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sábado, 16 de fevereiro de 2013

O valente soldado Curado




Um país ocupado, governado pelo exterior (veja-se o caso de Portugal, cujo administrador é um economista da Etiópia, o que é estranho, diga-se, pois pela situação desse país nunca se pensaria existirem por lá economistas) não implicará, ou não deveria implicar, que o seu povo abdique irremediavelmente do seu amor-próprio e do orgulho que, aqui sim, escrevo irremediavelmente, terá na sua História.
É nas pequenas coisas que esses sentimentos se manifestam. Ou não.
No largo Francisco Lopes Guimarães, em frente ao quartel da GNR onde já funcionou o regimento de Artilharia Pesada-2, duas peças de artilharia honram o busto construído em memória do soldado Curado.
Uma delas está no estado em que se pode ver nas imagens em baixo. Não sei se a roda foi roubada ou retirada para reparação. O que acho é que a peça deveria ser retirada, ou tapada, enquanto que. Assim como está é desprestigiante, humilhante mesmo.
O soldado Curado
Foi o primeiro soldado português a morrer em combate, na Flandres, a 4 de Abril de 1917. Natural de Vila Nova da Barquinha, os seus restos mortais chegaram à sua terra natal em 1929, por iniciativa do seu município.
O busto em sua memória foi mandado construir pela comunidade francesa residente em Portugal e encontra-se na Figueira da Foz porque o regimento a que pertencia Curado aqui estava sediado.
Penso que originalmente o busto ficou na Praça General Freire de Andrade, vulgo Praça Velha, e só posteriormente foi para o actual local.

sábado, 25 de agosto de 2012

Revoluções há muitas



Ontem, 24 de Agosto, foi o aniversário de uma delas. A Revolução Liberal de 1820, que teve no figueirense Manuel Fernandes Thomaz uma das figuras mais destacadas.
Mas houve muitas mais. Para se citar as mais preponderantes, houve o 5 de Outubro, o 28 de Maio, o 25 de Abril e…  há-de haver mais.
Mas fazer revoluções para as coisas ficarem nas mãos dos mesmos, mais vale ficar quieto, deve ser assim como remar em seco. Foi o que me fez lembrar uns versos de uma belíssima canção de Brel, cuja eu não a escreveria, mas que é belíssima, é:
On a détruit la bastille
Et ça n’a rien arrangé.
De qualquer maneira Thomaz tem um lugar condigno na História. É daqueles adversários que respeitando-o só nos enaltecemos. Temo que já não haja disso.
Penso mesmo que se ele cá viesse hoje ficaria estarrecido ao ver como está a sua santa terrinha.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Comuna de Paris


Faz hoje anos, 141 mais precisamente, que chegava ao fim a primeira tentativa de um governo popular. “A Comuna de Paris”, como ficou conhecida, foi o primeiro governo operário da História. Durou de 26 de Março a 28 de Maio, derrotada pelos colaboracionistas, patrocinados pelo invasor, alemão neste caso, que viu, assim, o seu soberano ser coroado imperador do II Reich em pleno Palácio de Versailles. Se foi uma humilhação para o povo, para as classes ociosas foi, naturalmente, uma vitória. Sangrenta, diga-se. Foram milhares de torturados, de fuzilados e mortos.
É importante recordar que em poucas semanas a “Comuna de Paris” fez mais reformas do que todos os governos nos dois séculos anteriores. Algumas: O trabalho nocturno foi abolido; residências vazias foram desapropriadas e ocupadas; a jornada de trabalho foi reduzida, e chegou-se a propor a jornada de 8 horas; os sindicatos foram legalizados; instituiu-se a igualdade entre os sexos; a pena de morte foi abolida; o serviço militar obrigatório e o exército regular foram abolidos; a educação tornou-se gratuita.
Jean Ferrat homenageou assim a Comuna:



terça-feira, 8 de maio de 2012

A Democracia começou na Grécia…



O resultado das eleições gregas, que se traduziu por uma rejeição do programa da troika, ou das troikas, pelos vistos já produziu efeitos colaterais. Daí esta notícia, de que francamente eu não estava à espera. Mas ela aí está.
Agora que os “democratas” conseguirão levar a sua adiante, não terei as menores dúvidas. Obrigarão a novas eleições, ou em último caso, se “correrem novamente mal”, terão sempre o “plano B” à mão. Ou seja, um golpe de estado.
Reparem que não estou mesmo a inventar nada. Vou simplesmente aprendendo algumas coisas com a História.  Nesse aspecto ela é fixe, vai-nos ensinando sempre mais alguma coisa. Não recuando muito, temos o exemplo das Honduras, em 2010. Quem se lembra? Quase ninguém, a comunicação social, como é do conhecimento público, está em boas mãos.
Mas, voltando à notícia de que fiz o link, as bestas estão de “mansinho”. Quem diria? Já é alguma coisa. Há, contudo , que animar a malta, como dizia o grande poeta e professor de história.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A História, as palavras e as cerejas


A História, se calhar, também deve ser como as palavras, já que estas são como as cerejas. Vejam como de um  posto de turismo chegamos à Naval 1º de Maio.
Num comentário no post anterior o meu amigo Carlos Freitas, ex-praticante de rugby e licenciado em História, deixou-me esta preciosidade.
Devo dizer que a sua tese de mestrado foi sobre o Turismo na Figueira da Foz, um trabalho que já desespera por publicação...
..."mais, les temps sont durs... n'est ce pas?"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Do 1º de Dezembro e de outras coisas


Pelos vistos é a última vez em que este dia é feriado. Se bem que a perda de feriados faz parte do pacote da perda de direitos a que vimos assistindo há anos a esta parte, embora ultimamente com mais intensidade, não me parece completamente desajustado que este dia deixe de ser feriado.
Num país ocupado, sem qualquer autonomia e governado por “miguéis de vasconcellos”, que sentido faz comemorar a restauração da independência? Penso que nenhum.
Resta-nos a consolação de que as maiorias acabam por ser sempre derrotadas. Se em 1640 a maioria de 1580 foi inapelavelmente derrotada, será mesmo uma questão de tempo para derrotarmos os vendidos de hoje que vão miserabilizando o país.

Mas para este fim de tarde nada mais delicioso que uma discussão acerca de qual a marca mais singular na personalidade colectiva dos figueirenses.
Para já, duas opiniões. Não perca, siga por aqui.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

5 de Outubro, 28 de Maio, 25 de Abril e 25 de Novembro


Em título as datas da implantação das 4 repúblicas.
Se elas todas foram mais ou menos pacíficas, por exemplo a que se comemora hoje foi tão pacífica que se inventou a imagem de que terá sido implantada no país por telefone, só uma, a 3ª, teve um cariz de revolução após a aderência popular logo durante a queda da ditadura, conhecida por Estado Novo.
A quarta, saída a 25 de Novembro de 1975 até foi pacífica devido à não reacção das forças progressistas ao golpe de estado, o que levaria a uma guerra civil. E, pelo sim pelo não as “forças democráticas da NATO” estavam de prevenção, ao largo, para o que desse e viesse.
Se repararmos bem estão criadas as condições para a implantação da 5ª República. Basta relembrarmos alguns factos que estiveram na base dos acontecimentos de 5 de Outubro de 1910. Estamos actualmente a viver uma comédia, tal a repetição histórica. Ora vejamos os pontos de contacto:
- A submissão a interesses estrangeiros. (Inglaterra e União Europeia/EU)
- A instabilidade política e social.
- O sistema de alternância de dois partidos no poder. (Progressistas/Regeneradores, e PSD/PS).
- Degradação moral.
- Os gastos da Família Real. (Os gestores, boys e tutti quanti).

sábado, 6 de agosto de 2011

6 de Agosto: para não esquecer

Faz hoje 66 anos que a Alemanha Nazi capitulara há 3 meses. E que o Japão decidira render-se há 2.
Mas para "proteger civis e salvar vidas humanas", os EUA utilizaram as mesmas justificações dadas mais tarde no Iraque, no Afeganistão ou na Líbia.
Não faço a mínima ideia, muito provavelmente devido aos meus conhecimentos de História serem bastante rudimentares, de quantos civis foram, e continuam a ser, protegidos e salvos, em todos estes actos atrás referidos.
Mas algo me diz que preferiam não ser.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Os Ovimbundos falam umbundu



Os Ovimbundos, ou “povo do nevoeiro”, também conhecidos por umbundus, por ser o umbundu a sua língua, constituem mais de um terço da população angolana, sendo o grupo cultural mais numeroso. Ocupam as regiões do planalto central, embora muito provavelmente sejam oriundos das regiões mais a norte.
Entre outros dos principais grupos etnolinguísticos angolanos encontram-se os Bakongos, do norte, os Quimbundo, da região de Luanda ou os lunda-quiocos, estes do leste do país e conhecidos pelo seu talento artístico.
Durante a guerra de libertação os três movimentos mais destacados tinham mais implantação nuns ou noutros grupos culturais. Assim, o MPLA identificava-me muito mais com os quimbundos, a FNLA com os Bakongos e a UNITA, muito porque Savimbi era ovimbundo, com este grupo do planato.
Penso que, de entre todos, o mais transversal a todos os grupos étnicos terá sido o MPLA, muito possivelmente o movimento com uma dinâmica mais nacional, e nacionalista, já agora. A UNITA nunca se livrou de uma característica tribalista que não se coadunava com uma guerra de libertação nacional. Seria, portanto, mais fácil para o MPLA conseguir simpatizantes fora das suas zonas de influência, do que qualquer dos outros movimentos, bem como lutar por uma identidade nacional.
Não cheguei a estas conclusões através de pesquisas ou de leituras, foi pela vivência.
E vem tudo isto a propósito do que acabo de ler num recente livro sobre a História do PCP na Revolução dos Cravos, com este mesmo título. Penso que será gralha, mas leio isto:
“O MPLA tinha muita força na capital de Angola, Luanda, e tinha uma liderança “urbana, esquerdista e racialmente mista”. As suas raízes eram cerca de 1,3 milhões de umbundos que habitavam em Luanda e no interior. Tinham o apoio da União Soviética. A UNITA, apoiada pela África do Sul e Estados Unidos, liderada por Jonas Savimbi, tinha a sua base em dois milhões de ovimbundos do planalto central de Benguela”.
Portanto, gralha ou não, o preço a que estão os livros devia proteger-nos de semelhantes enganos.
Ainda sobre os ovimbundos, e só para terminar, o historiador René Pélissier, na obra “História de Angola”, escrita com Douglas Wheeler, escreve:
“O nacionalismo ovimbundo não parece ter tido o mesmo impacto sobre as massas rurais que os movimentos bacongos ou até o MPLA, orientado para os quimbundo”.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O império treme?



As escaramuças nos arredores do Império poderão, ou não, significar que ele começa a ruir. Mas para agora pouco importa. É um processo, a História já nos tem dado lições a propósito, lento, muito lento, levará mesmo anos, anos e anos. Até lá ainda vão dando a volta.
Mas aqui estamos sossegadinhos da Silva. Segundo se lê na imprensa, a única pois não há outra, o que estará na origem dos protestos é o desemprego, o baixo salário mínimo, a corrupção. Isto entre outras “dignificantes” coisas que o império vai tecendo.
Tudo problemas que não nos dizem respeito, como é óbvio e ficou demonstrado no passado dia 23. Segue tudo na paz do senhor. Até um dia.

sábado, 6 de março de 2010

6 de Março de 1921 – PCP 89 anos


A história do PCP é a história da luta por uma sociedade mais justa. E a história da luta contra a ditadura que assolou o país quase se resume à actividade dos comunistas.
Ao longo de quase 50 anos de ditadura, os comunistas foram o alvo preferencial do fascismo. A imensa maioria dos presos que, durante quase meio século, encheram as cadeias fascistas era composta por militantes do PCP – o único partido que ousou fazer frente à ditadura, o grande partido da resistência antifascista.
Bem cedo se iniciou a perseguição e prisão de militantes comunistas, ainda na 1ª República. E, na repressão aos movimentos grevistas de protesto operário e às iniciativas de carácter progressista, antes mesmo do golpe de 28 de Maio de 1926, já os militantes comunistas eram o principal alvo das forças repressivas dos vários governos republicanos.
O registo das primeiras prisões de membros do PCP remonta ao dia 1 de Setembro de 1921. Nesse dia, as Juventudes Comunistas promovem uma campanha de agitação, com afixação de cartazes nas ruas e nas fábricas de Lisboa, comemorando o dia Mundial da Juventude Comunista. São presos 12 jovens. Primeiro enviados para a cadeia do Limoeiro, são depois transferidos para o Forte de S. Julião da Barra, donde serão libertados na sequência de insurreição militar de 19 de Outubro desse ano.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A Fuga de Peniche foi há 50 anos


Por ter constituído um forte revés na ditadura, a fuga de Peniche é um dos episódios marcantes da longa luta que se travou durante 48 anos.
E uma data a relembrar para que a memória não se apague. Mais ainda, quando estamos perante tentativas inclassificáveis de lavagem da História.
Fez ontem, 3 de Janeiro, 50 anos. Já aqui a recordamos.
Ficou conhecido por “A fuga de Peniche”, mas pode-se sempre perguntar: fugir para a frente da batalha é fugir… ou atacar?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

As ruínas do Fortim de Palheiros







fotos: alex campos
Por uma razão ou por outra, mais concreta ou mais abstracta, o Fortim de Palheiros está intimamente ligado ao reinado dos dois “manuéis”.
Quanto à sua construção, geralmente atribuída às forças de D. Miguel durante a guerra civil, há quem defenda que lhe é anterior, do período manuelino.
Em 1909, durante o governo de outro Manuel, o II, foi colocado em hasta pública e vendido a Joaquim Sotto-Mayor.
Numa posição naturalmente privilegiada em relação à povoação era usado para a defesa da costa. Constituído por uma bateria com 10 peças de artilharia cruzava fogos com o Forte de Santa Catarina e a Fortaleza de Buarcos, dispondo de uma Casa da Guarda.
Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1963 por decreto, o que, contudo, não impediu a sua degradação. Que foi aumentando com o avanço da especulação imobiliária, ou seja, da urbanização desenfreada, sobretudo com a urbanização da mata do Palácio Sotto-Mayor, durante o primeiro consulado dos “socialistas” na Figueira da Foz (1976/1997).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A "caça às bruxas"


O macartismo foi tão mau, tão trágico, que ficou conhecido por “Caça às bruxas”. Uma das muitas páginas negras da História dos EUA. Aliás nem sei se eles têm páginas brancas.
O nome vem do seu mentor, o senador nazi chamado Joseph MacCarthy. Entre os nomes que pontificaram na famosa “Comissão de Actividades Anti Americanas”, por ele criada, salientam-se os conhecidos Richard Nixon e o velho admirador de Mário Soares, Ronald Reagan. Ambos chegaram à presidência do país.
Mas sobre esse período negro do pós-guerra, não me alongo.
Deixo-vos antes uns links para uns artigos do blogue “Cravo de Abril”. Onde Fernando Samuel, o autor, num trabalho tão interessante quão oportuno nos historia esses acontecimentos. Interessante porque bem escrito e bem documentado e oportuno porque dá a oportunidade, a uns para reavivarem a memória, a outros para se inteirarem de um período da história do século XX, que, muito possivelmente, e por motivos óbvios, nunca ouviram falar.

sábado, 3 de janeiro de 2009

A fuga de Peniche

A 3 de Janeiro de 1960 ocorreu a célebre Fuga de Peniche.Pela sua superior organização; pelo facto de o Forte de Peniche ser a prisão de mais alta segurança do fascismo; por ter restituído à liberdade e à luta um valioso conjunto de quadros dirigentes do PCP, esta fuga espectacular constituiu um dos mais relevantes acontecimentos ocorridos durante a longa ditadura fascista.

Eis os nomes dos «10 de Peniche», como ficaram conhecidos:Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Joaquim Gomes, Jaime Serra, Francisco Miguel, Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério de Carvalho, José Carlos e Francisco Martins Rodrigues, (que posteriormente abandonaria o PCP).

A Fuga só foi possível graças a um planeamento extremamente rigoroso e a uma coordenação perfeita entre as organizações do PCP no interior e no exterior do Forte. No interior, organizaram e dirigiram a Fuga, Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes e Jaime Serra.No exterior, intervieram Pires Jorge, Dias Lourenço, Octávio Pato e o actor e militante comunista Rogério Paulo.

As consequências da Fuga de Peniche - quer no reforço interventivo, ideológico e político do PCP, quer na subsequente intensificação da luta antifascista - foram imediatas. Delas falarei aqui, no próximo post.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A bolacha Maria e a lavagem da História



É nos compêndios escolares, é na informação, é no envenenamento da opinião pública que se tenta apagar a memória, branquear o fascismo. A mentira e a omissão são os meios mais usuais, as técnicas mais utilizadas. Encontrei há tempos um aluno do 11º ano que não sabia quem era Álvaro Cunhal. Ao que isto chegou.
Os piores agentes desta situação são gente que abdica da sua própria condição de ser pensante, para agradar ao patrão, para subir na vida, muitas vezes em prejuízo da sua própria dignidade, vivendo mesmo de cócoras.
Esta da bolacha Maria, só mesmo lendo. Aqui.