terça-feira, 13 de março de 2012

Há 50 anos, Rádio Portugal Livre


Ao assinalar os 50 anos da rádio clandestina do PCP, que esteve presente, acompanhou e participou diariamente na luta do povo português contra a ditadura e pela liberdade, de Março de 1962 a Outubro de 1974, é disponibilizado no seu sítio uma recolha de extractos de emissões, editada em 1977.
Há precisamente cinquenta anos, a 12 de Março de 1962, rompendo a mordaça da censura salazarista e as barreiras do seu aparelho repressivo, a voz do Partido Comunista Português entrava nas casas de milhares de portugueses desta vez através da sua rádio clandestina – a RÁDIO PORTUGAL LIVRE“essa nova e bela voz irmã”, como a saudou o “Avante!” de Abril de 1962.

Uma estranha PPP


Que as Parcerias Publico-Privadas são um dos melhores meios dos privados sugarem os dinheiros públicos, sem grandes chatices, já todos sabíamos. Agora esta ultrapassa todas as raias do bom senso e já não é um roubo comedido, é mesmo descarado.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Caso de polícia e de tribunal

Augusto Alberto

Se um tipo lhe encostar uma arma e lhe pedir para lhe transferir para a sua, dele, mão, a carteira, o relógio valioso, o telemóvel e os cartões de crédito mais os respectivos códigos, dirá que foi roubado por um malandro. Clamará pela polícia e ao tribunal pedirá que o ponha a ferros. E se o tribunal não ajuizar em conformidade com o seu desejo, dirá: “tudo isto é uma merda e a insegurança é total”. Tem toda a razão.
Mas poderá o caso mudar de figura se em vez de um meliante, for um Secretário de Estado, que escudado num labirinto jurídico, avalizou o roubo ao estado, para dar aos ricos? Poderá! Porque um Secretário de Estado presume-se ser pessoa de bem e o receptor, a empresa do engenheiro Ferreira do Amaral, que foi barão e ministro do PSD/PPD e um dos obreiros destas habilidades que aparentemente só podem ser deslindadas por doutores, também.
Contudo, pouco importa agora que o Secretário de Estado venha dizer que a Lusoponte vai ressarcir o estado. A verdade é que se o barro colasse, seria um óptimo negócio para os calhordas, sempre à espera, calmamente, que chova na eira e faça sol no nabal. Por isso, basta de branqueamentos.
Mas se houver quem insista em dizer em relação ao primeiro ladrão, que não passa de um reles bandido e como tal requer tratamento adequado, contudo, quem sabe se quanto aos outros ladrões, o Secretario de Estado e demais doutores, um dia já não tenham estado em convívio, numa festa do PPD/PSD. Reveja-se. E se concluir que afinal esse convívio foi real, então é bom que saiba que é por causa de rapazes como esses com quem se senta e em quem vota, que a insegurança vai ganhando contornos alarmantes e que há portugueses que só conseguem chegar à sopa e à roupa dada pelos bancos contra a fome. E não fosse o caso desta nação estar completamente minada e controlada por barões divertidos e assinalados, este era um caso de polícia e de tribunal.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Feira

Augusto Alberto


Há uma feira em Santa Maria da Feira. Ou melhor, um Europarque. Uma coisa que foi construída pela Associação Empresarial de Portugal, com dinheiros privados. Os seus sócios, legitimamente, mas com a particularidade de ter o aval do então primeiro-ministro de Portugal, Cavaco e Silva, o que agora derrama lágrimas de crocodilo e de coirão, e ter o estado como avalista.
Em boa verdade, o estado tem muitas tetas, ainda que nem toda a gente lhes ponha o dente. Por isso, apesar de gritarem, os sócios da Associação Empresarial de Portugal, menos estado ou nenhum estado, essa consigna não se lhes aplica, porque quando a coisa tropeça, logo tratam de abocanhar a teta do estado.
Pois ai está. De momento, abocanharam 7,97 milhões de euros, de um total de 31 milhões. Megalómanos, construíram com risco calculado e controlado, e logo que o negócio tropeçou, foi o estado, quer dizer, dinheiro meu e seu, cidadão, que foi derramado para cobrir o descalabro.
Em boa verdade, para mim e para si, a quem vão roubar 2 meses de vencimento ou da reforma e para muitos idosos, a quem se corta na reforma e se recusa o transporte para a consulta e o tratamento e desse modo se acelera a morte, o estado é mínimo ou inexistente, mas para os industriais de Portugal, o estado é máximo.
O que eu quero dizer, é que este país é na verdade uma feira, onde mamam e medram muitos filhos da puta, que a cada passo nos vendem mentiras e milongas, enquanto do mesmo passo, vai muito povo gostando mais de gato do que de lebre. Em todo o caso, é verdade que cada um come o gato que gosta. De todo o modo, apetece dizer: “Oh Gaspar vai para o caralho”. Estás a ficar parecido com um outro doutor em finanças, que por cá também passou, que como tu, foi forte para com os fracos, e coração de manteiga para com os ricos.
E o caro cidadão, o que diz? Nada! Está bem. Sabe, eles adoram caladitos. Pois então.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Na lista da Forbes até estamos bem. Qual crise?


Como diria Negreiros, "Coragem, portugueses, só vos falta as qualidades". Assim, com um pouco mais de esforço, sei lá, perderem 50% do ordenado, aumentarem a votação, por enquanto nas sondagens, na troika, sei lá mais o quê, por exemplo, irem trabalhar no próximo dia 22 de Março, talvez consigam meter 4 ou 5 tugas na lista da Forbes. Porque, por enquanto só lá estão 3.

E mais um dia... internacional

Dias internacionais há muitos. Disto e daquilo. Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Não sei se estamos em tempos de comemorações ou se será mais ajuizado uma reflexão. 
Foi no advento do capitalismo puro e duro, não há outro, aliás, nos finais do século XIX, que as operárias de uma fábrica de tecidos decidiram fazer greve. Para exigir a redução do horário de trabalho para 10 horas, eram impostas 16, para equiparar os salários pois ganhavam um terço dos homens para o mesmo trabalho.
A manifestação foi reprimida, as mulheres fechadas no interior da fábrica que foi incendiada morrendo 130 trabalhadoras. Puro terrorismo, diria eu, se não estivéssemos a falar dos Estados Unidos, a pátria das liberdades que servem de padrão para o mundo ocidental.
No século XX as coisas mudaram um pouco, muito por “culpa” da União Soviética, das lutas dos trabalhadores por todo o mundo, obrigando o capitalismo a tornar-se um pouco menos selvagem. Na aparência.
Hoje em dia não é despiciendo afirmar que esses tempos estão a voltar. Temos estado a recuar. Um retrocesso agora às claras. Civilizacionalmente e tudo. Basta percebermos os direitos que milhares e milhares de trabalhadores estão a perder. Direitos que custaram muitos anos a conquistar.
Bem, chega de reflexão. Comemore-se.
Com a voz e a poesia de uma mulher. 


terça-feira, 6 de março de 2012

6 de Março, aniversário do PCP

A Aldeia Olímpica saúda o 91º aniversário do partido da classe operária e de todos os trabalhadores. 

Angola-China, ou as relações “unilaterais”


Um exemplo flagrante da sujeição e subserviência a que estão dispostos os países que caem nas malhas do imperialismo, seja ele americano, europeu ou chinês, é este.
Angola é um país com muitas potencialidades, mas o grau de corrupção dos seus dirigentes faz arrepiar qualquer um. Ultrapassa, em muito, o panorama português, apesar de Portugal estar, também, a ser governado do exterior.
Tudo porque uma clique de governantes, corruptos e defensores de uma pequena classe ociosa, só têm olhos para o seu próprio bem-estar, não passando de indigentes morais e intelectuais a soldo de quem lhes dá mais. E para quem patriotismo ou soberania nacional são pormenores facilmente desprezados em nome desse mesmo próprio bem-estar.
Não é um fatalismo os povos serem governados por traidores.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A barraca rica

Augusto Alberto

Apanhe o comboio ou pegue no automóvel, cidadão, e abale. Vá ver a capital que desconhece. Não se engane. Comece pela “barraca rica”. Não o complexo de tendas e barracas que o povo designou como, “barraca rica”, no Alto da Ajuda, acima de Belém, para onde sua majestade e família fugiram, para evitar ser embaraçada por gente desprovida, após o terramoto e tsunami de 1755 que dizimou a baixa oitocentista de Lisboa. Mas a actual “barraca rica”, exactamente um ponto abaixo, em Belém, onde habita o topo da elite trambiqueira que dirige esta funesta República. E depois, continue. Pela madrugada, vá ver as novas paliçadas, ou cartonadas, que servem de abrigo aos puídos e ranhosos que se espojam pela Lisboa pombalina. Comece pelas arcadas do teatro Nacional D. Maria. Siga, após, até a estação de Santa Apolónia, e um pouco adiante, pare na pérola de Talavedra, a gare do Oriente. Confirme como nas antípodas da “barraca rica” de Belém há um Portugal imenso, a ser vergastado nas “barracas pobres”. Porque, aqui e agora, há portugueses com fome e, se estão vulneráveis e têm frio apanham a gripe, se não têm dinheiro para pagar as taxas moderadoras e os comprimidos e xaropes, até morrem sem assistência. Grande golpe. Se se morre mais cedo por não se ter acesso aos cuidados de saúde, baixam as despesas com os reformados e os velhos, o que acaba por ser uma benesse para a segurança social.
Antes do terramoto de 1755, a baixa de Lisboa estava carregada de frades da piça, marinheiros despedaçados, outra gente pustulenta e pestilenta, e de tabernas dos jogos de navalha, após disputa de uma rameira, onde provavelmente já arrimava o fado. Recuperada por decisão de Pombal e traçada por Manuel da Maia, vão mais de 250 anos e continua o rio que não pára. Por artifícios de gestão, está despovoada de gente organizada, mas contínua a ser o leito de acolhimento de novos pestilentos e pustelentos.
E na “barraca rica” de Belém continua um punhado de grandes bandidos, que tratam sobretudo de si, e de mansinho, da nossa sorte e morte.

domingo, 4 de março de 2012

O regresso à normalidade






E, como uma desgraça nunca vem só, desconfio que "Átila", a minha gata, é do FCP. Pelo menos a julgar pela altiva pose, como se pode ver na foto.





Greve Geral, um acto patriótico



A CGTP-IN entregou o pré-aviso de greve Geral convocada para o próximo dia 22 de Março. A greve é contra a política de exploração, de empobrecimento, de criação de desemprego, injustiças e desigualdades, que são, em última análise, o objectivo supremo dos regentes do capitalismo internacional que (des)governam o país.
Mas não deixa de ser, também, uma atitude patriótica contra os vendilhões que a troco de algumas benesses deixam o país à mercê da voragem estrangeira. Que a troco de algumas benesses entregam o estado, que já não tem sectores estratégicos da economia absolutamente nenhuns.
Que roubam o Estado, ou seja quem trabalha, quem produz, quem paga impostos, para dar aos nababos magnatas que nada produzem.
O caso do BPN, em que o Estado colmatou com dinheiros públicos o que de lá foi roubado, para depois o oferecer a grupos privados por tuta e meia, e o caso da RTP, em que se tenta desvalorizar a estação, com o silêncio do suposto governo, para depois melhor se concretizar os seus desígnios, ou seja privatizá-la, ou melhor, dá-la de mão beijada, são casos, além de descarados, muito graves.
Por isso, a greve geral de 22 de Março é indubitavelmente um acto patriótico.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Vintage? Não é má ideia, não senhor

Porto da Figueira: em 2012 a crise continua a passar ao lado

foto: alex campos

O porto da Figueira da Foz, que em 2011 bateu o record de movimento de mercadorias, como aqui dissemos, continua, em 2012, a ser o porto que maior crescimento tem registado.
Nos dois primeiros meses do corrente ano contabiliza um aumento de cerca de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. Movimentaram-se, até dia 29 de Fevereiro, cerca de 279 mil toneladas, ou seja, mais 84 mil.

"Anda Pacheco"

Augusto Alberto


"Anda Pacheco!" Ficou célebre o modo como Hermínia Silva motivava os seus guitarristas, para a conversa sobre o fado. Hoje, anda qualquer coisa de semelhante no ar. No Diário de Noticias, no Público, no Jornal de Noticias, no Correio da Manhã. Em todos os jornais especializados em economia. Na TV1, TV2, TV3, TV4, TV5, TV6 e Tv7. Em diferido e sobretudo em directo. 
"Anda Seguro!", ou melhor dizendo: está em marcha uma longa e muito bem urdida campanha com vista ao branqueamento, lavagem e ressurreição do partido socialista, que visa colocá-lo no lugar onde sempre esteve. A saber: primeiro, travar o movimento social, fazendo crer que não é preciso lutar porque o partido socialista, de esquerda e com preocupações sociais, chegado ao poder, resolverá o problema. Segundo, evitar que à sua esquerda, a esquerda consequente, o PCP, cresça e se coloque com 2 dígitos. Terceiro, estar a tempo e horas pronta a alternância para em caso de falência absoluta da direita trambiqueira, PPD/CDS, o poder não caía de maduro, a pique e quem sabe, na rua. E avance, então, a mudança das moscas mas que se mantenha a merda. Ou ainda, como sempre foi usual.
Quando o “preto” de confiança começa a vacilar e se abeira do precipício, logo outro “preto” está preparado para ser lançado ao serviço. Na verdade, é preciso que o partido socialista recupere a cor e o fôlego para que cumpra, como sempre cumpriu e à semelhança dos demais partidos socialistas por esse mundo, o papel de tampão dos movimentos sociais. Como disse Lampeduza, avança a alternância para que tudo fique na mesma.
No fundo, é o país enganado, corneado e fétido. Ou a ressurreição da traição.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Um silogismo errado




"O PS assinou o  acordo com a Troika.
A Troika está satisfeitíssima com o governo.
Seguro quer que o governo assuma responsabilidades pela governação".

Ou Seguro não está a entender nada disto e está a ver o filme ao contrário, ou, então, está na mangação. O que faz com que o silogismo não bata certo.
Incongruências, pronto!!