sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sem mais palavras

«Mención especial merecen los carteles de Ferreira Leite que jalonan las carreteras portuguesas. "Não desista. Todos somos precisos", reza. Pero la desolada foto en blanco y negro de la candidata, sin maquillar, podría hacer pensar a los turistas que visitan el Algarve que se trata del mensaje de una asociación de apoyo a la tercera edad o de prevención del suicidio.»

Jordi Joan, La Vanguardia

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O tiro de zagalote

Augusto Alberto


Recuperar património é caminho que surge como respeito pela memória… É extraordinário o exemplo dado pela Câmara Municipal de Almada ao enfrentar uma situação degradada, à volta da antiga capela de São Sebastião, até a transformar num lugar devolvido a quem pode dar-lhe vida. Aqui a opção foi devolver o lugar à sua funcionalidade primitiva e entregá-lo à comunidade que lhe deu origem…A arquitecta autora do projecto, Maria José Lopes, mostra ter percebido que os lugares não são para reconstruir como mera arqueologia de repetição…A amplitude da intervenção camarária avança até à criação de algumas alfaias litúrgicas de qualidade que possam servir nas celebrações e condizer com o teor do espaço, como deve acontecer… A entrega da criação das peças ao conhecido escultor José Aurélio completa e garante essa visão integrada…
Está de parabéns Maria Emília Neto de Sousa e a sua cidade de Almada.
Aqui estão, recortes de um texto publicado num jornal diário generalista, talvez o de maior circulação, assinado, não por um comunista, apesar de se tratar de recuperação sua, mas de D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa.
Num momento de mais e nova raiva anticomunista, que confere com as enormes dificuldades sociais, sempre se buscam responsabilidades ao lado, este é um belo exercício teórico e de grande coragem intelectual. Estamos perante um texto de um padre, do topo da hierarquia católica portuguesa, que não teve medo de falar sobre a verdade, colocando, claro está, nos respectivos espaços, diferenças ideológicas, sempre presentes.
Esta é sem dúvida, uma homilia, séria, a crédito do trabalho, da seriedade e serenidade dos comunistas.
Mas no mesmo dia, foi-nos contada a história, acerca de um uivo, em forma de tiro de zagalote, que bastou para baralhar as coisas. Um balão de ar quente que subiu uns centímetros acima do monte e que queria chamar a atenção para, “ olho na ladroagem”, foi arreado à custa de chumbo de caçadeira. Dirão os mais prosaicos que esta é matéria pouca e, de todo o modo, para a polícia. Cuidado, porque então, ou se é tolo, ou se teima em não aprender, porque em termos absolutos, na ilha, o que se levou à prática, foi o pior de alguns métodos na caça. Ou seja: - atirar a tudo o que mexe.
Ora aqui está como num mesmo tempo e em espaços diferentes, se desenvolveram duas realidades bem distintas e opostas. Para quem tem o hábito de clamar por tolerância como um valor soberano da democracia, avalie-se então quem a tem e quem de outrossim, é belicoso.
Abel Mateus, alto quadro da Administração, disse-nos, ser possível, em tempo curto, o país ter um baque semelhante ao que teve a Islândia. Pois é. O melhor é precatar-nos. E nunca nos deveremos esquecer que, em momentos de aperto, há gente que sem ser capaz de atinar com o norte, acha que as coisas se resolvem, “atirando sobre tudo o que mexe.”

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ainda mais saldos???????


É assim que se aprende. O que posso prometer é que vou aprender bem a lição. Nunca considerei, eu e muita boa gente, o "ps" de esquerda. Sem nos alongarmos muito, nem falarmos doutras questões, basta comparar os códigos de trabalho do PSD/PP e o dos próprios "socialistas". Sempre fui de opinião de que os "xuxas" são o que de mais reaccionário anda por aí no espectro político.
Enganei-me redondamente. Continuando a política de compra de comunistas em saldo, imaginem, o "ps" vai candidatar à presidência da Câmara de Leiria... nem vos passa pela cabeça...
Nem mais: Raúl Castro.

Anda por ai gente que gostaria de ser um duce

Augusto Alberto

O centro de estatística da Associação Nacional das pequenas e médias empresas e a Universidade Fernando Pessoa, fizeram uma denúncia que envergonha. O que disseram: que a região norte do país é a região mais pobre de Portugal e está entre as 30 mais pobres das 254 regiões da UE25, enquanto Trás-os-Montes, é classificada como a sub-região mais pobre da UE27, apesar dos muitos milhões, creio que se falou em 7 mil milhões de euros, distribuídos, para que em 2006 a região ganhasse melhor fôlego. Aliás, recomenda o presidente da referida associação, vai sendo cada vez mais a regra, não consta que seja comunista ou que para lá caminhe, portanto, por aqui não há cassete, que se avalie como se aplicaram os fundos, quem lucrou e como? Pela certa, será um pedido que cairá em saco roto. O hábito. Embora a julgar pelos factos, alguém os tenha bem atados.
Vamos chegando ao ponto que se recomenda, que se saiba quem são os culpados por este estado de coisas. A democracia chegou há 35 anos, não sendo um tempo brutal, é ainda assim um tempo já bastante para que muita coisa socialmente tenha mudado.
Estando as coisas assim, também vai sendo tempo de perguntar porque razão, ainda hoje, se quer acusar os comunistas por coisas pelas quais não são culpados? A norte, no parlamento, só existe 1 deputado eleito pelo círculo de Braga. Sabe-se que não têm responsabilidades de liderança autárquica, salvo um ou outro vereador ou presidente de junta. Também não são da sua responsabilidade a eleição da tralha do Loureiro, da Felgueiras, do Avelino, do Mesquita… E se se quiser ir mais fundo, não consta que algum dos banqueiros, amigos do Presidente Cavaco e da D. Manuela, seja comunistas. Pode-se falar do banqueiro Loureiro, do banqueiro Arlindo de Carvalho, do banqueiro Costa, do banqueiro, com ar de yuppe e diletante, Rendeiro, e outros banqueiros que o tempo nos revelará…Nesta matéria, o Dr. Cavaco corre o sério risco de ter um governo na sombra. Isto é, se se for para lá do inicio. Temos nesta como em outras matérias, razões para desconfiar. Gente, ainda, como o Coelho, que sempre sabe onde estão as melhores cenouras. O Vara da Caixa. Os avençados, Vitorino e Júdice. Aquele rapaz amarelo que prestou um servição, Torres Couto e outros coitos, que se saibam, também não são comunistas. E se alguns o foram antes, e hoje dizem o seu contrário, foi porque tiveram tremuras.
Porque as coisas estão assim, logo veio aquele que parece o “tolinho” da Madeira, mas pouco, chutar responsabilidades. O D. Jardim tem uma virtude, diz aquilo que outros gostariam de dizer, mas por falta de coragem ou porque o tempo ainda está verde, vão estando mudos, ainda que à boleia, lá conseguem meio engasgados, de quando em vez, dizer que afinal, bem vistas as coisas, se calhar, talvez, a democracia. Uma merda! Tenham a coragem, filhos. Esta implicância com os comunistas tem razões. Lançar cortinas de fumo para desviar atenções e fugir à responsabilidade, como se depreende do pedido feito pelo presidente da referida associação das pequenas e médias empresas. É mais fácil implicar com os comunistas, e pronto...deixar a via limpa de gente que resiste.
O D. Jardim gostaria de ser um “duce”, mas o tempo ainda vai verde. Mas… uma vez, disse a um conhecido, que me chamou tolo, porque a Europa, patatipatatá, que os “duces” ainda por ai andam, que em vez de me chamar tolo, se precatasse, no momento, todos serão abençoados com a sua parte.
Que não haja dúvidas.

sábado, 25 de julho de 2009

“Cães Danados” on the road

Quando aqui apresentei esta novel banda, eles eram 3. Ainda que com um significativo atraso devo informar que as coisas se complicaram: agora são 4.
E como as complicações serão, sei lá, como as cerejas, ou as conversas, esta madrugada, no “Niktos Rock Bar” venceram um concurso em que entraram bandas de vários cantos do rectângulo, que também só tem quatro, os Lusíadas é que têm dez. O dito concurso foi para escolher quem abriria um concerto com os consagrados “Mata Ratos”, em breve também naquele espaço. Parabéns “Cães”.
No vídeo em baixo, podem ver uma das ainda poucas e recentes actuações dos “Cães Danados”, no Jardim da Sereia, em Coimbra, no Festival da JCP.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Um alegre adeus

imagem sacada via internet
Manuel Alegre despediu-se do parlamento. Também já não era sem tempo, trinta e quatro anos são sempre trinta e quatro anos. É muita ano, convenhamos. Agora terá tempo para mandar uns "bitaites", a fingir já se vê, contra o seu "ps" de sempre e assim ir preparando a sua candidatura à presidência da pobre república.
Mas descansem os "socialistas" que a sua parlamentar ala "esquerda" não ficará desguarnecida. Já está agendado um substituto à altura.
Com esta estória toda fiquei com uma dúvida, e nem sei se é metódica ou não: sobre o apreço que tenho pela seriedade intelectual das pessoas. Serei eu mais comedido que o meu camarada Victor Dias?
Dúvidas são dúvidas. "Prontos"!!!!!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

“Les guitares jouent des sérénades”

Vivo na Figueira da Foz desde 1980. Não terei, certamente, muitas recordações do velho e mítico salão da Associação Naval 1º de Maio, consumido pelas chamas há 12 anos. Ainda assim tenho algumas, e, entre elas, recordo que foi lá que vi, no âmbito do Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz, cujo desaparecimento foi um dos legados de Santana Lopes na sua passagem pela cidade, dois memoráveis filmes: “Roma, cidade aberta”, com argumento de Federico Fellini e direcção de Rosselini e o “Diário de uma criada de quarto”, de Luís Buñuel. Vem até a talhe de foice relembrar que o vice-presidente daquele conhecido político lisboeta era Daniel Santos, agora candidato independente à CMFF.
Foi lá, também, que tive o privilégio, jamais repetido, de ver e ouvir, pela primeira e única vez ao vivo, um génio com uma guitarra portuguesa nas mãos. Era a Festa “Férias”, organizada pelo PCP.
Hoje, 23 de Julho, faz anos que os deuses nos roubaram Carlos Paredes. Mas para falar de um artista, nada melhor que um outro. A palavra, portanto, e o lápis, a Fernando Campos:


“Primeiro, uma declaração de interesses. Nunca gostei de fado. Nem sequer gosto daquilo que chamam guitarra portuguesa, que é uma coisa que os portugueses tocam com dedais na ponta dos dedos, mais ou menos como as portuguesas cosem os botões. Detesto o seu estridente timbre metálico e odeio os lânguidos trinados piegas que em Lisboa, dizem, identificam a alma portuguesa, seja lá isso o que for. Posto isto, Carlos Paredes era um génio. E tinha talento. Apenas um génio com talento seria capaz de tanger a alma com instrumento tão duvidoso. A alma portuguesa que eu pressinto na sua guitarra vem de mais longe e de mais fundo; é mais forte, mais grave e tem uma afinação mais acima (Coimbra). Possui subtilezas e um lirismo viril que não têm nada que ver com a melíflua e dengosa pieguice dos trinados que se ouvem no país, pelas capelinhas, pelas lezírias ou em Lisboa, pelas vielas.
Este desenho é uma homenagem a um artista que para além disso é uma espécie de mártir dos artistas. A sua longa e terrível agonia representa o pior pesadelo de todos nós: ele suportou sozinho e impotente, durante 11 longos anos, o espectáculo devastador da própria incapacidade física para concretizar o seu talento. Presumo que deve ser isso o fado; ou a alma portuguesa. Ou a puta que pariu.”

publicado em http://revolucionaria.wordpress.com/



quarta-feira, 22 de julho de 2009

Certezas a propósito de quem de nós deveria ir a votos


Augusto Alberto


Em Dezembro de 1998, escrevi no extinto “A linha do Oeste”, sobre uma viagem a Bordéus, em que fui o responsável por uma representação de atletas do Ginásio Clube Figueirense, nas regatas internacionais da cidade. Fiz, nesse instante, um convite aos responsáveis desta terra, para uma visita ao parque desportivo da cidade de Bordéus, para ver como se faz. Naturalmente, ninguém me levou a sério. Era o que faltava…Mas de qualquer modo, relembro um pouco do que então escrevi.…Já não via futebol há uns tempos. Casualmente numa tarde de um sábado solarengo e frio passei pelo estádio municipal. Parei e estive uns bons minutos a presenciar um jogo dos juniores da Naval. Fiquei estarrecido com o que vi e pensei para mim que os homens do futebol nem para eles são bons. Como é possível que estando nós na Europa das comunidades, no virar do milénio, jovens em fase de crescimento e desenvolvimento, tenham que jogar o jogo que gostam, com prazer, num pelado duro e decrépito…Por momentos julguei estar em África.
Como ao cabo de 11 anos nada mudou, vieram agora os pais de uma equipa de futebol de juvenis da Associação Naval 1º de Maio, impor, e muito bem, uma abstinência à competição dos seus pequenos. Mas para que a gravidade não se fique por ali, vai o clube procurar condições, para o jogo, em campo situado em concelho limítrofe, no complexo desportivo da Tocha, freguesia do Concelho de Cantanhede, terra de gandarezes, como gostamos depreciativamente de os identificar, mas… mas a questão é que eles tem o que o concelho da Figueira não tem. Uma desgraçada vergonha para esta terra, que não consegue em definitivo resolver a questão do seu parque desportivo, em ordem a oferecer qualidade aos seus cidadãos. Parece que a necessidade de um parque desportivo se confunde com outros interesses bem menos prosaicos, e por isso, enrolados numa montanha de dúvidas quanto à forma de toda a gente sair saciada. Desvergonha, ainda, porque ao cabo de tanto tempo, a promessa vai sair de novo encadernada, para a gente acreditar que agora vai.
É bom acrescentar que esta terra tem sido vítima de todo o tipo de propostas, em tempo de eleições ou na sua própria ressaca, assim a modos como falar para pacóvios. Quero aqui lembrar as propostas de uma ponte pedonal para a outra margem, de um túnel pedonal para a mesma outra margem, o tal complexo desportivo, que se diz e se quer em Buarcos, que não sai, para futebol, atletismo, rugby e até, um campo para o golfe e ainda uma piscina oceânica no areal da praia, ali junto da antiga bola nívea. Tudo coisas em grande, mas convenhamos, algumas delas, meio atoleimadas.
Não passamos disto, porque andamos ao engano, embora, desta vez, os pais irritados, tenham resolvido dizer basta. Mas não chega. É preciso perceber também que as coisas tem acontecido, porque temos tido a complacência de andar a apaparicar quem nos engana, tanto do ponto de vista desportivo como do ponto de vista político e, por isso, teremos também de partilhar responsabilidades.
Estamos no fundo, no centro de um sistema que não passa de um embuste, que lá por nos dar a possibilidade de olhar para uns quantos nomes, de 4 em 4 anos, e colocar uma cruz num papel a favor dos que nos vão dando treta e enganos, se acha uma democracia.
Pois eu acho que quem deveria ir a votos, seriam os melhores de entre os melhores e não as melgas que nos picam.

Humor igualitário e pluralista

Não posso deixar de rir quando ouço defender que o humor tem de ser pluralista e igualitário. Sobretudo quando essa defesa vem de um "socialista". Aqui vai, só pode ser metáfora.
Mas exemplos do pluralismo que me dá vontade de rir não faltam. Alguns podem ser vistos aqui e aqui. E esta ainda. Sabem quem é o "patrão" da Liscont? Adivinharam, é mesmo o Jorge Coelho. Isto é que é um pluralismo e igualitarismo notáveis. O país está bem entregue, sim senhores.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Prémios “Bento Pessoa”: o julgamento da História?


Decorreu ontem no Casino a cerimónia de entrega dos Prémios Bento Pessoa, atribuídos, pela segunda vez, pela Tertúlia José Bento Pessoa.
Confesso que não gostei do mau trato que a personalidade daquele enorme desportista sofreu. Ao ponto de, em alguns discursos, se ter julgado, sumariamente a História. Que se enaltecesse a figura do grande ciclista e dos premiados tudo bem, estávamos lá para isso. Agora julgar o 25 de Abril, a mais importante, indubitavelmente, data da nossa História recente, numa cerimónia de entrega de prémios supostamente desportivos, é ultrapassar o bom senso.
Se foi um teste à minha resistência, acho que passei com distinção, pois consegui suportar até ao fim. Mas houve quem não suportasse, quem tivesse abandonado a sala e só reentrando na altura do discurso final do presidente do júri, Marçal Grilo.
Os premiados:
Atleta: Telma Monteiro; Jornalista: Luís de Freitas Lobo; Dirigente: Artur Lopes, presidente da FPC; Personalidade da Figueira: Augustus; Personalidade do Ginásio CF: Adalberto Carvalho; Prémio Especial do júri: Artur Agostinho.
Fico a aguardar pelas reportagens jornalísticas. Estou ansioso.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

2º Jogos da Lusofonia chegaram ao fim

Embora os resultados não sejam o mais importante neste tipo de jogos, nos quais se sobrepõe o convívio, o intercâmbio de experiências com o debate de estratégias de acesso ao desporto, e, claro, a assunção da língua portuguesa, ela a grande estrela, deixo aqui alguns apontamentos sobre os jogos que ontem terminaram.
O primeiro, a felicidade que D. Fernanda nos deu ao revisitar a sua enorme classe com a vitória na prova de 10 Km, dando a entender que a Maratona está a ser bem preparada.
Segundo, a surpresa quer do futebol quer do basquetebol cabo-verdeanos, nunca pensei que já estivessem no nível em que está.
Por último, um jogo de basquetebol com um resultado muito atípico. Está bem que Portugal talvez tenha feito um dos seus melhores jogos de sempre, mas a falta de seriedade competitiva dos angolanos foi inadmissível. Eles que me desculpem, mas tenho mesmo muito mau perder. Eu já os desculpei, na final ultrapassaram a centena de pontos.
Vivam os 3º jogos da Lusofonia.

Imprensa local: mais uma perfomance

Acerca da fraca qualidade da imprensa local já por algumas vezes me tenho aqui referido. Este é mais um exemplo da ausência de critérios de rigor pela qual se guia.
Como diria a minha avó: "quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão".

domingo, 19 de julho de 2009

João Costa de ouro




O atirador da Naval e da selecção nacional, João Carlos Costa, conquistou na tarde de ontem a Medalha de ouro em Pistola Livre a 50 metros, no Campeonato da Europa que se realiza em Osijek, na Croácia.
Com um curriculum invejável em europeus, mundiais e taças do Mundo, o atirador não tem tido sorte no que respeita aos Jogos Olímpicos, onde a pontaria não tem sido a necessária, faltando ainda uma medalha.
Com os parabéns ao João deixo votos para que em Londres não falhe um...

sábado, 18 de julho de 2009

Os jogos da Lusofonia

As declarações de Miguel Maia, hoje ao jornal “A Bola”, sobre os Jogos da Lusofonia devem constituir um ponto de partida para uma reflexão séria. Desde o reparo a algumas modalidades que não se fazem representar a um nível mais competitivo, ao escasso público que tem assistido aos jogos. A crítica de Maia é contundente: “A organização de um evento deste cariz devia pensar que é impossível tentar ganhar dinheiro. Deviam pensar em outras coisas em vez de estar a tentar fazer dinheiro com as bilheteiras. Isso é impensável”. Porque estes jogos, acrescenta o atleta, "deviam ser a festa da união e da língua".
Ainda bem que nem todas as modalidades cabem nas críticas do excelente atleta olímpico, pois os atletas lusófonos tiveram, ainda assim, oportunidade de competir e conviver com alguns dos melhores atletas mundiais, casos de Naide Gomes, Nelson Évora, Obikuelu ou Mário Silva.
Entretanto o desporto revela-se sempre uma caixa de surpresas.
Eloy Boa Morte, que representa o Benfica, venceu para S. Tomé e Príncipe a única medalha de ouro daquele país. Transcrevo a notícia do jornal “A Bola”:


“Sobrevivo dos biscates”
A última final (-80kg) do dia no torneio de taekwondo colocou frente a frente o brasileiro Henrique Moura e Eloy Boa Morte, de são Tomé e Príncipe, e de forma surpreendente as bancadas quase vazias animaram-se. Para torcer por Eloy, que confirmou parentesco com o futebolista – “meu pai é irmão da mãe dele mas não o vejo porque saiu muito cedo de S. Tomé” – e o atleta respondeu à altura, vencendo o mais renhido dos combates. “Esta vitória é muito importante para mim e para quem me apoiou aqui. Sabem o esforço que eu fiz para vencer. Despedi-me, deixei de estudar para ganhar. Represento o Benfica e ganhei tudo o que havia mas eles não me dão nenhum apoio. Nem para os transportes”, explicou emocionado. “Até o fato de treino tenho de devolver. Como sobrevivo? Trabalho naquilo que aparece. Transportes, mudanças, todos os biscates, mas passo muitas dificuldades. Muitas mesmo.
Se a situação não se alterar vou ter de abandonar, pois sou emigrante e estou sozinho”
. Sem subsídios, sem fatos de treino mas com direito a Benfica TV no momento em que se sagrou campeão.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O fascismo anda por aí...



Talvez entusiasmado e embalado pela governação “socialista”, (o código de trabalho, o caso da operária aqui citado que recebeu o salário em moedas de euro, e que não é mais do que um caso que ilustra centenas deles) um palhaço protofascista excedeu-se e cometeu o deslize de ser politicamente correcto.
Isto porque lhe fugiu a boca para a verdade e disse de uma assentada o que vai na alma da Direita, prescindindo da tradicional hipocrisia de se travestir de democrata. Propõe ele, ou quer propor, acho que foi bem explícito, a ilegalização do PCP. E, de caminho, a proibição dos sindicatos que não obedecerem às regras desregradas do patronato.
E seria incorrecto, e perigoso, considerar que esta atoarda está enquadrada no perfil do homenzinho, não sendo mais do que isso, mais uma atoarda para a colecção.
Será, certamente, mais um efeito colateral, ou será central?, da governação “socialista”.
É preciso “avisar a malta”.

Honduras...


...e os dias cinzentos de Tegucigalpa.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O “Boca do Inferno”

Gregório de Mattos nasceu e morreu no século XVII. No Brasil. De boas famílias, o pai era de Guimarães, andou por cá, tendo-se formado em Coimbra. Exerceu o cargo de juiz de fora em Alcácer do Sal, de juiz cível em Lisboa e representou a Baía nas Cortes de Lisboa.
Devido a um comportamento, digamos, politicamente incorrecto, foi destituído de vários cargos, por, entre outras coisas, não querer usar batina nem aceitar a imposição das ordens maiores. A alcunha que ganhou, “Boca do Inferno” deve-se à aspereza com que criticava a igreja e a classe política em truculentos poemas.
A sua poesia, bastante satírica, arranjou-lhe os inimigos suficientes para ter de ser deportado para Angola. Cultivou a poesia erótica, bastas vezes roçando a pornografia, sendo esta a sua faceta menos conhecida.
E agora perguntais: porque me lembrei do “Boca”? E eu respondo: porque o mais recente cromo do delicioso "album figueirense" do artista Fernando Campos é um juiz que também vem de fora, mais propriamente de Coimbra mas que, ao contrário do “tio” Gregório, é muito bem comportado e conhece o Estádio do Dragão.
Entre por aqui, não tem que enganar, é logo em frente.
A obra de Gregório de Mattos estende-se desde a lírica à sátira social e à política. Mas leiamo-lo na sua faceta menos conhecida. Façam o favor:


O caralho do moleiro
É feito de papelão
Arreita pelo inverno
Para foder no Verão

I
O moleiro e o criado
Tiveram grande porfia
Saber qual deles teria
Mor membro e mais estirado.
Pôs-se o negócio em julgado
E, botando a soalheiro
Um e outro membro inteiro
Às polegadas medido
Se viu que era mais comprido
O caralho do moleiro
II
Disto o criado apelou
E foi a razão que deu:
Que o membro, então, mais cresceu,
Porque então mais arreitou.
Logo alegou e provou
Não ser bastante razão
A polegada da mão
Para vencer-lhe o partido
Que, suposto que é comprido,
É feito de papelão.
III
Item, sendo necessário,
Disse mais, que provaria
Que se era papel se havia
Abaixar como ordinário;
Que o membro era muito falsário
Feito de um pobre caderno
Tão fora do uso moderno;
Que, se uma moça arreitada
Lhe dá no Verão entrada,
É para foder no Inverno.
IV
E que, depois de se erguer
É tão tardo e tão ronceiro,
Que há de mister o moleiro
Seis meses para o meter;
Porque depois de já ter
Aceso, como um tição,
Engana a putinha, então,
Pois pedindo que a fornicasse
Lhe dizia que esperasse
Para foder no Verão.

Mas que confusão

Chega-se a um ponto que não se sabe quem anda ao colo de quem.
A menos que seja só uma questão de pormenor. Mas mesmo assim, não deixa de ser confuso. A não ser que seja um pormenor maior.

terça-feira, 14 de julho de 2009

No Dia da França

Nos finais dos anos 70, do século passado, durante a fase de trabalhador clandestino em França, militei no PCF. O Partido estava organizado por células, um tipo de organização característico dos partidos revolucionários. A particularidade dos comunistas franceses é de que baptizavam as células com nomes de destacados militantes, fossem intelectuais ou operários. Calhou a minha ter o nome daquele que ficou conhecido por Poeta da Liberdade, Paul Éluard. A outra célula com cujos camaradas mais convivíamos chamava-se Pablo Picasso.
Hoje, Dia da França, quero dedicar um poema aos inesquecíveis camaradas Marie Jeanne, Philipe , Claude e Alain. Este era o cómico do grupo, sempre que me apresentava a outro camarada acrescentava que eu falava melhor francês que ele, numa alusão à sua ligeira gaguez.
Lembro que certa vez não me deixaram participar numa colagem de cartazes de um concerto de reggae, porque podia haver problemas com a polícia…
Aí vai o poema. É da angolana Alda Lara.






A Paul Eluard
(na sua morte)

onde o poeta não havia já
foi quando em nós se gritou finalmente
que não estávamos sós…


entre nós e as vossas mãos caídas,
- ele! –
por quem os firmamentos
se fizeram de repente
lúcidos como ventos…
por quem as estrelas cresceram
belas e eternas,
no horizonte das horas,
como luas antigas,
vestindo os esqueletos
de humanas formas resumidas…
ele,
por quem, só as crianças
carregaram espingardas
nos jogos brinquedos de guerra,
e as trincheiras
permaneceram para sempre adormecidas
sobre os francos estivais
da terra…
ele,
por quem, nunca mais
estaremos sós…
e buscando-o ainda
ao longo dos longos dias inteiros,
só sabemos falar de amor,
aos companheiros…


Alda Lara

Socialismo moderno? Mas isto é muito antigo, caraças...

Sem açaime

A estória é curta. Passou-se com Fátima Coelho, costureira na empresa Fersoni-Comércio Internacional, S. A., em Joane, Famalicão.

Fátima Coelho é delegada sindical e dirigente do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes. Tem apenas 38 anos de idade e desses 38 anos, 25 foram passados a trabalhar sempre na mesma empresa. Esta empresa esteve habituada, durante anos e anos, a não ter operárias sindicalizadas, não suportando, por isso, a presença de uma delegada sindical e muito menos os frutos do seu trabalho entre as companheiras.

Em 2007 foi despedida. Com motivos tão despropositados que o Tribunal de Trabalho de Famalicão considerou o despedimento nulo.

Reintegrada na empresa, nunca mais teve descanso. As perseguições e humilhações públicas, são constantes e de toda a ordem. A última humilhação foi pagarem-lhe o ordenado em dinheiro, num saco de plástico contendo 333 moedas de um euro, mais uma de 5 cêntimos. Era o ordenado deste mês de Junho... ficou ali, exposta ao gozo, quase meia hora, a contar moedas.

A “justificação” foi o facto de ela não ter conta no mesmo banco da empresa. Ficam duas perguntas:

- Quanto estofo é preciso ter e quanta necessidade deste “fabuloso” ordenado de 333.05 euros, para suportar isto?

- Em que altura da nossa vida democrática é que este tipo de “empresários” se convenceu de que pode fazer seja o que for, impunemente?

- Quem atiraria a primeira pedra a um operário que, nestas circunstâncias, se esquecesse momentaneamente das boas maneiras e rachasse "as hastes" deste patrão de alto a baixo?




(Texto totalmente copiado de http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/)


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Resposta a um simpático, mas despolitizado, anónimo

No post anterior um anónimo deixou lá este comentário:

"Meus amigos, os comunistas querem tachos como todos os outros.Será que algum deputado comunista, oferece metade do seu salário a alguma instituição de solidariedade, para que a mesma possa “matar” a fome a algum pobre deste país?Alex deixe-se de tretas.Os comunistas são como os socialistas ou os sociais-democratas, querem orientar facilmente a sua vida pessoal e familiar".


Elaborando num erro, altamente conveniente, já se vê, para quem tem interesse que todos laborem, pretendo tão só tentar elucidá-lo:
Caro anónimo, devo dizer que o senhor está completamente equivocado quando afirma que os comunistas querem tachos como todos os outros. Os comunistas são pessoas de princípios, de ideais, e a lealdade para com eles é a sua razão de ser, porque, doutro modo, deixariam de o ser.
A lealdade a esses princípios foi paga, como muito bem sabe, com a perseguição, a prisão, a tortura, e, em muitos casos, a morte. No tempo da ditadura foi assim. E quem se lhe opôs firmemente? Portanto não pense que os comunistas estão na política, na luta, para adquirirem direito a um tacho, esse sim, é a razão de ser de todos os outros a que se refere.
Essa de algum deputado comunista oferecer metade do salário é antiga e parte integrante do método de campanha anti-comunista. Mas já não resulta de tão básica que é. O objectivo primordial dos comunistas é a transformação da sociedade, não vejo como a sua proposta mudaria fosse o que fosse, e minorasse a fome fosse a quem fosse, se os grandes meios de produção continuarem na mão de quem estão, se a política vigente tem como objectivo o desemprego para conter os salários e enfraquecer a luta dos trabalhadores e assim eternizarem os privilégios de uma minoria enquanto o país se vai arrastando para a situação em que está.
Não sou eu que tenho de me deixar de tretas.
Não me faça a desfeita de comparar os comunistas aos “socialistas” e aos sociais-democratas.
Sabe, se eu fosse eleito para o parlamento europeu, quanto é que seria o meu ordenado? Não seria certamente igual aos dos outros deputados dos outros partidos. Seria exactamente o mesmo que me paga a empresa onde trabalho. O mesmo se eleito para o parlamento português. E era eleito para trabalhar, apresentar propostas que vão ao encontro do interesse das populações. É isso que os deputados comunistas fazem.
Para terminar, e antes de o deixar com uma canção do Zeca, recomendo-lhe uma obra de Álvaro Cunhal: “A superioridade moral dos comunistas”. Ficará, com certeza, mais elucidado.
Boa audição e boa leitura.

sábado, 11 de julho de 2009

Avançar? Oh, não!

Assumindo desde já o risco de passar por anti-patriótico, sempre digo que não desejo que Portugal avance. Entendo que esse avanço acarretaria ainda mais prejuízos que a situação actual. Prejuízos esses quer para o país quer para quem trabalha. Vejamos: os índices de desemprego atingiram números escandalosos, o número de trabalhadores com emprego precário igualmente, o encerramento de pequenas e médias empresas também é, convenhamos, inusitado. Poder-se-ia acrescentar os baixos salários, as indecentes pensões e reformas, o baixo nível de vida das populações, o aumento da criminalidade associado à situação social, o encerramento de unidades hospitalares, a situação da saúde, da justiça, da educação. Os freeports, as pontes Galantes...
Portanto, digamos que avançar ainda mais seria o “fim do mundo”, para utilizar uma expressão popular. Até recorro do próprio PS, que me dá razão pelo menos no que concerne ao Código de Trabalho. Só que ele, o código, avançou ainda mais.
Chega de avanços. E, já agora, de hipocrisias.
Aí no cartaz em baixo o PS diz que “juntos conseguimos”. Registo a humildade, se disso se trata. Mas pode muito bem ser uma tentativa de dividir responsabilidades, uma vez que será pacífico aceitarmos que o PS consegue muito bem avançar sozinho, aliás como tem demonstrado em todos estes anos de poder, e sempre que é poder. E quando não se desenvencilhou sozinho tratou sempre de arranjar companhia.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Juizinho

Augusto Alberto


Está prestes nova mancha a cobrir a pátria, porque Maria João Pires, está quase com o piano e as bagagens no Brasil. E tudo, segundo a pianista, a propósito de um esforço, mal percebido, à volta de um projecto social e cultural. Antes do mais, suspeito, sei como estas coisas custam o coiro aos que lá vivem. Só a esforço e pulso as poucas coisas acontecem.
Dando de barato, por ventura, alguma errância por parte da pianista, é de sublinhar o esforço social e cultural, numa terra onde pouco há. E aqui, pelo que tenho lido e ouvido, não se livra de ter as orelhas bem quentes e rosadas, porque muitos, incluindo algumas figuras do topo da nossa opinião publicada, acham que já basta o dinheiro público ali investido. Não sabemos quanto, contudo, o importante é perceber que recursos investidos nas áreas sociais e na cultura, neste país, nunca são demais. De qualquer modo, por precaução, o melhor é não falar do que não sabemos.
De todo o modo, também acho que Maria João Pires, deveria parar para pensar um pouco e reflectir, porque de um momento para o outro, poderá arrepender-se da mudança, porque ela deverá saber que o Brasil, se tem muitas belas praias, tem contudo, mais bananas. Por outro lado, se por aqui nascemos e com esta língua nos entendemos, será então preferível por cá batermos os pés, ainda que só alguns passinhos possamos adiantar de cada vez. Nesta matéria, é justo dizer que muitos, que durante anos consideraram que aqueles que se manifestavam e faziam greves, eram uns comunistas madraços, tiveram, por sua vez, de por os pés ao caminho e descer a avenida, e por mais do que uma vez. Falo aqui, como exemplo acabado, dos professores do ensino básico e secundário e de momento dos professores do ensino politécnico, por hora, em greve aos exames, por um período de uma semana. Não havia mal que lhes chegasse…Pois não. Que o emprego para toda a vida, por exemplo, era uma vaidade utópica, porque o mundo tinha entretanto mudado e isso foi coisa de estado socialista. A questão é que afinal, o pior do mundo ainda aí está e lhes caiu em cima, e agora… Agora, apesar de pequenos passos, continuam erráticos, sem perceberem que socialmente, o oportunismo tem um preço. Que enganos!

Mas voltando a Maria João Pires, podemos muitos achar que o dinheiro investido em Belgais, já chega. Será? Mas não creio que esses mesmos, tenham achado que todo o dinheiro investido em estádios de futebol, tenha sido demais. As consequências desse investimento ai estão, com autarquias e alguns clubes pendurados do nó das dívidas verdadeiramente assustadoras. É esta ambivalência que nos vai fazendo como Povo. Sem grandes exigências e sempre dados, preferencialmente, aos muitos arraiais.
Aliás, quero aqui lembrar aos figueirenses que possam também enfileirar nas criticas a Maria João Pires, que se lembrem de que votaram num homem, Pedro Santana Lopes, que dentro do pára-quedas que cá o trouxe, trazia como único projecto para a cidade, a construção de um estádio de futebol para 30 mil lugares, na esperança de colocar a cidade como sede do Europeu. Está escrito… Olha se tem pegado, a palermice que teria sido, abalizada com o voto de quem hoje desanca na pianista. Juizinho…

Angola no G-8



O convite que Angola recebeu para estar presente na reunião dos países mais industrializados e desenvolvidos economicamente, mais conhecido por G-8, é algo que me deixa estupefacto. Claro que são consequências da globalização e um prémio por o país ter entrado nesse “harmonioso concerto”.
Mas, também claro que há experts, comentadores especializados, que dirão, de uma maneira muito politicamente correcta, que as razões desse convite são a presidência da OPEP que o país ocupa e o facto de ter havido eleições livres. E acrescentam ainda estar o país no caminho de uma estabilidade macroeconómica com os últimos níveis de crescimento verificados. E um dos temas da reunião é o combate à pobreza.
Sempre pensei, talvez por ser muito politicamente incorrecto, ou politicamente imbecil, que o desenvolvimento económico era indissociável do desenvolvimento social. Mas afinal estava enganado. E de moto próprio quero continuar enganado.
Porque notícias recentes dizem-me que morrem crianças de sub-nutrição em Angola. E se a classe política daquele colosso africano dispensasse 10% do seu salário mensal a fome seria erradicada em Angola em poucas semanas ou meses. Para só falar neste flagelo, é suficiente.
Embora fique a saber que o desenvolvimento de um país se mede pela conta bancária dos seus governantes e dirigentes, prefiro continuar a elaborar no erro.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Good bye

Um foot no oportunismo

Augusto Alberto


O campeão olímpico, Nelson Évora, teve ruidosa e carinhosa recepção ao chegar ao aeroporto. Não ao aeroporto de Lisboa, como somos levados a supor, estando atento ao correr desta pena, mas ao aeroporto de Belgrado, capital da República da Sérvia, local onde decorrem os Jogos Mundiais universitários. E logo um triplista, campeão olímpico em Pequim. Isto é um sinal de que o jornalismo desportivo na Sérvia não se fica só pelo coiro do foot, aliás, nem podia ser de outro modo, dado que a Sérvia, um pedaço da ex- Jugoslávia, que mãozinhas inteligentes fizeram o favor de cortar de modo tão cruel, tem um espólio de sucesso no que diz respeito à actividade desportiva em geral, como forma de criar bem-estar, tal como tem ao nível dos melhores resultados na alta competição. Isto então, só pode confirmar que do ponto de vista desportivo, por ali, não cabe a iliteracia. E duvido muito que por lá se tenham construídos estádios medonhos, como por cá, para no presente servirem de poiso às moscas, que em alguns jogos são mais do que os assistentes, somados aos jogadores e à equipa da arbitragem.

Mas se quisermos continuar a reflectir sobre estas coisas, poderemos confirmar que afinal o grau de literacia e formação dos povos do leste da Europa, que resultaram da experiência socialista, está uns bons furos acima da média da pátria onde fomos paridos, como temos tido oportunidade de constatar. Aliás, permito-me contar o seguinte: conheço um ucraniano, com quem partilho de quando em vez, com todo o gosto, algum do meu tempo, que conhece mais e melhor Portugal do que muitos de nós, portugueses. Pois é, alguma coisa se passou… e passa.
E por cá? Como somos? O que se passa? O que se passa, é que há uns dias atrás dei por mim a abrir um jornal de referência regional e dou-me com uma notícia que me ficou num riso. Completamente surpreendido, fiquei a saber que Hugo Almeida, o atacante, no foot, de há uns tempos a esta parte, vagamente cidadão desta terra, portanto sem qualquer mérito e achados, virou mandatário, para a juventude do Juiz, candidato concelhio do Partido Socialista cá da terra.
Um soco a seco no estômago, foi o que os figueirenses levaram, porque o juiz candidato, a conselho dos inteligentes do Partido Socialista local, nos mandou. Porque vai mandatar o quê e como?
Estivesse essa gente mais atenta ao trabalho feito, saberia também que o local para tão estimada apresentação esteve mal. Com todo o propósito, tratando-se da apresentação de um jovem futebolista, do foot alemão, a dita deveria ter sido feita no complexo desportivo da cidade, o estádio do foot. Mas como o estádio e restantes campos, adjacentes, do foot, são miseráveis, a vergonha poderia sair à rua e fazer corar quem assim dirige esta terra há muitos anos, então, fugindo, deslocaram-se para as bandas do rio, na marina, sem saber contudo, que logo ali ao lado, uns escassos metros, estão dois clubes dados às artes náuticas, o remo e a vela, onde jovens, que cá vivem e estudam, não faltam. Mas a questão é que essa gente não sabe, nem sonha. Uma desgraça!
Estamos então a perceber porque razão o meu amigo ucraniano sabe mais de Portugal do que muitos portugueses sabem da sua própria pátria, e porque alguns ilustres figueirenses não sabem da sua própria cidade? Pois é… Então não admira que a experiência socialista tenha feito melhor do que a nossa medíocre república. E a mim, cidadão desta terra, só me resta indignar e dizer que esta gente não merece nem que seja um quarto de voto nas próximas eleições.
Alguns navegantes dirão: “que texto…” . Nem mais, um foot no oportunismo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Mas que grande saloiíce


Realmente, pode-se perguntar o que faz Maria João Pires num país em que todas as suas televisões transmitem em directo, e a cores, a apresentação de um jogador de futebol? Desde a entrada para um avião particular até à...
Continuamos a viver os tempos do nacionalismo bacoco? Um povo assim não admira que tenha os governantes que tem. Um povo indigente só pode ter governantes indigentes. Socialistas neo-liberais e tudo.

domingo, 5 de julho de 2009

Salazar e Sócrates: a mesma luta


No Fórum Novas Fronteiras o primeiro-ministro José Sócrates citou Salazar. Que o ditador dizia que “os portugueses deviam ser pobres e humildes como a terra que trabalham mas que a nossa ambição é outra”.
Um discurso carregado de demagogia pré-eleitoral. Não faço ideia qual a percentagem de portugueses, mas será certamente considerável, constituída por desempregados, trabalhadores precários, trabalhadores que ganham abaixo do ordenado mínimo, que ganham o ordenado mínimo ou pouco acima dele, pensionistas com reformas perfeitamente ridículas. Esses sim, terão outra ambição.
Não a terá o primeiro-ministro, que governa o país há 4 anos. E nestes 4 anos o que fez foi agravar a situação. Que em termos sociais se aproximou mais dos índices salazaristas do que dos mínimos exigidos pelo regime democrático em que, supostamente, vivemos.
A mesma política, portanto. Só que o ditador de Santa Comba, embora tivesse outros defeitos, pelo menos de demagogo será incorrecto apelidá-lo.
Estes “socialistas” tiram-nos mesmo do sério…

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O sítio mais alto




Acabo de ouvir o programa Frente-a-Frente, na SIC-Notícias, entre Bernardino Soares e Guilherme Silva. Foi bastante elucidativo, mas que agora não interessa nada. O que os dois deputados disseram acerca do episódio de ontem, é que não foi um caso isolado e infeliz do ex-ministro, mas sim uma consequência lógica da sua maneira de ser. E que episódios destes, embora não tão graves já têm acontecido.
Logo a seguir, num zapping, ouço Silva Pereira, o governamental porta-voz, dizer que o ex-ministro é uma pessoa muito bem-educada.
Longe de mim criticar o Bernardino por insistir em discutir com mentirosos convulsivos. O dever do ofício muitas vezes acarreta sacrifícios. Mas não teria sido melhor sugerir-lhe que fosse dar uma volta à cesta da gávea?
É que, em sentido figurado ou não, é para um sítio mais alto que o ex vai. Ou alguém duvida?

O parlamento mudou de sítio?


Bernardino Soares, deputado do PCP eleito pela CDU, sofreu ontem, em pleno parlamento, uma investida taurina. Pelo que conseguimos apurar o deputado saiu ileso do ataque.
Mais pormenores aqui.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Hugo Almeida, Aboutrika e dois auto-golos


Não tenho nada a opor que desportistas se metam em política, manifestem opiniões, defendam o que acham que devem defender. Além de ser um direito inalienável que lhes assiste, seria certamente, da minha parte, um desrespeito à sua inteligência, pois não deixam por isso de ser cidadãos, seres pensantes. Já aqui elogiei, inclusivamente, um grande futebolista, “meu adversário”, por ter tomado uma posição política, considerando-a até corajosa.
Vem isto a propósito das últimas notícias, que tive conhecimento através dos blogues “Outra Margem” e “Marcha do Vapor”, dando conta que Hugo Almeida, futebolista da selecção nacional portuguesa, é o mandatário para a juventude da candidatura do juiz candidato pelo “ps”. Até aqui tudo bem.
Só que Hugo Almeida deveria ter assumido esse acto político como ele é realmente: um acto político. Não o assumiu. Conhecendo, como todos conhecemos, as capacidades, os apetites, as manigâncias, as perfomances do “ps” quando está no poder, o aríete da equipa das quinas deu mesmo a entender que se estava a distanciar, a modos que a fazer um frete, quando afirma isto:
“A minha vinda aqui não tem nada a ver com política. A razão desta vinda é para que a Figueira seja melhor em termos de desporto”.
Ou então já sentia o cheiro ao oportunismo, à demagogia, ao eleitoralismo. Mas aí não se metia no assunto.
Confesso não conhecer qualquer iniciativa ou mesmo uma declaração que seja da parte de Hugo Almeida a propósito do desporto na Figueira da Foz. Logo, declarações destas enquanto mandatário de uma candidatura política só podem ser consideradas, em termos futebolísticos, como um auto-golo.
Auto-golo fez também Aboutrika, e os seus colegas, na Taça das Confederações. Ao tentarem evitar uma derrota, talvez humilhante, frente à melhor equipa do mundo da actualidade, estiveram muito mal. Está bem que nunca pensaram, nem ninguém pensava, que os espanhóis iriam ter uma noite negra. Mas mesmo assim.


Adenda:
Acabo de saber que o CDS vai apresentar uma candidata à Câmara Municipal. Já vamos em 6, o que contradiz as doutas opiniões de que a dita está falida. Não deve estar, não senhor, uma vez que quem as emite, as doutas opiniões, bem entendido, também está na corrida.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Uíge

um sonho vesperal me toma
sonolento
e traz-me o peso enorme das montanhas
azuis
como céus profundos

e esse abraço de serra, húmus e sonho
como meditando na distância
ergue mansamente a mão fechada
e caminha para o sol
que vai poente…

mas de repente
o instinto azul da serra estende-se solene
e esmaga as luzes da cidade

na minha mão
fica uma cova de sombras



Arnaldo Santos, Uíge, 1 de Maio de 1959

(poeta angolano, 1935)

Uíge



Uíge, a capital do café, no norte de Angola, festeja hoje 92 anos. Entre as iniciativas culturais está agendada uma sessão de autógrafos na Feira do livro com 3 dos maiores nomes da literatura angolana: Luandino Vieira, Pepetela e Manuel Rui.
Cidade sofrida, palco de avassaladoras e absurdas guerras, respira hoje a paz que o seu povo sempre mereceu. Mas como a perfeição não existe ainda há contratempos: os dirigentes políticos que lá temos são como os de cá, moral e intelectualmente indigentes.
Foi aí, que há 51 anos vi a luz do dia.
Aqui vai o programa das Festas da Cidade.