quarta-feira, 25 de abril de 2012

Obrigado Agostinho

Augusto Alberto

No 25 Abril de 2012 ouvi na Assembleia da República, na cerimónia oficial das comemorações do 25 Abril de 1974, dois discursos emotivos sobre Abril, do Partido “Os Verdes” e do Bloco de Esquerda, mas sobretudo, ouvi um discurso, que depois li na integra, estruturalmente arrasador. Um autêntico libelo acusatório às forças revanchistas, que nos estão a colocar à porta da miséria e do estado policiado. Ao meu camarada Agostinho Lopes, só poderemos estar agradecidos pela clareza com que escreve sobre as razões da nossa fome, pobreza e tristeza. Aliás, não é por acaso que os trauliteiros e bandoleiros dos comentadores encartados, (autênticos filhos da puta), sobre estas certeiras palavras, fazem como o gato que foge sobre brasas. Passam de supetão para não queimar as patas.

Disse Agostinho Lopes: As classes dominantes, grande parte das suas elites, sempre foram, com excepções, permeáveis à colaboração com o estrangeiro opressor e explorador, em defesa dos seus interesses de classe…. É como se o caminho para resistir a Castela em 1383/1385 passasse por fugir a Aljubarrota. Como se o caminho para afirmar a independência nacional em 1580, passasse pela aceitação do jugo filipino. Como se o caminho em 1808, fosse a fuga para o Brasil e a colaboração com os ocupantes e não a resistência às invasões napoleónicas.
A crise do capitalismo, obriga a classe dominante a redobrados esforços de manipulação para explicar e esconder as causas e os responsáveis pela catástrofe.

Que nenhum Português de bem fique indiferente à verdade dos factos e diga que não foi avisado. Não é possível perder mais tempo, porque já nos desconstruíram o melhor das nossas vidas e, simultaneamente, colocaram-nos na antecâmara do fascismo. 
Obrigado Agostinho.

Depois da Europa connosco, da Adesão à CEE, do euro, sempre apresentados como caminho de sentido único e inelutável e garantia do paraíso na terra, os portugueses não precisavam de se preocupar com essa coisa da produção nacional. (Houve quem teorizasse sobre a desmaterialização da economia - na nova economia, não precisávamos nem de agricultura nem de produzir, ferro, cimento, ácido sulfúrico!) Não precisávamos de nos preocupar com o endividamento externo e o financiamento do Estado. Abrigados sob a asa protectora da União Europeia, do euro, estávamos a salvo das crises monetárias e financeiras. União Europeia que regularmente ia despachando para Portugal uns milhares de milhões de euros…como contrapartida à destruição do aparelho produtivo!

Não te queixes, querida amiga


Augusto Alberto

Sou Maria, tenho 52 anos, sirvo almoços numa cantina escolar através de uma empresa de trabalho temporário e ganho 190 euros por mês. Neste meu novo trabalho percebi que há meninos que vem para a escola com fome. E pergunto. Já comestes? E eles dizem-me, não. Os meninos tem fome e às vezes eu também, porque aquilo que ganho, somado com aquilo que o meu marido ganha, não chega. Tenho três filhos e as dificuldades são muitas”.

Esta conversa, ouvia neste dia 23 de Abril de 2012, 38 anos após o 25 Abril e 42 anos após me enfiarem na prisão e posteriormente me terem enviado para a guerra, como punição superior. E na esteira desta desgraça, leio também, neste dia, que a polícia, enfatuada, não está para aturar arruaças, durante as comemorações do dia 25 Abril. Pasmo e pergunto: Mas o que é isto? Onde chegamos? À antecâmara do fascismo? Quase, porque o Povo tem andado a brincar com o seu próprio destino, numa espécie de roleta russa. E por isso, não será tarde para que um galfarro de um ministro nos venha, com ajuste e bonomia, anunciar:  por decisão do meritíssimo governo, as comemorações do 25 Abril estão suspensas, porque a Nação não se pode dar ao luxo de perder esse dia de trabalho.
Miguel Cadilhe, espécie de espirra-canivetes da economia, dirá, por ventura, “sim senhor, é preciso trabalhar mais”, em linha com o seu saber, que nos diz, também neste dia 23 de Abril de 2012, que Portugal não deveria ter entrado na “união monetária e na moeda única”…mas hoje não devemos sair.
Queres saber, tu, Maria quase miserável, o que acho que deverá ser dito deste intrincado estado de coisas. Que vão pró caralho, porque a verdadeira causa estrutural da nossa miséria, é essa quadratura do círculo, autêntico saco, onde entram do mesmo passo, os gatos ricos e os gatos pobres. Lugar, onde em cada momento, os primeiros, os gatos ricos, vão comendo as papas na cabeça dos segundos, os gatos pobres. A esse saco de gatos, onde cabem 80% dos que votam PS/PPD/CDS, chama a caudilhagem, democracia.
E se tu acreditas, Maria, então não te queixes querida amiga.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Abril é uma trincheira (III)


O facto da Associação 25 de Abril demarcar-se das comemorações oficiais do 25 de Abril é forte motivo de reflexão. Transporta-nos para a evidência de que o 25 de Abril não foi cumprido. 
Houve, é certo, e não se pode negar, uma mudança no poder económico, mas de curta duração diga-se, uma vez que uma década passada esse mesmo poder económico regressou às mãos dos mesmos. 
Vistas bem as coisas, Portugal passou de um país atrasado e colonizador, para um país atrasado e colonizado, ou seja, ocupado. Em que as classes dirigentes, as ociosas, detentoras do poder, ganham com a situação. 
O apelo da A25A ao patriotismo para salvar o país, a liberdade e a democracia significa que batemos no fundo. Significa que se não nos batermos pelos ideias de Abril, o colaboracionismo, a capitulação poderá custar-nos muito caro, talvez o preço da dignidade.
Quanto às comemorações oficiais, se as houver e acredito que sim, serão o expoente máximo da hipocrisia e  uma afronta aos trabalhadores portugueses e ao regime democrático que, afinal, todos desejamos.

domingo, 22 de abril de 2012

Por cá o trabalho é barato e, se quiserem despedir, não custa nada


Augusto Alberto


Nicolau Santos, director-adjunto do Expresso, fuzilou o primeiro-ministro Passos, mais o Presidente da República e respectiva entourage. Construiu, com a calote cerebral activa, um texto datado, que só diz meia verdade, que zurze demolidor no PPD/PSD. A outra calote mantem-na em stand-by, porque cala as malfeitorias antes realizadas pelo Partido Socialista, a solo ou acompanhado, pelo PPD ou CDS.

É necessário que se diga, sim senhor, que o deficit já vem do tempo de Cavaco Silva, quando, como bom aluno que foi, nos anos 80, a mando dos donos da Europa, decidiu, acabar com as Pescas, a Agricultura e a Industria…Bruxelas pagava então, aos pescadores para não pescarem e aos agricultores para não cultivarem. O resultado foi uma total dependência alimentar, uma decadência industrial e investimentos faraónicos no cimento e no alcatrão… e uma classe de novos muitíssimo-ricos.
Mas manda a verdade histórica dizer, também, que a destruição do aparelho produtivo industrial, alimentar e financeiro, teve o seu tiro de partida, no dia 24 de Novembro de 75, quando se deu inicio ao agiornamento de classe e consequente ajuste de contas. Todas as decisões tomadas, desde então, sempre vendidas na convicção de que serviriam para melhorar a virtudes da democracia corrente e o enriquecimento da Nação, à uma, tiveram o efeito perverso de nos puxar sempre para mais fundo.
É redutor levar o enxovalho unicamente a Cavaco e Passos, ainda que custe quebrar amarras ideológicas. De todo o modo, se o poder do “espêsso” é grande, então saibamos que foi dada a primeira indicação para a alternância, porque começam a escassear garantias de Passos, Álvaro e Gaspar, após o trabalho sujo. Serão, por sua vez, chamados a turno, os corifeus e belzebus, da esquerda democrática, (dixit Assis), antes que chegue trovoada da grossa. Mas seja como for, não nos deveremos descentrar do que fica.
E o que fica, foi o que disse a deputada Apolónia: “Venham, venham. Por cá o trabalho é barato e se quiserem despedir, não custa nada”.

sábado, 21 de abril de 2012

Wilmer Moreno e René Schneider


O assasinato do General Wilmer Moreno do exército venezuelano cheira-me a mais um horrendo crime do imperialismo.
Não é por nada, mas noto uma terrivel analogia com um  outro assassinato, entre muitos como se entende, ocorrido em 1970. O do General René Schneider (na imagem). Estou convencido que estamos perante uma reprise do Projecto FUBELT.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Decreto-Lei nº496/80, de 20 de Outubro


Não creio que os indigentes que desgovernam o país em nome dos seus donos, sejam anafados e improdutivos banqueiros, pouco escrupulosos megamerceeiros ou outros quaisquer tratantes, sejam analfabetos. E como não creio que não consigam ler um decreto-lei, sou obrigado a pensar que governam à revelia de qualquer lei, seja ela mesmo a Constituição.
Pelo menos a deduzir por este Decreto-Lei nº496/80, de 20 de Outubro, que ainda não foi revogado, mas que também deve ser apenas um pormenor de pouca importância. Importante mesmo é agradar aos donos. Chamo a atenção para o Capítulo IV, Artº 17º, nas Disposições Finais. Diz o seguinte: "Os subsídios de Natal e de Férias são inalienáveis e impenhoráveis"
 Ao que chegámos. É vital acabarmos com a ladroagem.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Vade retro, sacripantas

Augusto Alberto

O dr. Mário Soares discorreu desta feita sobre o retorno do fascismo. Não deixa de ser curioso que os que nunca se coibiram de lembrar que o fascismo se pôs em hibernação, e por isso foram vitimas de azedumes, desconsiderações e até chalaça, vejam agora reconhecidos os seus receios, e logo da parte do insuspeito “pai” da “democracia”.
Contudo, acontece que o Dr. Soares, sempre lisonjeiro, não consegue explicar a natureza do facto. Sofrerá o pensamento do Dr. Soares de entorse, erosão, ou pior ainda, má consciência?

Soares é o pai da democracia que conhecemos. Empenhou-se até ao tutano na sua construção e, nesse afã, não prescindiu do apoio de conhecidos caceteiros e homens fascistas, que o 25 de Abril não conseguiu anular. Entrou em viagens mais ou menos conhecidas pelo Portugal profundo e reaccionário e pediu apoio a conhecidos revanchistas europeus, que nunca esqueceram humilhantes derrotas. Dinheiro e demais meios para financiar esta “democracia” nunca lhe faltou. Evidentemente que quem colhe semelhantes ventos, semeia desgraçadas tempestades. E elas ai estão. Aliás, a moscambilha é de tal modo tenebrosa, que até um sector reservado e insuspeito como a igreja, se achou no dever de vir a terreiro denunciar umas das matrizes do fascismo: o ensino superior é só para os meninos de família endinheirada da Nação.
Chegados aqui, convêm reafirmar que é uma pena que o “pai” da “coisa”, cujo pensamento não vai além do chinelo, se mostre incapaz de nos explicar porque nos atolamos. Talvez um dia sejamos forçados a levantar Reagan e Thatcher, de quem foi companheiro de estrada, para nos explicarem como se armou a ratoeira.
De todo o modo, olhai em volta e logo vereis que os obscuros descendentes continuam por ai a papaguear as mesmíssimas virtudes. Vade retro, (josés, zorrinhos e proenças), demais sacripantas e belzebus, que cuidam que com pão e circo se mantêm a quietude.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Lá vamos, cantando e rindo...

Uma grande negociata para os grupos privados, e uma machadada, mais uma, no Serviço Nacional de Saúde. Aliás, uma política com resultados catastróficos noutros países.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Pingodoçar-se


Em qualquer língua os neologismos aparecem quando menos se espera. A portuguesa não foge à regra. Exemplos há muitos, seria enfadonho estar aqui a enumerá-los. Mas na língua portuguesa, e será isso que também contribui para a sua riqueza, eles aparecem no Brasil, em Angola, Portugal, e por aí fora, nos mais variados contextos, tendo a ver com as necessidades da própria linguagem...
No nosso caso, ou seja, neste pequeno rectângulo, temos uma nova palavra, que é o que significa "neologismo". Pode ser utilizada como verbo, substantivo ou mesmo como adjectivo. Tem um senão: só pode ser usada, ou praticada melhor dizendo, por "intelectuais" de uma certa craveira...
Ora chegue aqui.

sábado, 14 de abril de 2012

Corrente "Passos Coelho"


Recebi-a do "Outra Margem".
E aqui estou a espalhar a transcendental missiva. Aí vai:


PS(D): Corrente iniciada com retumbante êxito no caradelivro por Leonilde Santos.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

O galo e os milhafres


Das figuras mais importantes do artesanato português, o galo de Barcelos, cuja lenda tem origem nos confins da  época medieval, tornou-se também um símbolo do turismo nacional.
Aqui pode ler um pouco da sua história.

O que deu em escória, nunca dará matéria-prima

Augusto Alberto

Em tempos, apaixonei-me pelos materiais e, sobretudo, pela sua resistência. Recolhi bibliografia e visitei, entre outras, a velha e derribada Siderurgia Nacional. Nessa viagem pelo mundo dos materiais percebi que o sub-produto da fusão e transformação da matéria bruta em matéria-prima, a ganga, escumalha, ou escória, só tem um destino: o lixo!
Por isso fiquei de certo modo incrédulo com o apelo de Luís Filipe Meneses, às vezes também conhecido pelo senhor Luís Filipe às Vezes, dirigido ao Partido Socialista, a propor a própria reciclagem. Infausto e desconchavo, porque mesmo alinhavando a dialéctica, como se percebe, também nem toda a matéria social é passível de reciclar. Para melhor entendimento, aí vai um exemplo:
Ontem, no Parlamento, o Medicis, Macedo, fez bem em lembrar que nesta coisa do fecho da Maternidade Alfredo da Costa, a decisão começou a ser tomada em pleno governo socialista de Correia de Campos. Aliás, se bem nos lembramos, em matéria de saúde foi exactamente o Correia quem mais mandou fechar. 
E adiante, porque sabemos que Marta quando morre, morre farta, convêm não esquecer o enorme monte de escória em que se tornou o BPN, que começou a ganhar forma com os amigos do Cavaco, mais o próprio, (abaixo a amnésia), continuou a avolumar, mal, com o governo socialista de Sócrates e acaba bojudo, e sobretudo, farto e sortudo, (bravo Amaral), no actual governo do PPD/CDS, de Passos e Portas. E o que dizer, do senhor Filipe às Vezes, que montado no corcel de Presidente do PPD/PSD intentou, em 6 meses, derrubar o governo socialista?
Ora, o que dizer? Uma fraude e um embuste. Porque como se comprova, o que deu em escória, nunca dará matéria-prima. 

Abril é uma trincheira (II)


"Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
é meu amigo também"
(...)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O novo mercado


O PSD não gosta do aspecto visual do novo mercado municipal cá da paróquia. Daí ter apresentado uma proposta que o meu amigo Agostinho aqui reproduz. Acontece que ele também não vai lá muito à bola com a proposta laranja e avançou com outra, mas sem mostrar sequer uma maquete.
Como também não engracei muito nem com uma proposta nem com outra, aí em cima vai a minha. Pretende ser  uma pequena mas simbólica homenagem aos dois grandes partidos responsáveis por esta trapalhada toda, e os únicos que têm governado o município, desde sempre e a seu bel-prazer. Têm, há já mais de 20 anos a esta parte, sempre feito o pleno na vereação: 9 eleitos em 9.
Dizeis vós que agora não, que na actual vereação está o Movimento Figueira 100%. Mas se pensardes bem, veréis que vai tudo dar no mesmo.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Augusto Alberto: "Em Portugal, infelizmente, o Remo ocupa um lugar secundário"

Entrevista

Augusto Alberto é o treinador de Filomena Franco, a atleta da selecção paraolímpica que irá disputar os próximos jogos, em Londres, e que, recentemente, como fizemos referência, passou a representar a Naval 1º de Maio.
Com a proximidade do maior evento desportivo do planeta, quisemos saber como decorre o projecto, das possibilidades do remo português, bem como do seu futuro.

- Que objectivos estão traçados para a tua atleta, ou, por outra, que perspectivas existem?
- Manter o lugar conseguido no último campeonato do mundo será um bom resultado. Ainda que um lugar acima, vitória na final B, ou seja, o 7º lugar, seja possível.
Aliás, um resultado entre o 4º e o 8º dá direito a diploma olímpico, que em caso de continuidade com vista aos próximos jogos permite a bolsa olímpica. Mas sabemos que os países que realizam um recrutamento orientado, procuram atletas com um grau de deficiência o mais baixo possível, o que permite níveis de utilização motora mais eficazes. Infelizmente a Filomena, com um grau de deficiência alto, não é beneficiada. Assim, a obtenção de um diploma seria um grande resultado.
Porque é bom lembrar que a Filomena utiliza unicamente os braços e as espáduas para mover o seu barco. Está impedida, porque a lesão é demasiada alta, de utilizar um pouco que seja o tronco. As suas adversárias levam vantagem porque conseguem, muitas delas, utilizar algum tronco, apesar de tudo.

- Tendo em conta esses condicionamentos, os resultados não têm sido maus. Permitem acreditar ser possível chegar à Final A?
A atitude da atleta perante o treino e a competição sempre foi de total empenho, e a partir do momento que as suas competências se valorizaram colocou-se ao nível de uma atleta de alto rendimento e alta competição. O volume de treino está em linha com o que de melhor fazem os melhores atletas. O número de treinos semanais oscila entre os 11, 12, quatro horas diárias em média… um volume de treinos de cerca de 15 quilómetros diários a que se soma o treino de força.
Normalmente faz 3 competições internacionais por época. O volume e a qualidade de treino visam evidentemente tentar estar presente no dia 3 de Setembro na final que decide as medalhas. Acontece que temos a consciência que a tarefa é enorme. Repito, um resultado que permita o diploma paraolímpico será um grande resultado.
De qualquer maneira, para além dos resultados desportivos ficam também, para a atleta, os grandes ganhos físicos e na auto-estima, que é coisa que não pode ser esquecida.

- Impossível não falar, uma vez que com a dita crise se investe menos na cultura e no desporto, nos apoios que têm. Já que é público que há muitas federações de modalidades amadoras em dificuldades.
A Federação Portuguesa de Remo considerou desde a primeira hora muito importante este segmento do remo, muito valorizado pelo facto de a modalidade passar a fazer parte do programa olímpico. Contudo, apesar do reconhecimento federativo, o percurso tem tido algumas dificuldades, sempre ultrapassadas com a vontade da atleta, do treinador e da Federação.
A atleta, desde Dezembro de 2010 é credora de uma bolsa mensal atribuída pelo Comité Paraolímpico Português. De momento, tudo, do ponto de vista material, estrutural e logístico, está garantido até ao fim do projecto.

- A Filomena passou a representar a Naval. Este facto não quererá dizer que depois do teu percurso pela Federação, desde a selecção A, a selecção sub-23 e agora a paraolímpica, estará a ser ponderado o teu regresso ao clube? Ou pensas continuar para outro ciclo olímpico?
O quadro competitivo oficial em Portugal destina-se à competição de clubes, pelo que em competição oficial não há lugar à competição individual. Entretanto, a relação com o clube de origem, por razões que não vêm ao caso, acabou. E assim, havia a necessidade da atleta se filiar na FPR representando um clube, sob pena de não competir em Portugal. O que seria um erro e uma vergonha porque estamos a falar da atleta mais qualificada do remo nacional.
Estando nós em Montemor-o-Velho a treinar seria óbvio ser o clube de lá a beneficiar com a atleta, mas, por contra-senso, lá não há remo. E, como aconteceu muitas vezes que viemos para a Figueira para fugir ao frio de Trás-os-Montes, a Naval sempre disponibilizou as suas instalações náuticas. Foi uma razão justa para escolhermos o clube.
Agora, não será correcto fazer uma avaliação idêntica em referência ao treinador. É muito cedo para decidir. Mas, por precaução, sigo a velha máxima, a casamentos e baptizados não vás sem seres convidado. Aliás, começa, ao cabo de mais de 35 anos, a ganhar vontade, apesar de estar nos 63, de voltar à velha paixão, a corrida. A serra e a praia esperam que volte.

- Então, a continuidade na selecção, para outro ciclo olímpico, está posta de parte?
Bem, a atleta em Londres fará 37 anos. Terá 41 no Rio de Janeiro. Será demasiado velha? Superará a qualificação em 2015? Esta é a dúvida que se lhe coloca. E se obtiver uma classificação que lhe garanta, em caso de continuidade, a bolsa olímpica, o que fará? Só a atleta pode decidir, naturalmente.

- Que futuro para o remo português, como modalidade olímpica?
O Remo, no quadro do movimento olímpico, é uma das principais modalidades. Aliás, na Nova Zelândia é a principal e em países como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, holanda, Roménia, Grécia, Eslovénia, etc, o peso da modalidade no conjunto das restantes é muitíssimo grande.
Em Portugal, infelizmente como muitas outras, ocupa um lugar secundário. Sabe-se das enormes dificuldades que passa a totalidade das modalidades amadoras. Contudo, apesar de não ser uma modalidade de massas, porque não se pode remar em todos os lados, a modalidade tem crescido, sobretudo no segmento de remo para veteranos, o que é muito curioso. Mas também é verdade que a modalidade, desde algum tempo, salvo duas honrosas excepções, o double-skull olímpico e a Filomena, é uma modalidade para consumo interno. Creio mesmo que temporalmente as coisas têm vindo a acentuar essa negação.
Não basta ser campeão nacional ou ganhar a competição que dá acesso à equipa nacional para qualificar o atleta. Desde esse estádio até ao momento da plenitude internacional vai ainda um longo tempo. As competências decorrem de longos anos de trabalho. O actual modelo não ajuda a qualificar os atletas com vista a uma carreira internacional.
Mas o remo vai ter em breve uma oportunidade única. No fim do ano, em linha com o início do novo ciclo olímpico, o remo terá oportunidade de tomar posse do CAR em Foz Côa. Estarão reunidas as condições estruturais, logísticas, financeiras e, sobretudo, um plano de água de excepção e único para que a modalidade possa ir à procura de um novo modelo de alta competição, muito próximo do que de melhor se faz na modalidade.
Desse modo, a potenciação de resultados internacionais e a boa imagem desportiva dos seus melhores atletas trará para a modalidade novos benefícios.
Não aproveitar o que de bom ali se está a fazer será pura incompetência e a modalidade pagará caro.

terça-feira, 10 de abril de 2012

MATERNIDADE ALFREDO DA COSTA


Inaugurada em 1932, a Maternidade Alfredo da Costa  foi a primeira, em Lisboa, a ser concebida e construída de raiz.
Como até a besta que "exerce" o cargo de ministro da saúde (e estou em crer, também as que exercem os restantes cargos) sabe, é, de facto, um importante estabelecimento público de saúde. O seu encerramento será, assim, importante na estratégia da política em curso de liquidação do Serviço Nacional de Saúde.

No rescaldo do "derby"


Quase 24 horas depois do grande "derby" da capital do império, entre penalties e não penalties, marcados e por marcar, o mundo continua a girar.
Se no próprio dia o preço dos combustíveis aumentou para um record nunca antes visto, no após ficamos a saber que a Caixa Geral de Aposentações vai pagar 21 novas reformas douradas já a partir de Maio. Quer dizer, nem sequer esperam pela final da Taça de Portugal. Também, é mais penalty, menos penalty.
Ficamos ainda a saber que os palhaços que nos (des)governam gostam de desgovernar ás escondidas, tipo serviços secretos, pelo menos foi o que fizeram com a suspensão das reformas antecipadas, nem contaram pra ninguém.
O que ainda não ficamos a saber, embora deduzamos, é se vão ser precisas mais medidas de austeridade. Presumo que na altura certa saberemos, vai ser assim a modos que um livre directo. 
Mas para o rescaldo não ser assim tão negativo, há a feliz noticia da possibilidade do senhor Silva de Boliqueime e ex-investidor do BPN deixar de dizer alarvidades. Balha-nos ao menos isso, pronto.
Mas, a sério, lá que foi um "derby" e tanto, lá isso foi.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Em dia de "derby"...

... o  "pontapé no coiro" lá vai cumprindo o seu papel social. Qual crise qual carapuça.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Abril é uma trincheira (I)

Numa época em que todos os valores vindos com Abril parece que perdem o sentido, defender Abril é lutar por eles.
Referimo-nos a valores e direitos que foram conquistados, a pulso, com muitas lutas, com muitos sacrifícios.
Porque o poder está cada vez mais nas mãos do inimigo, sem aspas, inimigo mesmo, refiro-me, claro está, ao inimigo de classe.
O “aldeia olímpica” tem sempre, todos os anos em Abril, comemorado a data libertadora. Estamos numa altura em que comemorar não faz muito sentido, tantos os valores, direitos, liberdades que se estão a perder. Muitos deles e delas seriam inalienáveis, se vivêssemos num estado de direito. Faz, portanto, mais sentido lutar. Para que Abril não perca o sentido.
Em 2008 recordamos Abril com textos de José Martins. Que o António Agostinho lembra,hoje, e muito bem, no seu blogue.
O Zé foi, é, indubitavelmente, uma figura incontornável da Figueira da Foz. Nome maior do jornalismo local, sem dúvida esquecido por via das suas opções políticas.
Por muito difícil que fosse, não direi que é porque já não existe essa coisa de jornalismo amador, militar no jornalismo local por amor á camisola, por muitos sacrifícios que se tivessem que fazer, e foram feitos, foi um prazer trabalhar com o Zé, um orgulho que não escamoteamos. Antes, reivindicamos.

Grande Sporting


Nos dias 26, 27 e 28 de Abril o Sporting disputa 3 meias-finais europeias, em modalidades diferentes. A primeira é o encontro da segunda mão da Liga Europa, em Futebol, em Bilbau frente ao surpreendente Athetic.  
No dia seguinte discute a presença na final da UEFA Cup, em Futsal. Tem pela frente o poderoso Barcelona, mas a boa noticia é que Leonel Messi não joga disto.
E logo a seguir, são três dias seguidinhos, é a vez da equipa de Andebol tentar a presença na final da Taça Challenge. O adversário são os suiços do Thun.
Uma curiosidade: o SCP é, juntamente com o Barcelona, o clube com títulos europeus em mais modalidades.
Futebol, Andebol e Hoquei em Patins em comum, mais o Basquetebol para o Barcelona e o Atletismo para os "leões".
Uma vitória no Futsal faria do Sporting o único clube com vitórias internacionais em 5 modalidades.

O beijo

Augusto Alberto

Porque se beijaram, Passos Coelho e Portas, no último congresso do PPD/PSD? Paixão? Atracção? Vanguarda nos costumes? Nada disso!
Para festejar. A vitória em toda a linha do grande capital, especulativo e financeiro. Houve um dia em que o tiro lhes saiu pela culatra. Perderam guerras, puseram-se a jeito e permitiram a construção de modelo social e político diferente.

Depois recuperaram e saíram vencedores desse novo modelo, ao cabo de uma longa batalha. E inclusive, derrubaram muros e convenceram muita gente de que após derrubados, chegaria a verdadeira democracia e o tempo das cerejas e do mel. E agora, agiornados e em velocidade de cruzeiro, dizem como se faz e fará. Para que se perceba, mais do que palavras de um tipo celerado e comprometido, deixo aqui o que foi dito. “Os valores da solidariedade e da inclusão são eixos do modelo social europeu, mas, tal como existe hoje, não é sustentável a prazo. O modelo social europeu está morto e cabe aos Governos da zona euro avançar com reformas que sejam sustentáveis”. Pensamento do presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi. Draghi é um cavaleiro global, que foi muito claro ao dizer que os compromissos sociais, induzidos pela experiência socialista, nos estados capitalistas, são para deixar cair.
Vem aí uma nova versão da selva, que se vai dar a conhecer por uma repartição da renda, em que para os leões vão milhões e para os macacos vão tostões. É a selvajaria, rabiscada segundo a curva que índica o índice de GINI, que chegará em forma de embuste. Carro, trabalho e casa, mais os espantosos gadgets e a casa inteligente, que de tanto porfiar, deixará o dono na mão da banca, de que Draghi é príncipe, e um dia, de tão exausto, erguerá o pano branco da derrota e dirá: “Já não durmo. Já não bebo. Já nem como…”.
E agora, só me resta a insolvência. Está, pois, calmamente a ser explicada a quem serve a derrota do Socialismo. Dai o beijo que celebra uma vitória, mas que sela, de todo o modo, a derrota dos Povos.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Defender o SNS


Dia 14 de Abril, inserida na Marcha em defesa do SNS, promovida pela União de Sindicatos de Coimbra, uma concentração na rotunda dos HUC, pelas 15h00.
O Serviço Nacional de Saúde é uma das conquistas de Abril.
Sabendo que os 8 mil milhões de euros que já estão empenhados pelo Estado e pela Caixa Geral de Depósitos, no BPN chegariam para pagar durante 4 anos a comparticipação a 100% de todos os medicamentos receitados em ambulatório em todos os hospitais e centros de saúde há que lutar contra o aumento brutal das taxas moderadoras, dos medicamentos, contra o encerramento de serviços, centros e extensões de saúde.
Contra as políticas fascizantes, contra as tentativas de retrocesso ao 24 de Abril temos de exigir um SNS público, universal, geral e gratuito

segunda-feira, 2 de abril de 2012

1º de Abril: a mentirinha


A nossa mentirinha do 1º de Abril foi a estadia de um dos porta-aviões americanos na Figueira da  Foz. Até que seria plausível, como aliás, a CMFF arranjar o transporte, aéreo ou marítimo, para as visitas. Ficava bem mais barato do que a idiotia de gastar 60.000 euros num concurso de ideias para o areal da praia. Cujos projectos são para serem deitados ao lixo, ou, quando muito, colocados num museu para memória futura. Não sei é se há museus de idiotia, mas prontos.
 Assim se gasta o dinheiro dos contribuintes, distribuindo-se pelos amigos.

O suíno e a sêmea

Augusto Alberto


Paulo Rangel, deputado no parlamento europeu, assentou violenta catilinária sobre aqueles que, do seu ponto de vista, só conseguem ver nas brumas a democracia económica e social, esquecendo a democracia política. Por uma vez entendo o deputado Rangel, porque tem sabido, como poucos e com brilho, usar a sua democracia política e as suas e nossas liberdades, para conseguir chegar à sêmea e resolver a sua democracia económica e social. Ao contrário de milhões de portugueses que, de posse da mesma democracia política e mesmas liberdades, ainda não acertaram no modo de conseguir resolver a sua democracia económica e social. Mitigados, é seguro, só lhes dá para o desemprego. Para salários de cão. Para a falta de dinheiro para o médico e os medicamentos, e com beneplácito para dormir debaixo de uma montra, cujos néons ajudam a mostrar a nudez. Alguma, por onde passa o deputado para comprar o fato de notável.

Assim a modos como os cardeais católicos de Roma, que só usam seda e cetim e estolas de arminho. Aliás, na posse da democracia política e das fundamentais liberdades, o deputado Rangel faz-me lembrar um porco que, depois de ir à gamela e com a barriga cheia, espalha-se, satisfeito, a resfolgar pelo chiqueiro.
Mas em linha com a democracia de que fala o deputado, quero aqui dar nota de uma conversa que apanhei, após um zapping pelas tv’s, de uma senhora, que nos confidenciou que o seu filho com 23 anos, atirado para o desemprego, teima em conseguir trabalho e, pasmada, disse, até uma oferta de 300 euros por mês lhe foi feita. E ainda uma outra, com um salário de 750 euros, mas tinha de dispor de automóvel e gasolina. E depois dos desabafos, rematou: “Votei nesta gente e fui enganada e por isso, nunca mais votarei seja em quem partido for”.
Ora cá está, como não há razões para temores e tremores. A fazer fé nesta enraivecida portuguesa, e demais, bem pode estar descansado o deputado europeu, Rangel, porque não corre o risco de não ser reeleito e de deixar o chiqueiro.

domingo, 1 de abril de 2012

O navio-escola Sagres

Há momentos, quando atracava no cais comercial da Figueira da Foz
(foto: alex campos)

Em Junho, "Enterprise" na Figueira da Foz

Por ocasião das Festas de S. João, em Junho, o porta-aviões americano "USS Enterprise" visitará a Figueira da Foz. Ficará aberto  a visitas da população, mas devido ao elevado calado fundeará ao largo, garantindo a CMFF transporte para as visitas.
O "Enterprise" foi o primeiro porta-aviões nuclear a fazer parte da marinha de guerra dos Estados Unidos, foi construido em 1961 e saírá de serviço em 2015, altura em que será substituído pelo "USS Gerald R. Ford", que está em construção.

Quem não sai aos seus

cartoon de F.Campos