sexta-feira, 24 de junho de 2011

O ianque desvalido

Augusto Alberto

Um motorista de camião que transporta latas e garrafas, entre cidades, com um pai-natal florescente, pintado nas lonas, sem meios para debelar as suas dores de coluna, que vão até ao pé, teve a racional ideia de assaltar um banco, levantar uma pequena folha de papel A4, a pedir unicamente 1 dólar e esperar calmamente que a policia o transportasse para a esquadra, onde, sentado no catre, esperou pela visita de um médico que lhe apontasse a solução para os seus males.
Falo de um homem de 59 anos, e como provavelmente já percebemos, condutor de um camião de distribuição da Coca-Cola, a quem o sonho americano não deu os meios necessários para ter um seguro de saúde e por isso, como nos disse, racionalmente, ajeitou o modo de ter uma consulta, ainda que para isso possa ser privado da liberdade, que a Coca-Cola, cola ao sonho americano por 3 anos.
Mas acontece que a história chegou rápida ao fim. Imagino que o bom do americano foi atirado ao lixo, como se atira a lata vazia de Coca-Cola, porque logo foi posto em liberdade, sem ter tido a consulta de que tanto necessita.
Mas imaginemos que a notícia, dizia assim: - um homem cubano, com 59 anos, sem seguro de saúde, assaltou um banco, levantou uma folha A4 onde estava escrito “só quero 1 peso”, e esperou calmamente que a policia castrista o levasse à esquadra, onde espera ter a visita de um médico, que indique a solução para os seus apoucamentos. Logo diriam os labregos: - estão ver como se tratam as dores em Cuba? Na esquadra.
Mas dêem-me o direito a desalinhar. E por isso vos digo: - que se o homem com dores de coluna em Cuba não precisa de um seguro privado nem de ir à esquadra, o homem da Coca-Cola, precisa urgentemente de um visto para uma viagem à ilha, onde poderá, seguramente, tratar dos seus males, à semelhança de muitos outros americanos e bons algarvios e alentejanos.
Aliás, nos Estados Unidos, há um ianque, que pode ter a chave. Refiro-me a Michael Moore, sujeito muito rotinado a levar americanos a cumprir o grande sonho, não na América, mas em Cuba.
Ai liberdade, liberdade, porque deixas tu, mais a Coca-Cola e o pai natal, mais o sonho americano, um bom ianque inválido e desvalido?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A cretina comédia

Augusto Alberto

A comédia que une Portugal e Grécia é divina e cretina. A fazer fé na imprensa, sabemos que o actual ministro das finanças da Grécia é um tipo pouco apreciado pelos Gregos, e por isso de baixo cartel, porque foi um alto quadro político e administrativo com responsabilidades na péssima gestão dos Jogos Olímpicos do milénio, em Atenas/2004.
Sabemos que muitas das estruturas dos Jogos de Atenas sem indicação para serem reutilizadas, foram abandonadas e vandalizadas, porque afinal, festa é festa e após a festa, sobram os cacos e as dividas. Ficou-nos na retina o verdadeiro caco em que se tornou, por exemplo, o grande complexo das piscinas olímpicas. 

Eu que vivi por dentro o formidável complexo olímpico de Pequim e sei o modo como foi reutilizado após os Jogos, concluí que Evengelos Venizelos, responsável pelo desastre estrutural e financeiro dos jogos olímpicos de Atenas, continua deslumbrante, após ter sido promovido a ministro das finanças do país que ajudou a arruinar e por isso se lhe dê abraços e beijinhos pelos salões de Bruxelas, em vez de se lhe partir os dentes.
António Gueterres, católico e socialista e Durão Barroso, maoista e peixe de águas profundas, estão associados às decisões políticas acerca do Campeonato da Europa de Futebol de 2004, que em fúria, percorreu o litoral do país e que depois da festa, tal como na Grécia, sobraram as dores.
Em Leiria e Aveiro, estádios que esperam a venda ou demolição e o do Algarve, onde de quando em vez passam automóveis a todo o gás, são o claro exemplo de decisões cretinas.
Detalhes separam Grécia e Portugal. O olímpico grego, aceitou, contudo, o fel de ser ministro das finanças, que ajudou a colocar na lama. Mas ao Guterres, deram-lhe árdua tarefa de olhar as curvas da Angelina, quando juntos, vão em visita aos que não tem voz. E ao Barroso, a chiquérrima tarefa de flanar sobre as melhores alcatifas da Europa.
Gente que desbarata comprovadamente o interesse público, deveria explicar as suas decisões e a seguir ser punida e impedida de continuar a enxovalhar os povos, para evitar que a república se torne numa comédia.
Não nos queixemos, pois, por sermos figurantes desta sórdida coisa divina, em que ser socialista, católico ortodoxo ou romano e peixe de águas profundas, compensa.

Paulinho Santos vs. João Pinto, versão light

Este blogue e este blogue fizeram-me lembrar o Barcelona. E fiquei intrigado porque não tem nada a ver. Talvez a expressão tiki-taka, não faço ideia.
Devido ao civismo e à diplomacia colocadas em campo não posso dizer que não me tenha divertido.
Sou amigo pessoal do autor do primeiro que linkei e não conheço pessoalmente o autor do segundo, mas como posso provar que nunca copiei num exame para magistrado, estou à vontade, e tenho autoridade, para absolver os dois.
Podem, então, continuar a divertir-me.

E a regionalização, pá?


Foi sempre uma suposição minha que a regionalização era, e é pois não deixou de ser, uma inevitabilidade. Um imperativo, mesmo. E urgente.
 Quando ela foi referendada, e reprovada, acho que não fizemos mais do que temos o hábito de fazer: adiar a História.
Isto será o primeiro passo? Lembrei-me porque seria uma consequência lógica da regionalização. Curiosamente não é por acaso que vem através de um partido que, se bem me lembro, defendeu o NÃO no referido referendo.
Agora, por imposição externa, o que significa que a nossa independência já era, "descobre" que se poupa uns valentes trocos. 
Só que a "poupança" não é para benefício do país, do estado, das populações, da sociedade....
Enfim, né?

terça-feira, 21 de junho de 2011

O comité do Nobel da paz também é criminoso

Augusto Alberto

Infelizmente o tempo continua de feição para putas e prostitutos que, nas vielas do poder, conspiram sobre o melhor modo de atrapalhar o mundo. A essa conspiração dão o nome de democracia, em boa verdade não passando de um barrete que nos enfiam, ao ponto de nos provocar cegueira.
Apesar da minha letra ser de burro e por isso não chegar ao céu, vou sugerir, contudo, ao Tribunal Penal Internacional que considere, ainda este ano, no exacto momento em que o comité Nobel estiver reunido a decidir, em Oslo, sobre a quem entregar o prémio Nobel da Paz para o ano de 2011, a prisão e posterior julgamento da totalidade desse comité, que decidiu em ano anterior, atribuir esse prémio Nobel da Paz a um tipo que se coloca todos os dias, ao arrepio da paz, fazendo a guerra. É o único modo dos povos serem ressarcidos do ponto de vista moral, dos danos provocados a mando desse criminoso, que, sabemos agora, faz tábua rasa, inclusive, das leis do seu próprio país.
Como é sabido, o Tribunal Penal Internacional não tem jurisdição sobre cidadãos norte-americanos, mesmo que cometam os mais bárbaros crimes contra a Humanidade, porque a administração americana, precavida, negou em devido tempo, o rabo à seringa. Apesar de ser sabedor desse princípio, o comité Nobel insistiu na atribuição desse prémio, ao máximo responsável do país que está permanentemente de mal com o mundo, por razões de superioridade logística e influências politica, cultural e material. È aplicação prática do velho ditado popular: - de que deverá ser preso, tanto o que rouba a vinha, como também o que fica à porta a vigiar. Por isso, o comité Nobel que não é atoleimado nem anjinho, deverá ser obrigado a prestar contas, do sério contributo que deu para branquear tamanho bandoleiro. Será útil que esse tribunal, que é uma merda, deixe de ser aquela coisa que só julga os vencidos e passe também a julgar os vencedores, que usam a pérfida e a mentira como suporte para a agressão e destruição.
E depois, que apareça gente séria a explicar como também muitos politólogos e analistas deveriam ser metidos a ferros, por cumplicidade moral nas barbáries.

sábado, 18 de junho de 2011

José Saramago partiu há um ano




“A democracia é uma realidade que não existe. Quem verdadeiramente manda são instituições que não têm nada de democráticas, como é o caso do Fundo Monetário Internacional, as fábricas de armas, as multinacionais farmacêuticas”.

Cuidado Castro

Augusto Alberto

Se um Farinãs resolve fazer uma greve de fome e se recusa a ser tratado e alimentado, logo o logro aparece em todo o resplendor. O regime castrista é uma nódoa, os Castros uns dinossauros, e o socialismo uma coisa repulsiva que só consegue viver pela força.
Mas se trabalhadores dão ao corpo ares de arte, contra a empresa que depois de pança cheia, resolve levantar toda a linha de produção e partir para outras partes, isso não é democracia, é comédia. Porque democracia é a possibilidade que cabe à ABB, uma multinacional com milhares de funcionários em todo o mundo, decidir suprimir a fábrica que nos últimos três anos facturou mais de 30 milhões de euros, porque acha que pode partir para outra parte do mundo onde há novos pretos capazes de multiplicarem a facturação para 60 milhões.
Esqueçam tudo sobre estabilidade familiar e social e aprendam a penar, porque hoje está a ser elevada à categoria de arte. Para quem não sabe, a extraordinária ABB, foi a empresa encarregue de desnacionalizar o nosso aparelho produtivo, para a seguir encerrar essas empresas e tornar-nos, nessas áreas, dependentes das sua próprias empresas no exterior. Quem sabe bem disso é a canalha que hoje mora em Belém e ri em S. Bento.
Saibamos então, que a ABB não perde os bons vícios. Mas mais, se uns tipos se juntarem em Madrid, Barcelona ou Lisboa, para uma arruaça, não é democracia. Democracia é aguentar sem tugir e mugir, em vez de nos juntarmos e sermos infiltrados pela polícia, empurrados à força de cacete e do músculo e até pelos carros da ordem. Mas se a arruaça se confundir com a agonia do capital especulativo, como na Grécia, dir-se-á que horror.
Afinal a Grécia é uma democracia, porque foi governada em rotatividade, ora pelo Partido Socialista ora pela Nova Democracia, que agora estão a apresentar a rotativa factura. O que querem? Não foi assim que os Gregos decidiram? Sem dúvida, até ao dia em que no meio da tragédia grega, um figurante observou, como nunca antes – O nosso drama é que durante 30/40 anos andamos a votar erradamente. Tarde, claro está.
E agora?
Pois agora estamos a pagar a factura de considerar, desde 1990, como mau tudo o que o socialismo construiu e ajudou a construir. Os vencedores tomaram o freio nos dentes, continuam em processo de limpeza e se pensam que vão parar, desenganem-se. O ajuste de contas será até ao levantar da pele. Em breve saberemos como vai ser contado o escalpe à portuguesa. Se em forma de escárnio e mal dizer, literatura de cordel ou revista à portuguesa?
Contudo, aconselho desde já que não se deposite demasiada esperança na virgem, porque sabemos de fonte segura, que a senhora nunca deu vista a quem é cego, audição a quem é surdo e voz a quem é mudo.
Cuidado Castro, olha que esta democracia, de virgem ofendida, é uma manta curta.

Espectáculo!!!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

PAPA-AÇORDAS

Augusto Alberto

A Lei das Sesmarias veio responder a um contexto de crise económica... que a peste negra veio agravar. "D. Fernando, pela graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve… Considerando que por todas as partes de nossos reinos há falta de alimentos, de trigo e de cevada, de quais ante todas as Terras e Províncias eram muito abastadas... estabelecemos e mandamos que todos os que têm herdades sejam obrigados a lavrá-las e a semeá-las; e se não o puderem fazer as dêem a um lavrador que as lavre e semeie de modo que as herdades que sejam para dar pão sejam todas lavradas e aproveitadas e semeadas de trigo ou cevada ou milho. Mando ainda que todos os vadios sejam presos e obrigados pela justiça a servir na lavoura ou em outros mesteres."
Isto foi há muitos anos. Contudo, outro dia, mais uma vez, ouvi um cidadão atento, num daqueles programas das tv’s abertos à opinião pública, dizer que em Cascais reside a quase totalidade dos que foram beneficiados pela PAC (politica agrícola comum). Sem foice. Aliás, diga-se em abono da verdade, que quem sabe destas coisas, são tipos como o Mário Soares, Cavaco Silva, Guterres, Barroso e mais recentemente, Sócrates. Salvo o Santana, porque esse não sabe de nada. Sabemos ainda que os principais gurus dos agrários andaram e ainda andam pelo PP. José Manuel Casqueiro e o professor Rosado Fernandes.

Não é por acaso que de volta e meia o “portas” muda de chapéu e nos quer continuadamente enfiar o barrete. Talvez por isso, não seja estranho que a dirigente do PP em Beja coloque o coração junto à boca e venha, desde já, pedir os lugares políticos que acha que quem levou o PP aos 7.3% no Alentejo tem direito. Evidentemente que os cargos não chegarão a todos e desse modo sugiro que na impossibilidade de ser tocada, que à dona Sílvia Ramos, presidente da agrária distrital, lhe seja atribuída uma coutada ou monte, do tamanho de uma grande freguesia e que logo defina o local onde irá funcionar a praça da jorna, para que tudo fique em absoluto, como no Alentejo de antes de 1974. Afianço que não se ofenderá.
E acho também que os “vadios” não deverão ser presos e que deverão continuar a receber os cheques da PAC para que continuem a achar que o país assim está bem e não precisa de mudanças. Quem precisa que a pátria mude é o povo que continua a colocar o voto na urna de acordo com o Portugal dos que chafurdam nos fundos agrícolas. E por isso não esqueço um tal “anão” barreto, que nos tem por lorpas, e se colocou ao arrepio de D. Fernando, quando mandou devolver as terras aos “vadios”, para poisio, no tempo em que foi ministro do soba Soares. Assim não admira que o FMI visite com frequência o País dos papa-açordas.
De qualquer modo, será bom dizer que a Lei das Sesmarias foi publicada em Santarém a 28 Maio de 1375, não vá os que vêem comunistas por todo o lado acusá-los de serem os autores e defensores morais e materiais da lei. Mas que faz falta que a terra seja dada a quem a trabalha, lá isso faz.
Talvez um dia!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

José Fontinhas

Sentimos a falta do Álvaro, como Saramago escreve no texto que linquei no post anterior.
Entretanto, o meu amigo Agostinho, numa resposta no seu blogue, movida com aquela paciência que lhe admiro, talvez por ser dela desprovido, cita outro português grande, cuja falta também sentimos. Não o nego.
Mas há ainda um outro, que nos deixou faz hoje também 6 anos, do qual a falta é também dolorosa.
Ele cantava assim:

Frente a frente

Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.


Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!

Álvaro Cunhal, 10-11-1913 - 13-06-2005


"Donde nos vem a nós, comunistas portugueses, esta alegria de viver e de lutar? O que nos leva a considerar a actividade partidária como um aspecto central da nossa vida? O que nos leva a consagrar tempo, energias, faculdades, atenção, à actividade do Partido? O que nos leva a defrontar, por motivo das nossas ideias e da nossa luta, todas as dificuldades e perigos, a arrostar perseguições, e, se as condições o impõem, a suportar torturas e condenações e a dar a vida se necessário?
A alegria de viver e de lutar vem-nos da profunda convicção de que é justa, empolgante e invencível a causa por que lutamos.
O nosso ideal, dos comunistas portugueses, é a libertação dos trabalhadores portugueses e do povo português de todas as formas de exploração e opressão.
É a liberdade de pensar, de escrever, de afirmar, de criar.
É o direito à verdade.
É colocar os principais meios de produção, não ao serviço do enriquecimento de alguns poucos para a miséria de muitos mas ao serrviço do nosso povo e da nossa pátria.
É erradicar a fome, a miséria e o desemprego.
É garantir a todos o bem-estar material e o acesso à instrução e à cultura.
É a expansão da ciência, da técnica e da arte.
É assegurar à mulher a efectiva igualdade de direitos e de condição social.
É assegurar à juventude o ensino, a cultura, o trabalho, o desporto, a saúde, a alegria.
É criar uma vida feliz para as crianças e anos tranquilos para os idosos.
É afirmar a independência nacional na defesa intransigente da integridade territorial, da soberania, da segurança e da paz e no direito do povo português a decidir do seu destino.
É a construção em Portugal de uma sociedade socialista correspondendo às particularidades nacionais e aos interesses, às necessidades, às aspirações e à vontade do povo português - uma sociedade de liberdade e de abundância, em que o estado e a política estejam inteiramente ao serviço do bem e da felicidade do ser humano.
Tal sempre foi e continua a ser o horizonte na longa luta do nosso Partido."

Álvaro Cunhal, in "O Partido com paredes de vidro"

domingo, 12 de junho de 2011

E um porta-aviões?


Estive numa mesa de voto no passado domingo. Ainda a contagem de votos não tinha chegado a meio, pensei, levado certamente pelas percentagens de votos que íamos pondo em cada um dos montinhos, que desta vez é que era.
Ou seja, se da outra vez tivemos direito a submarinos, desta será muito natural que haja lugar a um porta-aviões.
Embora a ilustre diplomata Ana Gomes quase deitava por terra esta minha muito brilhante dedução política, penso que a “coisa” está bem encaminhada.
Não há dúvida que dois mais dois são sempre quatro: temos mais do mesmo.

A Barca que não muda o rumo

Augusto Alberto

A propósito meu último texto, devo dizer que nem tudo foi mau. Por cá, na mesa onde voto, a CDU subiu e bem, de pouco mais de 20 votos para 62. Também é certo que no total nacional as perdas foram cerca de 5.000 votos. Talvez porque alguns patriotas e de esquerda de tão chateados, tenham rumado simplesmente à praia e outros, ainda, de tão ressabiados com o Partido Socialista, tenham votado no PSD. Hipóteses! Contudo, reconheço que nem sempre a mensagem passa, apesar da justeza das propostas e da excelência dos quadros. O que fazer? Desistir! Esse é o desejo de boa gente, mas desenganem-se.

De todo o modo, convém não reduzir as coisas. Concedam-me o direito de afirmar que o adversário é forte e ardiloso. Desde logo, a Igreja. Verifique-se que os momentos capazes de superar a fraterna festa do Avante, são as monumentais festas em Fátima. A Igreja continua a carrear para o redil milhares de carneiros, neste período áureo da caridadezinha, disponíveis ao chamamento ideológico. Sem espinhas. Depois, a imprensa escrita e falada. Toda, de ponta a ponta, funciona como a grande modeladora das consciências e opiniões, e dos mais mediáticos programas da treta foram arredados os comunistas. Fica o singelo exemplo da quadratura do círculo, da TV do amigo de príncipes e ladrões.
Para boa compreensão, deixo aqui um pequeno registo: a propósito da cada vez mais soletrada renegociação da dívida, se a questão for colocada por um alto quadro do PCP, aqui del rei, logo cai o labéu sobre o protesto e o tremendismo do PCP. Mas se entretanto a hipótese for colocada pelo celestial gestor Carrapatoso, ou, em última instância, pelo insigne professor do ISEG, Cantigas, não o avô, mas o João, pois estamos perante um superior e inteligente entendimento teórico e comparativo. Combater a máquina de magistral eficiência, que tem desgraçado a pátria desde há 37 anos, sem que os comunistas tenham tido a mínima participação nas extravagâncias, mas que mantêm a acusação de serem, eles, os grandes responsáveis, não é fácil. Porque, blazé, nacionalizaram tudo o mexia. É só meia verdade. Porque se nada fosse nacionalizado, como ia a “reacção”ainda hoje desnacionalizar e conseguir alguns tostões para continuar a esbornea? Boa pergunta?
Há pouco passei de viés os olhos por um ensaio, a ler em breve, de um jornalista Inglês, radicado há 25 anos em Portugal e que de cá não arreda, por tamanho gosto. Fala de um povo sofredor desde o século XVI e não percebe de onde nos vem o gozo. Desde logo, vítimas da santa inquisição, que fuzilou e queimou gente do calibre de Damião de Góis e António José da Silva. Vitimas de uma surrada e inapta Coroa que borrada, nos deixou órfãos e fugiu na primeira barca das hordas de Napoleão e que depois tremeu com o ultimato inglês de 1890 e ainda nos deu uma rainha puta e um rei corno, como é devido a quem trai, mais a ditadura de João Franco, (parece endémico). Vitimas depois das diatribes da épica 1ª república. Sofredores da 2ª, caldeada no fascismo e na guerra perdida. O júbilo pelo inicio da 3ª. Mas enfim, agora que ainda cá estamos, saboreamos o modo como mais uma vez fomos burlados e de novo vitimas, porque a festa foi curta e já acabou. Cabisbaixos há seis séculos? Porque as elites têm sido uma merda. Mas olhem que de comunistas só se fala há 90 anos. Afinal, onde está o defeito?
Salta à vista que Deus não deu aos comunistas a totalidade das virtudes. Se as tivéssemos, talvez o povo fosse mais povo. Mas Deus deu-nos sobretudo a capacidade de reconhecer, lindamente, os nossos limites, e a vontade de continuar na barca que não muda o rumo.

sábado, 11 de junho de 2011

Ao General e ao Companheiro

Porque continuamos a lutar por Abril.
Aqui,  aqui e aqui se recorda a figura maior de Abril.