segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Angola à frente de Portugal (croniqueta global, em três andamentos e onde se fala da América Latina e tudo)

1.
Quem diria? O capitalismo em Angola está muito mais desenvolvido do que em Portugal. Porquê, não faço a mínima ideia. Ou os angolanos são mais competentes ou os portugueses são mais distraídos.
E isto para além do desenvolvimento económico atingir índices de crescimento muito positivos, a fome, a miséria das classes trabalhadoras são muito mais acentuadas. E o nível de vida muito mais baixo. Num país reconhecidamente riquíssimo, é obra. Significa que as desigualdades sociais, uma das características do capitalismo, são realmente muito mais acentuadas.
Um outro pormenor que contribui para este avanço de Angola é-nos dado pelo jornalista angolano Wilson Dadá, no seu blogue “Morro da Maianga”. Sobre o caso “Face Oculta”, em Portugal, diz-nos ele que uma investigação deste tipo em Angola nunca teria necessidade de se chamar “face oculta”. “Aqui é tudo a descoberto. Aqui a malta tem muita coragem, é muito mais indómita, muito mais intrépida. Aqui a malta tem de facto “tomates”.
E Wilson exemplifica o “desenvolvimento”: “Os dez mil euros que o “pobre” do Mandinho é acusado de ter recebido em Portugal do sucateiro do bigodinho, aqui, qualquer dia, já nem para gorjeta vai servir.
O pobre do Mandinho aqui seria imediatamente condenado e ostracizado pelos seus pares locais por manifesta e incompreensível falta de ambição e brio profissional.
Aqui é tudo muito a sério.
Aqui é tudo em grande.
Por alguma razão Portugal cabe inteirinho 14 vezes em Angola.”
2.
Onde o capitalismo tem tido alguma dificuldade em meter a pata é na América Latina. Mas, apesar disso, tem lá um rincão onde está muito à frente da média global. Na Colômbia, repara-se que não têm necessidade de fundarem centrais sindicais paralelas, ou amarelas, como queiram, para dividir e enfraquecer o papel social do trabalho. Lá, pura e simplesmente se assassinam os sindicalistas, os militantes de Esquerda e mais quem se opuser à sua vontade.
Claro que não estou desiludido porque na Europa, e particularmente em Portugal, o capitalismo não ter atingido ainda um grau de desenvolvimento tão acentuado. Para lá caminha, ainda que o processo seja muito lento. Mas sabe-se que um dos seus processos de sobrevivência é colocar os trabalhadores europeus ao nível dos seus congéneres doutras paragens.
E pode passar despercebido esse processo, mas que está em curso, a ganhar um maior ritmo, lá isso está.
3.
Num serviço noticioso da televisão vejo a cobertura da chegada dos leaders da América Latina para a conferência. A coisa está tão, tão globalizada, tão aceite que o jornalista refere-se a Raúl Castro, Hugo Chaves e Evo Morales, para dizer que não vieram, como os “controversos”. Porquê? Porque não se põem a jeito do capitalismo internacional, vulgo imperialismo? Está visto o que toda a gente sabe, mas agora é às claras: a globalização é a submissão dos povos a um padrão único. Também sou controverso.
Agora imaginem que não tivesse vindo gente decente. Acham que seria legítimo que eu dissesse que a reunião é só para filhos da puta? Claro que nunca diria.
Pronto, está bem, não diria, mas pensava. Lá isso pensava.
(gravura pedida emprestada ao Cantigueiro)

sábado, 28 de novembro de 2009

Carlos Lopes: atleta do centenário



«Não sei se é um prémio justo, é uma dádiva das pessoas que me conhecem e uma perspectiva de futuro para estes jovens que estão a começar. Recebo-o com muito prazer e muito carinho».

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Comité Olímpico de Portugal: 100 anos



O Comité Olimpico de Portugal faz hoje 100 anos. É o 13º comité olimpico mais antigo.
O seu presidente, Comandante Vicente Moura, concedeu hoje ao jornal desportivo "A Bola" uma entrevista, da qual extraímos algumas passagens.

“Portugal tem o mais baixo índice de prática desportiva da Europa e o menor número de atletas federados, cerca de 450 mil, sendo que metade destes são do futebol.
Em Portugal há 5 federações olímpicas que não têm mais de 100 praticantes. Falta profundidade no nosso desporto.
Temos poucos atletas, poucos talentos, trabalho incompleto e depois queremos resultados iguais aos dos países desenvolvidos. Temos de trabalhar mais e melhor”.




"- Quando perdemos o comboio para os espanhóis?
- Nos anos 80. Quando eles perceberam que ganhavam o mesmo número de medalhas que nós e elaboraram um plano de construção, como os alemães fizeram e a que chamaram o plano dourado.
Assim, cada povoação com 5 mil habitantes tinha de ter um pavilhão, uma piscina de 25 metros, um capo de futebol e uma pista de atletismo. Com isto espalharam a rede de infra-estruturas pelo país. Depois, na fase seguinte, o governo central, juntamente com as autarquias, colocou técnicos nos pavilhões, nas piscinas, a trabalhar com as crianças. O número de atletas aumentou imediatamente. Em seguida criaram os centros de alto rendimento e, por último, criaram a associação de modalidades olímpicas, uma espécie de fundação do Estado, do CO e da rádio e televisão nacionais. Todos os sponsors que davam dinheiro à instituição para as bolsas dos atletas recebiam publicidade gratuita na televisão e na rádio.
Em 1992 organizaram os Jogos de Barcelona e conquistaram 23 medalhas. Hoje Portugal já nem no Hóquei em Patins compete com Espanha. Perdemos muitos anos… "


Como se vê, não tínhamos que inventar absolutamente nada. Nem sequer alterar, ou cumprir, a Lei de Bases do Desporto. Bastava tão só copiar.

Diferenças

Derivado do meu mau feitio fico sempre indisposto quando as minhas análises políticas são postas em cheque.
E numa dessas profundas e profícuas análises em que, por vezes, me dou ao luxo de esforçar as poucas celulazinhas cinzentas que me restam, chego à óbvia conclusão que o PS e o PSD são iguaizinhos, nos seus tiques e nos seus vícios, na forma, em última análise, de exercer o poder.
Se um tem o seu “BPN” outro tem a sua “Face Oculta”. Se um conseguiu elevar a taxa de desemprego para perto dos 10%, não devemos exasperar porque, num regime plurarista bi-rotativo a vez também há-de chegar ao outro. Se um tem fátimasfelgueiras, o outro tem isaltinosmorais. Se em Alcochete um tem o Freeport, na Figueira da Foz o outro tem a Ponte Galante. E por aí fora. Se a linguagem futeboleira fosse para aqui chamada diria que estamos perante uma marcação homem-a-homem. Pronto, está bem, partido-a-partido, neste caso.
Vem este arrazoado todo porque Fernando Campos concluiu que entre eles há diferenças. Chama-lhes “tradições distintas”. Ele foca as relações com o mundo da cultura.
Tive que reler mais atenciosamente a exposição, sob pena de ter de modificar a minha análise.
A conclusão a que cheguei é que, felizmente, não preciso de alterar absolutamente nada. A diferença é, sobretudo, de índole estética, embora aqui e ali com uma adaptação táctica. Os objectivos são exactamente os mesmos.
Façam o favor de ler e tirarem as vossas próprias conclusões.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A cada Povo o seu gulag

Augusto Alberto

Soljenitsin morreu triste e desolado, porque a sua Rússia tornou-se madrasta e não foi capaz de ser a grande mãe Pátria com que sonhou. Soljenitsin foi o grande dissidente soviético, que o ocidente acarinhou. Escreveu sobre os gulags do frio e do desterro na Sibéria.
Não sei o que pensava sobre o muro, se calhar achava que não fazia sentido. Também eu. Mas se fosse vivo saberia que afinal o grande capital não está a construir um, mas vários e, isso, quem sabe, talvez o embasbacasse. Mas tem a importância que tem, se connosco, aparentemente, tudo está bem? Também não creio que acreditasse que os comunistas comessem criancinhas ao pequeno-almoço. Aliás, não tinha essa prerrogativa, porque não era comunista, mas eu que o diga, porque quando por lá andei, acabei por provar, aos fiapinhos na famosa sopa “porche”, nem sei se é assim que se diz, que me desculpem, mas creio que no, mínimo soa. Da injecção atrás na orelha, também se livrou, porque sabemos que morreu no fim e por isso não sentiu a picada. Mas consta que morreu meio místico e quase tolo, com o ocidente e a própria Rússia, depois do trabalho feito, a esquecê-lo e a cagar-se para as suas derivas.
Vem isto a propósito de outros gulags, os anglófonos. De uma assentada, desataram dirigentes da Commonwealth a jorrar arrependimento pelo modo como construíram os seus. Há uns tempos atrás, ficamos a saber que respeitáveis colégios, situados em lugares mais ou menos remotos da ilha, fizeram todo o tipo de desaustinadas tropelias a meninos deserdados. A sodomia foi uma e talvez a mais brilhante peça da perdição pela carne tenra, dos ministros de deus, anglicanos, na terra. E mais recentemente a Austrália, que recebeu do Reino Unido, com promessas de leite e mel, milhares de meninos, indigentes, à mercê da fome e do frio, muitos sem conhecimento dos pais, pediu perdão por maus tratamentos infligidos. Outros foram enviados para outras terras quentes e distantes, como a África do Sul, também a Nova Zelândia, também o Zimbabué.
Houve uma espécie de encenação, porque parecia que tudo estava bem. Mas a verdade é que aqueles gulags, esconderam lágrimas de amargura e vergonha, enquanto o mundo discutia a democracia e as liberdades, porque era o que dava jeito.
Pena que por ali, nem um, sequer um, tivesse vertido para o caderno registo de semelhantes abusos. Hoje saberíamos com mais rigor como afinal, cada Povo, pode ter o seu gulag. Muitos de nós fomos tomados pelo espanto e podemos achar que estes foram ocasionais acidentes, mas com os Ingleses saibamos que acidentes assim podem acontecer, porque o seus anglicanos capitalistas e banqueiros, sempre foram muito irrequietos não admirando que o gosto pela escravatura e pela carne, num gulag destes, possa ser a perdição de um bando de patifes de sotaina ou montados em cavalos espicaçados por afiadas esporas, como é usual em terra de vaqueiros e latifundiários.
Vejam só, como uma brilhante coroa pode estar repleta de espinhos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

25 de Novembro: um testemunho

O rescaldo do 25 de Novembro

"Fascistas, extrema-direita legalizada, PS, PPD e CDS não se conformaram com a saída do golpe de 25 de Novembro.
Logo no dia 26, o PPD num comunicado da Comissão Política, e o PS num comício no Porto, “exigiram” a saída dos comunistas do VI Governo Provisório. O CDS reclamou, não só a saída dos comunistas, como a sua própria entrada.
Continuou e ganhou furiosa intensidade a campanha reclamando medidas repressivas concretas contra as forças revolucionárias, nomeadamente contra o PCP.

Em Janeiro de 1976, é relançado o terrorismo: 64 atentados, dos quais 47 à bomba. Nas forças Armadas instaura-se uma hierarquia tradicional com oficialidade da direita. São postos na prateleira os oficiais de Abril, incluindo aqueles que tinham dado uma contribuição determinante para os dois resultados contraditórios do golpe de 25 de Novembro: por um lado, a abertura do poder político e militar à contra-revolução e, por outro lado, a derrota dos que pretendiam desencadear uma vaga de violenta repressão.
Na ofensiva desestabilizadora teve particular significado a campanha contra o Presidente da República general Costa Gomes, visando a sua demissão.
Costa Gomes desempenhara importante papel no Pronunciamento de Tancos e no afastamento de Vasco Gonçalves. Mas contrariava e recusou a acção e planos das forças mais reaccionárias, e a ilegalização e repressão do PCP. Considerou, como disse tarde, que o PCP representou um papel positivo na saída da crise político-militar no 25 de Novembro.
Expressou-se, na sua linguagem muito própria, dizendo que “no 25 de Novembro houve um partido que, ao contrário do que por aí se consta, teve uma actuação muito sensata: o Partido Comunista Português” (Revista Indy, 27/11/98).
Além disso, a contra-revolução, nomeadamente o PS, não lhe perdoava que, embora iludido acerca das possibilidades reais, tivesse encarado a saída da crise com a formação de um governo PS-PCP. Não lhe perdoavam que, no 25 de Novembro, embora dando cobertura institucional ao golpe militar, tenha contrariado que o resultado fosse uma vitória das forças mais reaccionárias. Não lhe perdoavam a conhecida intenção de assegurar que a Assembleia constituinte finalizasse o seu trabalho aprovando a Constituição.
Como o PCP então alertou,
a ofensiva desestabilizadora das forças contra-revolucionárias nos meses de Dezembro, Janeiro, Fevereiro e Março colocava como de importância determinante a passagem urgente da situação democrática provisória, extremamente instável, incerta e perigosa, para a institucionalização do regime democrático consagrando as conquistas da revolução, ou seja, a importância determinante, na situação existente, da aprovação e promulgação da Constituição da República.
Pela luta do povo, pela acção dos militares contrários à instauração de uma nova ditadura e pela firme actuação do PCP e outros democratas defensores de um regime democrático, esse objectivo foi alcançado.
Até ao último minuto, tentaram provocar a demissão do Presidente da República. Mesmo quando considerara já inevitável, com o “Pacto MFA-Partidos”, que a Assembleia Constituinte iria aprovar a constituição, as forças contra-revolucionárias acalentaram esperanças de que, uma vez a constituição aprovada, e o texto enviado para Belém, ainda Costa Gomes fosse forçado à demissão antes de poder promulgá-la.
Não o conseguiram.
No dia 2 de Abril de 1976, o Presidente da República deslocou-se à Assembleia Constituinte para assistir à votação e aprovação final da constituição e ali mesmo, na Assembleia, a promulgou."

Álvaro Cunhal, in “A verdade e a mentira na Revolução de Abril (a contra-revolução confessa-se)”

25 de Novembro de 1975: a morte do 25 de Abril


Muitos mistérios e dúvidas prevalecem ainda acerca destes acontecimentos. Dúvidas se foi um golpe de Direita ou de Esquerda. E que interessa que se mantenham integrados no velho e arreigado vício de lavar a História. De a compor. Já que há tentativas de Direita para fazerem crer que foi um golpe de Esquerda.
Estes tristes acontecimentos vêm no seguimento do que se passou durante o chamado “Verão Quente”, em que toda a Direita (desde o PS ao ELP-MDLP, o braço armado da Direita) se não cansou de desestabilizar com acções terroristas desde o incêndio à embaixada espanhola, passando pela rede bombista e pelos assaltos às sedes de partidos de Esquerda, nomeadamente do PCP.
Mas não admira. Não só porque a luta pelo poder envereda, não raramente, por este tipo de violência, mas também porque tendo Portugal saído de uma ditadura fascista teve também a estranha característica de nunca ter havido a desfasciszação do regime. Quer dizer, as suas forças mantiveram-se intactas. Não houve julgamentos, nem culpados nem condenações. Muitos crimes ficaram impunes.
Este acontecimento antecedeu as eleições. Mas mesmo assim não resisto a fazer um paralelismo com o facto de que sempre que a Esquerda ganha eleições sucede-se ou uma guerra civil ou um golpe de estado. Foi assim em Espanha ou no Chile. Mais recentemente nas Honduras. Ou as tentativas, por enquanto fracassadas, na Venezuela. Para citar só alguns exemplos.
Numa resenha histórica sobre o 25 de Novembro publicada pelo jornal “O público”, domingo passado, não vislumbrei nenhuma acção menos “democrática” levada a efeito pelas forças de Esquerda. Pelo contrário, acções terroristas perpetradas pela Direita como o bombardeamento da Rádio Renascença são elucidativas. A fuga dos seus dirigentes para o Porto, onde uma manifestação de apoio ao governo culminou com um assalto à sede da União dos Sindicatos, denuncia claramente as intenções, pouco democráticas, da Direita.
Enquanto isso, num debate na televisão Mário Soares acusava Álvaro Cunhal e o PCP de quererem instaurar uma ditadura. Faz lembrar a estratégia do “mundo civilizado” para invadir o Iraque sem escandalizar muito a opinião pública: a referência até à exaustão de uma mentira. A de que Saddam possuía armas de destruição maciça.
Prevalecem muitos mistérios. Hão-de prevalecer.
Mas não será à Esquerda que isso interessa.
Entretanto, lá temos de nos amanhar com a "democracia" parida em Novembro.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ajudem o Henry


Não me querendo meter na nova polémica futebolística, a que divide os puristas ou tradicionalistas (ou sejam lá o que forem), isto é, aqueles que defendem que o erro faz parte do jogo e aqueles que advogam a introdução das novas tecnologias, sempre vou dizendo que, apesar de gostar de ver esse jogo, o considero o mais desleal que existe. E só porque permite mesmo a batota, desde que se consiga enganar quer os árbitros quer os adversários, deturpando a verdade desportiva de uma maneira completamente impossível noutras modalidades. Casos como este, ou diferentes, não faltam.
Dos adeptos do futebol estamos conversados: consoante a equipa de quem são adeptos seja beneficiada ou prejudicada, vão mudando a perspectiva.
Quem não se está a ralar com isso são os franceses. Inventaram um jogo de perícia, que consiste em ajudar o seu atacante, Thierry Henri, evidentemente, a marcar golos à Irlanda.
Com a mão, pois claro.
O jornal online "maisfutebol" divulga-o aqui. Devo dizer que consegui 45 golos. Atrevam-se...

domingo, 22 de novembro de 2009

Perguntas pertinentes


Porque o governo Sócrates já não respeita nada nem ninguém?

Porque o cargo de Governador Civil, efectivamente, já não vale nada?

Porque é urgente voltarmos a falar de regionalização... mas desta vez, a sério?


Se não souber as respostas, sempre pode, aqui, encontrar algumas dicas
.

sábado, 21 de novembro de 2009

Um desafio


Fui desafiado por uma amiga, a poetisa Ana Tapadas (blogue Rara Avis) para completar estas 5 frases:
Eu já…
Eu nunca…
Eu sei…
Eu quero…
Eu sonho…

Então, com grande sacrifício, lá vai disso:

Eu já… tenho idade para ter juízo (mas enfim)
Eu nunca… fui ao Brasil (e tenho pena)
Eu sei… apenas que nada sei (Esta foi o Sócrates que me ensinou; as outras juro que é verdade)
Eu quero… paz e sossego (utopias)
Eu sonho… com uma Terra sem amos


Respeitando as regras, devo desafiar outros 5 blogues, que devem indicar de quem receberam o convite.
Portanto, são estes, por alfabética ordem, os (in)felizes contemplados:
A Tribuna do Marreta
Circunvagante
Momentos na Madrugada!
O que eu penso
Outra Margem

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

“Dia Nacional da Consciência Negra”, no Brasil


"Preservar a memória é uma das formas de construir a história. É pela disputa dessa memória, dessa história, que nos últimos 32 anos se comemora no dia 20 de Novembro, o “Dia Nacional da Consciência Negra”. Nessa data, em 1695, foi assassinado Zumbi, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, que se transformou em um grande ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade. Para o historiador Flávio Gomes, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escolha do 20 de Novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao 13 de maio: “os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse”.

In "Balaio Porreta 1986"



Sinceridade

sou sincero
eu gostava de ser negro
gostava de ser um joe louis, um louis armstrong
um harrisson dillard, um jess owens,
um leopold senghor, um aimé cesaire, um diopp
gostava de ritmar
de dançar como um negro.

sou sincero
eu gostava de ser negro
vivendo no harlem,
nas plantações do sul
trabalhando nas minas do rand
cantando ao luar da massangarála
ou nas favelas da baía.
eu gostava de ser negro.

e sou sincero...


Ernesto Lara Filho (poeta angolano)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Do desemprego e do lodo (croniqueta sobre uma hipocrisia)


Patrões e sindicatos estão preocupados com os números de desemprego, dizem as noticias. Consta-se que poderá já ultrapassar os 10%.
Se do lado dos sindicatos essa preocupação é naturalmente genuína, uma vez que os torna enfraquecidos por muitas e várias razões, entre as quais a diminuição do seu poder reivindicativo, a defesa dos interesses e direitos dos seus associados, do lado do patronato parece-me estarmos perante uma hipocrisia sem limites. É sabido, aliás é dos livros, que o desemprego favorece, entre outras coisas, a política de baixos salários, o que contribui para um aumento dos lucros com muito menos investimento.
Pensa-se que com a continuidade desta política, no final de 2010 Portugal tenha muito perto de um milhão de desempregados. E não vejo vontade, nem interesse da parte do governo ou de quem o sustem, de mudar este estado de coisas.
E não sei se os milhares de trabalhadores precários estão incluídos nas listas de desemprego. E o desemprego diminui, também, com o emprego de qualidade. Que não há. Serão milhares os casos e os sectores onde poderemos assistir ao que se acaba de dizer.
Um caso flagrante é os dos portos. Aqui na Figueira da Foz, como em qualquer outro porto. A título de exemplo, o porto da Figueira da Foz movimentava há cerca de 15 anos cerca de 600.000 mil toneladas de mercadoria/ano. E dava lucro. E tinha cerca de 80 estivadores.
Nos últimos 3 anos esse porto ultrapassou o milhão de toneladas/ano. O número de estivadores não chega a uma dúzia.
E como é isso possível? Perguntais vós. Simples, aos poucos a situação nos portos regressou à que era antes do 25 de Abril e que tão bem é retratada no filme de Elia Kazan “Há lodo no cais”. Os operadores têm uma lista de desempregados, superior aí umas dez vezes ou mais ao número de trabalhadores que precisam e diariamente vão chamando os que precisam, aleatoriamente ou… bem. Este tipo de contrato diário, além de ser uma violação dos direitos do homem, é uma outra nuance de trabalho precário.
Mas há um modernismo nesta coisa. Os trabalhadores não têm de se posicionar à frente do portão, como antes. Esperam que o telefone toque às 07h30 da manhã. Se não tocar lá têm de ir à vidinha procurar emprego. O que é, digamos, uma tarefa utópica. Mas os operadores portuários, para só citar este exemplo mas que serve para outros sectores, aumentaram os lucros fabulosamente.
Estarão eles preocupados com o desemprego? Sinceramente não me parece.

O porto da Figueira da Foz

fotos: António Marques
















segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um Jardim excêntrico


Alberto João Jardim continua igual a si próprio. Mas desta vez, as suas declarações não são só excêntricas. São mesmo irresponsáveis. Como homem de estado que é, pelas responsabilidades governativas e partidárias que tem desempenhado, pelo facto de ser cidadão português, não se pode dar ao luxo de dizer que não está interessado em saber o que se passa na Sicília hispânica. Deveria, isso sim, estar interessado e preocupado.
É grave que não esteja.

O S. Martinho

Augusto Alberto

Esteve o nosso Presidente da República em Torres Vedras, no passado dia 11 de Novembro, para comemorar os 200 anos da edificação militar das linhas de Torres, que resistiu com fibra, ao avanço das tropas de Napoleão rumo à capital. Evidentemente, que já na altura, um exercito monco só conseguiu parar uma tropa mais apetrechada porque a tropa inglesa ajudou. Sós, com um exercito de camponeses pobres e mal arrumados, era tarefa inglória e a pátria sofreria nova vergonha.
Mas deixemos as questões da glória para reter o trabalho jornalístico que teve a oportunidade de cobrir a cerimónia. Estava o nosso Presidente na arenga, como convêm em semelhante momento, quando a câmara se desvia e foca um grupo de jovens, pela pinta, do ensino secundário e avançou com a pergunta sacramental e da praxe:
-Sabes o que se comemora hoje aqui? Resposta lúcida e de rompante: - o S.Martinho.
Eu acho que a História volta e meia fica possuída de um desejo de recordar tudo de rostilhão. Ainda na véspera, e muito bem, claro está, a queda de um mito, o muro de Berlim e, logo após escassas horas, comemora outra fortificação, em pedra, ainda que não seja um muro.
Em ambos, dando de barato a pedra e o cimento, como elementos na estrutura física, não creio que os factos históricos, sobre os acontecimentos estejam bem contados. Só assim é possível entender que o jovem aluno de Torres Vedras, à pergunta, tenha respondido escorreitamente:
- aqui, comemora-se o S. Martinho.
Evidentemente, que do ponto de vista da história Pátria, não estamos perante uma boutade, mas de geral ignorância. E porquê? Porque eu há 50 anos aprendi exactamente, na minha escola primária, o que foi o plano fortificado das linhas de Torres e por isso, dá a ideia que às vezes as coisas só sabem andar para trás e não há como engatar. Se assim é, então eu sugiro que num tempo de comemoração da queda de um ícone, há 20 anos, da comemoração da criação de uma estrutura de defesa militar, contra as investidas de gente louca, há 200 anos, e porque ainda anda muita gente a trocar o passo, que se leve adiante aquela proposta da Drª Ferreira Leite, que diz: - congele-se a democracia pelo menos por 6 meses. Ora aqui está, como uma proposta terrorista, feita por uma democrata, provavelmente nos daria tempo para a gente pensar sobre a pátria, que muitos amamos.
Contudo, neste instante, talvez eu fosse um pouco mais longe, no aproveitamento da terrorista achega, propondo que se congele antes as elites deste país, porque com elas, este pais não passará de um S. Martinho, onde com castanhas e vinho, se entretêm o povinho.

domingo, 15 de novembro de 2009

País de sucata

A propósito da sucata, e dos sucateiros, começarem a usufruir de uma certa importância na condução dos destinos do país, é bom lembrar que há “objectos” que são transformados em sucata pela simples razão de que não há inteligência ou sensibilidade ou interesse para os preservar, atendendo, justificação suficiente, à memória histórica que transportam.
Aqui ficam uma fotografia de João Viana e um texto de Carlos Freitas.



"Para quem não saiba os barcos também se abatem. Morrem e são enterrados em cemitérios que podem ser encontrados um pouco por todo o lado junto às cidades portuárias. Mostramos um desses cemitérios na Figueira da Foz, desencantado pelo olhar do "shipspotting" e fotógrafo figueirense João Viana. A sua fotografia mostra em primeiro plano a "campa" onde jaz a antiga piloteira "Coutinho Garrido". Esta embarcação esteve ao serviço da corporação dos Pilotos da Barra da Figueira da Foz durante boa parte do século XX. Ultrapassada a sua época esta lancha-piloteira, assim é designado este tipo de embarcação que transporta os pilotos da barra a bordo dos navios comerciais que pretendem demandar o porto, fornecendo todas as orientações para as manobras de passagem da barra figueirense, zelando igualmente pela segurança da navegação no interior do estuário, por vezes, e isso verificou-se em muitas ocasiões, esta serviu também como rebocador, acabou por vir morrer aqui. Ostenta (ostentava) o nome de um prestigiado oficial da Marinha portuguesa, encontrando-se no estado de conservação que se pode observar. Aguarda, muito provavelmente, que o camartelo do progresso avance na margem sul do Mondego. Raras são as cidades que ostentam vestígios do seu passado recente que não procurem preservar. Algumas cidades contudo deixam morrer esse património identitário. A Figueira da Foz é uma delas. Cidade pobre em monumentos deixa morrer pequenas jóias que podem (e deviam) ser reabilitadas, contribuindo deste modo para a preservação da memória de uma das instituições mais importantes localmente: o seu porto. As novas gerações figueirenses desconhecem a história e significado do porto da cidade onde crescem e vivem muito por culpa deste enorme descuido na preservação do seu património físico. Os barcos são parte integrante da paisagem local, da história e memória figueirense. A "campa" da "Coutinho Garrido", mostra que esta se salvou, até hoje, de ir parar à sucata. Talvez algum estranho desígnio a tenha enviado para este cemitério à espera de ser ressuscitada. Quando? "

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Empresas portuguesas lideram em Angola

A noticia não é muito surpreendente, uma vez que cá na Europa, no ano nono do século XXI, são frequentes as que nos informam que trabalhadores portugueses são escravizados e explorados seja em Espanha, Inglaterra ou Holanda. E que a maioria dos empresários é portuguesa.
Desta vez, em Angola, um encontro de sindicalistas do ramo da construção e habitação concluiu que os empresários portugueses lideram as violações aos direitos dos trabalhadores, segundo uma reportagem no jornal on-line AngoNotícias. Nas violações constam o não cumprimento da Lei Geral do Trabalho e da Lei Sindical. Numa palavra, e em português mais vernáculo, exploraram até mais não, e pelos vistos, com a passividade e consentimento do governo angolano.
Albano Calei, secretário-geral do Sindicato da Construção de Benguela, onde as empresas portuguesas são as maiores empregadoras, afirma que estas têm dificuldade em aceitar a constituição de comissões sindicais e chama a atenção para atitudes prepotentes evidenciadas por muitos gestores.
Se a liberdade sindical em Portugal está a ser coarctada não admirará muito. Bem, em Angola também não, mas nunca pensei que o governo, dito do MPLA, fosse…, quero dizer, que se pusesse a jeito para um outro modelo de colonialismo.

Há “cães” na blogosfera


Não sei se será despiciendo dizer que a blogosfera figueirense ficou mais rica, nem isso importará muito. A novel, mas já bem rodada, banda de punk-rock “Cães Danados” acaba de se estrear no universo blogosférico da foz do Mondego. Um espaço onde vão divulgando a sua actividade, desde as músicas, com influência de várias vertentes do rock e letras que focam os vários problemas actuais com que a sociedade se debate, passando pelos concertos, que já não são tão poucos como isso.
Pronto, quer dizer, enfim, nunca estamos tão mal que não possamos estar pior.
Se quiserem lá dar uma saltada, é por aqui.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Como o cubo de Rubik

Augusto Alberto


Estava uma manhã como gosto na Figueira. O céu de um cinzento de poalha que se ia afogando na curva do mar. A temperatura estava de ocre, quente, e por isso, o convite estava feito à manhã desportiva. Convertido, quase, às longas caminhadas pelo vasto areal, que com as obras de prolongamento do molhe, caminhou adiante, entre a Figueira e Buarcos, bem mais de 50 metros, cruzei-me com gente, que me acusava há 40 anos de maluco, porque a corrida foi sempre a minha grande paixão, e hoje, estão eles convertidos à paixão da marcha.
O mar estava de lavadia e as gaivotas, por isso, estavam plantadas na praia, famintas, num bando de centenas. Passei por um amigo e disse-lhe: - as gaivotas estão ali à espera do bom tempo. Ele, como é costume e óbvio, disse-me exactamente o contrário: - estão recolhidas do mau tempo. Olhe que não, aquilo é uma farsa, estão à espera do bom tempo para se fazerem ao mar e à pesca, devolvi.
Mas antes da caminhada, tinha acabado de ler o jornal regional de referência e topo com a notícia e a fotografia do jantar de desagravo ao que foi eleito para Presidente da Assembleia Municipal, mas que acabou por não ser. Estiveram mais de 50 figuras, disse o jornal, porque eu não sei, como é óbvio. Só não disse quantos socialistas de gema estiveram, mas isso, em rigor, se calhar era difícil. É certo que na fotografia o que deveria ser Presidente da Assembleia Municipal mas não foi, tinha ao seu lado o Presidente da Câmara socialista, que também não consta que seja socialista bacteriologicamente puro. Sendo assim, será preciso recompor o cubo, como o de Rubik. Mas isso demora tempo.
Os 50 desagravos estiveram, a meu ver, recolhidos do mau tempo político, e construíram uma farsa, embora, talvez estivessem sentados à espera do fim da borrasca politica, como as gaivotas na praia, mas para isso, vão ter que esperar que o camarada Paredes e o Dr. Lidio Lopes, ao que se diz, mandem arrear o tempo e isso é coisa que a gente não sabe por quanto tempo.
Ora aqui está como a politica na terra gosta da farsa como as gaivotas. Quem diria que o raciocínio e os actos, dialécticos, por cá, se alinham pela natureza?

Angola: Prémio Nacional de Cultura e Artes


O escritor, jornalista, professor e publicitário angolano João Melo, de quem já aqui publicamos uma crónica sobre a chegada da Gripe A a Portugal, venceu o Prémio Nacional de Cultura e Artes-2009, na disciplina de literatura. É a mais alta distinção do estado angolano, atribuído pelo Ministério da Cultura.
Na música o contemplado foi Carlos Burity.
Estes prémios são de periodicidade anual e contemplam as artes plásticas, cinema, teatro, dança e investigação em ciências humanas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

E a noite de cristal?


por Augusto Alberto

A 9 de Novembro, Berlim assistiu à parada das estrelas e mais uma vez, à humilhação dos vencidos. Tem sido sempre assim desde que a experiência socialista se arruinou.
Confesso que aquela gente me provoca náuseas, porque não pára de fazer mal e é metodicamente arrogante.
Aprendi que mesmo que não discorra por onde ando, pelo menos pela cagada dos passos sei quem passa. Independentemente das paixões, das análises e opções, não me engano se disser, que quem por Berlim passou, não é gente credível. De Walesa, falará a história um dia. Mas aquele Barroso, que teatro. Como pode glorificar a paz, tamanha figurinha, que começou com, numa mão o livrinho vermelho, noutra a bombinha, passou a ministro do regime, por arquitecto de guerra e de momento, chefe de fila de uma matilha e por fim, figurante numa cena de teatrinho, com um papelinho, a derrubar peças de dominó. Que cerimonia! Esta figura já deveria estar a braços com um tribunal penal internacional, pelo modo como ajudou a desconstruir e a arrasar um país soberano, com custos materiais e vidas, que nem grandes histórias chegam para contar. Este senhor, se não fosse fazer parte desta casta, estaria a ferros, único lugar onde deveria buscar conforto. Essa cerimónia, tal como o tal tribunal penal de Haia, foi coisa para humilhar.
Mas porque não comemora esta gente também a noite de cristal de 1938, exactamente no mesmo lugar e à mesma hora? O grande capital alemão, hoje convertidíssimo à democracia, rejubilou com a ordem de Hitler a Goebbels, para assassinar, destruir sinagogas, lojas e residências de judeus por toda a Alemanha e Áustria. Dezenas logo foram chacinadas e entre 25.000 a 30.000 passaram para os campos de concentração. Estava dado o toque para um tempo, de inaudita violência e que deixou inúmeras sequelas, o próprio muro de Berlim, os dramas das bombas atómicas em Hirosima e Nagasaky, os 30 milhões de soviéticos mortos nas batalhas e a pior de todas as sequelas, a impossibilidade material de ainda hoje os palestinianos, vão mais de 60 anos, surpreendidos com um muro, que lhes rouba as melhores terras e águas, não terem a sua pátria para poderem viver em paz, como deseja qualquer democrata.
Naturalmente que a vergonha não consta dos manuais desta gente, e portanto, estas coisas só podem ficar, assim, hipócritas. De qualquer modo, Israel bem poderia lembrar que a 9 de Novembro também se comemora o início da chacina dos seus, a questão é que Israel se tornou um grande porta-aviões ao serviço desta gentalha e por isso, come bem e cala. Não admira que Bareboim tenha participado no embuste.
Cadeia é o que o Barroso e os seus amigos merecem e gente como a Senhora Clinton, ministra de um país que convive há muitos anos com a selvajaria e a miséria, inclusive no seio do seu próprio povo, não merece credibilidade.
Essa cerimónia, feita por gente que não é crível, assim, é uma raiva e um escarro.

11 de Novembro: valeu a pena?

Angola celebra hoje o 34º aniversário da sua independência. Apesar do alto preço que o povo angolano teve de pagar, duas longas guerras, claro que valeu a pena. Mas é sempre bom recordarmos, e termos presentes, as palavras recentes de Luandino Vieira:
“Ainda hoje acredito que é possível aquilo com que sonhávamos. Aprendi no Tarrafal que nem que dure 50 anos, 60 anos, a situação actual é apenas um desviozinho no curso da História. Claro que gostava de ver tudo isso em vida minha…”
Mas como também é dia de festa, recordemos uma das grandes vozes de Angola, Lourdes Van-Dunen, acompanhada pela banda N'Gola Ritmos, fundada por Liceu Vieira Dias, nacionalista e um dos grandes símbolos da música popular angolana.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

“Ou vai ou racha”, ou como pela boca morre o peixe

Augusto Alberto



"Ou vai ou racha” e lá foi. Pelos vistos o PPD/PSD, deu cabal andamento à consigna da candidatura independente, ou contra, só o Zé saberá, vencedora das eleições na Freguesia de Lavos. O Zé Elísio foi expulso, e a fazer fé no Zé, foi um acto sumário, porque, vejam só, o homem nem sequer recebeu nota ou foi ouvido. Fez-se justiça interna, disse o dirigente concelhio, David Azenha. Terrível, ou como um certo estalinismo baronete, pode ser democrático. A história continua, sobretudo, a ser feita de tragédias. Não é Zé?
O Dr. Renato Sampaio, líder da distrital do partido socialista do Porto, pessoa com quem me cruzo por vezes em viagem, se assim vos conto, é porque é uma figurona, e a gente logo o topa, disse que os 150 militantes a serem expulsos no partido socialista, não são de mais. A coisa está preta. Mas sempre vos digo que 150 militantes expulsos de uma só vez, é muita gente e por isso, aquilo não é uma simples expulsão, mas configura uma purga, bem ao estilo estalinista. Ora cá está, como uma purga pode cambar para o rosa. Quem diria! Mas adianto mais, que esta gente junta dará para fazer outro pequeno partido, como o do Dr. Monteiro, prontinho para aparecer durante a próxima campanha eleitoral, a propor a regeneração da Pátria.
Já vos aviso, que isto não está para rir. Será melhor começar a levar as coisas a sério.
Nós por cá, no meu partido, somos mais serenos e persistentes. Quando alguém tem tremideira, a gente primeiro tenta, em grupo, uma espécie de terapia. Dá-lhe a oportunidade de avaliar melhor as coisas. Pacientemente, o camarada tem a oportunidade de connosco, resolver as dúvidas a bem. Mas se o camarada não desarma e continua na dele então a gente passa à fase das votações e o camarada fica confrontado com a democraticidade da maioria e da minoria. Mas o camarada, democraticamente, nem assim. Não troce nem amola. Resolve então passar à fase seguinte e encontra-se com um desses jornalistas especialistas no frete, e vai para os jornais, e diz, que a democracia nos comunistas é uma treta. Merdas, dirá no fim, porque o pinto morre ainda no ovo. O regime acabou com a reciclagem, pois claro, e então o ex-camarada, depois de tanta terapia de grupo, e de um approach, acaba no esquecimento.
Mas sabei que não descansa, vai em frente, recuando, ao encontro da renovação comunista, em Itália, uma coisa pós Berlinguer e da oliveira um pouquinho mais tarde, mas de tão pouco, por cá, têm menos valor do que uma azeitona. O grupo, de quando em vez balbucia umas coisas, mas já ninguém os ouve. São defuntos.
Evidentemente, que a fazer fé neste vosso camarada comunista, afinal, pela falta de paciência e serenas oportunidades, o regime está cheio de puros caceteiros.
Não estão de acordo, bem sei, não me verão chorar, era o que faltava, mas seja como for, tereis de aceitar, que pela boca morre o peixe.


domingo, 8 de novembro de 2009

Petição: Acabar com a pesca em águas do Sahara Ocidental!



Decorre, desde, 06-11-2009, uma petição on-line a nível mundial contra o Acordo da União Europeia com Marrocos que envolve licenças de pesca no Sahara Ocidental ocupado.
Trata-se de um acto que envergonha a UE e cada um de nós europeus. A Europa, defensora dos Direitos Humanos e da livre autodeterminação do Povos, não pode pactuar e beneficiar dos recursos de um território sujeito a uma ocupação colonial, cujo povo foi impedido, até ao momento, de manifestar a sua vontade quanto ao seu destino. Afinal aquilo que, com indignação, Portugal e os Portugueses denunciavam internacionalmente face ao envolvimento da Austrália na exploração do petróleo de Timor-Leste, quando este território estava ainda sujeito à ocupação da Indonésia e que, justamente, levou o nosso país a interpor uma acção judicial no Tribunal Internacional de Haia contra o Governo australiano.
Como sabem, o processo que a ONU tomou em mãos e que deveria conduzir à realização de um Referendo Livre e Justo à população saharaui arrasta-se há décadas. Nem a UE nem qualquer outro país poderá beneficiar desta não aplicação do Direito Internacional.

Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental



A União Europeia está a pagar a Marrocos para poder pescar no Sahara Ocidental ocupado.

Protesta assinando esta petição neste endereço:

http://www.fishelsewhere.eu/index.php?parse_news=single&cat=139&art=1033

Lá calharás, remasnescentemente

Augusto Alberto

Há poucochinho, ali na avenida, perguntei a um socialista se já tinham descoberto o traidor e ele disse-me que não, e mais, que esta história no seu partido, calha bem com o ditado que nos diz que o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Lúcido este socialista, que ainda me disse, que apesar de a democracia, de novo, colocar o partido socialista a cantar de galo, tudo continua torto, como torto começou. E a verdade é que mesmo cantando de galo, o partido socialista não consegue fazer as pazes com o tempo e as suas próprias decisões. Sistematicamente, sabemos de histórias e factos de faca e alguidar, desamores e traições. Aliás, não sou eu que o digo, mas a voz do coordenador do secretariado local, Adelino Pinto, que nos contou histórias de encher o papo, próprias de histórias de “pintos”. O que nos disse, então, o coordenador “pinto”, acerca de uma assembleia municipal que deveria ter eleito o candidato do partido mais votado, mas elegeu o candidato do partido derrotado: Que seria importante conhecer os traidores e que o ofendido, mereceria um pedido de desculpas.
Fraco consolo, digo eu, porque o mal está feito, e porque os males, por ali, são endémicos, metódicos e insaciáveis. De qualquer modo, deixem-me aqui desalinhar.
Não discuto a natureza da traição, nem discuto se o candidato para a Presidência da Assembleia Municipal da maioria socialista, não tinha no PPD/PSD, as quotas em dia, mas tinha o eleito do PPP/PSD, ao que parece, e isso terá sido decisivo para o seu êxito. Mas discuto a natureza do tempo, porque no tempo do Partido socialista, há sempre um remanescente. Por outras palavras, na Figueira, afinal houve gente no Partido socialista, que remanescentemente resolveu ajustar as contas com as opções históricas e remanescentemente afastar quem foi eleito na lista do Partido socialista para ser Presidente da Assembleia Municipal, porque, bacteriologicamente, era impuro. Quer dizer, não era socialista e por isso, remanescentemente, houve gente que corrigiu o tiro, nem que para isso, tenha sobrado a ignomínia.
É bem feita, dirão alguns, para que se entenda que nunca nos devemos meter por atalhos, porque quem por atalhos se mete, tarde ou cedo, borra as botas. Nada de novo, creio, porque sendo a história velha, outros demoraram, mas aprenderam.
Ignominia! Pois então que seja, mas deixai que vos diga, que em casa de “pintos”, o que falta é um verdadeiro galo, um galaró, grande, de crista alta e atinado, pujante e sóbrio, capaz de a por em ordem.
Mas antes de ir, quero relembrar o apelo que aqui deixei, há tempos atrás, para que a Juventude socialista não ponha na reciclagem o seu cartaz a denunciar os contumazes responsáveis pelo atraso da Figueira da Foz, com a sugestão de alargar um pouco mais para a direita, porque, pela amostra, dentro de 4 anos, lá calharás.

Até o fim

sábado, 7 de novembro de 2009

Da A14 e da Madeira


Correia de Campos, ex-ministro da saúde, continua um homem muito distraído. Há uns anos, enquanto ministro, premiou os serviços da maternidade do Hospital Distrital da Figueira da Foz e, logo a seguir, pôs os figueirenses a nascer na auto-estrada A14, ao longo do percurso entre Figueira da Foz e Coimbra. Eu não entendo, acho mesmo um estranho paradoxo, mas os figueirenses não se importaram por aí além. Continuaram a votar garbosamente no”ps”, como se viu nos vários actos eleitorais do presente ano, quer o legislativo quer o autárquico.
O agora deputado europeu continua na sua onda de distracção. Pelo menos é o que eu consigo deduzir das suas declarações ao semanário “Sol” de ontem. Diz o inefável Correia de Campos que Jaime Gama é o melhor candidato a Belém. Está bem que ele disse da área socialista, mas deve ser só uma mera figura de estilo, fazendo o balanço entre diferenças e semelhanças entre a área socialista que ele refere e o resto das áreas neo-liberais.
Se tivesse um pouco mais de atenção saberia que Jaime Gama aprecia muito Alberto João Jardim, é um fã incontestável da sua obra e dos consequentes resultados da dita. Foi há cerca de um ano que Jaime Gama considerou o senhor da Madeira um grande talento. E um político combativo. E se é de políticos combativos que o país precisa penso que Gama terá feito a sua escolha. A menos que se contradiga, aliás uma coisa muito frequente nos socialistas.
Mas por via dessa distracção fiquei também a saber, com muita pena minha, digo-o com franqueza, que Campos não frequenta o “aldeia olímpica”.
Se o fizesse já saberia do encanto que João Jardim provoca no presidente da Assembleia da República. Era só descer para baixo (pleonasmo dedicado ao zé d’alhada que escreve primorosamente português) três ou quatro posts e ficava elucidado, podendo até melhorar a sua perspectiva acerca da coerência e outros atributos daquele que para ele é o “melhor candidato”.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A bronca de Quiaios



Não me referi à questão autárquica de Quiaios, a que provocou a demissão do presidente eleito, pelo simples motivo de que não tenho dados absolutamente nenhuns sobre o ou os diferendos que provocaram a situação. Li, claro, a posição das três forças em causa. Mas sinceramente não consegui tirar ilações absolutamente nenhumas de modo a permitirem-me formar uma opinião minimamente séria.
Mas uma vez que recebi um-mail de uma das forças com a respectiva leitura da coisa, que agradeço, deixo aqui linkadas as três versões:

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Já há pelouros...


Cuba, Hemingway e Obama



Pela 18ª vez consecutiva a ONU aprovou, na passada semana, uma resolução para por fim ao anacrónico bloqueio que há perto de 50 anos os EUA impõem a Cuba. Foram 187 países que votaram a favor, mais dois do que em 2008. Votos contra foram 3 (EUA, Israel e Palau) e 2 abstenções (Ilhas Marshall e Micronésia).
Esta votação, se não houvesse excesso de hipocrisia por parte de governos ditos democráticos, marcaria, sem dúvida, o isolamento dos EUA no concerto das nações. Marcaria já há uns anos a esta parte, pois as votações são sempre idênticas.
Mas desta vez há algo de novo, ainda que a luta contra o bloqueio tenha que continuar. Novo não para o povo cubano, nem para resto da humanidade com ele solidário. Mas para o presidente Obama: sempre tem uma oportunidade para provar que merece o Prémio Nobel da Paz. Até que é fácil: basta respeitar a votação da ONU. Mas ele não está preocupado com isso.
Entretanto, Cuba doou à Biblioteca Presidencial John F. Kennedy, de Boston, cerca de 3000 cartas e documentos dos Arquivos de Ernest Hemingway pertencentes ao Museu Finca Vigia, onde viveu o escritor.
Hemingway viveu em Cuba ente 1939 e 1960. Entre os documentos encontram-se as provas corrigidas de “O velho e o mar” e um final alternativo para “Por quem dobram os sinos”. E correspondência com Robert Capa, Marlene Dietrich ou Ingrid Bergman.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Papel histórico e coerência

Ainda sobre a eleição da Mesa da Assembleia Municipal, que provocou a natural demissão de Luís Tovim, o primeiro nome da lista do PS, uma situação a que os jornais se referiram como traição, pode-se diz que, na realidade, o"ps" foi igual a si próprio. É, naturalmente, secundário o número de “socialistas” que votaram na lista concorrente, ainda que eu tivesse contabilizado, numa contagem compreensivelmente pouco rigorosa, seis. Diz-se agora que o deputado do Bloco de Esquerda terá votado no “ps”. Pura especulação, já se vê, pese embora o Bloco estar para o “ps” como o CDS-PP está para o PSD. Portanto, mais um ou dois a mais ou mais um ou dois a menos, é irrelevante.
O que não passará despercebido é a atitude dos “socialistas”, perfeitamente coerente com o seu papel histórico de traidores e troca-tintas. É que sempre fomos habituados a ver esse partido fundado na Alemanha a defender uma coisa quando está na oposição e a defender o seu contrário quando está no poder. Assim como que se transfigura.
As imagens a seguir, um dos muitos exemplos, são elucidativas da imagem de marca dos “socialistas”. Não têm ideologia nenhuma, critérios alguns, estratégia alguma. Vão acompanhando a aragem, num oportunismo atroz.
Sempre ouvi dizer que só os burros é que não mudam, e por serem burros. Mas então culpo a comunicação social, os partidos da oposição na Madeira, culpo toda a gente por nunca ter reparado que Alberto João Jardim mudou. Uma coisa tão simples que até um dirigente do “ps” reparou. Ora vejam:

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Correlação de forças


"Já perdi um pouco a noção da verdadeira dimensão do enxame de casos de corrupção, compadrio, nepotismo, roubo puro, etc, etc, que tem assolado a nossa classe empresarial, a banca e alguns políticos laranjas, rosas e azuis/amarelos.

A dar-se o estranho caso de muitos destes cavalheiros e gentis-homens (e algumas damas) serem efectivamente culpados, acrescido do ainda mais estranho facto de serem "substancialmente" engavetados, quem terá, no pátio da penitenciária, a maioria absoluta ou relativa? Quem terá o poder lá dentro? Alguém conhece alguma sondagem? "


Post (foto e texto) bpnmente, bppmente, freeportmente, casapiamente, partidosocialistamente, penedalmente, varalmente, partidosocialdemocraticamente, enfim, totalmente roubado e copiado de http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/

domingo, 1 de novembro de 2009

Que a Oposicrática se mantenha calma

Augusto Alberto

A fazer fé em notícias da blogosfera, ficamos a saber que o Partido Socialista ofereceu o pelouro dos cemitérios à oposição. Logo a blogosfera politicamente se interrogou e mais coisa menos coisa, melhor conclui-o: -para quê, se já estão todos mortos.
A ser verdade e admitindo que o Partido Socialista levou à prática o conceito de que um pelouro se serve frio, considero que a conclusão é de todo precipitada. Aliás, do ponto de vista da táctica política, um clamoroso erro. Passo a explicar.
Bem sei que um cemitério, materialmente, é uma coisa triste e lúgubre, sem chá e, aparentemente, não será coisa para se dar, nem mesmo aos vencidos, a não ser que os vencedores fiquem retesos na eminência de lá entrar, e então, abrenúncio, passa. Também é certo, que o cemitério e a morte, carregam algum fétido enjoo, porque nem mesmo as flores lhe alteram a paleta, antes pelo contrário, muitas das vezes, acentuam-na. Mas se pensarmos bem, o cemitério, é um lugar de certezas, porque é a única desde a primeira hora, ainda que desde o primeiro segundo, a morte, não seja coisa para levar a sério. Podemos ser tudo enquanto por cá andarmos, pobres, remediados ou ricos. Viver em condomínio fechado ou aberto. Podemos ser doutores ou engenheiros, literatos ou pedreiros, fofinhos e amaneirados, e aí se quisermos, uma porta se abrirá no bloco de esquerda e se nos chatearmos por lá, poderemos zarpar e entrar noutra porta, sempre escancarada e rosada. Mas da morte, nunca nos livraremos. Não sabemos é o dia, mas confesso, que lá se ia o efeito surpresa e a surpresa é a melhor das prendas da vida, e então, perder-se-ia outra das coisas boas. Vejam lá se no bilhete de identidade logo fossem carimbadas hora e data!
Além do mais, não é dos mortos que deveremos ter medo, mas dos vivos. Dos mortos, ainda que se diga que algumas almas penadas de quando em vez sobejem por ai, sabemos de ciência certa que nenhum deles se levantou e tornou a endireitar, colocando-se de novo, de bem com a gravidade.
Então a ser verdade tudo o que aqui conto e registo, não creio que seja caso para recuos e desesperanças, até porque, voltando ao ponto da táctica política, recebendo a oposição o pelouro, sempre poderá ir tratando bem das coisas, porque ou muito me engano, num zapping, dentro de 4 anos, o pelouro poderá de novo ser servido a frio.
Aliás, recorrendo mais uma vez à blogosfera, ficamos a saber que ainda a gestão não saiu do adro, e os vencedores já cambaleiam em proveito da oposicrática, a não ser que se confundam, que desesperançada e sem saber como, começou a topar o buraco onde os vencedores de hoje, tombarão amanhã. Isto só vem provar, bem vistas as coisas, que o pelouro dos cemitérios, só poderá ser utilíssimo.
Gosto muito da máxima que diz: só vence quem luta, ainda que nem sempre se ganhe. Mas também gosto daquela que nos mantém a esperança: - que nunca se perde pela demora. Nem que a demora seja, pacientemente, uns longos 4 anos.

Tsunami na Tugália???





Estava tudo muito bem encaminhado, tudo numa boa, tudo nas maravilhas, condições propícias para se esquecer a crise, o pessoal com a moral em alta, com a auto-estima elevadíssima derivado das goleadas atrás de goleadas do glorioso SLB.
Eis senão, quando, assim de repente, os tugas caem na real. E voltam os índices de confiança ao mesmo, e o mesmo quer dizer o estado em que o país continua enfronhado. A perspectiva de um milhão de desempregados dentro de um ano, as faces ocultas e mais que aí virá…
Malhas que o socialismo penedal (ou varal?) tece.