quinta-feira, 31 de maio de 2012

É assim que comem e se comem os pobres


Augusto Alberto

Foi com espanto que soube que Isabel Jonet foi nomeada coordenadora da rede europeia do banco alimentar contra a fome. Condiz! É na caridadezinha e no futebol que melhor nos realizamos. Por isso não admira.

Estava eu ainda a matutar no caso quando, num zapping, me dou com um documentário a propósito da fome na Europa rica. Mais exactamente na Holanda, terra de canais, museus e de muitos e belos sonhos. Um velho lobo dos canais de Amesterdão, piloto de barcos de transporte de mercadorias e sua filha. Ele, na casa dos 60 e a sua filha, na casa dos 20. Ambos desempregados e feitos pedintes, com muita regularidade, clientes do banco alimentar contra a fome, sediado em Amesterdão, de que agora a Isabel é coordenadora.

Mas, coloquemos como hipótese, pouco verosímil, é certo, a internacionalização da “coisa”. A referida família holandesa, dois, dos cerca de 30 milhões de famintos da Europa rica, a descer na Portela, e a serem recebidos por um comité de boas vindas, formado por voluntários, mais uma caterva de câmaras de televisão, que lhe seguem os passos até Alcântara. Em Alcântara, voluntários em alvoroço. Um misto de emoções, mas nenhuma revolta contra o sistema que com regularidade produz famintos, antes pelo contrário. Cabaz cheio, beijos e abraços e os holandeses de volta a Amesterdão. Comida para uns dias e depois, colocada de novo a dispensa a zero, nova visita ao banco alimentar contra a fome, agora em Amesterdão, porque a internacionalização da caridadezinha, tem custos.

Em Alcântara, muita emoção. O ministro Pedro “Lambreta” Soares, um beato da solidariedade e parlapatice, chamado à cena, caga umas lérias para as TV’s, e as pátrias, portuguesa e holandesa, como outrora, de novo entrelaçadas.

E no fim o que dizer? Que até a fome e a caridadezinha podem ter um ar chiquérrimo. Aliás, como a Lagarde, a senhora do FMI, que pelos vistos, usando um expediente legal, com data de 1961, está isenta de pagamento de impostos. O que a elite nos diz, (é que deverás fazer o que eu digo, pagar os impostos, mas não deverás fazer o que eu faço, não pagar os impostos). É assim que comem, e se comem os pobres.

Amanhã, 1 de Junho, no Tubo


Na sequência do que tem sido feito em anos anteriores, o Tubo d’Ensaio prepara mais uma manhã de actividades pedagógicas para o Dia da Criança: oficinas de pintura, guitarra, baixo, bateria, violino, escrita criativa e jogos ópticos, acompanhados por jogos tradicionais.
Esta iniciativa será oferecida às crianças do 1º ciclo da Figueira da Foz e decorrerá das 10h30 às 12h30.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Bendito Estado-providência

cartoon de F. Campos

Brueghel, o navio e o Velho

fotos: alex campos

O porta-contentores Wec Brueghel, de 121,35 metros de comprimento, faz, actualmente, a linha regular de contentores no porto da Figueira da Foz.
Em média transporta mensalmente 550 contentores e cerca de 13.000 toneladas de bobines de papel, produzido pela Soporcel, para vários países da Europa.
A companhia W.E.C. Lines BV tem na sua frota vários navios com nomes de pintores famosos, como Dali, Van Gogh, Velásquez, Goya, e os da escola flamenga como Van Eyck, Rubens e Brueghel.
Este, que nos visita, Pieter Brueghel, é considerado um dos melhores pintores flamengos do século XVI. Conhecido por “O Velho” para se distinguir do seu filho mais velho, também pintor, assinava sem o “h” e também era conhecido por O Camponês, por se vestir como um camponês com o intuito de se inspirar para as suas obras.



A torre de Babel, de Pieter Brueghel, o Velho

terça-feira, 29 de maio de 2012

O mercado provisório

Pronto. A Figueira já tem o mercado provisório, tão atenciosamente prometido. Hoje fui lá visitá-lo. E ainda bem que não sou assustadiço, pois esta coisa, assim de longe, mais parece um aquartelamento da NATO.
Por dentro, confesso que não vi bem com olhos de ver mas nota-se à vista desarmada que é mesmo uma coisinha provisória.
À vinda passei pelo Mercado Engenheiro Silva. Não se pode dizer que estivesse completamente vazio. Uns veraneantes, muito provavelmente estrangeiros, entravam, às tantas sem saberem ainda que já temos um provisório. E nem tinham meios para ficarem a saber. Não havia lá informações nenhumas, nem em inglês, nem em francês, muito menos em português. Népias. Eu, por acaso, talvez por frequentar a blogosfera figueirense, já sabia. 
Mas um cartaz a dizer, por exemplo, "fechado para obras", "fechado por mudança de ramo", ou outra coisa qualquer, não ficaria mal. As pessoas, os forasteiros, têm o direito de serem informadas, bolas.

Havana vai calma…


Augusto Alberto

É uma praça grande, numa cidade grande, Montreal, de um país grande. E muitos foram os estudantes que ocuparam a praça, na sequência de greve às aulas, na sequência, também, do aumento das propinas, que é solução única no catálogo das medidas do capitalismo. Ocupada a praça, uma e outras vezes, a assembleia legislativa do Québec, aprovou legitima lei, que criminaliza um ajuntamento com mais de 50 pessoas. Como me lembro bem.
Apesar de tudo, a ditadura no Quebec é um pouco mais prosaica do que a ditadura de Salazar, Caetano e demais amigos, (alguns andam por ai). Então, um ajuntamento acima de três era uma manifestação ilegal. Mas, se lei é lei, e se os que foram à praça foram mais de 50 e a puseram em reboliço, então que se mande as forças da ordem colocar regra no arraial. Foi isso que fez “ Castro”. A polícia e a tropa a mando da perigosa “ditadura cubana”, irromperam pela praça de todas as liberdades. A estudantada foi rechaçada a coice de cavalo, cacete e tiros de balas de borracha. 300 manifestantes foram levados às ramonas, muitas, para identificação na esquadra. E cerca de 20 foram ao hospital, com equimoses e ossos doridos. “Democrática” cambulhada.
O que eu quero dizer, é que a “democracia” que a gente conhece, é uma espécie de elástico, que o poder eleito estica até onde quer. Pelos vistos, o elástico naquela grande praça de Havana, capital da ufana e rica província do Québec, só pode ser esticado até à fronteira. Se o elástico passa para dentro, então é preciso que avance as forças da ordem “democrática”, a mando da viril e respeitável elite do Québec, que é igual a toda a elite “democrática” do mundo.
Desta vez, a “democracia” passou a salvo. È bom que se não saiba que na rica província do Québec, o poder “legitimamente” eleito, também passa por baixo os dentes e o porrete.
Pelos vistos, Havana vai calma, e por isso, não fazem falta os enviados especiais, com indicações para recolher sons e imagens, e a Montreal, um poucochinho acima, apesar de está a arder, de todo o modo, também não.
Em cada jornal ou TV, há um lápis azul pronto a riscar. Atávicos vícios, soezes virtudes.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

À la gardere



A bácora da Christine Lagarde (eu gosto de insultar os inimigos, coisa que não me causa transtorno absolutamente nenhum, pois é reciproco) insultou o povo grego. Depois veio dizer que não foi bem assim, e coisa e tal, ou uma coisa dessas.
Mas o que a senhora fez foi um frete a um dos seus representantes na Grécia, Venizelos, suponho, que isto de fixar nomes gregos é terrível, pois deu-lhe oportunidade de se fazer indignado e isso, pois toda a gente sabe que o PASOK, ou lá o que é, é um dos partidos troikistas e responsáveis pelo estado a que o estado grego chegou..
Falta saber se o povo grego vai na conversa. Dia 17 veremos.

A Comuna de Paris


Faz hoje anos, 141 mais precisamente, que chegava ao fim a primeira tentativa de um governo popular. “A Comuna de Paris”, como ficou conhecida, foi o primeiro governo operário da História. Durou de 26 de Março a 28 de Maio, derrotada pelos colaboracionistas, patrocinados pelo invasor, alemão neste caso, que viu, assim, o seu soberano ser coroado imperador do II Reich em pleno Palácio de Versailles. Se foi uma humilhação para o povo, para as classes ociosas foi, naturalmente, uma vitória. Sangrenta, diga-se. Foram milhares de torturados, de fuzilados e mortos.
É importante recordar que em poucas semanas a “Comuna de Paris” fez mais reformas do que todos os governos nos dois séculos anteriores. Algumas: O trabalho nocturno foi abolido; residências vazias foram desapropriadas e ocupadas; a jornada de trabalho foi reduzida, e chegou-se a propor a jornada de 8 horas; os sindicatos foram legalizados; instituiu-se a igualdade entre os sexos; a pena de morte foi abolida; o serviço militar obrigatório e o exército regular foram abolidos; a educação tornou-se gratuita.
Jean Ferrat homenageou assim a Comuna:



sexta-feira, 25 de maio de 2012

A sustentável leveza do pensamento


Augusto Alberto

Num comboio em andamento, entro, sento-me, conforto-me e abro o jornal. Vou às notícias da pátria e do mundo, que coincidem. Não passa muito tempo, até um ancião, acompanhado, me convidar à conversa. Então o que lê no jornal? Coisa má! Um pouco atordoado, percebo que tenho, inesperadamente, um companheiro para conversar. E nem hesito. De facto! Que idade tem, com sua desculpa? Não tem de quê. 63. O que faz? Estou aposentado. Muito bem. Então diga-me. O que é a democracia? Olá! Está-me a colocar à prova. Já vi. Para evitar atrapalhações, eu explico.
 A democracia é o governo eleito pelos que não pensam, que depois, se entretêm a infernizar a vida aos que não pensam, naturalmente, e sobretudo aos que pensam. Franzi a testa e olhei-o. Continuou. Eu já sou muito velho, mas pouco parvo. Pelos vistos, retorqui. Eu era menino quando rebentou a 2ª grande guerra mundial. Só ouvia falar de avanços e vitórias, recuos e derrotas. E muitos mortos. E dizia-se que talvez a Alemanha ganhasse a guerra. Felizmente, perdeu-a. Sabe, já grande, aprendi que afinal o Hitler foi eleito pelo povo alemão. E depois de eleito, pelos que não pensaram, dedicou-se a infernizar a vida aos que resistiam e pensavam. Não tenha dúvida, senhor. Por ventura, temos uma explicação, respondi. E cuidado com os requintes e as patranhas. Hoje não se diz que foram quase todos os alemães os responsáveis pela guerra, mas os nazis. O senhor sabe o que são os nazis? Extraterrestres? Quem fez a guerra foram os alemães, para que se saiba. E agora, também lhe digo. Merkel é uma espécie de frau Hitler. Sim senhor!
A viagem foi-se e amavelmente, desejei boa sorte e do mesmo passo, gratidão por me ter escolhido para conversar.
Pouco tempo após esta deliciosa viagem, deparo-me com uma notícia que corrobora a tese do meu colossal companheiro. Criticas à estratégia orçamental enerva governo. Ministério das Finanças e gabinete do primeiro-ministro pressionaram o Conselho Económico e Social a moderar a linguagem, a propósito do parecer sobre o Documento de Estratégia Orçamental 2012-2016.
Se tivesse dúvidas, acabaram desfeitas. Os neófitos “alemaezitos” andam por ai... E de quem é a responsabilidade? Dou a palavra ao meu colossal e ocasional companheiro de viagem… 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Amanhã vou à bola



E vou torcer pelo empate. Com golos. A minha selecção vai defrontar outro dos clubes da minha preferência. Da outra vez também queria o empate e a coisa deu para o torto. O Sporting foi copiosamente derrotado por 4-0. Eu nunca tal houvera visto, palancas a baterem em leões. Fiquei atónito. Garanto. Mas depois lá vi que poderia ser efeitos colaterais da globalização, que tem virado o mundo todo do avesso. Mas prontos, tudo tem uma explicação, não é?
Até parece que a selecção angolana está a fazer um périplo pelos clubes que gosto. Portanto falta o Vitória. Mais outro empate, evidentemente.

terça-feira, 22 de maio de 2012

“Gambrinagem”


Augusto Alberto

Em Novembro de 1975 foi decretado o fim da esperança. E assim foi o início da criação de uma elite parasitária, que cedo ocupou o lugar deixado vago pela elite salazarenta e fascista, apesar de alguma ter resistido, que logo tratou de destruir o tecido produtivo monopolista, industrial, agrícola e agro-alimentar, que a revolução, efémera, ainda tentou colocar ao serviço da pátria. Cedo se deu a troca, pela economia do jogo da bolsa e das megas mercearias, em que se especializaram os novos “republicanos” de Portugal. Não é, pois, de admirar que quase diariamente na nova “república”, sejamos confrontados com notícias, que nos falam de um medonho polvo, que se constitui a partir de gente sem qualidade moral e ética, com quem deferimos amorrodadamente, de 4 em 4 anos, por falta de exigência.

Espécie de tios e primos de uma elite algo distante, como o Tio Cavaco, os primos Relvas, Duarte Lima, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Isaltino, Mira Amaral, Vara, Penedos, José Sócrates, e todos quantos aqui não estão escritos, que matreiramente elaborou “boas” leis e se especializou no saque. É tanto o afecto, que apesar de terem caído em clara desgraça, tudo se perdoa.
De todo o modo, é quando mais precisas que estes primos te viram as costas e então, em desespero, vais a correr, fazer a expiação das tuas dificuldades, às promoções do pingo doce ou derreter cera em Fátima, na esperança do milagre na vida. Para que servem, então, os primos bem postos na vida? Sobretudo os jovenzinhos acabadinhos de chegar, como a prima Assunção Cristas, ou os primos Luís Meneses, Marco António e sobretudo o trapalhão, e inseguro, António José? Por ventura, para lembrar, como fez o tio Marcelo, que dentro de dias vai acontecer, mais uma vez, a recolha de bens a favor do banco alimentar contra a fome.
Sacanas, estes tios e primos. Eles sabem que enquanto a caridadezinha durar, eles podem continuar a lambuzar-se nos “gambrinos” do País.

Dicionário – (linguajar de puta): Gambrinagem – os vadios que após marcação previa, fazem uma refeição no valor mínimo de 70 euros. 

António Cruz



Soube pelo “Outra Margem” e pelo “Marcha do Vapor” do falecimento de António Cruz.
Não só para quem o conheceu, convivi com ele durante o curto espaço de tempo em que colaborei no seu projecto “Figueira.net”, mas também para a Figueira da Foz é uma perda irreparável.
O seu projecto revelou-se essencial para a divulgação da Figueira da Foz no mundo, e constitui mesmo, parafraseando um comentário no blogue “Marcha do Vapor”, “um legado da cidade. Ainda nesse comentário se pode ler que houve entidades que não deram o devido valor na altura certa ao trabalho de Cruz.
Até sempre, amigo.

sábado, 19 de maio de 2012

O soco


Augusto Alberto

Anunciava-se o combate do ano. Na cidade havia murmúrios e tensões. O gigante de Ovar, herói nacional, contra o belga Pierre Charles. As galerias regurgitavam de povo, ele era magala e marinheiro, alguns proxenetas e dulcíssimas meninas. Entraram os dois boxeurs, e após as apresentações caminharam para o centro, prontos a esgrimir punhos. Soou a sineta e o combate teve início. Primeiro round e cerca de um minuto após, o belga assenta com a ponta da luva um jab na ponta do queixo de Santa Camarão, que, atordoado e com os olhos embebidos em névoa, cai no chão. Um desatino! Como é possível, um gigante completamente adormecido em tão pouco tempo? Estariam muitos ainda mal sentados na cadeira e já o espectáculo chegara ao fim. Exactamente ao fim, porque ali não havia lugar a novas cenas protagonizadas por segundos.

Isto foi em 1929 e agora em 2012, o nosso primeiro, Passos, também, no primeiro round, cansado e meio tonto de tanto rodar e azucrinar a vida aos outros, já começou a baixar a guarda e está a caminho de levar dois directos dirigidos às têmporas, escorreitos e seguidos, que o atirará, em definitivo, cambaleante e por terra. Contudo, entre esse ano e o actual, há uma diferença.
Então, o espectáculo acabou logo ali, enquanto, em breve, ele vai continuar com remanescentes e escanzeladas figuras. Mais um lastimoso embuste, bem se pode dizer. Ah povo, que não passas de um saco de boxe onde socam permanentemente incorrigíveis vilões e filhos da puta. Como foi o caso de Santa Camarão, o gigante, nascido no povo, atirado ao chão, no dizer do povo presente, até por um “filho da puta” de um belga. Foi de tal modo violento, que nem sequer houve necessidade de tocar a sineta a anunciar o fim.
Entretanto, na alvorada da ressaca e no meio da algazarra, a dulcíssima menina Dolores, ainda teve tempo de fazer estremecer o magala João, fazendo passar pela braguilha, uma dulcíssima mão. Como infelizes são os que são socados e felizes os que são acariciados. De todo o modo, o direito à carícia exige perseverança e carece de negar superstições e medos atávicos. Mas é aqui que a porca torce o rabo.

A Taça e a coisa



Quando o capitão da equipa do Sporting ou da Académica, um deles, no final de tarde do próximo Domingo, subir a escadaria do Estádio Nacional para receber o troféu, verá que não o irá receber das mãos do coiso. Não estou a falar do coiso de que se fala, mas do outro coiso, o que deveria, por imperativo de protocolo e de tradição, entregar a Taça de Portugal ao capitão da equipa vencedora. Esse tal coiso não teve o discernimento, nem classe, para tal. Muito provavelmente por falta de coragem.
O capitão vencedor receberá o troféu das mãos de uma coisa. Embora já reformada, essa coisa é esta. Entre e veja.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O barbeiro da Cova-Gala


Foto: Pedro Agostinho Cruz

Olímpio Fernandes aos 72 anos continua a ser o profissional altamente qualificado que sempre foi. Cabeleireiro de senhoras, e agora barbeiro de homens, mantem-se actualizado com a profissão que escolheu e de que gosta. Continua a organizar e a participar em workshops ou festivais, em Portugal e no estrangeiro. Como, por exemplo, o festival de Penteados, nos próximos dias 2 e 3 de Junho, no Casino da Figueira.
Humanista como neste blogue já referimos, é também um bon-vivant, cuja boa disposição é sempre um prazer aturar nos convívios em que com ele participamos.
Tem ainda outros “defeitos”. Entre eles, é um indefectível e ferrenho adepto benfiquista, e, como se não bastasse, é derramadinho para a brincadeira.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A noite do Jazz


No bar do "Tubo", onde, entre uns impreteríveis whiskeys, se poderá recordar, para além de outros, e por ordem cronológica, Thelonious Monk e Miles Davis. Este último é considerado um dos mais influentes músicos do século XX.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A muamba, a contas com a parlapatice e vigarice


Augusto Alberto

Sabemos, da mediana corriqueirice, que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. Por infelicidade, o Partido Socialista de Portugal reúne estas duas fatalidades. Como coxo, manca e camba nas suas decisões. Uma agora, outra depois, e vai de tomar balanço para voltar à anterior. Como mentiroso, fala ao sabor das conveniências e expõem-se tacticamente, hoje, como qualquer agremiação contestatária. Depois de juntar a caruma, passou de seguida a por fogo à indústria transformadora e agricultura e agora está na fase de dizer, a tudo, simplesmente não. O Partido Socialista de Portugal, é agora a agremiação do não. E eu a julgar que isso foi faculdade única dos comunistas portugueses, como muito se disse, aliás, a quem muito poucos prestaram atenção. Mas, o que lá foi, cá está, e agora mija-lhe.
O pai Soares indicou que o Partido Socialista de Portugal deverá renunciar aos acordos com a troika, mas o líder parlamentar, Zorrinho, acha que não, mas... Contudo, o deputado Assis, defendeu que se não houver nenhuma modificação, (que tontice), de comportamento da actual maioria parlamentar, o PS deve votar contra o próximo Orçamento do Estado. Considera mesmo que isso é determinante para que as pessoas em Portugal não se desiludam com os socialistas e não optem por propostas de alguns partidos políticos mais radicais. O deputado Assis mergulhou a cachimónia na água fria, e cristalina, e ficou fino. “É preciso dizer não, mesmo que antes tenhamos dito que sim, para que de um momento para o outro não nos retirem o pote”. O pote, essa coisa bojuda, simplesmente arredondada, de culto se for de barro, que de uma penada, passa a objecto de aforro político. Nados para mestres nos compromissos com o capitalismo mais serôdio, somam, nesta fase da curva muito apertada da nossa vida, nova qualidade: a licenciatura na parlapatice e vigarice.
E para melhor esclarecimento do meu ponto, quero aqui lembrar um célebre relatador de futebol, de origem angolana, apaixonado por uma boa muamba e pelo seu genial grito, com que sublinhava magistral jogada ou apaixonante golo:  “é disto que o meu Povo gosta”.
Assim seja!

terça-feira, 8 de maio de 2012

A Democracia começou na Grécia…



O resultado das eleições gregas, que se traduziu por uma rejeição do programa da troika, ou das troikas, pelos vistos já produziu efeitos colaterais. Daí esta notícia, de que francamente eu não estava à espera. Mas ela aí está.
Agora que os “democratas” conseguirão levar a sua adiante, não terei as menores dúvidas. Obrigarão a novas eleições, ou em último caso, se “correrem novamente mal”, terão sempre o “plano B” à mão. Ou seja, um golpe de estado.
Reparem que não estou mesmo a inventar nada. Vou simplesmente aprendendo algumas coisas com a História.  Nesse aspecto ela é fixe, vai-nos ensinando sempre mais alguma coisa. Não recuando muito, temos o exemplo das Honduras, em 2010. Quem se lembra? Quase ninguém, a comunicação social, como é do conhecimento público, está em boas mãos.
Mas, voltando à notícia de que fiz o link, as bestas estão de “mansinho”. Quem diria? Já é alguma coisa. Há, contudo , que animar a malta, como dizia o grande poeta e professor de história.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sarkozy, Hollande, Strauss-Kahn e outros que tais…


Augusto Alberto

Poderia Dominique Strauss-Kahn ser hoje o Presidente da República Francesa? Evidentemente que sim, não fosse aquele erro infantil cometido em Nova Yorque, induzido por um inesperado fluxo da testerona, que o deixou à porta da loucura. Seria entronizado como presidente de uma parte da elite francesa de direita, que, para conseguir levar adiante as suas pretensões, se diz da esquerda, socialista ou social-democrata.
Strauss-Kahn teria sido vendido como o homem bom, pelos seus e pela sua imprensa, que apresenta duas mãos. A que suporta o prato da sopa e a que estende o dedo indicador que indica, que se não deverá cuspir no jornal que dá as sopas. Esconderiam o homem imoral, que está, hoje, sob investigação, para confirmar que lidou com prostitutas e proxenetas quando frequentou festas de sexo em Lille, Paris e Washington em 2010 e 2011, organizadas por empresários. Esta é a “democracia” que se esgota em si, mas que nunca se deixa de renovar.
Por isso, se fala em alternância e nunca na mudança. Um embuste, que vive da mentira e de considerar os povos como material a quem tudo se pode vender, até um desqualificado e desequilibrado, como quem vende óleo de colza, que mata e matou, por azeite virgem. E porque estruturalmente, mantêm no centro do poder, um sistema perverso que permite que só cheguem os seus, por mais desqualificados que sejam e que barra sistematicamente a eleição dos melhores, e que por isso, se tornou o paraíso para as elites e o inferno para os povos.
Sarkozy, Holande ou Strauss-Kahn, têm gravado as caras na mesma face da moeda, tal como Barroso, Seguro, Coelho, Cavaco, ou o inefável Alexandre, o “paquiderme”, das megas mercearias “Pingo Doce”. 

domingo, 6 de maio de 2012

Eleições em França

Calha a todos. .Hoje, são os franceses que vão "choisir celui qui les fera crever"

Sarkozy? Hollande? Ide-vos…



Hoje os meus amigos franceses vão votar. E vão votar muito bem, aliás como quase sempre qualquer eleitorado vota. Mas penso que a sua posição me faz lembrar a do animal da foto.
Quer dizer, votem como votarem não vão decidir absolutamente nada de importante. Estarão a leste da coisa, mesmo sem o saberem. Isto porque entre o sacana do Sarkozy e o hipócrita do Hollande venha o diabo e escolha. Porque no fim de contas, sejamos sinceros, o poder vai continuar nas mãos dos mesmos. Acrescente-se que o candidato natural dos "socialistas" franceses era um homem do FMI, o Strauss-Kahn. Na Grécia ou na Itália a troika, ou capitalismo internacional, conseguiu colocar como primeiro-ministro um homem seu, sem eleições. Em Espanha ou em portugal venceram-nas. Em França vão vencê~las amanhã.
Por cá, deve-se dizer,  também temos tido os mesmos problemas..
Repare-se na posição do PS, ou, mais concretamente, do seu secretário-geral ou coisa parecida. Parece que faz oposição, que não concorda, que o emprego coisa e tal, o desemprego tal e coisa, os direitos não sei de quem, mais isto mais aquilo. Até parece que não estiveram a governar durante para aí uma meia dúzia de anos, que não aumentaram o desemprego, que não agravaram as leis laborais impostas por quem está agora na governação, que não assinaram nadinha de nada com a troika.
Pelos vistos, quem está a tratar de mudar as coisas são os desgraçados dos gregos. Não sei se vão a tempo, mas quando lá chegarmos, à situação deles, também iremos tentar mudar as coisas.
Será tarde? A ver vamos…

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Benza-te deus


Augusto Alberto

 Enquanto uma parte do povo foi à luta, outra salivou como o cão de Pavlov. Com filhos e netos para alimentar, correu célere a uma campanha terrorista, atraído pela possibilidade de trazer para casa o dobro do que pagou. O cão de Pavlov salivava em frente ao naco de pão, e uma parte do povo salivou em frente das mercearias “pingo doce”, mostrando um reflexo inato para o engano e a incompreensão do seu papel como sujeito da história.
Com efeito, a viver segundo intrincadas opções e sem sequer saber, já, que caminho percorrer, se os caminhos que vão dar à luta, capaz de alterar o estado de astenia, ou, salivando, ir a correr às mercearias “pingo doce”, na esperança de fintar a pobreza, sem contudo perceber que sem luta que altere esse estado, continuará miserável e baixará a cada passo para lá da indigência social, porque não percebe que aquilo que o fascista do Alexandre dos Santos, um dos príncipes da grande economia de casino, fez, foi mais uma finta na luta de classes.
Partir a espinha ao movimento sindical. Arrumar a luta de classes a troco de mais um saco de farinha, é o pouco necessário para manter os privilégios dos filhos e netos de Salazar. Pague um e leve dois e ainda de bónus, vai manter em casa o salazarismo pobreta, rançoso e tramontano.
Afinal, uma boa parte do povo, parece que pouco aprendeu com 48 anos de fascismo e 38 anos de “democracia” (fascismo rechapado).
Salazar falava às massas, das vantagens da pátria, do balcão da janela central da Praça do Comércio. Alexandre Soares dos Santos, fala da porta das suas lojas, a anunciar as vantagens de haver as mercearias “pingo doce”, e de haver pobres e beneméritos, como ele, porque desse modo, o mundo é perfeitinho.
Benza-te deus, povo achincalhado, que parece que ainda não percebeste que é com as papas e os bolos do “Pingo doce”, que se vão enganando os tolos.

Mas que falta de classe, ó Ronaldo


O rapaz tem um ego maior que eu sei lá. Depois de ser apanhado a conduzir em Madrid com o filho ao colo, também se esqueceu que é o capitão da selecção portuguesa e, vai daí, repetiu um gesto que já tinha feito no estádio da Luz. Ora veja. Parece mal, não parece?
Irá demitir-se de capitanear a equipa das quinas? Só pode, mesmo.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

António Durães na "República do Saber"


O actor figueirense António Durães vai apresentar o novo programa da RTP2, com estreia no próximo dia 7.
O programa, "República do Saber", tem como objectivo divulgar a actividade cientifica desenvolvida na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
Durães, actor profissional desde 1984, tem várias interpretações na televisão, a mais recente das quais na série "Pai à força", que passa actualmente na RTP1.
É também um encenador de créditos firmados, apesar de ter levado algum tempo a perceber que eu não tinha jeitinho nenhum para aquilo. Mas pronto, a atenuante é que foi no início da sua carreira.
Actor multifacetado, foi inesquecível o espectáculo de pantomima que se estreou no saudoso salão da Naval. "Ciclomimo" foi talvez a sua última interpretação enquanto actor amador.
Recordo numa entrevista para o extinto "Mar Alto", Durães dizer-me que gostaria de trabalhar com Marcel Marceau. Infelizmente já não é possível.
Bem, mas como ninguém é perfeito, este "gigante" é adepto do "glorioso" SLB.

Do Pingo Doce à América Latina




Enquanto o capitalismo predador consegue os seus intentos na Europa, inventando crises para melhor reinar e impor os seus pérfidos interesses, convencendo as pessoas que essa tal crise é uma fatalidade, no continente sul-americano a coisa pia mais fininho.
Enquanto por aqui se assiste ao que se assistiu na cadeia de mega-mercearias “Pingo Doce, e a eleições como agora em França, em que quem disputa a vitória são braços do mesmo poder económico, tudo muito cinzento, portanto, na América do Sul, à excepção talvez da Colômbia, chega-se à conclusão que não é fatalismo nenhum qualquer povo não ser dono do seu próprio destino.
As nacionalizações em curso permitem-nos pensar nisso mesmo, e começarmos, também, a pensar em arrepiar caminho.