domingo, 3 de maio de 2009

A imprescindibilidade

Aquela negra


aquela negra, de enxada em punho,
lutando pela minha fome;
aquela negra que jorra suores na minha sede;
que vai de lenha à cabeça
porque o frio me consome;
aquela negra pobre, sem nada,
que vende os panos para me vestir,
que chora nas ruas o meu nome,
aquela negra é minha mãe.

Jorge Macedo (poeta angolano)






“Nocturno, maternidade com gatos”, 70x80, 2004
Fernando Campos




A mãe

de noite
ouvi barulho
na cozinha

levantei-me

fui ver.

a mãe passava a ferro
os calções que eu devia
levar à escola.

sentada, mal podia
com o ferro. longe
um galo já dizia: “o dia aí vai!”

esfrego os olhos, estremunhado
e a Mãe:

- o que é filho? cuidado
não acordes o pai.

Mário Castrim (poeta português)

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