado, mais ou menos, assim: - morena gostosa, especialista em chuchar, ou, menina meiga e terna, disponível para o fazer sonhar. O jornal viola, não há dúvida, a matriz judaico-cristã, que indica que é pecado publicitar o vício da carne e por isso, é mau. Todavia, o português, de tão pobre, já só consegue ler aquilo que o café lhe dá.
Contudo, os portugueses não deixam de ser bestiais. Os espertos dão o voto em troca da novíssima carrinha BMW e por isso, comparecem à hora, na urna, enquanto os que necessitam de um Portugal mais certo, dão falta de comparência, porque preferem viver de ganchos e truques. E ainda, resmungões e inconsequentes, tanto gostam de caldeiradas, (vide o manifesto pela renegociação da divida), como acreditam em “santos” ou em ranhosos, como os que agora indicam como muito necessário, renegociar a divida, feita em proveito próprio. Enquanto o P.S., armado em venerável, como sempre, bifurcado, à questão, diz “nim”. 

Em Portugal nada muda. Obedece e boceja, enquanto mantêm a fórmula de, socialmente, levar pontapés no cu. Tudo está escrito nos interstícios do “correio da manhã”.

domingo, 9 de março de 2014

Ana Gomes, meritíssima deputada...

Augusto Alberto 
 - Intróito imaginário
 O comandante Lamco, da direita fascista em Kiev, (a quem o vice americano Kerry e a baronesa Ashton, na praça da “liberdade”, distribuíram bolachinhas reforçadas), subiu para o edifício da Câmara Municipal da cidade, e montou banca, e Ana Gomes, a inquieta deputada socialista, foi-lhe no encalço... A democracia, ali, e naquele instante, foi sublinhada…    
 - Uma preocupação
 Sentado à luxuosa secretária que terá pertencido a algum alto funcionário municipal, e sempre acariciando um cassetete negro, o comandante Lamco, explica: A extrema-direita em Kiev sonha com um país como a Suíça… e… defende uma sociedade em que todos andem armados, decidam tudo a nível local, votando de braço no ar, com poucas leis escritas, nem partidos políticos…
À porta da sede do partido, no 7.º andar do edifício da câmara municipal de Kiev, está pintada uma gigantesca cruz suástica…por todos os aposentos, há símbolos…nazis pintados nas paredes com spray….os militantes, assistem a reuniões, ou passam horas sentados ou deitados em colchões estendidos no chão, ouvindo música em alemão, sempre de botas militares, coletes à prova de bala, capacetes…e máscaras… há escudos metálicos empilhados nos corredores…
- Uma constatação
Ao ler este arrazoado, escrito por um enviado, (Paulo Moura), para um jornal nacional de referência, fiquei estarrecido. E logo perguntei: é a este gente, que a Comunidade Europeia e os Estados Unidos, querem entregar meios e poder administrativo? Vai ser bonito de ver.
- E nova constatação
E de seguida, lembrei-me, também, que Ana Gomes, foi em tempos, quando o doutor Mário Soares berrava, deixem os rapazes em paz, uma óptima ponta de lança do M.R.P.P. Que mais tarde, procurou no Partido Socialista, a forma de ser ressarcida, pelo muito que deu à contra-revolução. Poderemos dizer que agora isso já não interessa. Mas convêm perceber, todavia, que preço, agora, lhe paga a “democracia”. Dá-lhe a possibilidade de estar de bem com a vida, mas exigindo, com prontidão, que continue associada ao bullying sobre os povos. Por isso, não admira o papel exorbitante, da deputada, no reviralho ucraniano, porque, acredito, apesar de não ter estado na admirável sede do citado partido fascista, andou por lá perto, tal como o deputado social-democrata, Duartinho Marques. E isso, não é questão menos importante.
- Epilogo e alerta
De todo o modo, devo lembrar, que é sempre preciso, longo tempo, para lamber as feridas provocadas pelas piores topadas.

(Por isso inform,o entretanto, que os húngaros, contrariando os valores da grandíssima União Europeia, já estão a provar de um mundo, socialmente semelhante, ao que o comandante Lamco, anuncia. De todo o modo, tédio ou bocejo, ou fascismo à lá carte, isso que importa, se os interesses do grande capital estão assegurados).

quinta-feira, 6 de março de 2014

O lápis que risca em tons de azul claro

Augusto Alberto


No mundo da democracia parlamentar são raros os jornais, rádios ou televisões, que não estejam no domínio dos poderes económicos. Para melhor percepção, atentemos no facto de António Vitorino, pensador “brilhante” do socialismo de rosto humano, ter estado presente no lançamento, com ampla publicitação na imprensa, de um relato da passagem pelo poder, do ex-ministro das finanças, Vítor Gaspar, da autoria de uma “princesa” do jornalismo luso, Maria João Avilez. E para que a cerimónia ganhasse mais corpo, esteve presente, alguma da mais jeitosa trampa da nação. Os ministros Nuno Crato, Poiares Maduro (de quê?), e Pires de Lima, (que já decretou o fim da banca rota), alguns secretários de Estado, como Carlos Moedas…e os ex-ministros, Marçal Grilo e Luís Amado, Alexandre Relvas, director da campanha de Cavaco Silva, Vítor Bento, (um cripto sacana), e... como se vê, nada é deixado ao acaso, quando se trata de fazer o panegírico dos melhores cangalheiros da nação.
Mas, pelo contrário, quando se trata de posições intelectuais diferenciadas, ou muito criticas da acção do poder, a informação plural torna-se sacanamente unívoca. Apagam-na! Desse modo, não podendo chamar comunista a Sampaio da Nóvoa, mas antes, um cidadão atento à realidade do mundo e aos rumores que fazem opinião, e apesar do seu equilíbrio e sensatez, o seu discurso de passagem de poder na Universidade de Lisboa, quase passou despercebido. Eu diria mesmo, foi cortado com um lápis azul muito claro, em linha com as agruras do fascismo de baixa intensidade, que hoje governa o mundo, porque o azul do lápis que censurou no fascismo mais carregado, esse, foi de chumbo. E o que disse Sampaio da Nóvoa, que tão pouco agradou? Alertou…para o “instrumento de dominação” em que se transformou a crise, usada para legitimar ideias que, de outra forma, nenhum de nós, estaria disposto a aceitar...Serve para impor soluções ditas inevitáveis, que corrompem a nossa capacidade de decisão e a nossa liberdade… Que tudo se decide num lugar longe de nós, num lugar distante da nossa vontade.
O papel da imprensa, em períodos de intensa luta social, está bem documentado. Nesse sentido, acredite que vale a pena perceber qual foi o contributo “dominante”, do jornal “livre” El Mercúrio, na preparação da “pinochetada” no Chile de Allende. Verá como a imprensa autóctone, escrita e falada, poderá colocar-se em linha com as atribulações de “El Mercúrio”, o jornal fascista de Valparaiso, em caso de necessidade. Como é hoje, o caso da Venezuela, ou em referência, ao “putsch” na Ucrânia.
E se me é ainda permitido, aproveito, para informar, sobretudo os crédulos socialistas (?), como pagou o fascismo de baixa intensidade o “incomodo” a Vitorino. Nomeando-o administrador não executivo dos novos CTT. Ou seja, a  “democracia”, não deixa de ter uma atenção, com os que tem traído os interesses nacionais e concomitantemente, traçaram, em tempo oportuno, a politica de privatizações no PEC IV. (…no sector das comunicações proceder-se-à à abertura do capital dos CTT – Correios de Portugal. S.A., à iniciativa privada…)

Como dizia a Hermínia, carrega Pacheco, (Vitorino), porque o povo é meigo, e amante de pau e circo, e pouca carne e pão.

domingo, 2 de março de 2014

…adivinhe quem se apresentará em sua casa, para jantar consigo?

Augusto Alberto


O que esperar de um país em que o partido do poder organiza um congresso que mais pareceu uma “folia”, onde estiveram os oligarcas de Lisboa, bêbados com o poder politico e económico, ao ponto de aparecer gente, sem aviso prévio, para debitar umas larachas, que levaram ao riso, esses oligarcas de pança cheia?
Que país foi ali discutido? Nenhum! Simplesmente, ali foi verificada a babugem e a baba do poder. Aquela “folia”, mais uma vez, porque é exactamente aquilo que os oligarcas pensam, tomou o povo por idiota, que apesar de carregado de fome e humilhação, lhes parece estar sempre disponível para lhes entregar o poder de modo legítimo (?).
Desse modo, e sem espaço para mais delongas ou expiações, chamou de novo, à liça, o Relvas, já muito infestado e imundo de sujidade material e moral. Vejam, como a casta que tem andado a dizimar o país, se esfrega na imundice, contando com a moleza do povo, para continuar a rebolar-se no chiqueiro. A casta, conta, é bom dizer, com duas coisas pertinentes. Primeiro, com uma classe média, que tem andado a passar por entre os pingos que encharcam o povo de miséria e que cuida, apesar de tudo, poder continuar a viver assolapada no Mercedes ou no BMW e que por isso, deve continuar a ser a base social da bandidagem. Segundo, que nunca ocorra por cá um levantamento popular sério, que ponha tendas e paliçadas à porta da “casa da democracia”, e que recuse a entrada aos mainatos da oligarquia económica e financeira.
E que esperar, outrossim, de um partido com vistas (?) para as questões sociais, que apresenta um candidato às eleições europeias, logo muito saudado por comentadores afascistados, como sendo muito bem preparado e muito inteligente. Ao ponto, de ser um camaleão único. Ou seja, a capacidade de fazer a espargata, apoiado num pé, à direita e no outro, à esquerda. Sabendo nós, que quando vacila, o camaleão nunca cai a direito, com o risco de esmagar os colhões no chão, mas cai sempre para a direita, com vista a salvar o pêlo.

Então o que propõe o camaleão, manhoso e inteligente, Assis? Um entendimento do partido socialista, com a direita caceteira e tramontana, para estruturar a esquerda. Te arrenego Assis! E vai mangar com a quinta pata do cavalo, da estátua equestre de D. José. Sabes porquê? Pois eu digo-te, se não sabes. Porque, por enquanto, incluindo a Europa, o grande capital ainda não precisa de recorrer às baionetas e às botas, a que a vulgata chama de fascismo, porque tem à mão pascassos e lambe-botas, quer sejam, Assis como tu, e Seguro, ou Passos e Relvas, com vista à subjugação dos povos e a manutenção de todos os seus privilégios. Por enquanto, ainda só vamos no fascismo de baixa intensidade, mas se as coisas apertarem, adivinhe quem se apresentará em sua casa, para jantar consigo? 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

As "chegas"

Augusto Alberto

Poucos dias antes de ser assassinado em Dallas, Jonh Kennedy quis saber da possibilidade de derrubar o governo brasileiro de João Goulart. Provam documentos, entretanto desclassificados, sob o testemunho de “Arquivos da ditadura”. Daqui se conclui que John só era meigo enquanto esmifrava a vagina da Monroe, porque, quanto ao resto, foi mais um meliante, especialista na “boa” arte da canhoneira.

Entretanto, no mesmo dia em que li estes testemunhos, vi imagens de uma “chega” de bois à transmontana. Colocados os bois frente a frente, encaixam na perfeição os cornos que só se desenlaçam com a fuga do mais fraco. Ora, este é o actual caso da Ucrânia. Palco, preferencial, para o capital desavindo, encaixar os cornos, na ânsia de que um, se sobreponha ao outro. De um lado, a oligarquia capitalista russa, vencedor dos escombros da experiência socialista, que não cede na defesa dos seus espaços físicos, onde há enormes riquezas e do outro, as oligarquias capitalistas ocidentais, que bem conhecemos, com Gaspares, Coelhos, Portas e Seguros, a atacarem na fronteira, onde há carne disponível para o canhão, no sentido de colocar a mão, onde hoje, manda a oligarquia russa.
A traquitana ucraniana é um perigo, porque a oligarquia russa é bruta, e vai responder sem delicadeza e onde mais dói. Por isso, agora em Kiev, parece que estamos perante uma “chega à moda da Ucrânia”. Que “boi” se vai desensarilhar, carregando o fardo da derrota e que ondas de choque sobrarão para os povos, como os que sobraram, entre os anos de 39/45, do século passado?
Chaves em vida “traiu” os manhosos caceteiros de 1989, quando mandou investigar o “caracaço”, que só em Caracas, fez mais de 4.000 mortos. Por isso, “arreceia-se”, tanto a oligarquia capitalista ocidental e americana, como a oligarquia venezuelana, que, presa por uma arreata, convoca de novo meninos, meninas, e senhoras de rostos mimosos, a baterem tachos, para sinalizar a falta(?) de comida. O modelo é o do Chile, de 1973. Então, como é regra nos partidos de poder nas democracias parlamentares, a estrutura do Partido de Allende era eleitoralista e por isso, incapaz de mobilizar gente para vir à rua defender as transformações sociais. Ora, na Venezuela, hoje, a coisa não é bem assim. O fascismo sai à rua e dos morros, para lhe dar o troco, à cidade, descem ainda muitos mais. Por isso, o fascismo na Venezuela vai ter que fazer trabalhos suplementares.
E quem sabe se o actual líder do golpe fascista na Venezuela, Leopoldo López, não é um neto da liderança de Andrés Perez, o amigo socialista de Soares, que há 25 anos, com o “caracaço”, reprimiu violentamente o povo com fome?     
Os diabos são cornudos e o capitalismo também. Desde os primórdios, passando por Kennedy, ou no tempo que corre, de Obama, Merkel ou Barroso. De todo o modo, há sempre quem acredite, que ter um Mercedes e um BMW, é quanto basta para haver democracia. Infelizmente, para os incautos que nada têm.