sexta-feira, 30 de abril de 2010

1º de Maio, um dia de luta




Numa altura em que o capitalismo fascizante imposto pela globalização está cada vez mais a apertar o cerco, o 1º de Maio é mais do que uma jornada de confraternização, mais do que a festa dos trabalhadores. É uma jornada de luta.
Representado em Portugal pela tríplice descendência da União Nacional, derrubada em 25 de Abril de 1974, mas que nunca esteve, após essa data, no poder toda junta, só dois de cada vez (PS/CDS, PSD/CDS e PS/PSD), parecem agora criadas as condições para uma aproximação menos dissimulada.
Continua a ser preciso avisar a malta, pois a tríplice governativa nunca deixou os seus créditos em mãos alheias e a confirmar está o estado a que isto chegou, provavelmente não muito diferente do que estava em 24 de Abril de 74.

Amanhã, todos ao Jardim Municipal. Os que trabalham, claro.

A cultura do nabo

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Catarina, a grande


A campeã europeia de corta-mato júnior, Catarina Marques, disse ao “aldeia olímpica” que foi uma prova muito difícil, sobretudo os dois últimos quilómetros, mas que acabou por correr bem.
Sobre o que terá corrido mal nos Jogos Paraolímpicos em que a atleta da Sociedade União Operária ficou em 5º lugar, Catarina não procura justificações, embora as pudesse encontrar. Além de ter sido a primeira experiência internacional, (lembramos que Catarina era júnior de primeiro ano) refere-se simplesmente às características da prova, em que considerou o terreno muito duro e o tempo muito quente e húmido.
A prova foi em Taiwan, 3000 obstáculos, e para a atleta seria muito fácil referir-se às deficientes condições de treino que existem na Figueira, como aqui mostramos como se treina o salto. Mas, como diz o povo, quem não tem cão caça com gato.
O próximo desafio, segundo o treinador Fonseca Antunes, é o campeonato do mundo nos EUA, em Agosto deste ano.

fotos: alex campos

domingo, 25 de abril de 2010

"Outra Margem" festeja o 4º aniversário


Um dos mais vistos e actuantes da blogosfera figueirense, o blogue "Outra Margem", do meu amigo António Agostinho, faz hoje, 25 de Abril, 4 anos.
Daqui, de aldeia para aldeia, seguem os sinceros parabéns.
Venham mais 4.

De tudo o que Abril abriu (VI)

sábado, 24 de abril de 2010

Catarina Marques, campeã da Europa de corta-mato

foto: alex campos

A atleta da SUO Vais sagrou-se esta manhã campeã europeia para atletas com deficiência auditiva.
A jovem, de 18 anos, já estivera presente nos jogos Paraolímpicos para surdos, em Setembro último, onde obteve um 5º lugar na prova de 3000/obstáculos, com um registo que é, só, record europeu.
O não investimento no desporto pode afastar a atleta de uma interessante carreira internacional, salvo se lhe for proporcionado um trabalho compatível com a pratica do desporto a alto nível.
Um outro atleta da SUO está pré-seleccionado para os Jogos Olímpicos da Juventude. Trata-se de Pedro Ferreira, cuja marca de 6,80 metros no salto em comprimento não sendo record nacional juvenil é a melhor marca nacional dos últimos anos. No próximo dia 22 de Maio saber-se-à se Ferreira irá ou não representar o país.

De tudo o que Abril abriu (V)

Zeca é uma figura maior da música e da cultura portuguesas. É, delas, um valor absoluto. Também da luta contra a ditadura fascista, cujo derrube se comemora com o 25 de Abril. Qualquer evocação desta data sem uma referência a este grande poeta e professor de História, bem como a muitos outros como, por exemplo, Adriano, Samuel, Freire, Fanhais, Zé Mário, seria uma gafe imperdoável.
Aqui fica, no âmbito da evocação da data libertadora, um humilde tributo ao grande poeta.
Com um desenho do artista
Fernando Campos e com um link para uma entrevista ao poeta e professor, em 1970, onde se pode ouvir a voz do próprio artista.
Aqui.

Um concerto “danado”



A banda “Cães Danados” promete surpresas no concerto de primeiro aniversário, hoje à noite, 22h00, no DRAC, no campo de jogos do Cabedelo.
Com a primeira parte a cargo de outra banda figueirense, “Skarface”, os “Cães” vão partilhar o palco com outros músicos figueirenses, de outras sensibilidades musicais. A coisa promete.
Parabéns “Cães Danados”.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O brasão moderno


O socialismo moderno é total e absoluto. Os socialistas modernos, no poder na Figueira da Foz, vão-lhe mudar o brasão. Muito provavelmente para o adaptar às agruras da vida moderna. A esta hora já terão até aberto concurso.
Independentemente de eu pensar que o logótipo vencedor possa já estar feito, e que de entre dois ou três nomes que pudesse aventar estaria o vencedor, esta maquete, extra-concurso, é bastante sugestiva. E perfeitamente adaptada aos tempos hodiernos, como se pode ler, pois está tudo muito bem explicado.
Ide ver, e dizei de vossa justiça…

quarta-feira, 21 de abril de 2010

De tudo o que Abril abriu (IV)

Um dos prelos onde, durante anos e anos, os comunistas, na clandestinidade, imprimiram não só o jornal “Avante!”, como muitas outras publicações.
Não se saberá quantos prelos o Partido teve em funcionamento em simultâneo.
Um velho camarada, que com eles trabalhou anos a fio, também não me soube responder. Mas, mesmo assim, explicou: “Não faço ideia, mas olha camarada, houve situações em que a PIDE apreendeu-nos 4 ou 5, e o “Avante!”, mesmo assim, chegou sempre ao leitor”.
O primeiro número do “Avante!” foi publicado a 15 de Fevereiro de 1931 e, nos finais da década atinge, semanalmente, dez mil exemplares.
A partir de Agosto de 1941 não mais interrompeu a sua publicação regular, até ao dia 24 de Abril de 1974. É o jornal que durante mais tempo, a nível mundial, resistiu com êxito à clandestinidade.
Na foto de baixo, na exposição comemorativa do 25 de Abril no CAE, Lucinda Saboga, filha do dirigente comunista Agostinho Saboga, recorda a infância, uma vez que viveu com os pais na clandestinidade até aos 11 anos de idade.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Não foi no futebol. Porque haveria de ser?

Augusto Alberto

O Edu de Chaves, com os dois golos com que o Desportivo eliminou a Associação Naval 1º de Maio na meia-final da Taça de Portugal, ia abrindo por cá a discussão que há muito está fechada. Infelizmente, essa eminência não registou continuidade, e, ainda assim, esse curto fogacho foi feito de modo enviesado, como se tudo ficasse resolvido com a construção de um estádio, ainda que pequeno, para multidões que na maior parte das vezes não chega ao meio milhar.
Registo a este propósito a opinião do meu amigo Alex Campos sobre esta matéria, que defende que o futebol nesta terra seca tudo o que está à volta. Com efeito, entendo que este raciocínio é verdadeiro mas claramente curto. E porquê? Porque eu acho que é precisamente o futebol nesta terra que está, ou está em vias de estar, ele próprio, seco.
Vamos então à discussão, ainda que eu esteja, bem sei, a meter-me por atalhos.
Primeiro, será preciso dizer que não chega ter um estádio, ainda que pequeno, para que o futebol e a colectividade que o suporta, estejam a salvo. Se partirmos para a análise segundo três variáveis dinâmicas - as forças, as fraquezas e as dúvidas - logo verificamos que é melhor pensar que o tempo começa a ser escasso.
A propósito das duas primeiras dou um exemplo, para facilitar o entendimento:
No contexto das minhas inúmeras experiências, recordo a visita a um clube na cidade de Gant, na Bélgica. Numa sede, em que as madeiras, com quase 150 anos, continuavam a falar com as pessoas e a vida. Em cada mesa, muitas, havia gente simplesmente a tomar um café ou a refeição, e, à volta, a tertúlia. Ali estavam pessoas e afectos, que o tempo foi consolidando. Muita daquela gente esteve mobilizada para o evento internacional que ali se estava a realizar. Em resumo, aquele clube, para além da história, tinha quadros que respondiam pelo seu papel social. Ora, nos antípodas, convém perguntar como quer um clube, com história evidentemente, responder pelo presente e futuro se a possibilidade de beber um simples café e fazer desse acto um momento de afecto, não ser possível e em que a sua resposta social é claramente escassa? Esse é um clube em que a variável força é mais do que duvidosa, mas a variável fraqueza é muito clara. A terceira variável, a dúvida, também infelizmente não existe, pelo simples facto de pelo menos há trinta anos a discussão ter sido fechada. Recordo a figura de um homem muito influente, simultaneamente Presidente da Câmara e da Assembleia Geral da A. N. 1º Maio, que sempre fechou qualquer tipo de discussão à volta do clube. Em tempo de eleições, navalistas de corpo e alma assumiam que votar no presidente Aguiar era votar na Naval. A vida veio provar que a discussão fechada e as opções tomadas se revelaram do ponto de vista histórico, oportunistas. Aguiar procurou sempre solução para salvar unicamente o futebol. E neste contexto, quero aqui lembrar a péssima experiência que foi a passagem do Eng.º Vítor Duarte, empresário da construção civil, que cedo percebeu ao que tinha ido e rapidamente abandonou o clube, deixando-o à mercê de uma profunda crise. Foi evidentemente necessário procurar nova solução e ela recaiu no actual presidente, Aprigio Santos, que na perspectiva da salvação oportunista do futebol, foi um verdadeiro achado. Mas a pergunta que aqui deixo, é a de saber que clube se quer? E porquê? Porque no contexto de uma cidade como a Figueira da Foz, só há um modo de um clube se tornar importante. Pela sua oferta e comprometimento social, que inevitavelmente construirá afectos, quadros e respectiva dinâmica desportiva e social. Deste ponto de vista, o outro clube da cidade bem cedo percebeu como deveria agir, com todo o propósito. A tentativa de construir um clube assente na retórica do futebol, empresa/espectáculo, será sempre uma opção que um dia se mostrará trágica, porque de um modo geral, as pessoas só em caso de vitória se reunirão à volta desse clube, na esperança de serem sujeitos da partilha psicológica, também, dessa vitória. Ora, manifestamente não é o caso. A Associação Naval 1º de Maio, não está no futebol para ganhar o que quer que seja, como muito bem ficou demonstrado na última meia-final da Taça de Portugal. E por isso, ainda que desgoste, estamos claramente a chegar ao momento em que o tempo e a vida se tornarão um beco sem saída ou de saída difícil. Porque como muito bem dizem alguns navalistas, poucos, com quem às vezes partilho algumas ideias, o tempo do futebol, peço desculpa pela clareza, do presidente Aprigio, está a chegar ao fim.
Um clube com notáveis nacos de história, mas sem quadros, sem meios físicos, sem resposta social e desportiva significativa, como muito bem se diz, não tem no seu quadro um único jogador nado e criado na Figueira, que se mantém no registo do futebol empresa/espectáculo, estará em breve em instável equilíbrio, mais uma vez, porque infelizmente, para a franja dos estóicos navalistas que ao domingo se entregam ao futebol, o presidente Aprigio terá também, como é óbvio, o seu fim de ciclo e esse corresponderá ao fim inexorável do actual modelo desportivo do clube. E depois, como será? Esta é a dúvida que nunca foi possível esclarecer, porque a discussão no seio do clube foi encerrada há muitos anos.
Ora aqui está como o futebol, estará em breve, em minha opinião, ele próprio, seco.
Bem sei que estas coisas são duras de dizer e de difícil discussão. Contudo, nascido nesta cidade e com raízes numa família de artífices que se dividiu de amores pelos dois clubes da cidade que por isso, me obriga a não ser contra nada, nem muito menos ser o sócio tipo. Passei doze anos na Associação Naval 1º Maio, de modo militante e até à dor. Quem quiser perceber como os passei, aconselho a olhar o poente da marina e verá a casa náutica da Associação Naval 1º de Maio, a cuja construção me entreguei de corpo e alma, na companhia do meu amigo António Simões. Ambos fomos os grandes responsáveis pelo único património material do clube. Depois, passei 10 anos pelo Ginásio Clube Figueirense, de novo de modo militante, com obra e história feita. Para mim tanto faz, porque a questão sempre foi a de saber onde é possível, em cada momento, o engajamento social e desportivo. Evidentemente que houve tempos com muita dificuldade, porque nem tudo é um segmento de recta. Bem sei que não foi no futebol, mas porque haveria de ser? É este cidadão empenhado que continua à espera que estas e outras questões, como diz e bem, o meu amigo Rogério Neves, se discutam nesta terra.

domingo, 18 de abril de 2010

A banda e o "sol"


Os "Cães Danados": da esquerda para a direita: Luís Furet (guitarra solo), Paulo Dâmaso (voz e baixo), Miguel Ângelo (bateria) e Pedro Gaspar (guitarra ritmo).
Na conferência de imprensa de ontem, em que apresentaram o seu primeiro EP, a banda fez um pedido para que a CMFF não mude o logótipo do município, o famoso sol estilizado.
Os músicos consideram o sol uma marca reconhecida nacional e internacionalmente pelo que seria um erro mudá~lo.
Aqui pode ler a nota de imprensa.


sábado, 17 de abril de 2010

“Cães Danados” lançam CD



Os já nossos conhecidos “Cães Danados” apresentam hoje, em conferência de imprensa pelas 16h00, no Tubo de Ensaio, o seu primeiro registo discográfico, “Fado, Fátima e Futebol”. Este projecto musical é uma edição de autor, com 5 músicas.
A banda de punk rock faz um ano no próximo dia 24 de Abril, noite em que tem já marcado o seu concerto de aniversãrio.

O Marcelo do bloco



Ontem, depois da inauguração, no CAE, da interessante exposição “E antes do 25 de Abril, como era?”, da autoria do Tubo de Ensaio, seguiu-se a projecção do filme de Rui Simões “Deus, Pátria e Autoridade”.
Não conhecia o filme mas fiquei elucidado com a situação actual do país com uma declaração de Marcelo Caetano num discurso. Dizia o senhor que não é de direita nem de esquerda. Portanto o homem é do centro. Ou seja, do bloco central. E Portugal não tem sido governado desde então por outra coisa que não o bloco central.
E a situação, à excepção da descolonização e de um terço do segundo “D”, está praticamente igual.
Vejamos, seguindo o percurso dos 3 “D’s:”
Descolonização: foi feita sim senhor. Embora com um atraso de 15 anos.
Democratização: pode-se considerar que há democracia política, com a legalização do PCP. Será discutível, mas pronto. E como Caetano era do centro, neste país não deve haver direita.
O PSD diz que é do centro, embora já tivesse proposto a interrupção da democracia e o PS gosta de dizer que é de esquerda, mas deve ser só para tentar diferenciar-se do PSD. Ou então existe uma esquerda estranha que me é desconhecida, e digo isto porque já li vários extractos do Código de Trabalho e sei o que vem aí com o PEC, entre outras coisas.
A democracia económica não existe. O poder económico está exactamente nas mãos dos mesmos, como é fácil ver. A social não a vejo, agora até bens públicos, ou que deveriam ser públicos, como a água ou a saúde, servem para alguns enriquecerem.
Desenvolvimento: aqui estamos conversados. O das classes que detinham o poder antes do 25 de Abril. Da banca, dos sucateiros, alguns merceeiros, dos boys…
E as autoridades “democráticas” já nem vergonha têm. Acabam de eleger como herói do povo português um reles criminoso, um militar fascista que pelos vistos enquanto militar era incompetente. Foi o mandante do assassínio de Amílcar Cabral, um humanista, já depois de ter perdido a guerra. Um militar que se preze nunca comete, penso eu, actos em desespero de causa.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A batalha naval

Não resisto em transcrever este texto de Fernando Samuel, publicado no "Cravo de Abril".
O tema é triste, uma reflexão sobre a chafurdice em que está mergulhado o país, mas a prosa pela actualidade, pelo humor, vale a pena. Aí vai:






"No Estreito da Lama, que liga ao Mar Sujo (também conhecido por Mar da Política de Direita), prossegue a batalha que opõe a Esquadra Rosa à Esquadra Laranja - e vice-versa.
Em ambas as esquadras, a linha da frente é ocupada por compactas filas de boys resguardados em sólidas trincheiras de anafados jobs, sob o olhar paternal dos respectivos almirantados.
A duração da batalha é imprevisível e o mesmo se pode dizer do seu desfecho - isto se tivermos em conta a superior qualidade do material bélico usado de parte a parte: do lado da Esquadra Laranja, uma vasta gama de mísseis e obuses, todos de marcas afamadas: Freeport, Cova da Beira, Face Oculta...; do lado da Esquadra Rosa, a mesma qualidade bélica garantida por marcas igualmente afamadas: BPN, BPP, Submarinos...
O último disparo conhecido foi ontem: a nau almirante rosa foi atingida com vários mísseis Taguspark.
Estes mísseis são a mais recente aquisição bélica feita pela Esquadra Laranja.
São também conhecidos por Uns comem os figos e a outros rebentam-lhes os beiços...
Entretanto, ali ao lado, no Mar Sujo, a política de direita prossegue: de PEC em riste e saudada com salvas festivas pela Esquadra Rosa e pela Esquadra Laranja."

quinta-feira, 15 de abril de 2010

De tudo o que Abril abriu (III)

foto: alex campos, 08/04/2010
Máquina de escrever com silenciador. Não sei se foi uma invenção dos comunistas portugueses ou se copiaram o modelo de alguma outra experiência de clandestinidade. De qualquer maneira não registaram a patente. O que é verdade é que a necessidade aguça o engenho. E era assim que nas casas do Partido, ou em casas particulares de militantes comunistas eram escritos quer os textos para o “Avante!” quer quaisquer outros documentos. Sem barulho que denunciasse a actividade.
Nesta da foto, que vai estar exposta no CAE a partir de amanhã, nunca saberemos que documentos importantes foram batidos, dos quais alguns têm e terão sempre uma importância histórica.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Comemorações 25 de Abril na Figueira da Foz


Taça de Portugal: algumas curiosidades


O futebol pode ser visto como um reflexo da sociedade em que está inserido. Estas curiosidades ajudam a perceber a macrocefalia do país.
Com o Desportivo de Chaves no Jamor, na final da Taça de Portugal, é a segunda vez, nas 70 edições já realizadas, que uma equipa do interior marca presença. A primeira aconteceu quando o Sporting Campomaiorense, na época 98/99, foi derrotado pelo Beira-Mar, por 1-0.
Por um outro prisma, só por 4 vezes não estiveram na final equipas de Lisboa e/ou Porto.
Além da que referi, o SC Braga e o Vitória de Setúbal em 1966 (vitória dos minhotos por 1-0, num percurso em que eliminaram, salvo erro, Sporting, Benfica e Porto) e 1967 (vitória dos sadinos por 3-2) e o Estrela da Amadora que derrotou o Farense por 2-0, na época 89/90.
Na primeira edição, em 1939, a Académica derrotou o Benfica por 4-3.
Desta vez, como aqui disse, vou torcer pelos trasmontanos.
E venha de lá a taça.

Deu Chaves!!!!!!

Numa análise rápida aos plantéis da duas equipas, num site desportivo, deu para ver que a Naval 1º de Maio em 30 jogadores, tem 8 portugueses, não sendo nenhum deles figueirense. O Desportivo de Chaves é apresentado com 29 jogadores, dos quais 16 são portugueses e, desses, 4 são naturais da terra do presuntinho, lá no Alto Tâmega.
Assim, pode-se concluir que é preferível preferir produtos regionais.
Se forem caseiros, melhor.

14 de Abril ou a cada um o herói que merece

Tenho a felicidade, ou infelicidade, de ter duas pátrias. Li, aqui, que “a dimensão da pátria vê-se pela estirpe dos heróis que reconhece”.
Tenho os meus heróis em cada uma delas. Muitos. Bastantes. E, com regimes parecidos, parece-me que o respeito por eles é diferente em cada uma delas.
Hoje, 14 de Abril, celebra-se em Angola o Dia da Juventude. Em homenagem a um comandante da guerrilha. A um nacionalista. Mas há muitos mais. Poderia falar de Agostinho Neto, António Jacinto, António Cardoso. O comandante Valódia. E muitos mais.
Dos portugueses, posso referir Alfredo Dinis, mais conhecido por Alex, o único militante do PCP que ficou conhecido pelo nome “falso” que usava na clandestinidade. Confesso que nunca percebi porquê. Vil e cobardemente assassinado pela PIDE em 1945, aos 28 anos de idade. Há muitos outros. Desde Bento Gonçalves, Ferreira Soares, Militão Ribeiro, Álvaro Cunhal, Dias Coelho, e muitos outros anónimos, que lutaram pela liberdade.
Mas, em Portugal, por outro lado, homenageiam-se fascistas ao mesmo tempo que se esquecem outros nomes, embora mais distantes na História. E, se for verdade que a dimensão da pátria se vê pela estirpe dos heróis que reconhece…bem… penso que Angola ainda entrará nos eixos… mas Portugal está sempre a tempo.
Deixo-vos um poema de Rui de Matos:

Procuro um leão

Ando à procura de um leão
que não seja muito grande,
que seja terrível na luta,
que o temam e o amem.

Quero fazer o retrato de um leão
de olhar doce,
de sorriso franco,
um leão alegre,
sem reservas.
Um leão imenso
no seu amor.
Chamá-lo-ei
HOJI-IA-HENDA

Procuro um leão
um leão generoso
que divide o seu pão
e que dá a vida.

Procuro um leão
duro e implacável
com os seus inimigos…
esse leão
doce e humano
amigo e simples
chamá-lo-ei
HOJI-IA-HENDA

Ando à procura de um leão
que sorria da derrota
com tanta fé na vitória.

Procuro um leão
que seja temerário
um leão amado
um leão temido,
chamá-lo-ei
HOJI-IA-HENDA

Hei-se procurá-lo
na terra
procurá-lo
no mar
procurá-lo
nos rios
procurá-lo
nas chanas.
Hei-se encontrá-lo em Angola,
Farei o seu retrato,
Chamá-lo-ei
HOJI-IA-HENDA

terça-feira, 13 de abril de 2010

De tudo o que Abril abriu (II)

foto: alex campos, 08/04/2010


Maria Júlia está no Museu do PCP, na Quinta da Atalaia, a compor uma página do "Avante!".
Essa página irá ser impressa numa exposição, uma das muitas que são solicitadas, num dos prelos usados por ela e pelos seus camaradas na clandestinidade.
.Não perguntei à Maria Júlia se, por vezes, ainda sente aqueles arrepios, aqueles sobressaltos que, demasiadas vezes, sentiu. Porque seria uma pergunta desnecessária. Sabe-se que as experiências, as sensações profundas, como o medo, por exemplo, perduram para sempre na memória.
Mas o largo sorriso e os fraternais beijos com que me recebeu responderam. E disseram que, se fosse necessário, poderíamos contar com ela novamente. E que, novamente, o medo seria vencido.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Uma dúvida sobre o empréstimo

Os portugueses vão emprestar 77 euros cada um.

A minha dúvida é que não faço ideia nenhuma de

quem é o beneficiário desse empréstimo:

Os gregos ou os ricos gregos?

Um cavalinho de pau



Eu sabia, toda a gente sabia, que a autarquia figueirense, aliás como muitas outras, tem grandes dificuldades de tesouraria, vá lá, financeiras. Não estou a inventar, todos os partidos, todos, foram unânimes ao afirmá-lo.
Agora é que fico com a dúvida se é verdade ou se é mentira, ao ter conhecimento que uma das “empreitadas” do novo executivo é a mudança do logótipo do município.
Ora se for verdade a situação financeira da edilidade ser tão caótica como a pintaram, estamos perante uma manobra de diversão muito reles e irresponsável. Não penso que seja uma prioridade andarmos a brincar aos bonecos.
Se for mentira, claro que vamos ter sempre mais do mesmo…
Parece o cavalinho de pau, faz que anda mas não anda…

Um soneto que escoicinha

Augusto Alberto (texto e fotos)

Aqui no Pocinho a primavera já tem calor de estio. São cinco da tarde e no alcatrão que borda o Douro, que vai agora mais calmo, corro na companhia dos meus dois atletas paraplégicos, cada um na sua cadeira de rodas. Em plano, a descer e a subir. A meio já precisam de água. Os socalcos acima do rio, estão a ser preparados para a vinha rebentar de novo e dai, ao Porto, branco ou tinto. Ou ainda os vinhos de mesa, tintos ou brancos. Já longe vemos as vinhas da casa de Vale Meão, de D. Antónia Adelaide, a Ferreirinha. Essa mulher que muitas vezes teimou com o Marquês de Pombal. E do lado de lá, depois do rio, a linha do Douro, que infelizmente já não chega a Castela. Restam as sulipas desconchavadas, os carris aplainados e as cavilhas num botaréu. Na confluência, uma ponte decrépita, que nos informa que ali também houve comboios. Os do Tâmega, que também se acabaram.
A barragem do Pocinho, que trava o Douro e o amaina, foi o ponto de partida e de chegada para os 60’ de cadeirada. Chegamos cansados e logo se apresenta pelo lado contrário uma carroça puxada por um cavalo. O bicho vá-se lá saber, teve medo e desatou a escoicinhar e o homem teve lesto de se por ao chão, porque a besta rodopiava e levava consigo a carroça. Junto ao paredão da hidroeléctrica da EDP, paramos os três, desconfiados e à porfia, não fosse a coisa complicar-se. A besta lá foi cedendo ás boas falas e manobras do dono e retomou a marcha sem mais acidentes.
Foi uma besta a escoicinhar junto ao paredão da EDP e logo pensei, que cavalos também somos, porque pagamos na factura o “mileu” do Mexia e do séquito. E esses não comem palha.
Aqui para este lugar, de frios e calores a sério, trouxe, nem de propósito José Régio, para os tempos possíveis e logo me lembrei de um soneto que não resisto em deixar. Como José Régio, um católico convicto, mas decente, viu Portugal. Se não é um atavismo, o que é?



Surge Janeiro frio e pardacento
Descem da serra os lobos ao povoado
Assentam-se os fantoches em S. Bento
E o decreto da fome é publicado

Edita-se a novela do orçamento
Cresce a miséria do Povo amordaçado
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado

E enquanto à fome o Povo se estiola
Certo santo pupilo de loyola
Mistura de judeu e vilão

Também faz o pequeno “sacrifício
De trinta contos – só! - por seu oficio
Receber, a bem dele…e da Nação.


domingo, 11 de abril de 2010

E um novo estádio



Um texto publicado por Rogério Neves no seu blogue “Marcha do Vapor” motivou um debate sobre a necessidade ou não de um estádio novo para a Naval 1º de Maio. Também interferi com a ideia de que não é propriamente um estádio novo que a cidade precisa.
O diário desportivo “A Bola” na sua edição de ontem, na reportagem sobre o jogo que opôs a Naval ao Nacional, destaca a pior assistência da Liga. Estiveram 340 pessoas no Municipal.
Se uma das razões para um estádio novo é este não possuir condições, a culpa, como eu disse, é da Liga de Clubes que o autorizou para a disputa das refregas. Não acredito que as pessoas não vão à bola só porque o estádio não presta. Não vão porque não se identificam com a equipa. Se não vejamos: nos dois campeonatos profissionais de futebol quantos jogadores figueirenses estão na liça?
Denotava muito mais bom senso um melhoramento do estádio e melhores condições, ou simplesmente condições, para a prática do futebol de formação.
Porque o futebol na Figueira não tem, como o basquetebol aliás, problemas de recrutamento para a sua prática. Antes têm, os dois, um efeito eucalipto. Há outras modalidades que se poderiam impor mais facilmente se não tivessem esses problemas, como a natação, o boxe, o atletismo ou o remo.
Claro que estou consciente de que o futebol é uma indústria que movimenta milhões, mas um estádio novo é um investimento que dificilmente terá contrapartidas, quer para jovens atletas quer para a cidade. Vê-se o caso de Aveiro ou de Leiria. Terá para outros, como se pode ler no interessante debate do “Marcha a Vapor”.
Mas, por outro lado, também estou consciente de que poderia ser um bom negócio para a autarquia. Se vendesse o terreno para um estádio, a preço justo, pois estou a lembrar-me que o terreno da Ponte do Galante foi vendido, numa manhã, por 300.000 contos e, o comprador revendeu-o na mesma tarde pelo dobro ou mais. Como o aniquilamento da Mata Sotto Mayor, a favor da especulação imobiliária há uns anos, não rendeu absolutamente nada para autarquia. Pelo menos nada que se visse. Assim se compreende porque as câmaras municipais, grande parte delas, estão na situação que estão. O poder económico privado é que dá cartas e o poder político é-lhe subserviente.
Mas com esse negócio, o actual estádio poderia ser aproveitado para a formação não só do futebol como também com a activação da pista de atletismo, essa sim uma das grandes carências do desporto figueirense. E a manutenção do estádio, não tão barata como se possa supor, teria assim uma razão de ser e uma utilidade pública. Além de ficar menos onerosa.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

The fab four of Liverpool

Como quem cola chiclete

Augusto Alberto


Posto nos meus sossegos no Douro, com temperatura de estio e sem intenção de voltar tão depressa a este “aldeia olímpica”, eis que me vejo na necessidade de voltar ao anónimo de 6/4/10 das 00.44 horas.
Insiste o anónimo democrata em branquear Pousada Carriles, avançando teses como quem cola chiclete nos passeios de Lisboa. Diz que foi condenado por um tribunal americano e passou 8 anos sem acusação formalizada no Chile, no período de 1977 a 1985, aguardando de momento julgamento nos Estados Unidos. Entrou no reino mirabolante dos factos e datas. Melhor seria que fosse capaz de estruturar um pouco a cronologia das coisas. De qualquer modo, dando de barato a salgalhada, sempre aqui quero, em meu claro abono, dizer que a fazer fé nos tais 8 anos passados no Chile, que melhor lugar poderia ter procurado esse terrorista refinado do que o aconchego desse outro indómito e intrépido torcionário, Augusto Pinochet? E sabe porque? Porque se
esqueceu, ou se calhar não, que no Chile reinou com mão de chumbo, esse general (a)ugusto, que um dia o amigo americano resolveu apadrinhar. Quem sabe se nesses tempos de concubina hospedagem, Carriles não visitou e cuspiu na campa do poeta e Nobel da literatura, Neruda, que convidado pelo Presidente Allende, leu poesia para 70 mil pessoas no estádio nacional do Chile, queimou os discos de Vítor Jara, que também, por ironia, no mesmo estádio, se esvaiu em sangue, e rosnou pelas docas de Valparaiso na procura de resistentes em fuga aos cárceres do amigo Pinochet. Só estou a lembrar, porque às vezes acontece que a memória se esvai.
Mas como carinhosamente acertou em cheio, leva-me a exclamar: - ai (a)ugusto, (a)ugusto, como soubestes sempre receber os da tua laia, e por isso, quem sabe se não anda por ai ainda gente com genuína vontade de te fazer uma romagem de saudade?
Para acabar, reafirmo que esteve preso por entrada ilegal no país e posto em liberdade, aliás, na linha da espera que refere, no final do consulado de outro refinado caceteiro, o último Presidente Bush, porque como sabe, houve o primeiro.
Caríssimo, vai sendo hora de acabar com esta discussão, porque começa a parecer que tem pretensões a branquear um refinado bombista e isso fica sempre mal, nem que seja a um anónimo. Cuidado! Por este andar, não se lhe cole algum rótulo.
Deste que assina Augusto Alberto e que decididamente não voltará ao tema, porque o meu “assus” já decretou basta. Passe bem.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

De tudo o que Abril abriu (I)*



Comemorar, ou evocar, Abril não é só manifestar alegria pela queda do regime fascista que durou 48 anos. É também desejar o resgate da esperança que essa primavera de 1974 trazia no ventre. E que ainda não foi parida.
É também recordar grande parte da História portuguesa do século XX. Que se confunde com a acção dos comunistas, com a sua luta, desigual, travada pela liberdade.
O PCP foi o único partido que resistiu e lutou. Muitos dos seus militantes foram perseguidos, presos, torturados, assassinados. Muitos.
Evocaremos a data libertadora com apontamentos dessa luta.




*o título foi pedido emprestado ao poema de Ary dos Santos

Realmente... não há muito a dizer

E, portanto, não acrescento mais nada.


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Lá vai despique: “Sou mais de direita que tu”

Se eu disser que num dado país democrático a reintegração de trabalhadores despedidos ilegalmente é anti-constitucional muita boa gente era bem capaz de dizer que não estou bom da cabeça.
Mas é a pura das verdades. Passa-se em Portugal e mais parece um despique entre o PSD e o PS para verem quem é mais de Direita. Às tantas só ganha quem apoiar a candidatura de Mário Machado à presidência da República. Se qualquer dos dois não estivesse bem servido…
A mirabolante estória, onde políticos se colocam acima da lei, aqui.

terça-feira, 6 de abril de 2010

As putas

Augusto Alberto (texto e foto)
Fiz o meu curso de serralheiro mecânico na velha Escola Industrial Marquês de Pombal, construída nos terrenos do antigo e saudoso estádio das Salésias, mítico local do Clube de Futebol “os Belenenses”. Aí conquistou o seu único título nacional de futebol. Filho do povo, foi a escola industrial que me recebeu. Os meninos do regime, aprendiam no classista liceu. Nas escolas industriais passávamos horas em aulas de desenho e em trabalhos oficinais, às voltas com as fresadoras, tornos, limadores, etc. Os filhos classistas, entretanto, empinavam a lírica de Camões e as orações do poema pátrio, os Lusíadas. Muitos, apesar das melhores intenções morais, não deixaram de ser os nossos párias e muitos deles, os responsáveis pelo actual estado da pátria. Lembro-me que por esses anos, girávamos pela Rocha de Conde de Óbidos, apanhados pelos barcos, sobretudo, quando sabíamos que chegavam barcos da Nato, em descanso e reabastecimento. Os barcos americanos, dizíamos. Houve um, em especial, que recordo. O State of Maine, um navio de reabastecimento. Quando em grupos de três ou quatro nos aproximávamos da escotilha que julgávamos ser a da cozinha, levávamos a mão à boca e fazíamos o sinal de comida. Em regra, o marinheiro era amigo. Um dia, recebemos, inteiro, um bolo coberto de chocolate. A festa foi grande, como é bom de ver, porque para os filhos do povo, um bolo assim, era uma festança.
Mais tarde, muito mais tarde, dei-me de novo com outro vaso de guerra, com nome Maine. O contratorpedeiro Maine. Não o barco, porque há muito, em 1898, que foi deitado ao fundo, mas o obelisco que lembra e presta homenagem aos marinheiros desse Maine, que os próprios americanos torpedearam, para a partir dai entrarem em conflito com Espanha, à data os administradores da Ilha de Cuba, na que ficou conhecida como a guerra hispano-americana, que se resolveu num ápice, evidentemente, e deu lugar à administração de Cuba pelo amigo americano. Esse foi o início da popular política da canhoneira, e este acto, mais do que um facto, um verdadeiro escarro, ou o exemplo de como para o império, tudo vale e as razões éticas são cantigas.
Esse período de absoluta propriedade americana tem algumas especiais singularidades. Cuba passou à condição de prostíbulo. Refinados banqueiros, gangsters e outros magnatas, passaram longos períodos agarrados à roleta, ao mojitos, ao champanhe e às putas. Era a luxúria. Evidente que na passagem pela ilha, o império deixou uma arquitectura sublime e moderna. O Hotel Nacional, é um requinte. Mas isso foi em Havana, porque no resto da Ilha, o latifúndio e a praça da jorna, eram regra.
Em 1959, a coisa acabou, espera-se que em definitivo. Os barbudos chegaram e claro está, o Império ainda não conseguiu mastigar o facto de ser corrido e apesar de múltiplas tentativas, ainda não ter conseguido voltar. É evidente que nunca é tarde.
Estes Maine (s), são minhas memórias e ambas me lembram uma certa pobreza. O marinheiro que nos deu o bolo, lá deverá ter dito: - aqui estão meninos esfomeados. Não era bem assim, mas lá que os filhos do povo eram carentes de um doce, que não restem dúvidas. E Cuba, daquele outro Maine, que obrigou aos mojitos, a roleta e as putas, é só uma espinha que pica na garganta gorda, de gente bem ataviada.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

"Cães Danados" na estrada


A banda figueirense de punk-rock "Cães Danados" vai actuar no próximo dia 9 na primeira noite do Festival "Rock Of", em Vila Nova, Cantanhede.
No dia seguinte, a "histórica" banda actuará no "House of Rock II", na Casa do Povo de Maiorca.
É o regresso aos concertos depois de três meses de ausência motivada por doença do lider da banda, o jornalista Paulo Dâmaso, vocalista e viola-baixo.

Passem bem

Augusto Alberto (texto e foto)


Fico muito contente pelo facto do meu último texto publicado neste “aldeia olímpica” justificar enorme discussão. Quer isto dizer que me aposentei mas não me reformei das ideias e do debate. É de tal monta a discussão, que o meu amigo Chana, editor deste singelo blog, veio pelas ilhargas, meter também a colher. E fez muito bem.
Quero começar por dizer que o anticomunismo e a ingenuidade, a real e a aparente, são coisas bem legítimas, mas a desconsideração histórica é um facto lamentável. Então voltemos ao assunto, para que não se julgue que somos todos parvos.
O citado Posada Carriles, um terrorista retorcido, é um cubano natural da província de Cienfuegos e um colaborador de Batista. Razão bastante para se tornar um empedernido anti cubano. Trabalhou para a CIA durante continuados anos e foi homem de enormes tropelias. Uma dessas, no citado 11 de Maio de 1976, com um seu amigo de nome Orlando Bosch, hoje hospede dos Estados Unidos, e debaixo da orientação de venezuelanos, foi responsável pelo abate de um avião DC-8, que pouco minutos após ter levantado do aeroporto dos Barbados, explodiu em pleno ar, ceifando a vida a 73 jovens. Demoraram esses dois terroristas no regresso à embaixada dos Estados Unidos, o tempo que mediou entre o levantar voo e a fatídica explosão.
Foi preso na Venezuela e fugiu, por entre fechaduras, para os Estados Unidos, onde realizou brilhantes tropelias. Umas delas, o assassinato por exemplo, do chanceler chileno Orlando Letellier, no âmbito da operação Condor.
Uma brilhante folha e por isso, seria uma incongruência ser julgado nos Estados Unidos, a quem serviu, como terrorista. Foi ao contrário do que o nosso anónimo refere, preso por entrada ilegal no país e de seguida, deixado ao fresco, porque os amigos do peito, merecem respirar. Por hora, Carriles anda por ai. Estes, são em resumo, os factos.
Evidentemente que um sujeito destes, mal seria se fosse dar a Cuba. E porquê? Ora porquê, porque em Cuba há tortura, como diz. Ou seja, ela existe, segundo os manuais do departamento de estado dos Estados Unidos. Simulação de afogamento, tortura do sono, electrochoques nas partes baixas e altas, aturar o rosnar de cães, etc. E aonde? Na base militar americana de Guantánamo, sim senhor. E já agora, o que diria este nosso amoroso anónimo se os espanhóis por exemplo, tivesse num cantinho deste nosso Portugal uma base militar, contra a sua vontade, da minha e do povo que somos? Então para continuarmos a falar de democracia, comece já o nosso anónimo a recolher assinaturas para que os americanos abandonem de imediato Guantánamo, sem condições. Seria de democrata!
E pergunto eu, porque razão haveria os Estados Unidos de julgar um sujeito que nada fez contra os Estados Unidos, antes, serviu? Só porque acha que os Estados Unidos são o polícia do mundo? Por aqui, temos uma metódica discordância. Concorde.
Mas vejo que o nosso anónimo não refere o facto do estado mexicano ter deixado de ter condições para zelar pela vida de muitos dos seus cidadãos. Não o incomoda? Porque haveria? Por hora, honra lhe seja feita, não atribui essa negação da vida aos comunistas. Quanto a uma eventual imprecisão, sempre direi, que não sei se algum comunista esteve na rádio Maiorca, que não ouço. Esse é assunto que só à rádio, e a quem a dirige, diz respeito. A questão, disse eu, à falta de outros argumentos, ripa-se do bolso Cuba e a Coreia do Norte e já está. Porque esta gente se esfalfa na lufa-lufa de branquear a história e terroristas, então também cá temos o desmontar das trapaças em que vossas senhorias gostam de claudicar.
Passem bem.

Foto: memorial às vítimas do atentado, em Havana

domingo, 4 de abril de 2010

Ele há cada uma



Há "socialistas" que consideram obscena a sua própria governação. Isto só neste país. Dizem alguns deles que até se sentem chocados... que o PEC coisa e tal, tem desvios de direita... mais isto e mais aquilo... bem, eles burros não são, logo já tinham reparado que o "ps" é o partido neo-liberal por excelência. Então se são de esquerda o que fazem num partido daqueles? Só se os descontentes são os que ...

Um anónimo, dois comentários

Se bem que não será de bom tom responder a anónimos, dois comentários na crónica do meu camarada Augusto Alberto impõem algumas correcções. Porque não são os comunistas que convivem mal com a verdade histórica, nem precisam de “criar factos” para dar cobertura à sua ideologia. O que me parece mal, mesmo pouco digno, é escondermo-nos no anonimato para podermos mentir ou deturpar factos impunemente.
Primeiro comentário – Carriles foi preso e julgado, mas é necessário informar que foi absolvido, como não poderia deixar de ser. Não foi só o atentado ao avião que vitimou 73 inocentes, na sua vasta folha de serviço constam bombas em vários hotéis. Também será importante informar que Carriles foi treinado pelo exército dos EUA e agente da CIA entre 1960 e 1976. Não estou a inventar este facto, são documentos desclassificados do governo dos EUA (CIA e FBI) que o atestam e provam o seu envolvimento no atentado. Como provam que ele fornecia, com o apoio da CIA, armas para os “contras” na Nicarágua.
Portanto, é fácil deduzir que os atentados que perpetrou foram realizados ao serviço do imperialismo americano e com patrocínio deste.
Outro motivo, igualmente ascoroso, pelo qual é necessário escondermo-nos sob o anonimato é a exibição de uma aparentemente cândida inocência, mas ridícula e perigosa. Diz o anónimo que Luís Posada Carriles não é extraditado porque há o perigo de ser torturado em Cuba. Esta tem piada, uma vez que são os americanos os maiores praticantes desta disciplina. Não será pelo terramoto que declarações de Carriles provocariam? Porque seguramente não será para proteger um dos deles, os americanos estão-se nas tintas para isso, sempre atraiçoam velhos amigos desde que isso lhes convenha.
É giro sabermos conviver com a verdade histórica, lá isso é.
Segundo comentário – diz o anónimo que a Rádio Maiorca convidou um comunista que esteve presente no programa e emitiu opinião. Diz o anónimo que o autor do texto deste blog afirma que não esteve ninguém da CDU, que não ouviu o programa, não sabe e que não se absteve de comentar. Quer dizer, além de falar de cor também fala por mim.
Só quero reafirmar que não esteve ninguém do PCP no programa, que nenhum militante do PCP, ou autarca eleito pela coligação que o PCP integra, foi convidado. E que não ouvi nenhum comunista no programa.
Quem tiver dúvidas sempre pode contactar o PCP.

sábado, 3 de abril de 2010

Texto singelo

Augusto Alberto

Em 30 de Março de 2010 13 pessoas, uma delas bebé, foram chacinadas na cidade de Juarez, no México, vitimas das lutas pelo controle da droga. As estatísticas dizem-nos que a média de pessoas abatidas de modo calculado, é de cerca de 210 pessoas/mês. Num espaço de um ano de caça ao homem, um número próximo dos 2.600 abates. É evidente que há maduros que a esta coisa chamam democracia, apesar do estado já não conseguir garantir a vida. A este ritmo, a minha freguesia, por exemplo, desapareceria em menos de 4 anos. Que beleza!
Pelo Estados Unidos pavoneia-se um velho, o mais tosco, cretino e aberrante homem, de seu nome, Luís Pousada Carriles, que em 11 Maio de 1976 fez explodir com gosto um avião cubano com 73 jovens atletas cubanos que tinham participado nos Jogos ibero – americanos. Já lá vão muitos anos e este terrorista continua a iludir a justiça porque as autoridades americanas lhe dão o merecido aconchego. Bem exige Cuba o seu julgamento e para o efeito o estado venezuelano já solicitou a sua extradição, mas o estado americano nunca esquece, como deve ser, quem o serve com distinção.
É sempre possível ter dúvidas, mas eu sei que se Pousada Carriles tivesse rebentado um avião com bandeira americana e desse tresloucado acto tivessem morrido algumas dezenas de cidadãos do império, seria seriamente procurado, nem que a terra ardesse. Aliás, como está à vista.
De todo o modo, que se fale de democracia e mantenhamos também a memória viva e então, para inicio de conversa, bem andarão esses cubanos das liberdades, se exigirem logo à cabeça que esse Pousada Carriles seja julgado a preceito, porque com a sua expressa vontade, matou seus concidadãos, a não ser que o império lhes tenha pedido para manterem a memória curta. Por isso faz bem a revolução cubana em cerrar taipais em sua defesa, ainda que custe, contra tudo e contra todos.
Vem isto a propósito de comentários feitos à volta de conversas pluralistas na rádio Maiorca, que excluem a opinião de gente da CDU. Essa exclusão é um direito, que fique claro. Mas à falta de melhores explicações, que não terão de ser dadas, evidentemente, cá chegamos inevitavelmente a Cuba e à Coreia do Norte.
Pois bem, em Cuba as coisas são assim como digo. Quanto à Coreia do Norte, sei o que leio, embora essa gente que escreve e opina na totalidade não me mereça a mínima confiança e, por isso, a minha capacidade de triagem é praticamente nula. Nunca lá fui, nem creio que alguma vez tenha modo de lá ir, embora já tenha feito por lá, duas tangentes. Por isso, a Coreia do Norte está-me longe, mas não deixa de me dar algum encanto de quando em vez, quando o canal Mezzo passa na íntegra, num concerto de charme, a Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorak, dirigida pelo maestro Lorin Mazel, num teatro de Pyongiang, austero, elegante e penetrável, perante os sérios e absorvidos dignitários do regime norte coreano, naquele momento, completamente adocicados pela delicadeza das notas da sinfónica de Nova Yorque. Ficamos a saber que até os mais sisudos homens podem ficar em êxtase perante a beleza dos sons. Infelizmente, a alguns empedernidos bloguistas e demais opinadores que entendem o mundo com centro no seu umbigo e fazem do anticomunismo o alimento de pedra das suas almas, não sei como lhes dar música para os tornar mais adocicados. E como não sei, fico-me por aqui, por este singelo texto, ainda que nada mude, evidentemente.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A flauta do rocker

Domingos Mariotti fundou, com Fernando Motta, e outros, a banda brasileira de rock alternativo “Recordando o Vale das Maçãs” (RVM).
Têm os dois em mãos um outro projecto, “Reunião”. Um projecto que, embora integrando outros elementos da banda nalgumas músicas, é um pouco diferente, quanto mais não seja pela quase ausência de percussão.
Vale a pena ouvir uma amostra do que vai ser este trabalho, já em fase de mixagem e arte final.

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A brincadeirinha do 1º de Abril

Só a parte dos “Xutos e Pontapés”foi mentira, uma vez que os “Cães Danados” têm mesmo marcado para o dia 24 de Abril o concerto do 1º aniversário.
Também, a partir da manchete do jornal “O Público “ poderíamos ter anunciado o regresso da União Nacional. Claro que seria muito mais plausível, uma vez que nas grandes questões nunca houve divergências entre PS, PSD e CDS. E, vistas bem as coisas, já é verdade há longos anos.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

“Xutos e Pontapés” nos “Cães Danados”

Os míticos “Xutos e Pontapés” aceitaram fazer a primeira parte do concerto do 1º aniversário da banda figueirense “Cães Danados”, que se realiza na Cova-Gala, no próximo dia 24 deste mês.
Aquela consagrada banda é uma das influências e referências dos figueirenses, que incluíram, aliás, no seu reportório a música “Morte Lenta”.
Este tema clássico dos “Xutos” poderá ser, não conseguimos apurar, o ponto alto do concerto, com duas interpretações, uma vez que Tim irá interpretá-la acompanhado pelos ”Cães Danados” e Paulo Dâmaso, o vocalista figueirense, será acompanhado pelos “Xutos”.

Mais sobre os "Cães Danados", aqui