sábado, 30 de junho de 2012

"Os Lusíadas" revisitados



A globalização e esta fúria neo-liberal obriga tudo a adaptar-se aos Tempos Modernos. Inclusivamente os alexandrinos que o príncipe dos poetas escrevinhou em forma de saga, para aí há um bom par de anos, uns 440 se não me falha a memória, também foram vítimas de adaptação aos tempos que escorrem.
Recebi por e-mail e não resisto a partilhar convosco. A missiva dizia que se o Luís Vaz fosse vivo escreveria assim. Não discuto.



Aí vai:



I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
do Minho ao Algarve tudo devastando,
guardam para si as coisas valiosas
desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III
Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV
E vos, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Boa vai a folia...


Augusto Alberto


Há dias, a propósito da canícula, apreciei a resposta de uma senhora cantoneira de limpeza, na cidade de Évora à jornalista de serviço: “Então como vai o tempo? Está muito calor, disse. E não usa protector? Não minha santa, não há dinheiro para protectores”. Eu bem me parecia que o problema do povo é a falta de brilho e protector. Mas vejamos como brilham e foliam os antípodas.

A propósito da anunciada greve dos controladores aéreos e pilotos da aviação civil: - “Usar o momento mais importante para o turismo para fazer greve é um atentado à economia, aos trabalhadores em geral e ao país. Tanto mais que se trata de profissionais muito bem pagos”. Discorreu, assim, com imaculado brilho, o deputado ao parlamento europeu, Paulo Rangel. E apreciem, agora, o que noutro lado se escreveu:  “A viagem e o jantar, a bordo do barco Douro Azul, fretado pela Câmara Municipal do Porto, para a noite de S. João, de onde foi possível assistir ao fogo de artificio, pela meia noite, ficou este ano, por 16.776 euros”. O cruzeiro camarário, contou com diversas personalidades. O Presidente da República, o anfitrião, Presidente da Câmara Municipal do Porto, o ministro da saúde, Paulo Macedo, o eurodeputado do PSD, Paulo Rangel… Estão a ver? Quem, quem são os protectores do protegido deputado europeu, Rangel, quem são? Sua excelência, o Cavaco, mais o anfitrião, Rui Rio. Cá está. Nesta pátria, sem brilho e protector, dificilmente se vai além de cantoneiro com salariozinho de 450 euros. Mas com brilho e protector, é possível apreciar o S. João, a bordo do barco hotel do Ferreira, evitando apertos e marteladas nas cabeças com alho-porro e martelinho de plástico.
-À barca, à barca burgueses, que aqui ninguém se atira ao mar. Vai carregada de champanhe, porto, porco, “porcos”, sardinha, pimentos e outros bons manjares. Ao leme vai o Rio e o Cavaco a capitanear e o burguês Rangel a mamar. E que dizes tu, cangalheiro e gajeiro Macedo, aí do mirante da proa? Digo que este país não é para velhos. Adiante, que aqui brilham estrelas. E o que vê daí meu Presidente? Vejo o povo ignaro acantonado e sacrificado. Mas que fique por lá e nós por cá. E que faça o que dizemos e não faça o que fazemos.
Toca a bombar! Boa vai a folia.

No "Tubo"

A coisa promete...


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Pode a democracia tornar-se santa?


por Augusto Alberto


Pode a ingenuidade ser santa? Pode, sim senhor. O padre Fernando Lugo, mais os apaniguados, cuidaram que sendo “democraticamente” eleito Presidente da República um padre, a democracia tornar-se-ia santa. Não foi preciso muito tempo para perceberem que, quando as hienas saem ao caminho, o mais certo é calarem a esperança e os sinos. Aliás, será bom que se diga que qualquer mudança em favor dos que nada ou pouco têm, exige um amplo movimento popular, sim senhor, mas também uma força politica, séria, estruturada e consequente.
Aproveitar uma escassa brecha e tomar o poder, pode, a custo, ser possível, mas mantê-lo é tarefa ciclópica. Quem perdeu poder e privilégios, mandará, lesto, as hienas ao trabalho de sabotar as boas intenções. E por isso, tal como nas Honduras, abaixo os “abusos” e ao poder o “preto” que o império pintou, porque o padre Lugo, mais os seus pares, são uns ingénuos, que quase sem força, cedem a pior sorte para os pobres, porque cuidaram que com hóstias e homilias sobre a paz e o amor, a coisa se resolveria.

E já agora, vejam como esta magnífica democracia é tentacular. Rodrigo Rato, economista de um tentáculo só, que deu lições de economia, ministro das finanças de Aznar, um (protofascista), que bem o qualificaste Fidel, acolitado por gestores do mesmo quilate, colocou o banco Bankia na falência. E agora digam-me uma coisa. Podem Rodrigo Rato e os pares serem vítimas de um processo de impedimento e posterior julgamento por danos materiais e morais? Não, não pode. Por razões de incompetência e comportamento desviante, à luz desta democracia vigente, só gente como o padre Lugo, que por uma vez se colocou ao lado dos que nada têm, pode ser impedido e arriado, nem que seja a cacete. Rodrigo Rato fará comer o pão que o diabo amassou a muitos espanhóis, enquanto dará nos salões magníficos e aquecidos da “democracia”, tal como Blair, Aznar ou Clinton, aulas e conferências sobre democracia, economia e geoestratégia e sobretudo, como emprenhar de euros os bancos à custa do roubo do pão dos pobres. Um bom filho da puta nunca poderá sentir os pés frios, a não ser que o enviem em definitivo para onde tem de ir. Pró caralho!
Ai Lugo, Lugo, que ingénuo me saíste.


Pepe, o distraído


Pepe, ao afirmar que a Espanha não teve ocasiões de golo demonstra uma clara distracção, o que pode induzir que esteve alheio do jogo. Ou então está a desconsiderar um seu colega de equipa, pois Rui Patrício fez uma grande defesa num remate de Iniesta, daqueles "com selo de golo".
Acho que fica mal, além de gostar de pontapear adversários...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

UFFFFF!!!!!!!!! Acabou o circo


Segundo noticia de última hora, as charretes ficaram ilesas. Assim podemo-nos despedir da selecção em 2014, quando ela rumar ao Brasil.

Passos e "As Três graças"

Assim à primeira dá para ver que não terei grande futuro como cineasta. Mas também não é qualquer um que pode ser Fellini para filmar mulheres bonitas.
Agora, o resultado parece satisfatório, a modos que uma simbiose entre beleza e patriotismo. Uma homenagem à canalhada que vai enterrando o país, com dedicação especial ao office boy menor dos grupos económicos.
Ouçam e digam lá se o mulherio não é danado da breca. Bem, se fossem um bocadinho mais, como dizer, mais..., pronto, isso, tinham era dedicado uma cançaozita aos rapazes da selecção, que ao fim da tarde se vão ver aflitos.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O que escorre...


Augusto Alberto


Anda na blogosfera frase como esta: “então que tal a mudança para quem disse o que disse do Sócrates?” Esta interrogação vinda do socialismo de rosto humano ou em liberdade, nem sequer se dá conta da anemia do desabafo, porque nivela a acção do Partido socialista por baixo. Ao socialismo de rosto humano ou em liberdade, pela amostra, fenece-lhe a coragem, que se esvai, abaixo, pelas canelas, até o fazer cambar. Cambando, é o outro campo da direita que vem em sua defesa. À moção de censura a apresentar pelo Partido Comunista Português, veio o Dr. Marques Mendes, pequeno e matreiro opinador avençado da realeza, observar que a moção de censura, patati, patatá, era um sinal de fraqueza do P.C.P. E o filo-fascista, Meneses pai, que disse do P.C.P, o que já se sabe desde a queda do muro de Berlim:  o P.C.P está arrumado no canto da arqueologia. Bem sei que sim.

Mas o bando filo-fascista, da social democracia, do socialismo de rosto humano ou em liberdade bem sabe da possibilidade do Partido Comunista Português, na sequência da sua pertinácia, apesar do mais caceteiro anti-comunismo e utilizando os parcos meios que esta merdocracia lhe deixa, poder eleitoralmente chegar aos 2 dígitos. 
Franjas de portugueses cada vez mais vastas, que durante anos deram o poder ao bando do Cavaco e aos bandos do socialismo em liberdade ou do rosto humano, começam a perceber que chega de bandos ou de dar o salto, que os atire por cima do P.C.P e os faça aterrar no Bloco, na esperança da magia, que dê vazão à raiva e frustração. É o milagre da perda do medo, e uma espécie de ressuscitação após imensos funerais. Ou o incómodo num voto só.
E já agora, antes de me ir, se eu fosse do socialismo em liberdade, e se me obrigassem a votar de braço no ar, como no caso da indicação do “banqueiro”, candidato a secretário-geral da UGT, perguntaria: Que caralho é isto? Isto é um conclave da UGT, ou um plenário do P.C.P?
Nivelem-se filhos enganados da social-democracia ou do socialismo em liberdade. Mas nivelem-se por cima. E aproveitem, não hesitem, para morder a língua até sangrar e vejam se o que escorre não é quente, viscoso e amarelo.

sábado, 23 de junho de 2012

Le même combat



O facto, supostamente ridículo diria eu, de um quadro da banca ir substituir um dirigente do Partido Socialista à frente da auto-denominada central sindical UGT poderia indicar que causaria calafrios e outras coisas mais. Mas felizmente não. Continuará tudo na graça do senhor. Ou seja, na graça do omnipotente capitalismo.
Se Proença “governou” a xafarica a contento do referido omnipotente, de igual modo o seu sucessor, já devidamente apadrinhado, ajuramentado, e, mais importante ainda, abençoado, o irá fazer.
Tudo na paz do senhor, não fosse o deles o mesmo combate.




Do 13º mês





Acabo de ver a folha do meu salário e reparo o que já sabíamos. Gamaram-me mesmo o 13º mês. Pronto, está bem que era um direito inalienável e impenhorável e essas coisas todas. Mas que fiquei solenemente chateado, lá isso fiquei. Tanto como qualquer outro cidadão que tenha sofrido o mesmo roubo.
Mas o que me intriga é não saber para onde o desalmado foi parar. Lá hipóteses vejo muitas, mas só posso mesmo especular acerca do seu destino. Exemplos: Partido Comunista Chinês, princesa Isabel, ou um qualquer tuga nababo, improdutivo e ocioso como a puta que o pariu.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O futebol como instrumento ressabiado


Augusto Alberto


Um corpo de São Bartolomeu está em Roma e um outro em Beneveto. Em ambos os corpos falta a calote do crânio. Uma está na Catedral de Frankfurt e a outra no mosteiro de Lune. Vinha eu a pensar na “ubiquidade” dos santos quando, em pleno voo, o comandante do avião informa, primeiro em alemão e depois em inglês, já no fim da viagem, entre Munique e Lisboa, que a Alemanha ganhou à Dinamarca por 2-1 e Portugal, fez exactamente o mesmo resultado contra a Holanda, pelo que a Alemanha e Portugal jogarão os quartos de final. Dentro do avião, ressoa o portuguesismo. Eu que ia a meditar na “ubiquidade” dos corpos, vejo-me a concluir que um povo que só consegue alcançar a felicidade à custa unicamente de uma simples vitória num jogo de futebol, não merece a “ubiquidade” da felicidade e do respeito.

Depois, vejo em casa dois importantíssimos jogos e conclui o que o mesmíssimo braço do “ubíquito” Platini, tal como o corpo e o crânio de São Bartolomeu, é estendido em vários estádios. Porque umas selecções são mais do que outras, a “infâmia” passou pelos jogos que celebraram as vitórias da Espanha sobre a Croácia, que determinou a eliminação da Croácia e o apuramento da Espanha e no jogo que opôs a Inglaterra à Ucrânia e que ditou a eliminação da Ucrânia e a passagem à fase seguinte da selecção tricolor, a França.
Em palavra simples, o que quero dizer é que as selecções dos países do Leste são para desancar, porque apesar da democracia, essa coisa que estica como um elástico até onde quem manda quer, não consegue perdoar a países que escolheram num momento da vida, a ideia do socialismo.
Blokin, esse claríssimo jogador da futebol, e actual treinador da Ucrânia, apesar da sua selecção ter sido esbulhada com vista a levar a França à fase imediata, tal como outrora, quando a União Soviética foi duramente roubada, despediu-se do jogo, com lisura e sem ressentimento. Coisa que aprendeu, e ficou, ainda que doa, nos bancos da escola.
Este jogo e este campeonato da Europa são simultaneamente uma trapaça e um embuste. E esta democracia politica e desportiva é uma merda. Porque a “ubiquita” UEFA, que tem longos braços e enormíssimo crânio, consegue essa coisa espantosa: declarar vencedor quem no jogo foi derrotado.
Anos após, continuam por cá ressabiados e revanchistas que aproveitam tudo, para o ajuste de contas com a História. Tal como S. Bartolomeu, há gente que acabará sempre esfolada e segurando na mão a sua própria pele, com o seu instrumento de súplica, esta imunda democracia.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Os "xuxas" figueirinhas já têm "lider"

cartoon de F. Campos


Então é assim: entre portugais, carrondas e charanas, venceu o joãozinho. O Portugal, claro. Como também é claro, claríssimo,  tratar-se de um acto muito importante, importantíssimo, para a Figueira da Foz.
Pelo andar da carruagem, estamos no bom caminho. Mas, sejamos francos, ganhasse quem ganhasse, o próximo candidato do PSD à câmara municipal dormiria bem na mesma. Repetindo-me: c'est immuable.
Qualquer um, descartava-se...

O Euro, Fernando Santos e eu

O seleccionador da Grécia, Fernando Santos, disse que é muito difícil dar lições à Grécia. Não creio, já que ontem, Merkel, e o que ela representa, ganhou as eleições na pátria de Sócrates. Mas valeu o esforço dos gregos. 
Portugal pelo menos tem muito quem lhe dê lições. Citando só uns exemplos: a princesa Isabel, o Partido Comunista Chinês, António Borges, Lagarde, bem, e muitos outros, que isto de professores não nos faltam.
Agora, falando de um evento como  o campeonato europeu acho mesmo que ele só deveria ser aberto a países independentes.
Em abono da verdade devo dizer que, embora a minha costela francófila seja fundamentalista, estou a torcer violentamente por uma vitória grega frentes aos "boches". Para desgosto da maioria esmagadora dos "tugas", mas é a verdade.

sábado, 16 de junho de 2012

Grécia: viva o EURO, abaixo o euro

Se no futebol os gregos têm razão para festejar com o apuramento da sua selecção para os quartos do torneio europeu, no que respeita ao outro euro, de má memória, só amanhã se saberá se o resultado será tão airoso quanto o do futebol. 
Mas, a julgar pelo boletim de voto, abaixo reproduzido, a escolha também não é muito difícil. E de vitória mais fácil.  

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Gandas "tugas"


Sempre são campeões em alguma coisa. E não ficam por aqui, vão mesmo elevar a fasquia. Atendendo ao resultado das últimas sondagens. 
Ah, a charge é de "seu" Millor.