quinta-feira, 27 de março de 2014

“A ponte”

Augusto Alberto

Cisma que é o vizinho para quem todos os outros olham, porque tem na garagem, protegidos da intempérie e dos gatunos, os dois BMW da família. E toma ares de pavão em tempo de cio, porque cisma, também, que tê-los, é absolutamente chiquíssimo. E para completa felicidade, até o seu rico menino, chegou à faculdade e obteve licenciatura e mestrado. Mas, de repente, a sólida convicção de que o capitalismo representa a fase social superior, (à cabeceira tem as obras dos mestres de Chicago e até, surpreendentemente, foi ler umas coisas sobre o thatcherismo e a repressão nas minas de carvão no Yorkshire, nos idos anos de 1983,1984, ainda que pouco tenha aprendido), ficou ligeira e surpreendentemente abalada, porque o seu menino, mestre na área da engenharia alimentar, foi muito maltratado pela “Danone”, produtora de iogurtes sólidos e líquidos, ao ponto de a “Danone” ter de informar sua excelência o público em geral, que é prática corrente retribuir os estágios profissionais, com caixas de iogurtes, em vez do dinheiro com que se compra o pão e o melão.
Mas como não há bem que sempre dure, advirto-o, que um dia, inopinadamente, pode ser tomado pelo mesmo paradoxo que tomou a senhora que há poucos dias tentou o suicídio na ponte 25 de Abril, dilacerada e empurrada pelas mãos criminosas que cinzelam as politicas do sistema usuário, que tem no topo os banqueiros, magistralmente caracterizados pelo grande poeta russo, Maiakovsi. “Sozinho não posso carregar um piano e menos ainda um cofre-forte…Os banqueiros dizem com razão, quando nos faltam bolsos, nós que somos muitíssimo ricos, guardamos o dinheiro no banco”. “Todavia, para evitar a batota e para melhor perceber a eloquência de Maiakovsi, informo, que para além de poeta, foi bolchevique.

E voltando à senhora, convêm dizer que, se fosse mal sucedida, teria sido uma dupla tragédia. Porque a ideia de fazer o suicídio, saltando da ponte 25 Abril para o Tejo, onde garimpam pobres gaibéus, marnoteiros e marinheiros, depois de anos a fio a votar nos partidos “democráticos”, que contrariam, (vejam só…), o 25 de Abril, era uma palermice. Nunca subestime, pois, os seus inimigos de classe. Rechace-os, tanto no voto, como em cima da ponte. Porque uma ponte… é um lugar muito pateta para se ligar à morte.

sábado, 22 de março de 2014

«Se a luta de classes existe mesmo, a minha classe ganhou». Warren Buffett

Augusto Alberto


Tiremos o chapéu a Serguei Lavrov, o ministro dos Estrangeiros da camarilha que manda para lá dos Urais, porque não deixou lugar para uma avaliação bifurcada dos acontecimentos no mundo, quando enfaticamente, disse:-“a Crimeia diz mais à Rússia, do que a Republica Centro Africana à França e as ilhas Malvinas, à Inglaterra”.
Esta observação faz-me lembrar como a Venezuela e Ucrânia, são hoje as duas pontas da mesma tenaz. Os Estados Unidos, encorajados pela ajuda da Europa no reviralho da Ucrânia, atacam fundo na Venezuela. E nessa canalhice contam com uma máquina de propaganda, muito consolidada, ainda que possamos ver nela uma informação livre e independente. Nesse contexto, a televisão pública enviou, tanto para a Venezuela como para a Ucrânia, enviados especiais para nos darem as melhores notícias. O objectivo é simples. Colocar a desinformação, ou um ¼ de verdades, no centro do golpe, estabelecendo o espírito necessário, para universalmente se aceitar como bom, o “putsch” fatal. Resolvido e atirado o assunto para os textos da História, como no Chile em 1973, ou como no Iraque das armas de destruição maciça, lavadas as mãos, num processo de higienização secular, a vida de quem se prestou à poltrice, volta ao ronrom dos dias, esquecidos as vítimas brutais do “putsch”.    
Na Ucrânia, o resultado mais imediato parece traçado. Uma primeira derrota da camarilha ocidental, ao ponto de Rodrigues dos Santos ter deixado a Crimeia, sem ter aquecido os lençóis do hotel, onde pernoitou. Mas na Venezuela, o reviralho segue o guião do “putsch” chileno. A falta de reposição no mercado de produtos essenciais, que sustentam o barulho dos tachos no alcatrão. Todavia, na Venezuela de hoje, para acabar com o Chavismo, (é possível…), vão ter que fazer horas extraordinárias, porque o Chavismo, não é hoje um movimento que só reage em tempo eleitoral. E não vai haver aviões acrobatas americanos para bombardear o palácio de Miraflores, como bombardearam o de “La Moneda”, de Allende.

Sem esperança, “bastaram poucas horas para comprovar a remelosa informação”, desejava também, que a jornalista residente nos Estados Unidos, exemplificasse como Buffet tem razão. Ou como as pessoas vivem como ratos e como o sonho americano, claudicou. Terra, onde hoje, os 30 senhores do dinheiro, (incluindo Buffett), recolhem do bolo, tanto como 150 milhões de americanos. Ou seja, metade da população. (ONG Oxfam). Vitimas na sua terra, do mesmo capitalismo fascista, que impede que a Venezuela possa decidir o destino, e por isso, ter de ser punida, para servir como exemplo, para outros países da região. Aliás. Como sempre!

sábado, 15 de março de 2014

Cus, cuzinhos, rabos, rabinhos…

Augusto Alberto


No Portugal despencado, gente velha vem à rua para protestar, porque lhes levaram o tribunal, depois de lhes terem levado a farmácia, o posto médico, a escola primária, os CTT e os filhos e os netos. Ou seja,  os portugueses do tédio rural e do fraco amparo, de volta e meia, levantam a verve, mas sem sucesso, porque, inaptos e relapsos, voltam sempre a votar em quem os rouba.
E na urbe, os outros, com o mesmo jeito, sentam-se à mesa do café para tomar a bica do dia e ler o jornal de tendência judaico-cristã. Irados, apontam para a notícia, que diz que o governo Sócrates deu muitos euros à Fundação Soares, para a livrar de apuros. Ou que, o banqueiro de tal, se reformou com uma reforma tão alta, que é um insulto. E que Jaime Gama, antigo presidente da Assembleia da República, senhor necessitado e com longos anos de vida adiante, foi anunciado como administrador do banco Espírito Santo, nos Açores. Mas esquecem que, em tempos chegados, votaram precisamente em Soares e Sócrates, e no banqueiro insultuoso, e em Gama. E, vergados, juntam um pouco as folhas do jornal, não vá alguém dar pelo baixo pudor, para no caderno interior, não ler as ofertas de emprego, que não há, mas olhar para as fotografias dos cus, cuzinhos, rabos, rabinhos, ou, em linguagem de forró, bunda, bundinha, bundão. Tudo anotado, mais ou menos, assim: - morena gostosa, especialista em chuchar, ou, menina meiga e terna, disponível para o fazer sonhar. O jornal viola, não há dúvida, a matriz judaico-cristã, que indica que é pecado publicitar o vício da carne e por isso, é mau. Todavia, o português, de tão pobre, já só consegue ler aquilo que o café lhe dá.
Contudo, os portugueses não deixam de ser bestiais. Os espertos dão o voto em troca da novíssima carrinha BMW e por isso, comparecem à hora, na urna, enquanto os que necessitam de um Portugal mais certo, dão falta de comparência, porque preferem viver de ganchos e truques. E ainda, resmungões e inconsequentes, tanto gostam de caldeiradas, (vide o manifesto pela renegociação da divida), como acreditam em “santos” ou em ranhosos, como os que agora indicam como muito necessário, renegociar a divida, feita em proveito próprio. Enquanto o P.S., armado em venerável, como sempre, bifurcado, à questão, diz “nim”. 

Em Portugal nada muda. Obedece e boceja, enquanto mantêm a fórmula de, socialmente, levar pontapés no cu. Tudo está escrito nos interstícios do “correio da manhã”.

domingo, 9 de março de 2014

Ana Gomes, meritíssima deputada...

Augusto Alberto 
 - Intróito imaginário
 O comandante Lamco, da direita fascista em Kiev, (a quem o vice americano Kerry e a baronesa Ashton, na praça da “liberdade”, distribuíram bolachinhas reforçadas), subiu para o edifício da Câmara Municipal da cidade, e montou banca, e Ana Gomes, a inquieta deputada socialista, foi-lhe no encalço... A democracia, ali, e naquele instante, foi sublinhada…    
 - Uma preocupação
 Sentado à luxuosa secretária que terá pertencido a algum alto funcionário municipal, e sempre acariciando um cassetete negro, o comandante Lamco, explica: A extrema-direita em Kiev sonha com um país como a Suíça… e… defende uma sociedade em que todos andem armados, decidam tudo a nível local, votando de braço no ar, com poucas leis escritas, nem partidos políticos…
À porta da sede do partido, no 7.º andar do edifício da câmara municipal de Kiev, está pintada uma gigantesca cruz suástica…por todos os aposentos, há símbolos…nazis pintados nas paredes com spray….os militantes, assistem a reuniões, ou passam horas sentados ou deitados em colchões estendidos no chão, ouvindo música em alemão, sempre de botas militares, coletes à prova de bala, capacetes…e máscaras… há escudos metálicos empilhados nos corredores…
- Uma constatação
Ao ler este arrazoado, escrito por um enviado, (Paulo Moura), para um jornal nacional de referência, fiquei estarrecido. E logo perguntei: é a este gente, que a Comunidade Europeia e os Estados Unidos, querem entregar meios e poder administrativo? Vai ser bonito de ver.
- E nova constatação
E de seguida, lembrei-me, também, que Ana Gomes, foi em tempos, quando o doutor Mário Soares berrava, deixem os rapazes em paz, uma óptima ponta de lança do M.R.P.P. Que mais tarde, procurou no Partido Socialista, a forma de ser ressarcida, pelo muito que deu à contra-revolução. Poderemos dizer que agora isso já não interessa. Mas convêm perceber, todavia, que preço, agora, lhe paga a “democracia”. Dá-lhe a possibilidade de estar de bem com a vida, mas exigindo, com prontidão, que continue associada ao bullying sobre os povos. Por isso, não admira o papel exorbitante, da deputada, no reviralho ucraniano, porque, acredito, apesar de não ter estado na admirável sede do citado partido fascista, andou por lá perto, tal como o deputado social-democrata, Duartinho Marques. E isso, não é questão menos importante.
- Epilogo e alerta
De todo o modo, devo lembrar, que é sempre preciso, longo tempo, para lamber as feridas provocadas pelas piores topadas.

(Por isso inform,o entretanto, que os húngaros, contrariando os valores da grandíssima União Europeia, já estão a provar de um mundo, socialmente semelhante, ao que o comandante Lamco, anuncia. De todo o modo, tédio ou bocejo, ou fascismo à lá carte, isso que importa, se os interesses do grande capital estão assegurados).

quinta-feira, 6 de março de 2014

O lápis que risca em tons de azul claro

Augusto Alberto


No mundo da democracia parlamentar são raros os jornais, rádios ou televisões, que não estejam no domínio dos poderes económicos. Para melhor percepção, atentemos no facto de António Vitorino, pensador “brilhante” do socialismo de rosto humano, ter estado presente no lançamento, com ampla publicitação na imprensa, de um relato da passagem pelo poder, do ex-ministro das finanças, Vítor Gaspar, da autoria de uma “princesa” do jornalismo luso, Maria João Avilez. E para que a cerimónia ganhasse mais corpo, esteve presente, alguma da mais jeitosa trampa da nação. Os ministros Nuno Crato, Poiares Maduro (de quê?), e Pires de Lima, (que já decretou o fim da banca rota), alguns secretários de Estado, como Carlos Moedas…e os ex-ministros, Marçal Grilo e Luís Amado, Alexandre Relvas, director da campanha de Cavaco Silva, Vítor Bento, (um cripto sacana), e... como se vê, nada é deixado ao acaso, quando se trata de fazer o panegírico dos melhores cangalheiros da nação.
Mas, pelo contrário, quando se trata de posições intelectuais diferenciadas, ou muito criticas da acção do poder, a informação plural torna-se sacanamente unívoca. Apagam-na! Desse modo, não podendo chamar comunista a Sampaio da Nóvoa, mas antes, um cidadão atento à realidade do mundo e aos rumores que fazem opinião, e apesar do seu equilíbrio e sensatez, o seu discurso de passagem de poder na Universidade de Lisboa, quase passou despercebido. Eu diria mesmo, foi cortado com um lápis azul muito claro, em linha com as agruras do fascismo de baixa intensidade, que hoje governa o mundo, porque o azul do lápis que censurou no fascismo mais carregado, esse, foi de chumbo. E o que disse Sampaio da Nóvoa, que tão pouco agradou? Alertou…para o “instrumento de dominação” em que se transformou a crise, usada para legitimar ideias que, de outra forma, nenhum de nós, estaria disposto a aceitar...Serve para impor soluções ditas inevitáveis, que corrompem a nossa capacidade de decisão e a nossa liberdade… Que tudo se decide num lugar longe de nós, num lugar distante da nossa vontade.
O papel da imprensa, em períodos de intensa luta social, está bem documentado. Nesse sentido, acredite que vale a pena perceber qual foi o contributo “dominante”, do jornal “livre” El Mercúrio, na preparação da “pinochetada” no Chile de Allende. Verá como a imprensa autóctone, escrita e falada, poderá colocar-se em linha com as atribulações de “El Mercúrio”, o jornal fascista de Valparaiso, em caso de necessidade. Como é hoje, o caso da Venezuela, ou em referência, ao “putsch” na Ucrânia.
E se me é ainda permitido, aproveito, para informar, sobretudo os crédulos socialistas (?), como pagou o fascismo de baixa intensidade o “incomodo” a Vitorino. Nomeando-o administrador não executivo dos novos CTT. Ou seja, a  “democracia”, não deixa de ter uma atenção, com os que tem traído os interesses nacionais e concomitantemente, traçaram, em tempo oportuno, a politica de privatizações no PEC IV. (…no sector das comunicações proceder-se-à à abertura do capital dos CTT – Correios de Portugal. S.A., à iniciativa privada…)

Como dizia a Hermínia, carrega Pacheco, (Vitorino), porque o povo é meigo, e amante de pau e circo, e pouca carne e pão.

domingo, 2 de março de 2014

…adivinhe quem se apresentará em sua casa, para jantar consigo?

Augusto Alberto


O que esperar de um país em que o partido do poder organiza um congresso que mais pareceu uma “folia”, onde estiveram os oligarcas de Lisboa, bêbados com o poder politico e económico, ao ponto de aparecer gente, sem aviso prévio, para debitar umas larachas, que levaram ao riso, esses oligarcas de pança cheia?
Que país foi ali discutido? Nenhum! Simplesmente, ali foi verificada a babugem e a baba do poder. Aquela “folia”, mais uma vez, porque é exactamente aquilo que os oligarcas pensam, tomou o povo por idiota, que apesar de carregado de fome e humilhação, lhes parece estar sempre disponível para lhes entregar o poder de modo legítimo (?).
Desse modo, e sem espaço para mais delongas ou expiações, chamou de novo, à liça, o Relvas, já muito infestado e imundo de sujidade material e moral. Vejam, como a casta que tem andado a dizimar o país, se esfrega na imundice, contando com a moleza do povo, para continuar a rebolar-se no chiqueiro. A casta, conta, é bom dizer, com duas coisas pertinentes. Primeiro, com uma classe média, que tem andado a passar por entre os pingos que encharcam o povo de miséria e que cuida, apesar de tudo, poder continuar a viver assolapada no Mercedes ou no BMW e que por isso, deve continuar a ser a base social da bandidagem. Segundo, que nunca ocorra por cá um levantamento popular sério, que ponha tendas e paliçadas à porta da “casa da democracia”, e que recuse a entrada aos mainatos da oligarquia económica e financeira.
E que esperar, outrossim, de um partido com vistas (?) para as questões sociais, que apresenta um candidato às eleições europeias, logo muito saudado por comentadores afascistados, como sendo muito bem preparado e muito inteligente. Ao ponto, de ser um camaleão único. Ou seja, a capacidade de fazer a espargata, apoiado num pé, à direita e no outro, à esquerda. Sabendo nós, que quando vacila, o camaleão nunca cai a direito, com o risco de esmagar os colhões no chão, mas cai sempre para a direita, com vista a salvar o pêlo.

Então o que propõe o camaleão, manhoso e inteligente, Assis? Um entendimento do partido socialista, com a direita caceteira e tramontana, para estruturar a esquerda. Te arrenego Assis! E vai mangar com a quinta pata do cavalo, da estátua equestre de D. José. Sabes porquê? Pois eu digo-te, se não sabes. Porque, por enquanto, incluindo a Europa, o grande capital ainda não precisa de recorrer às baionetas e às botas, a que a vulgata chama de fascismo, porque tem à mão pascassos e lambe-botas, quer sejam, Assis como tu, e Seguro, ou Passos e Relvas, com vista à subjugação dos povos e a manutenção de todos os seus privilégios. Por enquanto, ainda só vamos no fascismo de baixa intensidade, mas se as coisas apertarem, adivinhe quem se apresentará em sua casa, para jantar consigo? 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

As "chegas"

Augusto Alberto

Poucos dias antes de ser assassinado em Dallas, Jonh Kennedy quis saber da possibilidade de derrubar o governo brasileiro de João Goulart. Provam documentos, entretanto desclassificados, sob o testemunho de “Arquivos da ditadura”. Daqui se conclui que John só era meigo enquanto esmifrava a vagina da Monroe, porque, quanto ao resto, foi mais um meliante, especialista na “boa” arte da canhoneira.

Entretanto, no mesmo dia em que li estes testemunhos, vi imagens de uma “chega” de bois à transmontana. Colocados os bois frente a frente, encaixam na perfeição os cornos que só se desenlaçam com a fuga do mais fraco. Ora, este é o actual caso da Ucrânia. Palco, preferencial, para o capital desavindo, encaixar os cornos, na ânsia de que um, se sobreponha ao outro. De um lado, a oligarquia capitalista russa, vencedor dos escombros da experiência socialista, que não cede na defesa dos seus espaços físicos, onde há enormes riquezas e do outro, as oligarquias capitalistas ocidentais, que bem conhecemos, com Gaspares, Coelhos, Portas e Seguros, a atacarem na fronteira, onde há carne disponível para o canhão, no sentido de colocar a mão, onde hoje, manda a oligarquia russa.
A traquitana ucraniana é um perigo, porque a oligarquia russa é bruta, e vai responder sem delicadeza e onde mais dói. Por isso, agora em Kiev, parece que estamos perante uma “chega à moda da Ucrânia”. Que “boi” se vai desensarilhar, carregando o fardo da derrota e que ondas de choque sobrarão para os povos, como os que sobraram, entre os anos de 39/45, do século passado?
Chaves em vida “traiu” os manhosos caceteiros de 1989, quando mandou investigar o “caracaço”, que só em Caracas, fez mais de 4.000 mortos. Por isso, “arreceia-se”, tanto a oligarquia capitalista ocidental e americana, como a oligarquia venezuelana, que, presa por uma arreata, convoca de novo meninos, meninas, e senhoras de rostos mimosos, a baterem tachos, para sinalizar a falta(?) de comida. O modelo é o do Chile, de 1973. Então, como é regra nos partidos de poder nas democracias parlamentares, a estrutura do Partido de Allende era eleitoralista e por isso, incapaz de mobilizar gente para vir à rua defender as transformações sociais. Ora, na Venezuela, hoje, a coisa não é bem assim. O fascismo sai à rua e dos morros, para lhe dar o troco, à cidade, descem ainda muitos mais. Por isso, o fascismo na Venezuela vai ter que fazer trabalhos suplementares.
E quem sabe se o actual líder do golpe fascista na Venezuela, Leopoldo López, não é um neto da liderança de Andrés Perez, o amigo socialista de Soares, que há 25 anos, com o “caracaço”, reprimiu violentamente o povo com fome?     
Os diabos são cornudos e o capitalismo também. Desde os primórdios, passando por Kennedy, ou no tempo que corre, de Obama, Merkel ou Barroso. De todo o modo, há sempre quem acredite, que ter um Mercedes e um BMW, é quanto basta para haver democracia. Infelizmente, para os incautos que nada têm.   

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

“As gafeiras” no paraíso*

Augusto Alberto


 Era hora do chã, e um grupo de “tias” tomava o das cinco. Eu também estava presente e logo coquei a enfática conversa e os concomitantes disparates.
-Imaginem -  disse uma, que tinha cabelo volumoso e langorosos traços de rímel – uma mulher arreliada com os preços das coisas e a reclamar que não tinha dinheiro para a compra. Gesticulava que era preciso acabar com isto e promover um sobressalto. E como? Imaginem! Votar na CDU. Nos comunistas! Confesso que até me assustei. Não fosse a mulher, naquele instante, ter a ousadia, também, de me tratar por camarada. Longe vá o presságio. Prefiro viver 100 anos debaixo do mando da troika, do que ver os comunistas com algum tipo de decisão…que despautério!
Não nos admiremos. É muito comum na histórias dos povos as elites fracassarem e esperarem que outros, vindos de longe, possam tirar as castanhas do lume. Foi assim quando a elite cedeu a soberania a Castela, e quando a coroa fugiu, deixando o povo maltrapilho a ser comandado por um inglês, que logo tirou as melhores do lume. E para melhor entendimento, informar, também, que a aristocracia e burguesia russa, atrapalhadas em 1917, aspiravam pela derrota militar e moral da Rússia perante as tropas alemãs do imperador Guilherme, para, como diziam…com a chegada dos alemães…chegar a lei e a ordem…E lembrar, também, que parte da elite francesa capitulou com o governo de Vichy.
Essas “tias” não sei quem são, evidentemente, mas não tenho a mínima dúvida em afirmar, que são “tias” da burguesia peralvilha, convictas dos actuais benefícios. Maior desigualdade na distribuição da riqueza. Os ricos, mais ricos, e os pobres, mais pobres, ainda que para isso se tenham verificado cedência ao capital estrangeiro, do melhor da produção nacional. Pagamento aos mercados (?), de juros usuários. Drástica desregulação das leis laborais, (por primeira iniciativa do P.S. e total complacência da UGT, a central sindical socialista), com custos seriíssimos para os trabalhadores. Baixa do custo unitário do trabalho. Aumento exponencial da emigração, ao nível da dos anos 60 do século passado. Acelerada desertificação do país. Desaceleração na natalidade, colocando riscos sociais e demográficos.
Dizia o cristão (?) cónego Melo, no intervalo da pólvora e traulitada, mancomunado com socialistas moderados (?), sociais-democratas (?), e cristãos (?), do CDS, à vez, ou por atacado, que a democracia e a soberania, são uma ova e um enfado.
E tomando a lembrança, disse, ainda, para rematar e sem prever, me danar, uma outra senhora, com unhas de gel e grosso anel: Se for preciso, aos insurrectos, dá-se-lhes chumbo.
     - Reagi! Então, dona! Isto vai-lhe a preceito, mas ainda não recuamos à “gafeira”. (Arquétipo, do criminoso Portugal fascista. - “Só no ano passado, emigraram da freguesia dezanove famílias inteiras, calcule Vossa Excelência”- Regedor da Freguesia, 1778). Em “Delfim”, de José Cardoso Pires.
- Não me diga, que o senhor, ai, é camarada?
- Sou sim e depois?
   

     * Não desligue, porque a história é verdadeira.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Toda a vida é dívida, toda a vida é fado

Augusto Alberto


Anos após Hitler receber o poder democraticamente, recorde-se, oferecido pelo voto do povo alemão, Goebels, assistiu a um concerto dado pela Filarmónica de Berlim, dirigida por Wilhem Furtwangler, em honra da Juventude Hitleriana. Primeiro, o mestre botou palavra, perante grandes dignitários civis e militares do fascismo alemão, e depois ouviu-se a 9ª sinfonia, como muito bem mostra, a propósito, um documentário que passa, amiúde, no canal Mezzo. Furtwangler, à época, era figura maior da cultura alemã, contudo, não é certo o seu affaire com o fascismo. Todavia, por cá, os opinadores de colarinho branco, sem receios e restrições, colaram-se aos poderes reinantes, ainda que nenhum, apesar da cagança e jactância, se aproxime do nível de Goebels. Mas não se julgue que não fazem mossa. Fazem, sim! Por isso, alguns Goebel(zinhos) domésticos, que bem conhecemos de ginjeira, afadigam-se na tese da recuperação, omitindo, contudo, o essencial da questão. E ela é... o programa cautelar, foi o manto diáfano, que permitiu cavalgar a baixa do custo unitário do trabalho e a transferência da maior parte da riqueza produzida, para um punhado de bandidos, em linha com a filosofia “fascista”, de catapultar algumas famílias, a donas da nação.
Alexandre Soares dos Santos levou vantagens fiscais, que depositou na Holanda. A Mota-Engil, mais o futebol doméstico, usufruíram de gordas subvenções. No primeiro caso, 8.142 milhões de euros e no segundo, 9 milhões. Contudo, após anos de tarraxa, o défice achado para o ano de 2013, ficou em 5.6%. Seria suposto ficar em 2%, na hora da despedida. A divida soberana da nação, trepou de 127%, para 129%. E aqui reside a mãe de todas as pérfidas. As maturidades em referência à divida da Nação, foram as que mais renderam aos credores internacionais, 6.6%. Mais dos que as maturidades grega, espanhola ou irlandesa. Ora cá está, por que razão, as hienas consideram a divida soberana portuguesa um figo maduro e por isso, não abdicam de a trazer inscrita no excel, segura por uma corda, a arroxear os nossos pescoços.
Salazar e o fascismo dirigiram esforços e muitos meios, para a criação de grandes monopólios industriais, mas agora, este “fascismozinho”, saído do 25 de Novembro de 1974, remete riqueza e meios, para as áreas da saúde, ensino e distribuição. Uma espécie de fascismo de merceeiro, que inexplicavelmente colhe o apoio eleitoral da maioria dos portugueses, como colheu, dos alemães, Hitler e o seu Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães.

Desenganem-se os que acham que o actual estado democrático, é neutro. Pelo contrário, é um estado de classe, que protege gente cavernosa e mal cheirosa, tal como o estado fascista alemão protegeu a elite industrial e financeira, arruinada e dilacerada por múltiplas contradições. Por isso, toda a vida é dívida, toda a vida é fado.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O Mondego que une

Augusto Alberto



Terra danada, esta. Dirigida por uma elite bafienta que procura, viciada, os raios de sol que a aqueçam, na razão oposta da friagem das suas ideias e compromissos. Ao ponto de ir por aí uma discussão troglodita, a propósito de um assunto sério, como é o caso, que tende a filar um novo clube, sobre os escombros da Associação Naval 1º de Maio. Qualquer coisa, como Naval 1893. Se assim for, a estultícia é grande. Porque “Naval”, indica água, barcos, (as gigas), homens e rio. Como Cachola, que no apogeu da vida, em1933, se colocou na condição de herói insano, porque a meio de uma regata, e na sequência de um acidente técnico, sem saber nadar, se atirou à água, para ser recolhido cadáver, horas após, agarrado ao pegão da velha ponte, que ligou a cidade à Ilha da Morraceira, no caminho para sul.
Ou ainda, o grande Edmundo, de quem disseram os ingleses do Rowing Clube de Londres, presença assídua nas majestosas regatas Internacionais, (com as margens cobertas de gente, digo margens, sim, que faria, hoje, inveja a muita assistência em jogos das ligas profissionais de futebol), ser o remador mais bravo que alguma vez observaram.
Ou ainda Zezinho, o terrível, o último da primeira grande geração de remadores da cidade. Ou bem mais perto, Manuel Parreira e Luciana Alçada, ambos finalistas nos respectivos campeonatos do Mundo.
E reafirmar que foi precisamente devido à obsessão pelo futebol que a Associação Naval 1º de Maio se tornou irrelevante, do ponto de vista patrimonial, do ponto de vista dos quadros, que são peças fundamentais em qualquer projecto desportivo, e vai a caminho da irrelevância desportiva e social.
Ficarão parcos registos, porque os melhores foram devorados pelas chamas, e a memória, que se apagará inexoravelmente, por morte biológica, de um clube que congregou os figueirenses, não só no Rio, mas também nas tardes de futebol, (esse sim, jogado por gente da nossa terra), no velho campo da Mata, (Tó Pinto, Pinto Machado, emérito guarda-redes e remador) e outros, mais tarde também, no estádio municipal, nas matinés dançantes, e nas da ginástica acrobática, no teatro, com o exclusivo “Casamento da Vasca”, nos jogos de basquete, (no S. Siro), de Ténis de Mesa, ou no tiro de sala, na sua engenhosa carreira de tiro, tudo, na velha sede da Rua da República, que também serviu para tratar e confortar combatentes chegados em péssimo estado, da 1ª guerra mundial.
É imperioso deixar de apoucar e arreliar a história, que é quase o pouco que ainda resta, e perceber que as soluções para resolver o problema de uma colectividade, com mais de 120 anos, não passa por acabar com ela, e sobre os seus escombros e a sua história, construir uma outra, rebuscando o substantivo e a data, (1893), para prosseguir um modelo que se revelou inábil, mas manter e reforçar o pouco que ainda resta e acabar com o futebol profissional, que foi quem colocou a Associação Naval 1º de Maio, no estado de catalepsia, há custa de promessas e do recrutamento de gente, calçada com sapatos de pelica ou chuteiras, muita dela, sem saber que a cidade tem um rio, que não sendo maior do que outros, é, contudo, o rio mais belo.

O destino de uma colectividade com mais de 120 de vida, não merece esta discussão troglodita, porque, Ela, pode para acabar mal. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Thank you, Pete

Uma versão em francês por Graeme Alwright. O original, de Pete, já por aqui passou, e pode recordar.

Academias

Augusto Alberto


Na academia do Argentino Juniores formou-se Armando Maradona, o astro. E de outras academias das Américas, saíram coronéis torcionários. E também de West Point. E nos anos 70, 80 e 90 do século passado, da academia do Ajax de Amesterdão, saíram estrelas do futebol como Ruud Krol, Johan Cruijff, Van Basten, Rijkaard, Ruud Gullit e Bergkamp. A seu tempo, todos, construíram a espinha dorsal da selecção de futebol da Holanda, conhecida como a laranja mecânica. A academia do Barcelona, deu também ao mundo do futebol, astros como Messi, o fundamental, Puyol, Xavi, Iniesta, Piqué, Valdês e mais recentemente, Pedro Rodrigues, que dão corpo à “Roja”, dupla campeã da Europa e actual campeã do Mundo.
Contudo, não se julgue que em Portugal nada se cria ou nada se transforma. Pelo contrário. Vinda do século passado, a academia de futebol do Sporting Clube de Portugal produziu e continua a produzir, estrelas, como Paulo Futre, bola de prata em 1987 e mais recentemente, os bolas de ouro, Figo e Ronaldo. E também num palacete à Lapa, na Capital, se tem fabricado alguns dos melhores mixordeiros, vigaristas, puxa-sacos e malandros de que há memória em Portugal e na Europa democrática e Ocidental.
Alguns, chegados pelo voto, a ministros e um, inclusive, a Presidente da República e um outro, pela arte da cooptação, a Presidente da Comissão Europeia. Marques Mendes, o arquétipo do homem pequenino, que, diz o ditado, ou é velhaco ou dançarino, é o último a dar-se à universal babujem. Espera pela presunção da inocência, bem sei, todavia, basta de milongas, porque já é demais. Mas também, uma outra academia, num outro palacete ao Rato, na Capital, uns furos abaixo, na qualidade e matreirice, produziram-se flibusteiros, como Armando Vara, Penedos, Coelhos e Calvetes, (orientados por GPS).
Estrelas um pouco carentes de pedigree, é certo, mais em linha com a academia de futebol do glorioso Sport Lisboa e Benfica, uns degraus abaixo da insigne academia de futebol do Sporting Clube de Portugal.

Todavia, em falando de academias, estabeleça as diferenças com os homens referenciados nas academias supracitadas, e perceba, ainda, de que academias vieram homens, como, Bento Gonçalves, Bento de Jesus Caraça, (e a inestimável colecção Cosmos), Lopes Graça, (e a canção heróica), Freitas Branco, os poetas militantes, José Gomes Ferreira e Ary dos Santos, e os escritores militantes, Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes, Armando de Castro, Mário Dionísio, Manuel da Fonseca, Urbano Tavares Rodrigues e Saramago, pena de ouro da literatura universal, e etc. Garanto que só o enobrece.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Um empresário da restauração com modos de padeira de Aljubarrota

   Augusto Alberto
    
Ou a história da passagem pelo restaurante Meta dos Leitões, na Bairrada, de magnos delegados ao congresso do Ministro Paulo Portas. A história é conhecida, e conta-se breve, para o caso de alguém andar distraído. A fazer fé nas notícias, os magnos delegados, comeram 15 refeições e pagaram 18. Um roubo! Assim é! Todavia, o dono do restaurante, inclemente, indicou que sendo os clientes militantes de um partido de ladrões, ele, empresário, aproveitou o momento para um pequeno reparo. “Roubar”, quem o rouba. Certo! Ou a assunção do velho ditado, que em caso de justiça, manda que seja resolvido por jurisprudência popular. Absolvição, por 100 anos, do ladrão que roubou os ladrões. E como prova do juízo do empresário, dou aqui nota de como a ladroagem funciona em circuito fechado, que conforma a justeza da diatribe.
     - O Estado que pague. Os arautos do capitalismo, que tanto se queixam das "gorduras" do Estado, exigindo a cada momento, “menos Estado e melhor estado”, vão obrigar a Direcção-geral do Tesouro e Finanças (DGTF), (os contribuintes), a pagar 23.5 milhões de euros de dividas bancárias, da responsabilidade da Associação Industrial do Norte, proprietária do Europarque, situado em Vila Nova da Feira, criado em meados da década de 90, por empresas, associações empresariais e bancos, destinado a congressos, jantares, almoços e demais tagatés.
E como a “roleta russa”, cuja bala abate sempre os mesmos, rola consistemente, acabamos ainda a saber, que após distintos serviços prestados ao mundo empresarial e da finança, um ex-ministro vai ocupar um lugar de relevo no FMI, e um outro, vai ocupar um outro lugar na OCDE, enquanto um tal José Luís Arnaut, advogado, também ex-deputado, ex-ministro e conceituado especialista na acomodação das “gorduras” do estado, vai rumar a alto quadro do Goldman Sachs. O banco, cujos quadros são figuras omnipresentes nas selectas reuniões do Clube Bilderberg. O tal que decide, anualmente, onde e como fazer a guerra e que no ano anterior, se realizou em Londres, e para o qual foram convidados Paulo Portas e António José Seguro, (assuste-se!), segundo indicação do cipaio dos cipaios autóctones, Pinto Balsemão.
E para acabar, quero ainda dizer que me parece que os rapazes da história do leitão, são da agremiação de onde há pouco saiu gente a sugerir o 9º ano como limite para o ensino obrigatório. Ora cá está uma outra boa razão, para negar o livro amarelo a “porcos”, que acham, como acharam os porcos avôs salazarentos, que num país de “burros”, os nobres “porcos” têm a vida mais facilitada.
Tal como Salazar, que foi padreco e fascista, determinou como limite máximo para o ensino obrigatório, a 3ª classe e desse modo, capou os tomates aos “burrinhos” da Nação.

Pois é!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Messi de deus é uma notação trôpega

Augusto Alberto

Disse John Foster Dulles, (1888/1959), secretário de estado Americano: - deixem os asiáticos fazer a guerra aos asiáticos, onde quer que isso aproveite aos Estados Unidos. Foi, utilizando até à exaustão este princípio que os Estados Unidos acumularam guerras e derrotas na Ásia. Mas também acumularam vitórias nas Américas, fazendo dela, o quintal a sul. E ainda hoje, mantêm o médio Oriente e África, segundo esse odioso e velho princípio, com custos irreparáveis para os autóctones. Ora, acontece, que nestas refregas, se associou lindamente a igreja de Roma, sobretudo, no grande período da política americana da canhoneira. Ao ponto de excomungar personalidades progressistas, fartas na denúncia dos governos torcionários da América do Centro, Sul e Caribe, a mando dos Estados Unidos.
Soubesse destes factos António Raminhos, ao que me dizem, humorista da nova vaga, e logo perceberia que a sua “boutade”, que classifica o padre Chico, como o Messi de Deus, é trôpega, porque, exactamente a igreja de Roma, ao longo dos séculos, sempre apresentou a espinha macia e foi farta nos skills, ou na soberana capacidade de se adaptar, prever e potenciar acontecimentos. De um cardeal polaco, fê-lo “Papa”, ou o representante de Pedro na terra, que conhecendo bem as contradições do regime socialista, deu um contributo inestimável para a sua queda, ainda que não seja definitiva, que resultou num mundo unipolar, onde quem esfola é o liberalismo, ou, por hora, o fascismo de baixa intensidade.
E de momento, sentindo que a igreja está a caminhar para a irrelevância, por força dos ajustes sociais e demográficos, acelerados, justamente por esse liberalismo, elegeu para representante de Pedro, na ânsia de estancar o declínio, um homem que parece um comunista, justamente, na denúncia desse modelo unipolar, vindo de um país, onde a doutrina da denúncia dos crimes políticos e sociais fez escola. Acontece, que os ajustes, tanto são em Roma como na Lusitânia. E por isso, convêm tomar nota, do modo como por cá se vai procurando a “personalidade” que dê seguimento à regra que diz que com “Papas”, papas e bolos, se enganam os tolos, ou a habilidade de manter a direita usuária no centro dos poderes.

E assim, está a chegar a hora do católico Rio, a quem se atribuem rios de boa gestão, tal como chegaram a Roma, da Polónia, Woijtila, para enfatizar o mundo unipolar, e da Argentina, Bergoglio, para estancar a irrelevância dos dogmas da igreja de Pedro. Mais um engano. Por isso, povo, se alguém te disser que a direita é burra, está-te a enganar. Um temente a “Deus”, tanto pode ser um “Rio”, farto na sorrelfa, como um vil e desprezível, (assim mostrou ser Dick Cheney, vice-Presidente dos Estados Unidos), vendedor de armas. Não sei se me faço entender, caro Raminhos?

sábado, 11 de janeiro de 2014

O esteta e o bobo!

Augusto Alberto


Eusébio da Silva Ferreira, faria hoje as delícias de qualquer investigador da área da biomecânica. Um esteta! E um portento do ponto de vista do rendimento. No futebol, hoje, só Ronaldo se compara, sendo, comparativamente, Eusébio superior. Contudo, Ronaldo, bate-o no jogo aéreo, que em Eusébio foi muito fraco.
Eusébio colheu universalmente simpatias, apesar de ser do Benfica, porque no campeonato do mundo de 1966 foi o dínamo que produziu luz e exacerbou o amor pátrio, numa campanha fabulosa, que só não atingiu prata ou ouro, porque, como em muitas vezes antes e também, muitas vezes depois, Portugal foi avassalado pelo colonialismo e imperialismo anglófono. Tivesse Portugal jogado em Liverpool, como deveria ser e não em Londres como foi, obrigando desse modo a Inglaterra a sair do seu conforto, e Portugal teria ganho a meia-final e disputaria a final com a Alemanha, onde, naturalmente, tudo poderia acontecer. Foi claro que Simões, extenuado, não conseguiu, no dealbar e em cima da linha, fazer o golo que levaria a partida para prolongamento. Esta é a verdade, que ainda hoje, em plena democracia, atormenta as “responsáveis” e entarameladas cabeças da República. O ideal é que se esqueça o episódio.
de Fernando Campos

Eusébio, foi um entertainer de superior qualidade, o que para a época não foi pouco. Num país enclausurado e nas mãos de uma elite, mãe da presente, trôpega, e cinzenta, que nunca é capaz de bater o pé, antes, cede, Eusébio valeu pelas alegrias, a que a nação não estava habituada. Sobretudo não estava habituada a feitos desportivos de primeira grandeza. Apesar de até então, a Pátria ter conquistado medalhas olímpicas na esgrima e vela. Contudo, em 1912, Francisco Lázaro, carpinteiro de profissão, caiu extenuado e morreu, untado de banha, como um lázaro, na maratona olímpica de Estocolmo, dando, logo aí, uma imagem da nação exangue.
E, dois anos antes de 1966, em 1964, em Tóquio, e 2 anos após Eusébio ganhar a sua única taça dos campeões europeus, Manuel de Oliveira, carregou durante 2.800 metros, a medalha de bronze olímpica, que perdeu, porque não lhe suportou o peso, nos últimos 200 metros da prova dos 3.000 metros obstáculos. Baixou, na meta, para o 4º lugar, o lugar maldito de qualquer final olímpica. Esta teria sido a primeira grande medalha olímpica do rendimento desportivo em Portugal. O país não chorou a perda dessa medalha, nem rejubilou com tamanho resultado, porque não conhecia esse seu filho, porque o país era, e é, analfabeto. Tão analfabeto, que Oliveira mais pareceu, ser, apesar da excelência, como muitos, antes e agora, um seu enteado.
Eusébio foi bondoso, delicado e um mouro de trabalho. É verdade! Mas esses não são predicados só de Eusébio. Quantos nativos mourejam duramente, e não passam da cepa torta e nem sequer têm direito a uma pequena flor? E foi, ainda, soberbamente usado. Salazar, para evitar cair mais cedo, impediu-o que garimpasse a vida no estrangeiro. E quando deixou de ser o Eusébio superior, foi ao limbo e assobiado, e só muito depois, foi acolhido e reabilitado. Quantos choram agora, lágrimas de crocodilo? Contudo, está de parabéns, quem soube, a tempo, fazer essa destrinça.
Nessa procissão de oportunidades, está também o misantropo, analfabeto e rancoroso Cavaco Silva, quando em pose de estado, fez saltar da púcara Eusébio já morto, para simultaneamente, sacudir o mofo e se colocar na condição de charneira.
O mesmo Cavaco, 1º ministro de Portugal, que censurou Saramago, Prémio Nobel da Literatura, na pessoa do seu secretário de estado da cultura, Santana Lopes e este, na pessoa de um seu sub-secretário de estado, nome de código civil, Lara. Cavaco, parece que se dá muito bem com quem pensa superiormente com as cabeças dos dedos dos pés e pelos vistos, dá-se muito mal, com quem pensa com a cabeça, que conforma o cérebro.
Faço sinceros votos, para que Moniz Pereira, (que muito pensou com a cabeça), Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro, (que muito e bem, pensaram com as pernas), (que são maneiras de pensar, acima dos pés), durem ainda bons anos, para que o cabotino, não tenha nova oportunidade, para fazer outro funéreo e idiota papelinho.

Ah, e Matateu! Tivesse nascido anos adiante, Matateu, e Eusébio, não sei, não…