domingo, 28 de março de 2010

O sítio dos desenhos - 3º aniversário

O blogue "O Sítio dos desenhos" editado pelo artista Fernando Campos completa hoje o 3º aniversário. Aqui ficam os parabéns, não só pelo aniversário mas também pela qualidade patenteada ao longo deste tempo.

Do PEC e de outras tretas

A constante alternância de poder no PSD é um sintoma de fragilidade dos sociais-democratas. A política natural do partido laranja está a ser muito bem executada pelos “socialistas” , transformando-o, não no maior partido da oposição, mas no segundo maior partido de direita.. Não têm, por isso, espaço político, por muitas divergências que tentem inventar com o “ps”.
Vimos isso na aprovação do Código de Trabalho, “rectificado” logo que os “socialistas” chegaram ao poder. Vê-se agora com este famigerado PEC, viabilizado pelos sociais-democratas pela simples razão que não podiam tomar outra decisão. Banqueiros, sucateiros, grandes gestores de grandes empresas, qualquer um que não trabalhe, foram quem mais ficaram contentes com estas decisões políticas. E enquanto confiarem no “ps” o papel do PSD será sempre secundário, porque, pelos vistos, menos “competente”. As reticências, poucas e envergonhadas, são areia que nos atiram para os olhos. Foi com os “socialistas” no poder que os lucros da banca, das pt’s, das galp’s, o desemprego, a deterioração da qualidade de vida das classes que produzem aumentaram para índices indecentes.
A direita está e sabe estar unida. Basta vermos o “volte-face” do mandarim do jardim, agora ao lado do grande líder da direita, mesmo se for contra os laranjas, como ele próprio diz. Mas haverá sempre um prémio de consolação para os laranjas, para além dos dois maiores partidos de direita serem dirigidos por produtos JSD, como relembra o meu amigo Agostinho. Esse, estou em crer, será a Presidência da República. Daí aparecerem um, dois, ou mesmo três, candidatos da área xuxa. Assim quase se garante a reeleição de Cavaco. Ficam todos contentes. Já há figurantes como Manuel Alegre ou Fernando Nobre. Aparecerão outros, pelo que se diz. Ainda haverá outro candidato soarista, que, digo-o já, se for o que se fala não me admiraria de todo.
Ainda não me referi às presidenciais. Também ainda é muito cedo e não embarco em manobras de diversão. Mas sempre vou adiantando alguma coisa: a menos que me apareça a fronha de um camarada meu no boletim de voto, vou experimentar um de dois sentidos de voto que não conheço: a abstenção ou o voto branco. Tenho ainda outro, o voto nulo, mas que por razões de feitio não utilizo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

Entendamo-nos


Quando Sócrates diz que no “ps” as coisas se debatem em “ambiente de liberdade e unidade” ou está a mentir ou a chamar mentirosos a correligionários seus ou, ainda, a fazer de nós parvos. Porque, segundo nos é dado ler nas notícias, há “pesos pesados” do governamental partido que não concordam com o tal de PEC e das privatizações obsessivas.
Entendamo-nos.
E quando alguns dos seus apaniguados, também “pesos pesados” do governamental partido, dizem que o chefe prossegue uma “politica de resultados”, face ao que está à vista parece que estão a fazer de nós parvos. Há qualquer coisa que não bate certo.
Entendamo-nos.
Quando os xuxas dizem que o PEC não é uma imposição externa, sendo antes uma condição para o crescimento económico, deveriam ser obrigados a contar com a minha compreensão lenta, minha e possivelmente de muitos cidadãos, lentíssima no meu caso, pois não consigo perceber muito bem de quem será o crescimento económico.
Entendamo-nos.
Quando Francisco de Assis diz que não pode contar com a Esquerda e que o “ps” "faz parte da Esquerda séria e responsável, realista e exigente, e que não tem medo de mudar a realidade” apetece-me igualar o nível, mas só o consigo imitando o velho Almada, sem o nível deste: “se o “ps” é de Esquerda, eu quero ser nazi”.
Mas, vá lá, a Francisco de Assis fugiu-lhe a boca para a verdade. Um descuido toda a gente tem: “Se olharmos para todos os outros governos, temos que concluir que fomos mais longe, fomos melhores e tivemos uma política com mais sucesso”, concluiu. Ah, leão.
Assim, sim, a gente entende.se.

domingo, 21 de março de 2010

Salvar o Tâmega e os seus afluentes - PETIÇÃO PÚBLICA

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No dia Mundial da poesia

A tua mão Poeta

A tua mão poeta
atravessou os oceanos até mim

A tua mão poeta
encontrou-me sentado na ilha África
levantada no coração de Lisboa

A tua mão poeta
partiu de mim para mim pela tua voz
pela voz angustiada da meia-noite nos muceques
pela tua voz ritmada das enxadas
nos terrenos adubados pelo sangue da sujeição
pela tua voz milhões de vozes fraternidade
amor
situadas para lá das algemas para lá das grades
sempre livres sempre fortes sempre grito sempre riso

A tua mão poeta
um poema de amor
escrito com os cinco dedos de África
sobre a ânsia humana de amizade e paz

A tua mão poeta
sonorizando o batuque liberdade
entre as cubatas escravas da vida

Tenho-a na minha mão
e através dela
oferto-me à nossa África


Agostinho Neto

sábado, 20 de março de 2010

A ver vamos...


cartoon daqui

"O humor é uma tentativa para libertar os grandes sentimentos da sua parvoíce"
Raymond Queneau

sexta-feira, 19 de março de 2010

A “coisa” complica-se

O “ps”, como aqui já escrevi por mais que uma vez, tem uma maneira muito especial de exercer o poder. É um “vê se te avias”, estilo tipo “ fartar vilanagem enquanto aqui estamos”.
Vai ganhando contornos fascizantes e assim não admira o estado a que isto chegou e que, pelos vistos não fica por aqui. São prémios de boys em cima de prémios de boys, e mais do que a gente sabe…
É mais notório nas instituições do Estado, o que traduz bem a confusão estabelecida entre o “ps” e o estado. Confundem-se. Uma espécie de ”O Estado sou eu”. E o Estado enquanto for o “ps” não dá respostas nenhumas a ninguém. A não ser aos seus donos. Porque a palavra de ordem é sabotar o que é o “Estado”. O “ps”, ou esta ordem económica que está na moda da qual os xuxas são o seu expoente máximo.
É grave, é deprimente. Já nos está muito caro e não ficará por aqui. Isto é só um exemplo.

A língua portuguesa é muito traiçoeira. E a vírgula?

Da campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa)


Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.



Detalhes Adicionais:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.


* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...


quinta-feira, 18 de março de 2010

A crise não existe, é estratégia de classe


Que há linhas de força fascizantes na prática política do “ps” penso não haver muitos que tenham dúvidas.
Já não vale a pena falar do código do trabalho, da situação de quem realmente produz, do desemprego, da desvalorização do trabalho e do endeusamento do lucro, do estado em que o Estado está, dos lucros fabulosos da grandes empresas e dos também fabulosos ordenados e prémios dos que melhor servem a confraria em tempos, dizem eles, de crise. Que pelos vistos não existe, é mais uma estratégia de uma opção de classe, para melhor imporem as políticas que querem e têm levado a cabo sem grandes oposições e sem provocar uma capacidade de indignação que as pessoas realmente têm, mas que está adormecida. Trágico, ou tragicómico, é que a situação começa a ter contornos incontroláveis.
Esta de não reconhecerem ao poder local a legitimidade de escolher, ele próprio, a sua toponímia é de bradar aos céus.
Tão imbecil, tão imbecil, tão anti-democrática, tão anti-democrática, que só pode ser mais uma manobra de diversão.
E mesmo as manobras de diversão costumam, supostamente, ser um pouco inteligentes. Agora com estas contradições é preciso muita pachorra para aturar esta cáfila.

terça-feira, 16 de março de 2010

Americam dream revisited



O famoso american dream está a tornar-se cada vez mais um pesadelo.
O desemprego está a subir vertiginosamente, sendo já 15 milhões o número de desempregados, só em Nova Yorque são 40 mil os sem abrigo e 25% dos total dos presos de todo o mundo estão em cadeias norte-americanas. O que, para mim, são violações sérias, e graves, dos direitos humanos.
Já há contestações populares a este democrático “paraíso” em vários estados do país. A notícia não chega às manchetes nem aos grandes ecrãs. Mas sabe-se que democraticamente” a polícia atacou e prendeu algumas centenas d0s estudantes e desempregados que se manifestaram exigindo emprego, não prisões.
Os dirigentes destas manifestações dizem que a luta pela educação e o emprego se vai intensificar.
O capitalismo já, aliás desde há muito, não consegue resolver problemas absolutamente nenhuns. Antes os inventa.
Mais aqui.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Naide Gomes: medalheiro completo


Com o título de vice-campeã nos mundiais de pista coberta Naide Gomes junta a medalha de prata à de ouro de 2008 e à de bronze conquistada em 2006.
Para compor a prateleira das medalhas Naide tem ainda uma de ouro nos mundiais de 2004 no pentatlo. E os títulos de campeã europeia em 2005 e 2007.
A atleta, que mesmo assim ficou a escassos 3 centímetros do lugar mais alto do pódio, dedicou mais esta boa prestação ao seu treinador que insistiu na sua participação apesar do atraso na preparação.
Num país como o nosso, que tem o desporto que tem, é obra. Lá vão aparecendo , de vez em quando, uns atletas de eleição, que nos vão mitigando as tristezas.
Porque os Lopes, as Rosas, as Fernandas, os Évoras, os Silvas e outros não aparecem por geração expontânea todos os dias.

domingo, 14 de março de 2010

Adieu Camarade

Acabo de saber, via Cantigueiro, que Jean Ferrat, o militante da fraternidade, aquele que melhor cantou Aragon, partiu.
Autor de inesquecíveis canções, algumas já aqui na “aldeia”, como Nuit et Brouillard, La Montagne e muitas outras.
Deixo-vos uma que me recorda, sempre que a ouço, o meu avô João de Campos. Que esteve lá, do lado dos vencidos.




C'est un joli nom Camarade
C'est un joli nom tu sais
Qui marie cerise et grenade
Aux cent fleurs du mois de Mai
Pendant des années tu sais
Avec ton seul nom comme aubade
Les lèvres s'épanouissaient
Camarade, camarade









sábado, 13 de março de 2010

Que sorte!

Augusto Alberto

O Mar Egeu banha a Turquia, Creta e a Grécia, e está carregado de pequenas ilhas, muitas, inabitadas. Pelas suas águas passam barcos com gente em relaxe. É sabido que muitos homens descartam a hipótese de ter um iate, em favor de semanas de aluguer, passadas nos recônditos das Ilhas gregas, sulcando as calmas água do Egeu. São homens recatados, que desse modo fogem das vistas e dos incómodos das fotos e do povo, que é ignaro, olhudo e invejoso e que já quase não tem para a galheta do azeite.

Famílias inteiras estendem-se na coberta do iate, lendo a paisagem ou dando o corpo ao sol. Lânguidos à chegada do lusco-fusco do fim do dia, regressam à cabine e em paz saboreiam os acepipes que o cozinheiro qualificado, recomendou e cozinhou. Uma vida santa, feita de modorra e pachorra. Nesse mar azul-turquesa, Maria Callas aproveitava para recuperar e aveludar a voz e Jacqueline, sentada em sítio próprio, mandou dar uma volta o luto por Keneddy. Onassis, nada tolo, comeu e saboreou das duas e do Egeu.

Lembro-me agora destas histórias, que não acabam aqui, porque chegou o PEC (programa de estabilidade e crescimento) e porque a Grécia, apesar do seu admirável Egeu e das suas belíssimas ilhas, está em bancarrota.

E porque a história não está completa, como disse, e tem sujeitos, lembro-me que há uns anitos a abertura de um dos telejornais deu nota de um acidente com um desses iates de luxo, em cruzeiro pelo belíssimo Egeu, que transportava uma discreta família portuguesa. Por ventura, uma daquelas que não está para ser olhada e por isso, não tem iate próprio por cá, mas pode tê-lo por lá, ou simplesmente o aluga.

Recordo-me que a família deu ar de poucas falas, porque deu conta da captura do seu segredo e o capitão, debruçado sobre a amurada, apresentou ao repórter um ar façanhudo, porque a descrição nestas coisas é a alma do próprio negócio e da viagem.

Perguntarão os caros leitores deste simples blog, ao que venho, se a vida é de cada um e é assunto reservado? Bem sei, mas as questões para mim não são tão simples.

Porque gente como Sócrates e Platão, discípulo do primeiro, que privilegiou a rectidão e a humildade, se tivessem adivinhado que gente ai vinha, teriam tomado as devidas cautelas, impedindo a pátria grega, de parir gente assim, completamente inapta, vassala e de um lado só. E por fim, está-me a parecer que a tal família que quase naufragou ao embater nos costados de um rochedo, deve estar a pensar que o tal PEC, lhe está a fazer, só, uma breve e ligeira comichão. Por absurdo e ao arrepio do que disse o grego Sócrates, “conhece-te a ti mesmo”, o Sócrates de cá, nome próprio, só consegue conhecer e conceber como malhar nos fracos, porque o PEC, sobretudo, é grande para os ricos.

Neste momento em que escrevo, fui ver a meteorologia para o Egeu e ela disse-me que o tempo está e vai estar lindo e de temperatura de amêndoa e por isso, estou em crer que não há PEC que lhes afunde o iate. Que sorte que nós não temos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O convite


Recebi, via e-mail, um convite do Partido Socialista para estar presente na apresentação da sua candidatura às eleições intercalares de Quiaios.

Claro que não ficando ofendido também não me senti lá muito honrado com tal convite. Acho que tal iniciativa por parte dos auto-denominados socialistas revela uma enorme falta de tacto e uma também enorme falta de sensibilidade política. Mas enfim. Penso que os leitores deste blogue não estão a imaginar lá a minha presença. A não ser como jornalista, o que não é o caso. É que sou mesmo alérgico a fascistóides, a boys e outras quejandices que tais. Ainda há dias um dos tais dessa confraria disse que o artigo 57º da constituição era … bem, está no post anterior.

Continuo solidário com os milhares de trabalhadores desempregados, com os milhares de trabalhadores que ganham uma miséria, com os milhares de trabalhadores que têm perdido direitos. Continuo inconformado com o encerramento da maternidade do HDFF, estou contra o possível e/ou provável encerramento do Serviço de Oncologia. Estou contra muita coisa.

Acho que há pessoas que deveriam ter vergonha na cara. Mas não têm.