quinta-feira, 5 de abril de 2012

Defender o SNS


Dia 14 de Abril, inserida na Marcha em defesa do SNS, promovida pela União de Sindicatos de Coimbra, uma concentração na rotunda dos HUC, pelas 15h00.
O Serviço Nacional de Saúde é uma das conquistas de Abril.
Sabendo que os 8 mil milhões de euros que já estão empenhados pelo Estado e pela Caixa Geral de Depósitos, no BPN chegariam para pagar durante 4 anos a comparticipação a 100% de todos os medicamentos receitados em ambulatório em todos os hospitais e centros de saúde há que lutar contra o aumento brutal das taxas moderadoras, dos medicamentos, contra o encerramento de serviços, centros e extensões de saúde.
Contra as políticas fascizantes, contra as tentativas de retrocesso ao 24 de Abril temos de exigir um SNS público, universal, geral e gratuito

terça-feira, 3 de abril de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

1º de Abril: a mentirinha


A nossa mentirinha do 1º de Abril foi a estadia de um dos porta-aviões americanos na Figueira da  Foz. Até que seria plausível, como aliás, a CMFF arranjar o transporte, aéreo ou marítimo, para as visitas. Ficava bem mais barato do que a idiotia de gastar 60.000 euros num concurso de ideias para o areal da praia. Cujos projectos são para serem deitados ao lixo, ou, quando muito, colocados num museu para memória futura. Não sei é se há museus de idiotia, mas prontos.
 Assim se gasta o dinheiro dos contribuintes, distribuindo-se pelos amigos.

O suíno e a sêmea

Augusto Alberto


Paulo Rangel, deputado no parlamento europeu, assentou violenta catilinária sobre aqueles que, do seu ponto de vista, só conseguem ver nas brumas a democracia económica e social, esquecendo a democracia política. Por uma vez entendo o deputado Rangel, porque tem sabido, como poucos e com brilho, usar a sua democracia política e as suas e nossas liberdades, para conseguir chegar à sêmea e resolver a sua democracia económica e social. Ao contrário de milhões de portugueses que, de posse da mesma democracia política e mesmas liberdades, ainda não acertaram no modo de conseguir resolver a sua democracia económica e social. Mitigados, é seguro, só lhes dá para o desemprego. Para salários de cão. Para a falta de dinheiro para o médico e os medicamentos, e com beneplácito para dormir debaixo de uma montra, cujos néons ajudam a mostrar a nudez. Alguma, por onde passa o deputado para comprar o fato de notável.

Assim a modos como os cardeais católicos de Roma, que só usam seda e cetim e estolas de arminho. Aliás, na posse da democracia política e das fundamentais liberdades, o deputado Rangel faz-me lembrar um porco que, depois de ir à gamela e com a barriga cheia, espalha-se, satisfeito, a resfolgar pelo chiqueiro.
Mas em linha com a democracia de que fala o deputado, quero aqui dar nota de uma conversa que apanhei, após um zapping pelas tv’s, de uma senhora, que nos confidenciou que o seu filho com 23 anos, atirado para o desemprego, teima em conseguir trabalho e, pasmada, disse, até uma oferta de 300 euros por mês lhe foi feita. E ainda uma outra, com um salário de 750 euros, mas tinha de dispor de automóvel e gasolina. E depois dos desabafos, rematou: “Votei nesta gente e fui enganada e por isso, nunca mais votarei seja em quem partido for”.
Ora cá está, como não há razões para temores e tremores. A fazer fé nesta enraivecida portuguesa, e demais, bem pode estar descansado o deputado europeu, Rangel, porque não corre o risco de não ser reeleito e de deixar o chiqueiro.

domingo, 1 de abril de 2012

O navio-escola Sagres

Há momentos, quando atracava no cais comercial da Figueira da Foz
(foto: alex campos)

Em Junho, "Enterprise" na Figueira da Foz

Por ocasião das Festas de S. João, em Junho, o porta-aviões americano "USS Enterprise" visitará a Figueira da Foz. Ficará aberto  a visitas da população, mas devido ao elevado calado fundeará ao largo, garantindo a CMFF transporte para as visitas.
O "Enterprise" foi o primeiro porta-aviões nuclear a fazer parte da marinha de guerra dos Estados Unidos, foi construido em 1961 e saírá de serviço em 2015, altura em que será substituído pelo "USS Gerald R. Ford", que está em construção.

Quem não sai aos seus

cartoon de F.Campos

sábado, 31 de março de 2012

No aniversário de uma das muitas conquistas de Abril que se estão a perder



Faz hoje 37 anos que o IV governo provisório (26 de Março de 1975 - 8 de Agosto de 1975), chefiado por Vasco Gonçalves, criou em Portugal o subsídio de desemprego (o mesmo Vasco Gonçalves que, à frente de outros governos provisórios, criou também o salário minímo, o subsídio de férias e o subsídio de natal). Para a vida de muitos milhares de portugueses em situações sociais desesperantes, é ainda, face ao persistente desemprego, o único e magro provento com que contam, resultado dos seus descontos e não, como os propagandistas neoliberais querem fazer crer, benesses do estado ou destemperamento orçamental. A medida da sua força, nos dias que correm, pode ser avaliada, simultaneamente, em dois tabuleiros: é encarado naturalmente, como o ar que se respira, como se não tivesse história, por grande parte da população; e é alvo dos maiores ataques (no limite: para o liquidar) por parte dos partidos da burguesia.

A sua implementação foi possível porque havia, obviamente, um governo provisório, na sua geometria variável, vinculado à luta dos trabalhadores, ao seu objectivo socialista, e com força política bastante para avançar com ousadia e firmeza. Mas foi fundamentalmente porque o movimento de massas se desenvolvia e arrancava conquistas democráticas aos exploradores, nomeadamente com as nacionalizações dos sectores-chave da economia, que o governo provisório pôde actuar desse modo. Uma lição para o futuro.



sexta-feira, 30 de março de 2012

O PS e a coerência


Vai sendo difícil para o "ps" sustentar, ou disfarçar, a sua própria forma de estar. A posição do partido da rosa", hoje, no parlamento não é novidade alguma, a não ser para quem for muito distraído. 
Vejamos, em 2003, a posição do "ps" quando Bagão Félix apresentou o seu código de trabalho. Como podemos também ver a posição do mesmo "ps", quando, em 2008, já no poder, fez aprovar um agravamento desse mesmo código.
Mas reconheça-se uma verdade: como "oposicionistas" e comparando a atitude de 2003 devemos reconhecer que os "xuxalistas" apresentam uma evoluçãozinha. Desta vez abstiveram-se. 
Uma posição verdadeiramente de cócoras. Vergonha não lhes falta mesmo.
É que não é só um retrocesso laboral. É um retrocesso civilizacional. 

Abençoar pedófilos, escroques e agiotas

Augusto Alberto


Porque foi o padre de Roma a Cuba e não ao Haiti, para ver com compaixão a fome e o delírio? Porque não tem hotel onde repousar? Pois que durma em tenda que é objecto que muitos haitianos nem sequer têm. Porque não tem onde comer? Que divida cristãmente, a magra ração com os pobres haitianos.
São Banobaião Anacarota foi de romeiro a Santiago, apoiado num bordão, e comeu aquilo que a natureza lhe foi chegando pelo caminho. Pusilânime, está comprometido com a gataria que para ai mia e o aplaude quando dá uso à patranha e recusa por opção política admitir os avanços que a ilha pobre vai fazendo, mesmo contra embargo, ventos e marés. Nenhum outro país da América Latina e das Caraíbas baixou tanto as diferenças sociais, avaliado segundo o índice de Gini, com que os vários institutos da ONU medem a desigualdade na distribuição da renda. Este papa, e esta religião recusam afastar o diabo do pão e não perdoa a quem fez ponto final na exclusão, obscurantismo e medo, o modus vivendi com que as religiões apascentam e mantêm servil o rebanho.
Dizer que este padre é um sonso, é perigoso, porque sabe sempre muito bem ao que vai. Aliás, de que direitos, de que encarcerados, discriminados e perseguidos falou o papa na sua homilia em Santiago? Dos direitos de milhares de jovens encarcerados, sobre custódia da sua igreja, que por estarem especialmente vulneráveis, foram vilipendiados? Das vidas encarceradas de militantes pela dignidade, no que resta de opressão nas Honduras ou Colômbia, por exemplo? Ou dos direitos, indiscutíveis e muito universais, dos que utilizam com regularidade o intrincado sistema financeiro do Vaticano para lavagem de fabulosas quantidades de dinheiro, que muitas vezes serve para alimentar putchs contra os povos?
Morda a língua e baixe a opulência, o padre, e logo conversaremos. Porque por agora, o que tem feito é, renovadamente, abençoar pedófilos, escroques e agiotas.

quinta-feira, 29 de março de 2012

A globalização futebolística


O futebol profissional, enquanto indústria pesada, continua a movimentar milhões, a maior parte deles nem sequer sabemos de onde vêm. E arrastar muitos adeptos. Mas perante isto, não se justifica a clubite de que milhares e milhares sofrem. 
As equipas de futebol, nem todas, por enquanto, mas a maior parte delas, já não representam nem cidades, nem regiões, nem países. 
A gente imagina o que representam.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Millôr Fernandes (1923-2012)

Lorpas

Augusto Alberto

Tenho grande estima por um jovem, filho de um médico que passou quase a vida inteira na Índia Portuguesa, que guardou o superior desejo de um dia visitar as terras que o pai calcorreou. Com meios suficientes e apaixonado pela fotografia, abalou e fez-se à velha Índia, de mochila feita e máquina a tiracolo. Viajou e tudo fotografou. Comeu em tascas, calcorreou as ruas infectas de Bombaim e Calcutá, dormiu em carruagens e na volta, mostrou-me fotografias de grande beleza e notícia cívica.
Conversamos sobre a viagem e quase num lugar comum, disse-me que gostou muito do povo, e que o impressionou o facto da casta inferior, os “párias”, que tem como única tarefa a recolha diária da merda que os das castas superiores fazem, ser “gente” feliz. Santa ingenuidade, atirei: “em consciência achas que alguém pode ser feliz passando uma vida inteira a apanhar a merda que os outros fazem, mesmo na ignóbil Índia?” E rematei: “Só te falta dizer que na grande democracia indiana, para a democracia ser completa, os que apanham a merda votam com gosto nos que a fazem, para que nada mude”.
Parece que concluímos, mas não. Imaginemos que a central sindical indiana, não satisfeita, convoca uma greve, a que chama geral, e que no período de balanço o governo e a calhorda que faz a merda exultam e concluem que a greve não foi geral, foi um flop, porque os “párias” não fizeram greve e que por isso, tudo vai bem.
O mundo é global, dir-se-á. E se a vida também, pode então um cidadão já farto, dizer:  “Não basta o Ganges andar carregado de merda, haver párias e outros tantos catarem a bucha nos bancos contra a fome, ainda há que aturar a merdosa das elites, mais os jornais e jornalistas carneiros, as traições do Proença, mais a igreja de Roma, que se acha no direito de indicar o partido em quem votar, tal como na Índia faz o hinduísmo".
Mas o que mais vai custando é ainda arranjar estaleca para aturar lorpas. 

terça-feira, 27 de março de 2012

A Operação "Peter Pan" e uma santa besta




A propósito da visita do Ratzinger a Cuba, devo dizer que as suas infelizes declarações não são por via da senilidade, acho mesmo o tipo nsolente.
Já agora não sei se o traste terá remorsos pelos milhares e milhares de inocentes que custou o desmembramento da Jugoslávia,  mas acredito que não tenha. Ele que nem sequer se lembrou de pedir desculpa ao povo cubano.
Mas sobre o papel da Igreja do referido senhor, aqui se recorda a "Operação Peter Pan".

segunda-feira, 26 de março de 2012

A luta de classes

Augusto Alberto


Escrever o melhor da estória é muito difícil. Ficarão nela os que não suportam a canga, nem que seja por um dia. Viverão quase famintos, os que a suportam a vida inteira.

 Um Milhão e 300 mil portugueses estão desempregados. E 60% dos portugueses trabalhadores têm uma renda liquida, (expurgada de impostos), entre 310 euros e 900 euros. Somadas as duas parcelas, percebe-se porque milhares de trabalhadores portugueses não podem fazer greve, e outros milhares pensam sobretudo com a barriga antes de se meterem à luta. Também os 500 mil portugueses que emigraram, desde 2007.
Aliás, não me enganarei se disser que muitos milhares desses emigrantes nunca fizeram uma hora de greve. Por isso, essa não foi razão para não deixarem de partir. Mas pior ainda. Nunca fizeram greve, partiram e agora dormem, sujos e famintos, nas estações de comboio das cidades onde chegaram. Esta é a realidade que a direita sabuja e trauliteira escamoteia. Com a sua política classista, cria milhões de famintos mas nunca assume como sua essa responsabilidade, antes pelo contrário. Mistifica e, como o diabo foge da cruz, remete de modo sistemático e fraudulento para outros, as suas responsabilidades. Cavalga no anticomunismo, como fez, outra vez, o deputado Adão e Silva, que disse ser vergonhoso a CGTP funcionar como correia de transmissão do P.C.P.
Mas nesta luta dos contrários, que será sempre longa, o deputado Bernardino Soares colocou-o em seu lugar, com uma frase brutal: “Vergonha deverá ter o senhor deputado em estar aqui, na Assembleia da República, na qualidade de correia de transmissão do grande capital”. Encurralado, titubeou, mas não caiu, é certo. Mas não se livrou, tal como o Adão original, de ser apanhado pelo pecado capital. Dele poderemos dizer, sem receio, ser filho ou neto dilecto do fascismo, porque também Gobbels, Salazar, Franco e o Duce, com as mesmas palavras, procuraram o mesmo fim. Aliás, os escritos do dia seguinte, que remetem a greve para um fracasso, vão na esteira do debate ideológico, centrado nos partidos do poder, Partido Socialista, Partido Social Democrata e Partido Popular, que garimpam na necessidade de partir a espinha ao movimento sindical, em especial à CGTP-IN.
Desiludam-se!