quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

E a noite de cristal?


por Augusto Alberto

A 9 de Novembro, Berlim assistiu à parada das estrelas e mais uma vez, à humilhação dos vencidos. Tem sido sempre assim desde que a experiência socialista se arruinou.
Confesso que aquela gente me provoca náuseas, porque não pára de fazer mal e é metodicamente arrogante.
Aprendi que mesmo que não discorra por onde ando, pelo menos pela cagada dos passos sei quem passa. Independentemente das paixões, das análises e opções, não me engano se disser, que quem por Berlim passou, não é gente credível. De Walesa, falará a história um dia. Mas aquele Barroso, que teatro. Como pode glorificar a paz, tamanha figurinha, que começou com, numa mão o livrinho vermelho, noutra a bombinha, passou a ministro do regime, por arquitecto de guerra e de momento, chefe de fila de uma matilha e por fim, figurante numa cena de teatrinho, com um papelinho, a derrubar peças de dominó. Que cerimonia! Esta figura já deveria estar a braços com um tribunal penal internacional, pelo modo como ajudou a desconstruir e a arrasar um país soberano, com custos materiais e vidas, que nem grandes histórias chegam para contar. Este senhor, se não fosse fazer parte desta casta, estaria a ferros, único lugar onde deveria buscar conforto. Essa cerimónia, tal como o tal tribunal penal de Haia, foi coisa para humilhar.
Mas porque não comemora esta gente também a noite de cristal de 1938, exactamente no mesmo lugar e à mesma hora? O grande capital alemão, hoje convertidíssimo à democracia, rejubilou com a ordem de Hitler a Goebbels, para assassinar, destruir sinagogas, lojas e residências de judeus por toda a Alemanha e Áustria. Dezenas logo foram chacinadas e entre 25.000 a 30.000 passaram para os campos de concentração. Estava dado o toque para um tempo, de inaudita violência e que deixou inúmeras sequelas, o próprio muro de Berlim, os dramas das bombas atómicas em Hirosima e Nagasaky, os 30 milhões de soviéticos mortos nas batalhas e a pior de todas as sequelas, a impossibilidade material de ainda hoje os palestinianos, vão mais de 60 anos, surpreendidos com um muro, que lhes rouba as melhores terras e águas, não terem a sua pátria para poderem viver em paz, como deseja qualquer democrata.
Naturalmente que a vergonha não consta dos manuais desta gente, e portanto, estas coisas só podem ficar, assim, hipócritas. De qualquer modo, Israel bem poderia lembrar que a 9 de Novembro também se comemora o início da chacina dos seus, a questão é que Israel se tornou um grande porta-aviões ao serviço desta gentalha e por isso, come bem e cala. Não admira que Bareboim tenha participado no embuste.
Cadeia é o que o Barroso e os seus amigos merecem e gente como a Senhora Clinton, ministra de um país que convive há muitos anos com a selvajaria e a miséria, inclusive no seio do seu próprio povo, não merece credibilidade.
Essa cerimónia, feita por gente que não é crível, assim, é uma raiva e um escarro.

11 de Novembro: valeu a pena?

Angola celebra hoje o 34º aniversário da sua independência. Apesar do alto preço que o povo angolano teve de pagar, duas longas guerras, claro que valeu a pena. Mas é sempre bom recordarmos, e termos presentes, as palavras recentes de Luandino Vieira:
“Ainda hoje acredito que é possível aquilo com que sonhávamos. Aprendi no Tarrafal que nem que dure 50 anos, 60 anos, a situação actual é apenas um desviozinho no curso da História. Claro que gostava de ver tudo isso em vida minha…”
Mas como também é dia de festa, recordemos uma das grandes vozes de Angola, Lourdes Van-Dunen, acompanhada pela banda N'Gola Ritmos, fundada por Liceu Vieira Dias, nacionalista e um dos grandes símbolos da música popular angolana.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

“Ou vai ou racha”, ou como pela boca morre o peixe

Augusto Alberto



"Ou vai ou racha” e lá foi. Pelos vistos o PPD/PSD, deu cabal andamento à consigna da candidatura independente, ou contra, só o Zé saberá, vencedora das eleições na Freguesia de Lavos. O Zé Elísio foi expulso, e a fazer fé no Zé, foi um acto sumário, porque, vejam só, o homem nem sequer recebeu nota ou foi ouvido. Fez-se justiça interna, disse o dirigente concelhio, David Azenha. Terrível, ou como um certo estalinismo baronete, pode ser democrático. A história continua, sobretudo, a ser feita de tragédias. Não é Zé?
O Dr. Renato Sampaio, líder da distrital do partido socialista do Porto, pessoa com quem me cruzo por vezes em viagem, se assim vos conto, é porque é uma figurona, e a gente logo o topa, disse que os 150 militantes a serem expulsos no partido socialista, não são de mais. A coisa está preta. Mas sempre vos digo que 150 militantes expulsos de uma só vez, é muita gente e por isso, aquilo não é uma simples expulsão, mas configura uma purga, bem ao estilo estalinista. Ora cá está, como uma purga pode cambar para o rosa. Quem diria! Mas adianto mais, que esta gente junta dará para fazer outro pequeno partido, como o do Dr. Monteiro, prontinho para aparecer durante a próxima campanha eleitoral, a propor a regeneração da Pátria.
Já vos aviso, que isto não está para rir. Será melhor começar a levar as coisas a sério.
Nós por cá, no meu partido, somos mais serenos e persistentes. Quando alguém tem tremideira, a gente primeiro tenta, em grupo, uma espécie de terapia. Dá-lhe a oportunidade de avaliar melhor as coisas. Pacientemente, o camarada tem a oportunidade de connosco, resolver as dúvidas a bem. Mas se o camarada não desarma e continua na dele então a gente passa à fase das votações e o camarada fica confrontado com a democraticidade da maioria e da minoria. Mas o camarada, democraticamente, nem assim. Não troce nem amola. Resolve então passar à fase seguinte e encontra-se com um desses jornalistas especialistas no frete, e vai para os jornais, e diz, que a democracia nos comunistas é uma treta. Merdas, dirá no fim, porque o pinto morre ainda no ovo. O regime acabou com a reciclagem, pois claro, e então o ex-camarada, depois de tanta terapia de grupo, e de um approach, acaba no esquecimento.
Mas sabei que não descansa, vai em frente, recuando, ao encontro da renovação comunista, em Itália, uma coisa pós Berlinguer e da oliveira um pouquinho mais tarde, mas de tão pouco, por cá, têm menos valor do que uma azeitona. O grupo, de quando em vez balbucia umas coisas, mas já ninguém os ouve. São defuntos.
Evidentemente, que a fazer fé neste vosso camarada comunista, afinal, pela falta de paciência e serenas oportunidades, o regime está cheio de puros caceteiros.
Não estão de acordo, bem sei, não me verão chorar, era o que faltava, mas seja como for, tereis de aceitar, que pela boca morre o peixe.


domingo, 8 de Novembro de 2009

Petição: Acabar com a pesca em águas do Sahara Ocidental!



Decorre, desde, 06-11-2009, uma petição on-line a nível mundial contra o Acordo da União Europeia com Marrocos que envolve licenças de pesca no Sahara Ocidental ocupado.
Trata-se de um acto que envergonha a UE e cada um de nós europeus. A Europa, defensora dos Direitos Humanos e da livre autodeterminação do Povos, não pode pactuar e beneficiar dos recursos de um território sujeito a uma ocupação colonial, cujo povo foi impedido, até ao momento, de manifestar a sua vontade quanto ao seu destino. Afinal aquilo que, com indignação, Portugal e os Portugueses denunciavam internacionalmente face ao envolvimento da Austrália na exploração do petróleo de Timor-Leste, quando este território estava ainda sujeito à ocupação da Indonésia e que, justamente, levou o nosso país a interpor uma acção judicial no Tribunal Internacional de Haia contra o Governo australiano.
Como sabem, o processo que a ONU tomou em mãos e que deveria conduzir à realização de um Referendo Livre e Justo à população saharaui arrasta-se há décadas. Nem a UE nem qualquer outro país poderá beneficiar desta não aplicação do Direito Internacional.

Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental



A União Europeia está a pagar a Marrocos para poder pescar no Sahara Ocidental ocupado.

Protesta assinando esta petição neste endereço:

http://www.fishelsewhere.eu/index.php?parse_news=single&cat=139&art=1033

Lá calharás, remasnescentemente

Augusto Alberto

Há poucochinho, ali na avenida, perguntei a um socialista se já tinham descoberto o traidor e ele disse-me que não, e mais, que esta história no seu partido, calha bem com o ditado que nos diz que o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Lúcido este socialista, que ainda me disse, que apesar de a democracia, de novo, colocar o partido socialista a cantar de galo, tudo continua torto, como torto começou. E a verdade é que mesmo cantando de galo, o partido socialista não consegue fazer as pazes com o tempo e as suas próprias decisões. Sistematicamente, sabemos de histórias e factos de faca e alguidar, desamores e traições. Aliás, não sou eu que o digo, mas a voz do coordenador do secretariado local, Adelino Pinto, que nos contou histórias de encher o papo, próprias de histórias de “pintos”. O que nos disse, então, o coordenador “pinto”, acerca de uma assembleia municipal que deveria ter eleito o candidato do partido mais votado, mas elegeu o candidato do partido derrotado: Que seria importante conhecer os traidores e que o ofendido, mereceria um pedido de desculpas.
Fraco consolo, digo eu, porque o mal está feito, e porque os males, por ali, são endémicos, metódicos e insaciáveis. De qualquer modo, deixem-me aqui desalinhar.
Não discuto a natureza da traição, nem discuto se o candidato para a Presidência da Assembleia Municipal da maioria socialista, não tinha no PPD/PSD, as quotas em dia, mas tinha o eleito do PPP/PSD, ao que parece, e isso terá sido decisivo para o seu êxito. Mas discuto a natureza do tempo, porque no tempo do Partido socialista, há sempre um remanescente. Por outras palavras, na Figueira, afinal houve gente no Partido socialista, que remanescentemente resolveu ajustar as contas com as opções históricas e remanescentemente afastar quem foi eleito na lista do Partido socialista para ser Presidente da Assembleia Municipal, porque, bacteriologicamente, era impuro. Quer dizer, não era socialista e por isso, remanescentemente, houve gente que corrigiu o tiro, nem que para isso, tenha sobrado a ignomínia.
É bem feita, dirão alguns, para que se entenda que nunca nos devemos meter por atalhos, porque quem por atalhos se mete, tarde ou cedo, borra as botas. Nada de novo, creio, porque sendo a história velha, outros demoraram, mas aprenderam.
Ignominia! Pois então que seja, mas deixai que vos diga, que em casa de “pintos”, o que falta é um verdadeiro galo, um galaró, grande, de crista alta e atinado, pujante e sóbrio, capaz de a por em ordem.
Mas antes de ir, quero relembrar o apelo que aqui deixei, há tempos atrás, para que a Juventude socialista não ponha na reciclagem o seu cartaz a denunciar os contumazes responsáveis pelo atraso da Figueira da Foz, com a sugestão de alargar um pouco mais para a direita, porque, pela amostra, dentro de 4 anos, lá calharás.

Até o fim

sábado, 7 de Novembro de 2009

Da A14 e da Madeira


Correia de Campos, ex-ministro da saúde, continua um homem muito distraído. Há uns anos, enquanto ministro, premiou os serviços da maternidade do Hospital Distrital da Figueira da Foz e, logo a seguir, pôs os figueirenses a nascer na auto-estrada A14, ao longo do percurso entre Figueira da Foz e Coimbra. Eu não entendo, acho mesmo um estranho paradoxo, mas os figueirenses não se importaram por aí além. Continuaram a votar garbosamente no”ps”, como se viu nos vários actos eleitorais do presente ano, quer o legislativo quer o autárquico.
O agora deputado europeu continua na sua onda de distracção. Pelo menos é o que eu consigo deduzir das suas declarações ao semanário “Sol” de ontem. Diz o inefável Correia de Campos que Jaime Gama é o melhor candidato a Belém. Está bem que ele disse da área socialista, mas deve ser só uma mera figura de estilo, fazendo o balanço entre diferenças e semelhanças entre a área socialista que ele refere e o resto das áreas neo-liberais.
Se tivesse um pouco mais de atenção saberia que Jaime Gama aprecia muito Alberto João Jardim, é um fã incontestável da sua obra e dos consequentes resultados da dita. Foi há cerca de um ano que Jaime Gama considerou o senhor da Madeira um grande talento. E um político combativo. E se é de políticos combativos que o país precisa penso que Gama terá feito a sua escolha. A menos que se contradiga, aliás uma coisa muito frequente nos socialistas.
Mas por via dessa distracção fiquei também a saber, com muita pena minha, digo-o com franqueza, que Campos não frequenta o “aldeia olímpica”.
Se o fizesse já saberia do encanto que João Jardim provoca no presidente da Assembleia da República. Era só descer para baixo (pleonasmo dedicado ao zé d’alhada que escreve primorosamente português) três ou quatro posts e ficava elucidado, podendo até melhorar a sua perspectiva acerca da coerência e outros atributos daquele que para ele é o “melhor candidato”.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

A bronca de Quiaios



Não me referi à questão autárquica de Quiaios, a que provocou a demissão do presidente eleito, pelo simples motivo de que não tenho dados absolutamente nenhuns sobre o ou os diferendos que provocaram a situação. Li, claro, a posição das três forças em causa. Mas sinceramente não consegui tirar ilações absolutamente nenhumas de modo a permitirem-me formar uma opinião minimamente séria.
Mas uma vez que recebi um-mail de uma das forças com a respectiva leitura da coisa, que agradeço, deixo aqui linkadas as três versões:

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Já há pelouros...


Cuba, Hemingway e Obama



Pela 18ª vez consecutiva a ONU aprovou, na passada semana, uma resolução para por fim ao anacrónico bloqueio que há perto de 50 anos os EUA impõem a Cuba. Foram 187 países que votaram a favor, mais dois do que em 2008. Votos contra foram 3 (EUA, Israel e Palau) e 2 abstenções (Ilhas Marshall e Micronésia).
Esta votação, se não houvesse excesso de hipocrisia por parte de governos ditos democráticos, marcaria, sem dúvida, o isolamento dos EUA no concerto das nações. Marcaria já há uns anos a esta parte, pois as votações são sempre idênticas.
Mas desta vez há algo de novo, ainda que a luta contra o bloqueio tenha que continuar. Novo não para o povo cubano, nem para resto da humanidade com ele solidário. Mas para o presidente Obama: sempre tem uma oportunidade para provar que merece o Prémio Nobel da Paz. Até que é fácil: basta respeitar a votação da ONU. Mas ele não está preocupado com isso.
Entretanto, Cuba doou à Biblioteca Presidencial John F. Kennedy, de Boston, cerca de 3000 cartas e documentos dos Arquivos de Ernest Hemingway pertencentes ao Museu Finca Vigia, onde viveu o escritor.
Hemingway viveu em Cuba ente 1939 e 1960. Entre os documentos encontram-se as provas corrigidas de “O velho e o mar” e um final alternativo para “Por quem dobram os sinos”. E correspondência com Robert Capa, Marlene Dietrich ou Ingrid Bergman.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Papel histórico e coerência

Ainda sobre a eleição da Mesa da Assembleia Municipal, que provocou a natural demissão de Luís Tovim, o primeiro nome da lista do PS, uma situação a que os jornais se referiram como traição, pode-se diz que, na realidade, o"ps" foi igual a si próprio. É, naturalmente, secundário o número de “socialistas” que votaram na lista concorrente, ainda que eu tivesse contabilizado, numa contagem compreensivelmente pouco rigorosa, seis. Diz-se agora que o deputado do Bloco de Esquerda terá votado no “ps”. Pura especulação, já se vê, pese embora o Bloco estar para o “ps” como o CDS-PP está para o PSD. Portanto, mais um ou dois a mais ou mais um ou dois a menos, é irrelevante.
O que não passará despercebido é a atitude dos “socialistas”, perfeitamente coerente com o seu papel histórico de traidores e troca-tintas. É que sempre fomos habituados a ver esse partido fundado na Alemanha a defender uma coisa quando está na oposição e a defender o seu contrário quando está no poder. Assim como que se transfigura.
As imagens a seguir, um dos muitos exemplos, são elucidativas da imagem de marca dos “socialistas”. Não têm ideologia nenhuma, critérios alguns, estratégia alguma. Vão acompanhando a aragem, num oportunismo atroz.
Sempre ouvi dizer que só os burros é que não mudam, e por serem burros. Mas então culpo a comunicação social, os partidos da oposição na Madeira, culpo toda a gente por nunca ter reparado que Alberto João Jardim mudou. Uma coisa tão simples que até um dirigente do “ps” reparou. Ora vejam:

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Correlação de forças


"Já perdi um pouco a noção da verdadeira dimensão do enxame de casos de corrupção, compadrio, nepotismo, roubo puro, etc, etc, que tem assolado a nossa classe empresarial, a banca e alguns políticos laranjas, rosas e azuis/amarelos.

A dar-se o estranho caso de muitos destes cavalheiros e gentis-homens (e algumas damas) serem efectivamente culpados, acrescido do ainda mais estranho facto de serem "substancialmente" engavetados, quem terá, no pátio da penitenciária, a maioria absoluta ou relativa? Quem terá o poder lá dentro? Alguém conhece alguma sondagem? "


Post (foto e texto) bpnmente, bppmente, freeportmente, casapiamente, partidosocialistamente, penedalmente, varalmente, partidosocialdemocraticamente, enfim, totalmente roubado e copiado de http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/

domingo, 1 de Novembro de 2009

Que a Oposicrática se mantenha calma

Augusto Alberto

A fazer fé em notícias da blogosfera, ficamos a saber que o Partido Socialista ofereceu o pelouro dos cemitérios à oposição. Logo a blogosfera politicamente se interrogou e mais coisa menos coisa, melhor conclui-o: -para quê, se já estão todos mortos.
A ser verdade e admitindo que o Partido Socialista levou à prática o conceito de que um pelouro se serve frio, considero que a conclusão é de todo precipitada. Aliás, do ponto de vista da táctica política, um clamoroso erro. Passo a explicar.
Bem sei que um cemitério, materialmente, é uma coisa triste e lúgubre, sem chá e, aparentemente, não será coisa para se dar, nem mesmo aos vencidos, a não ser que os vencedores fiquem retesos na eminência de lá entrar, e então, abrenúncio, passa. Também é certo, que o cemitério e a morte, carregam algum fétido enjoo, porque nem mesmo as flores lhe alteram a paleta, antes pelo contrário, muitas das vezes, acentuam-na. Mas se pensarmos bem, o cemitério, é um lugar de certezas, porque é a única desde a primeira hora, ainda que desde o primeiro segundo, a morte, não seja coisa para levar a sério. Podemos ser tudo enquanto por cá andarmos, pobres, remediados ou ricos. Viver em condomínio fechado ou aberto. Podemos ser doutores ou engenheiros, literatos ou pedreiros, fofinhos e amaneirados, e aí se quisermos, uma porta se abrirá no bloco de esquerda e se nos chatearmos por lá, poderemos zarpar e entrar noutra porta, sempre escancarada e rosada. Mas da morte, nunca nos livraremos. Não sabemos é o dia, mas confesso, que lá se ia o efeito surpresa e a surpresa é a melhor das prendas da vida, e então, perder-se-ia outra das coisas boas. Vejam lá se no bilhete de identidade logo fossem carimbadas hora e data!
Além do mais, não é dos mortos que deveremos ter medo, mas dos vivos. Dos mortos, ainda que se diga que algumas almas penadas de quando em vez sobejem por ai, sabemos de ciência certa que nenhum deles se levantou e tornou a endireitar, colocando-se de novo, de bem com a gravidade.
Então a ser verdade tudo o que aqui conto e registo, não creio que seja caso para recuos e desesperanças, até porque, voltando ao ponto da táctica política, recebendo a oposição o pelouro, sempre poderá ir tratando bem das coisas, porque ou muito me engano, num zapping, dentro de 4 anos, o pelouro poderá de novo ser servido a frio.
Aliás, recorrendo mais uma vez à blogosfera, ficamos a saber que ainda a gestão não saiu do adro, e os vencedores já cambaleiam em proveito da oposicrática, a não ser que se confundam, que desesperançada e sem saber como, começou a topar o buraco onde os vencedores de hoje, tombarão amanhã. Isto só vem provar, bem vistas as coisas, que o pelouro dos cemitérios, só poderá ser utilíssimo.
Gosto muito da máxima que diz: só vence quem luta, ainda que nem sempre se ganhe. Mas também gosto daquela que nos mantém a esperança: - que nunca se perde pela demora. Nem que a demora seja, pacientemente, uns longos 4 anos.

Tsunami na Tugália???





Estava tudo muito bem encaminhado, tudo numa boa, tudo nas maravilhas, condições propícias para se esquecer a crise, o pessoal com a moral em alta, com a auto-estima elevadíssima derivado das goleadas atrás de goleadas do glorioso SLB.
Eis senão, quando, assim de repente, os tugas caem na real. E voltam os índices de confiança ao mesmo, e o mesmo quer dizer o estado em que o país continua enfronhado. A perspectiva de um milhão de desempregados dentro de um ano, as faces ocultas e mais que aí virá…
Malhas que o socialismo penedal (ou varal?) tece.

sábado, 31 de Outubro de 2009

Eleição da Mesa da Assembleia Municipal

Da falta de coerência dos "grandes partidos democráticos" já nós estamos conversados há muito tempo.
Mas sobre o que se passou, ontem, na primeira Assembleia Municipal deste mandato que agora começa, sobretudo na eleição para o presidente da dita, pode-se dizer que é caricato, à altura dos protagonistas.
A opinião de um dos deputados, Nelson Fernandes, da CDU:
"Apesar da votação secreta é fácil fazer contas:
As duas abstenções são da CDU e do Bloco de Esquerda. Os cinco votos da lista C são do Movimento 100%. Os restantes votos distribuem-se pelas listas A e B. Apesar de ter menos deputados municipais ganhou a lista A. É verdade que Lidio Lopes fez o trabalho de casa. É verdade que o discurso de despedida de Vítor Pais comoveu a plateia. Mas cá por mim penso que entre militantes do PSD escolheram aquele que tinha as cotas em dia. E está bem!"