sexta-feira, 2 de maio de 2014

No rescaldo da desilusão, o que sobra ou é foda ou canelada

Augusto Alberto
    

“Em arquivos da ditadura”, ficamos a saber, que John Kennedy, perguntou ao embaixador americano no Brasil, se…acha aconselhável uma intervenção militar? Dias depois, John é assassinado em Dallas e Lyndon Johnson, que o substitui, a 3 de Março de 1964, envia seis destroyers, com 110 toneladas de munições, um porta-aviões, um porta helicópteros, um posto de comando aerotransportado e quatro petroleiros, para encostar o Brasil às cordas. E muitos anos após, no dia 25 de Abril de 2014, depois de prestar depoimento à Comissão Nacional da Verdade e admitir que agentes do Centro de Informação do Exército (CIE), durante a ditadura militar, mutilavam os corpos de vítimas…arrancando arcadas dentárias e pontas dos dedos para impedir a sua identificação, o coronel reformado do Exército Paulo Malhães, com 76 anos, foi encontrado morto dentro da sua residência. A investigação ao crime, indica que a morte do coronel, indicia uma “queima de arquivo”.
Acontece que todo o aparato descrito, em primeira-mão, destinou-se a salvaguardar os interesses da oligarquia brasileira e da grande elite imperialista americana, as duas pontas da mesma tenaz, responsáveis pelos morros favelados a perder de vista, sem água e saneamento, alta taxa de mortalidade infantil e manhosa taxa de analfabetismo, social e académico. E em segunda-mão, parece que o assassínio do coronel deseja esconder esse facto.
Isso, dir-me-ão, foi obra de uma ditadura. Pois sim! E o como se faz numa “demo” (diabo)cracia? Diz a imprensa, que a Bolsa está a engordar as grandes fortunas em Portugal. Sete dos maiores accionistas das empresas cotadas, ganharam já 336 milhões de euros, apenas à conta da valorização dos seus investimentos. E por contraponto, como escreveu o diário “Jornal de Noticias”, faz com que…milhares de pessoas, crianças incluídas, dependam actualmente da ajuda de instituições…nas grandes cidades, há muitos casos em que as refeições oferecidas são as únicas do dia.

E o que une, estas, aparentemente díspares, notícias? Que para manter a brutal disparidade na distribuição da riqueza, no quintal, abaixo dos E.U., a política da canhoneira foi e continua a ser uma evidência e depois, para manter os espíritos sossegados, dá-se-lhes com o cacete. E na “demo”? Que para manter essa mesma brutal disparidade na distribuição da riqueza, o “diabo”, vive montado na manipulação dos factos e da informação, porque vozes dissonantes, por ali, não chegam aos destinatários. E para se aleivosar, criou uma nova elite, bem preparada e organizada, que se senta nos grandes escritórios de advogados, de Lisboa e Porto, (de onde são oriundos Rangel e Assis), que nos fazem crer, que no país das cautelas, das raspadinhas, do totobola, do euromilhões, do sorteio dos automóveis e ainda, de muito outros totonegócios, que todos os modos de ditadura são um bom modo de emborcar democracia.