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sábado, 12 de outubro de 2013

Augusto Alberto na Naval, 20 anos depois



O colaborador de “Aldeia olímpica”, Augusto Alberto, depois da sua participação nos Jogos Para-olímpicos de Londres regressa à Associação Naval 1º de Maio.
Com o desejo de acabar a sua relação com o remo na sua cidade, um dos mais credenciados treinadores de remo portugueses, também treinou o Ginásio Clube Figueirense, onde conseguiu o principal título da sua carreira, campeão nacional de Shell 8, como treinador e timoneiro. Foi a primeira e única vitória em 120 anos da modalidade na Figueira da Foz. Com o Shell 8 obteve várias vitórias, quer na Naval quer no Ginásio, em regatas internacionais.
Neste interregno de 20 anos passou pelas várias selecções nacionais desde juvenis, juniores, sub-23, selecção A e paraolímpica.
Os seus atletas, juvenis e juniores, conseguiram várias medalhas de prata e bronze em regatas internacionais e a sub-23 e a selecção A conseguiram várias posições de finalistas em taças e campeonatos do mundo.
Agora Alberto vai treinar os juvenis da Associação Naval e é justo pensar-se numa melhoria qualitativa do remo figueirense.

Boa sorte.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Filomena Franco na Naval

(Foto: Augusto Alberto, em Pequim/08)

A atleta da selecção paraolímpica de Remo, Filomena Franco, vai representar a Associação Naval 1º de Maio, anunciou o site oficial do clube.
Treinada por Augusto Alberto, Filomena está já apurada para os jogos de Londres, os seus segundos, depois do 11º lugar em Pequim. Em 2011 a atleta obteve o 8º lugar nos mundiais na Eslovénia que lhe garantiram a presença em Londres, e um 4º lugar na Taça do Mundo.
A Associação Naval 1º de Maio levará assim dois atletas à capital britânica, depois do apuramento do atirador João Costa.

sábado, 15 de outubro de 2011

Augusto Alberto, um treinador no top


Augusto Alberto (na imagem), colaborador deste blogue, está nomeado para o Prémio Desportista do Ano-2011, na modalidade de treinador, e a sua atleta, Filomena Franco, já apurada para os Jogos de Londres, está nomeada na categoria Atleta feminino.
No próximo dia 27 serão divulgados os cinco finalistas de cada categoria e os vencedores conhecer-se-ão no dia 8 de Novembro durante a 16ª Gala do Desporto, que se realiza no Casino Estoril.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Angola: prata no Remo

Heráclito Guimarães, ex-remador do Ginásio CF, clube em que foi treinado por Augusto Alberto, conseguiu a medalha de prata no campeonato Africano Sub Sahariano/Regata Internacional de Douala, que se realizou nos Camarões.
O angolano, que competiu em skiff absoluto, ficou a um segundo do atleta da casa, que tem no curriculum a participação nas olimpíadas de 2008 em Pequim.
O remo angolano prova assim que tem grandes possibilidades de desenvolvimento e sonha com uma presença em Londres.

(Na imagem: André Matias e Heráclito Guimarães, na III Taça do Mundo, em Lucerna, Suiça)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Já há um figueirense em Londres/2012

Augusto Alberto, antigo treinador de remo da Associação Naval 1º Maio, do Ginásio Clube Figueirense e da selecção portuguesa de Remo, actualmente treinador de remo adaptado da Federação Portuguesa de Remo, vai estar presente nos próximos Jogos Paraolímpicos a realizar em Londres, no próximo ano, após qualificação, muito difícil, da sua atleta, Filomena Franco, obtida no recente campeonato do mundo da modalidade, realizado em Bled (Eslovénia).

Esta qualificação culminou um longo processo de preparação, que teve início logo após a participação nos Jogos Paraolímpicos de Pequim/08, os jogos em que o remo se tornou também modalidade paraolímpica.
Lograram garantir a qualificação, neste campeonato do mundo, os seguintes países: Ucrânia, França, Israel, Coreia do Sul, Brasil, Bielorrússia, Polónia e Portugal. Terão uma segunda e última oportunidade no próximo ano de 2012, países que este ano, apesar de competirem nas diferentes competições e ainda neste campeonato do mundo, na categoria de braços e espáduas, não lograram obter o apuramento: Reino Unido, pais organizador dos próximos jogos paraolímpicos, Rússia, Estados Unidos, Hungria, China, Japão e Itália.
Os parabéns do “Aldeia Olímpica” a Filomena Franco e ao seu técnico, também colaborador deste blogue.
E, já agora, se não for pedir muito, que venha uma medalhita.

sábado, 21 de maio de 2011

Filomena Franco: prata em Itália

A atleta Filomena Franco conseguiu a medalha de prata na Regata Internacional de Remo adaptado de Gavirate. A vencedora foi a atleta ucraniana campeã do Mundo em 2009 e em terceiro uma atleta húngara.
Filomena,  irá disputar na próxima semana a Taça do Mundo em Munique e, em Agosto, tentará melhorar o terceiro lugar obtido na edição do ano passado no Campeonato do Mundo, prova que este ano se disputa na Eslovénia e é decisiva para o apuramento para os jogos paraolímpicos.
O treinador, Augusto Alberto, acredita ser forte a possibilidade do apuramento para Londres/2012.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Remo: selecção angolana prepara-se em Coimbra



André Matias e Heráclito Guimarães (na imagem) e Jean Luc são os 3 atletas que vão representar Angola nos Jogos Pan-Africanos e tentar o apuramento para os Jogos Olímpicos.
Representam actualmente a Associação Académica de Coimbra, tendo o segundo nascido na Figueira da Foz, cidade onde foi treinado por Augusto Alberto, colaborador deste blogue.
Os Jogos Pan-Africanos realizam-se em Setembro em Moçambique, seguindo-se em Outubro a qualificação para os JO em Alexandria, no Egipto.
No plano de preparação dos atletas está a participação na Regata Internacional da Queima das Fitas, no próximo dia 7 de Maio.
Embora muito difícil o apuramento para Londres seria ouro sobre azul para uma modalidade que se tem desenvolvido em Angola.

sábado, 13 de novembro de 2010

Uma mulher quebrada ao meio

por Augusto Alberto


Uma mulher quebrada ao meio consegue, aos 35 anos de idade, o supremo prazer de subir ao pódio após a conquista da medalha de bronze, no campeonato do mundo da sua modalidade, umas das modalidades chaves do Jogos Olímpicos, e hoje modalidade paraolímpica. Foi assim com Filomena Franco, uma mulher partida ao meio, em resultado de um estúpido acidente, aos 18 anos, que lhe provocou uma lesão completa e bem alta, da vértebra e da medula, tornando-a paraplégica e colocando-a numa cadeira de rodas. Hoje, e após dois anos e meio de dedicação quase completa ao remo, consegue o sorriso de quem descobriu no barco o modo de lhe colocar a vida a um nível superior.
Mulheres todas elas marcadas em virtude de um estúpido acidente. Como por exemplo, também, o daquela bonita menina brasileira, medalha de prata na mesma competição, a quem um automóvel tresloucado, apanhou em plena via publica e lhe ceifou parte da bacia, a perna direita e o acetábulo e a obriga a usar uma canadiana para a sua locomoção. Tal como a Filomena, a nossa medalha de bronze, descobriu no remo o meio de sedução que lhe enriquece a vida. Só pode ser um gozo. E ouvir os sons das trombetas que chamam ao lugar mais alto os melhores de uma final de um campeonato do mundo…

Ao pódio foram as três primeiras, como é certo e normal nestas coisas, mas às outras jovens, lambidas um dia pelo infortúnio e que fizeram a festa da competição, cada uma no seu barco e apesar de ficarem afastadas do pódio, não lhes diminui a graça, antes pelo contrário. Deram um claro sinal de que um cidadão, mesmo diminuído, pode viver de um modo superior e ser feliz.
Filomena Franco que há dois anos e meio descobriu o remo adaptado para colocar a sua vida num patamar acima, está de parabéns pelo seu resultado e pode muito sinceramente começar a pensar em estar presente nos próximos Jogos Paraolimpicos a disputar em Londres/2012. Não errarei se disser que em Londres, estaremos todos os que estivemos neste Campeonato do Mundo disputado na Nova Zelândia, e isso só nos poderá deixar muito satisfeitos.
Mas neste Campeonato do Mundo Portugal também esteve presente com outra equipa, o double-skull masculino peso-ligeiro, com Pedro Fraga e Nuno Mendes, que poucas semanas antes, em Montemor-o-Velho, se sagraram vice-campeões da Europa e que desta feita, se classificaram em 6º lugar na final-A, pela primeira vez num barco olímpico, que é sempre coisa de grande competitividade. Poderá este barco, já confirmado como exemplo da excelência no contexto do desporto Português, aspirar à final-A, nos próximos Jogos Olímpicos de Londres em 2012? Esperemos que sim!
E eu, que escrevo esta singela noticia e que com a Filomena trabalho há dois anos e meio, só me posso dar também por satisfeito e tudo farei para levar a Filomena a Londres e conseguir um lugar o mais acima possível, mas partindo sempre do princípio, que para uma mulher quebrada ao meio, conseguir locomover o seu barco somente com os braços e estar presente nestes momentos de festa, é já motivo de grande satisfação. Mas se o lugar for sempre mais acima, então, acrescenta-se outra graça.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Filomena Franco (remo): bronze histórico no Mundial

No Campeonato Mundial de Remo, que se realizou no início do mês na Nova Zelândia, a atleta Filomena Franco conquistou a medalha de bronze.
É um resultado histórico para o remo português. A atleta, que é treinada pelo figueirense e colaborador deste blogue, Augusto Alberto (os dois na foto, em Pequim), dá boas indicações para uma boa presença nos próximos Jogos Paraolímpicos, em 2012 na capital inglesa.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Breves notas sobre o Europeu de Remo


por Augusto Alberto (Texto e fotos)

Li na blogosfera figueirense que em Montemor-o-Velho se realizou o Campeonato da Europa de Remo. Como não deveria saber? Mas este Campeonato Europeu de Remo, teve gente na sua construção, não foi obra do desígnio divino. Foi uma obra material, pensada, montada e executada por pessoas. E aqui é que bate o ponto, porque na esperança de celebrar o fiasco, que dava jeito a uns quantos que parece na vida só saberem usar a marcha atrás, e que para o efeito encomendaram um braçado de foguetes, para fazer explodir após o fracasso, eis que nas vésperas do campeonato muito choveu e os foguetes foram tomados pela água e então não rebentaram e afinal o desejo do fiasco deu lugar, em boa verdade, ao êxito completo.
E até esta minha cidade da Figueira andou de mãos dadas com o êxito. Muitas das centenas de atletas e demais acompanhantes passaram por cá. Alguns campeões olímpicos, sem suspeitarmos. E até o sóbrio e digno jantar das Nações foi realizado nesta minha cidade, no imenso areal, numa tenda montada a preceito, dando a ideia de que nesta minha amada Figueira não há lugar “nobre” para uma coisa destas. Ou como mão reaccionária acaba por celebrar, sem esperar, também o areal da praia da Claridade. Lá esteve, também, bem perto de mim, o nosso Presidente da Câmara, que pelos vistos não foi capaz, não soube ou não pode, dar uma sapatada em tamanha mão e se viu também atirado para o areal, não para ir a banhos, mas para jantar. Apesar de tudo, foi sempre um homem contente.
Pois é verdade, no país que discute até ao tutano as rábulas do mundo trauliteiro do futebol, e admite como boa a possibilidade do técnico da nossa gloriosa selecção nacional de futebol, poder insultar, quando e como, gente que cumpre as suas tarefas, e esperar que tudo continue a fluir sobre rodas, em Montemor-o-Velho, uma das mais importantes modalidades olímpicas, ofereceu momentos de grande beleza desportiva e plástica. Três dias de magia. Mas se a clareza desportiva esteve presente, é de referir que hoje o vizinho concelho de Montemor-o-Velho, com alguma audácia, empenho e sorte, possui um equipamento desportivo de elevada qualidade social, técnica e paisagística. Aquilo que ali nasceu e se concluiu agora, com a recepção da primeira prova FISA no nosso país, quer resposta atenta e persistente. E mais ainda. Tem fundamentalmente os montemorenses um local de eleição para os seus passeios e por isso, será bom que não deixem estragar o que agora se inaugurou.

Da competição propriamente dita, apesar da enormíssima medalha de prata do double-skull peso ligeiro do Nuno e do Pedro, o remo português tem ainda um longo caminho a percorrer. É preciso mais trabalho e fundamentalmente, melhor capacidade emocional, capaz de suportar meses a fio de árduo treino. Essa é a grande variável que tudo decide e o double-skull vice campeão Europeu, percebeu bem isso e vai recolhendo proveito.
Jovem atletas figueirenses contribuíram desportivamente para a formação das várias tripulações nacionais, ainda que em barcos não olímpicos, como o Ricardo Carriço, no dificílimo lugar de voga no shell de 8 com timoneiro peso ligeiro, e o João Gabriel, na posição de proa do mesmo barco, na idade de transição de júnior para sénior, em luta directa com os fortíssimos barcos da Itália e Dinamarca, obtiveram um honroso terceiro lugar. No skiff peso ligeiro, Diogo Pinheiro, um atleta já com alguma experiência, com um bom 8º lugar.
Como seria mais ou menos esperado, a Alemanha foi quem mais êxitos somou e a Grã-Bretanha, foi o único País europeu ausente, apesar da longa aliança, porque alguém soprou que ali haveria fiasco. Enganaram-se! Venha um mundial absoluto, é o meu desejo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Patricia Baptista: 3ª na Final D

A remadora do Ginásio, Patrícia Baptista, concluiu ontem a sua participação nos Jogos Olímpicos da Juventude com um 3º lugar na final D, com o tempo de 04.16.08. Discordando do comentário de um anónimo não creio que a atleta tenha ficado em último. Embora não sabendo pormenores dos jogos, cada série, no remo, é disputada por 6 atletas. Ora, a figueirense fez um 5º na primeira eliminatória, um 3º na repescagem para a meia-final e um 5º na meia-final.
Não terá sido uma participação perfeita, pois o melhor tempo foi conseguido logo na entrada (04.05.64), tendo conseguido melhor na final D do que na meia-final (04.19.48), mas como dissemos, tendo em conta a realidade do Remo português, terá sido, certamente uma boa participação.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Jogos Olimpicos da Juventude

Com o tempo de 04.19.48, Patricia Baptista não conseguiu melhor que o 5º lugar na meia-final da prova de 1000 mettros, disputada hoje. Ainda que nas eliminatórias anteriores a remadora do Ginásio tivesse feito melhor, o site oficial do COP considera uma boa marca. Assim, a figueirense disputa amanhã a final D.
Tendo em conta a realidade do Remo português no contexto mundial estamos perante uma participação positiva.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

JOJ: Patricia nas meias

A remadora Patricia Baptista apurou-se hoje para as meias-finais da prova de 1000 metros, nos Jogos Olímpicos da Juventude.
A ginasista ficou em 3º lugar na sua série com 4.11.61, um tempo pior que na anterior eliminatória.
As meias-finais disputam-se amanhã.
Mas o dia de hoje trouxe outros bons resultados: a nadadora Ana Rodrigues obteve a medalha de bronze nos 50 metros bruços e Miguel Fernandes foi 4º no Triatlo.

Jogos Olímpicos da Juventude

A remadora do Ginásio Club Figueirense, Patrícia Baptista, que representa Portugal na 1ª edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, que se realizam em Singapura, classificou-se em 5º lugar, na sua série, na prova de mil metros. A atleta, que tem o acompanhamento técnico de outro figueirense, o treinador Augusto Alberto, gastou 4.05.64 minutos, e disputa hoje, a repescagem para a meia-final.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Regata Internacional de Remo Adaptado


Pela segunda vez, a atleta paraolímpica, Filomena Esteves, esteve presente em Itália, na regata internacional de remo adaptado, que se realizou no Lago de Gavirate, na província de Varese, epicentro do remo adaptado Italiano.
Estiveram presentes sete países, Grã-Bretanha, Irlanda, Alemanha, Rússia, Espanha, Portugal e Itália.
Com um tempo muito instável, de muita chuva, frio e algum vento, a competição neste segmento do remo, foi muito difícil, dado que os atletas participantes são protagonistas dos mais variados handicaps. Sobretudo, para os atletas paraplégicos. De todo o modo, a atleta paraplégica que representou Portugal na classe braços e espáduas, teve uma prestação muito agradável, ganhando as duas provas em que participou, no sábado e domingo. Isto equivale por dizer, que a sua preparação com vista à presença nos próximos Jogos Paraolimpicos a realizar em Londres 2012, decorre com normalidade percorrendo calmamente as várias etapas.
Resta dizer que esta competição tem a importância inerente a uma grande regata internacional de preparação para os próximos Jogos Paraolímpicos a realizar no ano de 2012. Segue-se o campeonato do Mundo a realizar no próximo mês de Novembro na Nova Zelândia.


Augusto Alberto

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Celeste (II)

Por razões alheias à nossa própria vontade não foi publicada a totalidade da crónica “Celeste”. Aqui fica a segunda parte, com as respectivas desculpas ao Augusto Alberto e aos leitores.


Augusto Alberto

Há anos, numa manhã de sábado, dirigi-me ao velho posto náutico da Avenida Saraiva de Carvalho e não consegui abrir a porta. O telhado do velho edifício ruiu sobre os barcos e o atrelado que os transporta. Os escombros entravaram a porta. Percebi o pior. Logo dei pela perda.
Não sei quantas vezes o Celeste ainda remou depois da tragédia de 1930. Se calhar poucas. Ou mais nenhuma. O que sei é que ficou completamente destroçado. Fiquei muito magoado e hoje carrego uma dúvida. Provavelmente não fiz tudo para o salvar. Quantas vezes reclamei para que dali fosse retirado? Quantas? Pressentia que aquilo haveria de suceder. Mas também é certo que nunca ninguém me ouviu. Garanto-vos que hoje, conhecendo a forma como acabou, tê-lo-ia colocado à porta do museu, único lugar onde deveria repousar.
Celeste, em honra à mulher mais bela. Construído em Itália, Livorno, teve curta vida, aquela foi a sua regata de estreia, e história complicada.
Nesse dia de desconsolo, do último folgo do Celeste e do velho posto náutico, houve um prenúncio. Um prenúncio de que haveriam de suceder coisas bem piores. Se se tem reflectido sobre os escombros da Avenida Saraiva de Carvalho, talvez se tivesse evitado a desgraça da rua da República, que foi o fogo que destruiu a notável sede da Associação Naval 1º de Maio. A perda de uma preciosidade.
Estamos sempre a tempo de parar para reflectir. O futuro será sempre aquilo que cada um de nós quiser. Para o bem e para o mal.
Mas curioso é o facto de no mesmo dia do trágico acidente e quase à mesma hora, ter estado a minha mãe a empurrar para a luz do dia o seu primeiro filho, o meu irmão mais velho, que veio ocupar demograficamente o lugar do Cachola. Pelo menos por aqui, que bom que foi.


Esta é a história sublime de uma regata de remo. Permanece obscura, mas fui a tempo de a recuperar na oralidade do meu pai, que se hoje fosse vivo teria mais de cem anos e do próprio Edmundo, de quem os ingleses um dia disseram ser o remador mais valente que alguma vez remou nas memoráveis regatas da Taça Vitória, no conjunto das regatas internacionais da Figueira da Foz, da primeira metade do século passado. Taça Vitória, com fim também trágico, devorada pelo fogo da rua da República. Que infelicidade!
Por fim, aproveito desde já para responder a uma insidiosa pergunta feita por um anónimo, aqui nesta “aldeia olímpica”. O que faço eu hoje, ainda no remo? REMO, caro anónimo, sempre REMO.

CELESTE

Augusto Alberto


Faz hoje, 22 de Junho, 79 anos, a história mais sublime do desporto da cidade, que quero aqui recuperar, depois de a ter contado em Dezembro de 1997, no extinto “A linha do Oeste”. Algumas alterações são exigidas, porque o tempo de hoje, não é o tempo de 1997, ainda muito povoado pela tragédia da Rua da República. Para que se conheça e se reflicta sobre a importância das coisas e do melhor da minha cidade.
É incontornável que a história da primeira metade do século XX não pode negligenciar o contributo soberano dos clubes da cidade. Neste particular, a história dos primeiros 50 anos da Associação Naval 1º de Maio possui um encanto muito particular. Cidade e clubes entrelaçam-se.
Desse período fica como momento mais sublime, o dia 22 de Junho de 1930. Estava uma manhã calma, de calor sanjoanino e dos “5 irmãos” partiram à mesma voz os dois shell 4 com timoneiro, da Naval e do Ginásio. Em disputa estava o Campeonato Regional de fundo. A luta saiu dura. O normal. Era a honra dos dois eternos rivais que se jogava então.
A velha ponte, lugar mítico das últimas acelerações, imutável, viu os dois conjuntos confluir para o mesmo pegão. Conheciam bem as correntes os dois timoneiros, experientes e timoratos. Entraram forte, até que o inevitável acontece, sobretudo quando se joga bem alto a bandeira.
O sol e o esforço fizeram esgotar as energias. Bátegas de água e suor molhavam os corpos. As mãos a tangerem subtilmente os remos. Nunca se apertam!
Os remos movem-se sincopadamente. O timoneiro dá mais um puxão nos baldrocos, uma guinada de leme. O aperto foi de mais. E zás! A proa do Celeste entra completamente por debaixo do barco do Ginásio. O leme, lâmina fina do barco ginasista corta e rebenta a tela da caixa-de-ar do Celeste. Chocam! Os barcos perdem velocidade e param. Os nervos rebentam frágeis e ainda hoje não se sabe, nem ninguém nunca saberá, os motivos, António Cachola alivia os pés do seu pau-de-voga, salta do seu lugar e entra na água cristalina do Mondego. O grande Edmundo salta também, mas submerso sente um remo debaixo dos seus pés e pula de novo à superfície. Finca as mãos na borda do barco e aí permanece. Cachola não sabe nadar. Os outros três também não. Só o timoneiro sabe dominar as marés. O tempo corre. Os presentes, toda a multidão que sob o tabuleiro da velha ponte saudava a regata, dão-se conta do pior. Saltam à água dois homens destemidos. Salta à água um adversário ginasista. Mas Cachola afunda-se. A Cidade agita-se e logo chora.
Vinte e quatro horas após, o corpo aparece frio, junto à velha ponte, mãos fincadas no pilar, que a tudo assiste.
Não é minha intenção ao cabo de 79 anos ajustar a história. Aliás, não há ajuste possível. Foi, sê-lo-á por todo o sempre, comum, os encontros, o entrelaçar dos remos. Só que agora os barcos são de matéria dura e não é assim do pé para a mão que rebenta uma caixa-de-ar. Para além de que saber nadar, é uma regra certa.
As exéquias de Cachola foram monumentais. Toda a cidade se juntou no infortúnio. A imprensa nacional registou o momento. António Cachola ficou como símbolo do clube. Todos os anos os velhos navalistas se deslocam ao seu mausoléu.
Mas, e o Celeste? O barco?
Não acredito no destino. Acredito no potencial dos homens e instituições. Na vontade e inteligência. O resto são misticismos de gente que mendiga, rasteja e é incapaz. A sorte e o azar são coisas do jogo da vida.

domingo, 21 de junho de 2009

Um barco chamado “Celeste”


A actividade e a rivalidade dos dois grandes clubes da Figueira da Foz, a Associação Naval 1º de Maio e o Ginásio Clube Figueirense, são parte integrante e marcante da história da cidade.
Poder-se-ia contar muitas estórias das refregas entre os dois, muitas delas cómicas. Mas também a tragédia invadiu algumas vezes o cenário. Augusto Alberto foi aos confins da memória resgatar, provavelmente, a mais pungente delas. Amanhã. Porque amanhã faz 79 anos que um barco chamado “Celeste”…

sábado, 20 de junho de 2009

A vitória do shell8+ foi há 5 anos


Entrevista


Augusto Alberto: "É muito difícil repetir"

O maior feito do remo figueirense, a vitória do shell8+ do Ginásio no campeonato nacional, fez 5 anos no passado dia 15. Porque poderá parecer estranho ser esta vitória ainda única numa cidade virada para o desporto e em que esta modalidade tem grandes tradições, a “aldeia olímpica” entrevistou um dos obreiros desse feito: Augusto Alberto. Para quem poderá não saber era o treinador e o timoneiro do conjunto vencedor. Depois de ter passado pela selecção principal e pela sub-23 está agora com o projecto paraolímpico.
Ele mesmo, o colaborador deste blogue, teve a gentileza de responder a algumas questões. Ei-las.


Antes da prova equacionaram a hipótese de chegar à vitória?
Reunidas as condições humanas necessárias, e estando consolidada a base material e logística, claramente se colocou como o único objectivo, pela primeira vez, a vitória no Campeonato Nacional.

Numa cidade onde o remo tem forte implantação como se explica que este êxito seja único? Que significado poderá ter?
É preciso esclarecer que a modalidade passou por um longo período de apagamento, por razões várias, entre o início da década de 50 e o início da década de 80, do século passado, três décadas. Este apagamento colocou a modalidade numa situação de aflitiva inferioridade, logo à partida, do ponto de vista material. No início do seu período de recuperação, o remo da Figueira não reunia condições materiais e logísticas para se afirmar do ponto de vista da qualidade. Do mesmo passo, necessariamente não foram criados atletas de qualidade, com o hábito do treino e da competição de um modo sério, consistente e contínuo. Desse modo, não poderia existir, especificamente, tradição do treino e competição neste barco. Quando a modalidade principiou a sua recuperação, naturalmente as cautelas e o receio de competir, sobretudo num barco tão rápido e exigente, foram sempre muitas. O percurso foi feito paulatinamente noutros barcos, ao mesmo tempo que se foi criando o hábito do shell 8 nos escalões de formação, com inteiro êxito, diga-se. Foi, pois, necessário romper com o medo de treinar e competir neste barco e isso foi um longo processo.
À medida que as condições se foram reunindo, foi necessário estar atento à vontade dos atletas. Essa vontade está sempre datada no tempo, porque nem sempre se conseguem reunir com vista a este desafio, que é enorme, porque é complexo, tanto do ponto de vista do treino técnico, físico e de grande exigência do ponto de vista da estabilidade emocional. Por outro lado, são precisos entre 10/12 atletas, sendo que no final só 8 são os eleitos e essa escolha é sempre muito dramática para o treinador, que é quem decide em última análise…

E se decide mal? É frequente isso acontecer neste desporto?
…bem, a questão foi que começamos com 10 atletas à partida com hipóteses de remar no shell 8 e acabamos com 9. Foi necessário decidir finalmente o atleta não legível, que trabalhou do mesmo modo, competiu também no conjunto das regatas que suportaram a preparação da equipa, mas acabou por não ser o escolhido. No dia da escolha o treinador sofreu e sofreu o atleta, que apesar de ser o 9º atleta, criou inicialmente expectativas sérias a propósito de um objectivo que era muito relevante do ponto de vista do seu espólio desportivo. Com a agravante do atleta em causa, ser o atleta de maior relação afectiva e cumplicidade com o treinador. Ambos travaram muitas batalhas desportivas juntos e estiveram juntos na equipa nacional, mas, verdadeiramente, a escolha do ponto de vista do treinador, tinha de ser essa.
A margem de erro nesta modalidade é relativamente mais baixa porque ela é mensurável e não casuística, embora como em tudo na vida, o erro é sempre possível. Aliás, nesta matéria, os melhores são sempre os que melhor decidem, porque aumentam a sua taxa de êxito.
Mas como estava a dizer, no ano dessa vitória, estavam resolvidas as questões basilares, com um modelo de treino em linha com um esforço máximo de 6 minutos, número redondo, físico e técnico, e com uma óptima estratégia, que definiu que durante a época, apesar de múltiplas competições neste barco, só uma nos interessava, o titulo nacional. Nessa época, só por duas vezes a equipa foi ganhadora. O campeonato Nacional e 15 dias após, a vitória na Taça de Portugal.

foto: www.ginasiofigueirense.com. A tripulação ginasista perto da meta, à frente do Caminhense e do Náutico de Viana.

Que hipóteses existem de se repetir, uma vez que as condições para a prática da modalidade são, pelo que se ouve, boas?
Existe sempre hipótese, desde que criada a tempo, mas a questão, é de que na falta da tradição de competir sistematicamente para os lugares do topo, as dificuldades vão aumentando.
Se foi difícil a primeira vitória, pelas razões acima descritas, mais difícil é repeti-la, porque na falta da tradição que disse, não é fácil, dados os grandes sacrifícios exigidos aos atletas, como por exemplo, treinos a acabar cerca das 11.00 horas da noite, repetir com os mesmos atletas, o mesmo desafio. Porque um atleta é um caso, alguns não estão disponíveis para novos e renovados sacrifícios. Ficam alguns, mas só alguns não chegam, porque também a base de recrutamento não é assim tão vasta, em linha com as necessidades. Estamos, apesar de tudo, a falar, mesmo em termos de remo nacional, de atletas acima do 1.85 metros e dos 85 kg. Não é fácil. Alterando-se as condições, volta tudo ao ponto de partida. Será preciso, procurar de novo a conjunção dos factores em referência e estar atento ao momento ideal, que poderá ter de esperar anos.

Já que falaste no recrutamento, achas que o futebol e o basquetebol têm um efeito eucalipto, aqui na Figueira? Quer dizer, ao encaminharem muitos jovens para lá sem terem a mínima queda para a coisa…
Não creio que a questão central seja essa. Por razões várias, como disse, o remo passou trinta anos em profundo coma e isso necessariamente deixou marcas. A tradição da modalidade fugiu durante esses trinta anos e não existia como oferta simplesmente lúdica ou de modo competitivo. Naturalmente, o futebol e o basquete, este com um período muito pujante, nesse entretanto, implantados, recolheram as preferências e mantêm até hoje a sua cultura e poder de atracção. É um direito que lhes é próprio, que somado a algum mediatismo local, regional e nacional, tem esse efeito de maior recrutamento. Contudo, já no período de nova estabilidade do remo, a modalidade tem tido, à custa de uma boa e suada politica de recrutamento no âmbito dos dois clubes da cidade, uma boa relação com a juventude, e agora, creio que de modo muito curioso, com atletas mais velhos, veteranos. Alguns que regressaram de novo aos barcos, outros ainda, e isso é muito significativo, fizeram da experiência na modalidade, uma nova oportunidade.
A questão não é pois a do recrutamento, que como digo, anualmente é muito bem feita, são outro tipo de questões, muitas e complexas, que por isso não cabem nesta resposta, até porque, se se fizer o balanço dos últimos trinta anos do remo na Figueira, se verá como a modalidade envolveu muita gente e ainda envolve e os resultados foram muito significativos, tanto do ponto de vista da competição nacional, como das varias experiências internacionais.
Em termos absolutos, eu direi que a modalidade tem de ser mais do que a modalidade que na área das escolas e da formação, está muito bem, mas que tem de ser consistentemente adulta. Isso implica ter coragem para tomar de modo regular, as boas decisões. E às vezes não é fácil.
Será preciso esclarecer ainda, que 4 dos 8 atletas constituintes da equipa campeã nacional, na época anterior não tinham relação com o clube, o Ginásio Clube Figueirense. Ou seja, 3 deles são oriundos de Coimbra e o outro com origem em Viana do Castelo, embora vivendo à data em Coimbra. Foi possível reunir vontades, razões antropométricas, que no ano seguinte já não foi possível reunir, ainda que o clube tenha estado presente na final nacional que decidiu as medalhas.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Remo paraolímpico - Regata internacional


Filomena Esteves

Em Itália, numa regata internacional, a atleta treinada por Augusto Alberto, prezado cronista aqui da "aldeia" , mostrou grandes progressos, dando a ideia de que se pode contar com ela para os próximos Jogos.

Alberto conta como foi:

"No lago di Varegio, na localidade de Gavirate/ Itália, decorreu no passado fim de semana de 2 e 3 de Maio, a primeira regata internacional para o remo adaptado, em linha com o longo período que levará aos Jogos Paraolimpicos de 2012 a realizar em Londres.
Estiveram presentes selecções fortíssimas, com os seus campeões paraolimpicos, da Grã-bretanha e Itália. Também viajaram até ao lago de di Varegio, as selecções da Rússia, Polónia e Portugal, que se fez representar com a sua atleta paraolimpica, Filomena Esteves, na categoria, arms e spalding. (braços e espaldas).
Neste primeiro encontro internacional, num remo muito especial, a atleta portuguesa portou-se de modo brilhante e conseguiu duas medalhas de ouro em outras tantas provas. Contudo, o mais importante, foram os progressos técnicos e físicos da atleta, escassos meses de trabalho após os Jogos Paraolimpicos de 2008 em Pequim. Evoluiu mais de 1 minuto, para uma distância de 1.000 metros, colocando a sua marca a um nível que lhe daria desde já um lugar para os próximos Jogos, ainda que a prova de apuramento se realize somente em 2011. Quer isto dizer, que os níveis de progressão são muitos, pelo que o tempo realizado nesta competição, se situa cerca de 30” das regatas finais onde se decidem as medalhas em Campeonatos do Mundo e Jogos Paraolimpicos. É uma diferença possível de diminuir substancialmente, e cremos que na próxima competição, a realizar em Poznan/Polónia, no Campeonato do Mundo, a realizar em Agosto, isso vai ser uma realidade".