É que ainda não estou recomposto. Tudo porque os “palancas negras” se armaram em hitchcoquianos. Até o Manuel José ia ficando gago. Reagiu como se nunca tivesse visto um filme do Alfred.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Um balde de água fria? Foi antes uma tempestade de gelo
domingo, 10 de janeiro de 2010
A CAN, Angola e a FLEC

Tem hoje início a CAN, com o jogo de abertura Angola-Mali. Manchada, como é óbvio, por um ataque terrorista contra uma embaixada desportiva.
Devo dizer que este tipo de comportamento por parte da FLEC infelizmente não me admira. A dúvida, a maior que tenho, é saber quem está por trás desse bando “separatista”.
Sabe-se que durante a luta armada contra o regime colonial a FLEC sempre recusou juntar-se a outros movimentos de libertação. Fossem eles tribalistas, como o caso da UPA/FNLA ou o MPLA, que se queria pan-angolano. A FLEC combatia-os. O regime colonial percebeu e tirou os devidos dividendos.
No início dos anos 60 o MPLA conseguiu abrir uma frente em Cabinda, cujo exército integrava angolanos dos mais variados grupos étnicos, aliás como nos é dado ver no romance de Pepetela, “Mayombe”.
Portanto é fácil de perceber a quem foram criadas dificuldades por parte da FLEC durante a guerra colonial e a quem interessava esse comportamento nada nacionalista.
Sabe-se, também, que esses separatistas, nesse tempo, tinham o apoio do presidente do Congo Brazzaville, Fulbert Youlu. Para um movimento separatista barricado não se sabe em quê, pois pelos vistos não baseado em aspirações populares, estamos em presença de algo incompreensível à luz do bom senso.
Mesmo sabendo que o terrorismo só tem um sinal, persiste uma grande incógnita: Quem estará, afinal e agora, a manobrar e apoiar a FLEC?
Devo dizer que este tipo de comportamento por parte da FLEC infelizmente não me admira. A dúvida, a maior que tenho, é saber quem está por trás desse bando “separatista”.
Sabe-se que durante a luta armada contra o regime colonial a FLEC sempre recusou juntar-se a outros movimentos de libertação. Fossem eles tribalistas, como o caso da UPA/FNLA ou o MPLA, que se queria pan-angolano. A FLEC combatia-os. O regime colonial percebeu e tirou os devidos dividendos.

No início dos anos 60 o MPLA conseguiu abrir uma frente em Cabinda, cujo exército integrava angolanos dos mais variados grupos étnicos, aliás como nos é dado ver no romance de Pepetela, “Mayombe”.
Portanto é fácil de perceber a quem foram criadas dificuldades por parte da FLEC durante a guerra colonial e a quem interessava esse comportamento nada nacionalista.
Sabe-se, também, que esses separatistas, nesse tempo, tinham o apoio do presidente do Congo Brazzaville, Fulbert Youlu. Para um movimento separatista barricado não se sabe em quê, pois pelos vistos não baseado em aspirações populares, estamos em presença de algo incompreensível à luz do bom senso.
Mesmo sabendo que o terrorismo só tem um sinal, persiste uma grande incógnita: Quem estará, afinal e agora, a manobrar e apoiar a FLEC?
Ao povo do Togo só me resta apresentar os meus sentimentos e a minha solidariedade.
Pepetela visto por Fernando Campos
O escritor e professor universitário, foi chefe de guerrilha. Esteve na frente de Cabinda e foi a partir de um relatório seu de uma acção de combate sob o seu comando que nasceu o romance citado no texto.
modalidades:
Angola,
Terrorismo
sábado, 9 de janeiro de 2010
Os meus penúltimos sapatos adidas, com que corri, foram comprados em Havana
Augusto Alberto
(texto e fotos)
Os textos aqui publicados sobre Cuba provocaram, como seria de esperar, discussão. Alguma sem qualquer nexo, outra, contraditória.
De verdade, tenho que dizer que Cuba não é o paraíso na terra. É só uma pequena ilha que realizou alterações demasiado profundas e inconvenientes, sobretudo, estando situada onde está, por ser exemplo e resistir como resiste. Para que melhor se entenda cito Frank Solar, professor na Faculdade em Santiago de Cuba e membro de base da Juventude Comunista Cubana: “Cuba foi durante meio século a utopia possível. A pequena ilha, embora pobre e subdesenvolvida, mostra, (apesar das suas insuficiências e desacertos), tudo o que é capaz de fazer um Povo quando decide tomar em suas mãos a construção do seu próprio destino. Produziu notáveis avanços em matéria social, educacional, saúde e desportiva… é hoje uma esperança dos povos num mundo melhor”.
Quem assim fala é um intelectual comunista, que não foi castigado por colocar as questões de modo certeiro. Ou como a verdade, afinal, não é delito de opinião.
Cuba não possui em alta escala, recursos e reservas naturais, como é sabido. Nem possui um exército fabuloso treinado na arte da rapina. Não é uma nação colonial. Nem possui um sistema de espionagem electrónica industrial, como o “excelom”.
Certíssimo! É pobre. Alguns lugares, sobretudo Havana, apesar de grandes esforços têm zonas físicas muito deprimidas, como o histórico bairro chinês. Possui um sistema de transportes públicos obsoleto. Perguntaram um dia ao ministro dos transportes, se um sistema de eléctricos rápidos, não seria o ideal para Havana? Com sinceridade, disse: - “essa solução não está esquecida, mas o país não tem por agora os recursos necessários”. Límpido! Mas tem uma cidade velha, recuperada com apoio da Unesco, que é um modelo de recuperação urbana.
Mas se a natureza não dotou a ilha de riquezas e que se saiba não há por lá uma santa Leonor com a faculdade de multiplicar o pão, é inclusive esparso, como se explicam os notáveis avanços sociais? No saneamento público e no acesso a água potável. Uma taxa de mortalidade infantil, só comparada no continente americano, ao Canadá. Na saúde pública, sem o “segurinho”, (está hoje no topo da biotecnologia, por exemplo). No ensino. Nas artes, (uma visita ao museu de arte Nacional em Havana é um fabuloso exercício). No desporto. Na segurança. As três refeições por dia estão absolutamente resolvidas. Nesta matéria, confessou estrondosamente o presidente de um país riquíssimo em petróleo, água e florestas, Lula da Silva. Pequeno-almoço, almoço e jantar, ainda é um luxo para milhões de brasileiros. Mas por contraste, a natureza oferece-lhe de quando em vez, duras tempestades. Mas não consta que dezenas ou centenas morram no olho do furacão. Estas são questões fundamentais da vida, resolvidas, numa pátria pobre, embargada e acossada, enquanto, escandalosamente, os que possuem as notáveis riquezas, fazem questão de não querer passar para lá da fase da Quinta da Marinha ou das paradisíacas ilhas de Angra dos Reis e, mais grave, os milhões que sobram entram em nova fase, a da marcha à ré.
Não sei quanto mais tempo Cuba irá resistir. Mas estou certo, se a deixarem em paz, lá chegará o eléctrico rápido, os micros ondas, os frigoríficos, os televisores, os telemóveis, as roupas e sapatos de marca, em maior abundância.
Antes de me ir e se as coisas têm de ser medidas assim, então sempre vos digo, que os meus penúltimos sapatos adidas, com que corri muitos quilómetros, foram comprados em Havana. Já sei, escusam de me lembrar, que os há em todo o lado, mas em Havana, foram importados para me serem vendidos em exclusividade, porque descobriram que tinha chegado um tipo importante.
Os textos aqui publicados sobre Cuba provocaram, como seria de esperar, discussão. Alguma sem qualquer nexo, outra, contraditória.

De verdade, tenho que dizer que Cuba não é o paraíso na terra. É só uma pequena ilha que realizou alterações demasiado profundas e inconvenientes, sobretudo, estando situada onde está, por ser exemplo e resistir como resiste. Para que melhor se entenda cito Frank Solar, professor na Faculdade em Santiago de Cuba e membro de base da Juventude Comunista Cubana: “Cuba foi durante meio século a utopia possível. A pequena ilha, embora pobre e subdesenvolvida, mostra, (apesar das suas insuficiências e desacertos), tudo o que é capaz de fazer um Povo quando decide tomar em suas mãos a construção do seu próprio destino. Produziu notáveis avanços em matéria social, educacional, saúde e desportiva… é hoje uma esperança dos povos num mundo melhor”.
Quem assim fala é um intelectual comunista, que não foi castigado por colocar as questões de modo certeiro. Ou como a verdade, afinal, não é delito de opinião.
Cuba não possui em alta escala, recursos e reservas naturais, como é sabido. Nem possui um exército fabuloso treinado na arte da rapina. Não é uma nação colonial. Nem possui um sistema de espionagem electrónica industrial, como o “excelom”.
Certíssimo! É pobre. Alguns lugares, sobretudo Havana, apesar de grandes esforços têm zonas físicas muito deprimidas, como o histórico bairro chinês. Possui um sistema de transportes públicos obsoleto. Perguntaram um dia ao ministro dos transportes, se um sistema de eléctricos rápidos, não seria o ideal para Havana? Com sinceridade, disse: - “essa solução não está esquecida, mas o país não tem por agora os recursos necessários”. Límpido! Mas tem uma cidade velha, recuperada com apoio da Unesco, que é um modelo de recuperação urbana.

Mas se a natureza não dotou a ilha de riquezas e que se saiba não há por lá uma santa Leonor com a faculdade de multiplicar o pão, é inclusive esparso, como se explicam os notáveis avanços sociais? No saneamento público e no acesso a água potável. Uma taxa de mortalidade infantil, só comparada no continente americano, ao Canadá. Na saúde pública, sem o “segurinho”, (está hoje no topo da biotecnologia, por exemplo). No ensino. Nas artes, (uma visita ao museu de arte Nacional em Havana é um fabuloso exercício). No desporto. Na segurança. As três refeições por dia estão absolutamente resolvidas. Nesta matéria, confessou estrondosamente o presidente de um país riquíssimo em petróleo, água e florestas, Lula da Silva. Pequeno-almoço, almoço e jantar, ainda é um luxo para milhões de brasileiros. Mas por contraste, a natureza oferece-lhe de quando em vez, duras tempestades. Mas não consta que dezenas ou centenas morram no olho do furacão. Estas são questões fundamentais da vida, resolvidas, numa pátria pobre, embargada e acossada, enquanto, escandalosamente, os que possuem as notáveis riquezas, fazem questão de não querer passar para lá da fase da Quinta da Marinha ou das paradisíacas ilhas de Angra dos Reis e, mais grave, os milhões que sobram entram em nova fase, a da marcha à ré.
Não sei quanto mais tempo Cuba irá resistir. Mas estou certo, se a deixarem em paz, lá chegará o eléctrico rápido, os micros ondas, os frigoríficos, os televisores, os telemóveis, as roupas e sapatos de marca, em maior abundância.
Antes de me ir e se as coisas têm de ser medidas assim, então sempre vos digo, que os meus penúltimos sapatos adidas, com que corri muitos quilómetros, foram comprados em Havana. Já sei, escusam de me lembrar, que os há em todo o lado, mas em Havana, foram importados para me serem vendidos em exclusividade, porque descobriram que tinha chegado um tipo importante.
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Crónicas em desalinho
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
O rei do rock
Uma das suas virtudes era o timbre de voz que, segundo especialistas, tinha um alcance difícil para um cantor popular.
Denominado "Rei do rock" foi considerado um dos maiores cantores populares do século XX.
Faria hoje 75 anos.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Para o ano, em vez de cavalos, que se ponham burros
Augusto Alberto
O velho João, meu pai, ainda aos 90 anos, costumava declamar os autos do presépio. O velho João, sempre imbricado nestas artes da terra, para além de um grande ponto, foi também ponto nos teatros da “10 de Agosto” e da “Figueirense”. E os meus tios “Paraltas” também por lá andaram. Sobretudo o Zé, que também foi do teatro nos “Caras Direitas”.
Eu, ainda rapaz, lembro-me de vir a pé, e ir, pela noite, dos Vais à Figueira e regresso, e depois, mais tarde, toda a gente de táxi, porque dividido por todos era mais barato, para assistir aos autos pastoris e aos reis. Isto foi ainda no tempo do fascismo. Todos gostávamos muito destas coisas e o poder corporativo, desses tempos, nunca negou, que se saiba, apoios às actividades cénicas do Natal e Ano Novo. Mas agora, no tempo da democracia e do poder autárquico democrático, porque quem toma o poder, toma-o porque o povo vota, parece que esquecem as melhores tradições cénicas. Mas isto é bem feita, porque gente de fora ao fazer lei em casa alheia é o que dá. É de atavismos.
É evidente que um cidadão como eu, que gosta destas coisas e está sempre atento, fica sem saber bem o que se passa. Por isso temos de nos cuidar, porque este desleixo autárquico, ao que parece, começa a fazer escola. É que outro dia já o senhor vereador da cultura faltou a uma cerimónia literária, cá na terra, que contou com gente da Galiza, para galardoar um distinto Figueirinhas.
Será perrisse? Será desleixo? Será já cansaço? Será que o frio da noite assusta e o mais recomendado é ficar de robe, ceroulas e pantufas, esparramado perante a TV e no calor do lar, a fazer zapping? Ou será que estes espectáculos do povo, com mais ou menos sabores a ferrugem, não carregam no bojo o glamor necessário à presença de tão importantes autarcas, que por isso, também negam o necessário apoio? Não o saberemos, porque os nossos autarcas parece que entraram um pouco mudos e por isso querem continuar a falar pouco, porque às faltas, o nosso vereador da cultura, diz nada.
De qualquer modo, sempre aproveito para sugerir às duas colectividades envolvidas nos espectáculos de Natal e Reis, que para o ano, num arrojo de piedade, ofereçam prendas ao senhor vereador da cultura e restantes pares, sobretudo sobretudos, luvas, cachecóis e gorros, para que possam sair nas noites frias dos autos pastoris, ainda que justamente quando se deslocarem ao Centro de Artes e Espectáculos façam a muda de toillete, porque a presença na arte da dança, requer outros cuidados, em linha com um espectáculo mais dado às pífias elites.
Eu penso, evidentemente, que não é obrigatório que os autarcas tenham canudo. Ainda que dê jeito, porque assim se dirá: - “como está senhor doutor?” Mas há por ai gente no povo, com ares de cavalgadura, mas com mais jeito para estas coisas do espírito. O importante é escolher bem. E nessa matéria, somos de atavismos.
Como as coisas estão, para o ano, quem sabe, talvez no lugar de cavalos no desfile dos reis, se ponham burros, em linha com alguns espíritos mais carrancudos, apáticos e negacionistas.
O velho João, meu pai, ainda aos 90 anos, costumava declamar os autos do presépio. O velho João, sempre imbricado nestas artes da terra, para além de um grande ponto, foi também ponto nos teatros da “10 de Agosto” e da “Figueirense”. E os meus tios “Paraltas” também por lá andaram. Sobretudo o Zé, que também foi do teatro nos “Caras Direitas”.
Eu, ainda rapaz, lembro-me de vir a pé, e ir, pela noite, dos Vais à Figueira e regresso, e depois, mais tarde, toda a gente de táxi, porque dividido por todos era mais barato, para assistir aos autos pastoris e aos reis. Isto foi ainda no tempo do fascismo. Todos gostávamos muito destas coisas e o poder corporativo, desses tempos, nunca negou, que se saiba, apoios às actividades cénicas do Natal e Ano Novo. Mas agora, no tempo da democracia e do poder autárquico democrático, porque quem toma o poder, toma-o porque o povo vota, parece que esquecem as melhores tradições cénicas. Mas isto é bem feita, porque gente de fora ao fazer lei em casa alheia é o que dá. É de atavismos.

É evidente que um cidadão como eu, que gosta destas coisas e está sempre atento, fica sem saber bem o que se passa. Por isso temos de nos cuidar, porque este desleixo autárquico, ao que parece, começa a fazer escola. É que outro dia já o senhor vereador da cultura faltou a uma cerimónia literária, cá na terra, que contou com gente da Galiza, para galardoar um distinto Figueirinhas.
Será perrisse? Será desleixo? Será já cansaço? Será que o frio da noite assusta e o mais recomendado é ficar de robe, ceroulas e pantufas, esparramado perante a TV e no calor do lar, a fazer zapping? Ou será que estes espectáculos do povo, com mais ou menos sabores a ferrugem, não carregam no bojo o glamor necessário à presença de tão importantes autarcas, que por isso, também negam o necessário apoio? Não o saberemos, porque os nossos autarcas parece que entraram um pouco mudos e por isso querem continuar a falar pouco, porque às faltas, o nosso vereador da cultura, diz nada.
De qualquer modo, sempre aproveito para sugerir às duas colectividades envolvidas nos espectáculos de Natal e Reis, que para o ano, num arrojo de piedade, ofereçam prendas ao senhor vereador da cultura e restantes pares, sobretudo sobretudos, luvas, cachecóis e gorros, para que possam sair nas noites frias dos autos pastoris, ainda que justamente quando se deslocarem ao Centro de Artes e Espectáculos façam a muda de toillete, porque a presença na arte da dança, requer outros cuidados, em linha com um espectáculo mais dado às pífias elites.
Eu penso, evidentemente, que não é obrigatório que os autarcas tenham canudo. Ainda que dê jeito, porque assim se dirá: - “como está senhor doutor?” Mas há por ai gente no povo, com ares de cavalgadura, mas com mais jeito para estas coisas do espírito. O importante é escolher bem. E nessa matéria, somos de atavismos.
Como as coisas estão, para o ano, quem sabe, talvez no lugar de cavalos no desfile dos reis, se ponham burros, em linha com alguns espíritos mais carrancudos, apáticos e negacionistas.
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Crónicas em desalinho
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Há prémio

O blogue “Marcha do Vapor” atribuiu-nos o Prémio “Relíquia da Internet”, que agradecemos.
Ditam as regras que temos de escolher outros 5 blogues a quem, na nossa opinião, o prémio também ficará bem.
E assim, por alfabética ordem, aí vão eles:
O resto das regras são as do costume. Podem lê-las aqui.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Zeca, um homem solidário

Professor de História e grande poeta.
O seu nome não ficará, contudo e infelizmente, ligado a estas duas condições.
Mesmo na música, é difícil, muito difícil, centralizar a figura do Zeca. Digamos, o legado do Zeca. Porque muito vasto. Nome grande da canção de Coimbra e da música tradicional portuguesa, é muito mais conotado com a canção de intervenção. Não sem razão, diga-se. Pois sempre foi um crítico da ditadura e sempre se lhe opôs. Com coragem e sem subterfúgios. E mesmo depois da queda do fascismo Zeca criticou o rumo que isto levava. Está bem que era professor de História, mas não foi por isso que ela lhe deu razão. Mas deu-lha.
Zeca será sempre, além de exemplo da luta contra o fascismo, um ícone da cultura portuguesa do século XX.
Zeca é o nosso irmão mais velho porque…
Devo-te tudo o que se deve a quem nos dá força para resistir. Tudo o que se deve a quem tem a coragem de ser até ao fim igual a si mesmo e às ideias que apregoou algum dia.
O seu nome não ficará, contudo e infelizmente, ligado a estas duas condições.
Mesmo na música, é difícil, muito difícil, centralizar a figura do Zeca. Digamos, o legado do Zeca. Porque muito vasto. Nome grande da canção de Coimbra e da música tradicional portuguesa, é muito mais conotado com a canção de intervenção. Não sem razão, diga-se. Pois sempre foi um crítico da ditadura e sempre se lhe opôs. Com coragem e sem subterfúgios. E mesmo depois da queda do fascismo Zeca criticou o rumo que isto levava. Está bem que era professor de História, mas não foi por isso que ela lhe deu razão. Mas deu-lha.
Zeca será sempre, além de exemplo da luta contra o fascismo, um ícone da cultura portuguesa do século XX.
Zeca é o nosso irmão mais velho porque…
Devo-te tudo o que se deve a quem nos dá força para resistir. Tudo o que se deve a quem tem a coragem de ser até ao fim igual a si mesmo e às ideias que apregoou algum dia.
CAN
Conhecida por Coupe Africaine des Nations (CAN), a Taça das Nações Africanas, competição correspondente ao Europeu, tem inicio Domingo, com o país anfitrião, Angola, a defrontar o Mali.
Para realizar este evento desportivo Angola teve de construir 4 estádios novos. Em Luanda, Benguela, Cabinda e Lubango.
Temo que quem vai lucrar (ou já lucrou) com esta situação são os mesmos (ou equiparados) que lucraram, em Portugal, com a realização do Euro’04.
E temo também que os angolanos fiquem com o mesmo problema que os portugueses ficaram: com estádios novos onde se gastou uma pipa de massa e sem alguma utilidade. Por exemplo, já houve quem defendesse a demolição do estádio de Aveiro, por ser incomportável a sua manutenção.
Quero com isto dizer que o povo angolano não beneficiará nadinha com isto, pois já se vê que outras prioridades muito mais prementes foram ultrapassadas.
Quanto ao aspecto desportivo claro que vou torcer pela minha equipa, embora não esteja lá muito entusiasmado.
Os “palancas negras”, orientados por um treinador com grande curriculum, Manuel José, têm obrigação de fazer melhor do que fizeram nas duas últimas grandes competições em que entraram. No Mundial’06 não fizeram má figura, atendendo que ficaram no grupo de Portugal e México. No CAN’08 foram eliminados, com grande injustiça, diga-se, nos quartos de final, pelo vencedor da prova, o Egipto.
Mas no actual “consulado” do treinador português, que substituiu o angolano Oliveira Gonçalves, visto pela crítica como “conservador” que revelava medo de arriscar, a equipa rubro-negra ainda não ganhou qualquer jogo. Empatou com o Portimonense, com o Olhanense, com a Gâmbia e com a RD do Congo e perdeu com a Estónia. Está bem que são só jogos-treino, até pode ser que… bem, oxalá.
Uma questão favorável, além do incontornável factor casa, é que em Angola os treinadores portugueses dão-se lindamente: Bernardino Pedroto já foi campeão nacional várias vezes e por várias equipas e, no basquetebol, Luís Magalhães é o actual campeão nacional e africano com o 1º de Agosto, e à frente da selecção venceu o Afrobasket’09.
O site oficial do CAN/2010.
Para realizar este evento desportivo Angola teve de construir 4 estádios novos. Em Luanda, Benguela, Cabinda e Lubango.

Temo que quem vai lucrar (ou já lucrou) com esta situação são os mesmos (ou equiparados) que lucraram, em Portugal, com a realização do Euro’04.
E temo também que os angolanos fiquem com o mesmo problema que os portugueses ficaram: com estádios novos onde se gastou uma pipa de massa e sem alguma utilidade. Por exemplo, já houve quem defendesse a demolição do estádio de Aveiro, por ser incomportável a sua manutenção.
Quero com isto dizer que o povo angolano não beneficiará nadinha com isto, pois já se vê que outras prioridades muito mais prementes foram ultrapassadas.
Quanto ao aspecto desportivo claro que vou torcer pela minha equipa, embora não esteja lá muito entusiasmado.
Os “palancas negras”, orientados por um treinador com grande curriculum, Manuel José, têm obrigação de fazer melhor do que fizeram nas duas últimas grandes competições em que entraram. No Mundial’06 não fizeram má figura, atendendo que ficaram no grupo de Portugal e México. No CAN’08 foram eliminados, com grande injustiça, diga-se, nos quartos de final, pelo vencedor da prova, o Egipto.

Mas no actual “consulado” do treinador português, que substituiu o angolano Oliveira Gonçalves, visto pela crítica como “conservador” que revelava medo de arriscar, a equipa rubro-negra ainda não ganhou qualquer jogo. Empatou com o Portimonense, com o Olhanense, com a Gâmbia e com a RD do Congo e perdeu com a Estónia. Está bem que são só jogos-treino, até pode ser que… bem, oxalá.
Uma questão favorável, além do incontornável factor casa, é que em Angola os treinadores portugueses dão-se lindamente: Bernardino Pedroto já foi campeão nacional várias vezes e por várias equipas e, no basquetebol, Luís Magalhães é o actual campeão nacional e africano com o 1º de Agosto, e à frente da selecção venceu o Afrobasket’09.
O site oficial do CAN/2010.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
A Fuga de Peniche foi há 50 anos

Por ter constituído um forte revés na ditadura, a fuga de Peniche é um dos episódios marcantes da longa luta que se travou durante 48 anos.
E uma data a relembrar para que a memória não se apague. Mais ainda, quando estamos perante tentativas inclassificáveis de lavagem da História.
Fez ontem, 3 de Janeiro, 50 anos. Já aqui a recordamos.
Ficou conhecido por “A fuga de Peniche”, mas pode-se sempre perguntar: fugir para a frente da batalha é fugir… ou atacar?
E uma data a relembrar para que a memória não se apague. Mais ainda, quando estamos perante tentativas inclassificáveis de lavagem da História.
Fez ontem, 3 de Janeiro, 50 anos. Já aqui a recordamos.
Ficou conhecido por “A fuga de Peniche”, mas pode-se sempre perguntar: fugir para a frente da batalha é fugir… ou atacar?
sábado, 2 de janeiro de 2010
Como com tretas, papas e um papel, se enganam os tolos
Augusto Alberto
O meu amigo Alexandre, publicou, neste “aldeia olímpica”, uma formidável fotografia tirada na Festa do Avante, que despacha, simultaneamente, uma também notável e fraterna mensagem de amor, mas também de dor: "Esta noite milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é Cubana". Nem o mais empedernido pode ficar indiferente, porque pelo mundo, sem dúvida, muitos milhões, e muitos, especialmente em países democráticos, dormem e sofrem na rua. Lembro aqui os meninos que fazem do pátio da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, o seu único lugar, sem aconchego, e são acossados, duramente, pela calada da noite, por polícias organizados em esquadrões da morte. Ou os meninos de rua da Cidade de Assunção, no Paraguai, que, sem eira certa, limpam os ocupantes de um autocarro público, num abrir e fechar de olhos, como nos disse, nas suas memórias, Pablo Neruda. Ou os meninos de uma qualquer cidade da Índia, que têm por tecto os ramos de uma arvore, as estrelas e o céu. E para acabar, os meninos do bairro negro de Brooklin, em Nova Yorque, que são vazados no frio, depois da recusa do acto médico, porque não tem o seguro de saúde.
Mas para que se saiba que a vida e a família são de facto um bem precioso, deixo aqui, sem retórica e com medidas sérias no reforço da notável mensagem trazida por essa fotografia, a última das medidas do estado cubano:
Mulheres cubanas, diariamente, recebem em sua casa a visita dos técnicos da sua área de saúde, no sentido do despiste de complicações, neste período de aperto da gripe A. Estão de momento, nesta situação, mais de 81.000 grávidas e mães recentes.
Há aqui, desde já, um verdadeiro acto de amor, que tem de ficar para lembrança futura. Não são as senhoras que se deslocam ao centro de saúde, mas os técnicos do centro de saúde que se deslocam a casa dessas mulheres, que constituem um grupo alvo, sem que lhes seja pedido o “segurinho”.
Evidentemente que a Unicef ao mesmo tempo que reconhece os notáveis progressos em termos de saúde pública na Ilha, não nos foi capaz de dizer quantos cidadãos maiores de 18 anos tem direito ao voto universal. Esta, cuidai, é de facto uma enorme tragédia democrática. Contudo, sempre vos digo que em Cuba qualquer cidadão com mais de 18 anos pode votar em plena consciência. A questão é que lá se vota de modo diferente e por isso não é possível eleger deputados como, por cá, se elegeu o deputado do PPD/PSD, António Preto, que compra votos a 25 euros, como quem compra nas lojas da especialidade da rua do Arsenal, bacalhau a pataco, ou aquele deputado socialista, amante de futebol e do Boavista, que ficou conhecido, deliciosamente, pelo Zé Léguas. Ou ainda, no país que vota de livre consciência, umas dezenas de bons cidadãos, estiveram, há cerca de 5 dias, mais de 12 horas numa fila para poderem ter acesso a um simples acto médico, no hospital da formidável cidade de Cascais, sem outra explicação, para lá daquela que os mandou fazer o papel de bons pretos e ainda por cima, com cara alegre.
Aqui chegados, e para terminar, não restam dúvidas de que esta democracia necessita de uns tantos palermas, que com um pedaço de papel que remetem para uma caixa, que por si só não chega, julgam estar a decidir o seu destino.
O meu amigo Alexandre, publicou, neste “aldeia olímpica”, uma formidável fotografia tirada na Festa do Avante, que despacha, simultaneamente, uma também notável e fraterna mensagem de amor, mas também de dor: "Esta noite milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é Cubana". Nem o mais empedernido pode ficar indiferente, porque pelo mundo, sem dúvida, muitos milhões, e muitos, especialmente em países democráticos, dormem e sofrem na rua. Lembro aqui os meninos que fazem do pátio da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, o seu único lugar, sem aconchego, e são acossados, duramente, pela calada da noite, por polícias organizados em esquadrões da morte. Ou os meninos de rua da Cidade de Assunção, no Paraguai, que, sem eira certa, limpam os ocupantes de um autocarro público, num abrir e fechar de olhos, como nos disse, nas suas memórias, Pablo Neruda. Ou os meninos de uma qualquer cidade da Índia, que têm por tecto os ramos de uma arvore, as estrelas e o céu. E para acabar, os meninos do bairro negro de Brooklin, em Nova Yorque, que são vazados no frio, depois da recusa do acto médico, porque não tem o seguro de saúde.
Mas para que se saiba que a vida e a família são de facto um bem precioso, deixo aqui, sem retórica e com medidas sérias no reforço da notável mensagem trazida por essa fotografia, a última das medidas do estado cubano:Mulheres cubanas, diariamente, recebem em sua casa a visita dos técnicos da sua área de saúde, no sentido do despiste de complicações, neste período de aperto da gripe A. Estão de momento, nesta situação, mais de 81.000 grávidas e mães recentes.
Há aqui, desde já, um verdadeiro acto de amor, que tem de ficar para lembrança futura. Não são as senhoras que se deslocam ao centro de saúde, mas os técnicos do centro de saúde que se deslocam a casa dessas mulheres, que constituem um grupo alvo, sem que lhes seja pedido o “segurinho”.
Evidentemente que a Unicef ao mesmo tempo que reconhece os notáveis progressos em termos de saúde pública na Ilha, não nos foi capaz de dizer quantos cidadãos maiores de 18 anos tem direito ao voto universal. Esta, cuidai, é de facto uma enorme tragédia democrática. Contudo, sempre vos digo que em Cuba qualquer cidadão com mais de 18 anos pode votar em plena consciência. A questão é que lá se vota de modo diferente e por isso não é possível eleger deputados como, por cá, se elegeu o deputado do PPD/PSD, António Preto, que compra votos a 25 euros, como quem compra nas lojas da especialidade da rua do Arsenal, bacalhau a pataco, ou aquele deputado socialista, amante de futebol e do Boavista, que ficou conhecido, deliciosamente, pelo Zé Léguas. Ou ainda, no país que vota de livre consciência, umas dezenas de bons cidadãos, estiveram, há cerca de 5 dias, mais de 12 horas numa fila para poderem ter acesso a um simples acto médico, no hospital da formidável cidade de Cascais, sem outra explicação, para lá daquela que os mandou fazer o papel de bons pretos e ainda por cima, com cara alegre.
Aqui chegados, e para terminar, não restam dúvidas de que esta democracia necessita de uns tantos palermas, que com um pedaço de papel que remetem para uma caixa, que por si só não chega, julgam estar a decidir o seu destino.
Ou, como com tretas, papas e um papel, se enganam os tolos.
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Crónicas em desalinho
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
2010 e...
Ano novo - problemas velhos.
Causou azia, nos respectivos sectores, a noticia de um relatório da UNICEF que divulguei, em que se afirmava que em Cuba não há fome. Compreende-se porquê. Os nababos, para o continuarem a ser, necessitam de pobres. Foi uma pergunta de Almeida Garrett: "quantos pobres são necessários para fazerem um rico?"
É naturalissímo que queiram fazer crer que é normal, e que noutros regimes é tudo pior.
Mas... mas... mas...
A treta do "direito a voto" e das "eleições livres"só serve para endrominar o povinho. A tecla de que se pode morrer de fome, mas desde que se vote está tudo bem é execrável, nojenta, nauseabunda, pestilenta.
O conceito de liberdade como exploração da maioria e o bem-estar de uma minoria deveria ser considerada uma violação dos direitos humanos. Infelizmente não é. Como a fome não é. Como a guerra não é. Mas fica claro que o capitalismo não sabe, como também não quer, resolver seja que problema for. Antes os cria, sob pena de não sobreviver.
Declaro que não respeito tal gentinha.
modalidades:
PS,
PSD,
Terrorismo
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